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Se arrependimento matasse!


O conflito é decorrente das interações humanas desde que o homem existe. Faz parte de nossa natureza e decorrência da vida em grupo. 

No mundo laboral a competitividade é mola mestra destas relações pelo atrito. Muitos querendo a mesma coisa que em geral é escassa ou restrita. Desde que usada de forma saudável (pela competência) é até bom, para que não gere comodismos. Mas, na prática não é assim. Numa inversão ou distorção de valores prevalece a lei do traiçoeiro e covarde, sobretudo em ambientes favoráveis a este tipo de prática medíocre. E isso, não vem de hoje.

Se o conflito ocorre da vida em sociedade, portanto em sua extensão, na laboral, então, é praticamente uma regra. Não importa o nível sócio cultural ou grau de função hierárquica, lá está o antagonismo. Mas, o meio corporativo finge que isso não existe e permite que as pessoas se digladiem entre si. Em alguns ambientes mais que em outros, é verdade.

Ocorre com todo mundo e ocorreu comigo inúmeras vezes em vários lugares e as coisas se resolveram naturalmente de forma melhor que outras, dadas as respectivas condições. Penso que não sou diferente da maioria das pessoas com traços de personalidade similares como, por exemplo, o de emitir minha opinião, sobretudo em um país livre e democrático. É bem verdade que determinados ambientes laborais não aceitam isso de forma tão passiva e o encaram como uma afronta, pois “quem eu penso que sou pra pensar”, dizem eles.

Pois bem, em determinado momento do meu atual emprego, tive um atrito com um colega que, na época, decidiu expor a situação em uma página de uma rede social pra mobilizar a opinião do grupo contra mim. Angariou apoio de pessoas que se sentiam ameaçadas por meu jeito de ser, e, a coisa saiu de controle conforme tinham a intenção, o que deflagrou o processo de assédio moral pelo qual passo. Uma característica bastante evidente foi o vetor de motivação que os alimentava: a inveja. De forma oportunista, aproveitaram da situação pra incitar os superiores contra mim, manipulando-os de forma até surpreendente, e, eles caíram. 

Uma dos momentos que me chamou a atenção foi que entre os moderadores encontrava-se um que é a síntese da hipocrisia e bossalidade humanas, pois, vinha com discursos religiosos citando a Bíblia na tentativa de converter os pecadores à salvação, mas que se comportou como verdadeiro ser rastejante que vive em ambientes pútreos, como as lacraias, bichos que gostam de ambientes insalubres, se escondem embaixo de folhas e troncos podres, ou em lugares que ofereça matéria em estado de decomposição. Tem até música de gosto duvidoso pra esse bicho.


Gente traiçoeira que por coisa fútil se levanta todos os dias pra causar o mal a seu próximo. São seres sem consciência que amam a intriga, a destruição moral de colegas e se comportam como bestas humanas.

Mas, se fizeram tudo isso, foi por que se sentiram motivados ou apoiados para tal. Lembro-me que o citado quilópode se sentiu muito à vontade pra delatar que seus chefes o protegeriam de qualquer punição, o que de fato ocorreu e que por isso estão tendo a maior dor de cabeça ao enfrentar uma ação judicial na justiça do trabalho. Eu só não sei se foi muito inteligente, até porque nenhum daqueles que iniciaram este processo teve que sentar na sala de audiência pra prestar esclarecimentos à juíza, e sim o preposto que responderá por tudo. Ao que parece passar a mão na cabeça de bicho peçonhento dá nisso mesmo: muita dor e transtorno. Se fossem punidos lá atrás, tudo tinha se resolvido. Quem sabe, da próxima vez estes “chefes” aprendam a fazer a lição de casa e não se aborreçam mais, né?

Toda esta confusão e embrólio me lembra de dois personagens do filme “Sob controle” onde policiais praticavam abuso de autoridade contra cidadãos que transitavam pela estrada local. Amparados pela impunidade e pelas precárias condições da delegacia local da pequena cidade faziam todo tipo de irregularidades e crimes apoiando-se na truculência e pela farda da polícia. Intimidavam, humilhavam, dominavam as pessoas de forma covarde sabendo que estas estavam em pânico e impotentes pra reagir. Só que outros acontecimentos os levaram a repensar seus paradigmas e se arrependeram amargamente.

Tal quais os policiais corruptos a quadrilha que se instalou na empresa que trabalho sentia-se livre e potente pra cometer todo tipo de injustiça e perseguições, tanto que causaram a demissão de dois colegas, sendo que, de um, fizeram questão de destruir até sua família.

Obviamente que me prontifiquei em testemunhar à favor do colega e isto os irritou profundamente. Lembro-me que eu ainda estava afastado pelo setor previdenciário me tratando da depressão quando fui à empresa solicitar a cópia de um documento pra colaborar no processo e ouvi da chefe do RH e de um lacaio seu que “se eu estava louco pra trabalhar, também o estava pra testemunhar” (se referiam à depressão)e me disseram que tinha um inquérito sendo movido contra mim por mau comportamento e que eu seria punido de qualquer maneira. Hoje sei que a ideia era a de me demitir por justa causa alegando mau procedimento, ironicamente imputando a mim exatamente o que eles são, numa manifesta projeção. 

Na época me lembro que os envolvidos pela difamação que culminou com a demissão do colega mentiram descaradamente pro grupo dizendo que não estavam envolvidos na questão e por que eu os desmenti foram orientados pela chefia com o apoio do RH  a forjar um inquérito contra mim. Mas, isso também não foi novidade, já que eles inventaram a tal irregularidade que culminou com a demissão de um pai de família.

Incrivelmente estas pessoas usam a coisa pública pra disseminar todo mal e perversidade que manifestam internamente. Ocorre que isso é condenado pelos princípios da administração pública que prevê, inclusive, sanções pra esta modalidade de improbidade administrativa. 

Hoje, decorridos pouco menos de sete anos fico imaginando se eles achavam que seria desta forma tão trabalhosa destruir alguém. Não fosse pelo fato de passar a encarar a coisa do ponto de vista psicológico e de ter adotado medidas como a denúncia ao MPT e a ação que pleiteio na justiça trabalhista, é bem provável que os agressores teriam tido sucesso. O que me dá orgulho é que nesse momento o menor dos problemas deles sou eu. Na realidade enquanto estão olhando pra mim esquecem-se de que outros estão vindo fora o que a procuradoria está investigando.

Pois, é. Na vida de um agressor, bom é que não haja resistência ou visibilidade. Não compensa ter todo este trabalho, sendo que o “gostoso” do assédio é devorar a vítima sem implicações. Quem sabe assim as empresas não comecem a cobrar posturas éticas de seus empregados e decidam agir pra coibir este tipo de situação em seus ambientes, não é mesmo?


Raniery
raniery.monteiro@gmail.com

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