quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Caos e Regresso


O Brasil atravessa uma de suas piores crises políticas da história liderada por uma elite rancorosa, conservadora e caduca que não aceita que o país se desenvolva e que sua população experimente o chamado bem-estar social.

Por algum motivo, ainda desconhecido as pessoas se posicionaram de forma antagônica em dois sentidos: ou se é conservador ou de esquerda e passaram a manifestar um comportamento esquizofrênico fora de contexto, isto é, agindo como se ainda estivéssemos numa guerra fria onde a motivação era a de combater o “Império do Mal”.

Em um desses debates recentemente um colega de trabalho, nitidamente desequilibrado, passou a me atacar proferindo uma série de ofensas desconexas com a pergunta que lhe fiz.

Perguntei-lhe se sabia a origem do lema estampado na bandeira brasileira já que ele o havia citado como mantra de seu engajamento como “ultrarradical de direita”. Como eu havia previsto o inocente fanfarrão não sabia nada do que vociferava engrossando a estatística de tantos outros bobalhões que somente querem chamar a atenção se fazendo passar por adeptos de alguma ideologia.

Na verdade, o pobre rapaz só fez cair em contradições já que se dizia arredio à ideologias e intelectuais, embora, também desconheça que tudo isso parte desses mesmos cientistas sociais que, evidentemente, externam sua visão de mundo dentro das hipóteses e conclusões sobre o objeto de seus estudos – a sociedade.

Veja, que bastaria ao meu esdrúxulo amigo ser um pouco mais diligente e menos impetuoso para entender que o que saia de sua mente não era nenhum lema militar cuja lavagem cerebral passam os soldados quando aquartelados.

Curiosamente era originário de um dos pais da sociologia que ideologicamente disseminou ideias contrárias ao meu colega cognitivamente desfavorecido.

Ordem e Progresso é a frase que está escrita na bandeira brasileira, e é o lema nacional, desde sua formação, e foi idealizada por Raimundo Teixeira Mendes.

A expressão ordem e progresso é o lema político do positivismo, e é uma forma abreviada do lema de autoria do positivista francês Auguste Comte: "O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim”. O positivismo possui ideais republicanos, como a busca de condições sociais básicas, através do respeito aos seres humanos, salários dignos etc., e também o melhoramento do país em termos materiais, intelectuais e, principalmente, morais.

No século XIX surgiu uma corrente de pensamento chamada positivismo, que teve o filósofo francês Auguste Comte como um dos seus defensores mais importantes. Ele defendia que o progresso era a uma das únicas saídas para a evolução da humanidade.
O Positivismo, grosso modo, é uma filosofia que alça ao status de maior posição a lei. E qual é o seu porquê? As sociedades medievais já estavam saturadas dos abusos decorrentes dos arbítrios perpetrados pelos soberanos e necessitavam de um dispositivo que cumprisse esse papel.
A Lei, então, passa a ser a referência máxima de direito impondo limites aos governantes e governados. Tal ideia se disseminou por inúmeras áreas das sociedades em geral até ser superada pelo pós-positivismo e este pela ideia de neoconstitucionalismo. Isso é teoria do Estado via sociologia.
A sociologia pretendia estudar uma sociedade em profundo estado de transição, onde mudanças bruscas ocorreram por ocasião da revolução industrial onde surgiam pelo menos dois tipos de personagens: o empresário capitalista e o proletariado.
A ideia de uma ciência voltada para o social era uma necessidade em virtude do grande número de problemas trazidos pela industrialização e que se refletiam em toda a sociedade. Não era invenção de comunista, mas sim um fato social.

Perceba que as questões ligadas ao assédio moral são muito mais complexas e de origem histórico-cultural. Acompanham o homem e se interpenetram em sua evolução natural, embora ratifiquem um lado obscuro de nossa natureza que é a de subjugar os nossos iguais.

Na verdade, tais grupos que se dizem conservadores repudiam a ideia de igualdade, pois pretendem estabelecer quem é superior de quem não o é, sendo que esses últimos estão aos serviços dos primeiros. É o homem lobo do homem nos dizeres de Hobbes.

É corriqueiro o dizer de pessoas que se autodenominam “de direita” que foram os esquerdistas comunistas que inventaram a divisão em classes sociais demonstrando o quanto de ignorantes são. Isso é uma ideia que nasce imediatamente ao surgimento da sociedade industrializada onde a organização passa a influenciar todos os setores da sociedade, incluindo o religioso de onde tiraram que tempo é dinheiro e que se o operário ficasse ocioso estaria roubando o bondoso patrão que lhe fez o favor de dar-lhe um emprego.

Então, o empregado desidioso era praticamente um candidato ao inferno já que se recusava a aceitar a sua posição de inferior e preguiçoso, não queria trabalhar 18 horas/ dia em subcondições para que o empresário enriquecesse aceleradamente e gozasse dos frutos de seu sucesso.

Doravante, é daí, isto é, do abuso do capitalista que emergem os conflitos e as reações contra os desmandos desta classe que se impõe pelo poder econômico, daí por que surgirem os chamados sistemas de freios e contrapesos para equilibrarem tais desmandos.

Com isso a organização ganha um lugar central na atenção dos cientistas sociais que passaram a vê-la como um sistema vivo e que influenciava a sociedade direta/ indiretamente, pois todos estariam imersos em alguma forma de organização desde o nascimento à morte.

Perceba as enormes implicações nisso. Os estudos avançam desde, então, estabelecendo diretrizes e modelos de comportamento organizacional que contemplem tanto a eficiência/ eficácia das empresas sem deixar de levar em consideração o elemento humano em seus fatores psicossociais.

Na prática, contudo, o que se vê é o amadorismo de gestores despreparados ou descompromissados que disseminam culturas catastróficas quer para a organização quer para o seu capital humano.

O processo de industrialização foi marcado pela transformação das sociedades tradicionais, baseadas principalmente na produção agrícola, em outras de novo tipo, em que a organização e a produção industrial têm uma importância fundamental na articulação de novas formas de convivência que predominaram no último século e que constituem em sua essência o arcabouço da sociedade que denominamos capitalista.

Com isso, fica claro que para uma sociedade, sobretudo a capitalista, evoluir significa investir no seu substrato social de forma a prover-se de indivíduos qualificados que se distribuam em todos as áreas permitindo que o próprio processo econômico produtivo cresça em qualidade e eficiência, principalmente em um contexto globalizado.

Tais ideias perpassam por condições sociais em que o Estado fica encarregado em suas políticas públicas de estabelecer, mas que na sociedade brasileira a sua elite tresloucada insiste em manter antigos e ultrapassados paradigmas desaguando a nação em um caos sem precedentes caso consideremos as mudanças socioculturais da atualidade.

O meu colega destituído de subsídios sólidos que consubstanciasse seus argumentos débeis é um exemplo clássico do que, por exemplo, uma frágil educação faz com as mentes das pessoas, distorcendo a realidade e criando trogloditas da idade da pedra que balbuciam grunhidos desconexos e lançam mão da violência e truculência quando não se fazem entendidos.


Suponho que ele tenha conquistado sua mulher com uma cacetada na cabeça levando- a em seguida para a sua caverna

Raniery