terça-feira, 21 de novembro de 2017

O Mundo Visto Por Cima

O mundo como o conhecemos muda a cada dia numa velocidade cada vez maior sendo que a mudança é o fator determinante. Na verdade, essa é uma lei do universo.

Major, protagonista do anime Ghost in the Shell - após ter passado por um aprimoramento onde seu cérebro é implementado em um corpo robótico, curiosamente, passa por uma crise de consciência (introspecção) vivenciando dilemas que a faz questionar sua própria existência e o mundo ao seu redor.
O que parece ser um cenário de um futuro improvável de ficção científica, na verdade, está se desenrolando bem “diante de nossos olhos” o que tornará tudo o que você acha tecnologicamente moderno como coisa obsoleta, aliás, já vimos esse filme.
Num mundo onde a política e a economia demonstram sinais de saturação é no espírito inovador e empreendedor que se dará a nova revolução. Daí, porque libertarmos o nosso espírito de antigos sentimentos escravagistas que somente servem de meio de manipulação de exploradores que só poderão afetar aqueles que estiverem debaixo de seu sistema.

Aliás, se entendêssemos os sistemas e seus princípios criaríamos a nossa própria realidade anulando assim a capacidade  que tais chantagistas têm de implantar o medo nas mentes das pessoas.

Pense por um momento: é pela dependência do emprego que o (mau) patrão acorrenta psicologicamente o empregado que, por sua vez, se habituou a se imaginar somente nessa categoria para conseguir obter a sua renda.

Mas, vamos supor que você seja levado para um lugar inóspito onde se veja obrigado a lutar pela própria vida: o que você faria? Faria qualquer coisa – certa ou errada, pois não teria opção.

Na verdade, há opção, mas a sua mente está entorpecida e seu senso de percepção obstruído, isto porque nós nascemos e vivemos imaginando que aquilo que nos ensinaram sobre a realidade é algo fixo e rígido quando, no entanto, se descobre, cada vez mais que não é assim que as “coisas” se dão.

Há milhares de anos Buda descobriu através da meditação que nós não nos resumimos aos nossos sentidos, isto é, aquilo que ouvimos, vemos, sentimos, memorizamos etc. Nossa mente sequer é o nosso cérebro. Os neurocientistas estão descobrindo o mesmo por meio de sofisticados equipamentos de varredura cerebral a ponto de hoje acreditarem ser possível, entre outras coisas fazer o download de seu cérebro para um dispositivo digital.

Por outro lado, estão em curso pesquisas para a criação de computadores biológicos ou, melhor, com o esgotamento da capacidade de computação estão buscando a computação quântica e biológica (bioinformática) e o aprimoramento humano.

Veja, então que uma ideia de um anime onde sua personagem tem seu cérebro implementado em um corpo androide pode vir a se tornar uma possibilidade plausível num futuro incerto.

Por outro lado, os neurocientistas descobriram que somos muito mais do que  nos dizem nossos cérebros (o que não é pouca coisa). Descobriram que ele possui uma capacidade neuroplástica, grosso modo, podemos nos reinventar ilimitadamente. Entretanto, quantas e tantas vezes não ficamos inertes por causa de ideias e pensamentos castrantes, fruto de coisas que nos disseram e que passamos a acreditar distorcendo não só a realidade como a nossa própria personalidade?

Essa persona que você pensa que é: o João, a Maria, o Joaquim são somente uma projeção que dá a ilusão de uma identidade, quando, na verdade, somos muito mais que isso. Somos mais que um ego.

Se descobrirmos dentro de nós uma capacidade empreendedora que não é exclusividade de “nerds” do vale do silício nem de gênios dos negócios, nos redescobriremos dentro de uma nova dimensão que sequer imaginávamos existir. Aliás, esta é uma capacidade que pode ser aprendida...caso queiramos, evidentemente. Ilusório, é viver numa zona que se pensava de conforto.

Lembra da teoria dos sistemas: dentro dela há dois princípios que se complementam: o da entropia e o da homeostase. O primeiro, em síntese, aponta para os movimentos caóticos de desintegração do sistema conquanto o segundo para a regulagem e preservação do mesmo.

Isso significa que dentro de você está a resposta para moldar a realidade que desejar através dos seus pensamentos que, sob controle, determinarão o que ocorre em volta – é o que fazem os sistemas: eles interagem trocando energia.

Resumindo: a mente molda a realidade. Tenha um sonho e o materialize transformando a realidade dominante e substituindo–a por aquela que você imaginou.

Pense: um boçal qualquer, desses que infestam aos montes, organizações públicas ou privadas – "gestorzinho de merda", mesmo! Desses que se associam a bandidos para parasitar e destruir as instituições só poderá chantagear alguém se, em primeiro lugar, o temerem; em segundo, se esse alguém achar que só aquele lugar pode ser a fonte de seu sustento, nesse caso, então, ficará a mercê do imundície.

Tem tanta coisa para ser feita e inventada, tanta necessidade para ser atendida que ficar a mercê de vermezinhos que se escondem na lama da podridão de seus mundos é um desperdício pecaminoso.

Só para exemplificar, basta acessar o site do Sebrae que será possível assistir diversos vídeos de gente de todas as idades e experiências que não se dobraram a uma realidade imposta e, que, não somente se reinventaram, como ainda apresentaram à sociedade uma solução onde ninguém via nada.

Viver com medo é negar a própria natureza! Questione a autoridade; discorde do “status quo”; se afaste dos limitados e acorrentados, supere a si mesmo. 

Faça o download de uma nova realidade construída e moldada por você.

         
Raniery

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Fala Sério!

Quem nunca teve a estranha sensação de se ver confuso com o comportamento inusitado e surpreendente de pessoas que achávamos que conhecíamos? 

Pense em um relacionamento que chega ao fim e os envolvidos mais se parecem com inimigos mortais que um casal que já viveu momentos felizes...

Venha comigo a um culto evangélico onde o cidadão emana uma luz vinda do etéreo em pleno estado alterado de consciência louvando ao Senhor e testemunhando os milagres alcançados por temê-lo e ser obediente aos seus mandamentos. Mas, me acompanhe numa aventura sinistra ao seu local de trabalho para identificar no mesmo corpo uma pessoa dissimulada armando traiçoeiramente contra o seu próximo e fique perplexo com a facilidade com que comutam seus estados e personalidades.

E o que dizer daquele parente que vive uma vida dupla que se comporta como sonso enquanto dissemina a intriga e a discórdia entre aqueles que são objetos de sua inveja e inadequação pelo complexo de inferioridade que lhe acomete? Ou, daquele garoto - conhecido da família - que sempre foi afeminado, mas vivia seu conflito, enquanto cumpria suas obrigações na paróquia local e, sentindo-se ameaçado pelos mais observadores, tentava atacar-lhes a imagem imaginando que ao fazê-lo tiraria a atenção de si em relação aos outros desconfiados?

E se, e tão somente se, nenhuma dessas pessoas, ou mesmo eu ou você fossemos quem pensávamos ser? E, se, de fato, nada disso fosse surpreendente, mas facetas de uma natureza que ainda não compreendemos e que há milênios os sábios  entenderam o que somente agora a neurociência vem descobrindo com o auxílio de tecnologia sofisticada desenvolvida por físicos em complexos centros de pesquisa?

A pergunta que se faz é: esse "EU" que penso ser é, de fato, uma entidade unificada, isto é, uma personalidade, ego, identidade distinta e única ou somos, na verdade, um processo de múltiplas sub-rotinas que o cérebro no fim projeta uma ilusão que nos faz acreditar que nos reconhecemos, ou seja, que temos autoconsciência?

A maior parte de nossos processos mentais ocorrem no subconsciente, daí a dificuldade que temos de libertar a nossa mente da influência e condicionamentos das emoções e percepções de padrões comportamentais preestabelecidos sem que saibamos de fato quem somos ou qual a verdadeira natureza de nossa essência. Nossa mente permanece limitada e confinada num ciclo completo de causa e efeito sem saber como essa lei funciona.

Por outro lado, ao darmos ao ego o que ele nos pede nos tornamos refém de nossas próprias mentes e acabamos buscando em coisas ilusórias e efêmeras a felicidade de um lado, e a fuga do sofrimento, do outro. Ocorre que tanto uma coisa quanto a outra são fruto de nossa mente. 

Aliás, o que imaginamos ser o "real" nada mais é que um modelo mental de tudo o que gravamos internamente desde o nascimento e não a materialização do mesmo. Nós identificamos o mundo ao nosso redor pelo mapa interno (modelo) que fazemos dele.

Partindo disso, é a nossa interpretação de mundo que  traduz o tipo de realidade que vivemos ou que estamos/ somos felizes ou não - e não o mundo em si. Tanto faz que circunstâncias estão excitando os seus sentidos, no fim, é a interpretação que você dará que formará o sentido que pretender, ainda que absurdo.

Destarte, é possível entender o que aquele "falso irmão" faz em dois lugares onde engana a todos o tempo todo numa busca inútil por aquilo que sua própria Bíblia ensina: o vento. Na igreja e diante dos sogros, ou na foto com alguns colegas de futebol do trabalho é o bom moço, mas nas sombras trama artimanhas contra aqueles que estiverem em seu caminho, ou seja, são sementes do mal.

Da mesma forma, entendemos as razões do homo afetivo que reluta em sair do armário e se vê ameaçado por cada sombra onde anda justamente por não ter resolvido qual tipo de reputação pretende ter na sociedade.

Se toda esta teoria ainda não pode pleitear a absoluta alcunha de verdade (não há verdades absolutas), por outro lado, nos fornece insights plausíveis que permitem que determinadas peças de quebra cabeças comportamentais se encaixem.

Isso nos fornecerá um indicador de como reagir socialmente ao mesmo tempo que ligará em nós um alerta para que façamos uma autorreflexão em relação a nós mesmos e aos nossos comportamentos e, quiçá, nos permitirá sermos menos rigorosos e mais compreensivos (assertivos) sem que com isso nos tornemos capacho de ninguém.

Então, e ao que parece, da próxima vez que observarmos a vida alheia - alguns chamam isso de fofoca - é bem possível que estejamos contemplando um processo em curso ao invés de somente alguém em plena sacanagem. 

Com isso, se abrirmos nossa própria mente, talvez, consigamos prever os passos seguintes do insidioso para nos anteciparmos. Ao mesmo tempo poderemos aprender muito de nossa essência ponderando sobre os comportamentos inadequados de algum desafeto para que nossa mente não nos iluda mais.
Raniery

segunda-feira, 29 de maio de 2017

We should love

"Heroes", música de David Bowie, escrita em parceria com Brian Eno e produzida por Bowie e Tony Visconti. A faixa foi gravada entre julho e agosto de 1977, e lançada em 23 de setembro daquele ano. 

O single acabou se tornando uma das canções mais reconhecidas do cantor. Em janeiro de 2016, após a morte de Bowie, a faixa chegou ao n°12 na UK Singles. ”Heroes" foi citada como a segunda faixa de Bowie mais regravada por outros artistas, atrás somente de "Rebel Rebel".

Inspirada em um beijo entre Tony Visconti e sua namorada (amantes) nas proximidades do Muro de Berlim, a canção tem um tom "dramático”.  Em 6 de junho de 1987, Bowie tocou " 'Heroes' " no Reichtag, em Berlim Ocidental, o que foi considerado um catalizador para a queda do Muro. Após a morte de Bowie, o governo alemão agradeceu o músico por "ajudar a derrubar o Muro", acrescentando que "você está entre os Heróis".

Desde seu lançamento, " Heroes " recebeu muitos elogios, como pode ser percebido pela sua frequente presença em listas de "melhores canções de todos os tempos"; Já foi dito que a canção "é talvez a afirmação definitiva do pop acerca do potencial triunfo do espírito humano sobre as adversidades".

Amor, é o tema tratado no filme “Jerry Maguire - a grande virada” porquanto um jovem e promissor agente de celebridades esportivas se cansa de todo o jogo sujo e cruel que se desenvolve no meio dos negócios em nome da competitividade e do dinheiro e passa a defender ideais superiores e inspiradores conquanto isso acaba se virando contra ele. O detalhe fica para o colega boçal que lhe invejava, mas que tem um momento de glória na derrocada do personagem. O cenário fica cada dia pior para Jerry, mas ao mesmo tempo uma onda de mudanças passa a ocorrer.

O longa está entre os filmes indicados a acadêmicos de administração como fonte de inspiração para uma nova forma de se fazer negócios onde somente o lucro a qualquer preço, ainda que pisoteando e esmagando pessoas, não deveria ser o fim em si mesmo. Na verdade, esta é uma ideia ultrapassada já, que entre outras coisas, a rentabilidade é elemento tão importante quanto o lucro e ainda mais, porquanto se situa em estratégias de longo prazo, ou seja, uma empresa rentável durante muito tempo é melhor que aquela que dá um grande lucro hoje e amanhã sofre uma queda vertiginosa.

Não só isso, mas trata-se da valorização das pessoas – os agentes principais de todo o processo. Jerry começa a aprender a dar valor para as pessoas que estão ao seu lado, o que inclui os seus agenciados que não serão mais vistos como máquinas de fazer dinheiro, mas indivíduos com sentimentos, dramas, idiossincrasias que precisam de atenção, tanto quanto os dólares tão almejados.

Se o filme está entre os chamados “cult”, sobretudo, entre os empreendedores, não é menos verdade que ele trabalha, e, muito bem, a superação de adversidades em nome de uma convicção/ inspiração pessoal. Dois momentos me chamaram atenção no que pese ao comportamento do grupo. No primeiro, quando Jerry está por cima, todos o bajulam, admiram e o invejam; no outro, quando ele está por baixo, e, sob intensa pressão, todos viraram as costas, à exceção de uma moça.  Isso demonstra entre outras coisas que a dependência da aprovação do grupo pode muito bem se tornar uma ilusão amarga de se experimentar.

Recentemente fui demitido de minha empresa após 12 anos enfrentando um assédio moral sistemático. Nesse período eu vi e vivi de tudo nessa questão. Não conheço ninguém que tenha passado tanta coisa nesse sentido quanto eu. Vi a traição de pessoas da família e de quem se dizia amigo; vi a covardia daqueles que se dizem cristãos, mas que se associam ao diabo; em cada onda que se seguia, ficava nítido quem era quem entre as pessoas. Portanto, talvez ninguém ali saiba tão bem o que é a natureza humana, ainda mais, quando exposta aos jogos sujos de gestores igualmente pútreos.

Prestes a encaminhar aos órgãos competentes toda a sujeira que ali está acontecendo para que investiguem e determinem que a empresa se ajuste e mesmo após a repercussão que as demissões injustificadas atingiram, é inacreditável que um gestor ligado a bandidos ainda continue a fazer da empresa pública seu ninho de delitos. Chegou ao ponto de ameaçarem de demissão os médicos do trabalho caso não recusem os laudos periciais de empregados que adquiriram lesões trabalhistas. A coisa é tão bizarra que o tal gestor fora flagrado ostentando uma arma aos funcionários - ou está com muito medo ou é um debilóide desequilibrado mesmo.

Amor e paixão pelo que se faz. Eu tenho visto alguns falsos representantes sindicais, que na ocasião da convocação de todos para que fossem à assembleia legislativa da câmara de vereadores de Santos se insurgir contra as demissões injustificadas, agora, posando de defensores dos seus representados. 

Lembro-me do principal fanfarrão fazendo campanha explicita nas redes sociais contra nós, nos chamando de vagabundos e posteriormente quando teve acesso indevido às nossas fichas, nos expôs deliberadamente pretendendo se gabar disso. Não, não foi somente o Jerry Maguire que teve um “colega” boçal que o sacaneou. E isso não passará batido.

“E as armas, atiravam sobre nossas cabeças (sobre nossas cabeças)
E nós nos beijamos, como se nada pudesse cair (nada pudesse cair)
E a vergonha, estava do outro lado”.

A segunda guerra terminara e a Alemanha e o mundo foram divididos por um muro...de intolerância. No Brasil, acabamos ficando à mercê de militares golpistas. Não era a minha guerra. Eu nada tinha contra russos ou norte-americanos, mas nem o muro e nem as armas nucleares foram fortes o bastante para vencer o amor, pois queríamos amar e não guerrear. O impossível parecia estar acontecendo quando os primeiros tijolos foram marretados...eles não venceram, e o muro caiu!

O trecho da música diz que a força do amor supera a violência dos truculentos e que não são os amantes (aqueles que acreditam) que devem se envergonhar, mas que envergonhados devem estar os covardes, pois necessitam de artimanhas às escusas para derrubar aqueles a quem temem, pois não estão à altura deles. Não, de nada adianta irem aos cultos orar a Deus fingindo serem santos, pois estão nús diante daquele altar e estão sob sentença. 

E não só isso: estão sem proteção e não podem pedi-la, pois lhe será negada, porquanto agiram contra aquele que não lhes fizera mal, portanto agiram contra o seu próprio Deus que é o seu julgador – além, de suas consciências! Eles sabem: “ninguém pode servir a dois senhores”; “não pode água e óleo se misturar e nem trevas a luz”...não sou eu quem diz isso, é a Bíblia deles. Estão sob condenação. E eu posso pedir justiça contra eles. A lei do retorno é implacável...

De outro lado, tudo isso, ao invés de me abater acelerou todo um processo que já estava em curso. Meu lado empreendedor tem vindo à tona numa velocidade quântica e da mesma forma como Jerry Maguire aprendeu eu tenho explorado minhas melhores competências/ habilidades e visto como as portas de oportunidades e possibilidades se abrem quando nos abrimos para o novo e para as mudanças. 

Eu sempre digo, “ninguém deveria viver com e pelo medo”, nenhuma sacanagem é demais que possa derrubar um espírito empreendedor. A lei da compensação acaba por nos advogar nessas horas contra as injustiças de pessoas medíocres.

Nenhum assédio moral é mais vitorioso que um espírito que não se dobra ou se entrega, nenhuma maldade é suficientemente forte que possa segurar um espírito cheio de luz e força de vontade. Os anjos se mobilizam ao redor daqueles que andam em justiça, mas se voltam contra os perversos para os destruir. 

Alguém disse: será que Deus não está usando o sacana como instrumento para que passemos por uma prova? Eu não acredito, pois isso abrandaria e justificaria a sacanagem. Mas, um indício de que estou certo encontra-se em uma passagem bíblica onde Daniel, um hebreu cativo, é jogado na cova dos leões por seus desafetos e os anjos impedem que os animais o devorem, mas o mesmo não ocorre com os covardes inimigos dele que foram destroçados pelos mesmos leões. Seja figura de ficção ou não, o texto deixa claro uma aversão a este tipo de gente num sentido interpretativo.

Mas, de tudo isso que passamos - decorrência da vida em grupo - a melhor lição que podemos tirar é a de não abaixarmos a cabeça diante das adversidades, ainda que no seu epicentro tenha o dedo de gente pilantra e mau caráter; pois a luz interior que portamos quando invocada faz surgir um indivíduo capaz de coisas que jamais imaginou quando estava tudo calmo na zona de conforto. 

É um convite a viver com paixão, buscar o que a vida pode nos dar de melhor, nos libertar dos grilhões escravizadores do medo, realizar, semear o melhor ao invés de rastejar como vermes em estados lamacentos. Então, ao invés de alimentar o ódio deveríamos amar...mesmo debaixo dos tiros de fuzis, pois, “mil cairão ao meu lado e dez mil a minha direita, mas eu não serei atingido”.

No final, Jerry tem a sua merecida virada, após superar os percalços iniciais e os ganhos foram maiores e melhores que se ele não decidisse dar ouvidos à sua consciência e adotado uma nova visão de mundo. A vitória...pertence aos perseverantes!


Sejamos amantes! Vivamos com paixão! Façamos o que mais gostamos! Tratemos ao outro da melhor maneira! Nos elevemos! 

We can be heroes...
Raniery

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Ninguém deveria viver pelo medo!

O medo é uma forma de energia poderosa. Faz parte do conjunto de regulações de nosso sistema de mecanismos de defesa/ sobrevivência. Emoções são dispositivos evolucionários que permitiram que fossemos uma espécie bem-sucedida na Terra.

Pense: diante de você se encontra um enorme felino com presas gigantescas para fora franzindo o rosto e ao olhar ao redor você está no fundo da caverna. Seu coração parece que vai sair pela boca, seus braços estão molhados de suor e você está mais quente que picanha em churrasco. De repente, você olha para o chão e vê a sua lança...agora, é matar ou morrer.

Comida de Dente de Sabres você já tem, mas com 0,001% de chance de sobreviver num salto você parte para cima do gatêêênho que desacreditando parte em retirada em desabalada carreira. Quem imaginaria! Se você soubesse disso antes...evitaria estar com as calças borradas, é ou, não é?

Pois é, a adrenalina disponibilizada transformou um covardão em um monstro capaz de enfrentar um poderoso mamífero gigante pronto a predá-lo. Mas, e o medo? Para onde foi? Medo é energia, lembra? Não está lá para garantir a sobrevivência? Então, tanto faz se está em forma de choro, ou de raiva...pois, tudo é energia.

Tecnicamente, medo é um comportamento baseado em emoções sedimentadas em nossos mecanismos de defesa e sobrevivência que desencadeia processos fisiológicos, neurobiológicos e psicológicos. Um comportamento emocional constitui-se de um conjunto de reações frente a uma sensação advinda do meio e processada por nossos canais de percepção.

Ora, somos seres sociais e desenvolvemos nossos processos de vivência em grupo que se torna um novo ente, um sistema unificado como se fosse um único e novo super indivíduo. A função do grupo é condicionar o indivíduo. Levá-lo a adaptar-se às suas regras. E se isso não ocorrer...

Nas organizações, sobretudo, as mecanicistas o sistema burocrático/ hierárquico torna o processo de controle comportamental um fim em si mesmo. O poder de coação do superior ao subalterno torna-se mais relevante que o sentido disso. Daí,a implementação de um programa de punições, na verdade, uma cultura de punições para que o superior não sofra a mínima resistência.

Pavlov, Skinner e Matson estudaram os processos de condicionamento comportamental e propuseram suas famosas hipóteses de condicionamento. A conclusão é a de que o comportamento é um fenômeno que pode ser aprendido.

Não importará a verdade, o real, para o grupo o que importa é que seus indivíduos sejam cooptados. É uma relação imediata, portanto não aceita a análise da semântica por trás das conveniências que se perseguem.

Nesse sentido, alguém que ocupa um cargo de autoridade passará a demandar a mente daquele que estiver sob as suas ordens. Não será, outrossim, admitida a desobediência, por mais absurda que seja a ordem. E o medo será o canal manipulado pelo, agora, senhor do subordinado. Não nos esqueçamos que em economias capitalistas o empregador compra a força de trabalho e ganha legitimidade para demanda-la já que o risco do negócio lhe pertence –  essa é a regra do jogo.

Mas, algumas “viagens” acontecem pelo simples fato de que humanos não são seres racionais ou burocráticos. Tanto o chefe abusará, tanto quanto o empregado se insurgirá. Entretanto, o último está em desvantagem frente ao primeiro que determina a dependência dele pelo pagamento do salário, pelo excedente de mão de obra e pelo poder econômico.

Nessa relação, o medo torna-se moeda de troca. Há uma linha limítrofe finíssima entre o poder diretivo do empregador e o abuso ou assédio moral. Diante de um período de instabilidade econômica isso é recrudescido e a parte mais frágil torna-se refém das anomalias dissociais de gestores tiranos.

É o que vem ocorrendo em conhecida empresa de sociedade de economia mista aqui em Santos onde um gestorzinho de quinta categoria, envolvido com uma quadrilha de bandidos passou a deflagrar uma onda de terror e arbitrariedades. Para se ter uma ideia um de seus assessores fora flagrado em um vídeo onde bravateia um sistema de corrupção com desvio de quase R$ 370.000.000,00.

Acontece que o gestorzão que se auto admira e se diz adepto de Sun Tzu decidiu que iria reestruturar tal empresa e moraliza-la. Isso seria como fazer faxina numa casa com água de bosta. Quando se levanta as associações e relações do moralizador percebe-se o quanto a lama é o limite. Portanto, quando alguém tão sujo assim assume um cargo em empresa ou órgão público, imediatamente ele passará a demanda-lo pelo medo, porquanto, é necessário dissuadir qualquer um que for potencialmente capaz de “estragar” os seus esquemas.

Nesse lugar, os esquemas são sujos e atingem a todos os setores, onde, de cima pra baixo, se praticam atos de imoralidade pública. Isso, mesmo: com o dinheiro do contribuinte brasileiro o mal servidor pratica conluios para obter vantagens pessoais. São cargos comissionados, são assessores indicados, são os filhos ou as mulheres dos chefes beneficiados; e o cordão dos puxa sacos? Cada vez aumenta mais...

Ora, se no grupo alguém se insurgir, imediatamente, essa rede espúria funcionará para fagocitá-lo. Surgirão processos administrativos viciados, demissões arbitrárias, perseguições e muito, mas muito assédio moral. É um sistema eficaz de disseminação do terror e do medo.

Mas, e, se e tão somente se, o número de funcionários - que é desproporcionalmente maior que o número de salafrários - descobrir (perceber) que numericamente é mais forte que toda a organização deles? Ora, o medo trocará de lado e passará para o lado da bandidagem.

Eles podem sufocar um ou dois empregados? Sim, podem! Demitem alguns e dizem que foi por isso ou por aquilo, que são vagabundos, que dão prejuízo para a empresa e enganam a todos. Mas, como fariam isso com todos? Como explicariam o fato de todos serem demitidos? Qual é a chance disso acontecer?

Veja que o medo também possui uma característica psicológica, isto é, tem origem na mente, na interpretação que se faz do meio, do perigo, do risco e tal qual o homem das cavernas que olhou para a lança e se projetou para cima do Dente de Sabre, o assediador não fará diferente, e, fugirá amedrontado, pois cometeu o erro de subestimar os mecanismos de sobrevivência do grupo que atacou.

Reproduzir o discurso do demissor não desenvolverá nele alguma espécie de empatia, pelo contrário o adulador será seu brinquedinho sádico tal qual o gato que brinca com o alimento antes de devorá-lo.

São escórias humanas que vêm lá, não sei de onde e depois de devastar o lugar por onde passam, vão embora. Como uma nuvem de gafanhotos exaurem o lugar por onde passam e se vão sem olhar para trás. Ninguém deveria ceder às chantagens de corruptos! Se insurgir contra o mal que devorará o emprego do trabalhador é o caminho a ser tomado, pois a inércia somente os favorecerá.

Se for um servidor público a coisa então deve ser vista com outra dimensão, já que para ser admitido preparou-se, passou em todas as etapas exigidas, e não caiu de paraquedas indicado por algum malfeitor qualquer.

Cair na conversa manipuladora de gente envolvida com quadrilha é cometer o maior erro que Sun Tzu diz que não se pode:  "A arte da guerra é de importância vital para o estado, é uma questão de vida ou morte, um caminho tanto para a segurança como para a ruína. Assim nenhuma circunstância deve ser negligenciada".

Portanto, ninguém deveria viver refém do medo!
Raniery

quinta-feira, 16 de março de 2017

Vagabundos

Talvez ninguém mais tenha interpretado com tanta maestria a figura do vagabundo que Chaplin. 

De origem pobre, sofreu com as agruras das mazelas que o capitalismo de sua época produziu e segundo alguns pensadores ele nem deveria existir já que se um miserável não conseguisse sustentar um filho nos moldes das ideias capitalistas não deveria ter o direito de tê-lo. 

Em “Tempos Modernos” um filme de 1936 dos Estados Unidos o cineasta Charlie Chaplin encarna o seu famoso personagem "O Vagabundo" (The Tramp) que tenta sobreviver em meio ao mundo moderno e industrializado. O roteiro é considerado uma forte crítica ao capitalismo, stalinismo, nazi fascismo, fordismo e ao imperialismo, bem como uma crítica aos maus tratos que os empregados passaram a receber durante a Revolução Industrial. Não à toa Carlitos fora considerado persona "non grata" por muito tempo por lá, vindo a ter a sua obra reconhecida pela Academia somente quase no final de sua vida.

Thomas Malthus, economista da escola de pensamento clássico, propunha uma solução para as causas da miséria. Sustentava que isso deveria ocorrer através do controle sobre os miseráveis. Malthus acreditava que esse controle deveria vir através de uma restrição moral, ou seja, aquelas pessoas que não pudessem sustentar seus filhos deveriam não os ter e nem deveriam se casar e que as guerras e as doenças eram importantes agentes de controle de natalidade sendo a pobreza um castigo pela sua incapacidade de sobreviver no mundo capitalista, por isso, o governo não deveria ajudar os miseráveis, que assim pereceriam solucionando a questão.

Já, nos primórdios da Administração, em sua Abordagem Clássicaum dos seus principais elementos ou função é exatamente o controle da produtividade, porque segundo Fayol o ser humano é naturalmente preguiçoso (vagabundo) então, precisaria de alguém que o fizesse produzir para que o capitalista acumulasse seus lucros. Tal forma mecanicista de enxergar o mundo tratando o indivíduo como uma ferramenta e desconsiderando a sua humanidade encontrou antagonistas e promoveu convulsões sociais que desaguaram em direitos e garantias conquistados às custas de muito suor, sangue e dor - debaixo das botinas e cassetetes da polícia a serviço dos poderosos - aliás, como até hoje, e comicamente retratado em inúmeros filmes do Vagabundo.



Pense agora no conceito de Ócio Criativo - título de um texto do cientista e sociólogo italiano Domenico De Masi e é também um revolucionário conceito de trabalho. A ideia de ócio criativo foi proposta pelo professor e sociólogo no meio da década de 90. Basicamente, o ócio criativo é uma maneira inovadora de definir o trabalho.

No livro O Ócio Criativo, de Masi demonstra como alegria e satisfação pessoal no dia a dia aumentam a criatividade, que por sua vez faz crescer o potencial de imaginação necessário a um melhor desempenho produtivo no trabalho. Ele diz: "Existe um ócio alienante, que nos faz sentir vazios e inúteis. Mas existe também um outro ócio, que nos faz sentir livres e que é necessário à produção de ideias, assim como as ideias são necessárias ao desenvolvimento da sociedade." 

A grande maioria das pessoas confunde ócio com preguiça. A principal diferença é que o ócio pode gerar produtividade e ter alguma significância; a preguiça é insignificante por si só. Ao contrário do que muitos acreditam, ócio criativo não significa fazer nada. Por ócio criativo, entende-se a união entre trabalho, estudo e lazer, de forma que alguém possa experimentar a riqueza gerada pelo trabalho, o conhecimento ocasionado pelo estudo e a alegria proporcionada pelo lazer.

Perceba, então que o conceito de produtividade, do ponto de vista capitalista, sempre teve - por parte dos donos do capital - as ideias que eles determinavam e impunham. Inclusive na questão moral, apoiada pelos clérigos, sobretudo, os protestantes, berço da burguesia, pretendendo programar a consciência do proletário para que se sujeitasse a todo tipo de ordem, ainda que absurda ou abusiva, sem contestar, porquanto entraria em pecado sendo tentado pelo Demônio e a subserviência era o caminho ao paraíso ainda sob o custo de exaustivas dezoito horas de trabalho, em subcondições enquanto pastores, empresários, e as recatadas do lar davam ações de graças diante de suculentos e bem condimentados leitões saboreados sem que não faltassem os melhores vinhos de safras esplêndidas cujos mostos eram esmagados pelos órfãos que deveriam se contentar com pequenas porções de rações que os bondosos patrões lhes forneciam sendo gratas por tamanha bondade - OH, Glóriaaaa!!!!

Responda rápido: qual é a empresa em termos de bilhões de dólares que ocupa as primeiras posições entre as mais valiosas do mercado? Pensou Apple e Google? Acertou. Curiosamente sua forma de administrar e controlar seus funcionários não segue nenhum modelo ortodoxo como os já esgotados da maioria das empresas com seus sistemas hierárquicos piramidal, inflexíveis, sobretudo, aqueles da administração pública, onde não há um sistema de mérito para que o ocupante do cargo desempenhe suas funções, mas cabides de emprego e a farra dos cargos comissionados que sobrecarregam as empresas públicas e se forem empresas de sociedade de economia mista, salvo exceções (desconheço alguma), ainda é infectada por gestores incompetentes que são indicados políticamente sem contar seus assessores parasitas - onde a fraude, a corrupção, o enriquecimento ilícito, a “troca de favores” e a ilegalidade são marcas destas administrações.

Numa empresa dessas, aqui de Santos, por exemplo, a coisa descambou de tal maneira que um gestor aventureiro - O Ditador - ligado ao atual governo golpista decidiu encabeçar uma série de demissões arbitrárias ao arrepio da lei. Diferentemente das empresas privadas que não podem se conduzir pela ilegalidade, mas podem fazer o que a lei não proíbe. Tais empresas públicas estão amarradas às normas sendo que a discricionariedade de seus atos encontra o limite exatamente na lei. Seus gestores, por outro lado, não podem agir conforme o seu bel prazer, mas pela impessoalidade que preserva o princípio da isonomia e atende ao interesse público que se sobrepõe ao privado.

Em síntese, o empregado público pode ser demitido, sobretudo, se for comprovada (sem margem de dúvidas) a chamada desídia e ineficiência do mesmo, após passar por um processo administrativo que lhe garanta o direito ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal – tudo isso, para que se caracterize a motivação, ou seja, sua demissão deve ter uma justa causa. 

Sob a falácia de uma reestruturação tal gestor, então, descompromissado com a empresa, a sociedade e a coisa pública, passou a agir à revelia das normas. Tal atitude gerou pânico entre os empregados que passaram a conjecturar sobre os motivos de tais demissões e, como se sabe, é neste instante que os “gênios” se sobressaem e a caça às bruxas começa.

Vagabundo foi o termo mais utilizado para designar quem está sob o ataque da injustiça desconsiderando a família, os sentimentos e a real circunstância por trás do arbítrio em total desrespeito ao colega que deveria estar recebendo apoio, pois se hoje é ele, amanhã poderá ser o falastrão.

Porque amanhã o desrespeitador colega poderá também estar entre a lista de demitidos? Pelo arbítrio como se deu tal ato. A empresa não formalizou categoricamente nenhuma razão, mas simplesmente fez o impensado. E os representantes eleitos para intermediar junto ao gestor reivindicações das categorias? Sumiram, se aquietaram, quando não, reproduziram/ endossaram as palavras do inconsequente administrador. Por outro lado, colegas que não saem nas fotos e nem recebem votos foram solidários e imediatamente correram junto ao sindicato para apoiar seus colegas.

Dizer que alguém é vagabundo é expressar uma opinião que a priori é tida como sua, mas que demonstra uma ideologia que se dissemina na sociedade desde as revoluções liberais porquanto desencadearam as revoluções industriais e desde lá, só fortalecem aqueles que detém o poder. Acontece que ao reproduzir o comportamento do controlador o indivíduo sugere ao seu inconsciente que é igual a ele e em um mundo de fantasia e fetiche embarca numa viagem onde se vê em seu lugar. Há também a ideia de que se houver alinhamento com o discurso do abusador isso angariará a simpatia dele que o preservará ou o acalentará amanhã.

Então, vagabundo é um termo ambíguo, abrangente e subjetivo demais, dando margem para uma infinidade de interpretações: para eles (os puxa sacos) é o colega “desidioso”, para mim pode ser o gestor corruptoímprobo, o colega golpista que armou para derrubar chefes e tomar-lhes o lugar, a funcionária cafetina que agenciava garotas de programa para as farras de diretores, o vice-governador que roubou R$ 418. 000. 000, 00 apoiado por sua comparsa do jurídico, pode ser também, os quase 300 empregados em cargos comissionados, ou o superintendente ímprobo, e também o gerente assediador moral, enfim...vagabundo pode ser muito mais coisas como essas que tornariam o outro vagabundo, por comparação, um super eficiente empregado, ou, como Chaplin, um mestre do riso.

Quem sabe agora o vagabundo demitido injustamente não tenha mais tempo para fazer jus ao ócio criativo e expor os outros vagabundos em sua vagabundagem? Não seria mais inteligente tê-lo mantido vagabundando sob monitoramento? Bem, tenho mais “o que fazer”, pois tenho que me encontrar com “O Menino”...
Raniery

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Caos e Regresso


O Brasil atravessa uma de suas piores crises políticas da história liderada por uma elite rancorosa, conservadora e caduca que não aceita que o país se desenvolva e que sua população experimente o chamado bem-estar social.

Por algum motivo, ainda desconhecido as pessoas se posicionaram de forma antagônica em dois sentidos: ou se é conservador ou de esquerda e passaram a manifestar um comportamento esquizofrênico fora de contexto, isto é, agindo como se ainda estivéssemos numa guerra fria onde a motivação era a de combater o “Império do Mal”.

Em um desses debates recentemente um colega de trabalho, nitidamente desequilibrado, passou a me atacar proferindo uma série de ofensas desconexas com a pergunta que lhe fiz.

Perguntei-lhe se sabia a origem do lema estampado na bandeira brasileira já que ele o havia citado como mantra de seu engajamento como “ultrarradical de direita”. Como eu havia previsto o inocente fanfarrão não sabia nada do que vociferava engrossando a estatística de tantos outros bobalhões que somente querem chamar a atenção se fazendo passar por adeptos de alguma ideologia.

Na verdade, o pobre rapaz só fez cair em contradições já que se dizia arredio à ideologias e intelectuais, embora, também desconheça que tudo isso parte desses mesmos cientistas sociais que, evidentemente, externam sua visão de mundo dentro das hipóteses e conclusões sobre o objeto de seus estudos – a sociedade.

Veja, que bastaria ao meu esdrúxulo amigo ser um pouco mais diligente e menos impetuoso para entender que o que saia de sua mente não era nenhum lema militar cuja lavagem cerebral passam os soldados quando aquartelados.

Curiosamente era originário de um dos pais da sociologia que ideologicamente disseminou ideias contrárias ao meu colega cognitivamente desfavorecido.

Ordem e Progresso é a frase que está escrita na bandeira brasileira, e é o lema nacional, desde sua formação, e foi idealizada por Raimundo Teixeira Mendes.

A expressão ordem e progresso é o lema político do positivismo, e é uma forma abreviada do lema de autoria do positivista francês Auguste Comte: "O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim”. O positivismo possui ideais republicanos, como a busca de condições sociais básicas, através do respeito aos seres humanos, salários dignos etc., e também o melhoramento do país em termos materiais, intelectuais e, principalmente, morais.

No século XIX surgiu uma corrente de pensamento chamada positivismo, que teve o filósofo francês Auguste Comte como um dos seus defensores mais importantes. Ele defendia que o progresso era a uma das únicas saídas para a evolução da humanidade.
O Positivismo, grosso modo, é uma filosofia que alça ao status de maior posição a lei. E qual é o seu porquê? As sociedades medievais já estavam saturadas dos abusos decorrentes dos arbítrios perpetrados pelos soberanos e necessitavam de um dispositivo que cumprisse esse papel.
A Lei, então, passa a ser a referência máxima de direito impondo limites aos governantes e governados. Tal ideia se disseminou por inúmeras áreas das sociedades em geral até ser superada pelo pós-positivismo e este pela ideia de neoconstitucionalismo. Isso é teoria do Estado via sociologia.
A sociologia pretendia estudar uma sociedade em profundo estado de transição, onde mudanças bruscas ocorreram por ocasião da revolução industrial onde surgiam pelo menos dois tipos de personagens: o empresário capitalista e o proletariado.
A ideia de uma ciência voltada para o social era uma necessidade em virtude do grande número de problemas trazidos pela industrialização e que se refletiam em toda a sociedade. Não era invenção de comunista, mas sim um fato social.

Perceba que as questões ligadas ao assédio moral são muito mais complexas e de origem histórico-cultural. Acompanham o homem e se interpenetram em sua evolução natural, embora ratifiquem um lado obscuro de nossa natureza que é a de subjugar os nossos iguais.

Na verdade, tais grupos que se dizem conservadores repudiam a ideia de igualdade, pois pretendem estabelecer quem é superior de quem não o é, sendo que esses últimos estão aos serviços dos primeiros. É o homem lobo do homem nos dizeres de Hobbes.

É corriqueiro o dizer de pessoas que se autodenominam “de direita” que foram os esquerdistas comunistas que inventaram a divisão em classes sociais demonstrando o quanto de ignorantes são. Isso é uma ideia que nasce imediatamente ao surgimento da sociedade industrializada onde a organização passa a influenciar todos os setores da sociedade, incluindo o religioso de onde tiraram que tempo é dinheiro e que se o operário ficasse ocioso estaria roubando o bondoso patrão que lhe fez o favor de dar-lhe um emprego.

Então, o empregado desidioso era praticamente um candidato ao inferno já que se recusava a aceitar a sua posição de inferior e preguiçoso, não queria trabalhar 18 horas/ dia em subcondições para que o empresário enriquecesse aceleradamente e gozasse dos frutos de seu sucesso.

Doravante, é daí, isto é, do abuso do capitalista que emergem os conflitos e as reações contra os desmandos desta classe que se impõe pelo poder econômico, daí por que surgirem os chamados sistemas de freios e contrapesos para equilibrarem tais desmandos.

Com isso a organização ganha um lugar central na atenção dos cientistas sociais que passaram a vê-la como um sistema vivo e que influenciava a sociedade direta/ indiretamente, pois todos estariam imersos em alguma forma de organização desde o nascimento à morte.

Perceba as enormes implicações nisso. Os estudos avançam desde, então, estabelecendo diretrizes e modelos de comportamento organizacional que contemplem tanto a eficiência/ eficácia das empresas sem deixar de levar em consideração o elemento humano em seus fatores psicossociais.

Na prática, contudo, o que se vê é o amadorismo de gestores despreparados ou descompromissados que disseminam culturas catastróficas quer para a organização quer para o seu capital humano.

O processo de industrialização foi marcado pela transformação das sociedades tradicionais, baseadas principalmente na produção agrícola, em outras de novo tipo, em que a organização e a produção industrial têm uma importância fundamental na articulação de novas formas de convivência que predominaram no último século e que constituem em sua essência o arcabouço da sociedade que denominamos capitalista.

Com isso, fica claro que para uma sociedade, sobretudo a capitalista, evoluir significa investir no seu substrato social de forma a prover-se de indivíduos qualificados que se distribuam em todos as áreas permitindo que o próprio processo econômico produtivo cresça em qualidade e eficiência, principalmente em um contexto globalizado.

Tais ideias perpassam por condições sociais em que o Estado fica encarregado em suas políticas públicas de estabelecer, mas que na sociedade brasileira a sua elite tresloucada insiste em manter antigos e ultrapassados paradigmas desaguando a nação em um caos sem precedentes caso consideremos as mudanças socioculturais da atualidade.

O meu colega destituído de subsídios sólidos que consubstanciasse seus argumentos débeis é um exemplo clássico do que, por exemplo, uma frágil educação faz com as mentes das pessoas, distorcendo a realidade e criando trogloditas da idade da pedra que balbuciam grunhidos desconexos e lançam mão da violência e truculência quando não se fazem entendidos.


Suponho que ele tenha conquistado sua mulher com uma cacetada na cabeça levando- a em seguida para a sua caverna

Raniery