quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Assédio Boçal


Dizemos que algo ou alguém é boçal quando queremos externar uma indignação pela falta de caráter de uma pessoa ou em repúdio a determinadas atitudes que destoam do senso comum médio a todos.

Assim é o assédio moral. E não poderia deixar de ser diferente, já que não se pauta pelo bom senso, razão ou inteligência que são características dissociativas de tal fenômeno, e, estranhas ao agressor. Este se desenvolve em meio ao egocentrismo, inveja, ciúme, complexo de inferioridade, despreparo, isto é, pelas chamadas baixas paixões, ou seja, seu mundo é o da mediocridade- não me refiro ao termo médio, mas ao inferior mesmo.

Tudo se baseia no princípio do caos. A vida do assediador é mal resolvida, o que o deixa inseguro e na defensiva, logo, segundo seu raciocínio, ele se acha sempre em estado de defesa e ataca antes de ser atacado, pois pensa que todos são como ele: indignos de confiança. Daí se dizer que sua vida interior é uma bagunça ou um caos que é o que ele oferece aos demais, afinal de contas, não se pode dar aquilo que não se tem. Por isso, essas pessoas não conseguem andar como os outros- em sociedade.

Os pactos sociais acompanham a humanidade desde o início de sua jornada, evoluem com ela e se aperfeiçoam conforme as mudanças são produzidas na complexidade crescente que as comunidades apresentam geração após geração. Desta maneira, entendemos que era benéfico nos coordenarmos ou nos sujeitarmos conforme cada relação exigia. Para nós, passou a ser uma questão de ordem e segurança, o que no final, seria traduzido em equilíbrio. Era uma questão de adaptação, ou seja, inteligência.

Quando tudo isso funciona corretamente alcançamos a chamada harmonia social. Não há conflito. Mas, quando se decide driblar o que foi estabelecido, pretendendo-se levar vantagens, a coisa muda de configuração. Não à toa a palavra anarquia nos dá uma idéia de desordem generalizada e de desequilíbrio onde o mais forte se insurge contra o vulnerável, demonstrando uma covardia camuflada pela truculência.

Ora, tudo que se baseia na disciplina oferece um limite de liberdade onde se pode transitar tranquilamente. Uma porção de livre-arbítrio que se pode utilizar e que não avançará qualquer sinal censurável. Mas, disciplina para ser completa deve traduzir uma ideia de igualdade ou proporcionalidade, atingindo a todos e não somente a alguns, senão, passa a ser jugo.

Na tirania, as coisas se processam de forma desigual. Leis e regras são formuladas por poucos, para que tantos se submetam ao seu bel prazer. Não há valor, não se processa por uma finalidade de bem comum, mas somente para alimentar o faminto parasita social. Neste cenário, é óbvio que os afetados por seus arbítrios se rebelarão, pois não há equilíbrio nesta relação. Há somente peso e imposição. Não há liberdade.

Em modelos assim os “ditadorzinhos” débeis que emergem de um meio adoecido e infectado não se sentem seguros para conseguirem o que querem e, então, ameaçam, agridem, ofendem, castigam e perseguem. Não toleram o diálogo, pois não estão à altura de argumentar e nem estão preparados para serem questionados sobre seus desmandos. Sendo assim, lhes sobra somente a violência e a covardia que expõe toda a sua sujeira interna.

Por isso que essas pessoas são promotores do caos, pois por onde andam ou pisam desestabilizam o meio produzindo inadequações.  Emanam uma energia ruim que contamina as pessoas que, se não estiverem blindadas, sucumbirão. Não podemos confundi-los com pessoas fortes, pelo contrário, sua debilidade é tamanha que para sobreviverem sorvem a seiva de energia dos demais, através dos tormentos que produzem.

Existe a realidade e como a interpretamos. Sabedores disso, os agressores morais procuram vestir máscaras que demonstrem o quanto são poderosos ao mesmo tempo em que escondam o quanto são insignificantes. Tudo pelo medo daqueles que agridem e perseguem. Sim, eles temem seus perseguidos, pois estes, se lhe apresentam como gigantes que estão em seus caminhos, pois distorcem a realidade, pela sua inadequação psicológica que lhes informa todos os dias, o quanto são incompetentes e frágeis.

Agora fica fácil entender as emboscadas, as punições forjadas, as armações pelas costas, pois não são capazes de olhar no olho do assediado pelo medo que nutrem dele. Afinal, são conscientes de suas qualidades que, aliás, invejam por não as terem. Tem “chefezinho” que precisa mandar outro punir por ele, tal o terror de seu subordinado.

No fim do dia, se lamentam e se entregam ao álcool numa mágoa que não tem fim, por não serem como aqueles a quem perseguem. Acusam os céus por tê-los feitos tão inadequados e estúpidos, e, com rancor praguejam contra o divino por causa dos que lhe são subordinados, mas que são muito melhores que ele. É o espírito de Caim que os incorpora e domina suas cascas vazias. “Espelho, espelho meu”...comparam –se constantemente, mas sem nunca se satisfazerem-se.

O que se percebe nestas criaturas sombrias é que possuem uma falha em seu sistema interpretativo do mundo que se distorce diante das deformações internas de seu caráter. Cultivaram a vida assim, e, então, a projetam no meio em que estiverem, e, à medida que o tempo passa, esse processo se internaliza, cada vez mais, até um ponto sem volta onde o cérebro foi formatado definitivamente, salvo raríssimas exceções.

Se preferir pode-se vê-los como caricaturas de crianças que são mimadas e não foram educadas de maneira eficiente pelos pais, não sabendo se adequar ao meio senão pela chantagem, ameaças, esperneios e gritos para conseguirem o que pretendem. Estas pessoas acreditam que o mundo gira ao seu redor e que todos estão à sua disposição para satisfazer seus caprichos. É claro que qualquer um que se recusar deverá ser punido severamente.

Portanto, entender o assédio moral pela lei de causa e efeito não trará solução alguma já que não se processa por esta lógica. O que confunde, na verdade, é que em momento algum se imagina que tudo decorre de mentes distorcidas e de sistemas de inadequações internas de agressores que disseminam um tipo de cultura bizarra pelo meio em que transitam.
  
Afinal, quem iria pensar que um boçal causaria tanto transtorno? Esta é uma lição que se deve levar para o resto da vida: nunca subestimar ninguém, nem mesmo um boçal.

Raniery


raniery.monteiro@gmail.com

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Neandertais modernos


Já se sabe através de inúmeras descobertas que o homo sapiens, isto é, o humano moderno como eu e você conviveu com outras espécies de primatas como os Neandertais que segundo as teorias mais recentes foram extintos num processo gradual e complexo, mas ao que parece inevitável.

Os Neandertais não possuíam o cérebro tão desenvolvido como nós apesar de serem extremamente fortes e musculosos afeitos a uma condição de vida marcada pela força bruta e truculência, mas a evolução exigiria mais de nós primatas e esculpiu uma criatura capaz de utilizar sua capacidade cerebral para dominar o planeta, pois era um modelo melhor apesar de suas nítidas imperfeições.

Da mesma forma que no processo de evolução das espécies, ao que parece este é um modelo funcional nas diversas áreas de nossa vida social. Aquilo que foi um sucesso no passado não significa que conseguirá se impor no presente; Profissões que eram tradicionais desapareceram diante de novas tecnologias; Descobertas e teorias dadas como certas ontem estão completamente obsoletas hoje. É assim que funcionam as coisas da vida humana. Mudança, movimento, desenvolvimento etc. Por isso que precisamos nos adaptar.

Acostumamos-nos às mudanças, pois senão ficaríamos excluídos. Na realidade, milhões estão nesta condição pelos mais diversos motivos. Culpados ou não a exclusão impõe sua marca de crueldade e frieza sobre aqueles que não se adaptaram. Então, é mais do que natural que as pessoas queiram estar em sintonia com o mundo e sua dinâmica, certo? Acertou a resposta quem segue esta lógica, mas errou quem não conhece a realidade de determinadas empresas públicas.

Você conceberia um médico que sequer soubesse ler e escrever? Um piloto de avião que não tivesse se preparado adequadamente para pilotar um avião gigantesco levando centenas de pessoas? Um engenheiro que fosse autodidata e construísse edifícios? Acredito que não. Mas, em lugares esclerosados esse raciocínio não prosperará. Neles, o estúpido e incompetente é tido como apto ao posto de destaque; Afinal, para que ter preparo aquele que rastejará e salivará nos testículos de seus dominadores. Pau mandado não pensa, mas faz.

É por isso que em lugares como estes os medíocres se sentem ameaçados pelos qualificados e fazem questão de fazer demonstraçõezinhas de poder irrelevantes. Diante de quem deveriam se fazer valer abaixam a cabeça e encolhem suas caudas, mas para com os subordinados precisam se autoafirmar e demonstrar que não são inseguros e se apegam aquilo que não importa, mas deixam passar o de real importância. Não passam de cascas vazias, cuja essência consiste de mero vácuo.

Tal qual os Neandertais, estão ultrapassados e já se extinguiram a muito tempo, mas se agarram desesperadamente, pois em outro lugar não serão capazes sequer de limpar privadas. Vivem num passado que não existe mais. Não se adaptaram seja pela falta de capacidade intelectual, fruto de mentes que se acomodaram ou por mera falta de interesse acreditando que sua inércia os premiaria a vida inteira.

Outro dia estava vendo um cachorro moribundo que mesmo tomado pela sarna e mal conseguindo se aguentar em pé latia numa tentativa de dissuadir qualquer um que pretendesse tomar seu território mesmo não tendo ninguém por perto que ao menos lhe desse atenção ou o levasse a sério tal o estado decadente do infeliz.

Na antiguidade, milhares de anos atrás, um dos maiores estrategistas de guerra alertava que este tipo de gente devia ser repudiado dentro das administrações públicas e que o fator mérito é que deveria ser levado em consideração na hora de contratar um funcionário público, caso contrário se estaria cometendo grave engano e trazendo a ruína para aquele Estado.

Existe uma lei universal que diz que semelhante atrai semelhante, logo, se levarmos em consideração este raciocínio concluiremos que tipo de lugar é o que adota em seus postos de confiança tais criaturas bizarras.

Aliás, é interessante notar que coisas asquerosas adoram se cercar de imundícies de todo tipo. Você não verá lacraia senão em troncos podres e toda sorte de substância em estado de putrefação. É seu ambiente, sentem-se confortáveis ali.
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Raniery


raniery.monteiro@gmail.com