sábado, 28 de janeiro de 2012

Assédio moral: a indústria que banaliza a vida


Espertalhão
Dia desses estava pesquisando alguns artigos e matérias pra abordar aqui, quando me deparei com o título de um deles que afirmava que estavam banalizando ações sobre assédio moral. De imediato me coloquei a lê-lo. 

Uma leitura superficial induziria o leitor mais desatento a acreditar que há um complô contra os “empregadores”, pois, segundo as afirmações do autor, a maioria dos processos que tramitam nos fóruns trabalhistas é composta de gente mal intencionada, de uma capacidade maquiavélica, capaz de enganar nossos magistrados.  Na construção de tal artigo o advogado usava e abusava de generalizações superlativas quando queria traçar um perfil negativo dos litigantes- que afirma ser a em sua maioria composta de trabalhadores desonestos e oportunistas.

Fiquei perplexo ao tentar entender como seria possível o sistema judiciário ter tantos operadores do Direito ingênuos ou despreparados a ponto de qualquer um ser capaz de enganá-los com supostas histórias de assédio moral; o que me levaria a concluir que é muito fácil ganhar dinheiro desta forma. Pior: que os diversos profissionais espalhados por um país de dimensões continentais estariam mancomunados com um monte de patifes.

Frases como “não raras vezes”, “via de regra”, “a maioria”, “enriquecimento ilícito”, entre outras, colocadas sistematicamente de forma negativa em relação aos trabalhadores, que estariam mentirosamente forjando situações que caracterizariam assédio moral, levava a crer que é prática comum, e, que nosso judiciário faz vistas grossas, ou é displicente, e o pior, conivente. No mínimo, é uma afirmação, ousada.

Penso que argumentar através de generalizações não é o melhor meio de defender uma idéia, mas quem sou eu pra contestar um cidadão que afirma que isso ocorre todos os dias e num volume tão grande, não é mesmo? Afinal, esse senhor deve ser uma autoridade na questão e deve, também, atuar a muito tempo defendendo “empregadores” pra ter tamanha propriedade para sugerir ao judiciário que dê um basta de uma vez por todas nesta “indústria do assédio moral”, punindo exemplarmente tais aventureiros jurídicos!

Toda a argumentação foi sustentada sobre a hipotética resistência do trabalhador ao controle e poder potestativo do empregador. O empregado, então, passa a elaborar um engenhoso plano de vingança e esperteza que culminaria com indenizações milionárias contra o injustiçado patrão que somente lhe deu ordens legítimas, nada mais.

Segundo Marie-France Hirigoyen, “O assédio moral no trabalho é definido como qualquer conduta abusiva (gesto, palavra, comportamento, atitude...) que atente, por sua repetição ou sistematização, contra a dignidade ou integridade psíquica ou física de uma pessoa, ameaçando seu emprego ou degradando o clima de trabalho”. 

Bom, pela definição da especialista, fica claro que tais comportamentos não se enquadram no conceito de legitimidade que é outorgada às empresas.

Já para Arthur Lobato - psicólogo e jornalista, o assédio é realizado de forma oculta, dúbia, maliciosa, dando margem a diversas interpretações, atuando no psicológico e emocional da pessoa. 

Pode ser que eu esteja enganado, dentro de minha ignorância, mas esta não é a forma mais adequada de se controlar ou exigir produtividade de alguém, portanto é abuso; ou não?

Objetivo do assediador: Desestabilizar psiquicamente, emocionalmente e profissionalmente um funcionário, após um extenuante processo de assédio moral, transformando a vítima em alguém que se sinta incapaz, incompetente, desmotivado, o que justifica o afastamento do trabalho, a perda do cargo de chefia, mudança de setor, ou aposentadoria antecipada.

Se as características acima não se concretizarem em assédio, me pergunto o que fará, então. E se estes comportamentos são violadores de direitos, me parece justo e legítimo provocar a justiça pra que de seu parecer sobre a questão.

Não tenho dúvida de que há pessoas que realmente possuem o perfil traçado pelo autor do artigo, porém, ao contrário dele, acredito que são exceções e não a regra. 

Acredito que classificar pessoas por estereótipos prejudica qualquer forma de avaliação autêntica. Cada pessoa é uma singularidade em si, respondendo por seus atos, daí porque cada caso é julgado especificamente, senão bastaria ao magistrado simplesmente decidir pela classe correspondente. Teríamos algo, mais ou menos assim: trabalhador-malandro; empregador- vítima. Não faz o menor sentido.

Veja você como isto se aplica de forma prática: não havia terminado esta postagem e me deparei com uma irregularidade em meu posto de trabalho que participei ao meu superior hierárquico, mas como ele me vê através das lentes do estereótipo e da estigmatização, optou por me dissuadir de cumprir com a minha função e inverteu as coisas. Basicamente este senhor tentou me convencer que é "a cauda que balança o cachorro" quando sugeriu que eu estaria atrapalhando quem estava irregular e que eu ficasse quieto no meu canto. O assediado é visto como encrenqueiro e ainda que seja competente isso não é levado em consideração.

Recuso-me a acreditar que, entre um exército de magistrados, todos são tão idiotas e sem experiência, a ponto de qualquer um chegar lá, e, levá-los no bico.  Pontualmente, até pode ter um ou outro profissional desmotivado ou mesmo acomodado que decida favoravelmente ao trabalhador, sem sequer dar-se ao trabalho de utilizar todos os recursos interpretativos de que dispõe para tal, o que já acho ser demais fantasioso também. Parece teoria da conspiração contra o empresariado que, de tão fragilizado, é alvo de uma horda de selvagens e está sucumbindo diante de forças ocultas, por demais poderosas. 
Ingênuo
Quem passou ou passa por assédio moral sabe muito bem que é real e não fruto de uma imaginação paranoica ou com mania de perseguição. Quando seu superior o induz a declinar de cumprir com seu dever por conta de esquemas envolvidos, isso não tem nada de invenção. Quando o empregado passa a ser retaliado por não aceitar tal dispositivo, ele sabe muito bem qual é a origem da coisa. Tais ações passam longe de mero controle disciplinar.

Coincidentemente, no mesmo dia em que li o artigo, conversei com um superior hierárquico que me disse que há algumas pessoas que acreditavam que eu estaria “aplicando” em relação ao assédio moral em minha empresa. Conclusões precipitadas e superficiais também são frutos de pessoas que projetam seu caráter sobre as outras ou são gente simples mesmo, no que diz respeito às suas personalidades. É comum se deparar com pessoas que fantasiam um mundo de paranóias e complôs. Vivem realidades alternativas como se participassem de filmes Hollywoodianos, mas quando confrontadas com os fatos e as evidências, não conseguem manter seus discursos vazios.

Em seu Blog “Segurança Portuária em Foco”, este inspetor postou um artigo muito interessante que explica muito bem o que acontece nessas situações. Ele dissertou sobre os paradigmas e como eles norteiam nossas ações e pensamentos- algumas vezes de forma negativa, interferindo em nossas percepções. É como se você somente visse o mundo de determinada forma, condicionado como um animal de circo que se recusa a se libertar dos grilhões, sem saber que é mais forte que eles.

Concordo com algumas coisas com o autor do artigo “a indústria do assédio moral” quando diz que nem tudo é assédio, assim como, também, que nem todo trabalhador é um malandro e com certeza magistrados, de ingênuos não têm nada.

Outra coisa que compartilhamos, é que a indústria do assédio moral deve ser banida mesmo de nossas sociedades. Na hora em que ninguém for humilhado, acuado, perseguido, desonrado em seu ambiente de trabalho, a pretexto de resultados, metas e outras desculpas mais, não será preciso recorrer à justiça pra pleitear indenização alguma. Esta indústria (do terror psicológico e da covardia) tem que saber que não ficará impune, que o preposto que adotar comportamento inadequado responderá por seus atos, que a empresa que não coibir tal prática terá suas linhas de créditos bloqueadas; aí sim, acabaremos com a indústria do assédio moral que é tão antiga quanto a humanidade, desde quando um homem quis dominar o seu igual. 

Da mesma forma que o colega de tal artigo diz não crer em utopias de assédio moral, eu também não acredito que é o trabalhador, hipossuficiente, frente ao poderio financeiro das empresas que, em sua maioria, inventa histórias de perseguição, até porque, é estatisticamente comprovado que são os “empregadores”, em número muito maior, os culpados por tal “fenômeno”, ou seja, os donos de tal indústria.

Só quem já passou por isso e adoeceu sabe o quanto é real a perversidade humana. Falar que é invenção, aplique, utopia, qualquer um fala, afinal língua não tem osso, não é mesmo?

O que é preciso é humanizar as relações de trabalho e criar mecanismos que coíbam tais práticas no meio corporativo, pra que haja trabalhadores motivados, e, por conseqüência, produtivos. Na realidade, todos estão no mesmo barco e querem a mesma coisa: prosperar e construir uma vida mais digna e feliz. De um lado o dono do capital e do outro a mão de obra disponível. O empregador não é nenhum caridoso e nem o trabalhador um irresponsável que não sabe suas obrigações, decorrentes de seu contrato de trabalho. Precisamos acabar com essa visão paternalista e perniciosa que propicia inúmeros conflitos todos os dias.

O advogado, que assina este ácido artigo, ainda menciona que o judiciário proporciona vultosas e injustas indenizações aos ingratos ex-empregados, mas não sei de onde ele tirou tal afirmação, pois, o que tenho acompanhado não reflete a realidade, e, pra falar a verdade, acho que os valores pagos estão aquém do dano causado. Aliás, como se mensura dano? Como recuperar os anos em que uma pessoa definhou diante de uma depressão, stress-pós-traumático, síndrome do pânico, ansiedades, alcoolismo ou suicídio? Bom, se concordarmos que a vida está banalizada pensaremos que ela não vale nada mesmo. Que coisa!

Concluindo: paradigmas como estes, racionalizam interesses que estão em jogo e apontam um resquício das elites dominantes, que se ressentem de não poderem mais satisfazer seu sádico desejo de domínio e controle. Apontam para uma incapacidade de se adaptar às mudanças e demonstra um sintomático transtorno, que cega quem o possui, não permitindo que enxergue o mundo real, conduzindo seu possuidor a devaneios e delírios insanos. São pensamentos esclerosados que disseminam toda sorte de violências e perversidades, transformando o mundo num verdadeiro manicômio. 

Malandro
Realmente é preciso dizer um basta à indústria do assédio moral (a violência) e seus industriais que produzem mais estragos que benefícios.


Raniery
raniery.monteiro@gmail.com







quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Circo de horrores


Segundo a OIT, é garantido ao trabalhador o direito ao “trabalho descente”, isto é, aquele que considere o princípio constitucional da dignidade da pessoa humana, pressuposto sobre o qual todo o trabalho humano deve se estruturar na efetiva garantia deste que é o princípio mais relevante na ordem jurídica brasileira.


“O princípio da dignidade da pessoa humana, fundamento da República Federativa do Brasil, como prevê o artigo 1º, inciso III, da Constituição”, observa a ministra Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, do Tribunal Superior do Trabalho, “exprime a primazia da pessoa humana sobre o Estado, aplicando-se ao Direito do Trabalho, significa a prioridade do trabalhador frente à empresa. 


É necessário defender a aplicação deste princípio como valor-fonte fundamental do Direito do Trabalho no combate ao assédio moral. É possível citar também o direito à saúde, mais especificamente à saúde mental, abrangida na proteção conferida pelo artigo 6º, e o direito à honra, previsto no artigo 5º, inciso X, também da Constituição”, acrescenta.


Tal defesa deve levar em conta à cidadania; a intimidade e privacidade; a garantia da saúde e segurança; o respeito aos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; a proteção dos direitos fundamentais; e se houver dano moral a garantia de direito à reparação equivalente. Tudo dentro da esfera do trabalho e do trabalhador (a).


A realidade, no entanto, mostra que milhares de pessoas se afastam dos seus postos de trabalho devido a doenças psicológicas e psicossomáticas decorrentes de um sistema de gestão empresarial competitivo, desrespeitoso e indigno, ou seja, predatório. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o próximo século será marcado pelo crescimento das doenças psicológicas no ambiente de trabalho. Milhares de trabalhadores serão afastados do seu trabalho devido ao impacto do stress no ambiente de trabalho advindos de um mundo do laboral em crise.


Não há leis específicas, de âmbito federal, que se aplique ao assédio moral, mas segundo o TST a Justiça do Trabalho tem se posicionado independentemente da existência de leis específicas. 

O que caracteriza o assédio moral é: a violência psicológica, o constrangimento, a humilhação, sendo assim, pode- se afirmar que são as mesmas ações que permeiam as relações humanas em geral. Uma prática antiga que recentemente começou a ser estudada, denunciada e, finalmente, coibida e punida.


Através de um esforço inter e multidisciplinar foi possível, delinear e conceituar o assédio moral. Ciências como a Psicologia, Medicina, Administração de Empresas, Direito e outras contribuíram para formar uma base de entendimento sobre tal processo. E, por se tratar de fenômeno comum ao ambiente de trabalho, multiplicam- se os casos que chegam à Justiça do trabalho diariamente.


Aspectos essenciais: 


Caracteriza- se pela regularidade dos ataques, que se prolongam no tempo, e pela determinação de desestabilizar emocionalmente a vítima, visando afastá-la do trabalho. Trata-se, portanto, de um conjunto de atos nem sempre percebidos como importantes pelo trabalhador num primeiro momento, mas que, vistos em conjunto, têm por objetivo expor a vítima a situações incômodas, humilhantes e constrangedoras.


Identifique algumas ações:


Atribuição de tarefas estranhas ou incompatíveis com o cargo, ou em condições e prazos inexeqüíveis; designar funcionários qualificados ou especializados para funções triviais; apropriar-se de idéias, propostas, projetos ou trabalhos; torturar psicologicamente, desprezar, ignorar ou humilhar o servidor/ empregado, isolando-o de contato com colegas e superiores hierárquicos; sonegar informações necessárias ao desempenho das funções ou relativas a sua vida funcional; e divulgar rumores e comentários maliciosos ou críticas reiteradas e subestimar esforços, afetando a saúde mental do trabalhador.


Inação compulsória:


Quando a chefia deixa de repassar serviços ao trabalhador, deixando propositalmente ocioso – a imposição de “prendas” que o exponham ao ridículo, em caso de não atingimento de metas, humilhações verbais por parte de superiores (inclusive com palavras de baixo calão), coações psicológicas visando à adesão do empregado a programas de desligamento voluntário ou à demissão, entre outros.


Outra característica perversa se dá entre os colegas de trabalho que, temerosos ou indiretamente interessados no afastamento da vítima, muitas vezes endossam o assédio moral.


Lei da chibata:

Chicotes, ofensas e ameaças- na prática, a “criatividade” dos assediadores supera as sucintas descrições legais.  Os processos que chegam à Justiça do Trabalho buscando reparação por danos causados pelo assédio moral revelam que, em muitas empresas, o ambiente de trabalho é um circo de horrores. Ameaças, ofensas, sugestões humilhantes, isolamento e até agressões físicas fazem parte do roteiro.


“A tortura psicológica, destinada a golpear a auto-estima do empregado, visando forçar sua demissão ou apressar sua dispensa através de métodos que resultem em sobrecarregar o empregado de tarefas inúteis, sonegar-lhe informações e fingir que não o vê resulta em assédio moral, cujo efeito é o direito à indenização por dano moral, já que ultrapassa o âmbito profissional, eis que mina a saúde física e mental da vítima e corrói a sua auto-estima”. 


Processos/ indenizações:


Os resultados dos processos que envolvem alegações de assédio moral, quando favoráveis ao empregado, geram basicamente três tipos de reparação. A primeira é a rescisão indireta do contrato de trabalho, hipótese semelhante à justa causa, só que em favor do empregado, que se demite, mas mantém o direito ao recebimento de todas as verbas rescisórias, como se tivesse sido demitido sem motivação. Outra é a indenização por danos morais, que, na esfera trabalhista, visa à proteção da dignidade do trabalhador. A terceira é a indenização por danos materiais, nos casos em que os prejuízos psicológicos causados ao trabalhador sejam graves a ponto de gerar gastos com remédios e tratamentos.


Fixação de valores indenizatórios:


A fixação de valores para dano moral, conforme vem sendo adotada pelo TST tem dupla finalidade: compensar a vítima pelo dano moral sofrido e, também, punir o infrator, a fim de coibir a reincidência nesse tipo de prática. O que se busca é um possível equilíbrio entre as “possibilidades do lesante” – o porte e o poder econômico da empresa– e as “condições do lesado” – a extensão do dano causado.


Raios-X da violência:


Trata-se, portanto, de práticas que resultam na degradação das condições de trabalho, por meio de condutas negativas dos superiores hierárquicos em relação a seus subordinados, acarretando prejuízos práticos e emocionais para o trabalhador e a empresa ou órgão. É violência que fere princípios constitucionais que estão em consonância com os principais tratados garantidores de direitos fundamentais, dos quais o Brasil é signatário. Pode- se dizer, portanto, que o assédio moral é violação de Direitos humanos e deve ser repudiado, combatido e erradicado das relações de trabalho.
Fonte de pesquisa: www.tst.gov.br



Raniery
raniery.monteiro@gmail.com

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Vencendo a Vida


Assisti Invictus. Gostaria que você e muito mais pessoas tivessem o interesse e a oportunidade de também ver este filme, um belíssimo espetáculo de lição de vida diante das variadas ofertas nas redes de cinema. Vale o esforço.

É claro que não vou contar o roteiro, muito menos falar dos planos de filmagem. Sou um apaixonado por cinema. Até penso em fazer o curso de cinema da UFF (Universidade Federal Fluminense/RJ) no futuro. Por enquanto, deleito-me com certas produções, merecedoras não só de boa bilheteria, admiração do público, prêmios, mas também de artigos disparados mundo afora, como este aqui.

Não tenho como não falar de Clint Eastwood que, mais uma vez, dá provas de sua extrema habilidade, ao dirigir este 32º longa de sua carreira como diretor. 

Aliás, Invictus é também o oitavo trabalho de Eastwood com o músico Kyle, seu filho. Baseado no livro de John Carlin, foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Direção (Clint Eastwood), Ator (Morgan Freeman) e Ator Coadjuvante (Matt Damon) em 2010 e ainda recebeu duas indicações ao Oscar: Melhor Ator (Morgan Freeman), Melhor Ator Coadjuvante (Matt Damon). Reúno estas informações porque acho interessante adentrar no contexto formador de uma produção tão fascinante, tanto no formato quando no conteúdo.

Mas sobre o que fala Invictus? De um legado nocivo em um país sofrido, de uma esperança trazida da prisão, de um jogo que se torna desafio de superação, de um homem que renovou a África do Sul. O filme fala de Nelson Mandela e de um poema que o ajudou a reter a sanidade, o bem e o perdão, Invictus, escrito pelo escritor britânico William Ernest em 1875.

Um século depois, Mandela lia o poema, aprisionado em Robben Island, onde ficou por quase 27 anos, cumprindo pena de trabalhos forçados, por ter lutado contra o regime do apartheid (Política de segregação racial da África do Sul). Apenas foi libertado em 1990, tornando-se, surpreendentemente, presidente do país em 1994 até o ano 1999. A história deste grande líder da paz você deve conhecer - ou deveria. Fez diferença mesmo no esporte. Mandela foi estratégico ao usar aquilo que mais mobiliza pessoas de todo o mundo, contribuindo para mudar a história do rugby na África do Sul, corroída por segregação racial por quase 40 anos.

Em 1995, com a aproximação da copa do mundo de rugby em plena África do Sul, ainda profundamente dividida entre negros e brancos, Mandela age com sensibilidade e notável inteligência para conduzir os conflitos. Faz do Springboks, a seleção sul africana de rugby, mais que um time. Stop! Se quiser saber como é a história, veja o filme. Lamento, mas não vou cair na armadilha de contar.

Mas faço questão de dividir a grande mensagem de Invictus e suas magníficas palavras: "Não importa o quão estreito seja o portão e quão repleta de castigos seja a sentença, eu sou o dono do meu destino, eu sou o capitão da minha alma". Quem conhece meus livros, sabe de meus pensamentos acerca da performance de um vencedor diante de portões estreitos, castigos e sentenças. Acredito que a carga emocional contida no poema foi tremendamente forte para fazer com que um homem mantivesse sua integridade em todos os sentidos.

Sim, somos donos de nossas escolhas. Escolhemos vencer ou perder, morrer ou viver. Isto também me faz lembrar de outro filme, "Um sonho de liberdade", em que um prisioneiro, retido injustamente por mais de 20 anos, dá seu próprio veredito: "Aqui, ou você se ocupa de morrer ou se ocupa de viver. Escolhi ocupar meus dias vivendo". Mandela fez o mesmo. E por ter conseguido, espalhou esta possibilidade de vida para seu amado país, contrariou as normas dos rancores, os dissabores do passado. Passou com nota mil no teste de Quociente de Adversidade, aquele que mede o quão capazes somos para enfrentar circunstâncias adversas.

Mandela resistiu na prisão e fora dela. Demonstrou que um ser humano não pode ser deformado por suas lutas e fracassos. Em meu livro "A Maratona da vida - um manual de superação pessoal", escrevo que não é o fraco que sente dor, mas o forte. O fraco recebe o impacto da dor e desiste. O forte prossegue com ela que, por vezes, parece eterna. Mas é o forte quem persiste e vence. Pois bem, os Springboks venceram - e você vai ver o quanto eles sentiram de dor e esforço -, a África do Sul venceu, Mandela venceu.

Não é à toa que este líder tornou-se o político com maior autoridade moral no continente Africano, o que lhe tem permitido desempenhar o papel de apaziguador de tensões e conflitos; ganhou centenas de prêmios, como o Nobel da Paz, recebido em 2002. Quando se fala dele, a gente estremece.

Na verdade, anseio que mais pessoas o conheçam, passem a ver filmes assim como um upgrade pessoal, aquisição de maturidade emocional. Mas sei que, infelizmente, muitos estão ocupando-se com investimentos bem menores, focados em leituras fracas, entretenimentos sem conteúdo. É a retroalimentação do mundo.

Para os interessados em algo mais produtivo e que FAÇA VIVER, eu espero que assim como foi para Mandela, que este poema torne-se nosso constante companheiro durante a desafiadora maratona da vida.

(O poema "Invictus" pode ser lido no site www.williamdouglas.com.br)


www.pciconcursos.com.br



quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Crise ou oportunidade?


Um filósofo passeava por uma floresta com um discípulo, conversando sobre a importância dos encontros inesperados. De acordo com o mestre, tudo que está diante de nós nos oferece uma chance de aprender ou ensinar. Quando cruzavam a porteira de um sítio que, embora muito bem localizado, tinha uma aparência miserável, o discípulo comentou:
- O senhor tem razão. Veja este lugar… Acabo de aprender que muita gente está no paraíso, mas não se dá conta disso e continua a viver em condições miseráveis.
- Eu disse aprender e ensinar – retrucou o mestre. Constatar o que acontece não basta; é preciso verificar as causas, pois só entendemos o mundo quando entendemos as causas.
Bateram à porta da casa e foram recebidos pelos moradores: um casal, três filhos, todos com as roupas sujas e rasgadas.
- O senhor está no meio desta floresta, não há nenhum comércio nas redondezas – observou o mestre ao pai de família. Como sobrevivem aqui?
E o homem, calmamente, respondeu.
- Meu amigo, nós temos uma vaquinha que nos dá vários litros de leite todos os dias. Parte desse produto nós vendemos ou trocamos, na cidade vizinha, por outros gêneros de alimentos. Com a outra parte, produzimos queijo, coalhada e manteiga para o nosso consumo. E assim vamos sobrevivendo.
O filósofo agradeceu a informação, contemplou o lugar por um momento e foi embora. No meio do caminho, disse ao discípulo:
- Pegue a vaquinha daquele homem, leve-a ao precipício e jogue-a lá embaixo.
- Mas ela é a única forma de sustento da família! – espantou-se o discípulo.
O filósofo permaneceu calado. Sem alternativa, o rapaz fez o que lhe pedira o mestre, e a vaca morreu na queda. A cena ficou gravada em sua memória.
Muitos anos depois, já um empresário bem-sucedido, o ex-discípulo resolveu voltar ao mesmo lugar, contar tudo à família, pedir perdão e ajudá-los financeiramente. Ao chegar lá, para sua surpresa, encontrou o local transformado num belíssimo sítio, com árvores floridas, carro na garagem e algumas crianças brincando no jardim. Ficou desesperado, imaginando que a humilde família tivesse precisado vender o sítio para sobreviver. Apertou o passo e foi recebido por um caseiro muito simpático.
- Para onde foi a família que vivia aqui há dez anos?
- Continuam donos do sítio.
Espantado, ele entrou correndo na casa, e o senhor logo o reconheceu. Perguntou como estava o filósofo, mas o rapaz nem respondeu, pois se achava por demais ansioso para saber como o homem conseguira melhorar tanto o sítio e ficar tão bem de vida.
- Bem, nós tínhamos uma vaca, mas ela caiu no precipício e morreu – disse o senhor. Então, para sustentar minha família, tive que plantar ervas e legumes. Como as plantas demoravam a crescer, comecei a cortar madeira para vender. Ao fazer isso, tive que replantar as árvores e precisei comprar mudas. Ao comprar mudas, lembrei-me da roupa dos meus filhos e pensei que talvez pudesse cultivar algodão. Passei um ano difícil, mas quando a colheita chegou eu já estava exportando legumes, algodão e ervas aromáticas. Nunca havia me dado conta de todo o meu potencial aqui: ainda bem que aquela vaquinha morreu!
Atirar a vaca pode ser mudar de ramo de negócio, buscar novas oportunidades, mudar de emprego, fechar um negócio, sair da sociedade que há muito você deseja, enfim, mude… faça algo diferente para descobrir suas reais potencialidades.
Mesmo que sua vaca seja bonitinha… talvez esteja na hora de atirá-la no precipício! Que tal…”
As principais características de um empreendedor de sucesso
Os segredos do empreendedorismo podem ser descobertos por qualquer pessoa e de qualquer idade. Não é incomum sonhar em seguir as próprias ordens e cuidar do próprio nariz. Fundar um negócio e ser patrão de si mesmo, contudo, pode ser mais complicado do que se imagina. Não basta apenas ter uma boa ideia, é preciso entender o mercado e manter-se atualizado, para que o negócio encontre possibilidades de crescimento. 
Para Sergio Diniz, consultor do Sebrae-SP, o empreendedorismo é um conjunto de comportamentos e hábitos. "Antigamente, imaginávamos que o empreendedor nascia empreendedor, mas hoje sabemos que as características de um empresário de sucesso podem ser adquiridas com capacitação adequada." 
SAIBA MAIS
Quem deseja abrir o próprio negócio deve se informar, antes de mais nada. É preciso conhecer o mínimo a respeito da atividade que se pretende desenvolver e do mercado no qual quer se envolver. Familiarizar-se com aquilo que se deseja vender, seja o que for, é essencial. "O empreendedor precisa aprender sempre. Conhecer seu ramo de atividade. Dominá-lo", ressalta Diniz. 
Parte desta capacitação, esclarece o consultor, vem da organização dos recursos do negócio. Todos eles: humanos, financeiros e materiais. Um exemplo. O empreendedor não pode confundir o dinheiro da empresa com o seu dinheiro pessoal. Segundo Diniz, esse é um erro comum. É preciso atentar, também, para a escolha do sócio, discutir as expectativas e o papel de cada um no empreendimento. "Às vezes é mais complicado que muito casamento", brinca o consultor. 
Sérgio Diniz apontou as principais características que um empreendedor deve ter, se preza pelo sucesso de seu negócio. São elas: 
1. Iniciativa: a busca constante por oportunidades de negócios. Estar sempre atento ao que acontece no mercado em que vai atuar; 
2. Perseverança: as dificuldades vão acontecer, até porque o empresário de micro e pequena empresa muitas vezes é solitário. "Não se pode desistir", insiste Diniz; 
3. Coragem para correr riscos: arriscar-se faz parte do ato de empreender. Diniz ressalta que correr riscos é diferente de correr perigo. O empreendedor corre perigo quando está desinformado. Se tem as informações, pode tomar decisões complexas com risco calculado; 
4. Capacidade de planejamento: ter a visão de onde está, onde quer chegar e o que é preciso fazer. Criar planos de ações e priorizá-las dentro do negócio. Monitorar, corrigir e rever. "Isso pressupõe que se avalie as melhores alternativas para alcançar seus objetivos estabelecidos durante o planejamento", afirma o consultor; 
5. Eficiência e qualidade: as pequenas empresas dispõem de menos recursos, então precisam garantir que eles sejam bem aproveitados. É preciso conquistar o cliente, o público alvo e direcionar os esforços; 
6. Rede de contatos: é importante participar de eventos e feiras relacionados ao seu produto. Lembre-se também de que ambientes informais ajudam a formar bons contatos. "A gente começa a desenvolver nossa rede de contatos com a família, amigos, vizinhos e antigas experiências”, diz Diniz. “Deve-se trazer isto para a sua realidade de negócio." 
7. Liderança: "O empreendedor deve ser o líder na sua empresa", afirma Diniz. Ele deve ser um bom ouvinte e deve saber estimular permanentemente a equipe, motivá-la e deixá-la comprometida. "Ele deve também ser um gestor de pessoas", completa o consultor. 





raniery.monteiro@gmail.com

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Técnicas de assédio moral


Técnica é um procedimento que tem como objetivo a obtenção de um determinado resultado.

Sendo assim, se aplicarmos a definição acima à prática do assédio moral, veremos que o agressor também possui um conjunto de técnicas que se sofisticam a medida que o desajustado ganha experiência.

A técnica supõe que, em situações semelhantes, uma mesma conduta ou um mesmo procedimento produzirão o mesmo efeito. No caso das ações de agressão psicológica, significa dizer que o assediador apresenta um padrão comportamental violador identificável e responsabilizável. 

O fator intenção entra em jogo nestas relações assimétricas. O assediador sabe o que está fazendo, tem noção de que é errado, mas mesmo assim decide optar pelo dano à vítima. 

Toda agressão conta com o medo de quem é agredido para que possa subjugá- lo, neutralizá- lo e destruí- lo. Daí utilizar de mecanismos covardes, isto é, que não permitam a menor chance de defesa ou o equilíbrio no conflito. 

Observei, em conversas com inúmeras pessoas, que a grande maioria sequer sabia que estava sendo assediada ou consegui detectar a tempo a agressão, e, quando se dava conta, não havia mais nada a fazer.

A doutrina dividiu as formas de concretização do assédio em técnicas de assédio. Identificá- las é o primeiro passo pra poder reagir de modo mais eficiente.

São elas: técnicas de relacionamento, técnicas de isolamento, técnicas de ataque e técnicas punitivas.

Seguem alguns comportamentos configuradores do assédio moral:


Técnicas de relacionamento

•Desestabilizar emocional e profissionalmente a vítima que gradativamente vai perdendo simultaneamente sua autoconfiança e o interesse pelo trabalho.
•Impedir de se expressar.
•Começar sempre reunião amedrontando quanto ao desemprego ou ameaçar constantemente com a demissão.
•Impor ao coletivo sua autoridade para aumentar a produtividade.
•Comunicar-se só por bilhetes,e-mails etc.
•Aproveitar uma saída rápida da vitima para deixar uma tarefa em sua mesa, sem solicitar pessoalmente.
•Sobrecarregar de trabalho ou impedir a continuidade do trabalho, negando informações.
•Repetir a mesma ordem para realizar uma tarefa simples centenas de vezes até desestabilizar emocionalmente o trabalhador ou dar ordens confusas e contraditórias.
•Fragilizar, ridicularizar, inferiorizar e menosprezar em frente aos pares.
•Impedir que as grávidas sentem durante a jornada ou que façam consultas de pré-natal fora da empresa.
•Fazer reunião com todas as mulheres do setor administrativo e produtivo, exigindo que não engravidem, evitando prejuízos à produção.
•Passar lista na empresa para que os trabalhadores/as se comprometam a não procurar o Sindicato ou mesmo ameaçar os sindicalizados.
•Impedir de usar o telefone em casos de urgência ou não comunicar aos trabalhadores/as os telefonemas urgentes de seus familiares.

Técnicas de isolamento

•Rir a distância e em pequeno grupo; conversar baixinho, suspirar e executar gestos direcionando-os ao trabalhador.
•Não cumprimentar e impedir os colegas de almoçarem, cumprimentarem ou conversarem com a vítima, mesmo que a conversa esteja relacionada à tarefa.
•Ignorar a presença do/a trabalhador/a.
•Querer saber o que estavam conversando ou ameaçar quando há colegas próximos conversando.
•Espalhar entre os colegas que o/a trabalhador/a está com problemas nervosos.
•Divulgar boatos sobre sua moral.
•Hostilizar, não promover ou premiar colega mais novo/a e recém chegado/a à empresa e com menos experiência, como forma de desqualificar o trabalho realizado.

Técnicas de ataque

•Desmoralizar publicamente, afirmando que tudo está errado ou elogiar, mas afirmar que seu trabalho é desnecessário à empresa ou instituição.
•Culpar/responsabilizar publicamente, podendo os comentários de sua incapacidade invadir, inclusive, o espaço familiar.
•Mandar executar tarefas acima ou abaixo do conhecimento do trabalhador.
•Desviar de função: mandar limpar banheiro, fazer cafezinho, limpar posto de trabalho, pintar casa de chefe nos finais de semana.
•Retirar material necessário à execução da tarefa, impedindo o trabalho.
•Apontar erros imaginários.
•Fazer revista vexatória.
•Impedir de tomar cafezinho ou reduzir horário de refeições para 15 minutos. Ordenar que as refeições sejam realizadas no maquinário ou bancadas.
•Determinar uso restrito de sanitários.

Técnicas de punição

•Trocar alguém de turno sem avisar.
•Voltar de férias e ser demitido/a ou ser desligado/a por telefone ou telegrama em férias.
•Punir severamente o subordinado por erros pequenos ou fazer relatórios aos superiores apontando o erro.
•Determinar o pagamento de prendas.
•Receber advertência em conseqüência de atestado médico ou por que reclamou direitos.

Já ouvi muita gente dizer que nunca havia passado por assédio moral e que não precisaria saber “disso” até o dia que o raio caiu em suas cabeças. Penso que a melhor hora de se aprender a nadar não é durante uma tempestade, mas na tranqüilidade de uma piscina. Vale dizer que o problema reside no agressor e não na vítima e que não há lógica na mente de um “demente”.

Portanto, saber como age o predador social é antecipar- se aos seus passos. Isso não significa que o impedirá de agir, mas minimizará o impacto de suas ações lesivas, e, poderá levá- lo a responder por seus atos na justiça.


Raniery
raniery.monteiro@gmail.com