sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Quando Tudo Se Revela

Há  Movimento Ou Ilusão?
A realidade é subjetiva. Cada pessoa constrói a sua. Um mesmo fato pode ser contado e/ou interpretado de inúmeras maneiras. Filtros mentais interferem nessa relação.

Interpretamos o mundo através de nossos sentidos, que por sua vez são processados em nosso cérebro, e, isso, nem sempre é sinal de exatidão. Basta saber que captamos uma miríades de informação de forma simultânea, mas o cérebro precisa priorizar o que é mais importante e relegar o resto a um segundo plano.

Tendemos a categorizar o mundo segundo nossos filtros mentais, o que pode gerar falsos raciocínios e nos iludir. Realidade sócio-econômica, cultura local, traumas, educação, religião, genética, tudo isso, concorrerá para que formemos um conceito próprio da realidade.

Mas, a sociedade se organiza elementarmente para que possa extrair o máximo benefício desta relação em grupo. Tais códigos pretendem atuar sobre nossos comportamentos para que não excedamos no exercício de nossos direitos. Perceba, então, que há uma deliberada interferência sobre nossa liberdade, de ser e agir, em prol de um valor maior- o grupo.

É evidente que seres egoístas que somos, não aceitamos que se nos imponha o que nossa vontade decide que façamos. É neste instante que se concebe o conflito. E o conflito não é necessariamente algo mal como costumamos enxergar, pelo menos, na sua essência, evidentemente. É dele que surge as mudanças sociais e os grandes questionamentos da dinâmica humana e suas civilizações.

Viver é conviver com as mudanças. É da nossa natureza mudar o mundo. Desde que atingimos uma consciência de nós mesmos que o mundo nunca mais foi igual. E isso, em termos positivos e negativos. Ao mesmo tempo, nos apegamos a tradições, conceitos, paradigmas, o que nos traz uma falsa sensação de segurança, ou, de uma falsa realidade.

Veja os valores, por exemplo. Eles são elencados como mecanismos de estabilidade e harmonia social, mas estão em constante mutação. Como isso se dá de forma imperceptível, em determinado momento, acabamos achando que houve uma violação dos mesmos. Vemos isso no conflito de gerações.

Pegue o conceito de respeito (um valor) e o situe em vários tempos históricos e verá que o que era considerado como desrespeitoso em um intervalo de tempo, por uma dada sociedade, não terá a menor relevância em um outro momento e grupamento social.

O valor respeito é uma convenção que tem sua forma de atuação conectada diretamente com a interpretação social que a utiliza, em função do benefício que se oferece. Pergunte-se porque você quer o respeito de alguém e a resposta é o valor mensurável que a atitude tende a produzir. Sendo assim, a tempos atrás, beijar alguém em público feria a moral social e causava escândalo, mas hoje é coisa corriqueira que, de certo modo, nem chama a atenção.

Nesses dias eu tenho estado incomodado com a atitude de uma escola infantil aqui de Santos-SP, onde meu filho foi agredido a unhas por "alguém" que, convenientemente, a escola achou por bem, manter anônimo entre a negligência das professoras que ali trabalham.

Intimidado, ele se recusa a apontar o agressor, mas a diretora está mais preocupada com a reputação da escola, dado a gravidade do caso, que com a integridade física e moral dele. Com o discurso de quarenta anos de educadora tentou me convencer que o fato é coisa que acontece, e que não há culpados. 

A dor física e, pior, psicológica que uma criança de 4 anos está sentindo é irrelevante para essa senhora, que orientada por seu advogado, tentou jogar para fora de seus muros o incidente induzindo que poderia ter ocorrido no transporte escolar que atende exclusivamente sua escola.

Citei, então, dois outros episódios que envolviam de forma similar uma mesma funcionária, mas tudo foi minimizado e descaracterizado pela coordenação e houve a inversão de culpa, ou seja, as duas crianças é que teriam, segundo elas, estimulado a auxiliar a machucá-los. Quando alguém age assim eu costumo dizer que está tentando me convencer de que " é o rabo que balança o cachorro".

No primeiro momento, eu e minha esposa, ficamos confusos e pensamos se tratar de algum caso de Bullyng, mas a filha da diretora que é uma das coordenadoras disse-nos que crianças nessa fase de desenvolvimento não seriam capazes de um complexo comportamento, como o de intimidar. Então, eu lhe disse: " se não foi criança, foi um adulto..."; ela parou por um instante, e disse que não; nesse momento eu pedi uma explicação simples: diante do fato de uma lesão no corpo do meu filho, e a notória mudança de comportamento que o faz se sentir intimidado, quem foi, então, o agressor? 

Até o presente momento, estou sem resposta, mas a escola vem fazendo um atento trabalho de maquiagem dos fatos, inclusive orientando a psicóloga a escrever na agenda da criança que ela tem dito que não fora nenhum profissional dali o culpado, mas uma outra criança que ninguém por lá sabe quem é.

O curioso desta triste história é que a auxiliar é a única que identificou o machucado, mas decidiu não relatar pra ninguém o acontecido, pois não achou nada demais aquilo. A outra professora diz que só foi vê-lo na hora de trocá-lo para a aula de capoeira, mas que relatou tudo a coordenação, que por sua vez disse que se esqueceu de nos comunicar.

Veja o que diz o ECA:  Lei nº 8.069 de 13 de Julho de 1990
Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências.

Art. 245. Deixar o médico, professor ou responsável por estabelecimento de atenção à saúde e de ensino fundamental, pré-escola ou creche, de comunicar à autoridade competente os casos de que tenha conhecimento, envolvendo suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente:
Pena - multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência.

Mas, o que tudo isso tem a ver com realidade e valores? Tudo! Se você prestar bem atenção.

A escola faz questão de nas redes sociais, sua página na internet, e, em memorandos enviados na agenda, que adota os mais dignos valores no processo de educação de seus alunos, mas na hora de ser posta a prova fez exatamente o inverso, já que elegeu como forma de argumento os quarenta anos da diretora como forma de se auto intitular uma autoridade sobre tais acontecimentos, mesmo à margem da lei. Ela chegou a afirmar que nos dois outros casos de agressão infantil, os pais eram devedores e, por isso, estariam falando mal da instituição numa demonstração de total falta de ética e arrogância. Se bem que isso justificaria que poderiam ser agredidos? Complicado, né?!

Isso, foi a parte dos valores. E a realidade onde está? Na superfície e nas aparências, pois nem tudo o que se vê, de fato é. São nesses momentos que alquimicamente se faz a separação dos elementos: discurso persuasivo demum lado e fato, ou, realidade, do outro.

Neste episódio ficou claro pra mim que a única coisa que não muda é o comportamento humano que manifesta sua verdadeira natureza diante de suas responsabilidades quando exigidas.

Leia também: Sobre A Realidade
Raniery

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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Papo Furado

No Brasil, nestes últimos meses temos assistido uma onda de manifestações contra uma série de desmandos de um Estado que confronta sua própria democracia, e, isso, apesar dos grandes avanços que tivemos.

É que ninguém aguenta mais conviver com um sistema de saúde precária que privilegia planos e instituições particulares em detrimento dos mais pobres, fruto de uma política social de abandono. 

Da mesma forma, nossa educação, sucateada, massacra seus professores e pune seus novos cidadãos com um sistema educacional que não funciona, mas que faz prosperar as escolas particulares que já se tornaram a nova indústria a ser explorada por aqui- tanto que há grupos estrangeiros investindo seu capital nesse ambicioso negócio.

Corrupção, lavagem de dinheiro, descaso com a segurança pública entre outras coisas saturaram o povo brasileiro que já não aguenta mais tanta ilegalidade que surge de seus representantes que deveriam zelar pelos interesses de seus representados, mas que se elegem e passam a agir em prol de interesses próprios ou de grupos que os patrocinaram.

E como o cidadão fica nesta história? Bem, veja você que tem filhos e que diante deste quadro caótico trabalha e se sacrifica para lhes dar o melhor e sonha com que tenham melhores chances na vida, sobretudo em um mercado de trabalho que se torna cada vez mais competitivo. O que faz? Matricula-o em uma escola particular, de preferencia que ofereça as condições para que a criança possa obter sucesso em todo o seu desenvolvimento e no momento chave poder alçar os melhores vôos. 

Mas, é aí que as coisas começam a desandar. Temos que lembrar que estamos no país das falsas realidades. Você vai até a escola e quer que haja o mínimo de estrutura e segurança para aquele que é o seu maior tesouro. As escolas por sua vez preenchem a lacuna deixada propositadamente pelo Estado e elencam o bolso dos pais como seu maior tesouro.

É bem verdade que eles não podem dizer isso e em seu marketing camuflam suas intenções com palavras como educação e valores. Criam páginas nas redes sociais e postam fotos de nossos filhos brincando, sorridentes e tudo parece um conto de fadas, até que.....o outro lado da vida aparece para desafiar o discurso dos valores.

Determinada conceituada escola aqui de Santos, litoral de São Paulo foi alvo desse desafio neste mês e fracassou. Na verdade, foi o que seria mesmo. Quando teve a oportunidade de demonstrar que prática o que diz, se contentou em ser mais uma entre tantas.

Houve duas agressões a uma criança em um intervalo de dezessete dias que demonstrou a incapacidade da instituição em vários níveis, desde a negligência no cuidado com aqueles que estão sobre sua responsabilidade até o cinismo em estarem preocupados mais com a reputação e, por consequência, o números de matrículas da escola do que com a lesão e possíveis sequelas na criança.

Valores, não são qualidades que se falam, mas que se praticam e é na hora de sua necessidade que elas não podem ficar circunscritas ao discurso e slogan de propaganda.

O episódio deixou claro o despreparo dos chamados educadores em saber lidar com suas responsabilidades já que em determinados momentos numa reunião entre diretoria e os pais aquilo que é um pressuposto (e condenado) para o Direito, sobretudo em seu Código Civil, Estatuto da Criança e do Adolescente e Código do Consumidor foi encarado como normal e passível de acontecer mesmo em detrimento a integridade física e psicológica de seus alunos.

Em determinado momento a diretora externou sua experiência de quarenta anos como educadora, o que demonstra claramente uma fixação pelo falso raciocínio e apego extremo ao paradigma do tempo. Ora, as sociedades mudam com o tempo e o que era valor ontem, passa a não ser mais hoje; o que funcionava bem no passado, não mais encontra espaço no presente, então, dizer que se tem tanto tempo de profissão só serve neste caso para questões providenciarias e de aposentadoria.

Muito bem, quando não temos nossos direitos atendidos o que fazemos, então? Recorremos ao Estado Juiz para dizer o Direito: é a judicialização das relações escolares. De um lado, educadores caducos que se fixam em sua prepotência, do outro, o cidadão que apela para os direitos sociais e individuais tutelados pela Constituição. A isso, dá-se o nome de responsabilidade civil.

É perceptível a falta de preparo geral e específico com o atual momento democrático onde os cidadãos possuem um conhecimento mínimo de seus direitos entre os educadores que encapsulados em seu inconsciente os prendem ao passado onde, por exemplo, o professor corrigia comportamentos com castigos físicos- bater na palma da mão com régua, palmatória, ajoelhar no milho, escrever mil vezes que está errado.

Enfim, é lamentável e frustrante que a educação esteja sendo violentada deste jeito.  O Estado a abandona e o particular a explora como uma garota de programa cujo único objetivo é o lucro do cafetão. Precisamos urgente nos desvencilhar de tais modelos arcaicos e carcomidos pela arrogância e ganância rumo a um novo tempo.  Novo, não num slogan de propaganda, mas de fato e na prática.












raniery.monteiro@gmail.com
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terça-feira, 19 de novembro de 2013

Revolução Social




Muitas vezes olhamos uma realidade e passamos a reagir de duas maneiras pelo menos: indignação ou resignação. No Brasil nós acostumamos a enxergar a misēria e o aviltamento da condição humana com naturalidade, afinal, isso é uma herança histórica. O que não nos damos conta é de como tudo isso começou e não nos indagamos do por quê deve ser ou continuar assim.Na época em que os portugueses começaram a colonização do Brasil, não existia mão-de-obra para a realização de trabalhos manuais. Diante disso, eles procuraram usar o trabalho dos índios nas lavouras; entretanto, esta escravidão não pôde ser levada adiante, pois os religiosos se colocaram em defesa dos índios condenando sua escravidão. Assim, os portugueses passaram a fazer o mesmo que os demais europeus daquela época. Eles foram à busca de negros na África para submetê-los ao trabalho escravo em sua colônia. Deu-se, assim, a entrada dos escravos no Brasil.Os negros, trazidos do continente Africano, eram transportados dentro dos porões dos navios negreiros. Devido as péssimas condições deste meio de transporte, muitos deles morriam durante a viagem. Após o desembarque eles eram comprados por fazendeiros e senhores de engenho, que os tratavam de forma cruel e desumana.  O principal fator que manteve a escravidão por um longo período (300 anos) foi o econômico. A economia do país contava somente com o trabalho escravo para realizar as tarefas da roça e outras tão pesados quanto estas. A partir de 1870, a região Sul do Brasil passou a empregar assalariados brasileiros e imigrantes estrangeiros; no Norte, as usinas substituíram os primitivos engenhos, fato que permitiu a utilização de um número menor de escravos. Já nas principais cidades, era grande o desejo do surgimento de indústrias.Visando não causar prejuízo aos proprietários, o governo, pressionado pela Inglaterra, foi alcançando seus objetivos aos poucos. O primeiro passo foi dado em 1850, com a extinção do tráfico negreiro. Vinte anos mais tarde, foi declarada a Lei do Ventre-Livre (de 28 de setembro de 1871). Esta lei tornava livre os filhos de escravos que nascessem a partir de sua promulgação.Em 1885, foi aprovada a lei Saraiva-Cotegipe ou dos Sexagenários que beneficiava os negros de mais de 65 anos. Foi em 13 de maio de 1888, através da Lei Áurea, que liberdade total finalmente foi alcançada pelos negros no Brasil. Esta lei, assinada pela Princesa Isabel, abolia de vez a escravidão no Brasil.Após a abolição, a vida dos negros brasileiros continuou muito difícil. O estado brasileiro não se preocupou em oferecer condições para que os ex-escravos pudessem ser integrados no mercado de trabalho formal e assalariado. Muitos setores da elite brasileira continuaram com o preconceito. Prova disso, foi a preferência pela mão-de-obra europeia, que aumentou muito no Brasil após a abolição. Portanto, a maioria dos  negros encontrou grandes dificuldades para conseguir empregos e manter uma vida com o mínimo de condições necessárias (moradia e educação principalmente).No final do século XIX, os primeiros assentamentos eram chamados de "bairros africanos". Estes eram os lugares onde ex-escravos sem terras e sem opções de trabalho ia morar. Mesmo antes da primeira "favela" passar a existir, os cidadãos pobres eram afastados do centro da cidade e forçado a viver em distantes subúrbios. No entanto, as favelas mais modernas apareceram na década de 1970, devido ao êxodo rural, quando muitas pessoas deixaram as áreas rurais do Brasil e mudaram-se para as cidades. Sem encontrar um lugar para viver, muitas pessoas acabaram morando nas favelas.Perceba que este problema social é decorrente de políticas públicas que o Estado Brasileiro desencadeou centenas de anos atrás e que até hoje repercute entre o seu povo. Não houve sequer indenização aos ex escravos ou aos seus descendentes pelos séculos de abuso na utilização de sua mão de obra. E, se você está excluído e abandonado pelo Estado faz o quê para sobreviver? Sabemos das tantas possibilidades, dada a realidade brasileira, mas entre elas há o trabalho informal, muitas vezes em subcondições. Não é incomum vermos pelas ruas pessoas puxando carroças perambulando pelas ruas recolhendo material para reciclagem, ou, em muitos outros casos, utilizando animais para isso, sobretudo, equinos.Esses animais são geralmente mal alimentados, mal ferrados, não recebem qualquer atendimento veterinário, sendo obrigados a trabalhar além de suas forças, mesmo doentes e famintos. São maltratados com carga excessiva, horários exaustivos de trabalho. Alguns praticamente não têm repouso e, quando fraquejam, são açoitados, inclusive com instrumentos e em locais deliberadamente escolhidos para causar grande dor. Não há fiscalização quanto a origem do animal e a qualidade de vida. Não há vacinação, exames de saúde, dentre outras coisas.Quando imprestáveis para o trabalho, são abandonados em beiras de ruas e estradas, normalmente acabam sendo atropelados ou morrem miseravelmente de fome e sede. São entregues aos matadouros, quase na sua totalidade clandestinos, para um abate cruel de onde geralmente são repassados para o comércio como carne de boi. No trânsito, são conduzidos por vias de grande movimento, em horários de pico, sujeitos a inúmeros acidentes, quase sempre fatais. Muitas vezes são conduzidos por menores em flagrante desobediência às leis de trânsito e à legislação de proteção à infância e adolescência.Temos visto a alguns meses manifestações de protestos contra os escândalos de corrupção, gastos públicos imorais, políticas públicas ineficientes fazendo crer que os brasileiros se saturaram de tanta patifaria. Mas, sabemos que uma democracia não pode permitir que somente o Estado coloque a sua mão na massa. Todos somos responsáveis por criar uma sociedade mais justa.Acontece que existem pessoas que nascem com um brilho próprio e, acredito, são enviadas a este mundo para fazer a diferença. Um engenheiro e sua esposa tiveram uma ideia fantástica. Indignados com os maus tratos que animais sofriam ao serem usados para transportar lixo ou material de reciclagem para que seus donos sobrevivessem inventaram um veículo movido a energia elétrica para que fizesse este tipo de trabalho.A ideia não é só brilhante, mas produz um efeito social sem precedentes e resolve três tipos de problemas de uma só vez: o social, já que permite que o coletor faça seu trabalho de forma digna; o ecológico, já que sabemos que a retirada deste material elimina dos aterros sanitários toneladas de lixo que, entre outras coisas, contamina o lençol freático- lixo esse que nós produzimos. Sem contar que o veículo sendo elétrico não emite poluentes; e, por fim, livra os animaizinhos dos maus tratos decorrentes de tal esforço.Eu não consigo imaginar nada parecido com isso. Não me lembro de ninguém em qualquer esfera de poder que tenha feito tanto de forma tão simples e viável. Mas, isso demanda tempo, esforço, dinheiro. E é aí que gostaria de apelar para o poder que cada um de nós têm de fazer a diferença dentro da nossa capacidade, já que nem todos nós fomos dotados de talentos extraordinários como o do Jason Duani Vargas e de sua esposa Ana Paula Knak idealizadores do Projeto Cavalo de Lata.Sendo assim eu gostaria de estar me juntando a eles na divulgação e investimento deste projeto e convidando você a fazer o mesmo. Pra saber como, acesse o site Catarse onde há melhores esclarecimentos e participe desta revolução social. Raniery

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Esse Filme Eu Já Vi

Não tem jeito: é somente olhando para o passado que compreendemos o que acontece com o ser humano.

É da nossa natureza a curiosidade em compreender a nossa própria realidade. Aliás, foi esta mesma característica que nos trouxe até aqui no atual estágio das civilizações.

Você em algum momento já se perguntou porque é que vivemos em sociedade? O que parece obvio pode fornecer a resposta para algumas questões da própria dinâmica humana.

Segundo os teóricos das constituições, os Estados modernos, fruto da evolução jurídica das civilizações  é derivado, em sua origem, dos núcleos básicos formados, inicialmente, por pequenos grupos que foram se tornando complexos até atingir seu atual estágio.

Seja como for, fato é, que vivemos em estado de interdependência e é essa característica que nos permitiu tamanho domínio sobre o planeta. É evidente, que não dá para pensar em um mundo onde tudo seja as mil maravilhas, mas é como nos organizamos para sobreviver.

Este formato deu tão certo que desenvolvemos em nosso cérebro centros de controle da consciência que nós fazem querer viver em sociedade. Então, essa é a nossa natureza e não tem nem o que se discutir.

Como fruto de nosso desenvolvimento concluímos que teríamos que nos organizar para que pudéssemos nos desenvolver plenamente e utilizamos de outra ferramenta evolucionária para isso: a cultura.

Tudo que aprendíamos passávamos adiante aos membros do grupo e isso sedimentava a coesão e capacidade de identidade. Era preciso, então, definir os limites de cada um, pois liberdade total seria pernicioso e acarretaria abusos. Criamos as regras.

Recentemente, onde trabalho, os chefes estão perplexos e indignados sentindo- se traídos, pois foram induzidos a assinar um acordo de reconfiguração de cargos e salários e a empresa os ignorou não cumprindo sua parte- mas, onde está a novidade?

Eles, durante anos, fizeram tudo que lhes era mandado, fosse certo ou não ou seja, se submeteram a tudo o que lhes era dito. De acordo com as regras da boa política, não contrariaram seus superiores em nada para que fossem vistos com bons olhos e no fim auferir alguma vantagem disso.

Mas, de nada adiantou. Todos esses anos simplesmente foram jogados no lixo pelo comportamento arbitrário daqueles que só pensam em si. Só que isso era previsto, afinal de contas como confiar em alguém inescrupuloso, sujo, transgressor de regras e ainda achar que não,fará o mesmo com você. Até por que, para gente assim, pessoas são coisas que se descartam quando não se quer mais.

Por isso que a grande malandragem é viver de forma estável onde os acordos são cumpridos e as regras e princípios e direitos servem para todos e não para privilegiados que se utilizam das proximidades para levar vantagem sobre o grupo.

A conclusão que se chega é que a "espertez
a" cedo ou tarde cobrará o seu preço e  ela não é dada à fraternidade, pois não se sente à vontade em dividir o que toma. Já, o que está devidamente organizado e segue os meios acordados sem desvios parece garantir a todos as mesmas chances.
Raniery





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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Como Vencer O Assédio Moral


O assédio moral mexe demais com a vida de suas vítimas que reagirão de diversas maneiras. Isso, não dá para generalizar. Cada um sente o mundo à sua maneira. É da nossa individualidade.

Com certeza, este tipo de violência atinge seu objetivo que é importunar e causar desequilíbrio na relação de emprego. Seria então razoável considerar que o stress causado crie uma sensação de insegurança  e dispares os mecanismos de defesa naturais que possuímos. Os assediadores sabem disso.

Reconhecer que é muito difícil sair incólume de uma situação dessas não é ser negativista, mas constatar uma realidade que infelizmente afeta trabalhadores mundo afora. A regra é o sucesso do agressor. Mas, aos poucos isso está mudando.

As pessoas, em geral, não dão atenção para o tema, pois pensam que é algo que nunca acontecerá com elas e, portanto, não sentem interesse em saber do que se trata. Só passarão a buscar compreensão quando se encontrarem envolvidos nas teias do agressor, o que pode ser tarde demais.

Fica claro, então, que se antecipar ao fato, isto é, conhecê-lo antes que ocorra será uma estratégia importante que permitirá uma reação mais rápida- o que pode ser decisivo.

Falo com conhecimento de causa, pois, andar de bicicleta enquanto a constrói, nesse caso, é mais penoso do que se tivesse a noção exata do que estava acontecendo. Disseminar a informação e suscitar a discussão sobre o tema passa a ser, então, uma das melhores ferramentas que possibilitarão o confronto contra os agressores morais.

Para se ter ideia de quanto se banaliza o assunto há uma empresa de seguros que oferece um produto para executivos assediarem. É isso mesmo o que você leu. O bonitão é contratado e ganha uma autorização para assediar e, caso um subordinado acione a empresa o seguro paga pelo assédio. Reza a lenda que a mesma empresa fará o contrário também: oferecerá seguro para quem for assediado. Seja como for, o assédio moral se tornou um meio de ganhar dinheiro pelo sofrimento humano, quando deveria ser coibido de todas as formas.

Veja que a agressão tem caráter psicológico, é desencadeada por alguém com uma disposição para isso, conta com uma estrutura que o apóia e o acoberta, então, se é tudo programado e premeditado fica fácil deduzir que ser derrotado é a regra. Como uma pessoa luta contra um sistema? 

É por isso que em um mundo competitivo e agressivo como o das organizações o conhecimento se torna uma força capaz de reverter quadros. Saber como todo o processo acontece proporcionará os meios adequados para superá-lo.

Quando eu me dei conta de que estava sendo vítima de um processo de assédio moral passei a pesquisar tudo sobre o assunto e quando passei a cursar Direito o conhecimento se expandiu naturalmente. Acontece que só o conhecimento jurídico não se torna suficiente nesses casos, pois é preciso avançar. Ainda bem que há os especialistas que surgem como luzes que clareiam nosso caminho e ter, portanto, ter recorrido a eles foi decisivo.

Uma vez que se passa a conhecer o que se desenrola por trás do processo de assédio fica mais fácil detectar as estratégias dos agressores e contra-atacá-las. Bem vindo à guerra. Isso é tão desgastante que há quem aconselhe sequer entrar nela e pedir demissão ou deixar ser demitido. A decisão é pessoal. Mas, é desgastante, pelo menos para as vítimas, pois dependendo da patologia ou do transtorno que o agressor apresente, será uma mera diversão para ele.

No meu, caso, empregado público, conto com os princípios da administração pública para me defender, mas posso dizer que mesmo assim não é moleza já que os agressores confrontam qualquer forma de ordenamento constitucional e se colocam acima da própria democracia se insurgindo contra os direitos fundamentais.

Portanto, tratar do impacto que causa o assédio na vida daquele que o sofreu é algo gradual, lento, e que, em alguns casos, deixa seqüelas. Mas, eu diria que vale a pena lutar contra uma injustiça, contra pessoas perversas, por tua integridade, teus princípios e , obviamente, tua dignidade.

Chegará uma hora que tudo será pagina virada, mas deixará um legado de experiência e cidadania numa luta contra os violadores das liberdades democráticas. Quando Não permitimos que suas vidas sejam fáceis e que não se sintam plenamente impunes para destruir a vida de trabalhadores (as) somente para saciar seus instintos narcisistas.

De qualquer forma a maior vitória que se pode obter frente a estas criaturas é seguir adiante e reorganizar a vida. Deve-se tratar os ferimentos emocionais e se reerguer. Não se deixar contaminar pelo mal que vem do íntimo dessa pessoas, talvez seja, na realidade, a maior vitória sobre elas, pois seu prazer consiste em corromper pessoas as nivelando por si. Aqui cabe as sábias palavras do mestre Nazareno: " Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem" Romanos 12:21, ou seja, não permita que no furor e intensidade da batalha teus princípios e valores sejam roubados pelo agressor e você se torne tão baixo quanto ele.

Eu costumo dizer que quero ver o final do filme em casos como o destas pessoas, pois tem hora que nos parece que nada vale a pena e que elas que são más e perversas sempre vencem. Nada que se faça passará sem o devido retorno. 

Pense por um momento: nossos códigos morais foram construídos ao longo de milhares de anos e isso criou o chamado inconsciente coletivo. Cedo ou tarde casa ação que viole essas leis se voltarão contra os violadores ainda que cauterizem suas consciências ou racionalizem suas ações.

Portanto, seja qual for o momento que você esteja passando em relação ao assédio moral, aproveite a situação para fortalecer o seu caráter e saia fortalecido da situação. A opção da mudança é dada a você. Já os assediadores, se não tiverem suas consciências tocadas lhes será proibido evoluir.

Siga adiante, levante sua cabeça, olhe firme e para frente e dê a volta por cima.
Raniery


raniery.monteiro@gmail.com
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sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Mortos Vivos


O Dia das Bruxas ou Halloween é um evento tradicional e cultural, que ocorre basicamente em países de língua inglesa, mas com especial relevância nos Estados Unidos, Canadá, Irlanda e Reino Unido, tendo como base e origem as celebrações dos antigos povos (Celtas sec. |||).

Posto que, entre o pôr-do-sol do dia 31 de outubro e 1° de novembro, ocorria a noite sagrada (hallow evening, em inglês), acredita-se que assim se deu origem ao nome atual da festa: Hallow Evening Hallowe'en Halloween. Rapidamente se conclui que o termo Dia das bruxas não é utilizado pelos povos de língua inglesa, sendo essa uma designação apenas dos povos de língua (oficial) portuguesa. Outra hipótese é que a Igreja Católica tenha tentado eliminar a festa pagã do Samhain instituindo restrições na véspera do Dia de Todos os Santos. Este dia seria conhecido nos países de língua inglesa como All Hallows' Eve. Essa designação se perpetuou e a comemoração do halloween, levada até aos Estados Unidos pelos emigrantes irlandeses no século XIX, ficou assim conhecida como "dia das bruxas".

O primeiro registro do termo "Halloween" é de cerca de 1745 anos. Derivou da contração do termo escocês "Allhallow-eve" (véspera do Dia de Todos os Santos) que era a noite das bruxas.  A origem do halloween remonta às tradições dos povos que habitaram a Gália e as ilhas da Grã-Bretanha entre os anos 600 a.C. e 800 d.C. Era um festival do calendário celta da Irlanda, o festival de Samhain (tinha como objetivo dar culto aos mortos), celebrado entre 30 de outubro e 2 de novembro e marcava o fim do verão-Samhain significa literalmente "fim do verão". 

Para os celtas, o lugar dos mortos era um lugar de felicidade perfeita, onde não haveria fome nem dor. As festas eram presididas pelos sacerdotes druidas, que atuavam como "médiuns" entre as pessoas e os seus antepassados. Dizia-se também que os espíritos dos mortos voltavam nessa data para visitar seus antigos lares e guiar os seus familiares rumo ao outro mundo.

Seja como for, ou que religião se professe, fato é, que grande parte da população mundial acredita na vida após a morte e que a existência não se encerra após nosso sepultamento. Se você reencarnará, dormirá até o dia do juízo final, será pego pelo rabo de cavalo quando Krishna voltar, fica a cargo de cada dogma adotado por cada crença. Quanto aos seus atos enquanto encarnado, se irá pro céu ou inferno, se passará pelo purgatório ou pelo umbral, segundo as teorias, tudo dependerá de seu comportamento moral aqui na Terra.

Uma coisa é certa: estamos de passagem por aqui. A expectativa média do homem brasileiro é de 75 anos em média e para as mulheres um pouco mais. Mesmo assim achamos que ficaremos aqui para sempre. Como dizia minha mãe: não ficamos para semente.

Recentemente, a perdi, decorrência de um processo gradual ocasionado pela diabetes que culminou no dia 25 de setembro agora, em seu óbito. A vida já não estava fácil pra ela pelas inúmeras sessões de hemodiálise e a falsa promessa de que conseguiria um transplante, mas lutou de sua forma. Só que tudo tem limites e seu corpo não resistiu e, assim, todo o sofrimento acabou. Ficou a tristeza da perda que será sanada com o tempo.

Esse é o curso natural dos mortais. É o nosso ciclo que se completa e o presente que nos foi dado para influenciar nossa geração. Uns fazem isso muito bem, outros nem tanto, e há aqueles, que, ou não fazem nada (o que já ajuda bastante), ou, causam os maiores tormentos.

Ironicamente, ao que parece, esses estorvos humanos, também fazem parte do pacote da vida. São as cruzes ou os carmas de acordo com algumas doutrinas. Seres involuídos que estariam aqui para nos testar...

Curiosamente tais pessoas cujo ego é o senhor de suas vidas, se acham eternas, intocáveis, onipotentes e que todos estão aqui para lhes servir de tapete. Não são capazes de olhar para sua própria humanidade e constatar o quanto somos insignificantes diante da dimensão do universo. Não daria sequer para nos compararmos com grãos de areia proporcionalmente. No entanto, a arrogância cega tais pessoas que então disseminam todo tipo de malefício aos seus semelhantes.

Gente assim, só pensa em suas entranhas e em como conseguir coisas materiais. Neste processo, passam por cima das outras, lhes causam transtornos, fraudam, roubam, enganam, mentem, forjam, dominadas por uma ânsia de ter pelo tomar, mas não pelo fazer ou servir. Só entendem o verbo tirar e desconhecem o valor do dar. Se acham as mais espertas,  já que conseguem vencer as leis do universo, pelo menos em suas mentes deformadas. São verdadeiros mortos-vivos.

Um zumbi  é uma criatura cuja característica definimos tipicamente como um morto reanimado, de hábitos noturnos, que vive a perambular e a agir de forma estranha e instintiva; ou,...um morto-vivo.  Não tem vontade própria, sem personalidade, dominado por uma fome insaciável- de carne humana. Isso, nos filmes de terror ou nos desenhos animados da TV.  Essas histórias têm origem no sistema de magia e nos rituais do Vodu afro-caribenhos, que contam sobre trabalhadores controlados por um poderoso feiticeiro.

Já, o zumbi social, escolheu ser assim. Ninguém o enfeitiçou ou almadiçoou. Há quem afirme que já nasceram mortos. Corpos sem alma mesmo. Por onde passam deixam uma marca negativa de seu caráter sujo. E, instintivamente, agem como bestas humanas somente pra saciar sua fome de perversidade. Modernamente são identificados como assediadores morais, classificação que, no meu entender, abranda muito o que de fato são. 

De qualquer forma, tanto nas antigas tradições, quanto nas atuais religiões, tais demônios eram exorcizados ou dominados por esconjuros e exorcismos para mandá-los para o abismo, de onde não deveriam ter saído. Aliás, me lembrei de uma cena hilária. Em determinado dia, fui chamado pelo mestre dos assediadores, e, no meio da conversa ele me aconselhou a procurar uma religião. Fiquei perplexo com a sugestão, mas depois entendi o por quê. Provavelmente ele estava me alertando a procurar uma força sobrenatural para suportar as picaretagens que ele aprontaria.

Veja que na história das civilizações o além sempre ocupou uma posição de destaque, até porque, a morte é algo que não aceitamos pelo nosso evidente instinto de sobrevivência e a imaginação humana superdimensionou alguns fenômenos que não soube explicar. Misturou seus próprios demônios e criou uma série de monstros que tentavam explicar o que se passa em mundos paralelos ao nosso. No entanto, verdadeiras criaturas do mal não estavam em covas ou criptas, mas vivendo e respirando entre nós.

Aliás, temos um ditado que diz: " ele (a) se finge de morto pra comer o coveiro" numa alusão à pessoas sonsas e traiçoeiras que se passam por amigas, mas nos atacam pelas costas. Ora, viver em sociedade é isso mesmo, sobretudo, nos grandes centros urbanos onde a vida é competitiva, numa sociedade de consumo.

De qualquer maneira vou fazer meus rituais de banimento para me proteger de possíveis criaturas que ainda insistam em sair dos bueiros de onde vivem.

Feliz dia das Bruxas!
Raniery




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