segunda-feira, 30 de julho de 2012

Estratégias de vitória


O assédio moral é um tipo de violência contra o trabalhador (a) que causa muitos danos. Conhecer como acontece o processo é fundamental para superá-lo. É possível tanto vencê-lo quanto recomeçar adotando-se estratégias definidas.

A primeira coisa a se fazer é saber a diferença entre o que é ou não assédio moral. Caracteriza-se por toda e qualquer conduta abusiva, intencional, frequente e repetitiva, que acontece no ambiente do trabalho e que visa diminuir, vexar e humilhar, constranger, desqualificar, demolir psiquicamente um indivíduo ou um grupo, degradando as suas condições de trabalho, atingindo a sua dignidade e colocando em risco a sua integridade pessoal e profissional.

Depois, entender que por trás de toda ação perversa se esconde uma hiperestrutura que se desenvolveu ao longo da evolução das relações capital/ trabalho onde os principais direitos conquistados por anos de lutas dos trabalhadores foram dando espaço à chamada flexibilização das legislações ante crises econômicas, globalização e um sistema neoliberal que exige uma superqualificação da mão de obra, que seja multifuncional, competitiva ao extremo e paradoxalmente trabalhe em equipe, e, isso tudo somente para manter o posto de trabalho, tendo que conviver ainda com a redução de salários e degradação do ambiente laboral.

Não bastasse todo este contexto, o perfil desejado para as chefias é o de psicopatas, já que estes não precisam lidar com questões ético-morais, não têm escrúpulos, são frios e calculistas, portanto ideais para conduzir os negócios com mão de ferro sem ter que frear impulsos, a pretexto de tratamentos desumanos, haja vista que, na filosofia dos fins justificando os meios, o importante é atingir as metas e obter os resultados, e, desta forma, temos o ambiente propício para que verdadeiros tiranos se desenvolvam e proliferem nas organizações deflagrando toda sorte de terrorismo psicológico nestes ambientes, onde o império do medo é a forma de gestão adotada.

Diante disto, toda forma de expedientes perversos são utilizados para se conseguir o que se quer, entre eles, a chantagem emocional ou manipulação de pessoas ou grupos controlando-as pelo medo. A insegurança mantém as pessoas paralizadas, pois pelo receio de perder seus empregos ou de ser assediadas são enredadas pelas ações do agressor, ora se submetendo, ora servindo aos seus propósitos escusos, na esperança de não passarem pelo sofrimento e desgaste decorrentes deste fenômeno.

O agressor, então, acaba obtendo vantagem ao colocar o grupo contra uma pessoa ou pessoas, isolando-as, para poder levar a cabo seus objetivos destrutivos. Conta assim, com alguns personagens como os puxa sacos e os competidores sociais (invejosos) que, de forma direta ou não, o ajudarão em seus propósitos. Vale ressaltar, que como ele aterroriza com diversas ameaças, possíveis testemunhas tendem a se intimidar e até colegas próximos a se afastar.

O processo de comunicação humana, nestas relações, serão igualmente utilizados para atingir a(s) vítima(s), como por exemplo a fofoca, que pelas redes sociais (ciberbullying) potencializam a violência e expõem o pior das pessoas.

Tudo ocorre numa espécie de efeito dominó, que vai pulverizando a cada dia a autoestima e autoconfiança do trabalhador, que adoece por depressões, doenças gástricas, dependência química, perdendo, portanto, sua condição de produtividade que será usada pelo agressor ou organização como álibi para justificar demissões por justa causa, descartando a pessoa, ao mesmo tempo em que não precisarão arcar com as indenizações equivalentes.

Nisso, todos os setores da empresa estarão alinhados e unidos, já que para o mal, os “maus” se unem, a despeito de campanhas de RH, cursos e eventos motivacionais ou até matérias pagas em revistas para se eleger as melhores empresas para se trabalhar.


Pode-se ter uma certeza: punições serão forjadas para se subsumirem às leis e configurarem um perfil indisciplinado e ou insubordinado, e,  não tenha dúvida,  aparecerão voluntários para testemunhar contra o trabalhador.

Por tudo isso, é que se deve resistir e se posicionar contra toda forma de violência e tirania. Sujeitar-se, submeter-se ou amedrontar-se não impedirá o agressor de voltar seu sadismo contra a pessoa; nem mesmo adulá-lo será garantia alguma, já que o puxa saco e o delator são mais detestados por ele do que os outros, dadas as suas características traiçoeiras, que se confrontam com a paranóia do perverso.

Entre as estratégias que funcionam, a primeira já foi dita e descrita: conhecer como se desenvolve o processo, diferenciar um mero conflito de uma violência reiterada, conhecer a psicopatia de um assediador crônico para não cair no seu jogo manipulativo, e, ser assertivo, isto é, manter o controle emocional e agir pela razão, conhecendo seus direitos e deveres e entender que esta é uma espécie de guerra que, como tal, depende de estratégias e de táticas para ser vencida, tanto no aspecto jurídico, quanto no psicológico.

No que diz respeito às emoções, um profissional especializado (psicólogo/ psiquiatra) será de muita ajuda tanto no processo de superação quanto no de recuperação, dependendo do estado em que se encontre. É aí que surge a chamada resiliência, que é o termo que se usa pra designar a capacidade de dar a volta por cima e sair fortalecido de situações traumáticas como essas. Ademais, não tem nada que aborreça mais um agressor do que sua vítima resgatar a alegria e fortalecer sua autoestima, aliás é um de seus maiores medos.

Portanto, fica claro, que o assédio moral é uma violência que tem raízes histórico culturais dentro de um macrosistema complexo, além de ser potencializada por possíveis desvios de condutas de agressores crônicos que manipulam o grupo e circunstâncias, daí a necessidade de se lançar mão de estratégias como forma de reação para poder se defender e superar esta agressão ilegal, pois senão, se arcará com caríssimos ônus que afetarão não só à vítima, mas àqueles que lhe são queridos.
Raniery

raniery.monteiro@gmail.com

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Exercício arbitrário da razão


No filme "Doce Vingança" Jennifer Hills (Sarah Butler) é uma escritora que sai da cidade e vai para uma encantadora cabana na floresta para começar a escrever um novo livro. Mas a presença de Jennifer na pequena cidade chama a atenção de quatro homens, que a estupram, violentam e a espancam, mas antes que eles possam matá-la, Jennifer se joga em um rio e some.

Depois de alguns dias procurando por Jennifer, os quatro homens desistem da busca acreditando que ela tenha morrido e sido levada pelo rio. Mas é ai que a história começa, Jennifer está de volta, e quando você sobrevive de um ataque tão brutal como esse, a única opção... é a vingança.

O tema é antigo. Tão antigo quanto a existência humana, pois aonde quer que vamos lá estará ela: a vingança. Este sentimento negativo que destrói tanto quem dele é alvo quanto quem dele se utiliza. Chama-nos tanto a atenção que é largamente explorado pelo cinema e novelas.

Enraizado em nosso subconsciente e uma resposta dentro de nossos mecanismos de defesa é um dos instintos mais primitivos desde que nos tornamos civilizados.

Para os especialistas em comportamento a vingança pode ser reprovada socialmente, vista como paixão baixa e imoral, uma visão distorcida sobre a convivência em sociedade. Mas a necessidade de se vingar, dizem os pesquisadores, se baseia nos genes.

Atos de vingança pessoal refletem um senso biológico de justiça, dizem, que funciona no cérebro como uma necessidade biológica, assim como a sede, o sexo ou a fome. É uma dicotomia que alterna voracidade e autocontrole, a vingança pode inspirar atos socialmente benéficos de retaliação e punição, bem como atos negativos. 

"A melhor forma de entender a vingança não é como alguma doença, falha moral ou crime, mas como um comportamento profundamente humano e algumas vezes muito funcional", afirmou Michael McCullough, um psicólogo da Universidade de Miami. "A vingança pode ser um bom impedimento para o comportamento ruim, e traz sentimentos de totalidade e preenchimento". 

Acontece que por mais que os especialistas apontem uma legitimidade biológica, fato é, que o Estado proíbe a justiça pelas próprias mãos, pois evoca para si o poder e a força de coerção ou vingança como forma de punição sobre aqueles que decidirem violar direitos tutelados. 

Há pouquíssimos casos em que isso é autorizado juridicamente e que tem caráter de exceção, como no clássico legítima defesa, e, ainda assim, deve-se agir de forma moderada, isto é, proporcional ao agravo. Há o caso em que a pessoa, em determinado momento, perde a noção da realidade e em um arroubo de explosão emocional descontrolada comete o crime movido por forte emoção. Enfim, a regra é não se vingar, já que isso pode configurar o chamado exercício arbitrário da razão.

A única dúvida que tenho em relação ao poder de intimidação social que a lei penal impõe, é se de fato ela tem obtido sucesso em coibir tal delito. Acredito que a grande maioria das pessoas consegue dominar uma raiva incontida diante de injustiças; o problema reside naquelas que não o fazem, além do fato da dificuldade em se conseguir identificá-las. Veja o caso da mulher do empresário que foi morto e esquartejado  pela mulher. quem imaginaria que ela fosse capaz daquilo.

Imagine a seguinte situação: em um determinado ambiente, onde as relações contratuais se dão pela chamada hierarquia disciplinar, um sujeito ou grupo qualquer, utilizando se sua situação de privilégio por estar no poder passa a cometer uma série de abusos e injustiças garantindo-se na força e na impunidade, se o referido local assim os incentivar.

Evidentemente que serão constantes as situações de abuso e de imposição do arbítrio por aquele que é mais forte e detém a capacidade de ameaça e manipulação pelo medo.

Ora, na maior parte das pessoas, ao que parece, este tipo de opressão surte o efeito desejado por estes grupos inescrupulosos, isto é, a inibição, a sujeição e a subverniência necessários para que eles implementem seu reinado de terror e consequente corruptela.

Pois bem, a pergunta que se faz é: até quando eles conseguirão manter este grupo sob coação? E, se não o conseguirem, como identificarão aqueles que se rebelarão e se insurgirão contra eles? Pior, e os que perderam os laços de domínio e avançarão os limites da justiça pelas próprias mãos?

Posso estar errado, mas isso tem a cara de uma bomba relógio que, se não houve explosão, é somente porque ainda não chegou a hora programada, mas que ocorrerá sem sombra de dúvidas.

Um exemplo atual é o que está ocorrendo nas nações árabes, num efeito dominó sem precedentes, à despeito da possibilidade de morrer, inclusive. Fiquei impressionado com o que ocorreu com o ditador Muamar Kadafi morto nas mãos dos rebeldes. Se aquilo não foi um ato de vingança, então, eu não sei o que será.

Perceba que aquele povo foi levado a um ponto de saturação que irrompeu numa revolução sangrenta e no genocídio de milhares de pessoas até culminar com a morte, não menos violenta, do tirano líbio.

Na minha modesta conclusão, eu entendo que é o agressor que promove a reação de vingança, à ponto de alguém decidir romper com suas estruturas morais, e, partir para a justiça com as próprias mãos, pois em um estado normal ninguém lançaria mão de tal recurso. É uma reação provocada por inúmeras ações, penso eu.

É claro e óbvio que um erro não justifica o outro, mas uma sucessão deles, ainda mais se forem deliberados, poderão transformar uma panela de pressão em uma caldeira prestes a explodir.
Leia também: Efeitos do assédio moral
                       Instintos Primitivos
Raniery


terça-feira, 24 de julho de 2012

Molusco Corrupto

Ao passear na areias de uma praia, muitas pessoas gostam de admirar e pegar conchinhas trazidas pelas ondas. Essas conchinhas são de diversos tamanhos, formas e cores. 

Os moluscos têm uma composição frágil, são animais de corpo mole, mas a maioria deles possui uma concha que protege o corpo. Nesse grupo, encontramos o caracol, o marisco e a ostra. Há também os que apresentam a concha interna e reduzida, como a lula, e os que não têm concha, como o polvo e a lesma, entre outros exemplos.

A concha é importante para proteger esses animais e evitar a perda de água. Ela é produzida por glândulas localizadas sob a pele, uma região chamada de manto.

Onde vivem os moluscos

Você pode encontrar moluscos no mar, na água doce e na terra. Por exemplo: o caramujo e a lesma ficam em canteiros de  horta, jardim, enfim, onde houver vegetação e a terra estiver bem úmida, após uma boa chuva; ficam também sobre plantas aquáticas em lagos, beira de rios etc. O grande caramujo marinho vive se arrastando nas rochas ou areias no fundo do mar. Já as ostras e o marisco fixam-se nas rochas no litoral, enquanto a lula e polvo nadam livremente nas águas marinhas.

No tempo em que ainda não havia vida no ambiente terrestre, os moluscos - com a sua concha protetora - já habitavam os mares. O caramujo do mar é uma das espécies que têm 500 milhões de anos de história. Portanto ele já existia há alguns milhões de anos antes dos peixes surgirem no mar. Fósseis revelam que esses seres, atualmente pequenos, foram, no passado, bem maiores, pois há concha fóssil de 2,5 metros.

 O corpo dos moluscos

Como já vimos, os moluscos têm corpo mole. A sua pele produz uma secreção viscosa, também conhecida por muco, que facilita principalmente a sua locomoção sobre troncos de árvores e pedras ásperas, sem machucar o corpo.

O corpo desse tipo de animal é composto por: cabeça, pés e massa visceral. A massa visceral fica dentro da concha e compreende os sistemas digestório e reprodutor.

Recentemente foi descoberta uma nova espécie de molusco: o molúsco público. Esse bicho estranho e asqueroso fixa sua residência nas empresas e órgãos públicos chegando a ser confundidos com outro animal marinho, o corrupto.

Diferentemente do seu análogo do mar, este não possui qualquer nutriente que faça o bem, já que possui características parasitárias apesar de ser gosmento como o outro. Já a similaridade se dá na fragilidade e corpo mole sendo que o respectivo seria incompetência e vagabundagem. São parecidos também no aspecto externo já que possuem uma carranca carregada, dura, fruto de uma alma fria, calculista e inescrupulosa, mas não possuem coração como os moluscos biológicos.

Esta concha que criam, na realidade serve para dois objetivos. O primeiro é de defesa, que se manifesta pelos elementos perversos de sua personalidade e o segundo é de dissimulação, ou seja, é a máscara que apresentarão aos outros em seus processos manipulativos.

Seu hábitat é qualquer lugar podre onde possam manifestar seus talentos maquiavélicos, mas são nas empresas e órgãos públicos que fixam residência já que são lugares propícios para desencadearem todo o seu repertório malévolo porque lá não há controle e, portanto, se reproduzem à vontade. 

Uma vez fixados no local, se instalam e se enclausuram de tal forma que não permitirão que nenhum outro possa ocupar o lugar. Ali parasitam o ambiente o quanto puderem e for permitido durante anos. 

Da mesma forma que os outros moluscos produzem um muco viscoso, estes também o fazem, já que são escorredadios e é difícil pegá-los, pois sabem como ninguém esconder suas falcatruas.

Mas tem coisas que os incomodam, como o sal e o calor, principalmente quando a chapa esquenta. São inimigos naturais de princípios como a ética e a moral e avessos às leis e normas, mas as utilizam bem contra seus oponentes: e como são rápidos nisso! Também não passam pelo fogo da verdade uma vez confrontados, o que faz sentido se pensarmos que levam a vida na desonestidade, ardil e mentiras.

Uma coisa me chama a atenção. Em pessoas com a consciência intacta, o amadurecimento e decorrência da idade e com ela advém a sabedoria da experiência, mas com eles ocorre um fenômeno bizarro e reverso, pois isto se configura e se traduz em manifestações perversas.

Você com certeza já cruzou com algum destes mariscos imundos. Eu convivo todos os dias com eles e depois de algum tempo dá para passar a conhecê-los um pouco para saber o veneno que possuem em suas entranhas.

Raniery
raniery.monteiro@gmail.com

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Vozes Tenebrosas


Vivemos em sociedades caracterizadas pelo individualismo, materialismo e competitividade. A cada dia nos tornamos mais frios e insensíveis em nossas interações em nome destes princípios. Compaixão, empatia e solidariedade são valores escassos, sobretudo nos grandes centros urbanos.

É bem verdade, e ainda bem, que há uma parcela de pessoas que vem reagindo a esta forma de visão de vida. Eu me associo a elas. Mas, o fato é que devido às pressões econômicas do dia a dia abrimos mão de nossa humanidade resgatando antigos instintos bárbaros.

O curioso é que justamente quando conquistamos os direitos sociais e individuais através da declaração dos direitos humanos, normatizados constitucionalmente pelas principais democracias mundo afora passamos a andar na contramão desses valores éticos universais, fruto de um mundo globalizado e gerenciado pelas grandes corporações.

Perdemos os referenciais de nossa condição e vivemos atrás de coisas num ciclo sem fim. É óbvio que não há nada de errado em querer prosperidade e bens, mas quando isso ocupa o centro de nossas vidas e se torna uma obsessão deixa de ser sadio. 

Neste frenesi materialista não enxergamos nada e nem ninguém e desprezamos qualquer um que não esteja dentro deste contexto, ou seja, todos, já que só olhamos para as nossas entranhas. Daí racionalizamos tranquilamente que o outro não faz parte deste processo. O estranho deste pensamento é que como podemos atingir nossos objetivos sem a existência de outros já que estamos dentro de uma sociedade interdependente?

Somos ensinados que devemos ser competitivos e passamos a ver o outro como um rival que tirará o que é nosso e geramos uma ansiedade desnecessária considerando que competência advém da qualificação e excelência e, portanto, é irracional qualquer insegurança. Decorre que na linha de pensamento onde os fins justificam os meios para ter aquilo que se almeja se justifica, então, pular etapas.

Perceba que ao longo desta sequência de atos vamos nos desconstruindo de nossa humanidade e dentro desta condição abrimos uma porta para manifestarmos comportamentos antiéticos e até imorais supondo um padrão mínimo aceitável de convivência.

Este é o cenário propício e favorável para as práticas do assédio moral e suas decorrentes perversidades e crueldades. Sendo assim, fica fácil entender as razões que levam um colega agir de forma fria e até minimizar aquilo que já se é sedimentado no campo das pesquisas como prática condenável.

Percebi que em muitas situações há um misto de satisfação e euforia por parte de determinadas pessoas quando acontece de algum colega sofrer perseguições. Passa-se, então, há estimular o processo. Fazem questão de falar coisas que deixem os outros apreensivos e mais desestruturados do que já estariam com o problema. Frases como: “isso deve ser coisa da sua cabeça” ou “se acontece foi porque você motivou” são bombardeadas sem dó. Isso, quando não vira objeto de fofoquinhas.

Há uma tendência em se minimizar as consequências da violência. Transtornos de ordem emocional como depressões, síndromes ansiolíticas, stress pós traumático entre outras são ignoradas pelos espertões de plantão. Outras doenças que são agravadas também decorrem da agressão, mas os pseudomédicos possuem diagnósticos para descartar tais problemas. 

É nesse instante que surgem os pluriprofissioniais que acumulam conhecimentos em psicologia, psiquiatria, direito etc. sabem de tudo. Um camarada teve a capacidade de me dizer que sabia tudo de Direito, pois como presta ou prestou diversas provas para concursos públicos domina a ciência como ninguém, mesmo sem formação acadêmica. Eu vou falar o quê para um sujeito desses?

Em relação aos efeitos que o assédio moral produz e que são graves à despeito do meu “colega” dizer não existirem, a perícia medica do INSS em Petrolina-PE concedeu uma licença por acidente em serviço ou moléstia profissional decorrente de assédio moral cometido pelo mesmo gestor a um servidor e alegaram que “por assédio moral essa é possivelmente a primeira licença serviço acidente de trabalho no serviço público no Brasil”. Que é prova incontestável do prejuízo a saúde, no ambiente de trabalho. 

Portanto, só quem passou por este tipo de violência pode ou tem propriedade para dizer de seus reais efeitos. Colegas invejosos, ciumentos, frustrados ou aduladores não são referência alguma para ser levada em consideração no que diz respeito ao assunto, até por que suas asserções nascem de opiniões nitidamente comprometidas e propositalmente distorcidas.

Quanto ao assediado, esse sim, deve tomar as devidas medidas judídicas e buscar ajuda profissional para superar todo o transtorno causado e dar a volta por cima. É isso que tenho buscado e venho amadurecendo a cada dia, apesar de, até o presente instante, não ter solucionado por completo o problema.

A voz que deve ser ouvida é a da fé em si mesmo, do resgate da autoestima, daqueles que te apoiam e da força interior que só quem é digno pode ter. 


Quanto às vozes tenebrosas, 
devem ser jogadas no seu devido lugar: o lixo.


* Em 2007 fui afastado por acidente do trabalho modalidade doença profissional: o único do gênero em minha empresa até o momento


Adriana Lessa interpreta caso de assédio moral


Saiba o que diz um verdadeiro especialista:


Raniery
raniery.monteiro@gmail.com

terça-feira, 17 de julho de 2012

Carniceiros de plantão


Rango é um camaleão doméstico que vai parar, após um acidente, na cidade de Poeira, no deserto do Mojave, na Califórnia. De uma hora para outra, sua rotina de animal de estimação mudou radicalmente e agora ele precisa deixar a vida "camuflada" para enfrentar os perigos existentes no mundo real, fazendo com que ele vivencie a experiência de fazer amigos, conhecer inimigos e até, quem sabe, se tornar um herói. 

Nosso anti herói chega numa cidade governada por uma tartaruga e sob ameaças constantes de animais de diversos ciclos de sobrevivência como Jake Cobra e sua predadora a Ave. Mas a questão não está na submissão através da força, e, sim pelo medo. Neste local, há a escassez de água que compromete o desenvolvimento da cidade e o otimismo dos cidadãos. O que acontece na realidade é o controle do povo através da água, ou a falta desta.

No decorrer da aventura, um grupo de corujas mariachis acompanham o desventuroso personagem narrando em tom de prosa os acontecimentos, principalmente os que lhe são contrários. Parecem mesmo torcer “contra” aguardando o momento final de sua derrota.

Tais corujas muito se parecem com determinados colegas de trabalho que a despeito de estarem ao seu lado no mesmo local, ou de dizerem que são seus amigos, no fundo, torcem para que algo dê errado para você.

Eu os chamo de carniceiros, pois parecem urubus à espera de um alimento fácil de conseguir sem ter trabalho para isso. No caso, saciam-se com alguém que esteja passando por problemas, como o assédio moral, por exemplo. Vi isso ocorrer comigo e recentemente com um superior hierárquico onde houve um misto de êxtase e euforia por parte de determinadas pessoas que por um motivo ou outro não se simpatizavam conosco.

Ironicamente ocorreu comigo o inverso quanto ao superior descrito. Quase que diariamente alguém me avisa dos perigos que estou correndo. Engraçado mesmo é que tanto ele quanto eu caímos nesta conversa no passado para somente após um contato mais próximo poder avaliarmos por nossas próprias conclusões o que pensamos.

Há um outro lado da violência psicológica que muitas vezes passa desapercebida. É um lado não muito bonito de se ver, mas que expõe a natureza de determinadas pessoas especialmente dentro de um grupo. Nele, covardia, baixeza de espírito, menosprezo, indiferença e falta de solidariedade serão manifestados em todo o seu explendor.

Nessas ocasiões, o colega de trabalho internaliza a mensagem do assediador inferindo que se o chefe persegue alguém deve ser por que este fez algo para merecê-lo. É o chamado erro por atribuição derivado do mecanismo psicológico da dissonância cognitiva.

Diante de um ataque de um assediador moral, determinadas pessoas ficam com medo de conversar com o estigmatizado para não se ver associado a ele e experimentarem eventuais represálias.  Lembro-me de inúmeros colegas relatarem-me que foram advertidos quanto ao contato e amizades comigo como fator desabonador perante a chefia, sendo que muitos foram constrangidos a não conversar comigo e outros tantos, por uma fraqueza de personalidade, acataram para depois de algum tempo virem a mim narrando que estavam sendo perseguidos e solicitaram informações de como lidar com a situação.

O comum, nesses casos, é que, determinados elementos do grupo, se associem ao agressor produzindo dano psicológico, e, a exceção, é a solidariedade. É comum que as pessoas se afastem por vários motivos: confusão, receio, medo dos agressores, covardia etc.

Quase todos (a maioria) adotam a chamada atitude prudente de não se envolver e fingir que nada está acontecendo a ponto de, em determinado momento, acreditarem nisso. Depois de um tempo, o que fica é a sensação de que a vítima provocou tudo aquilo e que merece ser estigmatizada. 

No meu caso, houve uma rede social associada ao setor que trabalho que declarou explicitamente que eu deveria ser isolado para que me sentisse constrangido e fosse embora.

Vem-me a mente a imagem de um de seus moderadores que, aos risos, dizia que eu estava famoso até entre outras empresas. Ironicamente este cidadão vive pregando a salvação do evangelho cristão a todos, apesar de ser uma unanimidade entre as pessoas sua falta de caráter.

Neste instante, bem no furor do problema aparecem os conselheiros bem intencionados. Sua cruzada consiste em fazer com que a vítima se cale e não resista. Fazem isso pelo medo de que o assédio aconteça com eles, também. Em regra, seus conselhos atribuem culpa à vítima. Até então, ninguém apareceu para oferecer apoio mas nessa hora, quando alguém fala com você é para te dar “conselhos”.

Nunca em minha vida eu vi tantos conselheiros num mesmo lugar. Curiosamente seus discursos eram os mesmos: ‘não bater de frente com a chefia’, ‘deixar pra lá’, ‘ficar quieto até a poeira baixar’, ‘não aborrecê-los’ etc. Nenhum sequer citava a ilegalidade das ações, a perversidade dos agressores, mas deixavam implícito uma culpabilidade. Tudo, na maior boa intenção! Só para ajudar! Pela amizade!

Mas nessa história não pode faltar os traiçoeiros. São de fácil detecção. Seu cheiro asqueroso os denuncia de longe. Não possuem amor próprio, se submetem a qualquer coisa por farelos, e são os instrumentos preferidos dos assediadores, até por que são de fácil descarte. Estão ali para fazer o trabalho de logística do covarde perverso para que se passe uma idéia de que ele não tem nada a ver com a agressão.

Suas tarefas são inúmeras dentro de um circuito de patifarias: delação, manipulação, falso testemunho, armadilhas, distorção do trabalho, roubo, mentiras deliberadas, calúnia, boatos, emissão de informações erradas, supervalorizar erros, minimizar qualidades etc. Os assediadores pedem, os trairas fazem.

Dentre tantos, nenhum é mais sórdido e medíocre do que o torcedor de arquibancada. Ele não gosta nem do assediador e muito menos da vítima, mas de ver o sangue jorrar, seja de quem for. Ele quer o combate, a luta, o prejuízo. Ele, à sua maneira, é esperto, pois qualquer um que tombar lhe proporcionará algum lucro. O conhecemos como competidor social. Aquela criaturinha que adora puxar o tapete dos outros para se “arrumar”. Então, para ele, tanto faz um quanto o outro, se o assediador ou o assediado. Ele é assim mesmo, desprezível. 

Da mesma forma que as corujas mariachis do "longa, Rango" ficavam à espreita cantarolando o momento do fim, estas pessoas vivem e existem para isso, isto é, alimentam-se do mal alheio. São personagens que se aproximam de você para lançar uma frase de desespero, cavar informações, disseminar a intriga, alimentar o mal, pois suas energias derivam disso. 

Por isso, não faz mal algum selecionar quem será seu amigo em determinados ambientes, pois pode ser que se esteja diante de um ser obscuro como os carniceiros e nem se saiba. Logo, todo cuidado é pouco.
leia também: Dupla Face
                      Sinos retumbantes
                      É impressão minha ou...?


Raniery
raniery.monteiro@gmail.com

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Razão x Falsos Raciocínios


Outro dia, um colega me perguntou como faço para criar as postagens do blog. Queria saber como eu conseguia assuntos variados de um mesmo tema. Eu lhe disse que era fácil, já que todos os dias os assediadores e seus lacaios aprontam das suas. 

Os agressores agirem diariamente segundo sua natureza perversa já não me surpreende mais. O que me deixa intrigado é como determinadas pessoas insistem em não enxergar a realidade ou fingem não vê-la. Para falar a verdade, eu acredito que não fazem uma coisa e nem outra. Penso que são daquelas pessoas que ficam em cima do muro para não ficar mal com ninguém, e, que, só pensam em si mesmas, fruto de uma visão de vida frustrada por fracassos que tiveram.

Outro "colega" demonstrou isso quando me disse que o assédio moral que tanto discutimos não existe, pois, segundo o seu "raciocínio", se não aconteceu com ele é porque não existe tal violência. Ele nem percebeu o quanto arrogante foi, pois delimitou o problema unicamente a si mesmo. É curioso citar que este cidadão sempre esteve ali no meio dos chefes (não que isso seja necessariamente um problema) e apesar do seu discurso, eu nunca o vi confrontar nenhum deles, como faz pelas costas. Bem, desse jeito qualquer um bota banca e canta de galo.

O que ele chama de argumento eu chamo de falso raciocínio, ou seja, ele tomou uma situação isolada e atrelada a si mesmo e afirmou que aquilo é uma regra. Sabe- se que o processo na realidade é outro: parte- se de um conjunto de situações análogas e que se repetem para se afirmar que é um padrão. Exatamente como ocorre onde trabalhamos confirmado por inúmeros casos.

O camarada ainda insistia em minimizar toda a ação do MPT e afirmava que os assediadores não estavam preocupados, muito diferente do que sabemos que tem ocorrido, mesmo eles ainda continuando com suas patifarias; acontece que quando se lida com "ratazanas" se sabe que elas são esquivas e de difícil captura, ainda mais quando estão no poder e detêm as condições de manipular as coisas.

Sendo assim, nestas situações, como se faz para detectar o verdadeiro conteúdo de uma circunstância? 

Alguém chega falando que determinada pessoa a persegue, mas isso não é visível à todos, pois se faz de forma dissimulada. É uma circunstância que naquele instante não acontece com você. Seu foco está em outras coisas, daí não se preocupar com isso. Realmente será difícil dizer que há um processo em andamento. Até o dia que esse processo te atinge. Neste instante você então passa a entender o que o o outro dizia.

Se algo não acontece comigo, não quer dizer que não existe. Eu nunca tive um acidente de trânsito, mas é porque ainda não ocorreu, não que não possa acontecer, por mais hábil que se seja. Viver assim é estar fora da realidade e trilhar uma senda perigosa, já que se fica exposto. E tem mais: ainda que se puxe o saco de um assediador, isto não será garantia alguma de que ele não se voltará contra você.

E, como chegamos à verdade? Para responder a esta pergunta temos que saber como avaliar a realidade à nossa volta. Para isso precisamos raciocinar.

E, o que é raciocínio? O Raciocínio (ou raciocinar) é um trabalho lógico discursivo e mental. Neste, o intelecto humano utiliza uma ou mais proposições, para concluir, através de mecanismos de comparações e abstrações, quais são os dados que levam às respostas verdadeiras, falsas ou prováveis. Das premissas chegamos a conclusões. O objetivo é o conhecimento, ou melhor, seu domínio.

O raciocínio é um mecanismo da inteligência, que ligada a razão e a imaginação constituem instrumentos usados para a compreensão do meio. Logo, resumidamente, o raciocínio pode ser considerado também um dos integrantes dos mecanismos dos processos de conhecimento, da formação de conceitos e da solução de problemas, sendo parte do pensamento.

E de que é composto o raciocínio? De argumentos. A argumentação tem como objetivo levar um indivíduo a buscar a verdade e chegar ao domínio do conhecimento ou à verdade mais completa possível.

Diferentemente do raciocínio há o sofisma que é um raciocínio aparentemente válido, mas inconclusivo, pois é contrário às próprias leis. Também são considerados sofismas os raciocínios que partem de premissas verdadeiras ou verossímeis, mas que são concluídos de uma forma inadmissível ou absurda. Por definição, o sofisma tem o objetivo de dissimular uma ilusão de verdade, apresentando-a sob esquemas que aparentam seguir as regras da lógica.

Atualmente, no uso frequente e do senso comum, sofisma é qualquer raciocínio falso, mas que se apresenta com coerência e que tem por objetivo induzir outros indivíduos ao erro mediante ações de má-fé. Ora, determinada afirmação não se torna verdadeira somente porque o parece, como no caso de meu ressentido colega que, a despeito de uma fachada de senhor da verdade, falhou no seu discurso frágil e inconsistente, muito mais ligado ao dos agressores que de real fundamentação.

Por outro lado, chamamos verossimilhança a característica daquilo que parece intuitivamente verdadeiro, isto é, o que é atribuído a uma realidade portadora de uma aparência ou de uma probabilidade de verdade, na relação ambígua que se estabelece entre imagem e ideia. No primeiro momento determinados discursos ou opiniões nos confundem com uma aparente carga de verdade, mas que posta à prova não resiste ante às evidências, como não poderia deixar de ser.

Exposto estes conceitos fica mais fácil agora definir o que é real do que parece ser. Portanto, ser parecido não significa que se é. Se algo não ocorreu com você não quer dizer que não o possa; ainda mais quando se fala de assédio moral, que não depende de quem ou o que somos, mas de uma perversidade inata do agressor.

A capacidade do agressor em manipular o grupo, seja pelo medo ou pela comunicação, é um dos fatores que estão em jogo nestes processos covardes e não lógicos. Sendo assim conseguir fazer uma leitura correta do ambiente se faz necessário e importante para não se ver enredado sem condições de defesa. 

Em relação ao grupo, sabe- se que há aqueles que se associarão aos agressores para reproduzir suas ações; tem aqueles que por medo ou covardia se escondem diante de um ataque a um colega; existe os individualistas que não darão a mínima, pois o assédio não aconteceu ainda com eles, mas correrão pedindo ajuda quando ocorrer e, tem os competidores sociais que, como carniceiros, ficam aguardando qual dos lados tombará para adaptar seus discursos. Desta forma é compreensível que determinadas pessoas minimizem fatos como o assédio moral, talvez movidas por ciúmes ou inveja ou por estarem à serviço do próprio agressor.

Com agressores morais, a razão é a ferramenta mais eficaz que se tem para combatê-los já que sua tática se baseia na desestabilização da vítima. O que parece paradoxal, na verdade faz todo sentido quando entendemos os objetivos por trás dos ataques. O autocontrole é tudo que um assediador não quer que ocorra com quem persegue, pois isto não permitirá que conduza o seu jogo destrutivo.

Sendo assim, uma visão racional do problema associada ao autocontrole proporcionará um enfrentamento mais equilibrado, o que, é verdade, é de difícil execução, já que afeta justamente nossos centros emocionais, mas se cedermos ao psicoterror
ele nos dominará e o assediador estará a um passo da vitória.







Raniery
raniery.monteiro@gmail.com

terça-feira, 10 de julho de 2012

Parece sátira, mas é sarcasmo


Os sátiros eram divindades da natureza, na mitologia grega, e conhecidos como faunos, na romana. Com um aspecto estranho e bizarro para os padrões atuais, pois possuíam tronco humano (homem), membros inferiores de bode, nariz chato, lábios grossos, longas barbas, caudas e orelhas de...asnos e, claro, chifres.

Viviam nos campos e bosques e levavam uma vida sexual promíscua com as ninfas, incluindo aí, mulheres e rapazes. A esbórnia era o seu ambiente predileto ao lado do deus Dionísio, regado a vinho e orgias. Dançavam ao som de flautas, entre outros instrumentos. Os sátiros eram personagens obrigatórios dos "dramas satíricos” do teatro grego em homenagem ao deus Dionísio.

Representados no filme “labirinto de fauno” num contexto da Espanha fascista da Segunda Guerra Mundial, onde a imaginação de uma menina cruza o caminho de um capitão cruel e implacável. O Labirinto do Fauno é uma fábula ao mesmo tempo lírica e violenta, que tematiza as contradições e possibilidades contidas no simbolismo magicko onde magia e crueldade entram em conflito ocorrendo o confronto entre o poder perverso e a imaginação infantil.

Para os hebreus, os sátiros eram demônios. Era um tipo de entidade sobrenatural que habitava lugares desolados. Existe uma alusão à prática de realizar sacrifícios aos se'irim (sátiro) em Levítico, 17:7- “Nunca mais oferecerão os seus sacrifícios aos demônios, com os quais eles se prostituem;”

Sarcasmo (do grego "sarkasmos" = “queimar a carne”) designa um escárnio ou uma zombaria, intimamente ligado à ironia com um intuito mordaz quase cruel, muitas vezes ferindo a sensibilidade da pessoa que o recebe. A origem da palavra está ligada ao fato de muitas vezes mordermos os lábios quando alguém se dirige a nós com um sarcasmo mordaz.

Considera-se algo irônico o comentário feito por uma pessoa, designando exatamente o oposto daquilo que realmente se pretendia dizer. O sarcasmo e a ironia estão estreitamente ligados, e ambos não correspondem àquilo que supostamente se pretenderia afirmar. A diferença entre estes conceitos está no fato de que o sarcasmo é sempre mais picante e mais provocador, enquanto que a ironia é uma simples contradição voluntária, com intuito menos áspero e feroz.

Etimologia e mitologia

Sarcástico, adj. que envolve escárnio; escornear, escornar = ferir com os cornos; (fig.) tratar com desprezo.

Na mitologia romana, um riso sardônico é sinônimo de gargalhada tragicômica, mordaz e satírica, ou seja, algo da esfera dos sátiros, companheiros de Saturno. Ora, a verdade é que quase todos estes termos brejeiros têm conotação sarcástica, cáustica e picante, 
própria de deidades infernais como Vulcano! De resto a brejeirice dos bacanais tinham na Grécia o acompanhamento de alegres deuses infernais tais como os Hefesto, Dionísio e os sátiros. 

Assim, a origem da palavra sarcasmo citada supra, poderá estar ligada a sacrifícios e rituais em nome dos deuses, típicos atos de fé mitológica da antiguidade, onde durante o sacrifício humano o sátiro supostamente gargalhava num prazer sádico ou infernal.
Fonte: Wikipédia

O que me chamou a atenção para o sarcasmo foi o fato de que onde trabalho há um chefe que se utiliza desta forma de violência verbal dentro de seus rituais de assédio sendo objeto unânime de comentários entre os colegas. Seu nome é associado a este tipo de comunicação perversa. Sua pessoa é uma imagem sarcástica como se fosse ele um sátiro.

O assédio moral se desenvolve por meio de relações antiéticas e imorais de caráter subjetivo onde dissimulação e o "não dito" são estratégias largamente utilizadas por agressores, e, portanto o sarcasmo está entre as ferramentas prediletas usadas por eles.

De característica tipicamente cruel, o sarcasmo é uma forma de cozinhar a vítima aos poucos sendo que junto à ironia, “nunca se diz nada ofensivo”. De forma paralela, se ataca e “brinca” sem que se possa, no primeiro instante, dizer se o que está ocorrendo é mesmo um deboche. É o joguinho infernal dos agressores.

Curiosamente este assediador tem uma história contada por seus pares, que é, no mínimo, pitoresca. Reza a lenda que este cidadão ostenta um belo par de chifres (cornos) e que teria oferecido sua própria mulher ao chefe em troca de ascensão profissional. Como por lá não dá pra levar a sério este tipo de comentário, vai saber, viu!

Mas, “ironicamente” a figura se completaria já que, assim como os sátiros,  ele adora usar de sarcasmo com os outros. Outro fato é que também é dependente químico assim como os seres mitológicos. Na realidade, precisaria de tratamento. Resta saber se também curte meninos assim como meninas. 


Eu sei, a esta altura, você está me chamando de sarcástico. Desculpe-me, mas não pude evitar.

Fato é, que a comunicação perversa se pauta pela covardia e assimetria no que diz respeito a um chefe já que ele se utilizará se sua posição para humilhar seu subordinado. Dependendo da pessoa, minará sua autoestima criando uma condição de desequilíbrio na relação de trabalho.

Esta comunicação perversa pode ser neutralizada caso não seja alimentada, pois muitas vezes o que o agressor quer é perturbar a pessoa de forma gratuita. Outra fator por trás deste tipo de agressão verbal pode ser a necessidade do assediador em chamar a atenção do seu objeto de inveja. Como não pode ser como o assediado tenta diminuí-lo de alguma forma, ao mesmo tempo em que não consegue tirá-lo da cabeça. parece até que possui uma certa atração sexual pela vítima, ainda que do mesmo sexo.

É engraçado notar que os sátiros eram vistos como demônios por outras culturas, ou seja, seres malignos e cruéis com caráter perturbador, assim como os assediadores. Determinados agressores manifestam comportamentos que apontam para uma frustração interna. Pense: se você fosse um côrno, não se sentiria frustrado também? Pode estar aí a razão de determinados agressores em descarregar suas dores nos outros. Mas, é uma teoria apenas, não tem nada comprovado.

Seja como for, o sarcasmo quando usado como mecanismo deflagrador de assédio moral é uma espécie de violência que não deve ser absorvida por ninguém. Se o agressor tem problemas pessoais que se resolva ou se conforme com eles, mas não tem o direito de despejá-los sobre os outros. 
Leia também: Os cornos dos sarcástico


Raniery
raniery.monteiro@gmail.com