terça-feira, 30 de julho de 2013

Traiçoeiros

Quando dizemos que alguém não é confiável, porque descobrimos que em suas condutas ela usa de expedientes desonestos, a chamamos de cobra venenosa numa alusão ao comportamento furtivo e sub-reptício que as serpentes possuem. Além de seu veneno, é claro.

Beleza, não se põe na mesa, já dizia minha avó. O ditado dos antigos faz alusão  ao engano da superficialidade. Não é porque alguém fala de Deus, que não anda com o diabo; é todo amigável, que não apunhale pelas costas; elogie, e não faça fofoca venenosa, enfim, não podemos ignorar o contexto.

Pessoas traiçoeiras são desonestas e mentirosas contumazes, logo, não dá para esperar nada que não seja desabonador e prejudicial de sua parte. Sua predação precisa ser satisfeita dada a sua fome voraz pelo que é condenável.  A ganância costuma acompanhar o conjunto de características negativas de seu mau-caráter.

Quando não sabemos o verdadeiro conteúdo do traiçoeiro acabamos nos deixando levar por sua lábia, afinal de contas, desonestos vivem de enganar as pessoas e para isso é preciso conquistar a confiança das mesmas. Elogiar, se fazer de confidente, chorar, sorrir, dar tapinhas nas costas são apenas ferramentas para distrair a presa de suas verdadeiras intenções. Veja que para eles, pessoas são coisas, objetos, ou tem o mesmo valor de uma refeição- servem para alguma coisa.  Depois que se alimentam resta apenas defecar o que não se aproveitou. É assim que essas víboras humanas enxergam seu próximo. Nelas, não existe o real significado da palavra compaixão.

Agora, vamos avaliar as coisas como elas são de fato e não como queríamos que fossem. Comecemos utilizando o critério da proximidade para tentarmos fazer uma análise de como a realidade deve funcionar. Pense em seus pais, irmãos, amigos, namorado(a), esposa(o) etc. Se tudo estiver dentro dos níveis de normalidade haverá uma maior intimidade e cumplicidade nestas relações. Claro, que ocorrem distorções, mas no geral, é assim. O importante é que sabemos que há uma maior proximidade com esses grupos que outros. Logo, colegas de trabalho, chefes, colegas de escola, professores estariam, então, um nível abaixo do primeiro grupo no quesito proximidade cabendo, obviamente, as mesmas interpretações feitas acima.

O que quero dizer com isso? Que o normal é estabelecer  ou graduar os níveis de relações interpessoais conforme o ambiente em que nos encontramos, onde cada um representa os seus papéis sociais. Sendo assim, é natural que sejamos mais formais em ambientes onde isso o exige e vice versa. Então, quando nos deparamos com figuras que extrapolam tais posturas, como aquele chefe amigão, por exemplo, deveríamos prestar mais atenção se isso não é artificial e onde irá parar, pois afinal de contas, a função dele exige que controle a minha. 

Agora, vamos um pouco adiante e imaginemos que o tal chefe seja também um traiçoeiro, e, que por conta de uma aproximação perigosa, poderei levar alguma vantagem nisso. Eu, então, permito que ele me envolva em seus esquemas e me torne seu cúmplice achando que isso me garantirá imunidade e impedirá que ele se volte contra mim. Mas, onde está a falha de raciocínio? Ora, se ele é um traiçoeiro, e, portanto, um desonesto, que por sua vez é um mentiroso, toda a base do meu argumento fora construído sobre falsas asserções e, quando ele não mais precisar de mim, serei descartado. Pior, como fui corrompido sequer poderei fazer nada, pois traiçoeiros são exímios chantagistas também.

Engana-se quem pensa que pessoas traiçoeiras são uma coisa em um lugar e outra coisa em outro lugar. Seu padrão se manifesta onde quer que estiverem: em casa, com amigos, no trabalho, nos relacionamentos etc. Pense: se atacam aqueles que deveriam amar por que é que não fariam o mesmo com aqueles de quem nada são?

Uma das coisas que um traiçoeiro aprende desde cedo é apelar para as emoções das pessoas para poder conduzi-las através de seus joguinhos sórdidos. E é aí que temos, por assim dizer, mais uma sacada. Eu chamo isso de bipolaridade inconsistente. Calma, antes que você diga que é uma redundância deixe-me concluir.  Como eles estão sempre na berlinda, no limite, acabam por  magoar as pessoas e sempre pedindo perdão e prometendo se arrepender. É o remorso de alcoólatra. Portanto, seu comportamento transgressor me diz que nunca se emendarão, mas seu discurso apela sempre para minha compaixão e acabo cedendo, lhes dando umas trezentas segunda chance. 

Continuando no apelo emocional, quando estão preparando alguma armadilha, se aproximam com todo carinho, atenção, afagos, ou, chorando por um problema conjugal, familiar, emocional qualquer. A tática consiste em fazer a pessoa se desarmar e ficar vulnerável ao seu ataque. Na realidade, ela está armando a chamada casa de caboclo e precisa ganhar vantagem sobre o outro para que não tenha tempo de se defender.

Jamais poderemos esquecer de um detalhe- as palavras de um traiçoeiro. Na realidade, são apenas isso mesmo: palavras. Não valem nada. Não há veracidade, mas engodo. O que fazem é satisfazer a necessidade que as pessoas têm de ouvir o que querem. Isso, ele lhes dará. Quando a verdade vier à tona negarão tudo sem titubear deixando a pessoa desmoralizada e como a mentirosa em questão. Reflita: não tem como ser traiçoeiro sem jogar sujo, e, sujeira é o seu território, aliás, eles chafurdam nele. Aquele que por ventura acreditar em suas palavras estará assinando uma sentença.

Uma pergunta talvez não tenha sido respondida ainda: como podem ser tão bons no que fazem, isto é, como conseguem passar incólumes durante anos sem sequer levantar suspeitas e somente serem conhecidos de suas vítimas. Simples. A cada presa que abatem refinam a técnica; e como fazem isso desde a tenra infância, quando adultos, já se tornaram mestres da arte da patifaria. Não ficam assim da noite para o dia. Não caiu uma bola de boliche ou bigorna de desenho animado em suas cabeças e os transformaram. Não tomam uma fórmula que os transmutam em médico/ monstro. O veneno fica escondido atrás de suas presas numa glândula e desde cedo demonstram seu talento. Você já parou para se perguntar por que é que numa árvore de laranja não nasce maçã?

Acredito que você já se conheça um pouco e tenha chegado à conclusão de que possui um padrão definido de comportamentos que muitos chamam de mania, e outros, de gênio, ou seja, nossa personalidade, que se formou no processo de nosso desenvolvimento e que envolveu inúmeros fatores. Cada um tem seus hábitos, gostos e predileções. Eventualmente saímos deste roteiro, mas via de regra, permanecemos nele até o final de nossas vidas, apenas deixando espaço para o amadurecimento que fará as devidas correções. Pelo menos para alguns.

Acontece que para os traiçoeiros não é assim. Nunca se ajustam. jamais se adaptam. Sempre transgridem. A única coisa que fazem é imitar os outros para que se pareçam com eles no intuito de levar alguma vantagem. São imagens de espelho- estão lá, mas não existem. São apenas um efeito ótico.

Ficamos surpresos quando uma pessoa pacata tem um dia de fúria e esbraveja com todos, mas surpresa seria ver um traiçoeiro deixar de sê-lo. Então, se minha vida é importante pra mim, eu me acautelaria destas víboras humanas e onde quer que eu fosse ficaria atento para identifica-lãs. Não é assim que o biólogo faz quando está na selva? Até por que se for mordido por uma cobra, dificilmente sairá vivo dali.  

Na selva urbana, o que não falta é serpente venenosa.
Raniery

raniery.monteiro@gmail.com
@Mentesalertas

domingo, 28 de julho de 2013

Malandragem Dá Um Tempo!

Eu costumo dizer que quero ver o final do filme quando vejo a esperteza e malandragem de determinadas pessoas.

Que ninguém é perfeito, isso é um fato, mas tem gente que extrapola e pauta sua vida pela transgressão deliberada de princípios básicos da convivência social. Elas estão em todo o lugar, em qualquer família, profissão, religião, ou seja, em qualquer lugar onde haja um agrupamento humano organizado. Mas, determinados lugares parecem ser o habitat perfeito para essas pragas se reproduzirem e procriarem.

Por lá seu mau-caratismo é incentivado e até mesmo procurado por aqueles que pretendem conquistar objetivos por meios ilícitos. É o estilo de vida malandra  que serpenteia no seio social e por onde passa deixa um rastro de prejuízo que é de difícil detecção pelas pessoas em geral já que é muito bem encoberto por estes especialistas em manipulação e dissimulação.

Os parasitas humanos não gostam de se esforçar como as demais pessoas para conquistar seus objetivos. Desta forma lançam mão de todo tipo de ardil e esquema para como dizem, “ se dar bem”. Tenho escutado coisas como: AH! Ele tá se arrumando sem prejudicar ninguém”. Será mesmo? Pense: como alguém que se utiliza de artifícios desonestos poderia conseguir o que quer sem passar alguém pra trás ou obter alguma vantagem de forma desequilibrada e desigual, isto é, por meios ilícitos.

Aliás, será mesmo que sangue-sugas como esses conseguem mesmo tudo o que querem na vida? E o que conseguem é duradouro? Tenho minhas dúvidas. Em conversas com colegas dias desses me falaram de um conhecido malandro que bate no peito de ganhar dinheiro por meios escusos que teria perdido o apartamento (supostamente conseguido com dinheiro desonesto) vivendo atualmente pagando aluguel. Se de fato isso é verdade, então, onde está tal esperteza e malandragem, pois o dinheiro que veio fácil, sem suor, não conquistado, mas subtraído foi embora do mesmo jeito que entrou.

Nessa linha, muitas vezes as pessoas só enxergam o começo da história- aquele momento em que o danadão botou a mão na “bufunfa".

Acontece que a energia que você emite na vida não se dispersa, mas deixa um regiro com endereço e nome que será devidamente compensado. Só que pessoas assim não acreditam nisso e como possuem um transtorno de personalidade repetem as mesmas condutas num ciclo que nunca termina. Sabe aquelas pessoas que conhecemos, geralmente na família, que dizemos estar sempre batendo a cabeça- repetindo os mesmos erros e não aprendendo com eles? Então, o fim de cada malandragem é paradoxalmente não ter fim, porque, evidentemente, nunca conseguirão o tão almejado “se dar bem na vida“.

são pessoas que se aproximam para se dar bem às custas de você. 

Mas há o psicopata parasitário, que só se aproveita das pessoas mais vulneráveis para conseguir o que ele quer. Esse não adotará, necessariamente, uma conduta criminosa, mas provocará estrago no ambiente social.

O parasita pode passar a vida inteira sem chamar a atenção, apenas a manipular os outros, aproveitar-se do próximo, desestabilizar famílias, passar a rasteira em alguém para se dar bem. Não é nada fácil identificá-los. A dissimulação é um dos principais sintomas que compõem a psicopatia. A simpatia e o carisma encobrem o seu verdadeiro perfil. Em geral, quando percebemos a possibilidade de alguém ou um conhecido ser psicopata, o dano já está feito.

Veja a seguinte história que aconteceu com um colega: Um picareta (Eduardo Luz Camargo) que estava hospedado no hotel que sua sogra trabalha veio com uma história mirabolante daquelas (e eles são muito persuasivos e adoram contar uma história) de que havia arrematado em um leilão da receita equipamentos eletrônicos caríssimos, mas que os venderia a preço de custo pra ele. O verme nem pagou sua estadia no hotel e se mandou deixando todos no prejuízo.

O Artigo 171 do CP dá o nome pra isso de estelionato - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento: Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa.

Pelo que meu colega disse há uma quadrilha que trabalha junta onde um seria o irmão dele e a outra, filha. Eu, particularmente não acredito, pois dando uma olhada em seu perfil no Facebook não há indícios de laços familiares que apontasse isso, logo, por dedução e sabendo como funciona tais esquemas concluo que ninguém é parente de ninguém e são sim uns salafrários.

Meu amigo, então, conheceu outra vítima deles, desta vez do Rio de Janeiro e descobriram que o farsante ao aplicar os golpes se utiliza dos mesmos “modus operandis”. Mas, no caso do rapaz do Rio, a suposta filha (Fernanda Prado) foi usada como isca seduzindo o rapaz e causando os mesmos prejuízos que conta em sua página-Sinestesia.

Perceba, então, como essas pessoas - se é que devemos chamá-las assim - agem sem o menor escrúpulo se aproveitando da boa fé das pessoas e ainda tripudiam delas as chamando de trouxas por serem como todos nós: completos do ponto de vista ético/ moral. Evidentemente, que o fato de sermos pessoas que não passam a vida tentando prejudicar o próximo signifique não sermos cautelosos quanto a estes vermes humanos, pelo contrário, devemos, sim, oferecer nossa confiança e boa fé a todo aquele que delas fizer por merecer. 

No caso do meu amigo, se ficou no prejuízo ganhou na experiência e por ser uma pessoa fantástica, fora do comum decidiu compartilhar com todos o fato que o vitimizou para que não caiam no mesmo golpe. Posso dizer que de trouxa ele não tem nada, mas é uma das pessoas que mais admiro pelo conjunto geral de características positivas que possui que destoa de muitos de sua idade. Basta dizer, que este tipo de criminoso passa a vida enganando até mesmo a polícia e a justiça com anos de experiência que dirá de nós cidadãos comuns.

Onde trabalho, por exemplo, tem um monte de pilantras que deveriam estar no xadrez, mas que em sua ficha são empregados exemplares, ou seja, no papel (como eles gostam de dizer) são profissionais da melhor qualidade, mas quem os conhece sabe a imundície que são.

O que conforta é saber que gente assim não constrói nada e o que ganha de forma ilícita escoa pelo ralo tão facilmente como foi conseguido, mas aqueles que conquistam seus objetivos com o fruto de seu trabalho, contribuindo com a sociedade terão seus esforços coroados com o sucesso. Ademais, pode-se tirar algo que é material de alguém, mas sua capacidade e competência, seu caráter e determinação não podem ser solapados.

Se você tiver a paciência de pesquisar verá que em todas as religiões, filosofias, e determinados conhecimentos o esforço da conquista é louvado e incorporado ao próprio subconsciente que programa nosso cérebro para o sucesso por este meio, aliás, nossa história evolutiva funciona deste modo.

Para aqueles que gostam de alardear a esperteza e malandragem como meio de vida a ser seguido me convençam, por favor, se vale a pena ser acometido pela paranóia de ser descoberto ou não ser respeitado ficar estigmatizado como ladrão, 171, ou, ter que conviver com a certeza de que cedo ou tarde o preço pelo que fizeram será cobrado? Só não vale racionalizar ou culpabilizar os outros para tirar o foco de si, pois isso não entra na categoria argumento que é o elemento necessário para convencermos.

AH! Já ia esquecendo. E o assédio moral, o que é que tem a ver com o comportamento dos desonestos? Tudo! Ou você pensa que um pilantra não se sente ameaçado pela presença do honesto? Ele nem precisa fazer nada, basta não participar dos esquemas que já será tido como problema e daí passará a ser perseguido para que saia do meio das imundícies. Simples, assim. Se não acredita, faça o teste! Sugiro que primeiro passe em um concurso; depois não se corrompa ou não facilite pro tranqueira local e depois me diga se foi assediado ou não.

Portanto, eu quero ver é o fim do filme, seu desfecho e as conseqüências decorrentes das ações, lembra? Pra toda ação, há uma reação, no mínimo, igual e oposta? A energia emitida é aquela que será devolvida. Isso, no mínimo.
Raniery







raniery.monteiro@gmail.com
@Mentesalertas

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Assédio Moral Nas Forças de Segurança Pública

Nestes dias de protestos polícia tem sido objeto de críticas por atuar de forma truculenta contra os manifestantes, mas essa é apenas uma parte da verdade já que um policial não age senão por ordem de seus superiores.

Não há Estado algum sem forças de segurança para garantir a ordem e cada um tem suas características e realidades- não dá pra comparar. 

A única coisa que talvez seja comum a todas é o fenômeno do assédio moral como tabu que se confunde com seus rígidos sistemas disciplinares.

Que o assédio moral é um mal que causa inúmeros prejuízos e transtornos em diversos níveis da sociedade, isso é fato, não se discute; mas abordá-lo em suas repercussões dentro das forças de segurança pública pode revelar um aspecto que gera reflexos negativos diretos sobre o corpo social como um todo.

Não se pode falar de tais forças de segurança sem preliminarmente situá-las dentro da chamada função estatal que, segundo Celso Antônio bandeira de Mello, é a atividade exercida no cumprimento do dever de alcançar o interesse público, mediante o uso dos poderes instrumentalmente necessários conferidos pela ordem jurídica, no Estado democrático de direito.

Portanto, se a função do Estado se conecta em atender tal interesse, qualquer interferência nesse processo afeta diretamente sua eficiência no atingimento da meta estabelecida. Durante esta dissertação procurarei demonstrar essa relação e sua consequência negativa à sociedade de forma geral.

Fui convidado a elaborar essa postagem por um Blog especializado em segurança portuária e, em minhas pesquisas, constatei perplexamente que não existe pesquisa formal realizada em qualquer das forças policiais ou armadas que informe com dados precisos a real situação de tal fenômeno, o que por si só aponta para um aspecto institucionalizado desta prática. 

Manifesto então aqui, a louvável iniciativa do moderador do Segurança Portuária em Foco (Inspetor da Guarda Portuária Sr. Carlos Carvalhal) em abrir este canal de comunicação para que se possa chamar a atenção para um problema real e desafiador que demanda mudanças estruturais de interesse de todos e obrigação do Estado.

História da Polícia Brasileira

Polícias Militares, no Brasil, são as forças de segurança pública das unidades federativas que têm por função primordial a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública nos Estados brasileiros e no Distrito Federal (artigo 144 da Constituição Federal de 1988). 

Subordinam-se, juntamente com as Polícias Civis, aos Governadores dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios (art. 144 § 6º da Constituição Federal de 1988) e são, para fins de organização, forças auxiliares e reserva do Exército Brasileiro e integram o Sistema de Segurança Pública e Defesa Social brasileiro.

Seus integrantes são denominados militares estaduais (artigo 42 da CRFB), assim como os membros dos Corpos de Bombeiros Militares. Cada Polícia Militar é comandada por um oficial superior do posto de coronel que é denominado Comandante-Geral.

Já as polícias civis, são forças de segurança pública com estatuto próprio do serviço público civil, dirigidas por delegados de polícia de carreira, as quais incumbe as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, conforme o § 4º, do artigo 144, da mesma Carta constitucional.

Histórico

As Polícias Militares brasileiras têm sua origem nas Forças Policiais criadas durante o período do Brasil Imperial e que foram, em alguns casos, extintas ou fundidas à outras corporações policiais ostensivas durante o Regime Militar.

O soldado de polícia era aquele militar que integrava as milícias dos estados brasileiros, subordinadas aos presidentes de estado e, posteriormente, governadores, as quais recebiam várias denominações como, brigada policial, brigada militar, força pública, polícia militar etc. A partir do regime militar instalado no Brasil em 1964, todas essas milícias estaduais foram padronizadas pela legislação. 

Objetivando estabelecer rígido controle sobre as corporações policiais armadas, e evitar qualquer possibilidade de sublevação por parte das unidades federativas, o governo militar extinguiu as Guardas Civis e regulamentou as normas fiscalizadoras do Exército sobre as Polícias Militares, inclusive, nomeando oficiais do Exército para comandá-las em todos os Estados.

As polícias militares em alguns Estados foram criadas em 1831 depois de ato do regente padre Diogo Feijó, sendo que a partir da Constituição Federal de 1946 (Constituição que redemocratizou o país após o Estado Novo) as Corporações dos Estados passaram a ser denominadas Polícia Militar, com exceção do Estado do Rio Grande do Sul que manteve o nome de Brigada Militar em sua força policial.

Atualmente, a maior Corporação policial militar é a Polícia Militar do Estado de São Paulo que conta com cento e trinta mil integrantes (pois o Corpo de Bombeiros Militar de São Paulo é subordinado a PMESP), seguida da Polícia Militar de Minas Gerais, que atualmente conta com aproximadamente 41.000 integrantes, entre homens e mulheres, que atuam nos 853 municípios do Estado de Minas Gerais. A Corporação também possui unidades especializadas como o Grupamento de Ações Táticas Especiais (GATE), a Companhia de Rádio Patrulhamento Aéreo (CORPAER) (que se encontra localizado nas cidades de Belo Horizonte, Uberlândia, Juiz de Fora e Montes Claros), o Batalhão de Polícia de Eventos (BPE), antigo Batalhão de Choque, o Policiamento Montado, que é desenvolvido pelo Regimento de Cavalaria Alferes Tiradentes (RCAT), o Policiamento Rodoviário, o Policiamento Ambiental, os Postos Móveis de Policiamento Preventivo (PMPP) e o Batalhão de Rondas Táticas Metropolitanas (ROTAM), tendo logo após a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, esta última com cerca de trinta e oito mil integrantes.

Áreas de Atuação

Eis algumas modalidades de policiamento exercidas pelas polícias militares:

motorizado; montado (à cavalo, búfalo, etc); com cães; de trânsito; motocicletas; rodoviário; ferroviário; de choque; de guarda; escolta; custódia; ambiental; aéreo; de bicicleta; ostensivo a pé lacustre, marítimo e outros.
Fonte: SENASP

A origem da Polícia no Brasil

Polícia é um vocábulo de origem grega (politeia), e passou para o latim (poltia), com o mesmo sentido: "governo de uma cidade, administração, forma de governo". No entanto, com o passar do tempo, assumiu um sentido particular, "passando a representar a ação do governo, enquanto exerce sua missão de tutela da ordem jurídica, assegurando a tranquilidade pública e a proteção da sociedade contra as violações e malefícios".

Martim Afonso de Souza: organização da ordem pública

No Brasil, a idéia de polícia surgiu em 1500, quando D. João III resolveu adotar um sistema de capitanias hereditárias, outorgando uma carta régia a Martim Afonso de Souza para estabelecer a administração, promover a justiça e organizar o serviço de ordem pública, como melhor entendesse, em todas as terras que ele conquistasse. Registros históricos mostram que, em 20 de novembro de 1530, a Polícia Brasileira iniciou suas atividades, promovendo Justiça e organizando os serviços de ordem pública.

A estrutura policial brasileira

Em terras brasileiras, o modelo policial seguiu o medieval português, no qual as funções de polícia e judicatura se completavam. A estrutura era composta de figuras como o Alcaide-Mor (juiz ordinário com atribuições militares e policiais), pelo Alcaide Pequeno (responsável pelas diligências noturnas visando prisões de criminosos), e Quadrilheiro (homem que jurava cumprir os deveres de polícia).

O Alcaide Pequeno coordenava o policiamento urbano, auxiliado pelo escrivão da Alcaidaria e por quadrilheiros e meirinhos (antigo oficial de Justiça). As diligências noturnas – combinadas em reuniões diárias na casa do Alcaide Pequeno – eram acompanhadas pelo escrivão, que registrava as ocorrências enquanto quadrilheiros e meirinhos diligenciavam pela cidade, seguindo as instruções recebidas nas reuniões.

Pelo Alvará Régio de 10 de maio de 1808, D. João criou o cargo de Intendente Geral de Polícia da Corte e nomeou o desembargador Paulo Fernandes Viana para exercer o cargo, iniciando-se, assim, uma série de grandes modificações no organismo policial. Viana criou, pelo Aviso de 25 de maio de 1810, o Corpo de Comissários de Polícia, que só se tornou realidade por força de uma portaria do Intendente Geral de Polícia, Francisco Alberto Teixeira de Aragão, em novembro de 1825.

Mudanças e inovações

De 1808 a 1827, as funções policiais e judiciárias permaneceram acumuladas; mas com a promulgação do Código de Processo Criminal do Império, a organização policial foi descentralizada. Em 1841, a Intendência Geral de Polícia foi extinta, criando-se o cargo de Chefe de Polícia, ocupado até 1844 por Euzébio de Queiroz Coutinho Matoso Câmara. A lei de 03 de dezembro de 1841 proporcionou uma mudança radical, com a criação, em cada província e também na Corte, de uma Chefatura de Polícia. Nela, o Chefe de Polícia passou a ser auxiliado por delegados e subdelegados de Polícia.

Em 31 de janeiro de 1842, o regulamento nº 120 definiu as funções da polícia administrativa e judiciária, colocando-as sob a chefia do Ministro da Justiça. Em 20 de setembro de 1871, pela Lei n.º 2033, regulamentada pelo Decreto n.º 4824, de 22 de novembro do mesmo ano, foi reformado o sistema adotado pela Lei n.º 261, separando-se Justiça e Polícia de uma mesma organização e proporcionando inovações que perduram até hoje, como a criação do Inquérito Policial.

A Secretaria da Segurança Pública

Foi pela lei nº 1006, de 17 de setembro de 1906, que o então presidente do Estado de São Paulo, Jorge Tibiriçá, suprimiu o cargo de Chefe de Polícia e reestruturou a Secretaria dos Negócios da Justiça, adicionando à pasta todas as atribuições da administração policial e denominando-a Secretaria de Estado dos Negócios da Justiça e da Segurança Pública. Vinte e quatro anos depois, no governo do Interventor Federal, coronel João Alberto Lins de Barros, as pastas foram reeditadas separadamente e, pelo decreto 4.789, de 05 de dezembro de 1930, foram denominadas Secretaria de Estado dos Negócios da Justiça e Secretaria de Estado dos Negócios da Segurança Pública.

De 1930 em diante, a Secretaria da Segurança Pública, que teve como primeiro titular o general Miguel Costa, passou por uma série de transformações. Em 1931, a Secretaria da Segurança Pública foi extinta, e, em 1934, restabelecida. Foi extinta novamente em 1939 e restabelecida, definitivamente, com a edição do decreto-lei nº 12.163, de 10 de setembro de 1941, no governo do Interventor Federal Fernando Costa, que acabou de vez com o cargo de Chefe de Polícia.

Estrutura organizacional

A Secretaria de Estado dos Negócios da Segurança Pública é a responsável pela administração das polícias em todo o Estado de São Paulo. A chefia geral da organização policial é competência do secretário da Segurança Pública – escolhido e nomeado pelo Governador do Estado. Como titular da pasta, o secretário da Segurança Pública é a mais alta autoridade policial na escala hierárquica, estando subordinados a ele as polícias Civil, Militar, Técnico-Científica e o Detran.

Desde 1987, o secretário da Segurança Pública conta com um secretário-adjunto, função estabelecida por meio de decreto estadual, para, além das atribuições legais e regulamentadas, responder pelo expediente nos impedimentos legais, temporários e ocasionais do titular da pasta. Além disso, tem a incumbência de representar o secretário junto às autoridades e órgãos públicos, e coordenar o relacionamento entre o titular da pasta e os dirigentes dos órgãos da Secretaria da Segurança Pública e das entidades descentralizadas a ela vinculadas.

O assédio nos muros dos quartéis

O assédio enquanto subtipo de uma forma de violência geral não poderia mudar de característica pelo fato de se situar dentro do âmbito das forças de segurança pública, mas surpreendentemente não há pesquisa formal que aponte a real situação ocorrendo nessas instituições.

O que se sabe sobre o assunto deriva de denúncias que ora ocorrem aqui, outra ali e que acabam sendo divulgadas pela mídia em geral. Isso não significa dizer que não aconteça de forma crônica nesses meios, mas na realidade aponta para um problema generalizado que se manifesta em todo o serviço público.

Quando se fala que o assédio moral desencadeado sobre os agentes destas instituições acaba desaguando no seio da sociedade faz todo sentido no que diz respeito à eficiência que elas deveriam ter na execução de sua finalidade, aliás, ser eficiente é um dos princípios da administração pública que toda instituição deve primar por manifestar, já que sua existência conecta-se diretamente com a realização do interesse público.

Mas, os fatos apontam para outra e triste realidade, oposta diametralmente aos seus princípios. O que se vê, na realidade, é o interesse pessoal se sobrepondo ao público e, que, em tantos casos, são geradores de processos de assédio moral. O sequestro da coisa pública para atender interesses escusos de poder, enriquecimento ilícito, práticas de nepotismo, corrupção, trocas de influência, fraudes, ou seja, tudo que caracteriza a chamada improbidade administrativa seriam alguns dos elementos apontados como responsáveis por tais perseguições.

Porém gostaria de mencionar um outro elemento deflagrador dos processos de assédio que possui uma linha tênue muito frágil e transita entre a legitimidade e abuso. Trata-se do poder disciplinar e hierárquico e o abuso de autoridade e poder. Antes de evoluirmos, vamos conceituá-los para facilitar a compreensão e paralelamente efetuarmos análise que permitirá identificarmos onde se encaixa a problemática.


Definição de abuso de autoridade e abuso de poder

O Abuso de Autoridade é crime e abrange as condutas abusivas de poder, conforme a explicação abaixo.

O abuso de poder é gênero do qual surgem o excesso de poder ou o desvio de poder ou de finalidade.

Assim, o abuso de poder pode se manifestar como o excesso de poder, caso em que o agente público atua além de sua competência legal, como pode se manifestar pelo desvio de poder, em que o agente público atua contrariamente ao interesse público, desviando-se da finalidade pública.

Tratam-se, pois, de formas arbitrárias de agir do agente público no âmbito administrativo, em que está adstrito ao que determina a lei (princípio da estrita legalidade).

No caso do abuso de autoridade, temos a tipificação daquelas condutas abusivas de poder como crimes (lei 4898 /65) podendo-se dizer que o abuso de autoridade é o abuso de poder analisado sob as normas penais.

Mais ainda, o abuso de autoridade abrange o abuso de poder, conforme se pode vislumbrar pelo disposto no art. 4º, a, lei 4898 /65, utilizando os conceitos administrativos para tipificar condutas contrárias à lei no âmbito penal e disciplinar.

Portanto, podemos dizer que, além do abuso de poder ser infração administrativa, também é utilizado no âmbito penal para caracterizar algumas condutas de abuso de autoridade, sendo que, essas são muito mais amplas do que o simples abuso de poder (excesso ou desvio de poder), eis que abarcam outras condutas ilegais do agente público, o que nos leva a concluir que o abuso de autoridade abrange o abuso de poder que, por sua vez, se desdobra em excesso e desvio de poder ou de finalidade.
Fonte: http://www.jusbrasil.com.br/

Pelo exposto fica claro, então, que se essas figuras se confundirem, ou melhor se fundirem, fertilizarão o meio ambiente propício que conceberá e dará a luz ao assédio moral em todas as suas formas e variações.

Sabe-se que o assédio moral como forma de violência psicológica acarreta uma série de agravamentos na saúde total de suas vítimas que vai do stress, síndromes (pânico/ stress-pós-traumático/ burnout etc), cardíacas, obesidade, estomacais, entre tantas, além de desencadear desequilíbrios emocionais perigosos sobretudo àqueles que atuam na área de segurança já que é natural que sua ferramenta de trabalho seja uma arma. Portanto, homicídios ou suicídios podem ser o desfecho final de uma tragédia anunciada.

Acredito que não preciso ir muito além para que se entenda a gravidade deste tipo de conduta que pode culminar em uma série de situações catastróficas se levar em consideração o tormento psíquico pelo qual se esteja passando a vítima. Isso, inclusive pode se voltar contra os próprios agressores. Mas, de regra é na família, na comunidade em que vive e, em escala ainda maior, durante e no exercício de suas funções, que os reflexos disso se farão sentir em maior proporção.

Se desconsiderarmos o aspecto mais dramático e pensarmos que adoecido o agente se ausentará devido aos afastamentos médicos, ou, o que é pior, não se tratará e trabalhará nestas condições- sob agravamento, deduziremos elementar mente que não serão em nada eficientes em suas tarefas. E é aí que reside a maior crueldade da agressão, pois sob a mira da perseguição enfrentarão processos ou inquéritos administrativos fraudulentos que terão como objetivo a caracterização da conduta desidiosa.

Os princípios da Administração Pública e os limites de seus agentes públicos

Voltando ao aspecto do abuso de autoridade e poder lembremos que tais poderes não são ilimitados, pelo contrário, nossa Constituição define isso muito bem, ou seja estabelece os limites do próprio Estado e não seria diferente daqueles que o representam.

Vejamos, então, como se situa os poderes hierárquicos e disciplinares segundo a visão jurídica que os regula:

Poder hierárquico

Poder hierárquico é o de que dispõe o Executivo para organizar e distribuir as funções de seus órgãos, estabelecendo a relação de subordinação entre o servidores do seu quadro de pessoal.

Inexistente no Judiciário e no Legislativo, a hierarquia é privativa da função executiva, sendo elemento típico da organização e ordenação dos serviços administrativos.

O poder hierárquico tem como objetivo ordenar, coordenar, controlar e corrigir as atividades administrativas, no âmbito interno da Administração Pública. Ordena as atividades da administração ao repartir e escalonar as funções entre os agentes do Poder, de modo que cada qual exerça eficientemente o seu cargo, coordena na busca de harmonia entre todos os serviços do mesmo órgão, controla ao fazer cumprir as leis e as ordens e acompanhar o desempenho de cada servidor, corrige os erros administrativos dos seus inferiores, além de agir como meio de responsabilização dos agentes ao impor-lhes o dever de obediência.

Pela hierarquia é imposta ao subalterno a estrita obediência das ordens e instruções legais superiores, além de se definir a responsabilidade de cada um.

Do poder hierárquico são decorrentes certas faculdades implícitas ao superior, tais como dar ordens e fiscalizar o seu cumprimento, delegar e avocar atribuições e rever atos dos inferiores.

Quando a autoridade superior dá uma ordem, ela determina, de maneira específica, os atos a praticar ou a conduta a seguir em caso concreto. Daí é decorrente o dever de obediência.

Já a fiscalizar é o poder de vigiar permanentemente os atos praticados pelos seus subordinados. Tal se dá com o intuito de mantê-los de acordo com os padrões legais regulamentares instituídos para a atividade administrativa.

Delegar é conferir a outrem delegações originalmente competentes ao que delega. No nosso sistema não se admitem delegações entre os diferentes poderes, nem de atos de natureza política.

As delegações devem ser feitas nos casos em que as atribuições objeto das primeiras forem genéricas e não fixadas como privativas de certo executor.

Avocar é trazer para si funções originalmente atribuídas a um subordinado. Nada impede que seja feita, entretanto, deve ser evitada por importar desprestígio ao seu inferior.

Rever os atos dos inferiores hierárquicos é apreciar tais atos em todos os seus aspectos para mantê-los ou invalidá-los.

MEIRELLES destaca subordinação de vinculação administrativa. A subordinação é decorrente do poder hierárquico e admite todos os meios de controle do superior sobre o inferior. A vinculação é resultante do poder de supervisão ministerial sobre a entidade vinculada e é exercida nos limites que a lei estabelece, sem retirar a autonomia do ente supervisionado.(2)

Poder disciplinar

Faculdade de punir internamente as infrações funcionais dos servidores, o poder disciplinar é exercido no âmbito dos órgãos e serviços da Administração. É considerado como supremacia especial do Estado.

Correlato com o poder hierárquico, o poder disciplinar não se confunde com o mesmo. No uso do primeiro a Administração Pública distribui e escalona as suas funções executivas. Já no uso do poder disciplinar, a Administração simplesmente controla o desempenho dessas funções e a conduta de seus servidores, responsabilizando-os pelas faltas porventura cometidas.

Marcelo CAETANO já advertia:

"o poder disciplinar tem sua origem e razão de ser no interesse e na necessidade de aperfeiçoamento progressivo do serviço público."(3)

O poder disciplinar da Administração não deve ser confundido com o poder punitivo do Estado , realizado por meio da Justiça Penal. O disciplinar é interno à Administração, enquanto que o penal visa a proteger os valores e bens mais importantes do grupo social em questão.

A punição disciplinar e a penal têm fundamentos diversos. A diferença é de substância e não de grau.
Fonte: http://www.ambito-juridico.com.br

Perceba como tais poderes estão especificados e estritamente delimitados no que diz respeito às suas atribuições o que é perfeitamente compatível com o que determina nossa Constituição atual: 

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

Isso significa dizer que o Estado e por conseqüência seus agentes não podem fazer o que pensam, o que querem ou o que a lei não proíba, mas somente o que a lei diz.

Então, se pode concluir facilmente que o assédio moral que não se confunde com nenhum dos estatutos descritos aqui como pertencente ao rol das atividades da administração pública é autorizado, mas pelo contrário é condenado pela mesma Constituição.

A Constituição federal organiza e rege toda a legislação do Estado brasileiro. Entre seus dispositivos mais importantes, destacam-se os que tratam dos direitos e deveres individuais e coletivos, descritos no artigo 5º, ao longo de 77 incisos. Conheça as principais garantias previstas na Lei Maior, essenciais para o exercício da cidadania

Igualdade -Todas as pessoas são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Os brasileiros e os estrangeiros residentes no país têm a garantia de proteção ao direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.

Igualdade de gênero - Homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações.

Princípio da legalidade - Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.

Integridade - Ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante.

Liberdade de opinião e expressão - É livre a manifestação do pensamento e a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença, sendo vedado o anonimato.

Direito à intimidade e à inviolabilidade do domicílio - São protegidas a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas. A casa é abrigo inviolável do indivíduo; ninguém pode nela penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial.

Sigilo das comunicações - É inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e telefônicas, exceto, no último caso, por ordem judicial.

Liberdade de informação - É assegurado a todos o acesso à informação, resguardando-se o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional.

Direito de reunião e associação - Todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público. É plena a liberdade de associação para fins lícitos. Ninguém pode ser obrigado a associar-se ou a permanecer associado.

Direito de propriedade - É garantido o direito de propriedade, que atenda à sua função social. A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, mediante justa e prévia indenização.

Direito de informação e petição - Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse. São assegurados, independentemente do pagamento de taxas, o direito de petição aos poderes públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder, e a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal.

Estado de direito - A lei não pode prejudicar o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. É reconhecida a instituição do júri, assegurando-se a plenitude de defesa; o sigilo das votações; a soberania dos veredictos e a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida. Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia determinação legal. A lei penal não pode retroagir, salvo para beneficiar o réu.

Racismo - Constitui crime inafiançável e imprescritível

Crimes hediondos - A lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem.

Delitos e penas - Não haverá penas de morte, de caráter perpétuo, de trabalhos forçados, de banimento e cruéis. A pena é cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do condenado. É assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral. Serão asseguradas às presidiárias condições para que possam permanecer com seus filhos durante a amamentação.

Garantias processuais - Ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal. É assegurada a todos a ampla defesa. São inadmissíveis as provas obtidas por meios ilícitos. Ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. Ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária. O preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado. A prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária. Ninguém será levado à prisão ou nela mantido quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança.

Habeas corpus e Habeas data - É concedido habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder. Também se concede habeas data para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público; para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo.

Mandado de segurança - É concedido para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data , quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do poder público.

Ação popular - Qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e custas do processo.

Defensoria pública - O Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos.


Erro judiciário - O Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que ficar preso além do tempo fixado na sentença.

Gratuidade das certidões - São gratuitos para os reconhecidamente pobres o registro civil de nascimento e a certidão de óbito.

Gratuidade de ações judiciais - São gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data e os atos necessários ao exercício da cidadania.

Aplicabilidade - As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata
Fonte: http://www.senado.gov.br

O assédio moral nas instituições das forças policiais e de segurança, na realidade, são decorrentes de processos histórico-culturais enclausurados centenariamente em seus muros e que por uma tradição caduca passa e se reproduz de geração a geração manifestando um pensamento arcaico que resiste em se extinguir revelando muito mais um desejo pessoal de controle e poder pessoal que disciplinar.

Nas Guardas Portuárias de todo o país, o fenômeno assédio moral se repete  da mesma forma. Cabe lembrar também que a Guarda Portuária, infelizmente, não está elencada no art.144 da Constituição Federal, no entanto, ela executa a função pública em virtude de estar citada no Plano Nacional de Segurança Pública Portuária - PNSPP.

Vale dizer que esta centenária corporação disponibiliza, hoje, de todas as condições de se tornar uma força de segurança especializada em promover a segurança portuária. Nosso material humano é de ponta, ressaltando que em sua maioria compõe-se de homens e mulheres com escolaridade de nível superior nas mais diversas áreas. De fato e de concreto é a Guarda Portuária que opera de forma ostensiva em toda área portuária o que por si só já demonstra sua vocação para atuar neste estratégico setor da atividade econômica e de fronteiras brasileiro.

Conheça a história da Guarda Portuária 

A título de exemplificação disponibilizo aqui algumas matérias que revelam casos de assédio moral em algumas forças policiais e de segurança:

PMPolícia Civil; Polícia; FederalPRF; Guarda Municipal; Guarda Portuária 1, 2 

Isto posto, acredito ter sido esclarecedoras as assertivas desta postagem que chama a atenção para um problema grave em todos os níveis de nossa sociedade e que acomete os inúmeros agentes de segurança pública de todas as categorias em nosso país.


Raniery
raniery.monteiro@gmail.com

quarta-feira, 24 de julho de 2013

De que lado você está

Segundo a teoria dos controles há três mecanismos que mantêm o comportamento dos indivíduos sob controle. 

O primeiro deles é o autocontrole- Um padrão de comportamento ligado aos centros da moral no cérebro onde o indivíduo opta por fazer o correto convencionalmente aceito, ou seja, ele agirá de acordo com as regras sociais convencionadas. E cada um agirá assim dependendo do nível de sua consciência individual. Tais regras serão aprendidas desde a infância tenra começando no seio da família e se estendendo pelos diversos níveis sociais que o indivíduo interagirá ao longo da vida. Se os valores que aprendeu foram dentro de um padrão positivo, obviamente ele tenderá a reproduzi-los segundo o mesmo tipo, mas se crescer em ambientes onde aprendeu que o certo é ser desonesto e levar vantagem sobre os demais, com certeza devolverá isso ao corpo social, salvo exceções. Se, em família, o que recebeu foi respostas emocionais negativas tenderá a não se identificar com os valores desta sociedade.

O segundo fator que desvia as pessoas de comportamentos réprobos é o medo da punição pelo controle formal que a sociedade exerce sobre cada indivíduo através de sua organização jurídica. Quanto mais firme for a mensagem de que haverá punição em caso de conduta proibida maior será a inibição para o cometimento de crimes. Evidentemente que isso não ocorre de fato, pois o Estado não consegue punir de fato todos os crime cometidos e isso mesmo em países com legislações mais rígidas do que o Brasil.

O terceiro fator, e considerado por muitos o mais importante, é o controle social informal, ou, social. A sociedade (suas regras, a moral e outras normas sociais que não estão escritas em lei alguma) interfere em nossos centros de controle morais e nossa consciência e nos fazem sentir vergonha caso sigamos em direção contrária. Tais regras nos foram ensinadas por pessoas próximas e emocionalmente importantes – a mãe, a avó, o irmão mais velho, o grupo de amigos. Mas, é claro que tudo isso é influenciado por um sistema de justiça social que funcione equilibradamente e quanto mais legítimos os governantes e as autoridades, maior será o respeito da população às regras daquela comunidade. Em uma sociedade desigual, os menos favorecidos tendem a achar que regras tão injustas não se aplicam a eles, e a delinqüência aumenta.

O bem e o mal são conceitos relativos e alguns afirmam que derivados de uma mesma energia ou nascedouro e que, de fato, sequer existiriam. Gostam de exemplificar através de analogias tiradas da natureza como o fogo, a eletricidade, entre outras. Não há nem mesmo consenso se um ou outro são uma característica de nossa própria natureza.

E o que seria o bem e o mal? Segundo as diversas teorias o bem seria a qualidade de valor positivo, já o mal, o seu oposto, isto é, a qualidade de desvalorização. Na religião, ética e filosofia, a frase bem e mal refere-se ao resultado de condutas e comportamentos considerados moralmente positivos e na outra, os moralmente negativos. O bem é por vezes liga-se a reverência pela vida, liberdade, felicidade ou desenvolvimento humano, enquanto o mal é considerado o recipiente dos contrários. 

Em "O trem das Sete" Raul Seixas diz: "òi, olhe o mal, vem de braços e abraços com o bem num romance astral".

Na saga Stars Wars o bem e o mal são discutidos, mas considerados sob a perspectiva de uma força, energia, poder etc. Perceba que não existe no filme o "lado bom" da Força e o Lado Negro é um aspecto da própria Força. Nele não existe um bem absoluto nem um mal absoluto, mas o bem e o mal são condições relativas um ao outro. O yin-yang são dois conceitos do taoísmo, que expõem a dualidade de tudo o que existe no universo. Descreve as duas forças fundamentais opostas e complementares, que se encontram em todas as coisas. Portanto, tudo é relativo e não absoluto, e, em contínuo movimento. Não há mal absoluto ou bem absoluto, mas persegue-se o equilíbrio. Sob o ponto de vista taoísta, não é possível ter a luz sem também ter as trevas. Exatamente o que ocorre em Stars Wars. O filme separa o mundo o universo nestas duas condições quando afirma que os “maus” estão do lado escuro da força.

Conversando com um colega de trabalho sobre a influência que o ambiente de trabalho exerce sobre nossas vidas acabamos descobrindo que tínhamos muito mais coisas em comum que imaginávamos. 

Chegamos a conclusão que se desenvolveu um padrão de acontecimentos decorrentes de tais influências que estaria perturbando o curso normal de nossas personalidades a ponto de condicioná-las. O mais engraçado é que aqueles que estão mais próximos de nós reagiam de forma similar mesmo sem nunca terem se cruzado. 

Isso acabou fazendo com que concluíssemos se tratar de uma energia, ou força, que estaria atuando por de trás disso. Segundo os especialistas em medicina do trabalho o termo correto é fator psicossocial. Na realidade uma miríade de fatores concorrentes atuando simultaneamente que acabam por influenciar o comportamento do trabalhador. 

Tais fatores não estariam necessariamente ligados a alguma ação deliberada como, por exemplo, a insalubridade de determinadas funções, como a nossa. Outras, por sua vez teriam ligação direta com a manifestação de determinados comportamentos como a desmotivação- é o caso do assédio moral.

Do conjunto deste bombardeio de influências e da força de seu impacto surgiriam, então, as respostas que esplicariam o padrão desenvolvido por duas pessoas distintas, com histórias de vida e desenvolvimento diferentes que passaram a manifestar comportamentos similares.

O que chamo de lado negro da força são exatamente as ações de assédio moral deflagradas por gestores que possuem intrinsecamente uma perversidade inata e que decidiram em algum momento de sua carreira caminhar pelo caminho antiético e imoral que a sociedade repudia.

Abrindo mão de suas consciências adotam comportamentos inescrupulosos e enxergam pessoas como coisas que não teriam direito a dignidade passando a usá-las ou descartá-las ao seu bel prazer, segundo suas conveniências, intenções e objetivos. Caso qualquer delas os incomodem ou atrapalhem deflagram processos persecuritórios para tirá-las de seus caminhos. Produzem, então, o desequilíbrio nos ambientes de trabalho.

Uma vez que os ambientes encontram-se em estado de desequilíbrio, o próprio inconsciente coletivo passa a alimentar uma energia densa e negativa que com sua força magnética acaba interferindo nos processos emocionais das pessoas. O resultado é um estado geral de desânimo, ceticismo, negatividade, falta de perspectiva que acaba descambando para o apagamento das pessoas. Algumas chegam a adoecer emocionalmente, tal o poder desta força negativa.

Portanto, concluímos que deveríamos adotar algumas medidas protetivas e usar nossos sabres de luz devidamente para neutralizar o poder dessa força destrutiva sobre nós. Curiosamente descobrimos que estávamos fazendo, até nisso, coisas similares. Pode-se dizer que tais forças, ou fatores psicossociais são aspectos de uma guerra universal dado os padrões que emergem de seus processos.

A questão é que lado da força escolheremos para lutar. Já não dá pra dizer somente: “que a força esteja com você”. Mas, que lado da força você está!
Leia também: Abaixo o monopólio do mal
Raniery

raniery.monteiro@gmail.com