segunda-feira, 25 de abril de 2011

É tudo uma questão de...equilíbrio!


No estado de natureza selvagem em que vivíamos outrora, o que prevalecia era a lei do mais forte.

Seguíamos o curso da natureza e um devorava o outro, mas não somos mais assim, quer dizer...somos?

Pois bem, essa condição do mais forte subjugar o mais fraco tem a ver com uma simples questão de desequilíbrio.  Eu que sou fraquinho, perderei fácil pro Mike Tyson, e, nesse caso, é capaz de eu correr 100m em 30s!

Por mais engraçado que possa parecer imaginarem aquele brutamonte correndo atrás de mim, a grande realidade é que, na prática, isso ocorre todo santo dia nos mais diversos lugares. É o bullying, a violência doméstica, a pedofilia, a corrupção, os tipos de assédio etc.

Essa relação de desequilíbrio e covardia se origina de quem tem como objetivo tirar qualquer chance de defesa que alguém possa esboçar, para destruí- Lo sem qualquer ameaça de reação. Essa é a idéia.

Se você pensar: qual é a forma mais fácil de uma pessoa se promover entre seus potenciais competidores? Promovendo- se à custa dele, ora. O raciocínio é até bem simples: depreciar e desqualificar o outro, sistematicamente, por meio de boatos e fofocas, persuadindo o grupo de que faz isso com a maior boa intenção e porque é amigo de todos. O argumento (a mentira) utilizado é que essa pessoa é uma ameaça a todos.

Olhe só, dessa forma, eu tanto consigo esconder minha inferioridade ou incompetência quanto me livro do rival, sem sujar minhas mãos, já que será o grupo que irá execrá- lo por mim.

O agressor sabe contar com o medo do perseguido para que este se submeta. Inclusive, ele lança mão de seus aliados para tal. O perverso escolhe, entre seus lacaios, aqueles que são mais dóceis, isto é, manipuláveis, para isolar a pessoa alvo; todo aquele que não concordar em fazer parte da gangue, será transformado em bode expiatório, também. O engraçado é que, os membros do grupo perverso, criam uma espécie de laço chegando a, incrivelmente, parecer amigos, mesmo: saem juntos, fazem churrascos, festas de confraternização, enfim; quem vê de fora chega a duvidar se não estão diante de anjos. Dessa forma, unidos pelo mal, ganham força para depreciar e ironizar suas vítimas.

Todo bando tem seu líder, e entre os perversos, não poderia ser diferente. Eles o vêm como um modelo a ser seguido e imitado, já que não possuem personalidade própria; perdem, então, todo o senso crítico: é a força do grupo sobre o indivíduo.

Tais perversos amam e querem chegar ao poder, que tem conotação diferente pra cada pessoa: pra uns, é riqueza; pra outros, serem temidos; outros ainda, serem admirados; ... força; domínio etc. Sendo assim, farão qualquer coisa pra obter o que querem e se manter lá: mascararão sua incompetência, e, qualquer um que for um obstáculo, nesse sentido, se livrará sem escrúpulos. Lembrando que o perverso não ataca somente o fragilizado, se preciso for, cria a fragilidade, também, sobre alguém.

Sun Tzu já dizia há milênios: é preciso conhecer a estratégia do inimigo. E a ação do perverso, se dá em dois instantes simultâneos:
-O primeiro é atacar a vítima para paralizá- La;
-O segundo, é uma conseqüência do primeiro- atacando alguém, ele sabe que o grupo estará assistindo de camarote e, dessa forma, entenderá o recado e também não ousarão enfrentá- lo.

Acontece que esses valentões necessitam de ambiente para se criarem, e, o encontrarão em lugares que permitam que esses abusos aconteçam sem coibí- los. São ambientes desorganizados, mal estruturados, ou seja, que apresentem uma fragilidade que será aproveitada pelos perversos.

O processo vai minando a força do outro, explorando sua fraqueza, levando- o ao descrédito pessoal para destruir suas defesas. Tudo ocorre de forma sutil e camuflada sendo que jamais admitirão o que estão fazendo; agem como se nada estivesse acontecendo, na maior cara de pau. Se, em algum momento, a pessoa se rebelar, isso disparará o ataque declarado que antes atuava no subjetivo. É o início do psicoterror.

Não se admite que a vítima se queixe, pois um perverso não aceita oposição, questionamento ou críticas. Acontecendo isso, ele odiará seu oponente e só descansará quando o tiver destruído; mas isso ele o faria de qualquer forma, só que agora, pensa, sua ação foi legitimada pelo insulto da vítima em reagir.

Concluímos que para um agressor obter sucesso em seus atos perversos ele conta com alguns fatores que extrai de suas vítimas que, em essência, denota fragilidade. Ocorre que eles não são e não estão acima do bem e do mal e invulneráveis. Seu ponto fraco é justamente o que o faz parecer forte: a agressividade.

Pense num gatinho passando por cima de um pote de tinta: o que acontece? Ficam engraçadinhas aquelas patinhas marcando o caminho por onde ele anda, não é? 


Da mesma forma, nosso canalhinha, vai deixando um rastro de evidências que, se colhidas, de forma correta, o levará a um lugar mais adequado para quem não sabe se comportar socialmente. Vale lembrar, que o gatinho sempre agirá como tal, assim como os canalhinhas farão a mesma coisa: a não ser que sejam coibidos. 


Raniery
raniery.monteiro@gmail.com



Os inquisidores


 Somos seres gregários, isto é, gostamos de coexistir.

Desta forma, nos estruturamos socialmente numa interdependência para que possamos sobreviver e subsistir.

Acontece que nem sempre isso funciona como queríamos e a história nos mostra isso de forma categórica.

Ao longo de nossa trajetória verificou- se que o homem quer dominar seu semelhante de alguma forma e impor seu poder. Essa dominação, via de regra, causa muito transtorno sobre quem se pretende controlar.

A partir do século IV, o imperador Teodósio declara o cristianismo como religião oficial por todo império romano, proibindo os demais credos. Da mesma forma que o decadente Estado, a Igreja passou a impor- se sobre as outras religiões, principalmente o paganismo, e, em especial sobre a principal divindade pagã: a Grande Deusa Mãe.

Como o culto à Deusa e às divindades pagãs era muito enraizado entre os povos bárbaros, o catolicismo não obteve o sucesso que esperava em eliminá- los. Uma das estratégias de tentar acabar com a fé em tais divindades era satanizá- las, e senso assim, todo aquele que adorasse qualquer deus que não o cristão, seria um adorador do diabo.

Durante os séculos seguintes a Igreja se consolida sobre as principais nações européias, até que em determinado momento, com a queda das monarquias absolutistas e a ascensão da burguesia, surge o protestantismo e o número de fiéis começa a decrescer entre os católicos. É nesse contexto que, no século IX, surge a estratégia de esmagar a subversão daqueles que decidem trair a religião romana: Na bula Excommunicamus, o papa Gregório funda a inquisição- tribunal da igreja católica instituído para capturar, julgar e punir acusados de heresia.

Inquisição significa o ato de inquirir, isto é, indagar, investigar ou interrogar judicialmente.
 
 Perceba você que a santa igreja não somente julgava, mas caçava e também punia (assassinava). É bem verdade que para não sujar as mãos, entregava suas vítimas ao braço secular que fazia todo o trabalho sujo. Em 1252, o papa Inocêncio IV aprova o uso da tortura como forma de obter a confissão de suspeitos do tribunal.

Dessa forma, todo aquele que negasse a religião oficial dos cristãos seria considerado herege, ou seja, os protestantes, judeus, muçulmanos e pagãos. Vale lembrar que nessa época o Estado era dividido entre o clero, os monarcas e os nobres, numa disputa insana para se impor.

A religião católica possuía status jurídico para legitimar suas ações, tanto que havia até o direito canônico. Veja, então, que nem o positivista mais fanático poderia imaginar contexto melhor para impor leis a seu bel prazer. Bastava dizer que era lei, que estava tudo certo. Era só dizer que o rei sabia, e, tudo era lindo. Fácil assim.

Nem o nazifascista mais descontrolado poderia imaginar mundo melhor; dariam tudo para poder participar daquele momento sombrio da humanidade. O pesquisador Justine Glass afirma que cerca de nove milhões de pessoas foram acusadas e mortas, entre os séculos que durou a perseguição.

Caso você fosse um infeliz que caísse nas mãos de um inquisidor e seu inquérito, seu destino estaria selado; mas pior que isso, muito sofrimento físico, psicológico, e, acredito até espiritual você passaria nas mãos de sádicos clérigos e carrascos. É difícil acreditar que eles não tinham noção do que faziam, mesmo pelo contexto da época, já que desenvolveram sistemas de tortura com requintes de crueldade que somente quem sabe o que quer nessas condições, poderia criar. Eles tinham propósito e objetivos no que faziam, ou seja, consciência plena do que queriam fazer.

É interessante o detalhe de que eles tinham uma predileção macabra por torturar mulheres que, como diziam, eram mais propícias à feitiçaria. Ocorreu assim com Joana D’arc que foi queimada viva, na França, sob acusação de heresia, durante a Guerra dos cem anos, e, muito tempo depois ela foi canonizada exatamente por quem a matou.


Todo um aparato tecnológico fora desenvolvido para infringir dor, destroncar membros, dilacerar órgãos, e, dessa forma, fazer com que o suposto (a) pactuador(a) demoníaco(a) confessa- se sua culpa. Convenhamos, qualquer pessoa debaixo desse tipo de tortura falaria qualquer coisa para acabar com o sofrimento.

Pense bem, mesmo se alguém conseguisse escapar da fogueira, do empalamento ou da execração pública e fosse inocentado, estaria tão devastado, traumatizado e deformado fisicamente que, se sobrevivesse, não restaria muito motivo para querer viver daí por diante. Muitos até confessavam serem bruxos somente para acabar com a tortura e poder morrer; mas o sadismo era tal, que algumas vítimas agonizavam dias ou semanas antes de falecer.

Em determinado momento, os monarcas viram nesse método um meio de obter vantagens políticas e econômicas, pois bastava acusar alguém de feitiçaria para perder tudo o que possuía para o rei ou para a igreja e se ver em desgraça. Exatamente como os Templários, em 1312; Acusação: heresia. Tiveram seus bens confiscados e foram queimados vivos em praça pública.

Ninguém conhecia seus acusadores que podiam ser qualquer um, até crianças. Ora, se você pensou no vizinho invejoso, cunhado recalcado ou no colega de trabalho pilantra, concluiu, então, que é bom viver nos dias de hoje.

O discurso era de moral elevada e de pureza espiritual, tudo em nome de Deus: não só era legítimo, mas santo, bom e correto fazer tudo aquilo, pois era a vontade do Senhor matar, sangrar, torturar, queimar etc.

De qualquer forma, é interessante notar que quem praticava tais atos tinha uma frieza e insensibilidade, ao sofrimento do outro, impressionantes. Você seria capaz de assistir alguém ser queimado em óleo fervendo lentamente e aos gritos, sem se incomodar? Seria a coisa mais natural para você? Quem seria capaz de ter prazer nisso? Que tipo de gente conseguiria ficar indiferente com a desgraça de seu semelhante? Pense.

Ainda bem que o papa João Paulo II pediu perdão por eventuais exageros dos cristãos medievais que culminou com a morte de milhões de seres humanos daquela época. Agora, ele deve estar confortando toda essa gente no além.

Em nossos dias vemos esse fantasma querer ressuscitar por meio de governos despóticos, ditaduras militares, crime organizado, polícias corruptas entre outros.

Se o objetivo da inquisição era o de manter controle pelo medo e deflagrar o terror, poderíamos até ver nisso uma analogia em nossas organizações que praticam a tortura psicológica e moral sobre a massa de trabalhadores para que esses produzam riquezas para os poderosos.

É comum em empresas e órgãos públicos, por exemplo, os chamados inquéritos administrativos que disciplinam seus funcionários.

Acontece que, em determinados casos, essa atribuição é utilizada de forma destorcida e na base da pessoalidade, que se contrapõe justamente aos princípios da administração pública; pois não basta ser legal, tem que ser moral e impessoal e dentro da razoabilidade.

Os inquiridores muitas vezes se utilizam do mecanismo pra eliminar competidores pessoais, desafetos, desestabilizar o grupo e até forjar uma demissão por justa causa- manipulando as informações de tais inquéritos; algo muito similar ao que ocorria nos tempos medievais.

A história nos ensina que a maldade humana não tem limites. O poder não pode ser desmedido, mas tem que ser limitado, por conta dessas aberrações que ocorreram e ainda hoje acontecem.
Por outro lado, tudo tem um preço e cada ação nossa será cobrada pelo Eterno; no final, tudo que enviamos nos é devolvido, cedo ou tarde. Não tem como escapar.

Na Bíblia está escrito que o Deus cristão abomina o sanguinário, o homicida, a falsa testemunha, o que destrói inocentes, o ladrão etc. São princípios que independem de credo ou religião para serem verdadeiros, pois são eternos (atemporais) e estão dentro de nós, em nosso inconsciente e no consciente coletivo: é a lei do retorno.

Ainda bem que, no caso dos modernos inquisidores, temos a justiça que pode ser provocada a intermediar contra possíveis abusos, sendo que não estamos mais diante de um Estado de exceção, mas de Direito.



Raniery
raniery.monteiro@gmail.com

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Competição e ambição = assédio moral


O psicólogo, advogado e professor da Unicamp e da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Roberto Heloani, fez um ligação entre  assédio moral e os ambientes de trabalho competitivos em que é cotidiano o cumprimento de  horas extras. “O assédio moral é  uma consequência natural desse ambiente. É praticamente impossível não ter processos de humilhações num local de trabalho em que as pessoas são vistas como coisas”, disse Heloani.

Não é de hoje que somos estimulados pelo sistema a competir com nosso semelhante em nome da produção e de promoções.

Não nos enganemos, somos peças da engrenagem de uma máquina chamada capitalismo que não tem alma e nem coração, apenas muita fome: de dinheiro, obviamente.

Ora, e por que é que temos que ser competitivos e ambiciosos? Para sermos promovidos e ascender na empresa, ué? É-nos dito. Aí ficaremos tão ricos como o dono do capital. Não, não... Isso não pode! Falam-nos.

Acontece que para que um se torne rico é preciso que muitos suem a camisa, se matem, assediem moralmente se preciso for, para que isso ocorra. Afinal de contas o capitalista é merecedor de que façamos isso por ele.

Veja só, você. Sabe toda aquela estrutura hierárquica que as empresas criam para estimular o camarada, que entra nela ainda novinho e trezentos anos depois, quando só resta uma carcaça, chega lá no topo? Pois é! Ela existe somente pra isso mesmo, ou seja, manter o camarada se matando e matando outros na ilusão que vai ser como o dono do capital. Quando ele chega lá, descobre que não é nada disso e o tempo já passou. Isso, quando não chega a “gostosa” e percorre o mesmo caminho em somente quatro meses de empresa.

O mais irônico é ver aqueles chefinhos ou subalternos servis que acham que serão como o proprietário, acreditando que ele lhes entregará a empresa para que seja sua; daí pintam e bordam em cima das pessoas, comentendo todo tipo de maldade e injustiça, com isso em mente.

No sistema capitalista existem dois tipos de pessoas: o detentor do capital, que quer o lucro e o trouxa que faz com que isso aconteça pra ele. Só que isso é muita informação pra um sacana saber, não é? Quem é servil, não tem massa encefálica pra saber disso, e, se dispõe a fazer o jogo sujo do patrão.

Vamos acordar e tratar as coisas como elas são. Todos estão debaixo do mesmo sistema, é claro, mas nem por isso serei tapete de medíocre algum que queira se projetar (ou se iluda que o fará) nas minhas costas.


Raniery
raniery.monteiro@gmail.com