quarta-feira, 20 de abril de 2011

Competição e ambição = assédio moral


O psicólogo, advogado e professor da Unicamp e da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Roberto Heloani, fez um ligação entre  assédio moral e os ambientes de trabalho competitivos em que é cotidiano o cumprimento de  horas extras. “O assédio moral é  uma consequência natural desse ambiente. É praticamente impossível não ter processos de humilhações num local de trabalho em que as pessoas são vistas como coisas”, disse Heloani.

Não é de hoje que somos estimulados pelo sistema a competir com nosso semelhante em nome da produção e de promoções.

Não nos enganemos, somos peças da engrenagem de uma máquina chamada capitalismo que não tem alma e nem coração, apenas muita fome: de dinheiro, obviamente.

Ora, e por que é que temos que ser competitivos e ambiciosos? Para sermos promovidos e ascender na empresa, ué? É-nos dito. Aí ficaremos tão ricos como o dono do capital. Não, não... Isso não pode! Falam-nos.

Acontece que para que um se torne rico é preciso que muitos suem a camisa, se matem, assediem moralmente se preciso for, para que isso ocorra. Afinal de contas o capitalista é merecedor de que façamos isso por ele.

Veja só, você. Sabe toda aquela estrutura hierárquica que as empresas criam para estimular o camarada, que entra nela ainda novinho e trezentos anos depois, quando só resta uma carcaça, chega lá no topo? Pois é! Ela existe somente pra isso mesmo, ou seja, manter o camarada se matando e matando outros na ilusão que vai ser como o dono do capital. Quando ele chega lá, descobre que não é nada disso e o tempo já passou. Isso, quando não chega a “gostosa” e percorre o mesmo caminho em somente quatro meses de empresa.

O mais irônico é ver aqueles chefinhos ou subalternos servis que acham que serão como o proprietário, acreditando que ele lhes entregará a empresa para que seja sua; daí pintam e bordam em cima das pessoas, comentendo todo tipo de maldade e injustiça, com isso em mente.

No sistema capitalista existem dois tipos de pessoas: o detentor do capital, que quer o lucro e o trouxa que faz com que isso aconteça pra ele. Só que isso é muita informação pra um sacana saber, não é? Quem é servil, não tem massa encefálica pra saber disso, e, se dispõe a fazer o jogo sujo do patrão.

Vamos acordar e tratar as coisas como elas são. Todos estão debaixo do mesmo sistema, é claro, mas nem por isso serei tapete de medíocre algum que queira se projetar (ou se iluda que o fará) nas minhas costas.


Raniery
raniery.monteiro@gmail.com