terça-feira, 12 de abril de 2011

Cautela e canja de galinha...


Segundo a doutora em psiquiatria forense pela USP Hilda Morana, uma pessoa como Wellington Menezes de Oliveira, que assassinou 12 adolescentes no Rio de Janeiro, não é louca, mas apresenta uma falha de desenvolvimento cerebral na parte que corresponde ao caráter.

Um transtorno de personalidade, de acordo com a médica, não vem da criação dos pais nem da educação que o indivíduo recebe. Essa condição é herdada.

A especialista diferenciou, ainda, uma criança levada de uma hiperativa que precisa de acompanhamento e tratamento constante. Hilda disse que todos os psicopatas que já analisou foram hiperativos na infância, mas o contrário não é regra.

Criminosos tendem a repetir maldades que viram em filmes ou videogames, por exemplo. Eles não têm o limite vital, que é o respeito ao outro, explicou a médica. Quem se mata depois de assassinar alguém é porque se acovarda ao não conseguir conviver com esse fato. Já o que tenta fugir ou se esconder está em busca de excitação e demonstra uma maior alteração de caráter.

Além disso, Hilda afirmou que os psicopatas têm plena noção do que é certo e errado, porque o defeito não está no intelecto, mas no caráter. A pessoa com transtorno grave de personalidade deve saber que o fim dela, provavelmente, será no cemitério ou na cadeia.

Por fim, a psiquiatra destacou que ninguém normal vira psicopata, mas já nasce assim. Desde criança, o adulto certamente demonstrava comportamento de risco, mentiras, egoísmo e agressividade.

Portanto, baseados na afirmação de uma especialista o que nos resta é ficar atentos ao comportamento das pessoas, não numa paranóia, mas em cautela, seria o termo adequado, aliás, para com toda e qualquer pessoa, diga- se.

Todos os dias nós vemos pessoas que agem de forma displicente para com a própria vida, se expondo desnecessariamente, principalmente nas redes sociais. Se estivéssemos falando somente de adolescentes, poderíamos apontar a inexperiência natural da idade como fator da desatenção ao perigo, mas são inúmeros os casos de pessoas com, digamos, certa bagagem de vida, simplesmente abrindo as portas para o risco sem se dar ao trabalho de tomar o mínimo cuidado consigo.

No caso do maníaco, mesmo com alguns indícios como timidez exarcebada, “jeito esquisito”, certa excentricidade não foi suficiente para que as pessoas obtivessem qualquer leitura do real teor de sua personalidade, quem dirá, então, daqueles casos onde o camarada é carismático, envolvente, dissimula de forma profissional, tem alguma posição de destaque que leve às falsas conclusões? Aí a coisa toma contornos de tragédia, dramas e tortura prolongados.

Não é preciso se enclausurar dentro de casa para se proteger, nem deixar de se relacionar com as pessoas por conta do pânico e do medo, mas, convenhamos, alguns cuidados não farão mal a ninguém, ao contrário até.

Mas, perceba você que, algumas pessoas que estudaram com o maníaco, em entrevista na TV, alegaram que zombavam dele nos tempos de ensino médio, ou seja, praticavam o bullying, principalmente as meninas: no mínimo curioso; de qualquer forma temos visto certas reações violentas por parte de quem sofre desse mal, aonde a pessoa chega ao ponto da saturação e já não mais consegue se conter.

Penso eu que, se dificilmente conseguiremos detectar tão facilmente algum desajustado somente de olhar ou conviver em algum ambiente, como escola ou trabalho, não seria inteligente, moral e ético que não praticássemos mal algum a ninguém? Nem precisa ser por uma questão de consciência: vai saber se aquela pessoa desequilibrada, ou pior, sociopática, ali na frente não se voltará contra aquele que a agride moralmente!

Pois é, gato escaldado tem medo de água fria- e se protege.


Raniery
raniery.monteiro@gmail.com
@mentesalertas