terça-feira, 6 de agosto de 2013

Cuecão de Couro?


Se a vida imita a arte eu não sei, mas em 1994, na comédia pastelão Ace Ventura Detetive de animais, a vilã Tenente Winky no final da trama é desmascarada e ...bem, assista ao filme. De qualquer forma, tão surpreendente quanto a inusitada cena foi a confissão de um Seal americano através de uma rede social- ele trocou sua foto em seu perfil pela de uma mulher alta, morena, com uma blusa branca, sorrindo diante de uma bandeira americana. E escreveu: "Tiro agora todos os meus disfarces e mostro ao mundo minha verdadeira identidade como mulher".

Chris Beck trabalhou 20 anos no Navy Seals, um comando especial da Marinha dos EUA que frequentemente faz operações secretas em territórios inimigos. Mas ao longo desse período o oficial guardava um segredo pessoal: desde a infância, ele sentia que era uma mulher nascida em um corpo masculino.

Quem imaginária nos seus mais loucos sonhos que um camarada machão como esse escondia uma princesa desesperada por carinho e atenção a espera de seu príncipe encantado? De qualquer forma vale destacar a coragem para assumir sua orientação sexual mesmo sabendo das repercussões que viriam.

Da mesma forma que Chris, ou melhor, Kristin, há assediadores morais que escondem um outro lado que ninguém imagina, o que explicaria, por exemplo, a sua determinação em perseguir empregados homens- é o que algumas teorias dizem segundo seus pesquisadores, entre eles-  Marie-France Hirigoyen, hoje, entre as maiores autoridades no assunto.

A única coisa que me deixa confuso nisso é se a figura jurídica não seria outra: assédio sexual. De qualquer forma tanto uma quanto a outra encontram enormes dificuldades em serem decodificadas, provadas e julgadas. Mas, o assunto dá pano pra manga.

Eu já imagino os debates que serão deflagrados depois que os assediadores do meu trabalho lerem esta postagem  já que estaria sendo expostos em seu segredo mais íntimo entre tantos outros que escondem a sete chaves. Aliás, queria agradecê-los por serem meus leitores e audiência fiel por aqui. Eles e seus agentes secretos.

Feito o registro, continuemos. Pense por um momento, ainda mais se você for um machão conquistador: você ficaria na cola de outro homem por um tempo prolongado, ou iria querer gastar sua energia em conquistas amorosas com as mulheres? Afinal, héteros não curtem muito ficar no cangote de homem, ou não é?

“AH!” Diriam, seus puxa sacos mais fiéis: “não tem nada a ver, pois o chefinho lindo tem aquela moça que namora com ele tanto tempo, desde que ela passou no concurso?! Fora sua mulher, como explicar isso, então?” Fácil. Pergunte a quem se escondeu por anos se não fez a mesma coisa ou você pensa que o mariner americano não era o comedor?

Veja que por onde houver um chefe patife, sempre transitará um subserviente desejoso de agradá-lo e, por isso mesmo, argumentarião que ele é um machão que está em um cargo de poder, e por isso, é assim, autoritário. Pois, é! Eu lhes digo: mais machão que um mariner? Impossível. Mais poder que eles possuem, já que têm a vida de pessoas em suas mãos sendo especialistas em matar? Parece que isso não fora suficiente para conter a vontade do cidadão americano em usar cuecão de couro, né?

Segundo os estudos o que de fato apontaria uma homossexualidade inconsciente seria estas pessoas manifestarem uma insegurança (de sua masculinidade) diante de seus subordinados e apresentariam uma certa atração pelos mesmos, daí ficarem no seu encalço para chamar-lhes a atenção, o que no fundo refletiria um desejo de serem aceitos por estes ao mesmo tempo em que repudiam sua natural rejeição. A psicanálise apresenta algumas teorias como abuso sexual na infância, ausência do pai, autoritarismo da mãe etc. 

De fato, o que se tem de certeza é que pessoas assim apresentam algum problema não resolvido, que pode estar explodindo numa sexualidade reprimida e que, por algum motivo, descamba para um foco vivo que é a vítima de suas perseguições. Tem a ver com a mágoa por não ter o seu “amor” correspondido. Então, desesperados e com o coração aos pedaços, partem para a vingança, muitas vezes aos prantos, evidenciando um drama digno de novela mexicana. É claro que nunca farão isso diante dos outros, principalmente seus aduladores.

Seja como for, o assédio moral não deixa de ser um problema para quem é alvo de suas ações. E, seja pelo motivo que for, deve ser rechaçado. Já, quanto ao assediador, caso possua algum transtorno de conduta ou problema sexual não resolvido, que procure um profissional para ajudá-lo a se situar. 

Eu, particularmente sugeriria  que fizessem a mesma coisa que o soldado americano e saíssem do armário, assumindo sua orientação sexual, para poderem ser felizes de verdade e deixar de importunar os outros e; assim como o Kristin, largar a guerra e fazer amor. Não comigo, 
evidentemente.
Raniery



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