sexta-feira, 30 de março de 2012

Espertonatários

Viver em sociedade é uma experiência compartilhada e uma necessidade de todos- não há outra opção- e essas interações, obviamente, precisam ser reguladas. 

O que parece ser uma simples constatação, toma contornos sérios quando alguns membros ou grupos decidem violar os mecanismos de harmonia social, traduzidos em normas de comportamento, impostas à todos. Ao que parece vivemos um momento de crise institucional, e de caráter, sem precedentes.

Tanto faz se é aqui ou no Reino Unido, se na Europa ou na América: a coisa desandou. Mas, fica mais fácil e mais preciso falar de nossa realidade que de outras. E, nesse sentido, nada como ser brasileiro- povo esperto e criativo, e, por que não dizer empreendedor. Somos bons em muitas coisas, até naquilo que não deveríamos.

Recentemente ocorreram dois fatos comigo que me convenceram  de como as coisas estão fora de prumo.


Outro dia, um agente da CET, aqui de Santos, usou de toda a sua autoridade pública pra cometer um abuso. Multou-me utilizando-se do artifício de ser implícita a boa fé dos agentes estatais e da presunção de verdade de seus atos, mas com um detalhe: eu não cometi a infração imposta, mas o agente, incorreu em desvio de finalidade. Porém, lembrei-me de que as eleições estão aí e que a indústria de multas precisa atingir suas metas pra angariar fundos para que inescrupulosos se elejam ou se reelejam: é a democracia tupiniquim. Aliás, Santos está uma beleza nesse quesito. É assédio moral na guarda municipal, tortura de moradora de rua, mãe dando a luz no chão de pronto socorro, agente cidadã obrigada a não engravidar. E o salário, ó!

A outra situação, diz respeito a inserção de meu nome, de forma negativa, no banco de dados do Serasa, por uma empresa fantasma. Eu nem sabia que no além tinha isso. Chegou uma carta de notificação me informando que tenho um débito não honrado, datado de 2009, de um bar/ restaurante situado no bairro do Bom Retiro na rua Amazonas n 64. Insira esses dados no Google Earth e verá que não existe nada neste endereço, relacionado. Posteriormente descobri um segundo e simultâneo endereço, agora no bairro Monções, rua Jucucaim 154b. Uma informação consta na receita, outra no jucesp. Quando solicitado  o telefone pela operadora, esta declara que não foi autorizada a divulgar. 


O detalhe que me chama a atenção é que a empresa deve ser de um mundo paralelo ou do passado que atravessou um portal de espaço- tempo, pois o registro foi feito na primeira quinzena de março. Alguém deve estar de brincadeira nesse episódio, pois como uma empresa que não existe consegue um feito desses? Deve ter a ver com o nome dela: "Abundante"- tem abundância de endereços mesmo sendo invisível. Pesquisando, percebi que abundantes são as patifarias e as falcatruas, e, que este tipo de golpe vem dizimando a economia por meio de estelionatários que se multiplicam pelo país afora. 

Agora, perceba você, que tanto faz se é um "171" qualquer, que pratica estes ilícitos, ou agentes públicos que supostamente estariam a serviço da lei e da preservação da vida e ordem, pois no fim estamos reféns da ma fé.

Vale lembrar que a CET aqui da cidade está envolvida em um escândalo relacionado ao pátio de apreensão de veículos, mas o prefeito já disse que ela é vítima e não a responsável. Vai ver que sou eu, então, o culpado por isso; ou você, quem sabe. Se bem que lá no fundo somos mesmo, já que elegemos estas pessoas pra nos representar e recebemos como resposta o abuso e o arbítrio.

Bom, pelo menos poderíamos dizer que os serviços prestados são efetivos, acredito. No meu caso, deve ser azar mesmo, já que a mais de um ano solicito providências ao setor de zoonoses em relação a uma situação de maus tratos de animais, sem, todavia, obter sucesso, já que até agora nenhum fiscal conseguiu levantar o traseiro de seu escritório pra verificar a denúncia; mas é compreensível: com o calorão que faz por aqui, seria pedir demais e desumano exigir que o funcionário público exercesse a sua função, pela qual é remunerado com o dinheiro público, e deixasse seu ar condicionado,  sozinho e ocioso, somente por causa de uma meia dúzia de animaizinhos, sem pedigree, que estão em estado de calamidade. Que insensibilidade a minha!

Não sei se você tem a mesma sensação que eu, mas é frustrante viver numa sociedade onde todo mundo é malandro e os demais são tidos como otários ou idiotas. Parece que optamos por dar vazão ao pior de nossa natureza ao mesmo tempo em que queremos o melhor do benefício de viver em grupo. O que acontece se todo mundo se achar o "espertalhão" e achar que pode passar o outro pra trás? Será que a anarquia tomará conta? "Não pode!": responderão os malandros; "pois, se não existir trouxas pra serem enganados,  como sobreviveremos, se não sabemos fazer as coisas de modo correto?" 

Diante de tais abusos, exercer a cidadania chega a ser um ato de fé. Bom, da próxima vez que ouvirmos sobre dinâmica social, se não nos empolgarmos mais, pelo menos, como consolo, saberemos se tratar de uma frase de efeito muito bonita, não é mesmo?

Pois é, na sociedade moderna tudo mudou: "pai mudou, mulher mudou, comunicação mudou, namoro mudou", mas os pilantras...não mexa nos meus pilantras!






Raniery
raniery.monteiro@gmail.com
@Mentesalertas

quarta-feira, 28 de março de 2012

Raízes podres

Lendo uma matéria sobre plantas exóticas e suas estratégias de sobrevivência chamou-me a atenção, uma em especial- a Flor-cadáver.

Essa flor tem como característica mimetizar o cheiro de peixe podre e corpos em decomposição, o que atrai hordas de moscas, besouros e baratas, os ditos bichos escrotos.

O cheiro podre, então, passa a ser uma espécie de arma de sedução da planta pra atrair polinizadores que serão usados por ela em seu objetivo maior: reproduzir.

Fascinados e cegos pelos seus próprios desejos e instintos, os insetos caem na armadilha hipnotizados pela oportunidade de farto alimento de fácil acesso; pelo menos é o que eles pensam, ou melhor, o que a planta os faz pensar.

De forma análoga podemos enxergar aí um paralelo interessante nos dramas diários da vida. Perversos ou antissociais adotam semelhante estratégia pra conseguir o que querem de pessoas manipuláveis. Produzem nas mentes capturadas a falsa sensação de que conseguirão conquistar uma grande oportunidade, daquelas que realmente é difícil de acreditar ou boas demais pra ser verdade.

Primeiro atraem e fascinam os insetos, quer dizer, pessoas subvernientes e com problemas de baixo estima ou amor próprio que rastejarão aos seus pés e serão seus objetos de uso descartável.

Depois, Atraídos por uma idéia de levar vantagem com essa aliança, acabam, na realidade, se tornando meros fantoches de manipulação que serão descartados tão logo tornem-se desnecessários ou apareça outra pessoa/objeto melhor.

O fato é que os " homens cadáver" da vida utilizarão de tais recursos com todo aquele que tiver em seu raio de ação e se deixe seduzir por falsas promessas ou pseudo visões de benefícios futuros. No começo, até parece que isso ocorrerá, mas à medida que há o aprofundamento da interação, enterra- se cada vez mais em um abismo sem fim, cujo resultado não será necessariamente o esperado, ou pior, resultará em transtornos e violações de direitos.

É interessante notar que o que atrai determinados insetos, é justamente o cheiro de podre. Da mesma forma há pessoas que sentem-se atraídas pelo ilícito e flertam com o perigo e acabam se envolvendo com toda sorte de crimes, fraudes e falcatruas- os chamados "esquemas".

Tal vulnerabilidade será explorada por um insidioso que saberá muito bem como tomar partido dessa falha de caráter usando-a contra o ingênuo inseto humano- pois é assim que são vistos pelos perversos.

Uma vez emulado e enredado, passa- se para o processo de desintegração da personalidade da pessoa que, a esta altura, não tem mais como sair das garras constritoras e pútreas do bastardo sem alma.

Qualquer tentativa de desvinculamento será prontamente  rechaçada  através de um bombardeio de chantagem e culpabilidade. O processo se dá pelo fato de, a esta altura do campeonato, a pessoa se encontrar nas mãos do chantagista que a lembrará de que é tão suja quanto ele pelo que fizeram de forma cúmplice. Nesse momento a pessoa passa a ser posse do miserável.

A boa notícia é que o "enlaçado", em determinado momento, tomará um chute no traseiro, mas não sem antes ter sido maculado de alguma forma.

Vejo isso ocorrer todos os dias sem que as pessoas aprendam a lição, o que me faz pensar se elas não possuem a mesma complexidade do sistema neural dos insetos, mas me convenço do contrário, já que até as baratas aprendem.

A ironia é que eu vi isso ocorrer justamente com quem foi o pivô de todo processo de assédio moral por que passo. O cidadão simplesmente foi descartado por seu "mentor" como se fosse esterco de porco. "Pintou", "bordou", ancorado pela falsa sensação de segurança que experimentou, pra depois cair em desgraça entre a maioria dos colegas de trabalho, ainda mais sendo o responsável pela demissão por justa causa de um outro colega, só ficando com ele àqueles que, igualmente, alimentam- se de merda como as moscas.

Essa flor me mostrou como processos de enredamento e sedução para o mal, funcionam na prática; além de conseguir entender também, o perigo que é se deixar fascinar por oportunidades virtuais sem substância real. A verdade é que uma vez que se entre no mundo de pessoas perversas ou convide- as a entrar em nossas vidas, sair não será nada fácil e o preço 
cobrado será caro.

O mestre já nos advertia a mais de dois mil anos atrás: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia. Assim também 
vós exteriormente
pareceis justos aos homens, mas interiormente estais 
cheios de hipocrisia 
e de iniqüidade” 
(Mt 23.27-28).



Raniery
raniery.monteiro@gmail.com

segunda-feira, 26 de março de 2012

Assédio moral: violência deprimente


DepressãoUm humor deprimido, perda de interesse ou prazer são os sintomas básicos de depressão. o trasntorno depressivo afeta 3% a 11% da população ao ano, exercendo considerável impacto econômico. infelizmente permanece sem diagnóstico e sem tratamento em 30% a 50% dos casos.


A depressão está inclusa no Bloco do CID-10 de Transtornos de Humor. Nestes transtornos a perturbação fundamental é uma alteração do humor, usualmente para depressão (com ou sem ansiedade associada) ou elação. Essa alteração do humor é normalmente acompanhada por uma alteração no nível global de atividade e a maioria dos outros sintomas é secundária ou facilmente compreendida no contexto de tais alterações. A maioria desses transtornos tende a ser recorrente e o início dos episódios individuais é frequentemente relacionado com eventos ou situações estressantes. Os sintomas mais comumente percebidos partem tanto de alterações fisiológicas quanto de mudanças de estados emocionais e cognitivos.


As pessoas, normalmente, experimentam uma ampla faixa de humores e têm repertório variado de expressões afetivas; elas sentem-se no controle, mais ou menos, de seus humores e afetos. Os transtornos de humor constituem um grupo de condições clínicas caracterizadas pela perda deste controle e de uma experiência subjetiva de grande sofrimento (Kaplan, Sadock, Grebb, 1997).


Os pacientes com humor elevado mostram expansividade, fuga de idéias, sono diminuído, auto-estima elevada, e idéias grandiosas. Os pacientes com humor deprimido têm perda de energia e interesse, sentimentos de culpa, dificuldades para concentrar-se, perda de apetite, pensamentos sobre morte e suicídio. Outros sinais e sintomas incluem alterações nos níveis de atividade, capacidades cognitivas, linguagem e funções vegetativas (sono, apetite, atividade sexual e outros ritmos biológicos). 


O termo transtorno, de acordo com a CID-10 é usado para indicar a existência de um conjunto de sintomas ou comportamentos clinicamente reconhecível associado a sofrimento e interferência com funções pessoais. Desvio ou conflito social sozinho, sem disfunção pessoal, não deve ser incluído em transtorno mental.


O Transtorno Depressivo Maior é um transtorno comum, com uma prevalência durante a vida de cerca de 15, talvez, até 25% em mulheres. O Transtorno Bipolar é menos comum que o Transtorno Depressivo Maior, com uma prevalência no período de vida de cerca de 1%, similar à esquizofrenia. Mas o curso do transtorno bipolar não é tão favorável quanto o de depressão; o custo do transtorno bipolar para os pacientes, suas familias e a sociedade é significativo. Enquanto a maioria das pessoas com transtorno bipolar acaba recebendo atendimento médico e tratamento, cerca de metade apenas das pessoas com transtorno depressivo chega a receber tratamento específico. 


Independentemente do país ou cultura, a prevalência de transtorno depressivo unipolar é duas vezes maior no sexo feminino. As razões para tal fenômeno ainda são desconhecidos e podem, segundo Kaplan, Sadock, Grebb (1997), está relacionado a diversos estresses, parto, modelos comportamentais de aprendizado e efeitos hormonais. 


No transtorno bipolar a prevalência é igual para homens e mulheres.  


A idade de início para o transtorno bipolar varia da infância (5 ou 6 anos) aos 50 anos ou mesmo depois (em casos raros), com idade média de 30 anos. 


A idade média de início para o transtorno depressivo é de 40 anos (50% dos pacientes têm um início entre 20 e 50 anos).


História da Depressão
A depressão tem sido registrada desde a Antiguidade. A história do Rey Saul, no Antigo Testamento, descreve uma síndrome depressiva, assim como a história do suicídio de Ajax, na Ilíada, de Homero. Cerca de 400 a.C. Hipócrates usou os termos "mania" e "melancolia"para perturbações mentais. Por volta do ano 30, Aulus Comelius Celsus descreveu a melancolia em seu trabalho De re medicine como uma depressão causada pela bile negra. O termo continuou a ser utilizado por outros autores médicos, incluindo Arateus, Galeno e Alexandre de Talles, no século VI. O médico judeu, Moses Maimonides, no século XII, considerou a melancolia como uma entidade patológica distinta. Em 1685, Bonet descreveu uma doença mental à qual chamou de maníaco-melancholicus.  (Kaplan, Sadock, Grebb, 1997)


Em 1864, Jules Falret descreveu uma condição chamada de folie circulaire, na qual os pacientes experimentam humores alternados de depressão e mania. 


Emil Kraepelin, em 1899 descreveu um psicose maníaco-depressiva que continha a maioria dos critérios usados atualmente pelos psiquiatras, para o estabelecimento do diagnóstico de Transtorno bipolar. 


EPISÓDIO DEPRESSIVO 
De acordo com o CID-10, no episódio depressivo o indivíduo sofre de perda de interesse e prazer e energia reduzida levando a uma fatigabilidade aumentada e atividade diminuída. Cansaço marcante após esforços leves é comum.  


Concentração e atenção reduzidas;
auto-estima e autoconfiança reduzidas;
idéias de culpa e inutilidade;
visões desoladas e pessimistas do futuro
idéias ou atos autolesivos ou suicídio;
sono perturbado;
apetite diminuído.
Em alguns casos, ansiedade, angústia e agitação motora são mais proeminentes do que a depressão. A mudança do humor pode ser mascarada por irritabilidade, consumo excessivo de alcool, comportamento histriônico, exacerbação de sintomas fóbicos ou obsessivos preexistentes ou por preocupações hipocondríacas. Para o diagnóstico é requerida uma duração de eplo menos duas semanas, mas períodos mais curtos podem ser razoáveis se os sintomas são inusualmente graves e de início rápido (Cid-10, 1993).


De acordo com o CID-10 a presença de demência ou retardo mental não exclui o diagnóstico de um episódio depressivo tratável. 


A CID-10 considera as seguintes subcategorias para episódio depressivo: episódio depressivo leve; episódio depressivo moderado; episódio depressivo grave sem sintomas psicóticos; episódio depressivo grave com sintomas psicótico.         


Episódio depressivo leve  


Presença de humor deprimido, perda de interesse e prazer e fatigabilidade aumentada mais pelo menos dois dos outros sintomas. Nenhum dos sintomas deve estar presente em grau intenso. A duração mínima é de duas semanas. No episódio leve o indivíduo está usualmente angustiado pelos sintomas e tem alguma dificuldade em continuar com o trabalho do dia-a-dia e atividades sociais, mas provavelmente não irá parar suas funções completamente.


Episódio depressivo moderado


Deve estar presente dois ou três sintomas mais típicos; e pelo menos três (preferencialmente quatro) dos outros sintomas. Duração mínima de duas semanas. O indivíduo terá dificuldade considerável de continuar as atividades sociais, laborais ou domésticas.


Episódio depressivo sem sintomas psicóticos


Angústia ou agitação considerável. Perda de auto-estima ou sentimento de inutilidade ou culpa, provavelmente são proeminentes e o suicídio é um perigo marcante. Todos os três sintomas típicos devem estar presentes e mais pelo menos quatro outros sintomas (alguns de intensidade grave). É improvável que o paciente seja capaz de continuar suas atividades sociais, laborais ou domésticas, exceto em uma extensão muito limitada.


Episódio depressivo grave com sintomas psicóticos


Além dos critérios para episódio depressivo grave sem sintomas psicóticos há a presença de delírios, alucinações ou estupor depressivo. Os delírios envolvem idéias de pecado, pobreza ou desastres iminentes, pelos quais o paciente pode assumir a responsabilidade. Alucinações auditivas ou olfativas são usualmente de vozes difamatórias ou acusativas, ou de sujeira apodrecida ou carne em decomposição. Retardo psicomotor grave pode evoluir para estupor. Delírios e alucinações podem ser especificados como humor-congruente ou humor-incongruente.


Estupor depressivo deve ser diferenciado da esquizofrenia catatônica, do estupor dissociativo e das formas orgânicas de estupor. 


TRANSTORNO DEPRESSIVO RECORRENTE
Segundo a CID-10 são episódios repetidos de depressão, sem história de episódios independentes de elevação do humor e hiperatividade que preencham os critérios para mania. Contudo a categoria deve ainda ser mantida se há evidência de breves elevações do humor e hiperatividade leve, os quais preencham os critérios para hipomania, imediatamente após um episódio depressivo (às vezes aparentemente precipitado pelo tratamento de uma depressão). 


A CID-10 reconhece ainda as seguintes subcategorias para transtorno depressivo recorrente: transtorno depressivo recorrente, episódio atual leve; transtorno depressivo recorrente, episódio atual moderado; transtorno depressivo recorrente, episódio atual grave sem sintomas psicóticos; transtorno depressivo recorrente, episódio atual grave com sintomas psicóticos; transtorno depressivo recorrente, atualmente em remissão; outros transtornos depressivos recorrentes; transtorno depressivo recorrente, não especificado.


Características Clínicas da Depressão
Um humor deprimido, perda de interesse ou prazer são os sintomas básicos de depressão. Os pacientes descrevem como sendo de dor emocional lancinante. Alguns queixam-se de serem incapazes de chorar. Cerca de 2/3 dos pacientes relata que pensa em se matar e 10 a 15% comete o suicídio. Entretanto os pacientes deprimidos, às vezes, parecem não estar conscientes da depressão e não se queixam de uma perturbação de humor, embora exibam retraimento da família, amigos e atividades que anteriormente lhe interessavam (Kaplan e Sadock, 1997).


Quase todos os pacientes queixam-se de uma diminuição da energia que resulta em dificuldade para terminar tarefas, comprometimento na escola e no trabalho e motivação diminuída para assumir novas tarefas.


Cerca de 80% dos pacientes queixam-se de problemas para dormirem, especialmente despertares nas primeiras horas da manhã e múltiplos despertares durante a noite, durante os quais rumina m sobre seus problemas. Muitos indivíduos têm perda de apetite e perda de peso. Alguns porém, têm aumento do apetite, ganho de peso e maior sono. A ansiedade é um sintoma comum, afetando 90% dos indivíduos com depressão (Kaplan, Sadock, 1997).


As variadas mudanças no consumo alimentar e repouso podem agravar doenças médicas coexistentes, como diabetes, hipertensão, doença pulmonar obstrutiva crônica e cardiopatia. Outros sintomas incluem anormalidades menstruais e diminuição do interesse e desempenho sexual.


Os sintomas cognitivos incluem relatos subjetivos de incapacidade para concentrarem-se e comprometimento do pensamento.


Em crianças, fobia à escola e apego excessivo aos pais podem ser sintomas depressivos. Um baixo rendimento na escola, abuso de substâncias comportamento anti-social, promiscuidade sexual, faltas injustificadas à escola e fugas de casa podem ser sintomas de depressão em adolescentes (Kaplan, Sadock, 1997).


A depressão é mais comum em idosos do que na população geral. Pode estar correlacionada com baixa situação socioeconômica, perda do cônjuge, doença física concomitante e isolamento social. 


Kaplan e sadock (1997) relatam que o retardo psicomotor generalizado é o sintoma mais comum, embora agitação psicomotora possa estar presente. A apresentação clássica de um paciente deprimido envolve uma postura curvada sem movimentos espontâneos e um olhar abatido e perdido. Quando exibem amplos sintomas de retardo psicomotor se assemelham à esquizofrenia catatônica. Muitas pessoas deprimidas apresentam uma redução da velocidade e intensidade da fala, respondendo com monossílabos, quando perguntados, e demorando para responder. Com freqüência ocorre concentração comprometida e esquecimento.


Têm risco aumentado de suicídio à medida que começam a melhorar e recuperar a energia necessária para executarem e planejarem um suicídio (suicídio paradoxal). Kaplan e Sadock (1997) dizem que um erro clínico comum consite em em prescrever a um paciente deprimidouma grande quantidade de antidepressivos (especialmente antidepressivos tricíclicos). 


Diagnóstico diferencial da depressão
Muitos transtornos médicos e neurológicos e agentes farmacológicos podem produzir sintomas de depressão. Muitos pacientes com transtorno depressivo procuram um clínico geral com queixas somáticas. 


depressãoA investigação deve incluir testes das funções da tireóide e da adrenal. Qualquer droga que o paciente esteja usando deve ser considerada como um fator potencial de transtorno do humor. Drogas cardíacas e agentes anti-hipertensivos, antiepilépticos, drogas antiparkinsonianas, analgésicos, antibacterianos e antineoplásicos, estão geralmente associados com sintomas depressivos. 


Os problemas neurológicos mais comuns que se manifestam com sintomas depressivos são: a doença de Parkinson, doenças causadoras de demência, epilepsia, doenças cérebro-vascular e tumores.
Fonte: Depressão - Transtornos Psíquicos - Psicopatologia - Psicologado Artigos 


Leia mais:
Uma reflexão sobre a depressão
Quando o cérebro cai na fossa
Assédio moral e as doenças psicoemocionais
Ela, a depressão- por William Douglas Livro: Não sou a mulher- maravilha



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