sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Assédio Imoral


O assédio moral manifesta a personalidade da empresa que o adota como mecanismo de controle dos empregados. 

Fica evidente o total despreparo deste tipo de gestão (se é que se pode usar este termo) que não consegue conduzir o grupo por sua crônica falta de moral, e, então, manifesta insegurança diante de seus subordinados, daí seu constante estado de defesa que o faz atacar motivado por uma paranóia que o consome. 

É óbvio que estamos falando de grupos de pessoas heterogênias que possuem características e personalidades próprias e que se comunicam e se manifestam, isto é, reagem ao seu meio, de forma igualmente específica. É daí que se utiliza o termo subjetividade para descrever as relações humanas em todos os níveis, entre eles, os corporativos.

Em ambientes perversos infestados de tiraninhos fica claro que, ou se acata os absurdos de seus caprichos, ou atrairá a fúria infantil do contrariado chefezinho. Pronto, já temos o suficiente para iniciar um processo implacável de perseguição e humilhação com a intenção de punir o desaforado empregado que ousou questionar. A partir de agora o insubmisso saberá quem dá as cartas e terá que pedir demissão ou será demitido injustificadamente.

O trabalhador foi contratado para obedecer e não para pensar, são os discursos dos ditadorzinhos de plantão, afinal de contas, “quem pensam que são” para insinuar que o chefe erra, afinal seres tão superiores, com tantos anos de empresa são infalíveis e não podem ser questionados sob hipótese alguma, pois em sua evolução chegaram ao ponto máximo do perfeito.

Nesses ambientes, os cargos são cedidos por 
amizades, favores sexuais, servilismos, fraudes, corrupção e invariavelmente quase nunca por mérito. É razoável pensar então que qualquer um que tiver um mínimo de qualificação passa a ser uma ameaça ao incompetente. Diante disso é preciso que alguém faça o trabalho daqueles que não estão aptos para que não se chame a atenção para o fato. E, se houver negativa? Ora, pune-se de forma rigorosa para que sob coação e ameaça se consiga o que quer.  A conclusão é que determinados processos de terror psicológico estão ligados a fraudes.

Por tudo isso é que se diz que o assédio moral é um verdadeiro atentado contra a dignidade psíquica da pessoa humana caracterizado por condutas abusivas, de natureza psicológica, em muitos casos de forma repetitiva e prolongada até que a pessoa cesse qualquer resistência.

O agressor é um covarde por excelência e como não possui consciência não se constrange por isso e lança mão de todo tipo de ardil que desestabilize ou vulnerabilize o trabalhador que vê aos poucos sua autoestima demolir passando a fornecer as condições que justifiquem as mentiras que lhe são imputadas. Desmotivado acaba desistindo de fazer o que se deve, pois de qualquer forma será criticado e menosprezado. Isso permite que o agressor utilize seu desânimo contra ele. É a coisificação do ser humano.

Como o narcisismo é tão marcante quanto sua covardia, a união das duas falhas de caráter proporciona o surgimento de um ser que é a instabilidade encarnada. Não precisa ser muito esperto para deduzir que é impossível agradar o tal imperadorzinho desajustado. Desajuste este derivado talvez de modelos de administração ultrapassados e arcaicos que se esclerosaram com o tempo e que não traduzem novos modelos de eficiência atuais, sobretudo no competitivo mundo da atualidade. 

Chamo-lhe a atenção para o fato de que não estamos falando aqui de revolucionar o mundo gerencial e adotar medidas inovadoras como as que a Google ou o Facebook adotam, pois estaríamos falando de uma nova geração muito mais evoluída que tem uma visão muito mais avançada, mas somente de se adotar o bom senso e seguir aquilo que a própria Constituição determina para o direito de propriedade onde declara que as empresas têm uma função social e dentro deste contexto o direito ao trabalho digno. O que se está falando é de respeito mesmo ao ser humano e ás relações de trabalho. Sequer aqui se está pleiteando algo novo, muito pelo contrário, o que se quer é o simples, isto é uma relação de subordinação regulada por força de contrato onde os dois lados possuem direitos e deveres que se manifestam equilibradamente. 

Fica claro que o assédio moral não traduz uma circunstância de equilíbrio, mas de abuso onde o trabalhador que frente a empresa é hipossuficiente é a parte mais frágil dessa relação. Não há que se discutir do poder potestativo do empregador, mas este não se confunde com autorizamento para humilhar e pisotear sua força de trabalho. Ademais desconheço qualquer ambiente que se adote esta forma de motivação bizarra que obtenha resultados melhores do que outros que permitam o pleno desenvolvimento de seus profissionais.

Mas, como dito supra se em determinada empresa há a cultura do assédio moral, isto significa que é uma tradução da própria personalidade daquele local que então precisa sentir a força do Estado em ações ou denúncias que os obrigue se
O Líder
ajustar.
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Raniery


raniery.monteiro@gmail.com


terça-feira, 27 de novembro de 2012

Forças ocultas


O homem que é um ser social por natureza. Só se completa e se desenvolve plenamente se puder manifestar todo o seu potencial livremente.

A liberdade é defendida em nossa Constituição como um direito fundamental. Seria óbvio o assunto se a história não demonstrasse cabalmente que é um direito ameaçadíssimo por inimigos da democracia e das liberdades individuais.

E o que é ser livre? É fazer o que quiser, quando quiser, de que forma pretender? Não, evidentemente. O que se fala aqui é de uma porção de liberdade ou liberdade compartilhada, isto é, responsável e responsabilizável. Não podemos fazer tudo o que nos dá na telha, pois estaríamos lesando direito alheio protegido pela mesma Constituição. 

Voltando à liberdade humana; esta pressupõe diversidade de opiniões, pensamentos, ideais, vontades, gostos etc. Ser livre para ter a religião que quiser seguir a carreira que escolher se entreterr da forma que achar bem, optar pela escolha sexual que achar melhor, tudo dentro de uma zona parcial que não invada a do outro.

Este é o ideal a ser perseguido pela sociedade. Não é a realidade, evidentemente, mas é o norte ou o parâmetro que permite que os elementos de uma mesma sociedade busquem para que todos tenham as mesmas oportunidades, afinal, para o Estado e para a lei, todos são iguais em direitos e deveres. 

A palavra igual me faz pensar em duas outras: equilíbrio e comparação. Olho para o lado e vejo meu semelhante e minha consciência me diz que somos iguais, afinal é meu semelhante. Ora, se somos parecidos na maioria das coisas isto me diz que ele não é melhor ou pior, é...igual. Logo, há um equilíbrio. 

Acontece que existem outros “iguais” que sentem extrema dificuldade de seguir esta lógica natural, pois, por algum processo anômalo, sua visão de mundo concluiu que são diferentes e superiores, portanto, detentores de uma espécie de poder que os permite acreditar que podem sobrepujar os demais e explorá-los como ferramentas, coisas ou objetos. Liberdades fundamentais são palavras ofensivas a eles e contrárias às suas ideologias, portanto um problema e tanto que os irrita sobremaneira.

Outra coisa que se convenceram é que tudo lhes pertence e nada é dos outros. Tenha a experiência de trabalhar em uma empresa pública que contenha grupos que se enclausuraram e se encrustaram e saberá o que estou dizendo. Para essas pessoas tudo o que fazem é legítimo e certo, por mais bizarro e absurdo que seja. Chegam a ficar indignados quando questionados por seus atos e explodem em ira, afinal estão tão acima para que alguém ouse os questionar.

Em ambientes assim, é comum existir uma energia densa, ruim e negativa. O local fica carregado e há um estorvo que se desenvolve internamente nas pessoas. Não há rendimento, satisfação, energia positiva, mas desânimo, inércia, falta de perspectiva etc. Daí concluir que esses grupos emitem uma névoa negativa que suga a vitalidade de todos e se alimenta dos sentimentos e emoções negativas num ciclo que parece não ter fim.

Se pensarmos que tudo está conectado a tudo e que um inconsciente coletivo se forma é razoável pensar que essas energias negativas acabam criando vida própria e de certa forma escravizando a todos no local para que a sirvam e a mantenha viva: é a chamada egrégora.

Perceba que começamos a discorrer sobre a liberdade reconhecida constitucionalmente, passamos par a uma forma de comportamento antissocial e acabamos numa energia espiritual vampira. O que parece conto da carochinha e sem sentido e nexo algum, pelo contrário, tem plena relação se levarmos em consideração as tais conexões quânticas. Lembre-se: o homem é um ser complexo que se desenvolve em inúmeras facetas e sua organização política é apenas uma delas. 

Aquilo que é imaterial também é parte desta natureza. Sua imaginação e seus pensamentos não são mensuráveis ou podem ser pesados em uma balança, mas estão lá, e determinam o que acontece no mundo. Da mesma forma há universos paralelos ao nosso que estão em contato conosco e que interagem para o bem ou para o mal. 

Por isso que se resignar com a crueldade e a perversidade e não resistir a ela é permitir sua instalação e domínio territorial que para ser expulsa demandará muito trabalho. Aliás, isto me lembra duma passagem bíblica da mitologia cristã onde os discípulos não conseguiam exorcizar os demônios de um rapaz. Vendo o fracasso de seu grupo, Jesus então disse que aquela casta não sairia dele senão por muito jejum e oração, isto é, a coisa iria demandar um esforço maior.

Basta saber que os inescrupulosos se organizam e usam suas inteligências para o mal de uma forma admirável que as pessoas de bem deveriam imitar. Pensar que um grupo instalado abrirá mão do território tomado apelando-se para suas consciências é de uma ingenuidade ímpar. O insidioso não tem consciência. Não aprende pela consciência. Desligou seus centros morais e, portanto, não cederá à razão e ao bom senso, pois sua lógica é inversa e antissocial. Não adianta abordá-los pela moral e consciência, mas pela razão. Pode-se dar pulos de raiva e indignação pelo que fazem, mas de nada adiantará. A objetividade é o meio de vencê-los. 

Estas forças sinistras são a energia que movem os tiranos mundo afora. A liberdade que é um bem inalienável deve ser conquistada e tomada a qualquer custo e todo tirano deve ser deposto. É sabido que para que isso ocorra há um preço a pagar. É isso ou a subjugação. Nisso, a primavera árabe pode ser uma lição á todos nós e nunca vou me esquecer do facínora Muammar Kadhafi em seu fim patético nas mãos dos guerrilheiros.

Portanto, poderia concluir 
aqui que liberdade anda
junto com resistência.

Leia também: Outras forças ocultas
Raniery


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Concurso público: a quem interessa?


Secos e Molhados
Quem tem consciência pra se ter coragem
Quem tem a força de saber que existe
E no centro da própria engrenagem
Inventa contra a mola que resiste
Quem não vacila mesmo derrotado
Quem já perdido nunca desespera
E envolto em tempestade, decepado
Entre os dentes segura a primavera

Concurso público como meio de ascensão social e profissional


Cabe ao Estado em sua organização como um dos poderes constituídos exercer suas atividades conforme organização elencada na carta magna. Entre suas atribuições está a de prestar determinados serviços que, aliás, toma para si como prerrogativas suas, ainda que transfira por outorga a terceiros.

Entre tantas atribuições está a de contratar seus servidores para que estes, então, atendam à sociedade conforme prescrições estritamente legais e pré-estabelecidas em leis e códigos específicos ainda que esparsos por todo ordenamento jurídico.

A procura pela carreira pública é sabidamente concorrida pelos benefícios que atraem aqueles que se preparam arduamente e se elegem para os cargos disponíveis. Iniciar um projeto de estudos voltado para conquistar um cargo público não é tarefa fácil e exigirá muito tempo em preparo, investimento em recursos como cursinhos, apostilas, etc, além de uma capacidade de perseverança considerável e capacidade para superar obstáculos. Dá para se dizer que é necessário possuir um perfil empreendedor para se obter o sucesso nesta empreitada, pois é como se fosse um investimento em um negócio.

Uma coisa é certa: aquele que assume o cargo possui qualificações de sobra e capacidade para servir a sociedade embasadas por exames duríssimos, atestados de tudo quanto é tipo- desde sua capacidade psicológica até índices de gordura em níveis praticamente de esportistas profissionais, fora as incontáveis certidões de idoneidade que precisa fornecer para que seja aprovado em todos os níveis, ou seja, não basta pontuar bem na prova há uma série de etapas que podem reprová-lo e ainda o período probatório que no caso dos funcionários públicos é de 3 anos.

O tempo médio para se passar em um concurso é de pelo menos três anos o que já dá para ter uma noção do quanto é complicado obter sucesso neste objetivo. Nesse intervalo acumula-se inúmeros insucessos até se obter a vitória final, ou seja, não é para pessoas indisciplinadas e presumi-se plena competência (capacidade) uma vez assumido o cargo. A conclusão é que a sociedade terá um agente que estará em plenas condições de fornecer um serviço de qualidade, no mínimo.
Concurso público uma boa opção para você
Prós e contras de se tornar funcionário público

O prejuízo direto que a corrupção causa na sociedade

Posto isto, a constatação do fator qualificador que o concurso público produz, isto é, o caráter meritório da assunção do cargo constata-se, então, que este tipo de procedimento é bom para a sociedade, pois atende aos requisitos que a Administração pública tem, entre o maior deles, de atender ao interesse público.

Já nos casos onde há fraude em concursos isto evidentemente não ocorre, mas ao contrário compromete todo e qualquer princípio constitucional e por consequência gerará prejuízo e dano a sociedade e ao cidadão na ponta final desta engrenagem. Sou eu, é você, somos todos nós que seremos afetados direta ou indiretamente, de uma forma ou de outra, por isso. Em resumo, mesmo que você não se inscreva em nenhum concurso, pois não tem interesse na carreira pública, ainda assim, este tipo de fraude em algum momento irá lhe afetar.

Quando agentes públicos violam os processos de ingresso no serviço público, impedindo concursos e colocando parentes em caráter precário, por exemplo, fica evidente que não haverá compromisso algum com o contribuinte e, portanto este acabará sendo afetado. Ora, quem pratica nepotismo vislumbra alguma vantagem que nesses casos é o enriquecimento ilícito.

O apadrinhado passará a exercer uma função de capataz voltado aos interesses do corrupto o que não é permitido conforme as diretrizes da Administração. Haverá aí uma inversão de papéis e com certeza o cidadão ficará de fora desta equação.

A improbidade administrativa e a lesão de direitos

O que se vê nestes casos é que se formam verdadeiras quadrilhas que tomam posse da coisa pública e desviam recursos que deveriam chegar à população causando prejuízos incalculáveis aos cofres públicos num ciclo nocivo com repercussões desastrosas. Todos sabem como isso afeta a educação, a saúde, a previdência e tantos outros serviços onde estes parasitas se infiltram. Não é o caso de que alguém está se dando bem e pronto, mas de outros tantos que estão sofrendo dano e prejuízos reais. Ademais o enriquecimento ilícito trás em si um caráter de desequilíbrio, pois quem dele se serve obviamente o faz através de artifícios e ardis em detrimento de todos aqueles que de forma honesta conseguem com inúmeros esforços atingir seus objetivos. A idéia por trás de suas ações se baseia no fato de muitos contribuírem para a satisfação do corrupto sendo passados para trás por sua desonestidade. Desconheço alguém que se contente com este papel: hospedeiro do parasita social.


Em relação ao servidor que de forma legítima assumiu sua função a coisa não é diferente, pois, salvo infelizes exceções, não se submeterá aos desmandos de bandidos de colarinho branco e inevitavelmente pagará um ônus por isso: o assédio moral. Um rapaz uma vez me mandou um e-mail relatando seu caso. Ele havia passado no concurso fazia poucos meses e estava sendo perseguido pela chefe do setor. Acontece que a mesma tinha um esquema onde terceiros eram contratados por licitação e ela ganhava por cada um que colocava lá dentro. Portanto, havia total oposição aos concursos e funcionários que assumiam seus cargos e ela fazia de tudo para que fossem demitidos ou se demitissem. Curiosamente acontece uma coisa parecida onde trabalho em relação a uma empresa terceirizada que se instalou por lá desde a idade da pedra.

Já defendi aqui inúmeras vezes que o assédio moral em órgãos ou empresas públicas pode ser apenas a decorrência de sujeira muito maior e que o servidor estava no “lugar errado na hora errada” e pagou o preço por isso. Na realidade atravessou o caminho do bandido sem ter culpa de nada. Ou, como dito acima, se recusou a participar das maracutáias e, então, precisava ser descartado para não atrapalhar os esquemas da quadrilha. Se tem uma coisa que apavora a bandidagem de fala e aparência bonita é o tormento de ser descoberto. Cada sombra que se projeta desperta sua paranóia e enchergam um cagoeta em cada esquina os entregando aos órgãos fiscalizadores como a CGU, MPF, Receita Federal etc. Incrivelmente, não confiam em ninguém, nem mesmo em seus cachorrinhos servis, mas pensando bem, como confiar em um puxa saco, não é mesmo! Se eu fosse um deles também não teria sossego já que na hora que “a casa cai” os aduladores os entregam imediatamente e mudam de lado com uma rapidez impressionante. Coitado do corrupto! 

Assediado, o servidor acaba adoecendo e se afasta de suas funções e aí as ratazanas sentem-se livres para se lambuzar na sujeira. Aliás, se tem uma coisa admirável na bandidagem é sua incrível capacidade de se agregar para o mal. Eles se unem de uma forma invejável e executam seus planos sórdidos que pode incluir a destruição dos indesejáveis. O cidadão/ cidadã de bem poderiam ser assim, mas infelizmente o medo é uma corrente que escraviza as pessoas de dentro para fora. 

Concurso público como forma de combate à corrupção

O concurso público, no fim das contas acaba sendo bom para dois lados, pelo menos: o lado do concurseiro que passa a ter uma carreira pública e oferece suas qualificações em prol da sociedade e para esta que o terá lá (na Administração) para atender ao interesse público; ao mesmo tempo, ao ocupar uma vaga, o servidor impede que um corrupto  se instale e acaba sendo uma espécie de detergente social, por assim dizer. A legitimidade e transparência impedem os corruptos e corruptores de ocuparem o espaço que não lhes pertence. Portanto, um servidor que ocupe sua função no cargo designado, por tabela, é um agente anti corrupção.

Conclusão:
A sociedade toda (mesmo sem se dar conta) tem interesse na contratação de servidor legitimamente nomeado, pois isso refletirá no atendimento que será dado conforme a lei determina e não violando princípios constitucionais como fazem os apadrinhados comprometidos com as quadrilhas que transformam a coisa pública em quartéis generais do crime organizado.
Raniery
Vídeo: Golpe transforma concursos públicos em cabides de emprego
Leia também: fraudes e corrupção no setor público

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Os covardes e seu repertório


Historicamente a mulher vem sendo discriminada em seu lugar na sociedade. Anos de lutas por seus direitos tem permitido avanços, mas é preciso fazer mais. 

Curiosamente é ela quem mais contribui, sobretudo nos dias atuais, para que o corpo social se complete. Todos sabem da dupla jornada, que estudam e se qualificam mais, exercem funções onde era domínio masculino e quebram tabus.

Mesmo com uma centena de qualidades a mulher ainda ganha menos exercendo a mesma função. Em ambientes controlados por homens precisa a todo instante provar o seu valor mesmo excedendo a soma de todos os machões de seu local de trabalho, enfim, é uma luta desigual e desequilibrada.

Não bastasse todos esses fatores estressantes ainda tem que lidar com o assédio sexual e moral desencadeados por covardes com problema de autoimagem que precisam forçar uma mulher a se submeter demonstrando sua incompetência ao lidar com o gênero feminino.

Segundo a Ministra Peduzzi -  o criminoso e covarde assédio sexual, “tem natureza vertical descendente, sempre ocorrerá de um superior em relação a um subordinado e acontecerá num ambiente de trabalho, por ter a ver com ele e significar exatamente uma moeda de troca, por isso o constrangimento. Se acontecer com um colega de trabalho, o empregado pode não aceitar, mas se depender daquele emprego para manter a família, irá pensar duas vezes em romper o vínculo. Então o assédio sexual sempre ocorrerá entre desiguais, do ponto de vista hierárquico. Em matéria de gênero, a maioria das vítimas é de mulheres, mas pode ocorrer de uma mulher em relação a um homem ou entre pessoas do mesmo sexo. O que o tipo penal identifica é a superioridade hierárquica do agressor, que é o que justamente causa o constrangimento e identifica o assédio sexual”.

A verdade é que tanto faz se o assédio é sexual ou moral, pois ambos derivam do abuso de quem está em posição de autoridade e se utiliza disso de forma covarde numa relação condicionada pelo desequilíbrio. 

Em relação à legalidade, o assédio sexual é crime-artigo 216 do Código Penal: constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função e determinou a pena, que é a detenção de 1 a 2 anos. Já o assédio moral ainda aguarda votação de inúmeros projetos que o criminaliza, mas nem por isso deixa-se de ser julgado segundo os princípios do Direito e por analogia.

Se o assédio com conotações sexuais é repulsivo também é repugnante quando é utilizado de forma invertida, isto é, pelo benefício que proporciona. Todos nós conhecemos casos de mulheres que se utilizam de seu poder de seduzir para se arrumar na vida.  Onde trabalho o assunto é pra lá de polêmico gerando inúmeros desconfortos, pois se pode falar, inclusive, em nepotismo.  O engraçado é que da mesma forma que conseguem se dar bem, essas moças, digamos dadas, são descartadas por outras após serem utilizadas como coisas por seus posseiros.

De qualquer maneira um profissional enfrenta inúmeros desafios pela vida. Veja que após anos de preparação e de se solidificar em uma carreira, muitas vezes ter que encarar tais situações degradantes, de forma direta ou indireta, é uma lição que não será ensinada nos bancos da faculdade, cursos de MBA ou pós-graduação.  Pense, se você não aceita tais comportamentos imorais pode se ver de frente de uma piriguete oportunista que o(a) colocará de escanteio utilizando seu jogo sujo como meio de conseguir o que quer. Mas, no caso delas não há de se falar em assédio sexual, mas consensual, se bem que isso pode ser um tiro no pé do machão conquistador, pois pode se ver numa emboscada daquelas promovida pela vigaristinha de plantão.

Seja qual for o tipo de assédio, não se pode aceitar ou se resignar com isso, mas expor o agressor de todas as formas (lícitas) e fazê-lo pagar pela lesão que cometeu, mas em hipótese alguma deixá-lo impune.
                       Assédio sexual nas relações de emprego
Raniery

raniery.monteiro@gmail.com




terça-feira, 13 de novembro de 2012

Eletrochoque na gestão


Choque de Gestão nada mais é como uma forma de controle orçamentário para que se atinja maiores ganhos de produtividade com redução das despesas e eliminação do desperdício, melhor aplicação dos recursos do Governo e aumentando os benefícios para os cidadãos. Projetos semelhantes já foram implementados em diversas companhias de peso e atuantes no cenário nacional. 

Os benefícios qualitativos que se esperam com a implementação efetiva dessas ferramentas, são: Melhor utilização dos recursos governamentais; Redução dos desperdícios; Melhoria dos serviços; Estabelecimento de metas de despesas atingíveis; Formação de especialistas em cada tipo de despesa; Avaliação do desempenho de consumo dos gastos das diversas áreas, etc. 

Não é de hoje que eu chamo a atenção para a relação assédio moral e corrupção como um dos fatores que alimenta este tipo de violência, sobretudo no serviço público que é o meu caso. Não que nas empresas privadas não ocorra a mesma coisa, mas ali o nome que se dá é fraude, já na administração pública, improbidade.

Lendo uma matéria que trata sobre as melhorias que se fazem necessárias no setor portuário me deparei com a constatação, óbvia, sobre a necessidade de modernização das arcaicas estruturas portuárias, como a das Companhias Docas que rotineiramente aponto aqui como um dentre tantos elementos que descambam em situações que propiciam a prática odiosa do assédio psicológico. Lembro-me até de ter feito uma postagem com o título chefias arcaicas onde constato esta realidade. Aliás, como diz o ditado: pior cego é aquele que não quer ver.

Perceba que o que é apontado como um mecanismo prejudicial, é encarado pelos grupos que se apossaram da coisa pública como esperteza e benefício. Acontece que o parasita não se dá conta que é exatamente a esperteza dele que levará ao esgotamento e fragilidade do corpo, o que desencadeará uma reação, no primeiro momento pra livrar o corpo do parasita e no segundo, se nada puder ser feito, o corpo entrará em colapso e de qualquer forma o parasita perecerá, lógico que levando todos os outros com ele.

Eu não sei se este choque de gestão que chegará por aqui será bom ou ruim para os servidores públicos, mas sei que é algo necessário, pois é desanimador ir todos os dias trabalhar e ver como pessoas perversas se instalam e sugam a empresa, e, constatar que estou vendo ao vivo um mal que assola o país desde sua fundação, como se fosse um câncer que nunca acaba, ou uma doença crônica que nem mata e nem permite que o corpo ande em sua plena forma.

O que me pergunto é, como que todas as outras pessoas achavam que isso não iria ocorrer e se eximiram, ou se acovardaram e agora podem pagar por isso. Quantas vezes ouvi sermões de pseudomoralistas de que eu é que estava errado, pois “se todo mundo faz porque não fazer junto também” e que não adiantava nada brigar, pois de nada adiantaria. E agora...está ai a realidade, pelo menos a constatação daquilo que claramente estava errado e na contramão de tudo que se está fazendo atualmente no mundo. Tem hora que falar óbvio soa como loucura e você passa a ser ridicularizado.

Mas, basta uma simples palavra para identificar que tudo que se faz por aqui não anda nos conformes: capitalismo. Ora, é sabido que o capitalismo se pauta pela eficiência e corte de custos e que não tolera parasitas aos montes grudados nele. Nem é preciso ser gênio para saber disso, mas eles, não! Afinal de contas, são os mais espertos, os bandidões. Incrível!

A verdade é que o país e os cidadãos(ãs) não aguentam mais essa perniciosidade em seu meio. Ninguém tolera mais os discursos vazios de determinados políticos para explicar as mazelas que estão à vista de todos causadas por facínoras inescrupulosos capazes de qualquer coisa para enriquecer ilicitamente, pois não são competentes para o fazer por seus próprios braços. Enquanto inúmeros empreendedores se esforçam para manter negócios que produzem frutos para a sociedade não somente pelos empregos que ofertam, um bando de miseráveis solapa e onera os cofres públicos. Mesmo assim, a sociedade ainda está letárgica e sonolenta. Tem hora que não dá para ficar só nas palavras, mas é preciso ação, arregaçar as mangas, e reagir.

De qualquer forma já me dou por satisfeito pela constatação e propositura de solução que se ventila e não tenho o menor medo do que possa vir, pois tudo que consegui até hoje na vida foi por meu próprio esforço e nas maiores adversidades pelas quais passei me mantive em pé e não me entreguei sendo que meus esforços foram coroados. Por conta disso, tenho certeza que o divino esteve comigo o tempo todo e não me abandonou colocando seus guardiães à minha disposição e conforme a minha fé.

Para encerrar, posso dizer com orgulho que o meu andar é com a cabeça erguida, meu olhar é firme para frente e não me preocupo com que está atrás ou pelos lados, pois não devo nada a ninguém e muito menos estou nas mãos de quem quer que seja.

Raniery

raniery.monteiro@gmail.com


sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Doce lucro, amargo meio!


Rapadura é doce, mas não é mole não!

O sistema econômico brasileiro em seus primórdios baseou-se na cultura de cana de açúcar utilizando mão de obra escrava. Ao redor dos engenhos apareciam verdadeiras cidades e comunidades inteiras passavam a depender deste tipo de lavoura.

Eram os escravos que forneciam a mão de obra necessária para que este tipo de empreendimento desse certo e sem eles as coisas não seriam as mesmas. Esses trabalhadores (homens, mulheres, crianças, idosos) eram tratados como coisas, posses, ferramentas ou peças como eram chamados.

Posteriormente foram os colonos e na sequência os migrantes que passavam, então, a viver em subcondições e, com a mecanização da lavoura evidenciada pelo progresso, foram aos poucos sendo descartados- sendo substituídos por máquinas muito mais eficientes e com menor custo.

Sistema capitalista e o assédio moral

Perceba que a coisificação do ser humano não é novidade e com a ascensão do capitalismo, isso não mudou, ao contrário é um pressuposto, já se tornou um concentrador de renda e produtor de exclusão social. Aqui é o caso em que para um ter muito, muitos trabalham para ele, ganhando muito pouco, e, desta forma, o abismo social se evidencia.

Vários modelos de administração foram propostos, mas todos não se afastam destas premissas. Dessa forma, o trabalhador é encarado como um meio e não como ser humano na plenitude de sua natureza. É visto, como uma peça; Substituível; corte de custos, enfim, apenas uma forma de se atingir o lucro pretendido.

Ocorre que, com esse pensamento, surge uma frieza formal que permite que situações de perversidade e crueldade sejam entendidas como coisa normal e parte da relação contratual. Qualquer resistência a esse modelo é imediatamente sufocada com intimidações e ameaças e o trabalhador passa, então, por processos humilhantes de degradação de sua condição e direito ao trabalho.

Como coisas que são (segundo o sistema) os trabalhadores que não aceitarem estas “regras” sofrerão o assédio moral que tem como objetivo forçá-los a abandonar seus empregos e assim não gerar maiores custos de ordem social para as empresas. Estas os contratam para que produzam ao máximo. E quando já as sugaram até seu ponto de saturação são descartados como se nada fossem mesmo com anos de dedicação.

O cachorro pode lamber o pé do dono, mas não se tornará filho dele

É importante notar que o dono do capital não divide com outros sua posição numa relação de poder, sobretudo, econômica. Ora, sendo isto verdade, é razoável crer que nenhum outro, ou apenas alguns poucos, terão a mesma condição que ele, pois sua lógica não se processa desta forma. Sabe-se que o capitalismo não é afeto a valores e princípios de ordem moral ou escrupulosa, muito mais próximo de condições propícias à corrupção, fraudes e esquemas, pois neste universo os fins justificam os meios e a ética não se casa muito bem dentro destes contextos.

Em determinadas empresas, por exemplo, gestores contratam terceiros como mecanismos de corte de custos, mas que na realidade funcionam como forma de enriquecimento ilícito. Com contratos superfaturados e camuflados em seus controles contábeis e fiscais o corrupto embolsa determinados valores e força seus subordinados a trabalhar dobrado para cobrir o número real de terceiros que ficou escondido pela fraude. É o mesmo processo importado das empresas e órgãos públicos nas licitações fraudulentas. A implicação imediata disso é que o trabalhador sobrecarregado que se rebelar será esmagado e expulso da empresa via ações igualmente forjadas para encobrir a realidade.

Hobbes e o homem como lobo do homem

Em “O leviatã” Thomas Hobbes já teorizava que os homens em seu estado natural (instintivo) são lobos de si próprios, isto é, se devoram e se destroem, mas, no momento em que tomaram consciência de sua sociabilidade passam a estabelecer um contrato social regulado pelo Estado ao qual entregam parte de sua liberdade.

Acontece que esse lado, digamos mais instintivo, de certos homens, sobretudo motivados pela ganância ainda hoje torna atuais as ideias do contratualista. Basta consultar os bancos de dados jurídicos para constatar a quantidade de ações decorrentes de assédio moral para constatar que os abusos acontecem todos os dias.

Não obstante as demandas de processos no judiciário trabalhista, certos empresários ainda insistem em manter este tipo de relação antiética em suas empresas que por serem os seus criadores pressupõem poder absoluto e que estão acima das leis exatamente como pensavam os senhores de engenho do Brasil colônia. Tocam seus negócios pela lei da chibata e quem quiser que se adeque ou senão, rua! Subestimam as pessoas e seus direitos à ação amparada constitucionalmente. Nestes ambientes não há programas preventivos ou educacionais para correção da situação, ou, quando há, torna-se mera formalidade como no caso da empresa pública em que trabalho.

Verdade é que de nada adianta cursos de MBA ou campanhas motivacionais alegarem um novo modelo de gestão se na prática o que se vê é o bom e velho capitalismo predatório em ação. Um tipo de capitalismo que promove o assédio moral já que só se importa com o lucro e não com a dignidade da pessoa humana, logo, estabelece relações desiguais sendo necessária a intervenção do Estado juiz para restabelecer o equilíbrio.  
   
Conclusão

Ao longo dos tempos homens e mulheres de todas as eras tiveram que lutar contra os arbítrios de tiranos que buscavam no controle do outro o estabelecimento de seu poder. Isso ainda não acabou, portanto, se faz necessário que o poder de resistência de cada cidadão(ã) se revigore e se manifeste contra a perversidade e crueldade, pois, nas sombras e tocas 
somente as presas vulneráveis é que
se encontram.
Raniery

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