quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Humanidades

Que todos nós somos uma coisa na frente dos outros, e outra quando estamos sós, a psicologia já demonstrou a muito tempo. Basta observar nas redes sociais: todo mundo é legal e quer parecer desse jeito. Ninguém tem defeito, somos todos corajosos, cidadãos, engajados, amigos etc, mas basta dar licença ao mundo virtual e cair no real que as coisas se mostram como são.

Como mecanismo de defesa, o ego cria uma persona exterior falsa - uma máscara que ele apresenta ao mundo exterior como se fosse real, mas que na verdade esconde a verdadeira natureza do indivíduo.

Renato Russo já dizia em suas canções: “O senhor da guerra não gosta de crianças e a humanidade é desumana e é só o amor que conhece o que é a verdade”

Mas, veja você a que ponto chega quando aquilo que era pra ser somente um mecanismo de sobrevivência se transforma em um mecanismo de monstruosidade ou uma distorção desproporcional desse importante instinto.

Um menino chinês de seis anos foi drogado e teve os globos oculares extirpados para um suposto tráfico de órgãos, um crime selvagem que provocou uma onda de indignação no país.


Os casos relatados são de uma crueldade sem paralelo, ainda mais, em se tratando de crianças, mas isso não é novidade, pois historicamente os infanticídios ocorrem e ao que parece acompanham e mancham nossa humanidade. 

Quando tomamos ciência de coisas assim, ficamos horrorizados e nos perguntamos como alguém poderia ser capaz de tais atos hediondos. Perceba que é preciso uma frieza fora do comum, total falta de escrúpulos e um alto índice de crueldade/ perversidade para produzir tais crimes. É preciso romper com todo e qualquer laço de moral, emoção/sentimento para ser capaz de maltratar uma criancinha inocente.

Isso acontece quando rompemos com nossos laços evolucionários e agimos de forma egocêntrica e anti-social. Se os casos narrados nos deixam perplexos em relação a natureza humana, por outro lado, revelam que quando se nada contra a maré evolucionária, isto é, a capacidade de socialização, coisas do tipo acontecem. E não é preciso chegar aos requintes de crueldade acima descritos. Basta que consideremos determinadas possibilidades de romper com a ordem natural das coisas, para que todo tipo de dano ocorra, seja leve, médio, ou mesmo grave, como o de crimes bárbaros. É uma questão de consciência.

Já que tocamos no assunto consciência, dia desses li um post que despertou minha curiosidade sobre uma história com um nome diferente realizada por um antropólogo que fez uma experiência numa tribo africana. Ele deixou um cesto de doces debaixo de uma árvore, chamou algumas crianças, e propôs uma corrida até as guloseimas - quem chegasse primeiro teria o direito de comê-las sozinho. Mas, para sua surpresa, quando deu a largada todas as crianças deram as mãos e saíram correndo em direção à arvore. Chegando lá, começaram a distribuir os doces entre si, e a comerem, contentes. O antropólogo, então, perguntou por que elas tinham ido todas juntas, se uma só poderia ter ficado com tudo e, assim, comeria muito mais doces.  E as crianças simplesmente responderam: Ubuntu, tio!. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?”

Ubuntu significa: Sou quem sou, porque somos todos nós

Ubuntu fala sobre a noção de comunidade que, infelizmente, muitos de nós perdemos pelo caminho, em algum momento. É aquele sentimento de solidariedade, gentileza, respeito, tolerância e pertencimento que faz das relações, atitudes e comportamentos humanos experiências ricas, únicas, transcendentais.

Para o arcebispo Desmond Tutu, prêmio Nobel da Paz, Ubuntu é um dos presentes da África ao resto do mundo. Envolve hospitalidade, cuidado com os outros, ser capaz de dar um passo a mais pelo bem dos outros. Acreditamos que uma pessoa é uma pessoa através de outras pessoas, que minha humanidade está vinculada indissoluvelmente à sua. Quando desumanizo você, inexoravelmente me desumanizo. O ser humano solitário é uma contradição. Em termos, portanto, trabalhe para o bem comum porque sua humanidade vem de sua própria condição de pertencer, diz ele.

Percebeu? Talvez seja difícil, já que somos programados desde cedo a sermos competitivos e a ganhar o primeiro lugar, sermos campeões, o número um. Fomos treinados para consumir e descartar, para ter, possuir e não compartilhar, dividir. Sendo assim, vale tudo para que consigamos atingir nossos objetivos e, nesse afã, nunca nos satisfazemos. Olhamos pro lado, e não ficamos felizes pelo outro que está prosperando, mas o invejamos e lhe desejamos o mal. Quando um revés o abate, logo ficamos eufóricos, pois assim nos projetamos, já que não conseguimos lidar com nossas distorções mandamos nossos demônios pessoais sobre o próximo culpabilizando-o por nossos fracassos.

Com esse sentimento relativizamos nossos atos e passamos a considerar possibilidades desonestas para pegar um atalho no meio do caminho e então,....possuir. Se for preciso, roubaremos; se houver oportunidade, fraudaremos; se nos permitirem, nos prostituiremos, desde que, consigamos aquela vantagem. Uma vez rompido os portões da ética e da moral nada nos impedirá de cometer qualquer ato ilícito ou desabonador. No caso do garotinho chinês, o monstro vislumbrou uma vantagem econômica em arrancar seus olhos e vender suas córneas a alguém que não é muito diferente  já que as comprou.

Guardada as devidas proporções, o que vemos em nossas realidades é um monte de gente fraca e débil que se vende a preço de banana violando a si mesmas e perdem sua capacidade de enxergar, pois foram entenebrecidas e consumidas pelos seus desejos tortuosos; passam a ser cegos que guiam outros cegos e como já disse o mestre: se a luz que está em ti são trevas, quão trevosos são os teus passos. 

Mas, nem tudo está perdido, pois ainda tem muita gente boa neste mundo, que oferece mais do que toma, que acaba sendo uma fonte inspiradora. Infelizmente, as pessoas de/do bem se escondem e permitem que os perversos ocupem seus espaços disseminando o mal no mundo. Não é o caso das pessoas abaixo:

Um projeto ainda em fase experimental em Santa Cruz do Sul, na Região do Vale do Rio Pardo, no Rio Grande do Sul, pretende reduzir a circulação de veículos com tração animal. O 'cavalo de lata', como vem sendo chamado, é instrumento de trabalho dos recicladores cooperativados do município. A estrutura metálica com carroceria para levar o lixo foi criada com a finalidade de acabar com a exploração dos animais e qualificar o trabalho dos catadores.

Já o outro caso é de uma daquelas pessoas que demonstram que não há problema que impeça alguém de conseguir o que quer na vida. Nataly é uma cadeirante, acadêmica de Direito e atleta paralímpica que representa o Brasil em competições de bocha. Só ela sabe a luta e os sacrifícios que enfrentou e ainda enfrenta na vida, mas nem um único dia eu vi essa moça deixar de sorrir. Pra quem acha que forte é quem pratica artes marciais, ou faz musculação, tente estar no lugar dela e ainda continuar firme e, sorrindo.

O terceiro é formado por um grupo de amigas que provam que o amor e a amizade é a mais poderosa fonte de energia do universo, pois se conheceram na adolescência, numa escola técnica, e até hoje mantêm uma sólida amizade que vence o tempo e a distância. Nem todas as fases da vida foram capazes de romper os laços que as unem.

Esses exemplos são muito mais fortes que qualquer outro de gente que optou por fazer o mal ao próximo. Com certeza, no Brasil e mundo afora, há muito mais gente boa que ruim, mas que deveriam arregaçar as mangas e tomar nas mãos este mundo que precisa tanto dos seus exemplos para tentarmos resgatar uma humanidade que parece se perdeu.
Raniery






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sábado, 24 de agosto de 2013

Covardes Desde Cedo

O Bullying é a versão infantil do assédio moral e, se, já se nasce psicopata não é menos verdade que uma natureza agressora acompanha a pessoa desde cedo.

Nesses dias fiquei indignado com o ponto em que a covardia chegou, pois se espalhou pelas redes sociais um vídeo de uma garota de 13 anos sendo espancada por outra maior que ela com a ajuda de um garoto. Um espetáculo dantesco de selvageria pura. Detalhe: a vítima sequer conhecia a agressora. Tudo não passa de uma armação dos agressores que escolhem alguém vulnerável, passam a espancá-lo para depois divulgar nas mesmas redes sociais e ganharem status de valentões.

Perceba que não estamos lidando com criancinhas inocentes que não sabem o que estão fazendo, ou que não discernem o certo do errado. São cruéis e perversos desde a tenra infância. O valentão não ataca alguém do seu tamanho, pois não pretende medir forças, afinal, é um covarde. O que quer é se impor aos tidos como mais fracos, ou que não da mesma índole que eles. Outra teoria, no caso do vídeo em questão, é de que a menina agressora sentiu-se inferiorizada pela beleza da menor, ou seu namoradinho olhou pra menina e, então, ela decidiu resolver a questão na base do tapa. Aliás, foi o tempo em que as princesinhas eram todas delicadas e femininas.

Caso recente, o do garoto que está sendo acusado de matar os pais Pms suscitou discussões acaloradas pelas mídias sociais e convencionais e as pessoas não admitiam a possibilidade de que o garoto fosse o responsável pelo bárbaro crime baseadas em falsos argumentos de uma realidade que a tempos não existe mais. Aliás, será que um dia existiu? Chegaram a ponto de associar com outro crime ocorrido com um guarda civil metropolitano em que a família fora morta também pra isentar aquele que está no momento sendo apontado como autor segundo evidências preliminares.

Quem não sofreu bullying um dia, né? Ou, sofreu, ou praticou. Não tem nada de novo a não ser a dimensão das novas tecnologias. E o que se pensava que estava proporcionando uma segurança aos filhos, com a internet o mundo agora está dentro de sua casa.

Quando eu era adolescente sequer passava pela minha cabeça que alguém visse minha namorada nua, hoje, a menina achando que está agradando o namoradinho, peguete, ficaste, seja o que for, produz vídeo se masturbando, transando, etc. e manda pro bonitão que, então, divide com os amigos, que dividem com a escola toda e a moça cai em desgraça.

Nesta mesma idade eu era franzino e alvo fácil dos valentões que decidiam, então, se auto afirmar me importunando até o dia que dicidi dar um basta e entrei numa academia e comecei a treinar musculação e kickboxing. À medida que ia pegando corpo e me tornando efetivo nos golpes, proporcionalmente ia perdendo  contato com os valentões da época  que, estranhamente, começaram a querer ser meus amigos e mudaram abruptamente de comportamento tornando-se verdadeiros cordeirinhos. Naquele tempo, infelizmente, nossos pais não tinham muito tato pra lidar com a situação e se ocorresse alguma coisa na escola ainda tomávamos uma surra em casa, ou seja, vítima duas vezes. Na época aquela foi a solução que encontrei e que deu certo.

E se você que é preconceituoso pensa que o bullying é coisa exclusiva de gente suburbana, de escola pública abandonada pelo Estado, está muitíssimo enganado. Nas escolas particulares de ponta, caríssimas, cheia de alunos de classe média a alta acontece a mesma coisa e com o mesmo índice de crueldade. Nos clubes esportivos de futebol, natação, ginástica artística, seja qual for a modalidade, tem a coisa da competição. Um determinado garoto ou garota começa a despontar e passa a ameaçar seu concorrente direto. Este, então, traça um plano: coagir psicologicamente seu concorrente para que saia de seu caminho- um clássico, diga-se de passagem. E isso não é exclusividade de garotos, pois os marmanjões (quem sabe seus pais) fazem o mesmo no trabalho, afinal de contas todos querem ser o número um. E pra isso, os fins justificam os meios.

O que quero chamar a atenção aqui é para uma condição de nossa sociedade que incentiva a competição desde a fralda. Os pais projetam suas frustrações ou expectativas nos filhos, e, estes, que crescem sem limites, mimados, sem disciplina acabam achando que são senhores de si e do mundo e deflagram estes episódios grotescos de selvageria.

A sociedade está reagindo e acordando para um monte de situações que era omissa e passiva ultimamente; precisamos reagir também resgatando valores sociais importantes e repassar isso aos nossos filhos para que possamos construir uma sociedade dita mais justa.
Raniery




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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Mistérios S.A.

Quando não entendemos algo que presenciamos, ou que não encontramos uma explicação plausível dizemos que estamos diante de um mistério. Este, em geral, é dito como algo secreto, escondido, de significado ou causa oculta; algo que não se pode explicar, ou, um mistério. Este, em geral, é algo secreto, escondido, de significado ou causa oculta; algo que não podemos explicar, desconhecido, incompreensível- um enigma.

Acontece que se não conseguimos explicações para determinadas realidades da vida achamos tudo muito estranho, pois ficamos confusos. E coisas estranhas acontecem por todo lugar e na própria natureza. O exemplo disso nos é dado pela física quando explica o fenômeno da matéria estranha.

Matéria estranha é uma combinação de três tipos de quarks - um dos dois elementos básicos que constituem a matéria. A matéria estranha tem poder de transformar a matéria comum em strangelets que são pequenos fragmentos de matéria estranha. A matéria estranha é desconhecida para o ser humano (pois ele nunca o encontrou mas já provou que ela existe), está presente em algumas estrelas muito distantes da Terra, como por exemplo as estrelas de nêutrons e estrelas com força gravitacional gigantesca, que provavelmente criaria a matéria estranha.O contato da matéria estranha com a matéria comum ou qualquer outra tipo de matéria a transforma em matéria estranha através da agitação do interior dela, o resultado poderia ser nada ou, por exemplo, transformá-la numa espécie de...pudim. Toda e qualquer matéria transformada pela matéria estranha perde sua forma original e se torna uma coisa uniforme, ou seja, a matéria se mistura. Pela lógica, se uma quantidade mínima de matéria estranha fosse jogada na Terra, esta matéria seria capaz de destruir, ou melhor, transformar completamente o nosso planeta.

Aquilo que é misterioso definitivamente toma a nossa atenção, pois somos seres curiosos por essência. Isso me lembrou de um desenho animado que tem como tema principal exatamente o mistério. Scooby-Doo é um desenho animado americano produzido pela Hanna-Barbera, e criado no ano de 1969 por Iwao Takamoto. Constituído por um grupo de quatro adolescentes metidos a detetives Fred, Velma, Daphne e Salsicha, com um Dog Alemão falante chamado Scooby-Doo, que viajam numa van chamada Máquina do Mistério, e ajudam a investigar casos misteriosos. Visitam lugares inóspitos, casas mal-assombradas, parques abandonados, pântanos e ilhas, ameaçados por fantasmas, múmias, monstros e terríveis vilões.

Perceba que misterioso pode ser também tudo aquilo que pensamos que existe, mas que pode ser fruto do inconsciente coletivo ou de nossas próprias cabeças. E nessa idéia temos o folclore com suas lendas e mitos. 

Lendas  são narrativas transmitidas oralmente pelas pessoas com o objetivo de explicar acontecimentos misteriosos ou sobrenaturais. Para isso há uma mistura de fatos reais com imaginários. Misturam a história e a fantasia. 

Características de uma Lenda:

- Se utiliza da fantasia ou ficção, misturando-as com a realidade dos fatos.

- Faz parte da tradição oral, e vem sendo contada através dos tempos.

- Usam fatos reais e históricos para dar suporte às histórias, mas junto com eles envolvem a imaginação para “aumentar um ponto” na realidade.

- Fazem parte da realidade cultural de todos os povos.

- Assim como os mitos, fornecem explicações aos fatos que não são explicáveis pela ciência ou pela lógica. Essas explicações, porém, são mais facilmente aceitas, pois apesar de serem fruto da imaginação não são necessariamente sobrenaturais ou fantásticas.

- Sofrem alterações ao longo do tempo, por serem repassadas oralmente e receberem a impressão e interpretação daqueles que a propagam.

Mitos, por sua vez, são narrativas utilizadas pelos povos antigos para explicar fatos da realidade e fenômenos da natureza que não eram compreendidos por eles. Os mitos se utilizam de muita simbologia, personagens sobrenaturais, deuses e heróis. Todos estes componentes são misturados a fatos reais, características humanas e pessoas que realmente existiram. Um dos objetivos do mito é transmitir conhecimento e explicar fatos que a ciência ainda não havia explicado.

Características de um mito:

- Tem caráter explicativo ou simbólico.

- Relaciona-se com uma data ou com uma religião.

- Procura explicar as origens do mundo e do homem por meio de personagens sobrenaturais como deuses ou semi-deuses.

- Ao contrário da explicação filosófica, que se utiliza da argumentação lógica para explicar a realidade, o mito explica a realidade através de suas histórias sagradas, que não possuem nenhum tipo de embasamento para serem aceitas como verdades.

- Alguns acontecimentos históricos podem se tornar mitos, desde que as pessoas de determinada cultura agreguem uma simbologia que tornem o fato relevante para as suas vidas.

- Todas as culturas possuem seus mitos. Alguns assuntos, como a criação do mundo, são bases para vários mitos diferentes.

- Mito não é o mesmo que fábula, conto de fadas ou lenda.

Tudo isso me lembrou de uma música de uma banda de rock brasileira dos anos 70 que por si só era uma coisa estranha de se ver, mas que revolucionaram o meio naquela década. A banda chamava-se Secos & Molhados e a música chamava-se “O Vira” que descreve exatamente essa coisa do folclore, mistério e superstição.

A música, por sua vez, me remete ao comportamento insólito de determinados lugares, onde as pessoas agem de forma contrária ao senso comum. Lá tudo foge da normalidade e as pessoas agem de forma predatória, destrutiva, egocêntrica e parasitária. Me parecem mesmo uma invasão de pragas como descreve a música. 

Mas, e o que é normal? Pegarei carona na definição de Goffredo da Silva Telles para que possamos ter um conceito geral para compararmos e nos situar. Ele diz: “Normalidade e Anormalidade. A normalidade não decorre da ordem. Não é o fato de tudo estar em ordem que tudo é normal. Normal é um adjetivo que designa o caráter usual ou comum de um procedimento ou de um estado. Anormal é a qualidade do insólito, do que não está de acordo com aquilo que é estabelecido como padrão e modelo de comportamento e modo de ser. Normalidade, portanto, vem a ser a condição estável revelada, predominância de procedimentos normais. Estado de como deve ser, pode ser ou necessariamente é, em consonância com as convicções dominantes sobre o que seja um átomo, um comportamento, um agrupamento social ou um país. Anormalidade é o nome que se dá ao procedimento que fere a normalidade. Releva destacar, pois, que a normalidade é um estado e a anormalidade um procedimento.”

Com isso em mente acredito que podemos entender o que nos faz estranhar determinadas práticas antiéticas, ou anti-sociais de pessoas estranhas e seus comportamentos anômalos. Se não tivermos um parâmetro mínimo para nos situar acabaremos acreditando que tudo que ocorre é aceitável e nos resignaremos diante do absurdo ou do bizarro.

Perceba que não é o fato de a matéria estranha existir no universo que ela é uma regra, ou mesmo “boa” do ponto de vista do padrão geral do cosmos. Da mesma maneira não é pelo fato de gente de má índole praticar seus atos inescrupulosos que isso as legitima. Aliás, identifique uma similaridade entre gente estranha e matéria estranha: por onde passam causam dano e destruição. Mudam e pervertem as estruturas sólidas onde quer que toquem.

No fim das contas ao percorremos o que é um mistério acabamos encontrando a resposta. Ela pode não ser a melhor ou a que queríamos, mas é a eu temos diante de nós- o que já é um primeiro passo para que possamos reagir a ela de modo mais eficiente possível.

Agora, de uma coisa eu sei: o que é estranho não deveria permanecer oculto ou entre nós. O estranho tem um poder contaminante e corrosivo, daí por que adotar medidas cautelares quando diante deles e, flertar com o perigo, ou andar à beira do abismo não é uma delas. 

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Eles Estão Entre Nós

“Eles vivem entre nós, parecem fisicamente conosco, mas...”

“No entanto, esses indivíduos verdadeiramente maléficos e ardilosos utilizam "disfarces" tão perfeitos que acreditamos piamente que são seres humanos como nós. Eles são verdadeiros atores da vida real, que mentem com a maior tranquilidade, como se estivessem contando a verdade mais cristalina. E, assim, conseguem deixar seus instintos maquiavélicos absolutamente imperceptíveis aos nossos olhos e sentidos...”

Recentemente o presidente russo Dmitry Medvedev fez alguma declarações polêmicas a alguns repórteres sem saber que estava sendo gravado.

Entre as perguntas  um jornalista questionou se Medvedev estava a par dos arquivos secretos sobre a existência de extraterrestres, quando recebeu a pasta para ativar o arsenal nuclear russo. A resposta foi: "Juntamente com a pasta com os códigos nucleares, o Presidente do país recebe também um arquivo 'super secreto'. Esse arquivo contém toda a informação sobre os extraterrestres que já visitaram o nosso planeta". E acrescentou: "Juntamente com isso recebe-se um relatório secreto sobre os serviços especiais que controlam os extraterrestres que vivem no território do nosso país... para informação mais detalhada sobre este assunto pode ver um filme muito conhecido chamado 'Homens de preto'...( MEN IN BLACK - DOCUMENTARY) não vou lhe dizer quantos deles estão entre nós porque isso pode causar o pânico", afirmou o presidente.

MIB - o filme

Agência secreta governamental cuida de fiscalizar os alienígenas que já vivem na Terra, sendo que alguns são vigiados em tempo integral. James Edwards (Will Smith), um novato na organização, em parceria de K (Tommy Lee Jones), um veterano agente, tenta impedir um terrorista intergalático, que planeja assassinar dois representantes de galáxias opostas e destruir o planeta Terra.

Os homens de preto realmente existem?

Muita gente diz que sim. A lenda urbana que inspirou os MIBs começou em 1957, quando o escritor Gray Barker publicou o livro They Knew Too Much About Flying Saucers, sobre o suposto caso real de um civil perturbado por homens vestidos de preto após avistar um disco voador. Era o auge da paranóia da Guerra Fria e logo começaram a pipocar outros relatos de gente coagida por esses agentes a manter segredo sobre contatos com ETs. Mesmo após um pupilo de Barker alegar publicamente que a história era inventada, os MIBs (abreviação em inglês para “homens de preto”) continuam uma das teorias da conspiração mais populares nos EUA. Em 1967, o texano Carroll Wayne Watts disse ter sofrido exames realizados por aliens em uma nave espacial. Mas negou tudo quando teve de passar por um detector de mentira. Tempos depois, revelou que só fez isso porque, a caminho do teste, tinha sido intimidado por um MIB com um rifle. E, mesmo negando tudo, sua casa foi misteriosamente metralhada naquele dia.

As Narrativas acima alimentam o imaginário popular sobre a vida extraterrestre e ganham contornos de conspiração. Se é fato, ou ficção, só o tempo irá dizer.

Já, os primeiros parágrafos, constam de orações extraídas do livro Mentes Perigosas da Dra Ana Beatriz Barbosa Silva que trata de seres que se parecem como nós, mas agem contra o corpo social, infiltrados e disfarçados como seres humanos completos.
Segundo as teorias da conspiração, diversos governos pelo mundo sabem da existência de vida alienígena e que estariam entre nós a muito tempo. Isso não é divulgado, pois causaria pânico entre a população, entre outras coisas. Algumas pessoas teriam contatos (inclusive imediatos) com eles e toda essa história é muito bem explorada pela indústria cinematográfica.

Dia desses fiquei imaginando se eles realmente não estão entre nós. Isso me ocorreu pelo fato de coisas estranhas e bizarras estarem acontecendo no meu trabalho. Tais situações somente seriam explicadas de duas formas: a primeira por alguma conspiração, já a segunda, de que estaríamos lidando com alienados, digo, alienígenas, pois só assim se explicaria como determinadas medidas seriam tomadas à revelia de tudo que é lógico, jurídico e de bom senso.

Tal qual as teorias de alienígenas vivendo entre nós nos deixa confusos quanto a real veracidade, quando presencio as coisas que ocorrem por lá fico incrédulo de que seja mesmo verdade e me vejo como uma vítima de abdução que fora seqüestrado por algum OVNI, viajado por alguma galáxia distante, tendo minha memória apagada e ao relatar o que presenciei as pessoas tendem a desacreditar pelo fato de parecer uma história fantástica demais pra ser verdade.

É nesse momento (de angústia) que me vejo numa jornada inglória para descobrir a verdade que está lá fora e como tudo aquilo pode estar acontecendo. Fico me perguntando se não fui parar em algum mundo paralelo ou coisa do gênero, pois tudo é tão absurdo que fica difícil crer que está ocorrendo mesmo.

Mergulho, então, no universo jurídico que se recusa a me atender pois sequer leva em consideração a possível existência de tal anomalia. Recorro à religião para que ela possa me dar alguma pista, mas a única solução proposta é o exorcismo destes demônios que infestam o lugar. Mas, é quando já quase por desistir que encontro na psicanálise a resposta, pois, tem coisa que só Freud explica.

Segundo a autora do livro Mentes Perigosas- “Estamos pisando agora num terreno assustador, intrigante e desafiador: a mente perigosa dos psicopatas. frios e sem consciência, estes seres humanos são destituídos do senso de responsabilidade ética, que deveria ser a base essencial de nossas relações com os outros. Uma vez que a consciência está profundamente alicerçada em nossa habilidade de amar, em criar vínculos afetivos e nos abastecer dos mais nobres sentimentos, ela nos faz subjetiva-mente únicos, porém integrados e sincrônicos com o TODO maior e transcendente.”

Ora, as pessoas que cito são assim: sem consciência, sem escrúpulos, gananciosas, tendentes a  querer levar vantagem sobre tudo e sobre todos a todo instante, não se importando com o que fazem, sem qualquer resquício de arrependimento ou valor moral. Estão sempre racionalizando seus atos e envolvendo pessoas em seus discursos sujos. Seu maior prazer está em corromper pessoas hipnotizando-as para que se rebaixem ao seu nível e como vampiros se energizam delas quando o conseguem.

Na realidade disseminam uma energia contaminante por todo o ambiente que encontra eco nas mentes vulneráveis, ou excessivamente crédulas. Realmente se parecem com os relatos de alienígenas que abduzem pessoas e fazem experiências com elas e no fim as deixam sem saber o que de fato aconteceu. 

Se tudo o que o presidente russo disse for verdade temos que rever uma série de conceitos acerca do que entendemos ser a vida, mas uma coisa eu sei, seja como for nada é mais perigoso e destrutivo que os parasitas sociais para uma sociedade, pois por onde quer que pisem deixam um rastro do seu mal. A analogia com os alienígenas, se é que tudo isso é verdade, é que se camuflam entre nós para que não sejam detectados ou desmascarados. A diferença é que os aliens viajam em sofisticadas naves espaciais pelo universo, segundo os relatos, já os parasitas se revolvem na lama de sua imundície.

Bom, de qualquer fora acredito que o conselho da Dra Ana Beatriz serve para os dois casos levando em consideração que vivem encobrindo a verdade- e isso não me cheira muito bem. Ela fala que o melhor meio de lidar com esses seres (os psicopatas) é ficando longe deles, ou seja, não se relacionando com eles. Então, fica aí a dica: da próxima vez que você tiver andando por aí e alguém lhe propor alguma viagem fantástica, não embarque nessa , pois sabe-se onde irá parar.
Raniery




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terça-feira, 20 de agosto de 2013

É Competente, Ou Não?

Fantasy Island (no Brasil, A Ilha da Fantasia) é uma famosa série de televisão produzida por Aaron Spelling e Leonard Goldberg de 1978 a 1984. 

A série conta a história de uma ilha paradisíaca onde qualquer desejo poderia ser realizado. O anfitrião dessa ilha é o senhor Roarke, juntamente com seu auxiliar, o pequeno Tattoo, um anãozinho muito simpático. Bastava ter uma idéia na mente que tudo aconteceria como se fosse mágica.

Ali, bastava pagar para realizar desejos. Isso, era o produto a ser comercializado; mas, E você, quanto pagaria para realizar seus desejos? 

Quando em algum lugar coisas anômalas acontecem que desafiam o senso e a lógica comum associados a uma atitude corrupta, ironizamos dizendo que é a Ilha da fantasia. Nesses lugares tudo que é estabelecido e funciona segundo regras delimitadas é confrontado e desafiado. Ali, dizemos, o bizarro é regra.

Diante disso, ficamos estagnados e perplexos como pessoas inescrupulosas se apossam da coisa pública que em seu escopo deve atender o interesse público e afrontam a sociedade e corroem as instituições.

O Brasil vem enfrentando uma onda sem precedentes de protestos por todo país de pessoas que não aceitam mais os desmandos destes parasitas sociais a ponto de abalar determinados políticos e suas gestões. Mesmo assim, os transgressores sociais desafiam a sociedade e o Estado adotando medidas descabidas e de completamente absurdas.

Recentemente, em conhecida empresa pública da área portuária fora implementado um plano de cargos e salários de forma unilateral e que deixa qualquer pessoa abismada pelo fato de que em seu conteúdo há a criação de cargos, no mínimo, estranhos, senão, inconstitucionais.
Outra coisa que me chamou a atenção é a confusão que fizeram entre cargo comissionado e carreira já que o primeiro se realiza a título precário e o segundo efetivo.

Imagine a seguinte situação: você está numa empresa que lhe oferece um plano de carreira- o que pressupomos, uma ascensão. Então, em determinado momento (coincidente com sua promoção) ela muda as regras do jogo e te torna comissionado e você volta ao que era antes, ou seja, despromovido. A empresa alegará que seu cargo está extinto e te nivela junto aos seus antigos subordinados, em resumo, você voltou a ser o que era; isso! De superior a par de seu antigo subordinado, mas com a diferença que agora está comissionado. 

Sabe-se que o comissionado de hoje pode não o sê-lo amanhã. Além do mais ela inova e coloca uma cláusula que diz que para aquele cargo comissionado somente poderá ser ocupado com um empregado de carreira, mesmo não cumprindo com o que diz, já que seu superintendente, que ela afirmou que deveria ser de carreira, não o é.

Além do mais o direito administrativo que é a norma que regula o que é cargo comissionado permite que este seja ocupado por qualquer pessoa, inclusive, não concursado. Imagine que este é um cargo de confiança e só é eleito nele quem o gestor quiser. Amanhã dá uma louca nele, após algum contato imediato de 3º grau, com abdução, e ele decide eleger para o cargo sua namorada transexual e o camarada que ocupava o cargo, obviamente, deverá ceder lugar. Além do mais se quiser ficar terá que comer na mão do patrão.

Mas, se você pensava que isso era tudo prepare-se que tem mais. Criaram um cargo de investigador. Isso mesmo! Enquanto o Ministério Público vem sendo questionado sobre a legitimidade que tem para investigar, que no Brasil é de competência da polícia civil e federal em suas respectivas competências, nesta empresa (que não é órgão público) com fim econômico foi criado o tal cargo que não tem função.

Ora, se há um investigador deveria por conseqüência ter um delegado; apurado algum crime deve ser lavrado um inquérito penal, e, então, oferecer denúncia à justiça que iniciará uma ação que punirá ou inocentará o réu. Tudo isso dentro do devido processo legal, com direito a ampla defesa, garantido os direitos constitucionais, entre eles o de permanecer calado e de contradizer.

Mas, eu me pergunto, onde está a competência para tal cargo? Competência aqui é a condição de realizar a atividade de forma legítima, isto é, reconhecida e dentro dos devidos limites. Mas, não há nem definição de atribuições dos tais investigadores.

Então, me perguntei: investigador, não é aquele que investiga? E, se investiga o faz sobre alguém ou alguma coisa. Se não há investidura de legitimidade o que ocorrerá, então? Crime? Se houver lesão a direito, haverá também responsabilidade civil. Em um cargo que não é efetivo? Então, não se busca atingir o interesse público, mas uma empresa pública não é obrigada a seguir os princípios da administração (pública)?

Não na Ilha da Fantasia onde tudo é de faz de conta. Pelo menos na cabeça do demente que oficializou isso. Sem ofensas, mas se não houve alteração na constituição que inclua o novo cargo entre as forças policiais com atribuição de investigação é o que então?

De camarote vou assistir as cenas dos próximos episódios e como dizia o Tatoo: bom dia patrão!
Raniery




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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Sua Dignidade Por Um Prato De Sopa

O trabalho é uma área da atividade humana que ocupa um espaço considerável desta sua realidade influenciando praticamente todas as demais. Sendo assim é razoável crer que atua de forma determinante no comportamento das pessoas de uma forma geral. Esta importância também é uma energia volátil capaz de deflagrar os mais diversos conflitos de interesses. 

As sociedades em geral, e, sobretudo, as ocidentais associam o trabalho a uma condição de dignidade. As principais religiões o colocam num patamar de evolução moral. E de fato, se alguém é excluído da oportunidade de trabalhar não é capaz de se situar minimamente em sociedade. É pela renda advinda do trabalho que a pessoa consegue subsistir. Se não está trabalhando, não paga suas contas, não tem crédito, isto é, fica à margem da vida econômica que na prática é a forma com que nos relacionamos de forma interdependente no meio em que vivemos.

Em países com problemas econômicos crônicos, deflagrados por gestões políticas desastrosas, guerras, dívidas externas etc. esta condição de dignidade é ameaçada. Sem acesso à educação, moradia, saneamento básico, saúde, cultura e, é claro, trabalho as pessoas não conseguem atingir todo o seu potencial de desenvolvimento e por conseqüência têm sua dignidade ameaçada.

Dignidade à prova

Pra saber o que significa este princípio me lembrei de uma história de um ícone do mundo das artes marciais, um mestre chinês de Wing Shú que, entre outros, treinou nada mais, nada menos que Bruce Lee. Estou falando de Yip Man. E por que o escolhi? Simplesmente porque sua biografia trata exatamente das questões levantadas aqui e ilustra muito bem como uma pessoa ciente de seus direitos e convicta do que é necessário para ser digno deveria se comportar a despeito do preço que se paga por isso.

As artes marciais por si só são excelentes no que diz respeito às filosofias que possuem por trás de seus métodos de defesa pessoal, já que acabam atuando nos processos de auto confiança, coragem e abordagem da vida de uma forma geral. É claro que não estou falando de um tipo de arte marcial que promove a agressividade de seus praticantes. 

O garoto Yip Kai-Man foi o terceiro filho do casal Yip Oi-dor e Ng Shui, que eram de abastada família da província de Foshan. O casal teve ao todo quatro rebentos: Yip Kai-Gak, o mais velho; Yip Wan-mei, a irmã, segunda cria; Yip Man; e Yip Wan-hum, a mais nova.

Yip Man treinou com o Mestre Wah até o seu falecimento, três anos depois. Nessa época ele se mudou para Hong Kong para prosseguir os estudos de graduação.

Foi durante a Segunda Guerra Mundial que Yip Man, já pai de família teve a sua fortuna arrasada pela guerra, tendo que trabalhar, mas refinado e sem grandes dotes físicos, teve muita dificuldade para arranjar emprego até que foi trabalhar em uma mina de carvão onde presenciou a exploração e os mal tratos dispensados aos trabalhadores, incluindo sessões de humilhação e castigos físicos, sendo que decidiu enfrentar estas injustiças o que fez com que tivesse que fugir para Hong Kong e tentar ganhar a vida além de fugir do exército japonês. 

Diante deste quadro viu muitos de seus compatriotas aceitarem passivamente o tratamento indigno que lhes era dispensado e não aceitou a adulação de alguns que denominou de traidores questionando-lhes se não tinham dignidade para se rebaixarem até aquele ponto.

Finalmente foi convencido por um amigo a dar aulas de Kung Fu na Associação dos Trabalhadores em Restaurantes de Hong Kong. Com o passar do tempo juntou um punhado de discípulos com os quais fundou sua primeira academia. Seus alunos, entre eles, o famoso Bruce Lee enfrentaram muitos desafios que tornaram o Ving Tsun famoso e muito procurado.

Em 1967 ele fundou a Hong Kong Ving Tsun Athletic Association, entidade que ainda hoje representa aquele estilo em Hong Kong e foi o berço de todos os Grandes Mestres de Ving Tsun da atualidade.

Faleceu em 1972, vitimado por um câncer na laringe.

O GRANDE MESTRE

O filme é uma sequência ao filme de 2008 “Yip Man” (ou “Ip Man”), e baseado na vida de um dos maiores mestres das artes marciais Wing Chun (ou Ving Tsun). 

Por trás de todo o grande homem se esconde um professor, e isso era certamente verdade para Bruce Lee que aclamava como seu mentor um expert em artes marciais chamado Iyp Man. Um gênio do Wushu (ou a escola de artes marciais da China), Iyp Man cresceu numa China recentemente despedaçada pelo ódio racial, radicalismo nacionalista e pela Guerra. Ele ressurgiu como uma Fênix das Cinzas graças à suas participações em lutas contra vários mestres Wushu e lutadores de kung-fu – finalmente treinando icones de artes marciais como Bruce Lee. Esta cinebiografia do diretor Wilson Yip mostra a história da vida de Iyp.

A história graça em episódios de abuso contra trabalhadores que, então, precisaram se mobilizar e lutar para conquistar direitos sociais que se traduzissem em condições dignas de trabalho. O conflito se tornou uma marca destas relações de trabalho onde cada parte buscou contemplar seus interesses ou, como no caso, do proletariado resistir aos abusos e arbítrios cometidos no início da revolução industrial. É por conta disso que surge a tutela constitucional com o objetivo de equilibrar a relação dono do capital x mão de obra que pendia, obviamente, favorável ao mais forte, isto é, o empregador. 

Após o fim da segunda grande guerra o mundo passa a discutir os chamados direitos humanos e como conseqüência o trabalho passou a ser protegido sobretudo no que diz respeito aos direitos de personalidade, ou em última análise, se privilegiou a garantia protetiva à dignidade da pessoa humana.


Dignidade é, segundo  o professor Ingo wolfgang Scarlet, a “Qualidade intrínseca e distintiva reconhecida em cada ser humano que o faz merecedor do mesmo respeito e consideração por parte do Estado e da comunidade, implicando, neste sentido, um complexo de direitos e deveres fundamentais que assegurem a pessoa tanto contra todo e qualquer ato de cunho degradante e desumano, como venham a lhe garantir as condições existenciais mínimas para uma vida saudável, além de propiciar e promover sua participação ativa e co-responsável nos destinos da própria existência da vida em comunhão com os demais seres humanos.”

Bastaria somente a definição acima do conceito de dignidade para concluir que ações como as de assédio moral deveriam ser repudiadas dentro das organizações como práticas aviltantes destas condições necessárias para que os trabalhadores pudessem desempenhar suas funções de maneira descente.

Conflito

o conflito ser uma forma de interação entre indivíduos, grupos, organizações e coletividades que implica choques para o acesso e a distribuição de recursos escassos. Obviamente o conflito é apenas uma das possíveis formas de interação entre indivíduos, grupos, organizações e coletividades. Uma outra possível forma de 
interação é a cooperação. Qualquer grupo social, qualquer sociedade histórica pode ser definida em qualquer momento de acordo com as formas de conflito e de cooperação 
entre os diversos atores que nela surgem.

Antes de abordar essa problemática, é oportuno analisar os componentes do conflito. 

Dissemos que seu objetivo é o controle sobre os recursos escassos. Prevalentemente esses recursos são identificados no poder, na riqueza e no prestígio. É claro que, de acordo com os tipos e os âmbitos do conflito, poderão ser identificados outros recursos novos ou mais específicos. Por exemplo, nos casos de conflitos internacionais, um importante recurso será o território; nos casos de conflitos políticos, o recurso mais ambicionado será o controle dos cargos em competição; no caso de conflitos industriais, como salienta Dahrendorf, objeto do conflito e, portanto, recurso em jogo serão as relações de autoridade e de comando. A essas 
anotações se acresce que, enquanto alguns recursos podem ser procurados como fins em si mesmos, outros recursos podem servir para melhorar as posições em vista de novos prováveis conflitos. 
Os conflitos – como se disse – podem acontecer entre indivíduos, grupos, organizações e coletividades

Conflito no Direito

Na esfera processual o conflito surge quando ocorre uma pretensão resistida denominada lide.
Pretensão é a exigência de subordinação do interesse alheio ao interesse próprio.

Conflito de intereese, pressupõe, ao menos, duas pessoas com intertesse de uma pessoa por um determinado bem. Existe quando à intensidade do interesse de uma pessoa por um determinado bem se opõe a intensidade do interesse de uma pessoa pelo mesmo bem, donde a atitude de uma tendente á exclusão da outra quanto a este.

Surge a lide trabalhista, quando há uma pretensão resistida do trabalhador ou do tomador de serviços, tendo por escopo a violação da ordem jurídica trabalhista.
Fonte: Manual de Direito processual Mauro Schiavi

Há uma outra história que ilustra muito bem a importância da dignidade, sua importância e os conflitos decorrentes de sua violação; ao mesmo tempo demonstra que este é um direito que evoluiu ao longo dos tempos.

Em algumas sociedades patriarcais da antiguidade nascer primeiro era pré requisito para se ter uma posição vantajosa no clã sobre inúmeros aspectos, inclusive jurídicos.

Esaú, filho de Isaque e Rebeca, irmão de Jacó, então primogênito, me parece ser uma daquelas pessoas inconseqüentes que só visam o momento e nunca aprendem com a experiência.

Em determinado momento, com fome, pede um prato de sopa ao irmão lhe faz uma daquelas propostas que na minha opinião jamais deveriam sequer ser levadas em consideração. Pela refeição suculenta a troca da primogenitura. O nada pelo tudo. E o espertalhão do Esaú caiu nessa conversa e, evidentemente, se estrepou.
Gênesis 25: 29-34

Isso ocorreu milhares de anos atrás conforme registro bíblico, mas nada mudou desde então, já que ainda hoje inúmeras pessoas trocam sua dignidade por uma vantagem de momento muitas vezes de cunho econômico sem vislumbrar as conseqüências que virão lá na frente.

Perceba que a dignidade é algo que já nasce com você sendo considerado um direito natural e que o próprio Estado na admite a sua violação, no entanto, o próprio titular, em alguns casos, abre mão daquilo que é inalienável e de que não poderia dispor, e, o que é pior- desnecessariamente. 

Se já vivemos em sociedades que aviltam a dignidade da pessoa humana a ponto de termos que lutar pela manutenção do que nos pertence, isto é, nossos direitos imagine quando alguém os entrega de bandeja acreditando estar fazendo um negócio da China?

Nada paga o valor da dignidade humana, mas como se diz: cada um tem o seu preço. Tem gente que se vende por um prato de sopa ou a preço de banana.
Raniery


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