quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Egrégora Maldita


Tem coisas na vida que não entendemos porque não temos total conhecimento de todos os fatores que as influenciam.

O fato de eu desconhecer detalhes sobre algo não significa que ele não exista, mas nosso cérebro precisa de respostas e muitas vezes preenchemos as lacunas erroneamente. São as conclusões apressadas que muitas vezes nos causam problemas por suas consequências decorrentes de tais ilusões que nossa mente nos prega.

Eu, por exemplo, não entendo determinados comportamentos humanos que repudio. Curiosamente em minhas pesquisas descobri que não há consenso nem mesmo entre quem os estuda. Fico intrigado com um lado obscuro de nossa humanidade que leva determinadas criaturas de nossa espécie a cometer atos contrários a nosso instinto social.

Outra coisa que não entendo é como o Direito, sobretudo seus magistrados, encaram situações similares imputando-lhes resultados díspares. Que é uma ciência não matemática eu até compreendo; que não é perfeita, tudo bem; porém fico me perguntando como poderia tais resultados ter chego a tais desfechos. Como acadêmico é até compreensível que eu esteja ainda engatinhando em tais conhecimentos, daí manifestar tais dúvidas, mas como cidadão fica um sentimento estranho com ar de insegurança diante de tais decisões formais.

O exemplo mais prático disso é o da decisão de determinado julgado que isentou de culpa o réu que manteve relações sexuais com uma menor de doze anos por entender que pelo fato dela se prostituir não havia inocência nela que configurasse o crime de estupro de vulnerável; ou seja, ela sabia e possuía consciência absoluta de seus atos, daí porque não condenar o réu. Na contra mão, outra menina, em Minas Gerais, de 14 anos, matou a namorada do ex por não autorizá-lo a namorar ninguém que não ela. Nesse caso a justiça entende que a menor não possui capacidade cognitiva para entender o que fez pelo pouco desenvolvimento decorrente da idade, mesmo isso não acompanhar as pesquisas da neurociência- cada um se desenvolve de forma diferente e em tempos diferentes.

Não é porque isso me confunde que não haja explicação. Da mesma forma outras situações menos drásticas, porém não menos problemáticas, que ocorrem conosco cotidianamente, como o assédio moral, o bullying, a discriminação etc. me deixam sem respostas. Aqui, mais uma vez, o não entendimento não pressupõe a inexistência de uma explicação.

Há lugares que parecem possuir uma espécie de ecossistema astral de atividade de larvas, vermes e parasitas que se alimentam de atos de violência, ódio, raiva, inveja, rancor, entre outros sentimentos negativos. Esses elementares artificiais criados por pessoas antissociais, ou mesmo por aquelas com consciência, se agarram a vida que lhe foi manifestada e fazem de tudo para continuar sua existência, inclusive se reproduzindo num ciclo retro-alimentativo.

Talvez esteja em universos invisíveis a explicação para alguns fenômenos que não encontramos respostas definitivas por aqui. Antes que se tirem conclusões precipitadas, voltemos à assertiva de que não saber que exista não é pressuposto de inexistência e, pelo menos, teremos uma hipótese que possa explicar tais comportamentos destrutivos da harmonia e paz social.

Pensando na analogia dos vermes que são parasitas pensemos, então, em sua descrição: organismos que se associam a outros drenando-lhes os nutrientes para sobreviver, via de regra, com prejuízo ao organismo hospedeiro, num processo conhecido por parasitismo. Doenças infecciosas e as infestações de animais e plantas são causadas por seres considerados parasitas.

Um exemplo deste tipo de verme que infesta os humanos é o Ascaris lumbricoides; Ascaríase ou ascaridíase é uma doença causada por esse verme conhecido como lombriga, sendo encontrados no intestino. Este parasita possui corpo cilíndrico e alongado, podendo chegar até 40 centímetros de comprimento e causa vários desconfortos aos humanos (hospedeiros) como febre, diarréias, náuseas, convulsões e vários outros. Para evitar a infestação são necessárias medidas higiênicas como lavar as mãos antes de se alimentar, lavar frutas e verduras antes de ingerir, evitar defecar em locais inapropriados, entre outros.

Disto, eu nunca tive dúvida, isto é, de que os vermes preferem ambientes sujos e que se revolvem em fezes. Literalmente, vivem na (e da) bosta. Pois é, quem nunca chegou a conclusão que um assediador moral é uma merda? Pronto, agora você pode deixar a culpa de lado caso use tais expressões para caracterizá-los. Mas, por favor, não se esqueça de utilizar a analogia conjuntamente, ao justificar seus argumentos a alguém, para que minimize o impacto da grosseria. Ao fazê-lo, diga que é um desabafo fundamentado minimamente.

Perceba que essas larvas astrais contaminam e adoecem o ambiente por onde se reproduzem e seus hospedeiros defecam-nas por onde quer que passem através de suas ações. Daí, uma possível explicação para a motivação diária que possuem para fazer o mal- que vive e existe neles.

Outras ciências abordam explicações através de hipóteses e teorias de coisas que não viram ou provaram, como a existência de vida extraterrena, por exemplo. Da mesma forma, a teoria das larvas astrais é mais uma que se junta às centenas de tantas outras que tentam explicar o inaceitável: que alguém invada a vida de outro para lhe fazer mal.

Uma última explicação complementar é necessária: assim como os vermes parasitas físicos que se instalam em um hospedeiro, se nutrem das substâncias que o alimentam o forçando a comer mais, os astrais acabam forçando tais hospedeiros a praticar o mal para sorverem de tal energia a ponto deste se parecer com aqueles, o que faz com que ganhem a nomenclatura de vermes humanos, ou seja, criaturas que não evoluem espiritual ou moralmente, da mesma forma que um parasita é uma forma inferior de vida.

Sabedores disso, devemos, então, manter um ambiente mental, emocional e até espiritual o mais higiênico possível não nos deixando contaminar pela sujeira que determinados escravos do mal produzem.

Bom, peço-lhes licença, pois vou defumar meu ambiente com um pouco de sálvia para espantar qualquer larva astral que esteja por perto, pois elas não suportam seu odor, mas um incenso também funciona bem.
Raniery
raniery.monteiro@gmail.com



terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Subjetivo Relativo


Nenhuma pessoa é igual a outra, apesar de compartilhar inúmeras semelhanças. É por isso que se diz que somos seres subjetivos, isto é, singulares e com características ímpares. 

Basta ver o que acontece com relação aos gostos (que não se discute, não é?). Uns gostam de Rock, outros de Pop ou Dance e há os que preferem os clássicos. E não é só em relação a música que há uma diversidade de preferências e sim em cada área de nossa existência.

Vivemos numa sociedade cada vez mais propensa a incentivar tais subjetividades onde o consumo se transforma em estilo de vida, que se generaliza e se internaliza no inconsciente coletivo. É um paradoxo, já que o pressuposto da vida social é a divisão e o compartilhar. Seja espaço, objetos, tempo, conhecimento, não dá para viver isolado e não ser interdependente.

Atualmente, com a disseminação da informação, cada vez mais eficiente, nos é permitido conhecermos nossos direitos, pelo menos de forma básica, que desejamos não serem lesados de forma alguma. Junte a isso, uma forte incorporação de mecanismos egocêntricos e narcisistas e teremos a equação perfeita para o conflito.

De um lado, os que entendem que para conseguirem o que querem devem se utilizar das pessoas como meios para alcançar seus fins; do outro, aqueles que se sentem agredidos em sua imagem, nome ou honra e que, naturalmente, não aceitarão tal comportamento.

Nesse caos cada um defendendo seus interesses se projetará um leque de reações, que se graduarão  em relação às frustrações decorrentes de tais choques. Sendo assim, pode-se dizer que cada pessoa sofrerá, muito, pouco, ou quase nada, de determinada maneira, diante das ações decorrentes de tais conflitos. E sofrimento é algo pessoal que só entende quem o passa. Quem está de fora não consegue dimensioná-lo.

No assédio moral, não é diferente. Lá, estará a subjetividade de cada um entrando em ação. O que é frescura para o “durão” é inadmissível para o escrupuloso. O maior problema se dá com uma distorção que fazemos do generalismo quando concluímos que o que entendemos como normal o é para o outro também. É como se quiséssemos que todos se adaptassem a nossa interpretação do mundo.

Tem uma frase que define muito bem essas relações: “sempre foi assim”. Quando eu escuto alguém usá-la fico de pelos arrepiados, pois, onde ela foi dita percebi que as pessoas decidiram abandonar o bom senso e a razão e desistiram de pensar por si próprias. Nestes lugares, curiosamente, observei um espertalhão que preencheu a lacuna tomando pra si a função de pensar por elas.

E o que é o assédio moral, senão a manipulação de pessoas para a satisfação dos objetivos de um inescrupuloso local. Nos locais de trabalho que observei,  o jogo do poder  foi travado para se conseguir vantagens ou para mantê-las. Quando alguém não está de olho no teu lugar, não raro, se sente ameaçado por tua competência, daí se utilizar dos expedientes antiéticos.

Essa visão egoica não permite enxergar no semelhante alguém que está no mesmo lugar buscando conquistar objetivos como todos o fazem. Afinal, o sol nasce para todos- não na mente dos egocêntricos. O estímulo a competição se transforma numa guerra que inicialmente é velada, mas que em dado momento se torna declarada. Há uma espécie de obsessão e sentimento de posse e o companheiro passa a ser um inimigo, mesmo sem nunca ter feito nada que o desabonasse.

Se levarmos em consideração que em ambientes assim, valore éticos ou morais são palavras que estão fora de seus dicionários, não é de se estranhar o vale tudo que se dissemina. No domingo a pessoa reza ou vai ao culto e, mal o ministro acabou seu sermão, ela está pensando em como derrubar seu desafeto, isto em meio aos gritos de aleluia ou durante o hino em louvor ao santo local. Isso quando possui alguma religião; aliás, talvez seja mais fácil encontrar ética entre ateus.

Tem uma cidadã onde trabalho que, se você chega no DP e não a conhece muito bem, juraria que anjos voam ao seu redor, iluminada por uma luz divina que paira sobre sua cabeça. Outro dia passava uma procissão católica em frente a empresa e tive a oportunidade de vê-la toda emocionada dirigir preces e louvores a santa. Por um momento tive a impressão de vê-la levitar, tal a aura de santidade que emanava desta criatura. E a voz dela? É suave como se fosse vinda do paraíso, mas, a aparência esconde um serzinho maldoso e vil que é difícil de se acreditar.

Veja que, em ambientes assim, onde se motivam o estorvo de pessoas, não é possível existir condições mínimas para exercer o direito natural ao trabalho. Pese sobre o lugar o desabono de, por ser público, não poder desencadear processos persecuritórios ferindo, desta forma, os princípios da administração pública e perceba o transtorno que pessoas perversas, principalmente sem situação de poder, desencadeiam sobre aquelas que decidem eliminar dali.

Portanto, poderíamos dar por concluído aqui o pensamento de que, uma coisa é o que pretendemos ter e outra é fazê-lo a qualquer custo e meios. O meu subjetivismo não pode se sobrepor as convenções sociais, sendo que o mesmo raciocínio se estende aos demais componentes de toda a sociedade em que nos encontramos.

De qualquer forma se tira outra lição em relação à forma como as pessoas sofrem ou reagem diante de agressões psicológicas como as do assédio moral: cada um tem o seu limiar ou grau de resistência que variará conforme os fatores que interferiram no desenvolvimento de cada um de nós.

Seja qual for a dimensão do sofrimento, porém, acredito que é necessário um trabalho interior para que esses intervalos, pra mais ou pra menos, sejam sanados para que não martirizem a vítima dessa violência a pontos dramáticos ou prolongados demasiadamente. A dor pode durar um período de tempo, mas não deve nos acompanhar pelo resto da vida, senão vira um trauma e não permitirá que nunca mais nos levantemos.

De qualquer modo não acredito que valha a pena se deixar deprimir por criaturas vazias e involuídas como os agressores morais. Será preciso trabalhar o controle sobre os mecanismos de defesa para superar este tipo de violência e sair dela mais experiente e fortalecido. É difícil, mas não é impossível. 
Raniery

raniery.monteiro@gmail.com


domingo, 3 de fevereiro de 2013

Debaixo Pra Cima


Assédio Moral Vertical Ascendente: 


É aquele que parte diretamente do subordinado contra o superior hierárquico. 

Normalmente, esse tipo de assédio pode ser praticado contra o superior que adotam condutas que ultrapassam o poder de direção, adotando posturas autoritárias e arrogantes.

Na postagem “Agressividade psicológica” eu pretendi suscitar a discussão sobre um tipo de comportamento humano que se desenvolve como pano de fundo motivador do fenômeno assédio moral.

Na oportunidade utilizei como exemplo casos tirados de minha própria realidade já que é esta que eu posso observar, vivenciar e experimentar cotidianamente. Evidentemente é uma porção de uma realidade que é macroscópica, mas que se encerra dentro de padrões já constatados, senão, não se diria assédio moral e seria classificada em outra modalidade jurídica de dano.

Eu comentei o caso de chefes que se utilizam abusiva e indiscriminadamente de seu legítimo poder de disciplinar numa referência a desproporcional condição de desequilíbrio que a relação propõe. O subordinado é hipossuficiente frente ao chefe que detém o poder de punir- prefiro o termo disciplinar. 

Nesta condição o lado mais frágil, obviamente, é a do subalterno pela devida estrutura hierárquica estabelecida. Isto, em si, não é negativo, haja vista a necessidade de se manter ordem e controle sobre as atividades.

Longe de me insurgir contra a organização derivada de tais controles, me oponho ao abuso ou arbitrariedade deles. Não dá para concordar com autoritarismos de tiraninhos desajustados que para se autoafirmarem e se estabilizarem psicologicamente necessitam alimentar seus sadismos à custa dos outros.

O assédio moral é tipo de violência que ocorre em qualquer atividade humana e não tem gênero ou classe para se manifestar, basta que uma pessoa desencadeie processos antissociais para que o fenômeno aconteça. Tudo emerge de uma necessidade mórbida de controle que nada mais é do que a projeção da insegurança do agressor frente ao agredido que o faz se sentir internamente inferior e, então, atacar. Nesse modelo, tanto faz, se o agressor é superior ou subordinado, homem ou mulher, a violência se instalará.

Quando o assédio é ascendente penso que a motivação se dá pela ganância de se tomar o posto do chefe. A partir daí toda estratégia será desenvolvida para derrubá-lo e tomar seu lugar. Isso é somente uma parte da coisa, pois é o que me veio à mente, mas com certeza deve haver inúmeros motivos para prejudicar alguém dentro da vasta imaginação de uma mente perversa. 

Estatisticamente e pelos julgados em processos trabalhistas, em sua maioria, é o chefe que assedia o subordinado, mas não se pode dizer que o inverso não é parte de uma realidade total, mas menor parcela, com certeza.

Seja como for e de que lado venha o assédio moral não deve ser tolerado bem como suas formas de dissimulação com pretensões de enriquecimento ilícito por parte de espertalhões. Isso, inclusive, me faz pensar se não influencia a decisão de juízes pelos fóruns afora, infelizmente.

Esta postagem foi pensada em resposta a leitora Patrícia Herculano que perguntou se no Blog não havia material sobre assédio moral ascendente. Em sua maioria, trata-se de assédio moral descente por uma questão pessoal própria das experiências que passei e não porque concorde que o contrário deva ser incentivado, isto é, o assédio contra chefes.

Aliás, eu não sou partidário de hostilizar ninguém, muito menos chefes. O chefe disciplinador e justo, na minha opinião, é o melhor modelo de gestor, pois cobrará de todos seus deveres e não fará exceções que são o motivo de tantas confusões.
Leia também: Elementos que configuram a distinção de dano moral e assédio moral 
Raniery

raniery.monteiro@gmail.com