quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Em 2012 continuaremos a...


Este ano que já termina foi muito bom, no que diz respeito ao combate contra o assédio moral!

Houve avanços, mas os agressores também reagiram, através de seus “contatos”, já que no confronto direto estariam encrencados. Esse é o jogo deles, por isso são o que são. Não se pode esperar que este tipo de gente jogue limpo, pois é contra a sua natureza.

Por outro lado foram extremamente expostos, ficaram desacorçoados e tiveram que recuar em muitas de suas ações. Eu disse muitas e não todas, afinal, não poderiam nos decepcionar e criar consciência do nada, não é mesmo?

Conforme amplamente discutido aqui, assediadores morais crônicos apresentam características psicopáticas já identificadas por diversos especialistas, o que fica evidente na insistência em praticas imorais, além de uma capacidade impressionante de não se importar com o que fazem de condenável.

Foi um ano de muito aprendizado e observação do inimigo e de mim mesmo como orienta o milenar general Sun Tzu.

A mensagem dada foi clara: nada do que fizerem ficará sem uma resposta a altura; e como a vida deles é uma sujeira só, é possível que as perdas sejam maiores que a satisfação de seu sadismo.

Nesse período algo incrível ocorreu, sendo um choque pra qualquer tirano: as pessoas acordaram de sua letargia e passaram a confrontar a injustiça e o desmando. O que era apenas uma formiguinha insignificante e subestimável  se tornou um formigueiro em fúria. Já não possuem mais apenas um rosto pra indicar aos seus cachorrinhos pra que o ataquem. Agora, são muitos rostos. Isso demonstra que valeu a pena o trabalho de divulgação como esse Blog se propõe.

Reviravolta é uma palavra que pode conter um universo de significados pra quem já se deparou com estas criaturas perversas e cruéis; Seres sem alma que são capazes de destruir a vida de alguém com uma tranqüilidade tibetana. 

Depois de tudo isso, eu poderia deixar uma mensagem pra qualquer pessoa que já passou por assédio moral em sua vida: Continue! Não desista! Não se submeta! Mantenha sua dignidade intacta! Sorria! 

O ano que chega promete. De centímetro a centímetro avançaremos e tomaremos o território. A vida dos assediadores não será nada fácil. Cedo ou tarde cairão. Há muito trabalho ainda a ser feito. O exército da resistência aumenta a cada dia.

Portanto, um feliz ano novo a você que me acompanha de todo o planeta. Conto com você pra propagar estas palavras de resistência.

Fique na proteção dos guardiões.

Grande abraço.

Raniery
raniery.monteiro@gmail.com

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Importância do papel do preposto na audiência trabalhista




2011-11-29-preposto03A advogada Claudia Ferreira Cruz, mestre pela Universidade de São Paulo (USP), doutoranda na Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) e membro efetivo do Comitê de Direito Material do Trabalho da OAB-SP, apresentou a palestra A Importância do Papel do Preposto na Audiência Trabalhista, no final da tarde desta terça-feira, 29 de novembro de 2011, no Auditório da entidade, na Rua XV de Novembro, 137 - 1.º andar, Centro Histórico.

A palestrante falou sobre quem pode ser preposto, como se deve comportar em uma audiência, a função e outras questões relacionadas ao tema.

Ao final da exposição, foram sorteados dois livros entre os presentes: Os Direitos Fundamentais dos Trabalhadores e a Carta Socio laboral do Mercosul, de autoria da própria advogada Claudia Ferreira Cruz, e CLT-LTr 2011, de Armando Casimiro Costa, Irany Ferrari e Melchíades Rodrigues Martins.


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raniery.monteiro@gmail.com

sábado, 17 de dezembro de 2011

Assédio moral nos tempos bíblicos


 O assédio moral é um fenômeno tão antigo quanto a própria humanidade, apesar de somente agora termos pesquisas sobre o assunto.

Pra se ter uma idéia, Davi em seus Salmos já discutia a questão demonstrando sua indignação e sofrimento diante de tais práticas em sua época. Mas, nem ele talvez imaginasse que passaria por isso justamente pelas mãos de seu rei, a quem serviu lealmente. Inveja e ciúme estão entre as justificativas elencadas pra que fosse perseguido. Diante de tais experiências o rei poeta traça o perfil de agressores em muitos de seus salmos: os ímpios.

Davi e Saul: o medo x a competência

Davi foi o segundo monarca do reino unificado de Israel, tendo vivido entre 1040 a.C., e morrido em 970 a.C aproximadamente. Reinou sobre Judá por volta de 1010 a 1003 a.C. e sobre o reino unificado de Israel de 1003 a 970 a.C.

Descrito como um rei bondoso, bem como um guerreiro, músico e poeta talentoso, apesar de possuir alguns defeitos; aliás, como todo mortal- nem por isso foi tido como alguém perverso na sua essência. Talvez resida aí sua popularidade até os dias de hoje.

Foi o último entre oito irmãos de um pai modesto, em Belém sua terra natal. Em relação aos demais irmãos possuía aparência menos rústica. Era tido como um belo rapaz ruivo.

Na narrativa bíblica era o tocador de harpa do rei Saul, mas ganhou notoriedade por ter matado, em combate, o gigante filisteu Golias, apenas com uma funda e algumas pedras; sequer usava armadura, já que não agüentava com o peso dela. O feito lhe garantiu o casamento com a princesa e, dependendo da situação- melhor ainda- a isenção de impostos: que beleza!

Acontece que, justamente por conta desta e de outras emblemáticas conquistas, despertaram a ira, inveja e o ciúme do rei, que passou a perseguí- lo a ponto de tentar matá- lo. Davi, então precisou fugir pro deserto para salvar- se.

A partir daí, nem é preciso continuar com a sequência dos acontecimentos pra se concluir o quanto de transtorno e sofrimento sobrevieram sobre a vida do carismático futuro monarca hebreu.


Os salmos e as características do agressor:

Não sei se você já teve a curiosidade de ler os salmos bíblicos, cujo conteúdo é realmente muito inspirador, mas que retrata situações corriqueiras da natureza humana, demonstrando a capacidade de Davi de traduzi- las em sentimentos e, em muitas vezes, indignação, particularmente quando retratando um tipo de ser que possui em suas entranhas a perversidade como marca característica e que ele denominava ímpios.

Se você contextualizar as descrições perceberá um conteúdo que descreve alguém com transtorno de comportamento anti social, ou seja, o psicopata. E faz muito sentido, se pensarmos que, em tempos de guerra, a crueldade atingia a todos: homens, mulheres, crianças ou idosos. Pensando bem, até hoje é assim, apesar das convenções e tratados.

Também dá pra perceber outra coisa: as ações cruéis e os comportamentos desumanos não eram aceitos e sofriam resistência por parte de suas vítimas, exatamente como nos dias de hoje. Deve ser por isso, que demos o nome de direitos fundamentais, ao conjunto de normas constitucionais protetivas de direitos básicos e elementares à mínima existência humana. Algo que vai além, apesar de anterior, das leis e normas de qualquer país. É inato. 


Daí, o clamor do monarca por justiça divina contra seus inimigos  pra que fossem punidos por suas maldades.

Descendente de Cristo, o precursor dos Direitos Humanos

Com a proximidade do Natal, é interessante notar que esse descendente direto do fundador do cristianismo, estava muito à frente de seu tempo, nestas questões. Sabe- se que os cristãos primitivos pregavam, em seus evangelhos, formas de tratamento que seriam identificadas como embriões dos direitos humanos atuais, mas que infelizmente não teve continuidade quando a religião se globalizou e se tornou poderosa.

O que fica claro é que, se a violação de direitos é tão antiga quanto a história humana, a indignação e resistência a esse mal, também o é.

Portanto, constatar que o assédio moral é um fenômeno que acompanha o homem desde sua existência não é argumento pra legitimá- lo, mas pressuposto pra combatê- lo.


Raniery
raniery.monteiro@gmail.com
@Mentesalertas


quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Salmo 10- O rei Davi e o assédio moral


1 Por que te conservas ao longe, Senhor? Por que te escondes em
   tempos de angústia?
 
2 Os ímpios, na sua arrogância, perseguem furiosamente o pobre;
   sejam eles apanhados nas ciladas que maquinaram.
 
 3 Pois o ímpio gloria-se do desejo do seu coração, e o que é dado
   à rapina despreza e maldiz o Senhor.
 
 4 Por causa do seu orgulho, o ímpio não o busca; todos os seus
   pensamentos são: Não há Deus.
 
 5 Os seus caminhos são sempre prósperos; os teus juízos estão
   acima dele, fora da sua vista; quanto a todos os seus adversários,
   ele os trata com desprezo.
 
 6 Diz em seu coração: Não serei abalado; nunca me verei na
   adversidade.
 
 7 A sua boca está cheia de imprecações, de enganos e de opressão;
   debaixo da sua língua há malícia e iniqüidade.
 
 8 Põe-se de emboscada nas aldeias; nos lugares ocultos mata o
   inocente; os seus olhos estão de espreita ao desamparado.
 
 9 Qual leão no seu covil, está ele de emboscada num lugar oculto;
   está de emboscada para apanhar o pobre; apanha-o, colhendo-o na
   sua rede.
 
10 Abaixa-se, curva-se; assim os desamparados lhe caem nas fortes
   garras.
 
11 Diz ele em seu coração: Deus se esqueceu; cobriu o seu rosto;
   nunca verá isto.
 
12 Levanta-te, Senhor; ó Deus, levanta a tua mão; não te esqueças dos
   necessitados.
 
13 Por que blasfema de Deus o ímpio, dizendo no seu coração: Tu não
   inquirirás?
 
14 Tu o viste, porque atentas para o trabalho e enfado, para o
   tomares na tua mão; a ti o desamparado se entrega; tu és o
   amparo do órfão.
 
15 Quebra tu o braço do ímpio e malvado; esquadrinha a sua maldade,
   até que a descubras de todo.
 
16 O Senhor é Rei sempre e eternamente; da sua terra perecerão as
   nações.
 
17 Tu, Senhor, ouvirás os desejos dos mansos; confortarás o seu
   coração; inclinarás o teu ouvido,
 
18 para fazeres justiça ao órfão e ao oprimido, a fim de que o homem,
que é da terra, não mais inspire terror.



raniery.monteiro@gmail.com

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Caça às bruxas


Recentemente arqueólogos britânicos encontraram um gato mumificado em uma casa que pode ter pertencido a uma mulher acusada de bruxaria que vivia naquela localidade no século 17 em Lancashire, norte da Inglaterra. Nessa região houve muitos registros de mulheres sob a mesma acusação, principalmente na área de Pendle Hill, onde a casa foi encontrada.


O gato mumificado fora emparedado vivo provavelmente para proteger os moradores da casa de maus espíritos, como se acreditava na época. Gatos frequentemente são vinculados ao folclore sobre bruxas. Quem quer que tenha praticado esta covardia contra o felino, buscava proteção contra espíritos malignos. Algo inconcebível nos dias de hoje e uma marca de crueldade contra os animais. Difícil é acreditar que teria sido uma bruxa já que é o animal predileto delas, mas, enfim, coisas do tempo da ignorância.

Na época, distritos inteiros delatavam ocorrências de bruxaria, contra pessoas e animais, numa histeria coletiva de acusações contra muitas pessoas.

No ano de 1612, 20 pessoas, entre elas 16 pobres mulheres camponesas, o marido de uma delas e uma criança são executadas no castelo de Lancaster- em um episódio que ficou conhecido na região como o 'julgamento das bruxas de Pendle'.

Foi também em Pendle Hill que nasceu uma nova derivação protestante: os Quaker- que também sofreram perseguições religiosas, com execuções exemplares, por não seguirem as determinações do tirano rei. Tudo porque recusavam- se a frequentar à comunhão protestante como determinava o monarca inglês Jaime.

As acusações vão desde a cura de animais por meio de feitiços a pragas rogadas, manipulação de bonecos (vodú) para que pessoas adoecessem e reuniões suspeitas numa Sexta-feira Santa.

Como testemunhas usavam até crianças. O conteúdo da acusação- proporcional ao método de investigação: ou seja, totalmente comprometido.

Nesse tempo onde religião, costumes e direito se misturavam, dá pra perceber como bizarrices como essas ocorriam. Pensando bem, será que hoje isso ainda não acontece ?

Pra saber, basta que nos perguntemos se em algum momento fomos alvo de ataque de algum mau caráter, invejoso, competidor ou assediador moral e perceberemos que em essência, é a mesma coisa que acontecia na idade média; já que em ambientes onde o abuso e o arbítrio imperam, tais comportamentos, não só recebem apoio, como são incentivados.

É o império do terror e do sadismo, pois o que dá prazer a esses agressores crônicos é importunar e causar transtorno ao objeto de sua anomalia.

Na época da caça às bruxas, por conta de tanto abuso, as pessoas se saturaram das violações de direitos e deu- se o início a uma série de revoluções que culminaram com tratados e convenções de direitos humanos onde a perversidade de um homem contra outro(s) não seria mais tolerada.

Hoje, se alguém quiser praticar bruxaria (Wicca) estará amparado pela maioria das constituições, sobretudo ocidentais; se não quiser ser da religião oficial de determinado país, será respeitada sua decisão; se não quiser ter religião, também poderá; se preferir a cada dia aderir a um credo diferente, terá liberdade, pois aqui o que se discute é a liberdade de escolha da pessoa e não a imposição ou o capricho de outra.

Quanto aos abusos e violações de direitos, nossa civilização ainda está lutando pra que a justiça prevaleça e não determinados interesses de grupos ou pessoas. Não atingimos a perfeição, mas evoluímos dia a dia.

Foi da indignação de pessoas que não se conformaram com o “status quo” de suas épocas que o poder irrestrito de determinados seres e do próprio Estado encontrou resistência, sobretudo em prol do bem maior que é a dignidade humana.

Por isso, se rebelar contra a perversidade do outro, significa não permitir que a maldade e o abuso se instale, e, pra que isso ocorra, será preciso declarar guerra aos cruéis e, portanto, sair de nossa zona de conforto e comodismo. 

A resignação é a marca dos subvernientes e o seu salário é servidão.



Raniery
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