segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Ninguém chuta cachorro morto


A expressão significa que as pessoas não atacam quem não tem valor, é insignificante, medíocre, mas alguém que possui características ou qualidades que incomodam e por isso as ameaça, daí porque utilizarem deste recurso numa tentativa de a diminuírem de alguma forma ao mesmo tempo em que se projetam.

É da natureza de determinadas pessoas, que por uma inadequação interna, sentirem-se inferiores a outras, não pela suposta superioridade destas, mas pelo seu desajuste psicológico. Por isso, para alcançar o equilíbrio de seus centros emocionais praticam uma espécie de projeção imputando ao alvo de sua fúria seus próprios fantasmas internos. Este recalque as leva, então, a inventar boatos, viver em mexericos pelos cantos, disseminar a intriga e semear a discórdia contra a pessoa que vêm como sua competidora natural.

E como se sabe que o problema é do desajustado? Simples: percebendo que a cada momento se elege um novo candidato ao posto de alvo. Sempre alguém não prestará ou será um poço de defeitos para ele, ao passo que suas qualidades terão de serem evidenciadas por comparação. 

O único ponto que não seguirá o mesmo critério será se nesta equação tiver contido um amigão, ou claro, o objeto de seu puxa-saquismo crônico. Fora esta condição, todos aqueles que não conseguirem passar pelo crivo de sua aprovação estarão fadados ao seu desprezo.

Só não contaram para o crítico avaliador de perfis que sua opinião de nada vale, ainda mais se for em ambiente de trabalho, pois, apesar dele se achar muita coisa, normalmente, não passa de bajulador profissional. O maior perigo reside exatamente aí, porque ele usará de toda a sua gosma para influenciar a cabeça de algum chefezinho contra seu concorrente. Como seu sobrenome é covardia, golpe baixo é seu apelido.

A partir daí a pessoa, que nada lhe fez (somente existe), começa a receber “castiguinhos”, perseguições sem motivo, e, se em algum momento gozava de aproximação com a chefia - que não desfruta mais, pelos eternos ir e vir desses locais - deverá ser punida exemplarmente. Mas, frise-se que a sanção não advém por algo desabonador, mas porque ousou estar onde seus agressores queriam.

O mais engraçado nessas histórias é a reprodução de condutas medievais que estes inquisidores modernos proporcionam, pois evocam para si a função de defensores da moral e dos bons costumes, mas de forma hipócrita, fazem igual, quando não pior, do que aquilo que apedrejam em seus desafetos.

Quando determinadas teorias apontam que somos uma suposta criação de uma avançada civilização fico pensando nestas mediocridades e não consigo aderir de forma convicta a tais ideias. Se me falasse que descendemos de um ramo ancestral de galináceos eu concordaria com mais facilidade. 

E o pior dessas situações é que não estamos lidando com “marocas” de escadaria ou de janela de pensão, mas de pseudo machões que batem no peito sobre sua virilidade e conquistas amorosas que se dão a esse tipo de conduta apegando-se a fofoquinhas e "diz que me diz" improdutivo. E ainda falam das mulheres!

Pior que isso, é constatar a competência das chefias que em pleno séc. XXI se dão ao luxo de colocar a empresa para se prestar a papéis ridículos como esses. Fora a encheção que é aguentá-los alardear o quanto são experientes e que já passaram por isso e por aquilo para no fim, fazer um papelão desses.

Quem já não fez curso de motivação ou qualidade de gestão e não ouviu um monte de coisas para, no dia a dia, ter que se deparar com catação de minhocas de galinheiro como essas. 

O fato é que quem tem competência assusta ao que não tem e este, por sua vez, como não consegue brigar em pé de igualdade apelará. Não tem remédio, essas criaturas se reproduzem mundo afora e o melhor mesmo é se vacinar contra elas. Cair em suas armadilhas é se nivelar. 

O importante é manter o seu centro de energia blindado contra os raios invejosos destas pessoas infelizes e acreditar em si mesmo. Ainda que eles pareçam vencer não passa de uma vitória transitória, mas o que se constrói com dedicação permanece, ainda que tenha que se remodelar.
Raniery

raniery.monteiro@gmail.com



quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Eram deuses os (ETs) astronautas?

Em “Eram os Deuses Astronautas?” o suíço Erich von Däniken,  no final da década de 1960, explora a idéia da possibilidade de antigas civilizações serem resultados da criação de alienígenas (ou astronautas) que para as épocas relatadas teriam se deslocado.

Tal teoria encontra eco até hoje em documentários que manifestam convicções e traçam paralelos entre grandes obras da arquitetura e engenharia da antiguidade, como as pirâmides egípcias e incas separadas por milhares de kilômetros de distância e que apresentam padrões intrigantes. Diz ainda, que os extraterrestres teriam cruzado com primatas (ou os modificado genéticamente) gerando o homem como o conhecemos. Segundo Däniken, povos antigos consideravam os extraterrestres como deuses, daí o título exótico de seu livro.

Verdade é, que o assunto, polêmico por natureza, incita discussões acaloradas nos mais diversos níveis. Aliás, a origem humana é abordada por várias correntes: criacionista, evolucionista, e agora, extraterrestre. Misture tudo e conclua a confusão que vai dar.

Assistindo a um destes documentários, chamou-me a atenção para o foco dado na questão da inteligência humana que seria complexa demais e destoava das demais criaturas, incluindo a do chimpanzé. Tal salto, segundo os defensores da origem alienígena, só seria possível por tal intervenção extraterrestre. Um dos exemplos dado foi o  da capacidade que o homem tem de inventar coisas extraordinárias e até ter ido a lua, coisa que nenhum outro animal sequer chegou perto. 

Parando para pensar, é mesmo extraordinário como somos capazes de realizar grandes coisas, como a própria decodificação do genoma humano, a criação de corações artificiais e até de verdadeiros, futuramente, a partir de células simples. Isso nos torna únicos. Parece mesmo que fomos criados ou colonizados como dizem. É como se uma inteligência superior (Deus ou alienígena?) nos tivesse feito propositalmente.

A única questão que não foi respondida, ou abordada, nestas argumentações apaixonadas, foi a do instinto humano. E logo me peguei pensando no outro lado da moeda. Um lado que gostaríamos que não existisse. Imediatamente me veio a mente o extermínio étnico em Darfur ou os ataques xenofóbicos do partido neonazista grego aurora dourada; O ataque do atirador norueguês ou de Suzane von Richthofen que matou os próprios pais; e os adolescentes que queimaram o índio Galdino, heim? 

Sem falar no holocausto de Hitler que levou o planeta à beira do colapso com suas ideias de supremacia da raça derivadas de distorções de antigas religiões pagãs e um sofisticado conhecimento de ocultismo. Não dá para falar que o Führer e suas tecnologias extraterrestres não era inteligente. 

E o que dizer de padres pedófilos que destroem a vida de crianças mundo afora, ou de homofóbicos que assassinam seu semelhante por causa de sua opção sexual, e o racismo contra negros mesmo sabendo que o homem moderno surgiu nas savanas africanas? 

Fato é, que ainda manifestamos instintos que forjaram o desenvolvimento cerebral que possuímos, ou seja, somos humanos modernos, vivendo em centros urbanos, mas com mecanismos utilizados desde nossa vida nas cavernas. Basta destacar o gene egoísta para notarmos o quanto ainda falta para atingirmos um patamar de excelência evolucionária: Fofoca, intriga, inveja,  bullying, assédio moral, assédio sexual, corrupção etc.

Eu não sei não! Se formos frutos de uma inseminação de seres inteligentes que nos dotou de um cérebro único, o que foi que deu errado? Se foi proposital, por quê? Vício de fabricação? Onde iremos reclamar? Há um código de defesa do consumidor cósmico? O fato é que o homem ao que parece abre mão de sua inteligência para se utilizar de mecanismos primitivos que tem disseminado toda sorte de mazelas e sofrimento pelo planeta, mesmo que na outra ponta realize coisas fantásticas e louváveis.

De qualquer forma, uma coisa é certa: não há como prever as reações humanas somente pelo belo linguajar ou o sorriso bonito, mas dentro de nós há uma imprevisibilidade que um sem número de fatores influencia e que disparam reações diversas. 
Somos incrivelmente complexos.
Leia também: Conclua você mesmo sobre a suposta inteligência superior do homem
Raniery

domingo, 21 de outubro de 2012

Os fantasmas da ignorância



Segundo algumas doutrinas religiosas somos o resultado de dois elementos essenciais: a matéria e o espírito. Desta forma o corpo se deteriora, mas o espírito não. Tais dogmas afirmam ainda que um corpo sem espírito é incompleto, isto é, somente carne humana e mais nada.

Para elas, uma vez que morremos passamos a viver em outro plano- o chamado mundo espiritual. Quando reencarnarmos traremos tudo o que acumulamos de outras vidas, ou seja, virtudes e defeitos. Sendo assim, as chamadas pessoas de bem ascenderão para lugares felizes trabalhando para o progresso do planeta, mas os maus carregam para o plano espiritual e retornam com estas mesmas tendências, isto é, continuarão suas atividades perversas ainda mais se estiverem desencarnados ou ainda entre nós.

Afirmam ainda tais doutrinas que a maioria dos espíritos que povoam a terra, tanto no estado errante, desencarnados, quanto os encarnados, compõe-se de espíritos imperfeitos, que fazem mais o mal que o bem. Daí a predominância do mal na Terra.

No famoso conto de CharlesDickens, Ebenezer Scrooge é descrito como um ser com características de caráter deploráveis do ponto de vista da moral social média, já na época em que escreveu este clássico. Sovina, rabugento, solitário, implacável e ganancioso o empresário rico diz odiar o natal. Na véspera, proíbe que seu funcionário pare de trabalhar no feriado de natal. E no mesmo dia, comete muitas outras injustiças com as solidárias pessoas da cidade e até com seu sobrinho.

Ao chegar a sua casa, no frio natalino, Scrooge é visitado pelo fantasma de seu ex-sócio Jacob Marley (que era tão mal quanto ele), que havia morrido naquele mesmo dia sete anos atrás. O espectro de Marley lhe diz que está sofrendo por ter sido perverso em vida e adverte que o mesmo acontecerá a Scrooge. A visita causa uma reviravolta na vida de Scrooge, que é obrigado a aprender da pior maneira o significado da solidariedade.

Curioso é que este conto é escrito lá pelo fim da revolução industrial quando a Inglaterra desenvolveu a industrialização em grande escala ao mesmo tempo em que se criava bolsões de miséria e o proletariado urbano.

Tal revolução transformou os antigos métodos de trabalho introduzindo técnicas de mecanização e especialização das linhas de produção deflagrando a questão social. O liberalismo propagava que caberia às forças do mercado regular as relações trabalhistas.

O abuso permitiu a exploração do trabalho pelo capital, com jornadas de 14 horas de trabalho, nas piores condições, em função do lucro das empresas fazendo surgir o movimento sindicalista e o movimento comunista. Nesta época, mulheres e crianças eram exploradas ao ponto do absurdo. Práticas como a de castigos físicos e tráfico de crianças por paróquias eram praticadas sem a mínima compaixão.

O movimento sindical que fora considerado ilegal, e as associações de trabalhadores ilícitas, posteriormente legalizadas, impulsionaram o Estado a intervir na luta travada entre o capital e o trabalho, legislando sobre os direitos dos trabalhadores.

O Direito do Trabalho surgiu, assim, da luta dos trabalhadores pelo reconhecimento da dignidade do trabalho humano, das condições em que se deve desenvolver e o que lhe corresponde em termos de retribuição pelo esforço produtivo.

Quanto às teorias religiosas, se estão certas ou não, é uma questão de fé, mas fato é que determinadas criaturas parecem mesmo vir para o mundo para ser um tormento e disseminar o mal. Comento com alguns colegas que há alguns pares que quando estão no mesmo ambiente que nós, carregam negativamente o ambiente e um cheiro de enxofre toma conta do lugar. Ainda mais pelo histórico deles.

Perceba que o assédio moral tem uma conexão direta com sistemas e pessoas perversos e frios que somente visam interesses próprios e destoam da maioria que entende que viver em sociedade pressupõe agir de forma coletiva, pois isso é inteligente e bom para todos.

Ebenezer Scrooge teve um surto de consciência e pôde mudar suas ações ainda em vida, pelo menos no conto, e transformou tudo a sua volta refletindo em si mesmo os benefícios de tais transformações. Na vida real sabemos que, infelizmente, pessoas assim não mudam, mas não se pode perder a fé na raça humana e a esperança que apelando para a consciência daqueles que ainda a possuem possamos avançar ou evoluir e quem sabe chegar a outro plano melhores que quando começamos.

Lutar pela dignidade da pessoa humana em todos os seus níveis é elevar e evoluir a própria condição de nossa natureza. Fazendo isso, aqui, acumularemos respostas positivas no futuro que repercutirão sobre todos nós da mesma forma  e não precisaremos temer nossos próprios fantasmas nos assombrando porque não fizemos o que deveria ser feito.
Raniery


raniery.monteiro@gmail.com
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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O lado escuro da força


Para saber qual é a real extensão do dano que o assédio moral produz na vida de uma pessoa basta que façamos uma reflexão que nos levará a concluir esta asserção e mais, identificaremos o teor de injustiça que contém.

Quando começamos a pensar em ter uma vida profissional procuramos de imediato uma forma de qualificação condizente com as aptidões que possuímos e que nos proporcione o acesso ao mercado de trabalho. Isso tem um custo: de tempo e dinheiro, mas é encarado como um investimento, pois se pretende na linha final uma vaga em uma empresa para que possamos desempenhar uma atividade e sermos pagos por nossa força de trabalho. A empresa, por sua vez, quer alguém produtivo para que lá na frente obtenha o lucro desejado.

Nada disso acontece da noite para o dia e sem nenhuma dedicação, mas ao contrário exigirá esforço e um senso de objetivo apurado quer seja para atuar em empresas privadas quanto nas públicas. O esforço, então é coroado com o resultado pretendido. Este é o caminho e é desta maneira que a coisa acontece normalmente.

Uma vez locado, suas atividades começam e uma rotina se estabelece. Começam novas amizades, pressões, e vontade de fazer tudo certo e que tudo decorra bem. Em outros momentos, acontecerão erros que serão corrigidos, mas dentro de níveis esperados. Simultaneamente diversos projetos são concretizados: é o carro que se desejava a tempos, o imóvel, o casamento etc.

Não é preciso dizer que tudo isso cria uma esfera de felicidade e realização sobre qualquer um já que produz resultados bons. A sequência natural são as promoções e ascensão profissional e salarial. Acredito que não deva ser muito diferente em qualquer lugar do mundo com uma ou outra diferença de ordem cultural, mas dentro da chamada globalização que padronizou tudo no planeta.

A palavra normalidade foi escolhida de propósito porque deixa claro que permite dentro de certo intervalo que determinadas circunstâncias ocorram sem que sejam encaradas como prejudiciais necessariamente. É o stress por detrás das metas, prazos e resultados possíveis de se atingir. Perceba que não foi adicionado ao processo a ganância e o lucro predatório ou mesmo a corrupção.

Pois bem, já que entramos neste assunto, surgem, aí, alguns fatores que desencadeiam processos de assédio moral. Independentemente de seus deflagradores o fato é que em algum momento alguém se incomodará com seu sucesso e decidirá tirá-lo de você. O que ele justificará para desencadear processos persecutórios que culminem com a destituição daquilo que foi construído com dedicação, esforço e sacrifício, não importa.  O agressor decidiu que te prejudicará, e pronto. Simples, assim.

Sua imagem deverá ser desconstruída, sua capacidade deverá ser questionada, suas ideias minimizadas, erros evidenciados ou criados, ou seja, sua vida deverá ser infernizada somente porque determinada pessoa assim o quis.

Gritos, insultos, difamação, estigmatização, menosprezo, desprezo e outras condutas abusivas que desencadearão sentimentos negativos e afetarão suas emoções para que produzam insegurança em sua vida e coloquem seu emprego sob-risco. A ideia é que pela pressão a pessoa desista de seu posto de trabalho e peça demissão ou seja conduzida por justa causa para que não se arque com os custos indenizatórios.

Aliás, descobri que assediadores adoram prejudicar pessoas, mas detestam assumir a consequência de seus atos. São excelentes transgressores de normas e regras, mas péssimos ressarcidores de prejuízos. Curiosamente utilizam das leis e da justiça para se safarem, muitas vezes contando com setores jurídicos equipados e constituídos de advogados prontos a lhes prestar consultoria, isso, quando não vão além, contando com parceiros de sociedades fraternas que possuem indivíduos de todos os setores, incluindo os judiciais.

Ora, em lugares assim, porque se preocupar com punibilidade e sanção já que se pode lançar mão de artifícios e ardis de natureza questionável sob a ótica constitucional. Minha advogada, por exemplo, sentiu na pele o que estou dizendo quando os documentos de minha ação sumiram do cartório do fórum trabalhista sendo atualmente objeto de inquérito interno. Fora o fato de um determinado juiz ter pedido para sair do caso por ser, digamos, “amiguinho” da ré (empresa que trabalho), isto é, frequentam a mesma loja aqui em Santos, mas pelo menos teve a decência de se identificar como impedido.

Neste quadro, fosse você um assediador, teria qualquer preocupação em abusar psicologicamente de algum subordinado? Não, né! Nem eles. Essa é a vida de quem se sente intocável. O detalhe é que trabalho numa empresa pública, tive que prestar concurso para entrar e me foi exigido uma série de coisas para ser admitido. Eu disse empresa pública, né? Pois, é! Se a empresa é pública por que é, então, que grupos tomaram a posse dela como se deles fossem, ou, a extensão de determinada fraternidade. Aliás, gostaria que alguém que frequentasse alguma delas, aqui ou fora do Brasil, me explicasse por que é que tais lojas estão se tornando covil de bandidos e se distanciando de suas raízes centenárias.

Pois, bem! Sua vida, então, muda do dia para a noite e você se vê acuado, isolado, estereotipado e presencia agentes forjarem toda sorte de mentiras, em inquéritos encomendados, solicitando sua demissão por justa causa. De tanta pressão, adoece e cai em depressão. Durante sua ausência não dão trégua e não há o mínimo de sensibilidade diante de sua recuperação. Lembra? Eles são covardes.

Seus projetos passam, então, a ser postergados e tudo se altera em sua vida: relações, atividades, rotina, etc. Tudo porque um assediador decidiu influenciar sua vida para lhe prejudicar.

A constituição diz que as empresas possuem caráter social, isto é, devem existir não só pelo lucro, mas com um fim de dignidade. Mas, determinadas pessoas ou grupos detestam a democracia, os direitos fundamentais ou personalíssimos, e tudo o que se relacione com a dignidade da pessoa humana, pois seu objetivo final é o poder e o lucro a qualquer custo, onde os fins justificam os meios. Tanto faz se for por meios ilícitos, corrupção, esquemas, fraudes, etc. Quem é dado a tais práticas irá se importar em estraçalhar trabalhadores?

Portanto, fica claro que o assédio moral é um tipo de violência contra o trabalhador que deve ser combatido incansável e inabalavelmente, de preferência via judicial, mas também pela visibilidade dada à ambientes e empresas que se prestam a este tipo de postura réproba.

Em alguns casos talvez a denúncia deva ser dada por via indireta como nos casos de corrupção, nepotismo, fraudes, onde tais agentes se envolvam deixando um rastro de outros ilícitos que os deixam vulneráveis e com algo a perder.

De qualquer forma, se calar, se intimidar e ceder aos assediadores somente os fortalecerá. Por isso, que a sociedade precisa se mobilizar e se rebelar contra esta forma de perversão que solapa os lares de trabalhadores (as), homens e mulheres honestos, cidadãos e cidadãs dignos, que têm suas vidas invadidas por bandidos camuflados. 
Raniery


terça-feira, 9 de outubro de 2012

O cão bom e o cão mau


Um ancião índio norte-americano certa vez descreveu seus conflitos internos da seguinte maneira: "Dentro de mim há dois cachorros. Um deles é cruel e mau. O outro é muito bom. Os dois estão sempre brigando". Quando lhe perguntaram que cachorro ganhava a briga, o ancião parou, refletiu e respondeu: "Aquele que eu alimento mais freqüentemente”.(Autor desconhecido)

Para entender o que acontece conosco é preciso saber onde tudo começou. O homem da idade pré-histórica surgiu por volta de 4000. A.C. o que se pode dizer, recente, comparado com seu gênero (homo) que apareceu entre 4 e 1 milhões de anos. De modo geral, dizemos que há um tronco comum do qual se originaram os grandes macacos (pongidae) e os homens (hominidae). Em determinado momento da evolução, os dois grupos se separaram e cada um apresentou sua evolução própria. Os pongidae apresentaram a forma do gorila, chimpanzé e orangotango; os hominidae ou hominídeos, a forma do atual homo sapiens.

E como se deu essa aparente diferença entre nós e os outros primatas? A conclusão dos neurocientistas, à medida que compreendem o cérebro humano é que o gênero Homo “investiu” tudo no desenvolvimento de seu cérebro durante o processo evolutivo, o que trouxe nova perspectiva sobre a evolução humana. Os cientistas estão concluindo que a história da formação da estrutura social é mais importante do que a história da evolução material da humanidade.

Qual foi, então, o segredo para este salto evolucionário? A capacidade que os primatas desenvolveram para viver em grupo, o que mudou significativamente sua estrutura cerebral potencializada pelo uso de ferramentas e linguagem ao longo de sua evolução histórica. Viver em grupo foi decisivo para esse processo.

Para compensar nossa debilidade física, diante de outras espécies, sobretudo, poderosos predadores, nosso cérebro foi dotado de grande capacidade para se desenvolver. O aprendizado foi a chave que proporcionou as mudanças biofísicas em níveis celulares, aumentando gradativamente em complexidade e até em tamanho a capacidade deste órgão. Quanto mais experiências nós vivíamos, mais conexões eram interligadas em nossas células nervosas num ciclo retroalimentativo, em um processo interminável. Aqui, é exatamente o caso da inteligência (poder adaptativo) superando a força.

O fator decisivo que proporcionou o desenvolvimento cerebral, sendo o motor do seu progresso intelectual, foi a pressão ambiental e a luta pela sobrevivência que obrigaram o homem a realizar sempre novos inventos estimulando, assim, sua criatividade e imaginação, e, estes estímulos desenvolveram a sua mente. Pode-se afirmar que nossa melhor ferramenta era (e ainda é) o cérebro- emoções, aprendizagem, racionalidade, etc.

Seres curiosos que somos por natureza, logo percebemos a necessidade de conhecer o meio, o que se dava na prática, explorando-o. Viver em grupos tornava esta tarefa mais eficiente e para isso tínhamos que interagir e se fazer entender. A comunicação fechou este elo e estreitou as relações e melhorou todo o processo: tínhamos outra arma poderosa- a cultura.

Mas, enquanto aos conflitos que temos entre fazer o que entendemos como certo ou satisfazer nossas vontades imediatas? Os psicanalistas podem responder este assunto psicanalítico, o nosso aparelho psíquico. Sigmund Freud, pai da psicanálise, há três divisões de nosso mundo psicológico: Id (os instintos líbidos e primitivos que temos), Ego (nossa consciência lúcida) e o Superego (moral e valores sociais).

Em relação aos conflitos internos do índio ancião acima, lembra-se daquele anjinho e diabinho que aparecem no ombro das pessoas nos desenhos animados? Então, o superego é o anjinho e o id o diabinho. O ego é a parte menos potente do nosso subconsciente. O id e o superego são como o conceito teológico da carne versus o espírito, e batalham em nossa mente no canto do subconsciente, uma área remota que temos- no máximo, mínimo acesso e nenhum controle.

O id são os nossos desejos e vontades primitivas, sendo que Freud o associou principalmente ao desejo sexual. É representada pelos considerados "instintos mais naturais do ser humano". O superego é a razão, a moral, ética e princípios. Representa a racionalidade humana.

Pois, bem o que ocorre é que somos (em termos de estrutura interna) os mesmos humanos da idade primitiva, que precisava sobreviver aos desafios da natureza, tribos rivais, doenças, etc. vivendo, agora, em cidades urbanas do séc. XXI. Aqueles instintos de sobrevivência eficientes para aquele modelo ainda está dentro de nós, não desapareceu. 

Quando vemos os processos de assédio moral se desenvolverem é como se voltássemos às cavernas dando vazão àqueles instintos primitivos, pois, da mesma forma que naquele tempo, por exemplo, fazíamos alianças para derrotar um inimigo comum, fosse uma tribo anômala ou um mamute gigantesco, lançamos mão destes artifícios, ainda hoje- seja o procedimento legítimo ou não. A conclusão, é que temos um sistema que foi moldado para os problemas da idade da pedra convivendo conosco e confrontando todo o stress urbano que nos afeta.

Basta saber que nosso repertório comportamental é influenciado por inúmeros fatores durante o dia e que isso nos torna seres imprevisíveis de difícil decodificação.  Em determinado momento nosso humor é um, segundos depois, tudo mudou. Uma palavra, um olhar, uma falsa interpretação e pronto: a caca está feita. Nossos mecanismos de defesa trabalham o tempo todo e podem nos pregar peças desagradáveis, quando não, até fatais. 

Hoje, ao que parece vivemos no limite. É preciso muito pouco para que se deflagrem tragédias aparentemente absurdas, pelos mais fúteis motivos, mas se olharmos bem de perto, eles estão lá agindo- os nossos instintos- programados para que reajamos diante do que interpretarmos como violência gerando a adaptação necessária ao meio. Por isso, é que se pode dizer que há um fator que não dá para controlar nas interações humanas: é o fator aleatoriedade. Sim, somos imprevisíveis e não computadores lógicos que funcionam com precisão matemática.

Carregamos conosco, em nossos genes, todas as condições necessárias para os conflitos e para agirmos de forma inadequada diante de uma sociedade que se organizou e se estruturou para administrá-los. 

Lembra-se da cultura? Então, fomos nós que entendemos que viver em grupo nos traria vantagens e para isso seria preciso dispor de uma parcela de nossa liberdade em prol de um benefício maior. Seria preciso, a partir de agora, conter aqueles instintos e domesticá-los. Foi para isso que nossa espécie desenvolveu um cérebro tão complexo e desenvolvido para dispô-lo inteligentemente e solucionar problemas. 

A despeito dos instintos estarem lá, querendo sair de dentro da “lâmpada mágica”, somos seus donos, por direito, e não estamos à mercê dos mesmos. Há inúmeros fatores que influenciam nosso comportamento, e, eles são apenas uma parte da história. Mas, como toda máquina ou ferramenta, nosso cérebro precisa ser bem utilizado para que responda corretamente ao que queremos de seu uso.

Sabemos que o conflito é de nossa natureza e conviveremos com isso por muito tempo ainda. Basta um aglomerado de pessoas existir para que a semente da discórdia germine. Mas, somos dotados de inteligência também- que pode variar, pra mais ou pra menos, de uma pessoa para outra, e, cada um desenvolve um tipo diferente dela. 

Para atingirmos nossos objetivos com maior eficiência desenvolvemos relações interdependentes que precisam ser reguladas e orientadas, senão alguém decidirá que deverá subjugar outro. Dentro de nosso repertório cultural criamos mecanismos capazes disso- o Direito. É evidente que sabemos que só a justiça não resolve todos os problemas humanos, mas é o mais próximo que temos de um ideal. E a sanção só alcançará aquele que não conseguir controlar seus instintos e decidir violar as normas cogentes.

Portanto, apesar da ciência explicar a razão por trás de tantos comportamentos inadequados manifestados pelo ser humano, muitas vezes de forma violenta, ela também demonstra que isso não é justificativa para que ocorram sem que haja controle de nossa parte, pelo contrário, demonstra que nosso cérebro é uma poderosa ferramenta capaz de nos tornar adaptados ao meio e de solucionar os problemas decorrentes dele. Não somos reféns de nossos genes primitivos.

Podemos dizer que o conflito é inerente a raça humana, decorrente de nossos instintos ancestrais, mas, também que nossa inteligência decorre de milhões de anos de evolução que permitiu nos adaptarmos ao novo e ainda nos tornou melhor capacitados para soluções de problemas, seja de que ordem for. 

A única coisa que a ciência não tem possibilidade de responder é: qual dos dois lados nós escolheremos- o do instinto ou o da inteligência. Como o ancião disse: se alimentarmos o cachorro mal e cruel ele vencerá, mas se cuidarmos do cachorro bom é ele que sairá vencedor. 

Infelizmente temos visto, pelo mundo, que lado as pessoas estão escolhendo.