quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Surpresinha

As organizações foram criadas pela sociedade em função de suas necessidades de subsistência e sabe-se que os princípios da administração de recursos e pessoas se confunde com seu processo evolutivo e histórico-cultural.

Ora, ninguém imagina que uma empresa se forme a não ser para gerar lucro. Portanto, justifica o desenvolvimento e a prática de meios que torne este objetivo viável sob o aspecto mais eficiente possível, ainda mais atualmente diante das exigências de competitividade acirradas pela globalização. Essa é a lógica, certo? 


No entanto, organizações podem se tornar mais um estorvo que um sistema produtivo devido à falhas por incompetência de sua gestão. Administrar é uma ciência. Demanda uma massa de conhecimentos que se transformarão em técnicas que aplicadas resultarão nos fins desejados.


Sabemos que todo conhecimento é atualizável e a verdade de hoje não passa de uma parcela momentânea, em pleno movimento, de um determinado cenário e que mudará no momento que houver uma demanda que o justifique. Adaptação, flexibilidade, inteligência serão os termos usados para identificar tal dinâmica.


Em um sistema financeiro estruturado pelo Estado para gerar a fluidez de sua economia a agilidade de processos e a capacidade de visão de mercado se fazem necessários para a própria sobrevivência das organizações. O ótimo ontem, é o péssimo, hoje. Servia na década de setenta do século passado, mas seria inimaginável aplicá- lo hoje. Enfim, empresas são instituições que necessariamente convivem com a mutação. 


Perceba o quanto ficar preso a um paradigma pode ser bizarro: 


Hiroo Onoda, um soldado japonês que se escondeu na selva filipina durante quase três décadas porque não acreditava que a II Guerra Mundial tinha acabado morreu em Tóquio, recentemente, aos 91 anos.


 Durante anos, foram efetuados esforços sem sucesso para convencê-lo de que o exército imperial havia sido derrotado. Foi necessária a visita de seu antigo comandante para que Onoda pusesse um ponto final a sua guerra pessoal.


Treinado como oficial de informação e em táticas de guerrilha, o tenente Onoda foi enviado aos 22 anos para Lubang em 1944, no final da guerra. As ordens dadas a ele e a seus homens era nunca se render, não recorrer a ataques suicidas e se manter firme até a chegada de reforços.


Sua existência nas Filipinas era conhecida há muito tempo, desde que, em 1950, um dos outros soldados deixou a selva e retornou ao Japão.


O restante do grupo continuou patrulhando, às vezes atacando residentes locais, e até mesmo enfrentando o exército filipino.


No entanto, em 1972, Onoda e um segundo soldado se envolveram em um tiroteio com tropas locais. Seu parceiro morreu, mas o tenente conseguiu escapar.


Este incidente chocou o Japão que, por isso, decidiu levar para Lubang os familiares de Onoda na esperança de convencê-lo de que as hostilidades tinha terminado há muito tempo.


Finalmente, em 1974, seu antigo comandante direto conseguiu visitá-lo em seu esconderijo na selva e deu a ele a ordem para entregar suas armas. Terminou assim a guerra pessoal de Onoda.

Leia na íntegra R7 

Discussões filosóficas à parte seria inconcebível, nos dias de hoje, alguma força armada se utilizar de tais recursos para empreender a guerra. Veja o quanto a percepção do real afetou sua vida. Três décadas se passaram até que o soldado tenha conseguido se deixar convencer de que a guerra havia acabado.


No passado a humanidade enfrentou um período de atraso científico graças ao apego a paradigmas equivocados basta lembrar O que aconteceu a Galileu Galilei no século 17, ao apoiar a visão copernicana de que a Terra orbitava o sol.


Católico, Galileu foi julgado por heresia em 1633 pela Inquisição, e forçado a abjurar e passar o resto de seus dias em prisão domiciliar. Só 400 anos depois a IGreja Católica pediu desculpas formais pelo tratamento concedido a ele.


Onde trabalho, infelizmente, vivemos atados justamente porque os chamados gestores pararam no tempo e se apegam, ora a antigos e ultrapassados conceitos, ora por estarem imersos em sua própria incapacidade e má vontade de produzir uma realidade eficiente, e, isso, em se tratando de uma empresa pública. Sem contar que por lá, o interesse pessoal se sobrepõe ao coletivo em confronto direto com os princípios da administração pública.


O mais intrigante é que quando se decide aplicar determinada regra, isso nada tem a ver com qualquer dos fatores determinantes neste modelo de empresa: eficiência e legalidade; mas, por revanchismo, retaliação e, portanto, por questões pessoais.


Objeto de inúmeras inferências por este blog, nomeie diz respeito as práticas de assédio moral, temos nossos direitos violados cotidianamente por quem se acha acima do bem e do mal, ou mesmo da lei. Aliás, é de conhecimento nosso, inúmeros casos de envolvimento com ilícitos por lá. Caso recente, divulgado exaustivamente pela imprensa da Operação Porto Seguro


No entanto, quando recorremos aos órgãos competentes (jurisdição - dizer o Direito) somos acusados de cometer ato desabonador. Se defender passa a ser, então, um defeito imperdoável. Corrupção, imoralidade, ilegalidade, abuso de poder, usurpação da função pública, favorecimentos de alguns, em detrimento de outros, não!


Devido ao longo período em que venho sendo exposto à práticas persecuritórias acabei desenvolvendo uma espécie de imunidade em relação as pessoas de lá e seus discursos. Acredito ser razoável observar atentamente as palavras e comportamentos deles, já que sou um alvo em potencial de sua perniciosa atenção. Logo, não fico surpreso quando a mascara de alguém cai e mostra o que de fato escondia por trás dela. 


Mas, algumas pessoas ainda nos deixam perplexos. Não por revelar seu lado mais humano, porém, pela rigidez de seus discursos anteriores. Pensamos: algo mudou aquele camarada. Ele se deixou levar pelos corruptores. Diante de algo que disseram de mim nesses dias (nenhuma novidade) juntamente com o que falavam de determinado "chefe" concluí que a imagem anterior que tínhamos dele não passava disso mesmo- mera imagem.


Um colega indignado com determinada ação da empresa me citou na conversa para exemplificar as contradições que são cometidas por lá é, então, foi surpreendido por ele quando externou, sobre mim o seguinte: " o que esperar de alguém que gravou o inspetor" (durante o assédio)! Na sequência disse que também fora assediado durante muito tempo, mas nunca fez isso. 


Isso ilustra bem o problema de se fixar no tempo. Começam a ocorrer distorções da realidade. Perde-se os parâmetros que norteiam nossa vida em sociedade. Passa-se a viver um mundo ilusório e solitário onde a imaginação pessoal deseja se impor ao constituído.


Ao que parece, como já disse Bruce Lee, a rigidez da barra de ferro só tira lascas, mas a flexibilidade do cabo de aço pedaços inteiros. Discursos são assim, mesmo - só se perpetuam diante da ação do tempo se compatíveis com o comportamento comparado no futuro. Eu costumo dizer que sempre espero pra ver o fim do filme, pois é lá que toda história comprova sua coesão.


Portanto, se as organizações, sejam públicas ou privadas não se atualizam e se adaptam às mudanças obviamente que caducarão e se transformarão em estorvos ao invés de eficientes e produtivas, o que, no caso específico das públicas, significa dizer que se tornam um peso à sua sociedade e Estado.

Raniery


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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Rodízio Do Assédio

A copa do mundo está aí e nada parece ser mais competitivo que o futebol.


No Brasil a coisa descamba para as vias da violência quando um time perde pro outro em um clássico. No campo muitas vezes o que assistimos mais parece um espetáculo de gladiadores que propriamente uma partida.



Uma das táticas mais utilizadas ultimamente é o chamado rodízio de faltas onde um atacante habilidoso passa a sofrer inúmeras interferências em suas jogadas por diversos jogadores para dissimular a intenção de neutralizá-lo. É o anti-jogo.



Acontece que este tipo de estratégia acontece na vida cotidiana e é tão indigna quanto aquela do jogo de futebol, só que pior. Lá o que conta são 3 pontos, mas nesse é a dignidade que perde de goleada.



Quando passei a ser alvo de perseguições na empresa percebi que havia uma intencionalidade por trás dos atos e, aliás, é assim até hoje. As "orientações" não tinham nada a ver com disciplina, mas comigo mesmo. Não era o ato, mas a pessoa.



E como eu sabia disso? Simples! A mesma coisa que me era dito como desabonadora não o era para um outro, por exemplo. Então, aquele colega de furto, o amigão do peito, parceirão, poderia fazer o que quisesse que não seria sequer questionado, mas se fosse eu, aos berros e ameaças teria que me explicar.



No início, para o grupo parecia que eu tinha mania de perseguição e de nada adiantava eu tentar mostrar o que estavam fazendo, até por que, entendia-se que eu havia provocado a fúria dos assediadores, logo, era razoável que sofresse alguma sanção, ainda que fosse ilegal, pois, por lá, sempre fora assim. 



Uma vez um chefe cometeu um ato falho e me disse que se as perseguições que estavam ocorrendo fossem cometidas por uma só pessoa ele faria algo, mas como era um de cada vez não poderia fazer nada, ou seja, naquele momento ficou claro pra mim que havia um rodízio de assédio.



A ideia é fragilizar emocionalmente a pessoa constrange-la a ponto de desestabilizá-la para que, intimidada, tenha queda de rendimento e justifique sua demissão ou mesmo a force a se demitir. Lembro- me, inclusive de que externaram está intenção em uma rede social na época.



Uma vez que retirem sua auto estima e minem sua auto confiança conseguirão te derrotar. Essa é a ideia do rodízio do assédio. Lembrando sempre que assediadores não trabalham sozinhos e sempre terão um capacho que lhes servirá. Não tem jeito. Tem gente que nasceu para ser subjugada e é masoquista por natureza.



Recentemente a empresa demonstrou a estas pessoas o quanto foi uma perda de tempo e dignidade realizar tais atos antiéticos. Nivelando antigos chefes ao nível de seus subordinados numa inversão que pra mim soa como despromoção, deixou claro o quanto fora inútil satisfazer os caprichos de seus chefes que estão pouco se importando com eles.



É só você fazer um exercício de imaginação e se colocar no lugar de algum entusiasmado puxa saco. A vida inteira debaixo dos pés de um recalcado acreditando que ao se submeter estaria sendo esperto. Quando chega o momento de gozar do esforço....toma um tapa na cara e fica com o rabinho entre as pernas, humilhado e sem moral entre os pares.



Perceba que esta é uma engrenagem venenosa e ilusória que só produz desagregação que é uma das melhores maneiras de se manipular massas, mas como fazer enxergar isso pessoas que são cegas e incapazes de tal percepção?



O tal rodízio aponta para um outro elemento que nem mesmo quem o prática percebe: a transitoriedade. Aquele que adere a ideia pensa que está por cima e se deu bem, mas não percebe que se trata apenas de mais uma marionete que será descartada quando não for mais necessário. Por isso, rodízio.



Por outro lado, quando se detecta o modus operandi dos assediadores, e se consegue, com isso, neutralizá-los, a partir dos vários meios que hoje se tem, também se evidencia a verdadeira farsa por trás de seus atos os expondo como agressores que são. A visibilidade ainda é o maior castigo para um agressor dissimulado.



Eu gosto de futebol, mas não o tenho como prioridade em minha vida. Gosto menos quando percebo o quanto de sujeira há nesse meio. Menos ainda quando percebo similaridades entre o jogo de futebol e o jogo da vida. 



Portanto, cartão vermelho pro assédio moral



Raniery


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