quinta-feira, 26 de abril de 2012

Transtorno Assédio Moral


A violência silenciosa 


"Quem semeia um pensamento colherá um fato; semeia um fato e terá um hábito; semeia um hábito e formará um caráter; semeia um caráter e obterá um destino":  Prof. Henrique José de Souza (1883-1963). 

Vou situar algumas informações e basear-me na experiência de consultório de forma bem resumida. É lá onde percebo os estragos no assediado. Ao semear ventos, hoje colhemos a tempestade, tal a frase do Prof. Henrique é perfeita para refletirmos, sobre o mundo que criamos. Sair em busca de culpados e caça as bruxas, você poderá acabar sendo presa de si mesmo. Muita coisa precisa ser feita, principalmente na área de educação, onde começo a perceber a sensibilidade dos professores, escolas, secretarias de educação no sentido de priorizar mais a preparação do seu pessoal nas competências humanas. 

Introdução

Na Internet você encontra uma gama de artigos, livros, reportagens e etc., sobre este assunto. Esta violência silenciosa está começando a fazer barulho, no momento em que está pesando financeiramente no bolso das instituições, porque esta infelizmente, é a linguagem que se entende, fruto de um capitalismo neoliberal burro, que não consegue perceber que o lucro, desenvolvimento e progresso estão no investimento que ela faz no CAPITAL HUMANO. Este caminho inicia-se na EDUCAÇÃO. 

Alguns programas de tv reconstroem, casas, carros velhos, e até mesmo rostos humanos, mas não vi nada na reconstrução de uma escola, porque reconstruir o homem pela educação, reconstrói seu caráter e lhe restitui a dignidade. Se o montante que se aplica no futebol e outras tantas modalidades de esportes, fosse destinada à educação apenas uma pequena parcela deste investimento, não teríamos nenhum criança fora da escola, nem escolas destruídas, nem professores mal pagos e desmotivados. Parece que a ignorância interessa a poucos que manipulam muitos, porem, os tempos são chegados e não há como retroceder. Toda humanidade está condenada à evolução, porque essa é a lei universal de evolução, só que está lei anda de braços dados com a educação. Quer queiram ou não, o homem está saindo do seu cativeiro pelo advento de um novo tempo e um novo estado de consciência. 

O estado perde R$ 520 milhões, anualmente... "Isso representa um terço de todo o custeio das universidades públicas do país" (texto integral: www.sinal.org.br/). No livro Assédio moral no trabalho, capitulo 10, do adv. dr. Robson Zanetti consta: EUA gasta com tratamento da depressão 44 bilhões de dólares segundo o BIT - International Labour Office, ligado a ONU (Bureau international du travail). Um gestor educacional com este mesmo olhar, pode muito bem dizer: aluno dá lucro e professor despesa e em uma empresa: o produto dá lucro e funcionário despesa ou até prejuízo. Uma verdadeira inversão de valores, pois, o capital humano é decapitado da suas qualidades em detrimento da quantidade. 

Histórico: precursores do assédio moral, dr. Klaus Niedl, da Universidade de Viena, autor da primeira tese de doutorado sobre o mobbing, dr. em psicologia do trabalho, Heiz Leymann, pela médica Marie-France Hirigoyen, pelo italiano Harald Ege e pelo alemão Dieter Zapf. No Brasil a partir de 2000 pela dra. Margarida Barreto, fruto de suas pesquisas, que culminou com o lançamento do livro. Violência, Saúde e Trabalho: Uma Jornada de Humilhações. Consta no livro dos recordes- Rank Brasil que o primeiro livro sobre assédio moral foi do prof. Mestre João Renato Alves Pereira, que também é autor da 1ª lei no Brasil (Iracemópolis-sp) sobre assédio. 

Definição de assédio: É a exposição do trabalhador (a) a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções (www.assediomoral.org) . Recebe também outros nomes como bullyng, psicoterrorismo, tiranizar, mobbing, ostracismo social. Em outras palavras: deterioração dos valores humanos e consequentemente perda da dignidade. 

Tipologia do assédio moral: 

Na posição vertical descendente o assédio ocorre do professor para o aluno, numa relação hierárquica, tal qual nas empresas chefia x subordinado. Na primeira sessão de terapia, meu cliente disse: estou de afastamento e por recomendação médica, procurei a terapia, porque não suporto mais meu trabalho. Tenho medo de voltar e ser novamente discriminada pela minha chefia. Transtorno visível: depressão, desanimo e baixa estima. 

Já na posição vertical ascendente ocorre assédio a partir do aluno (s) para o professor. Este é um tipo de assédio que vem aumentando (veja o Projeto de lei de Paulo Pain). No consultório um cliente fez o seguinte comentário: aquele fulano me paga (se referindo a seu chefe), porque agora meus colegas estão do meu lado. É importante que o líder tenha consciência que o poder também vem de baixo. Formigas você vê, porem o cupim age às escondidas e, o estrago é maior. Infelizmente está aumentando o número de aluno ir contra o professor, porém, o mais comum é unir-se a outros e provocar o assédio. 

Na posição horizontal x horizontal, estão as relações com seus pares (prof. x prof.) e ai corre por conta as fofocas e o diz que diz. Não tolero mais minha escola, relatou-me uma professora, porque na maioria das vezes me sinto discriminadas no horário dos intervalos e café com meus colegas. Importante: nem todos estes casos podem ser enquadrados como bullyng. 

Os outros 4 tipos constituem tipos variantes, que merecem cuidado especial para uma boa “ouvidoria”. Na posição 4 aluno contra aluno é o mais comum e denominado de bullyng que é outra forma de dizer assédio. Na posição 5, um prof. se une a outro (os) contra o aluno. Na posição 6 parábola invertida, o aluno se une a um prof. contra outro aluno. Já na posição 7 parábola o prof. se une a um ou mais alunos para atingir um colega, Penso que os casos 6 e 7 sejam pouco comuns, mas é preciso vigilância dos sentidos. A MELHOR MANEIRA DE RESOLVER A QUESTÃO DO ASSÉDIO É A CONSCIÊNCIA HIERARQUICA E TAMBÉM DO PAPEL PROFISSIONAL. Isto não pode ser cobrado apenas do professor, mas também do aluno, funcionários da escola e dos pais . Têm pais que criam seus filhos para serem bonzinhos e obedientes em casa, porém, quando o professor relata exatamente o contrário, os pais se rebelam e os ofendem moralmente. Este assunto ainda vai dar muito pano para camisas até que acontecer o primeiro caso que caracterize assédio com indenização, no entanto, para que isso não aconteça, o estado tem que estar mais sensível para estes tipos de acontecimentos, implantando uma ouvidoria imparcial para educadores e educandos. O corpo discente, funcionários, docente, estão ficando doentes. As indenizações individuais já atingiram a casa de dois milhões de reais. Pense em centenas de processos de educadores, alunos, pais e funcionários contra as escolas, secretarias e governo. Pode ser muito dinheiro, mas a dignidade humana não tem preço. 

É importante salientar que esta tipologia que exemplifiquei professor x aluno, também se aplica aos cargos de coordenação, direção, pais, secretaria e para o próprio governo. O assédio não é uma forma de ganhar dinheiro, é um fato e como tal tem que ser provado. 

As estratégias: o assediador manipula seus subordinados/alunos de três formas: 1º. Fazendo papel de vítima para que estes se sintam culpados (veja só minha situação: eu ensino, mas você não aprende. Em outras palavras a culpa é sua); 2º. Ser o salvador, agindo como bonzinho e com isso compra ou suborna-os (presentes, pseudos elogios), e 3º. Age como perseguidor e se impõe pelo medo (coage e ameaça: se isto acontecer novamente....). 

Conseqüências: desmotivação (burnout), baixa estima, doenças decorrentes da somatização (principalmente a depressão), internação, afastamento ou perda do emprego, perda da identidade profissional e pessoal, ou até à morte (doenças ou suicídio). Quando o governo fizer um levantamento total dos reais motivos das doenças provocadas pelo assédio moral, que causa afastamentos, internações, pré-aposentadoria na área de educação, vai sentir no bolso e espero também que na consciência, o quanto vale o assédio. Todo profissional da área de educação deve estar atualizado quanto a este assunto para não ser apanhado de surpresa. 

As leis: Lei Nº 4.742, de 2001CLT-artigo 483, Lei Nº 9.394, Constituição de 1988 e etc., caso contrário na caberia neste artigo. É preciso tomar muito cuidado com as reivindicações dos direitos, sem antes conhecer os deveres. Os dois pratos da balança devem estar em equilíbrio, não é só professor que é assediador, veja o projeto de lei do senador Paulo Pain – pt-rs - Configura violência contra o professor qualquer ação ou omissão, decorrente no exercício profissional, que cause morte, lesão corporal ou dano patrimonial, praticado direta ou indiretamente por aluno, seus pais, responsáveis legais ou terceiros. 

Fico pensando onde fomos parar: temos leis de proteção da criança e adolescentes, dos idosos, da mulher, dos discriminados, dos animais, ambiental, dos direitos disso e daquilo. Vamos então propor uma nova lei, a Lei da proteção do homem contra o homem, e neste caso somente Deus poderá fazer cumpri-la. O pramanta que deve ser o novo estado de consciência da humanidade é expresso por um dispositivo que produz o renascimento através do fogo, a centelha primordial. E este fogo, expressando a inteligência está dentro de cada ser humano, somente pode ser desperto através do conhecimento, cuja detentora desde os primeiros passos está nas mãos da educação. Se ela ficar doente, toda sociedade adoecerá, aliás, esta sociedade somos nós mesmo. 

Há uma palavra, que resume tudo isso: Namastê: o Deus que habita em mim saúda o Deus que habita em você. Essa é máxima dos relacionamentos, e talvez seja o programa que cada escola e instituições tenham que ter como meta de suas ouvidorias. 

Quanto custa o assédio: não basta identificar este custo só no financeiro, mas também sob o ponto de vista da “perda de identidade”, da doença psicomental, da exposição do ser humano e sua família perante a sociedade. Algumas instituições já estão criando o seguro assédio, isto significa uma ação paliativa e não corretiva, numa melhor preparação e consciência do papel profissional tanto dos seus líderes quando dos liderados. O caso recente de abuso com crianças em uma creche veiculadas pela imprensa foge aos parâmetros da normalidade e constitui crime, principalmente contra indefesas crianças. Só podemos dar o que temos, e uma criança não tem maturidade suficiente para se defender. 


Tipos de Escolas-instituições e plano de ação anti-assédio (bullyng): 

1. Reativas, são aquelas que reagem e respondem aos casos de assédio moral quando eles já ocorreram, porém não solucionam o problema. Sua ouvidoria é surda, só escuta. 

2. Ativas, são aquelas que fazem um trabalho corretivo pela orientação e as cicatrizes são amenizadas. Sua ouvidoria ouve, mas não registra os fatos. 

3. Proativas, são aquelas que possuem um plano que envolve uma ação corretiva imediata dando apoio e suporte psicopedagógico para os envolvidos em corresponsabilidade com a família, e se for o caso, sugere o encaminhamento psicológico e depois estabelece estratégia preventiva, para que o fato não se repita. Sua ouvidoria ouve, acolhe, repassa as informações e acompanha a solução do caso. 

Não estou me referindo a ouvidoria apenas no sentido convencional, mas que cada um dos colaboradores de uma escola/instituição tenham ouvidos para ouvir e olhos para ver o que acontece no ambiente de sala de aula e do espaço escolar. No site do governo de Alagoas consta: “Ouvidoria nas Escolas contempla mais de 45 mil alunos e educadores”. 

Estive recentemente na Niplan Engenharia realizando algumas palestras sobre o papel ético do líder e as questões do assédio moral, iniciativa esta que serve de exemplo do que é ser uma empresa empreendedora, ao tomar uma ação preventiva, e implantar sua própria ouvidoria, como já o faz a Petrobrás. 

O governo nas suas instancias municipal, estadual e federal, já possuem sua próprias ouvidorias, como muitas faculdades, escolas, empresas e etc., porém existem muitas que ainda que não têm um canal especifico para atender os diversos tipos de assédio. Com estas questões do assédio moral (bullying) a ouvidoria passa a ter um papel fundamental para uma ação preventiva, tanto daquele que é o assediador quanto daquele que é assediado. Nem professor, nem chefe precisa ser vilão, nem muito menos o aluno ou funcionário, cabe apenas ter consciência do seu papel profissional. 

Para mim, estudar é trabalho e profissão. Há tempos atrás quando se preenchia uma proposta de emprego era comum, no item profissão, escrever-se: estudante. Então, o processo é de mão dupla, corresponsabilidade professor x aluno, escola x família, empresa x funcionário. É preciso alteridade (rapport, empatia) por ambas as partes, sabendo se colocar no lugar do outro na relação interpessoal, porém antes disso é preciso competência intrapessoal (autoconhecimento). Abuso de poder outorgado mediante posição hierárquica não é o mesmo que liderar. 

Para terminar quero dizer que o professor consciente do seu papel não precisa do poder manipulador do assédio moral (bullying), porque já é detentor do maior de todos os poderes: o conhecimento. 


O aluno principalmente no ensino infantil e fundamental refletem em grande parte o modelo da família e como é educado. Assim, compete aos pais, cuidarem melhor de suas sementes, para não se dar àquilo que está expresso inicialmente na frase do prof. Henrique: colhemos o que plantamos.


A educação precisa, de uma sólida e comprometedora coparceria da escola com a família, para poder cumprir seu papel na potencialização 

do capital humano.




raniery.monteiro@gmail.com

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Eitcha Peste!


Conhecida historicamente como a doença responsável por uma das mais trágicas epidemias que assolaram o mundo Ocidental a peste negra apareceu pela Península Itálica por volta de em 1348, na baixa idade média. Essa doença afligia tanto o corpo, quanto o imaginário coletivo. Era considerada por muitos como castigo divino pelos pecados da sociedade.

A peste negra, segundo pesquisas, é originária das estepes da Mongólia, onde pulgas infestavam diversos roedores que entraram em contato com zonas de habitação humana. Transportados através de veículos marítimos, os ratos eram os principais disseminadores dessa doença mortal.  A doença chega a Europa pelo intenso comércio entre o Oriente e o Ocidente. O contato humano com a doença desenvolve-se principalmente pela mordida de ratos e pulgas, ou pela transmissão aérea.

Desconhecendo as origens biológica e desprovida de conhecimento científico sobre a doença, a Europa medieval explicava e tratava da doença de forma supersticiosa. Muitos, culpavam os grupos sociais marginalizados da Baixa Idade Média por terem trazido a doença. Alguns registros da época acusavam os judeus, os leprosos e os estrangeiros ou bruxas de terem disseminado os horrores causados pela peste negra. No entanto, as condições de vida e higiene nos ambientes urbanos do século XIV são apontadas como o principal responsável pela epidemia.

Na época, as cidades medievais agrupavam-se desordeiramente numa grande quantidade de pessoas. O lixo e o esgoto corriam a céu aberto, atraindo insetos e roedores portadores da peste. Os hábitos de higiene pessoal ofereciam grande risco, pois os banhos não faziam parte da rotina das pessoas. Além disso, os aglomerados urbanos contribuíram enormemente para a rápida proliferação da peste. Ao chegar a uma cidade, a doença se instalava durante um período entre quatro e cinco meses. Depois de ceifar diversas vidas, esses centros urbanos ficavam abandonados. Os que sobreviviam à doença tinham que, posteriormente, enfrentar a falta de alimentos e a crise socioeconômica instalada no local. Por isso, muitas cidades tentavam se precaver da epidemia criando locais de quarentena para os infectados, impedindo a chegada de transeuntes e dificultando o acesso aos perímetros urbanos. Sem muitas opções de tratamento, os doentes se apegavam às orações e rituais que os salvassem da peste.


Numa época em que Direito e religião eram praticamente a mesma coisa, não é difícil imaginar que situações absurdas como estas ocorressem. Soma-se a isso a ignorância científica com a paranoia coletiva, fica fácil perceber que naquele tempo viver era um desafio e tanto.

Se hoje, com todo aparato jurídico e judiciário sedimentados sobre conhecimentos consolidados e garantidores dos Direitos fundamentais nas principais democracias pelo mundo, não é fácil pra um magistrado decidir conflitos cotidianos pela natural complexidade das relações humanas, imagine você, então, sob aquelas condições.

Hoje, qualquer um tem acesso à justiça, tem direito a um devido processo legal- que lhe garanta o mínimo de proteção à dignidade enquanto pessoa humana, enfim, garantias constitucionais que permitirão o controle do poder estatal contra toda e qualquer arbitrariedade.  Se olharmos para trás veremos que demos um salto e quântico no que diz respeito ao mínimo de condição humana descente pra existir.

Incrivelmente, ainda hoje, existem pessoa que parecem viver na idade da ignorância pensando que são gênios que podem, em questões de segundos avaliar, analisar, julgar e sentenciar outros segundo critérios pessoais motivados por conclusões superficiais de fatos que sequer presenciaram. Confesso que me sinto frustrado de conviver com seres assim, pois todos os dias vejo estas aberrações urrarem sua imbecilidade nas relações e interações cotidianas e isso independentemente de condição socioeconômica, o que obviamente não quer dizer absolutamente nada.

Nesses dias me vi envolvido por uma situação constrangedora onde o cidadão simplesmente chegou a uma conclusão fantástica munido de mínimas informações, claramente cego por sua desestabilização e indignação diante de uma circunstância que, ao que parece, o lesou. Como uma metralhadora, saiu atirando pra todos os lados pra elencar o culpado por tal ato. Mas, já estou calejado com isso- falarem coisas de mim sem ouvir minha versão ou fofoquinha de maricas que deve sentir um tesão recolhido por mim.

Em sua mente brilhante e raciocínio geniais, concluiu: “se eu acusar todos, certamente encontrarei entre eles o culpado”. Pra eliminar o joio ele, então, decidiu destruir todo o trigo. Este resultado e conclusão me parecem tão fantásticos quanto os músculos que ele cultiva com o estímulo de anabolizantes de primeira linha.


Só pra não deixar passar em branco, pense na palavra método:


"Método é o caminho que deve ser percorrido para a aquisição da verdade, ou, por outras palavras, de um resultado exato ou rigorosamente verificado. Sem método não há ciência. O homem do vulgo pode conhecer certo, mas não tem certeza da certeza. O conhecimento vulgar nem sempre é errado, ou incompleto. Pode mesmo ser certo, mas o que o compromete é a falta de segurança quanto àquilo que afirma. É um conhecimento parcial, isolado, fortuito, sem nexo com os demais".


Bom, daí pode-se ter uma noção de que as coisas não são tão simples assim a ponto de acharmos que só porque vivemos na era digital tudo pode ser feito através de dowloads. Na realidade, reagindo de forma simplória poderemos "arrumar para a cabeça", pois pode-se nesse processo cometer injustiças ou ilícitos que recairão sobre nós.

Depois deste episódio, em determinado momento parei e cheguei a uma conclusão: ou ele é mesmo genial, pois consegue sem nenhum recurso científico identificar quem cometeu tal ação, ou recebe mensagens extraterrestres ou do além, ou está agindo por projeção, já que quem apronta desconfia de todo mundo ou ainda é parente do Pateta e acabou fazendo papel de idiota.

Mas, é preciso dar um desconto, pois se fosse comigo ou com você, ficaríamos “P”. da vida também. A única falha desta abordagem é que no processo podemos perder a amizade ou a boa convivência com os outros.


Leia também: Bruxas: as mulheres em chamas


Raniery
raniery.monteiro@gmail.com

terça-feira, 24 de abril de 2012

A estupidez humana


Perfeição


Vamos celebrar
A estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja
De assassinos
Covardes, estupradores
E ladrões...

Vamos celebrar
A estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação...

Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião...

Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade...

Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta
De hospitais...

Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras
E seqüestros...

Nosso castelo
De cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia
E toda a afetação
Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã...

Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração...

Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado
De absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos
O hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
Comemorar a nossa solidão...

Vamos festejar a inveja
A intolerância
A incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente
A vida inteira
E agora não tem mais
Direito a nada...

Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta
De bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isto
Com festa, velório e caixão
Tá tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou
Essa canção...

Venha!
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha!
O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha!
Que o que vem é Perfeição!...


Legião Urbana

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Criadores de personagens

A vida cotidiana produz farto material  tanto de tipos de pessoas quanto de interações que são explorados pelos criadores de personagens de animação que vemos retratados nesta forma de entretenimento. 

Há uma infinidade de situações, tipos característicos, circunstâncias e ambientes que são descritos com criatividade e talento artístico e uma generosa dose de tecnologia que nos prende diante das telonas, mundo afora. 

Desenhos de animação sempre me fascinaram desde a infância. Passava horas assistindo as peripécias e trapalhadas de determinados anti heróis (meus preferidos), que me divertiam muito. De tanto assistir passei, eu mesmo a criar os meus, em folhas de papel e lápis de colorir. Sem saber acabei desenvolvendo uma capacidade de observação muito boa. 

Mas, na vida real temos outros tipos de personagens que são criados por determinadas pessoas. São de carne e osso, apesar de irreais. Elas criam figuras que nos dão a impressão de serem verdadeiras, mas que são a teatralização das intenções e objetivos perversos de que possuem. 

De posse desta persona, nos convencem, persuadem, induzem e nos prejudicam na maior tranquilidade de quem se satisfaz em passar seu semelhante pra trás. Se, junto a isso, você somar uma competitividade doentia estimulada por sistemas arcaicos, então logo concluirá que a coisa não acabará bem. Principalmente se for você o prejudicado. 

Onde trabalho, por exemplo, tem um monte de espertalhões que adoram passar seus colegas pra trás e  se gabarem de malandrões. A única coisa que não admitem, porém, é que se faça o mesmo com eles, pois aí uma moral rígida e uma ética escrupulosa os possuirá e vociferarão discursos de justiça impressionantes. Pra eles, trouxa tem que ser o outro. Palmas pra eles então! 

Sendo assim, e diante de situações que interferem em nossas vidas, fica claro e evidente a necessidade de aprender a detectar o que está por trás das máscaras que as pessoas apresentam. A leitura correta delas fornece os dados necessários pra se posicionar adequadamente nas mais diversas situações que porventura venhamos a nos deparar. 

O processo aqui é o inverso daquele utilizado pra se construir o personagem; na realidade é a desconstrução deste. Você pode chamar isso de análise se quiser, não tem problema. 

Daí porque, desenvolver técnicas eficazes para aprender a observar melhor as pessoas. Isso não é fácil e não se desenvolve da noite para o dia, mas será preciso começar em determinado momento, pois senão corre-se o risco de se ver sempre vitimado por este tipo de gente. É uma escolha pessoal. 

Temos que começar a procurar por padrões de traços que caracterizam as pessoas como um todo. Desvenda- se assim sua verdadeira personalidade. É a descoberta de padrões previsíveis, o que significa muito mais que reunir informações seguindo um processo lógico. Uma vez obtidas determinadas informações, elas serão examinadas e avaliadas até que se permita baixar a guarda e olhar a pessoa como um todo. 

É o mesmo processo de diagnose utilizado pelos médicos na detecção exata da anomalia que afeta o doente. Procura- se assim o maior número possível de dados que permitam uma avaliação precisa da pessoa, o que pressupõe um certo tempo, diferentemente de quando agimos de forma leviana, nos deixando levar pela aparência, adotando conclusões superficiais e precipitadas. 


O critério adotado na escolha do meio que se utilizará para o levantamento das informações dependerá das circunstâncias e de quais objetivos se pretenda dentro das relações; o que, evidentemente, será proporcional ao grau de importância que se dará a estas. É preciso certa dose de paciência e vontade no processo. 

Dentro disso, busca- se identificar os principais traços marcantes das pessoas e à medida que se evolui no processo de aquisição da informação, torna- se possível detectar o que se é consistente daquilo que aparenta inconsistência. Cada característica deve ser considerada em seu contexto e não de forma isolada.

Procura- se aqui pelos extremos já que a importância de determinada característica pode ser elencada por uma questão de grau em que se manifesta. Passado esta etapa, procura- se os desvios de padrão: o que foi identificado é consistente ou é um estado transitório? Segue- se daí pra distinção entre traços opcionais dos não opcionais- determinadas situações temos o controle, outras não. Lembrando que pessoas são iguais em qualquer parte do mundo em seu contexto geral. 

Tenho observado, ao longo dos anos, que desde que passei a adotar esta forma de abordagem própria e intuitiva de conhecimento de pessoas, se não acertei 100% na identificação das mesmas, pelo menos, me aproximei de um ideal mínimo, mas nem por isso deixei de passar por situações como as de assédio moral. Por outro lado esta mesma percepção me ajudou a identificar como agiam aqueles que pretendem me prejudicar oferecendo resistência à altura. 

Cada um deve desenvolver seu próprio método de avaliação de interações. O que não se pode fazer, em minha opinião, é andar no mundo da ingenuidade e se oferecer como presa fácil pra um tipo de personagem desprezível que é o sórdido. Mas isso, fica pra cada um decidir.


Leia também: Funcionário Dissimulado




Raniery
raniery.monteiro@gmail.com

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Fique "blindado"para os desajustes emocionais de seu chefe

Como a relação LIDER-LIDERADO pode ajudar ou comprometer os resultados e como manter o seu equilíbrio sendo CHEFIADO por um desequilibrado. 


Nos dias atuais, apesar de todo o desenvolvimento nas áreas jurídicas, humanas e de relacionamentos nas empresas , o assédio moral de chefes é mais comum do que imaginamos, especialmente, em países de terceiro mundo, cuja impunidade para crimes muito maiores, ainda existe, o que dirá para punir rompantes neuróticos de um chefe desequilibrado que atua na política da PANCADA E GRITO. 

Nas sessões de Coaching o que mais escuto de meus clientes são os desafios que enfrentam para lidar com CHEFES DESEQUILIBRADOS. Tive a oportunidade de conversar com James Hunter, autor do livro famoso " O Monge e o Executivo" que trata, exatamente ,do assunto Liderança e perguntei a ele se esse descompasso entre Líder e Liderado era maior no terceiro mundo? E ele respondeu que o tema Liderança é preocupante em todo o mundo e que temos mais maus exemplos do que é SER LÍDER do que bons e que ainda teremos muito trabalho pela frente antes que a crença na PANCADA E GRITO ( expressão usada por mim) seja extirpada do "modus operandi" da maioria das pessoas em cargo de Liderança. 

Cabe aqui ressaltar que alguns autores distinguem Líder, de Chefe. 

Chefe: com sistema de gestão da era industrial, ultrapassado, cujos indicadores de resultados são apenas os numérico-financeiros e pouco se importam com as pessoas. Busca poder, status e prestigio, a qualquer preço. 

Líder – sistema de gestão participativo e progressista, acredita estar na posição para servir e fazer seu time evoluir e conquistar resultados e crescimento profissional.

Seus indicadores contemplam todos os numérico-financeiros e também, o IFB ( índice de felicidade bruto) além dos indicadores de EQUIPE, CLIENTES E PARCEIROS/FORNECEDORES. Sua visão é bem mais ampla do que a do CHEFE. Acredita em PROGRESSO COM AS PESSOAS. 

Apesar de toda a luta inicial de Peter Drucker por uma gestão mais humana e seus seguidores como o próprio James Hunter,Stephen Covey, Bill George, Jim Collins, enfim todos estudiosos que através de pesquisas analisaram durante anos o comportamento dos Líderes e os resultados das empresas. 

Puderam comprovar que o CHEFE rude, grosseiro, centralizador, que pune, que não elogia, que grita, enfim, todos os componentes para um bom processo por assédio moral, OBTEM OS PIORES RESULTADOS quando comparados a estilos de liderança mais progressistas. AINDA, EM PLENO SEC XX,observamos, especialmente no terceiro mundo,existirem mais CHEFES do que LÍDERES e que pensam :"que se danem os outros que são meras engrenagens para conseguir o que quer". 

Possivelmente, muitos de vocês devem trabalhar para um CHEFE que se comporte de maneira inadequada , pois, é portador de crenças como as acima mencionadas e que alguns de vocês deve denominar de chefe IDIOTA, BABACA , DITADOR , DESEQUILIBRADO. 

Se este for o seu caso ou de algum amigo e parente, seguem algumas dicas para você que AINDA NÃO TEM COMO SE LIVRAR DESSE TIPO DE CHEFE, mas que não quer acabar com seus dias, nem seu estomago, nem sua alegria e felicidade, basta você seguir alguns passos : 

1.ELE(a) É DOIDO(a) ISSO É FATO.  Nenhuma pessoa normal, dotada de faculdades mentais equilibradas sai por ai gritando, xingando, mesmo que em situações de alta pressão e estresse. Quem age assim é desequilibrado emocionalmente, tem problemas de autoestima e autoconfiança. Age assim da mesma maneira que um animal que demarca território com sua urina. O que fazer quando ele (a) está nesse estágio? Pense que não é com você, ele deve ter algum problema, espere o " acesso" passar. Não absorva todas as atitudes insanas de seu chefe como um ataque pessoal, afinal, ele não lhe conhece direito e não tem motivos para agir assim, certo? Não fale nada e mantenha a sua estabilidade emocional. NÃO ENTRE NA ENERGIA DELE. O que ele quer, de fato, é lhe VAMPIRIZAR removendo todas as suas energias e se ele perceber que você ficou deprimido, ai sim, ele vai tripudiar em sua cabeça. Deixe-o falar (descarregar a raiva), anote e depois quando ele(a) estiver mais calmo, volte com a solução proposta.

2.SERÁ QUE É UM BOM MOMENTO? Muitas das discussões ocorrem e são desnecessárias, por falta de sensibilidade do outro para perceber se aquele é um bom momento para iniciar uma conversa com o CHEFE. Como saber? Bem, infelizmente o seu CHEFE não vem dotado daqueles dispositivos de churrascaria que você aciona sobre a mesa : VERDE = QUERO, POSSO e VERMELHO= NÃO QUERO E NÃO POSSO. Muitas vezes ele fecha a porta da sala (se é que em algum momento ele deixa a porta aberta) e isso pode significar NÃO POSSO, NÃO QUERO. Definitivamente, não é hora de falar, depois de uma reunião onde discutiram números e resultados baixos, ou após uma notícia terrível, demissões em massa, etc. Espere os ânimos acalmarem. Também, não é a hora para propor soluções mirabolantes tentando parecer solicito ao problema da empresa, mas que na realidade irão aumentar mais ainda os gastos com resultados poucos comprováveis e alto risco. Anote tudo e espere o momento mais calmo.Controle a sua ansiedade de querer apresentar a solução no momento errado. 

3.ELE (A) NÃO É UM DOS NOSSOS.  Essa frase é comumente usada quando o CHEFE é contratado no mercado, isto é, não fez carreira na própria empresa. Isso não seria um problema, mas se o tal CHEFE CONTRATADO chega na empresa querendo provar seu poder, se ele manda embora todos os cargos de confiança e coloca a sua TURMINHA, procura ressaltar como ele e só ele tem " MORAL" com o dono da empresa e para piorar , ainda maltrata as pessoas, desconsidera os mais velhos, os mais antigos colaboradores e faz questão de tomar todas as decisões sozinho, ai sim temos o MAPA DO INFERNO. Tem gente que ainda acredita que SÓ FAZENDO CARA DE MAU dará resultado, mas na realidade sabemos que esse comportamento exacerbado visa esconder uma grande insegurança e baixa autoestima. Como agir? Bem, sei que é difícil manter a calma vivendo uma situação dessas, eu mesma passei por isso e vivi todas as armadilhas que vocês podem imaginar, pois, pessoas do mal que vieram de outros mercados JOGAM UM JOGO SUJO e que você nem sempre está atento. OBS.: NEM TODAS AS PESSOAS QUE VEM DE OUTROS MERCADOS SÃO DO MAL. Mas, ALERTA TOTAL se ele(a) tentar ser seu amiguinho(a), lhe convidar toda hora para um café e ficar lhe confidenciando coisas. Ele(a), na realidade, está tentando saber mais sobre a empresa e sobre você, especialmente, seus pontos fracos para usar na hora certa e lhe dar um "chequemate", ainda mais se você tem boas relações com o dono da empresa e com a equipe. Mantenha a distância e sempre tenha outras pessoas nas conversas, como testemunha, evite falar com ele(a) à sós, pois, nesses momentos ele (a) aproveita para descarregar toda a raiva e insegurança , fazendo ameaças que você não tem como comprovar. O jogo dele(a) é psicológico.E ele(a) tem a maior paciência e "cara de pau" do mundo para esperar o momento certo para "dar o bote", pois, sabe que pessoas do BEM estão sempre DISTRAÍDAS. 




raniery.monteiro@gmail.com

quarta-feira, 18 de abril de 2012

É tudo pura ilusão

Harry Houdini: ilusionista
O ilusionismo é a arte da prestidigitação que induz à distração o expectador para que creia que o truque é algo de sobrenatural. Nada mais é do que um artifício de quem possui uma habilidade incomum com as mãos. Explora a nossa capacidade de atenção, já que, por mais que acreditemos, não somos capazes de fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo com 100% de nosso foco.

Da mesma forma, a violência perversa que se instala nos casos de assédio moral utiliza no processo esta eficiente ferramenta de destruição- o desvio de foco- cujo objetivo final é o controle sobre alguém. Pesquisadores do comportamento descobriram que toda esta engrenagem ocorre em duas etapas: a primeira é a chamada sedução perversa; a segunda: violência perversa.

Inicialmente o agressor procura desviar a atenção de suas verdadeiras intenções através de um processo de desinteligência sistemática com a preocupação de angariar o apoio e simpatia da pessoa ao mesmo tempo em que levanta informações importantes pra poder manipulá-la de forma eficiente. Deste modo atrai e distrai simultaneamente sem que desperte no outro os mecanismos de defesa que lhe permitiriam defender-se.

As táticas são muitas, ainda que nenhuma seja original. É o amigão do peito, a confidente do coração, o parceiro de churrasco etc. Você sabe, está careca de saber, mas mesmo assim ainda caímos nestes truques baratos. Mas também, quem consegue resistir a uma pessoa tão legal, não é mesmo! Pois, é: os agressores contam com isso.

Você já viu uma arapuca? Sempre tem uma isca pra pegar um animalzinho inexperiente, né? São as armadilhas que vêem com uma promessa fácil de benefício imediato e o bichinho chega a lacrimejar de emoção por tamanha sorte. Em poucos minutos, no entanto, descobre que irá parar na panela. É a magia do fascínio que neutraliza o bom senso e a razão.

Feito isso, o agressor passa a ter o domínio sobre o outro sem que este o capture, pois ele não fica nas mãos de ninguém; ele é o escravizador. A idéia é a de corromper pra possuir, ou seja, levar a pessoa a emular- se tornando- se tão suja quanto ele pra depois utilizar isso como meio de chantageá-la mostrando-lhe o quanto moralmente está comprometida, e, portanto, à sua mercê.

A partir do processo de sedução perversa inicia-se a violência propriamente dita. Tudo não passou de uma introdução para a meta principal que é o assédio moral em sua dimensão plena. Ataques à sua autoestima passam a ser constantes, e, de forma sistemática e gradual, minam qualquer possibilidade de resistência da vítima.

Naquele primeiro instante o que se pretendia era enredá-lo para colocá-lo sob controle, aprisioná-lo, desconstruí- lo moralmente para então, uma vez dominado, passar a acuá-lo. Todo trabalho acontece de forma furtiva, subrepitícia, insidiosa, nas sombras pra que não se consiga perceber o que está acontecendo. O assediado vai sendo cozido brandamente e quando se percebe já é tarde demais. É a tática da emboscada ou da predação. É o princípio da covardia.

Como os ilusionistas, o assediador procura neutralizar a razão e o bom senso do outro. É preciso tirar dele qualquer chance de ter tempo de defender-se ou esboçar reação. Tanto que mesmo durante ataques declarados muitos ainda acreditam serem culpados pela violência do agressor, inclusive os colegas que logo retiram- lhe qualquer apoio- é o isolamento.

Quando as mascaras caem e a pessoa passa a saber com quem está lidando sente- se traída e indignada. Ocorre que o assediador também é um ator e, como ninguém, interpreta  o papel de vítima ao mesmo tempo que explora a desestabilização do outro para que pensem que é um desequilibrado. Sem contar que usa contra este os segredos de atos comprometedores que habilmente o levou a cometer. Em determinado momento se desiste de lutar e passa- se a ser um cúmplice das agressões que são cometidas.

Todo o processo foi maquiavelicamente elaborado e plantado na mente descuidada através de um sofisticado mecanismo de lavagem cerebral inato do agressor. O hipnotizado faz tudo que a voz de comando determinar mesmo que seja ilícito, imoral ou absurdo. Não se questiona, apenas se cumpre.

Algumas dessas pessoas você já chamou de bajulador; outras foram ingênuas e inexperientes mesmo. Seja como for caíram nas garras de um perverso inescrupuloso e pagaram um preço caro e amargo por isso. Ora, a sedução perversa é apenas uma das faces da violência moral. Mais se parece com a terrível Medusa que petrifica, paralisa e anula da mesma maneira.

Por isso que é importante procurar ter uma visão clara e correta do mundo. Tanto suas coisas boas quanto seus perigos. Procurar saber onde se pisa e que tipo de ambiente estamos. Agora, não deveríamos enxergar o mundo pela boca dos outros, mas por nossa própria avaliação. É lógico que há importância nas interações, mas estas são parte de um todo e não o seu resultado final. Por isso que fomos dotados de um cérebro fantástico capaz de raciocinar, avaliar e analisar. Podemos, no entanto, preferir a ilusão que brilha e fascina mas que na ponta oferece um anzol que nos prenderá e causará um resultado não muito agradável.

Perceba o quanto é oneroso se deixar induzir ou conduzir por alguém. Pode ser que em determinado momento isso pareça vantajoso, mas é no fim da história que se percebe o erro que se cometeu. 



Raniery
raniery.monteiro@gmail.com