domingo, 27 de janeiro de 2013

O sentimento que se vinga



Dizer que alguém é perverso significa falar de uma característica de sua personalidade que define um padrão comportamental de maldade, malignidade ou ruindade, mas outras palavras podem se associar a esta explicação como: atrocidade, barbaridade, crueldade, improbidade, malignidade, truculência etc.

A definição, já descobrimos, mas qual é o limite deste tipo de desvio de caráter? Até onde o homem pode ir para disseminar o mal que ocupa o seu interior? Somente a criatividade humana poderá responder esta pergunta, pois o mal é criativo.

Pessoas assim se alimentam do mal, ou, conforme creio, alimentam entidades malévolas em um ciclo de dependência, mas seja como for, se estabelece uma necessidade de praticá-lo. Pode parecer estranho, mas é gratuito mesmo. Este instinto os move e não tolera ser contrariado, daí o espírito vingativo e revanchista destas cascas sem alma.

Em “O morro dos ventos uivantes”, escrito por Emily Brontë, essa dinâmica é explorada de forma intensa e sombria em um cenário de mistério, numa estória forte e intrigante que descreve a vingança como força motriz desencadeada por um complexo de rejeição e um amor impossível.

Heathcliff, um menino de rua cigano, é adotado pelo bondoso Sr. Earnshaw, mas isso deixa seu filho Hindley furioso de ciúmes, mas não sua filha Catherine, que se afeiçoa ao menino. Logo, a afinidade entre a menina e Heathcliff se estreita a ponto de mais tarde ficarem apaixonados. Porém, tudo muda quando o Sr. Earnshaw morre e seu filho Hindley passa a tratar seu irmão adotivo como um serviçal tentando impedi-lo de se aproximar de Catherine, mas sem sucesso.

O jovem Heathcliff passa, então, a enfrentar um inferno astral sendo mal tratado de todas as formas e passando por inúmeras humilhações e agressões, mas suportando tudo somente pela possibilidade de ficar perto de sua amada.

É quando Hindley tem a ideia de casar sua irmã com um rapaz rico. Neste instante as coisas começam a mudar e estremecer para o amor obsessivo que piora quando Heathcliff escuta Catherine dizer que não pode continuar esta relação, já que seu verdadeiro amor é de classe inferior, o que comprometeria seu status. Magoado e ferido, o cigano decide ir embora, o que causa a devastação em Catherine que mesmo assim se casa ainda que não ame seu marido.

Dois anos depois, Heathcliff volta rico e decide iniciar seu plano de vingança contra todos os que o oprimiram. Um a um, ele tira tudo o que possuem e ainda se volta contra seus descendentes dando-lhes o mesmo tratamento que lhe dispensaram em sua infância. Nisto, casa-se com a irmã de seu desafeto, marido de Catherine, o que a deixa mais infeliz. Desiludida, fica grávida e, ao dar a luz, morre. Desesperado, mas ainda corroído pela ira e o ódio, Heathcliff continua com sua missão inglória que termina melancolicamente com visões de sua amada, ou melhor, de seu fantasma (cascarões- larvas astrais que ocupam o spectro da pessoa morta) o atormentando, e, então, é encontrado morto por sua governanta indo se encontrar com sua amada no além.

A estória ilustra como uma pessoa que foi vitimizada por agressores pode se transformar também em um agressor  no futuro. São inúmeros os casos como os de abuso sexual, por exemplo, onde, quando adulto, a vítima torna-se um pedófilo. Isso não significa dizer que está correto, pelo contrário, mas, que é fato que se constata. Assediados de ontem podem ser os assediadores de hoje.

Com as agressões, a pessoa se deixa embrutecer e corroer pelos sentimentos de raiva, ira e ódio e permitem que seus corações e consciência se endureçam passando a repetir contra outros, o que fizeram consigo. Esse comportamento doentio é visto, inclusive, em mulheres que descontam em seus filhos os maus tratos sofridos na infância.

E quando o transtorno é algo crônico? Na idade média, na chamada santa (?) inquisição católica, a crueldade era levada a limites inimagináveis que pessoas que possuem consciência moral, não conceberiam. Naquele tempo, livre arbítrio significava pena de morte. Morrer somente, não define exatamente os horrores praticados pelos “homens de Deus” contra os hereges.

Antes de dar o último suspiro o desafortunado enfrentaria o mais alto grau de maldade humana. O mais incrível era a combinação da inventividade do homem com sua perversidade sórdida. Máquinas de destroncamento, amputação, estrangulamento, decapitação eram usadas para arrancar confissões de heresia e bruxaria, em processos inquisitórios sem o menor critério que serviam ao sadismo doentio dos homens de batina. Os perseguidos poderiam compor qualquer classe de pessoas desde homossexuais, judeus, maçônicos, bruxas, etc.

Mas, houve casos em que as coisas se inverteram e os idealizadores de tais máquinas provavam a sua eficiência. Em determinado momento soldados franceses revoltados fizeram com que os inquisidores sentissem, digamos, na pele o que faziam com as pessoas. Afinal, esse é o jogo da crueldade, um ciclo interminável de violência onde tanto o que provoca quanto o que sofre se transformam em bestas selvagens disseminando o mal. Aliás, a vitória de um agressor é emular suas vítimas para que se tornem iguais a eles.

Mas, não acredito que devamos nos deixar vencer pelo mal dando essa alegria para seres desprezíveis e vazios, mas ao invés de nos rebaixarmos ao seu nível, derrotá-los sem que nos destruamos no processo. Tudo o que fazem é para arrancar o que de bom há na pessoa agredida para que, perdendo sua essência, deixe de ser feliz e perca sua autoconfiança, pois como seres incompletos, eles não suportam ver alguém que manifeste as qualidades que não possuem. O fim destes atormentados é acabar no vazio de suas vidas como uma geração perdida, que é o que são.

Seja qual for o tipo de violência que se passou carregar o agressor para o resto da vida, dentro de si, não me parece ser a melhor estratégia para derrotá-los. A melhor estratégia com certeza não será lutar no território inimigo. A vingança atrapalha o raciocínio, mas a inteligência associada à paciência pode ser bem efetiva.
Raniery


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Quem nasceu podre não tira o pé da lama


"Ninguém deita remendo de pano novo em roupa velha; doutra sorte o mesmo remendo novo rompe o velho, e a rotura fica maior".

 "E ninguém deita vinho novo em odres velhos; doutra sorte, o vinho novo rompe os odres e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; o vinho novo deve ser deitado em odres novos". Marcos 2.21,22

A associação de cultura organizacional com padrões comportamentais permite a previsão de que um agressor crônico nunca mudará seu jeito de ser e agir.

Isso pode ser mal ou bom, só vai depender do ponto de vista que se desenvolva sobre a questão. Será mal quando isso promover lesão a direitos, mas por outro lado, sua repetição permitirá elaborar uma estratégia que permita a captação de provas que serão utilizadas em ações judiciais oportunas.

É interessante notar como a natureza processa a construção de um ser que será moldado por inúmeros fatores como os sociais, psíquicos, genéticos etc. Dessa forma uma personalidade será construída e agregada à pessoa. Nossos recursos adaptativos entrarão em cena pra que isso ocorra.

Imaginando que determinado ambiente terá influência sobre a construção de comportamentos somado ao tempo que se ficará exposto a isso, não será difícil concluir o quanto de ingerência haverá nas respostas das pessoas que se adaptaram a ele. Ocorre que adaptar-se não significa necessariamente se deixar absorver e se deixar escravizar por valores, ainda mais se forem antiéticos, perdendo a capacidade de avaliar e decidir como agir ou ser. O que parece determinismo soa mais como desculpa ou pretexto.

Acontece que chega uma hora na formação da pessoa que dificilmente se voltará atrás, ainda mais por nossa natural resistência a mudanças e, então, fixa-se padrões de comportamento enraizados, que no caso de assediadores tende a se perpetuar. Aqui é o caso de dizer que o que forma você é o que será exteriorizado ao ambiente. Isso se transforma na natureza da pessoa e a caracteriza. E, se o que alimenta determinadas pessoas é uma espécie “lavagem” de nada adiantará esperar que não rolem na lama, afinal de contas, não dá pra exigir do porco o comportamento da ovelha. Da mesma forma, se pode prever o comportamento de uma pessoa inescrupulosa independente da imagem que projete.

Em relação aos ambientes ou organizações contaminadas, que possuem culturas corrompidas e corruptoras, emergirão dois tipos, de pessoas: as de vontade forte e as evidentemente, frágeis. As do primeiro grupo não se deixarão levar pelos painéis de neon das seduções e promessas ilusórias. Já as pessoas do segundo tipo, serão tão fáceis de vencer sua resistência quanto passar por uma porta aberta, pois são pré-dispostas à se corromperem.

Uma vez se adaptado a esses lugares o comportamento é reforçado pelos laços que se estreitam nas naturais interações entre iguais. Apoio conquistado, não é preciso mais a dissimulação e emerge a arrogância como característica de quem se acha fortalecido, decorrência da sensação de impunidade. Sabe-se que os egocêntricos costumam desprezar seus semelhantes e, daí, para se utilizar de recursos inescrupulosos ou antiéticos, não será preciso esforço algum.

Recentemente, fui notificado de que seria preciso comparecer ao departamento médico de minha empresa e me deparei com uma criatura que sintetiza os conceitos aqui descritos.

Como lá não é necessariamente o paraíso da moralidade, esta “profissional” demonstrou todo o seu caráter (ou falta de) no tratamento que me dispensou. Como um jagunço de “coroné” passou a servir aos interesses de assediadores para tentar cavar contradições em documentos fornecidos. Curiosamente, do mesmo lugar onde falsificaram um em meu nome. 

Que já encomendaram uma armação contra mim, estou ciente, tanto que notifiquei ao MPT sobre a ameaça, mas nunca deixo de me surpreender com suas incansáveis tentativas, o que corrobora minha hipótese sobre seus padrões comportamentais.

As ações foram as de sempre, ofensas, intimidações, ameaças etc. Justamente de um profissional que deveria ser um apoio ao trabalhador. Interessante mesmo é ouvir os discursos moralistas dessas pessoas. Se não as conhecesse até acreditaria nelas. Mas, a esta altura do campeonato já deveriam também saber que estou esperto com eles e sei me defender. Não será uma carinha feia ou tentativas de intimidações que me farão vacilar. Terão que trabalhar duro.

No dia seguinte fui pesquisar na intranet sobre o trâmite do tal procedimento e, sem surpresa alguma, constatei que nada há por lá, ou seja, mais uma rodada de seu joguinho sujo; é óbvio que não disponibilizariam publicamente suas patifarias pelo fato disso poder ser usado contra eles.

O lado legal desta história, é que na sequência, passei por outro profissional, que agora sim, me tratou com humanidade e urbanidade e podemos travar uma conversa assertiva e produtiva e, em que pese, ele mesmo me disse que sabe como é a estrutura de lá, e isso, estando a pouco tempo na empresa. Mas, esta discrepância só se explica pelo fato da natural renovação de profissionais, sobretudo, em empresas públicas, como a que eu trabalho.

Em estruturas organizacionais obsoletas, corroídas e carcomidas por verdadeiras ostras que se incrustaram por lá, o sentimento de posse permeia suas mentes distorcidas e anômalas, potencializado pelo tempo em que praticam seus atos réprobos. São pessoas, em sua maioria, sem chance alguma de recuperação. Incentivados pela própria organização que fornece o habitat perfeito, estes parasitas infectam o ambiente com seu veneno, o que impede qualquer um que queira produzir mudanças.

É como diz o provérbio bíblico: não dá pra fazer remendo novo em roupa velha, pois o estrago será maior. Da mesma maneira pessoas que esclerosaram suas consciências e perverteram seus caminhos dificilmente retornam ao universo da ética e da moral e passarão a vida inteira disseminando seu cancro por onde quer que andem.

A boa notícia é que sabendo disso, isto é, que eles não mudam, eu, que tenho plena capacidade de controle destes centros de integração social e cognitivo o faço, ou seja, mudo, pois sou completo e capaz disso. Quanto a eles, seu carma será vagar pela Terra como zumbis: tem corpo, mas não tem alma, pois a muito tempo já morreram e são apenas uma casca vazia e amaldiçoada.

Destarte, independente de cada ação que produzam na tentativa de promover desestabilização e transtorno, deve-se manter os centros de energia compactos e não se deixar abalar mantendo assim o controle emocional e adotando-se as medidas que forem cabíveis para se defender de seus ataques.

Resta concluir que para o competente não faltará oportunidades ou portas que se abram em ambientes saudáveis e produtivos, pois este não se comporta como roedores urbanos dependentes de restos que são jogados no lixo, daí porque estar sempre se qualificando, pois a sorte privilegia a mente preparada. 
Raniery


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Natureza Caótica




Algumas questões surgem em nossas mentes no instante em que nos deparamos com notícias chocantes como essas, entre tantas, destaco a da natureza humana, pois, nos parece inacreditável que um ser humano seja capaz de atos tão cruéis. 

Tantas quantas são as questões suscitadas também o são as respostas dadas, em um ciclo que parece não ter fim, por causa da complexidade da tarefa, consequência da não menos complexa evolução do homem em sua trajetória.

E o que é natureza: por definição usual é a essência e as propriedades características de cada ser. Em relação ao homem, quando indagamos de sua natureza, a resposta comporta inúmeros complementos como o de sua origem orgânica, por exemplo. 

Carl Sagan dizia que os humanos são feitos de poeira estelar. A afirmação diz respeito ao fato de sermos feitos dos mesmos elementos que deram origem às estrelas e aos demais corpos celestes. Veja os elementos químicos característicos dos seres vivos – como carbono, nitrogênio e oxigênio – são os mesmos produzidos no interior das estrelas. Quando uma estrela explode, esses elementos são liberados e incorporados às novas gerações de estrelas, planetas e às formas de vida que vierem a se desenvolver nesses planetas. 

História da violência e conflitos humanos. Já em relação ao nosso comportamento, e, em especial, o violento, a história despeja vasto material que coloca nossa natureza em posição pouco privilegiada em comparação com os animais de outras espécies.  A própria palavra "violência", que etimologicamente deriva do latim vis, com significado de força, virilidade, pode ser vista como positiva em termos de transformação social, no sentido de uma violência revolucionária, usada como forma de se tentar transformar uma sociedade em determinado momento.

No Egito dos faraós, a violência estava presente de várias formas. Descobertas arqueológicas revelaram a povoados de escravos, sob constante vigilância, habitado por artífices e operários especializados. Qualquer infração os sujeitava a castigos físicos.

Na Roma antiga, as penas, aplicadas após julgamento, ganhavam um sentido religioso. Despido de sua humanidade, o réu era sacrificado aos deuses. Segundo a pesquisadora Norma Mendes, "havia o firme propósito de fazer da morte dos condenados um espetáculo de caráter exemplar, revestido de sentido religioso e de dominação, cuja função era o reforço, manutenção e ratificação das relações de poder". Era um espetáculo sangrento que assumia diversas formas: decapitação, enforcamento, crucificação, afogamento, morte pelo fogo ou em festas populares, em que se incluíam o circo de feras ou os jogos de gladiadores.

Durante a Idade Média, por exemplo, vemos como a violência manifesta na religiosidade, durante o movimento das Cruzadas, onde milhares foram mortos ou deram a vida em nome da religião e seus monarcas.

Atualmente, a globalização, conforme se alastra e conecta os homens pelo globo, é acompanhada pelo localismo e o particularismo religioso, étnico ou cultural, promovendo ódios e incompreensões crescentes. Episódios na Bósnia ou em Kosovo, na Faixa de Gaza ou na Irlanda do Norte, ilustram que a tolerância chegou a seu mais baixo nível, e, atravessar uma rua, entre bairros pode representar a morte.

Há também a questão da identidade, que se constroi na diferença em relação ao "outro", negativando-o: a xenofobia. Na era Bush, enquanto os Estados Unidos sempre procuraram ser vistos como os defensores da democracia, o olhar sobre o 'outro', o inimigo, se torna negativo, qualificando-o como Eixo do Mal, no caso de Irã, Iraque e Coréia do Norte. A manipulação da comunicação mostra como se elaborou um discurso político para justificar o embate político e as guerras no Oriente Médio.

As guerras são fatos históricos que levaram pesquisadores a tentar entender a origem da violência na espécie humana. Desde que tomamos consciência do que somos, ou melhor, que “somos”, nos questionamos sobre essa nossa natureza- intrigante e dual. Os principais psicanalistas não ficaram atrás, mas mesmo eles não nos deram uma palavra final. 

Freud tinha uma visão negativa do homem o achando mal por essência, Carl Rogers por sua vez pensava o oposto e creditava a violência há fatores externos. Gosto do conceito da Dra Ana Beatriz Barbosa Silva de que em sua maioria a humanidade é boa sendo que todos nós poderemos ter episódios de comportamentos inadequados, mas que nossa consciência, em determinado momento, nos fará retornar ao padrão anterior, isto é, se a tivermos. 

Pesquisas apontaram que o cérebro tem áreas ligadas à moral e que, em sua evolução, nossa espécie as desenvolveu justamente por uma questão pragmática, pois isso favorecia nossa sobrevivência e, por conseguinte perpetuação. Segundo os cientistas nossa arquitetura, isto é, o cérebro que desenvolvemos nossa linguagem e a consequência disso- a cultura- nos tornou diferentes das outras espécies, mesmo as mais próximas.

Portanto, estamos equipados tanto biologicamente quanto culturalmente para discernir nossos atos e decidir sobre o que fazer. Salvo as anomalias, a maioria de nós é capaz de avaliar o mundo ético e moral e por uma natureza inata (a sociabilidade) optar pelo padrão médio da maioria.

Quero pensar que as notícias que ouvimos todos os dias criam uma imagem impactante que nos faz deduzir que o homem rompeu todos os freios e que isso ainda é causado por uma minoria que foge a regra. Prefiro isso, a concluir que a coisa desandou e estamos vivendo uma escalada do mal sem precedentes. Pensando bem, 7 bilhões, é gente pra caramba e 4% disso pode causar miséria, então faz até sentido essa pensar assim.

Champinha
De qualquer forma, cabe ao homens e mulheres de bem não se resignar ou se acomodar diante daqueles que insistem em desintegrar a sociedade porque senão o mal e a vida serão banalizados e isto pode nos atingir cedo ou tarde. E isto, independe de chegarmos a alguma conclusão acerca de nossa natureza.
Raniery

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Reflexo Distorcido


Não é preciso ser gênio para concluir que a humanidade anda mal das pernas. Basta uma olhada ao seu redor ou mesmo acompanhar pelos noticiários que a coisa descambou. Todos os dias ouvimos algo sobre bullying, assédio disso e daquilo, mortes em colégios por psicóticos, homicídio por motivos fúteis etc.

A cultura da violência se instalou e a vida está banalizada. Em cada esfera da sociedade parece existir um parasita qualquer tentando levar vantagem sobre os outros e ávido por quebrar as regras. A consciência moral das pessoas parece ter evaporado de seus cérebros.

Fico me perguntando todos os dias o que está acontecendo com as pessoas para estarem assim tão egoístas e individualistas como se fosse possível alguém viver só sem precisar da comunidade de forma geral.

O culto ao narcisismo que vemos incentivado pelas principais mídias que exploram desejos emocionais das pessoas em função da venda de seus produtos a dezenas de anos vem inculcando em suas mentes que são os centros do universo.

Os pais se sentem culpados por educar seus filhos e corrigi-los como se isso fosse um crime. Em grande parte há a culpa dos avós que acham bonito dizer que existem para estragar os netos, e, estranhamente há um consenso social em relação a esta postura absurda que cria futuros monstros inadaptáveis ao corpo social.

O cidadão cresce e se desenvolve achando que tudo gira ao seu redor e que todos devem tratá-lo como o bebê da mamãe e da vovó senão ele dará seu pequeno show numa explosão de “siricuticos” desmedidos. Não há limites. Os seres chantagistas são vistos com dozinha e não podem ser contrariados em hipótese alguma senão a vovó e o vovô ficarão magoadinhos, afinal são os mestres no ensino da arte da chantagem, não é?

Falando dos avós, muitos estão convictos que dominaram o conhecimento do universo e que são detentores da verdade e de forma egoísta passam a interferir (estragar) na educação que os pais estão dando a seus filhos. É curioso notar que os mesmos já tiveram sua vez de educadores e querem impor sua visão de mundo passando por cima de quem de fato é o responsável por isso. Em seu momento acertaram e erraram, mas insistem em interferir na educação dos netos, e, realmente os desandam propiciando o surgimento de pequenos tiranos que fazem os pais passar vergonha por onde andam.

Complicado, viu! Conviver com essas pessoas é uma das coisas mais difíceis que se tem, pois não andam pela lógica, razão ou bom senso, mas pelo que dá nas suas “telhas”. Acreditam mesmo que todos devem se submeter a eles. São verdadeiros parasitas sociais. Não dão valor a nada e acreditam que tudo lhes é devido.

Os mimadinhos bonitinhos e fofinhos da vovó serão os agressores morais e físicos de amanhã, ou o inverso, serão as vítimas destes. Seja como for não estarão preparados para enfrentar o mundo como ele é. Serão causadores de transtornos ou seus alvos.

Se as pessoas sentem dificuldade em entender conceitos humanos de sociedade deveriam se espelhar na natureza que está repleta de exemplos em que determinadas espécies se tornaram bem sucedidas por viver em grupos, o que é o nosso caso.  Incrivelmente decidimos contrariar nossa natureza e nadar contra a maré evolucionária nos tornando narcisistas compulsivos.

Não é a toa que ficamos perplexos pela degradação humana vivenciada nos últimos tempos. Talvez a sociedade precise rever seus conceitos, ressuscitar antigos valores e princípios sadios, descartando qualquer falsa moralidade de outrora. Em hipótese aqui eu me refiro a destruir a autoestima, mas cultivá-la equilibradamente colocando-a em seu devido lugar.

Neste ritmo a sociedade individualista pode muito bem estar se condenando à extinção, o que não deixa de ser um paradoxo já que não há sociedade de individuais, mas de indivíduos, ou melhor, de cidadãos, o que me leva a pensar no conceito de cidadania.

Precisamos acordar sociedade!  
Raniery

domingo, 6 de janeiro de 2013

Silêncio gritante


A realidade nem sempre é o que aparenta. De perto, todos nós temos lá, os nossos defeitos, imperfeições e fraquezas- afinal, somos humanos.  E não é só por isso. Aquilo que pensamos ser a realidade não passa de interpretações que fazemos da mesma, ou seja, cada pessoa enxerga o mundo à sua maneira. Pintamos um quadro mental do que pensamos ser o mundo.

Então, poderíamos concluir, que o que vemos é uma espécie de ilusão. Pode ser. Ainda mais se tirarmos conclusões apressadas, somente pela preguiça de observar, mais de perto, como tudo acontece.

Baseado nesse princípio, pessoas desajustadas internamente, quando se sentindo ameaçadas por outras, usam da comunicação perversa para manipular o grupo, com quem convivem, em prol de seus benefícios.

Seu jogo se baseia na intriga, disseminação da discórdia, indução da dúvida, estímulo de medos e ansiedades bombardeando os centros controladores dos mecanismos de defesa das pessoas. Dessa forma elas conseguem se livrar daqueles que as levam a se sentir ameaçadas.

É por isso que todo processo de assédio moral, via de regra, começa de forma velada e imperceptível. Até porque, o agressor não quer ser visto como tal, muito pelo contrário, se fará de vítima para acender nas pessoas seus instintos de compaixão e angariar solidariedade e apoio.

Todo o seu trabalho consiste em implantar nas mentes dos outros uma imagem negativa de quem estiver sob sua mira. É um processo envolvente que pretende desativar qualquer freio moral da pessoa de que se busca apoio ou aliança. Essa é a mecânica da coisa.

Se você vive neste planeta, já se cansou de ver isto acontecer. Na escola, dentro de casa, entre colegas, etc. Mas, quando isso invade espaços onde os prejuízos e os danos serão maiores ganha contornos dramáticos e de alto poder ofensivo.

Não é novidade que o capitalismo tem predileção por exclusão e nutre interesse por pessoas egocêntricas e egoístas, cujos interesses são buscados a qualquer custo. Muito melhor se for o alheio. E assim vamos caminhando como uma sociedade canibalista. Não devoramos a carne, mas a alma ou o espírito de nossos semelhantes a quem enxergamos como adversários.

Todos querem ser o nº 1, mas por uma questão de inadequação matemática isto é impossível, ainda mais, se tivermos pela frente alguém mais preparado que nós. Seja como for, e o que for preciso fazer, chegaremos lá, ainda que tenhamos que derrubar aquele que ousou querer o mesmo que nós.  Perceba, então, que para assediar e coçar, é só começar.

Agora, se neste drama você quiser apimentar mais as coisas, permita que um sociopata adentre o mesmo local de trabalho e terá os ingredientes para os melhores filmes de terror e suspense ou até de ficção científica, pois, predador não faltará.

 Por isso, o melhor é reagir o quanto antes e dar ouvidos aquela vozinha interior que chamamos de intuição dizendo a todo instante que algo não cheira bem. Outra coisa que ajuda bastante é saber que não é por que alguém sorri, fala manso, e dá tapinhas em nossas costas que é um anjo. Só se for anjo caído.

Manter a comunicação com o grupo também é importante, pois se isolar só facilita o trabalho do agressor. Ademais, ainda que as pessoas estejam hostis, em algum momento verão as inconsistências das mentiras em relação às suas condutas e postura. Também não é preciso ficar implorando a aceitação de ninguém, até por que o ser humano e as ondas do mar obedecem as mesmas leis: vão e voltam com a direção do vento.

Eu acredito que manter-se íntegro é a melhor arma de ataque e defesa diante de seres medíocres. Ora, se determinada empresa apoia gente deste tipo é porque ela nem merece ter pessoal de qualidade por lá. Nenhum emprego vale se rastejar bajulando uma imundície ou perder a dignidade por causa de desajustados antissociais.

Apesar de ser um processo erosivo, o assédio moral, pode fazer brotar o melhor ou o pior dentro de você. Eu penso que as pessoas de boa índole não deveriam se nivelar por causa de um agressor. Muitas vezes é exatamente o que ele quer para ascender até o patamar daquela pessoa, ao dizer que ela, é como ele. Por outro lado, é perfeitamente compreensível que, diante de tal acosso, alguém venha a perder a cabeça (levado por forte emoção) e desandar safanões em pessoas miseráveis como essas. Eu, particularmente, sou adepto do autocontrole, pois, descobri que é muito mais irritante para os assediadores. E o que os irrita, me deixa feliz.

Quem sabe o universo não esteja dialogando com você e te mostrando outros caminhos como montar seu próprio negócio, por exemplo. O mundo mudou. As relações de trabalho se dinamizam diante de nossos olhos, aliás, no piscar deles. Alguns colegas meus, por exemplo, prestaram outros concursos e foram para lugares muito melhores. Tem hora que é preciso arriscar. Calculando os riscos e pesando os prós e contras, é claro, mas evoluir. Quem é competente não teme o futuro, mas o cria.

Seja como for, o importante é não perder nossa essência, ou, deixar de sonhar, de traçar objetivos, pois ainda que se perca uma batalha não significa que se perdeu a guerra, que é para a vida toda. Portanto, tracemos nosso mapa da vida colocando nele o melhor de nós mesmos. Ainda que não reflita, necessariamente, a realidade, pelo menos gerará um norte a ser perseguido.

A realidade, somos nós que fazemos.
Raniery

raniery.monteiro@gmail.com