sábado, 21 de novembro de 2015

Entre Parênteses

“Inveja é um sentimento que nos impede de ter acesso às coisas boas da vida. ”

“No fundo da inveja existe uma profunda baixa estima, encouraçada por um orgulho que visa a fornecer uma ilusão de onipotência. ”

”O invejoso deseja aquilo que eu tenho de bom, ou destruir o que eu tenho de bom. “

Dia desses eu estava fazendo uma sessão de oração ritual para evocar entidades específicas para que criassem uma fortaleza de proteção ao redor de minha família contra a energia impura de parentes invejosos enviando-a de volta a eles e reforçando a lei cármica do retorno para que não ficassem sem a devida “lição”.

Não que pessoas assim aprendam, já que vagam numa vida errante deixando um rastro negativo por onde passam, onde tocam e com quem se relacionam. E olha que estes, em questão, já foram castigados inúmeras vezes e de forma dura...

A inveja, um dos pecados capitais, demonstra muito bem uma das tantas características, digamos, não muito belas de nossa natureza humana.

Se isso amenizar, podemos alegar que este é um mecanismo evolucionário que herdamos de nossos ancestrais primatas, mas que se pulveriza quando confrontado com o fato de sermos mais complexos que eles, sobretudo, na categoria cultura. Afinal, desenvolvemos um senso moral como elemento da ética.

O invejoso vive um dilema contínuo, pois se vê ameaçado pela sombra do outro – objeto de seu distúrbio- que procura, então, imitar, mas que no máximo consegue se tornar uma caricatura malfeita. Ou seja, odeia o outro ao mesmo tempo em que quer se apropriar dele: quer ser o outro e odeia a si mesmo, senão não quereria ser aquele.

Essa sua inadaptação tem a ver com o modo como o invejoso constrói sua visão de mundo. Se na sua infância, seus pais não lhe deram o suporte correto, incutindo-lhe uma ideia de vulnerável, de vítima ou de coitado, não lhe mostrando como conseguir as coisas por si mesmo, então, na vida adulta, tenderá a reproduzir tais distorções, culpabilizando sempre os outros por seus fracassos e racionalizando a inveja como forma de se vingar.

Outra característica interessante do invejoso é a de agir como “sonso”. Se faz de bobo, de que não sabe de nada, e, que não está fazendo nada de mais. O que demonstra, na verdade, o seu real índice de perversidade, dada a sofisticação de atitudes que a dissimulação exige.

A intriga e a desagregação é o seu esporte preferido. Competem pela fragmentação, pois só atingem a linha de chegada quando conseguem causar a separação. Isso os alimenta. É o seu combustível. Sentem-se energizados quando sugam a harmonia dentro de uma filosofia desintegradora. Se não puderem ser você ou ter o que você tem podem optar por tirar o que é seu. Esta é a sua natureza mórbida.

Não à toa, os encontraremos aos montes entre parentes. Aliás, palavra muito parecida com o recurso linguístico (entre) “parênteses”. De fato, o invejoso acaba sendo um adendo e não o sujeito ou objeto da ação, pois ele nunca... é ele, pois vive à sombra do outro.

Freud demonstrou o conceito de sombra, como sendo o daquelas questões não resolvidas que mandamos para o subconsciente e que retornam em forma de projeções, como os recalques (termo que não foi criado pela cultíssima Valeska Popozuda).

Todo mundo tem um irmão que não se esforça e que a mãe e/ ou o pai “passa um pano” e daí o infeliz, ou fica na jugular deles, ou cria um mundo imaginário de competição com o irmão que deu certo. Chega a ser constrangedor, no entanto, pois a família finge (que é esfinge), que não vê e que nada está acontecendo e o “sonso”... fazendo aquela cara de paisagem.

Faça um teste e passe a observar a vida do seu invejoso predileto. Tudo o que faz, não dá certo. Por onde passa, deixa um rastro negativo. Parece coisa, mas sempre estão envolvidos em alguma patifaria sob a conivência e cobertura do pai ou da mãe que se esforçam em tentar demonstrar aos amigos o oposto do que o filho realmente é, sem, contudo, convencê-los. As pessoas do círculo de amizades também fingem que acreditam na encenação para não os magoar, mas tecem seus comentários pelo grupo.

A inveja é uma doença tão desgraçada que passa de pai para filho e de geração para a geração, por isso chegou intacta a nós até os dias de hoje. Enfim, coisas da vida, com as suas idiossincrasias e subjetividades.

Bem, se não há como impedir que o invejoso dilua sua gosma enquanto rasteja por aí, todavia, pode-se devolver a energia infecta com um bom ritual de banimento fechando o caminho de volta deixando-o protegido pelos guardiões habilitados é assim potencializar a lei do retorno...que entre outras coisas ata os pés do invejoso, aliás, literalmente, como pude vê-lo arrastando sua bunda no chão por não poder andar.

Veja a razão da maldição que sobrevém sobre aquele que pratica a inveja que é considerada a pior espécie de magia negra:

Está lá na Bíblia em Provérbios 06

11.    “Assim sobrevirá a tua pobreza como um ladrão, e a tua necessidade, como um homem armado.

12.    O homem invejoso, o homem vil, é o que anda com a perversidade na boca.

13.    Acena com os olhos, arranha com os pés e faz sinais com os dedos.

14.    Perversidade há no seu coração; todo o tempo maquina mal; anda semeando contendas.

15.   Pelo que a sua destruição virá repentinamente; subitamente, será quebrantado, sem que haja cura.

16.    Seis coisas o Senhor aborrece, e a sétima a sua alma abomina:      

17.    Olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente.
       
18.    E coração que maquina pensamentos viciosos, e pés que se apressam a correr para o mal.

19.    E testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos.

Então, perceba, você que está sendo vítima da inveja, que é nesta base mística que se pode evocar os elementais para irem de encontro ao invejoso e puni-los.

Se você entendeu bem, o texto declara que as portas da aura deles ou os seus chacras encontram-se vulneráveis, pois não há proteção para gente perversa, seja ela da religião que for, pois a inveja é repudiada neste tipo de universo.

Por isso que toda vez que o nosso invejoso favorito se manifesta, nós nos divertimos por vários motivos:

Um deles é que o usamos como indicador de que estamos no caminho certo e o outro é que logo após a sua manifestação ele começa a se arrebentar. Não teve uma única vez que isso falhou.

Curiosamente identificamos um padrão comportamental nele que é interessante compartilhar: a cada arroubo de energia escura de inveja, seguida das correspondentes atitudes, há um intervalo de sonsera, onde ele se finge de bom, de que quer a harmonia, mas é tudo encenação.

Isto funciona assim para que ele possa se fazer de vítima entre os conhecidos, mas só na cabeça dele, pois a esta altura do campeonato todos já sabem que ele possui tal distúrbio e as pessoas chegam a nos perguntar quando ele finalmente irá amadurecer e viver a própria vida.

Eu prontamente respondo que...nunca! Acontece que há um espírito obsessor, uma energia parasita que fora criada por ele e que o infecta, agarrando-se a existência, ganhando força a cada vez que ele manifesta a inveja, ou seja, dificilmente haverá libertação e esta demandará muito jejum e oração para ser expulsa. 

Bem, eu poderia fazer isso (liberá-lo), mas...não quero, pois, a maior punição para gente assim é ficar sob a guarda destes verdugos espirituais e nunca progredir na vida.

Enfim, sou da opinião de que a inveja é o pior negócio para as nossas vidas. Bom, é torcer tanto pelos amigos quanto pelos inimigos, enquanto que aos primeiros isso se dá pela nossa admiração ou pelo nosso amor a eles; quanto aos segundos, tem a ver com o nosso sossego, nossa paz, já que não precisarão ficar ocupados conosco. Infelizmente os invejosos não se encaixam em nenhum modelo restando a eles a tortura mesmo.


Aliás, que inveja eu tenho dos torturadores de invejosos...
.







Raniery

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

O “Qualquer Um” e o “Gestor”


Se há uma área do conhecimento humano que influencia a vida das pessoas é o da Administração. Decorre disso, portanto, que o administrador é a mente por trás de todo este processo e consequentemente exige-se dele a completa competência entre a evolução e transformação de todos os elementos componentes.

A retórica do momento é a de que vivemos um momento de incertezas e instabilidades oriundas dos constantes fluxos de transformações que as economias do mundo enfrentam- o que permite que o medo se instale no imaginário de nossas sociedades em face de um futuro incerto e desconhecido.

E é exatamente em razão disso que os especialistas se ocupam em produzir mais conhecimento com a finalidade de se adaptar às conjunturas intervenientes. Some-se a isso a insaciável demanda pelo consumo oriunda de uma natureza humana que jamais encontra satisfação criando impactos nocivos ao meio ambiente e se terá uma ideia do desafio que homens, sociedades e organizações têm em mãos.

Há quem diga que administrar é uma arte, no entanto, o que se vê é uma escassez de gestores hábeis, talentosos e competentes com uma verdadeira visão holística do ambiente em que suas organizações se situam.

Veja o trecho deste texto acerca da necessidade de se investir em conhecimento:

"Sobrevivência e Mortalidade de Empresas Paulistas”

De acordo com o levantamento Sebrae-SP (2010), de cada cem empresas abertas, 31 não ultrapassaram o primeiro ano de atividade e apenas 40 sobreviveram ao quinto ano. Entre os fatores determinantes da mortalidade dessas empresas, a deficiência na gestão empresarial, que reúne, entre outros aspectos, o controle de finanças, custos e fluxo de caixa, está entre os cinco principais grupos de problemas detectados.

Se a Administração, uma das mais complexas áreas do conhecimento humano,  atualmente é uma ciência, no entanto, não se pode dizer que é algo novo, pois a história registra a sua identificação desde a antiguidade, logo, é possível dizer que é irrazoável aceitar que não se utilize os métodos e conhecimentos comprovados pela experiência permitindo que o amadorismo e o improviso ocupe o espaço consagrado desta ciência

Se a sua área está cheia de desafios e complexidades, pois lida com Produção, Finanças, Pessoal, Marketing, em varias modalidades e especialidades, a ciência administrativa, por outro lado, busca na competência de seus gestores justamente fornecer às organizações os meios pelos quais poderão tomar decisões com o mais apurado grau de índice de acertos, não se descartando, obviamente, os riscos inerentes e as imprevisibilidades decorrentes de uma miríade de fatores intervenientes.

E é isso que o competente gestor procurará fazer, isto é, harmonizar com maestria as inúmeras ferramentas que estará à sua disposição fornecida pela Administração.  Esse é o mínimo que se espera. Mas há quem pense o contrário!

Ora, os aventureiros são pessoas que se admitam portadoras de um otimismo exacerbado capazes de desprezar todo o arcabouço de conhecimentos acumulados em nome de seus “moinhos de ventos”. O problema disso é que geralmente carregam consigo para o vento justamente os recursos escassos pelos quais lhes fora confiado administrar.

O mundo se transforma em ciclos cada vez menores e a velocidades cada vez mais insanas, porém, tais Doms Quixotes acreditam inocentemente serem os portadores de uma sabedoria hermética que ao levantar de suas varinhas de condão criarão realidades fantásticas como aquelas que se encontram no claustro de suas demências.

Já a nova administração fixa a sua residência na operacionalização rápida, de baixo custo e de alta qualidade decorrência de analises mais rigorosas de procedimentos e objetivos cuja tradução não permita a confusão entre eficiência e eficácia.

O tempo urge pelo dinamismo e não pela paralisia dos paradigmas antigos num chamado aos novos e mais eficientes padrões que simultaneamente não se tornem um entrave para a realização de novos objetivos.

O foco da administração está na estratégia, na capacidade em fazer, na argúcia, na capacidade crítica e analítica, na antecipação pelo planejamento, em responder questões básicas do quando, onde e porque fazer; não se confunde, portanto, com a gestão, fase importante nos resultados administrativos, situado na zona tática, próxima dos conflitos e do paradigma.

Então, veja você que algumas questões mais complexas como a do assédio moral- nosso tema central- encontra na incompetência de pessoas que em tantos casos são indicadas para ocupar cargos de gestão (pública ou privada) e degeneram uma série de improbidades e inconsequências que desestabilizam as organizações que se tornam vítimas destes charlatães.

Alguns deles são criaturas folclóricas e narcisistas que adoram os holofotes que se enchem de pompa e que propagam um sem número de feitos e qualificações, mas nada disso reflete de forma positiva entre os seus liderados. Aliás, liderança é força de expressão pra tiranos disfarçados de gestores. Na verdade, eles infectam as organizações causando-lhes prejuízos  ou mesmo levando-as à insolvência.

Diante disso fica claro que gestão não é coisa pra aventureiros, pois o lugar de gente folclórica é no circo e não conduzindo organizações. Então, é quase uma condição matemática que tais criaturas irão disseminar todo tipo de inadequações, entre elas o assédio moral.

Por outro lado, cabe às organizações escolherem com mais critérios seus gestores e não permitir que anomalias as solapem em prol de seus interesses particulares à revelia dos interesses das entidades e, no caso daquelas que são públicas, muito pior já que viola o interesse da coletividade que é a razão de ser de suas existências.

Enfim, na minha visão há dois tipos de pessoas que ocupam o cargo cuja definição se encontra entre a de gestor: o competente e o “coisa” qualquer. É exatamente destes dois tipos que uma organização ou evoluirá ou soçobrará.
Raniery

terça-feira, 9 de junho de 2015

A Moral da Sacanagem

Logo cedo, lá na tenra idade, nossos pais e posteriormente a escola, interferem em nosso processo de desenvolvimento em função da forte estrutura moral que a sociedade nos impõe dentro de outra super-estrutura denominada Cultura. 

É uma estrutura dentro de outra estrutura e assim por diante. Esgotado isso o que sobra é a derradeira estrutura formada pelas instituições estatais como a justiça e suas leis dentro da (estrutura) jurídica ou de Direito.

Mas, após algum tempo e durante o nosso crescimento como perceberíamos tal complexidade? Afinal de contas, éramos somente crianças sem entender toda esta engrenagem maluca! Aliás, cá pra nós, nem após nos tornarmos adultos entendemos toda esta geringonça chamada de sociedade...!

E outra, além de ser uma construção histórica, lá dos tempos anteriores ao das “botas perdidas por Judas”, que isso, é também, um esforço conjunto e herdado de gerações e civilizações anteriores e continuaremos o processo. Ou seja, nós produziremos hoje o que o “José” fará amanhã, não o amanhã logo ali, mas daquele amanharão distante no futuro que nem se sabe como será, e se será.

Pra falar a verdade só de pensar nisso já fiquei exausto e nem é isso que eu estava refletindo no começo, porém não teria outra forma de introduzir o assunto sem o devido contexto de coesão.

Voltemos às regras morais que nos são ensinadas para que possamos nos integrar socialmente. Uns povos são mais rigorosos que outros neste quesito e até entre regiões vemos tais intervalos de graduação. Fora o fato de que o que é moral em determinado lugar não o é em outro, daí a dificuldade de se categorizar especificamente os atos em si.

Partindo do local onde me encontro e evidenciando a distinta realidade que é a brasileira permito que meus processos de abstração tentem decodificar o que se passa neste lugar insólito. Se pra mim que sou um filho da pátria (ei...não pense isso, ainda mais de minha saudosa mãe) é difícil, imagine pro meu amigo leitor de outro país! Viu só como se prova a generalidade do assunto?

Doravante vou restringir ainda mais a ideia a um nível ainda mais elementar que é o das relações de trabalho por aqui. Ainda mais com a aprovação das modificações relativas à terceirização da mão de obra que estão invadindo os comentários e sono dos trabalhadores brasileiros. A apreensão é justa já que aquilo que se conquistou enquanto direito e garantia vai pelo ralo abaixo sob a desculpa de competitividade.

Só que eu disse que restringiria o assunto ao máximo limite pra poder permitir ao leitor desta postagem saber o que penso sobre determinados comportamentos humanos, ainda que nem concorde comigo sobre isso.

Houve um ilícito cujo resultado impactou a produção de determinados grupos que solicitaram aos devidos responsáveis uma tomada de providências. Tais ações foram tomadas ignorando o que a normatização diz, sobretudo, nos direitos e garantias que serão lesados. É o papel que se espera de quem defende os interesses dos mais poderosos, sobretudo, se envolver um poderio econômico em jogo. O que não se entende é que justamente quem será lesado em longo prazo ignore ou despreze as consequências de suas ações e passe a colaborar com a situação deliberadamente em troca de migalhas.

E por que eu afirmo que o fazem conscientemente? Ora, lhes fora dito que não contassem a nenhum colega sobre o esquema! Sejamos razoáveis. Quem esconde o que pretende fazer o faz por seu teor de desonestidade sabedor que encontrará oposição. Fossem crianças, eu até acreditaria que estariam se sentindo ameaçados pelo abusador, mas não é esse o caso.

O mais engraçado de tudo isso é que entre aqueles que consentiram com tal obscenidade encontram-se moralistas rigorosos e defensores de ideais religiosos e, algo bizarro me sucedeu: há opositores políticos unidos pelos laços da sacanagem. Do mesmo lado estão os batedores de panela e os partidários esquerdistas. Que coisa mais linda!

Perceba, então, que há o mundo dos discursos e abaixo dele...um submundo- o da verdade! Como se diz: “pagando bem que mal tem!” Há poucos dias atrás da mesma árvore que brotava palavras disciplinadoras e corretivas sobre absenteísmos, desídias, incompetências agora pratica a mesma coisa contra a qual discursava. E é neste instante em que pra combater o ilícito se utilizam dele para defender outros interesses que não o interesse público evidentemente.


Essa é a verdadeira moral da sacanagem! 
Pregadores e seus discursos...
Raniery

sábado, 16 de maio de 2015

Help Me Dr!

Viver é um processo de interação contínua e de exploração da realidade que está diante de nós. Sendo assim, aquilo que se apresenta e aparece diante de nossos olhos como real, nem sempre é de óbvia interpretação, encobrindo contextos mais complexos do que imaginaríamos, principalmente sob a superfície. Tampouco, significa isso dizer que não possamos identificar os elementos subjacentes de tal fenômeno.

Que o assédio moral é um tipo de abuso tão antigo quanto o homem, não se discute, no entanto, nem sempre sua identificação (em termos de fatores) é tão simples, daí porque se dizer que é subjetivo. Inúmeras teorias dos especialistas emergem a cada momento e me permito levantar as minhas hipóteses, muito menos pra estabelecer um grau de informação científica, muito mais para suscitar em você a discussão sobre o tema.

Pra fazer isso gostaria de utilizar os recursos da ficção científica para criarmos um contexto que nos possibilite explorar as inúmeras possibilidades que o fenômeno assédio moral pode assumir.

Dessarte, façamos uma viagem no tempo e para isso utilizaremos uma nave que tomarei emprestado do Doctor Who- a TARDIS; A programarei para que nos leve alguns anos antes da década de 70, precisamente em 1964, quando se instalou o golpe militar que destruiu a democracia da época e que tecnicamente se denomina “revolução”; tratando-se, por conseguinte, de uma ruptura contra uma estrutura político/ jurídica e o surgimento de uma nova realidade Estatal pelo grupo dominante- os militares apoiados pela elite econômica, mega-organizações estrangeiras e a participação decisiva do Governo norte americano, à época.

Pois bem, segure-se porque acabamos de entrar em um buraco de minhoca que romperá o tecido do tempo/ espaço e, em instantes, aterrizaremos na Santos daquela época (importante e estratégica por conter o maior porto sul-americano do país).

Pronto, chegamos! Logo que abrimos a porta da Tardis, surgiu diante de nós uma escola infantil chamada Passos Sobrinho, sendo que a primeira imagem que vimos foi a de dezenas de crianças, perfiladas, cantando o hino nacional brasileiro, diante da Bandeira hasteada como se fossem pequenos soldadinhos.

Para os militares, uma parte importante do processo de tomada do poder era condicionar a grande massa para que agissem de forma servil às suas intenções, portanto, reformaram todo o sistema educacional que, entre outras coisas, abolira os conteúdos de cunho sociológico e filosófico do plano de ensino, ao passo que criaram disciplinas doutrinadoras de sua “ideologia”. Pois assim conseguiram formar verdadeiros rebanhos que hipnotizados pelos veículos de mídia comprometidos com o regime eram induzidos à alienação da verdadeira realidade que se impunha.

Aqueles que não aderiam à manipulação da propaganda militar ganhavam rótulos de subversivos e sofriam com torturas, abusos e homicídios. Então, de um lado, o cidadão comum tinha o medo e, do outro, o controle mental. É nesse caldo caótico que aparece um dos personagens que integram o universo do assédio moral: o “capanga”- como os denomino. O termo é antigo, mas é o que me veio à mente para tentar descrever um perfil chulo.

Não é preciso muita massa encefálica pra deduzir que tipo de gente demonstrava sua verdadeira natureza num ambiente desses, pois a história grassa em apresentá-los em todos os tempos. E, meu amigo (a), eles brotavam da terra. É o bom e velho adulador, um verdadeiro senhor do tempo, pois onde tenha existido um agrupamento, lá estava ele afagando algum tiraninho.

Para entendermos mais o que acontece na mente quando submetida a estímulos, como os da ideologia ditatorial, precisamos recorrer a forma como o cérebro constrói sua própria arquitetura. 

Segundo Piaget, uma criança em processo de desenvolvimento e aprendizagem forma estruturas neurais que vão se sofisticando à medida que cresce e se desenvolve. Todavia, ela não possui as referências que os adultos possuem, logo, sua lógica difere da deles. 

Daí, o que ela faz é acomodar a nova informação adaptando-a as suas referências e, a partir daí, vai criando toda uma acomodação do significado da realidade que lhe permitirá interagir com o meio. Ou seja, estabelece-se um ciclo de estímulo-resposta-reação e, consequentemente, estruturação neural- daí o termo “Construtivista” relacionado ao Biólogo/ psicólogo suíço.

Mas, por que a Tardis nos levou até aquele momento? Ao que parece ela fez uma conexão com o processo de “condicionamento orientado” que os militares impunham à população, cujo conhecimento derivava da formação que recebiam da Escola das Américas idealizada e implementada pelo Governo dos EUA (através da CIA) em programas específicos para a América do sul, daquele período, como a Operação Condor, por exemplo, incluindo o investimento numa Rede de TV brasileira por meio de outro grupo de comunicações, uma prática antiga da Agência Central de Inteligência; Esta TV posteriormente viria a se tornar um Poder à parte no país- criada exatamente para estabelecer uma catarse coletiva.

Bem, depois de tudo isso, entremos na Tardis e voltemos para a atualidade, longe de toda aquela turbulência, das botinas e carabinas dos policiais militares, das prisões e mortes arbitrárias dos porões da ditadura e de toda censura que cerceava nosso direito à informação. Desta vez pararemos próximos da escolinha infantil, mas não em frente a ela. Não se esqueça de se segurar porque atravessar a relatividade espaço-temporal será uma jornada turbulenta.

Pronto, chegamos! Ufa! Agora o que temos diante de nós é a imagem de uma empresa onde pessoas entram e saem, não obstante, algo não se encaixa bem nela. Ao andar por seus setores vemos móveis antigos, do passado do qual voltamos, dando a sensação de que não chegamos ainda ao presente. 

Ali, funcionários repetem tarefas sem sentido como se estivessem nos anos 70 do século passado. De repente, aliviados, vemos terminais de computadores que parecem não se acomodar muito bem àquele ambiente.

Mas, a relatividade quântica deste universo paralelo nos deixa aterrorizados, pois ao chegar perto das pessoas elas têm uma aparência bizarra, lembrando, pra falar a verdade, um dos personagens do filme Piratas do Caribe, pai do personagem Will Turner, isso mesmo, o Sr Bill Turner, que para pagar uma dívida com o pirata do outro mundo tornou-se escravo no navio fantasma e...criou incrustações por todo o corpo.

Como criaturas sem vida, mas vagando em um limbo, tais pessoas repetem irracionalmente tarefas que não contêm a menor racionalidade, isto é, sem a menor eficiência, desconexas a qualquer forma de fim útil, simplesmente fazendo por fazer, burocraticamente, como se fossem obrigados a isso pelo poder que os amaldiçoara pela eternidade naquela dimensão fantasma.

Suas expressões são características denotando frustração, enfado, fracasso, pesar, ódio, medo, rancor, ressentimento e, se, por algum motivo, se sentirem confrontados iniciam uma guerra pessoal contra aquele que passará a ser o seu inimigo. É que assombrações não aceitam o questionamento daquelas de suas ações, ainda que inúteis. Agem e reagem desproporcionalmente, senão não seriam o que se tornaram.

Tais pessoas condicionadas estão acorrentadas em um comportamento que não lhes permite recorrer às suas consciências e à sua razão visto que foram programadas, lá atrás, a serem estéreis e não podem desta forma utilizar seu livre arbítrio para agir coerentemente. Você se lembra delas: estavam de cara emburrada cantando o hino do Brasil em fila indiana na escolinha infantil. Pense: a escola lhes impunha aquilo que chamavam de “valores”.

De fato, é até possível constatar que são pessoas de “bem”, seja lá o que isso quer dizer, mas incapazes de, por exemplo, dizer um “não” a ordens absurdas ou baseadas no arbítrio/ capricho do gestor assediador.  

Perceba que suas mentes cauterizadas se petrificaram pelo tempo em que foram expostas ao arbítrio daqueles que rejeitam as liberdades democráticas e a nova ordem que surgiu desde 1988 com o advento na nova Constituição brasileira. De fato, eles se incrustaram ao passado e não aceitam os ventos das mudanças, que, aliás, começaram a quase trinta anos. Eles são avessos a princípios como o da legalidade, Isonomia, Devido Processo Legal, Dignidade da Pessoa Humana, embora em seus discursos vazios afirmem serem escravos da lei. O que, se pensarmos bem é uma contradição já que a lei estabelece o limite (Direitos e Garantias) do poder e não a sua extensão, logo, não faz sentido ser um escravo dela.

Em lugares assim, ainda prevalece a ideia de coronelismo, onde alguém que é indicado politicamente para assumir um cargo, vislumbra oportunidades de enriquecimento ilícito e passa a lotear aquilo que é de interesse público o que, consequentemente, viola os interesses da Nação. Acontece que nenhum ditadorzinho que se preze trabalha sozinho e precisa do seu capataz de plantão pra sujar as mãos por ele. Ora, quem mais seria perfeito que o nosso burocratazinho!

O que a Tardis quis demonstrar com toda aquela viagem pelo tempo foi que tudo tem uma conexão, uma relação e, nada, na verdade, ocorre ao acaso. O subjetivismo, na verdade, é o acobertamento, a dissimulação, o engodo que se pratica em nome da calhordisse.  A máquina do tempo nos mostrou que o que fazem estes alienígenas, é reproduzir os mesmos atos pelos quais foram condicionados por seus senhores.

O que temos que imaginar é que sob a superfície dos atos se encobre as intenções de grupos que pretendem subjugar outros pra que lhes sirvam. E, ainda que nos afeiçoemos a eles a recíproca não será verdadeira, pela simples razão de que não estão dispostos a uma partilha, mas como parasitas infectos querem devorar sozinhos tudo o que conseguirem e, com isso, não aceitarão os que atravessam o seu caminho...onde surge uma das muitas entre tantas faces do assédio moral.


Ora, se para entendermos a realidade que nos cerca precisássemos toda vez entrar em um dispositivo que fizesse a conexão com os fatos e nos levasse de volta às origens de tudo perderíamos o contato com a realidade que se nos apresenta no presente.

Entretanto, temos a melhor máquina de todas para entender o que ocorre, bastando pra isso que a consultemos: nosso cérebro- e a energia que alimenta esta máquina de percepções? Nossa devida atenção! Dado que somente desta forma poderemos decodificar o que acontece diante de nós, sobretudo, 
nas entrelinhas, incluindo aí, o assédio moral.
Raniery




segunda-feira, 6 de abril de 2015

Banalidades

Totalitarismo (ou regime totalitário) é um sistema político no qual o Estado, normalmente sob o controle de uma única pessoa, político, facção ou classe social, não reconhece limites à sua autoridade e se esforça para regulamentar todos os aspectos da vida pública e privada, sempre que possível. O totalitarismo é caracterizado pela coincidência do autoritarismo (onde os cidadãos comuns não têm participação significativa na tomada de decisão do Estado) e da ideologia (um esquema generalizado de valores promulgado por meios institucionais para orientar a maioria, senão todos os aspectos da vida pública e privada).
Fonte: C.C.W. Taylor. “Plato's Totalitarianism.” Polis 5 (1986): 4-29. Reprinted in Plato 2: Ethics, Politics, Religion, and the Soul, ed. Gail Fine (Oxford: Oxford University Press, 1999), 280-296.

De acordo com essa definição tanto faz fundamentar através do exemplo da Alemanha Nazista quanto do Brasil sob o golpe de 64, pois ambos apresentam as mesmas propriedades e, de fato, guardado as devidas proporções, praticaram os mesmos atos de barbárie contra a humanidade, no entanto, aquele o praticou contra inúmeros povos e nações, já este o fez dentro de seu próprio domicílio territorial.

Mas o que eu gostaria mesmo de chamar a atenção é para o sentido que o mal adquire dentro desta configuração burocrática e sistemática, onde regras e normas são deturpadas, ou melhor, destituídas de valor e onde o legalismo adquire um status neutralizador da consciência levando seus elementos humanos a deixar de pensar tornando-se desta forma idiotas programados. A coisa é tão complicada que desgastados nos vingamos fazendo piada da situação.

A primeira vez que se deu conta e se identificou um tipo de mal destituído dos estereótipos clássicos foi por volta dos anos 1960 pela filósofa Hanna Arendt por conta do julgamento do criminoso de guerra nazista Adolf Eichmann.

Perplexos, os envolvidos em tal processo ficaram atônitos com as declarações do criminoso que não admitia a culpa por seus atos sob a afirmação de que cumpria ordens. Sistemático e eficiente era o responsável pela logística de deportação dos judeus aos campos de concentração com destino certo: alimentar a máquina de morte do Fürer.

Investigações apontaram que Eichmann era o protótipo do homem moral- Bom pai e marido, excelente funcionário público, irmão zeloso, enfim...um homem de bem. Hanna Arendt quando identifica este perfil fica chocada, pois se esperava encontrar um monstro degenerado, um psicopata frio e perverso, um antissemita radical, mas não! Isso, no entanto, é mais assustador do que a ideia de um mal radical, pois se origina de pessoas comuns, incapazes de se conscientizar de seus atos, entorpecidas pelas regras do sistema ou de ordem moral do grupo em que se encontram.

Foi nesta época que, pela primeira vez, Hanna Arendt cunha o termo "banalidade do mal" como sinônimo da aceitação irracional e tida como normal de atos de maldade humanas.

Hannah Arendt afirma que banalidade não significa uma bagatela nem uma coisa que se produza frequentemente (Souki, 1998, p. 103). Arendt distingue banal de lugar-comum (Assy, 2001a, p. 143). Lugar-comum diz respeito a um fenômeno que é comum, trivial, cotidiano, que acontece com frequência, com constância, com regularidade. Banal, por sua vez, não pressupõe algo que seja comum, mas algo que esteja ocupando o espaço do que é comum. Um ato mau torna-se banal não por ser comum, mas por ser vivenciado como se fosse algo comum. A banalidade não é normalidade, mas passa-se por ela, ocupa indevidamente o lugar da normalidade. “O mal por si nunca é trivial, embora ele possa se manifestar de tal maneira que passe a ocupar o lugar daquilo que é comum.”

Percebi isso em pelo menos dois episódios neste ano. Um por ocasião de manifestações contra o atual governo- originária de grupos reacionários, contrários aos parâmetros constitucionais e, que manipulam a opinião pública por meio das redes sociais, deflagrando o ódio como ideologia, querendo se impor pela ilegitimidade. E outro momento veio de dentro da empresa pública onde trabalho e que deflagra um processo exaustivo de assédio moral que se utiliza dos mesmos mecanismos totalitários que os nazistas utilizaram para exterminar judeus.

Com roteiro e personagens completos tenho o privilégio (?) de experimentar na pele as teorias de Arendt. O curioso é que quando se olha pras pessoas envolvidas surge a estranha sensação de que o que fazem é oriundo de uma mente perversa, mas após tanto tempo e confrontando os discursos chego à conclusão de que são apenas burocratas idiotas, incapazes de reagirem por si mesmos, presos em algemas (que chamam de doutrina) e, conforme me disse certo chefe, são escravos das regras.

Dia desses, e de forma surpreendente, um chefe esteve em meu posto e solicitou um momento pra conversarmos. Quero registrar aqui um elogio à atitude, cujo resultado proporcionou por meio de uma conversa franca o esclarecimento de pendências decorrentes desta bola de neve que se tornou tal processo. Aliás, há um desgaste mútuo e a manifestação de saturação de ambas as partes- o que prova que o assédio moral não é bom pra ninguém, nem mesmo pra quem o deflagra. Como resultado se percebeu que tudo se originara da manipulação do sistema e que por falta de comunicação a coisa perdeu o controle e ganhou vida própria- não quero dizer, com isso, que o que se fez está justificado, mas demonstrar que quando se deixa de refletir ou de se confrontar os personagens e seus discursos pode-se criar um circuito que se auto alimenta.

Entre os exemplos mais emblemáticos que identifico na banalização do assédio moral que ocorre comigo está o de um dos elementos que compõe tal sistema que apresenta as mesmas características de Eichman. Essa pessoa sintetiza bem o mal idiotizado e irracional, pois, se num primeiro momento confunde, no outro, as peças se encaixam perfeitamente dentro das ideias de Arendt.

Com vozinha doce, gestos delicados, sorriso no rosto e ar angelical você diria estar diante de um anjo e não de uma burocrata incapaz de pensar por si própria. Fora me dito que ela é uma escrava das regras como se isso justificasse ou a tornasse menos culpada. Pelo contrário, já que a própria lei, ou melhor, o Princípio da Legalidade afirma que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer nada a não ser por lei; No entanto, essa pessoa encabeçou um processo administrativo onde as provas foram fraudadas para me prejudicar e me fora dito que ela seguia ordens.

Então, veja você, que mesmo uma pessoa dada como “boa”, no sentindo moral do termo, pode vir a cometer injustiças nefastas e sequer ter a consciência afetada por isso, pois segundo ela- “seguia ordens”- e, como diz o jargão: “Manda quem pode, obedece quem tem juízo!”...estaria tudo certo adotar qualquer atitude (legítima ou não). Aliás, quem utiliza jargões como proposições argumentativas, não somente incorre em erro lógico (já que jargão não é nem proposição nem argumento) como demonstra uma extrema e enferma preguiça de pensar por si mesmo.

Dito isto, concluímos que temos uma nova categoria de assediador que não se pensava existir: o do idiota burocrata que não é mal, na acepção da palavra, mas que faz o mal, na prática; e, nem se dá conta disso, pois o faz por ser programado. Não tem personalidade, vida própria, capacidade de resistir à ordem ilegal, enfim, uma marionete nas mãos daqueles que manifestam uma patologia perversa, o que, convenhamos, não alivia em nada a gravidade dos fatos e, na prática, é outra versão de uma mesmíssima coisa.


Perceba você, que é leitor deste Blog, como é difícil lidar com isso, sobretudo, quando se vai ingressar com ações judiciais, pois lá, é tudo muito formal, escrito, dito e depende do convencimento do juiz- que deveria ser imparcial, ler tudo que está contido na argumentação de defesa e, o que é pior, ter em suas mãos a decisão sobre algo que afeta uma pessoa que sofre tal agressão. 

De qualquer forma, se descobre novas facetas do mal que não se sabia existirem; percebe-se que há sim, uma institucionalização da perversidade (que é eficiente) e que, da mesma forma que ocorreu com os exemplos de totalitarismo, é uma luta que se trava nas trincheiras do dia a dia.
Assista: Eichman: a solução final
Raniery



raniery.monteiro@gmail.com

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Coronéis e Carcamanos

Muita gente pensa que sou contra determinadas instituições, como as forças de segurança pública, por exemplo. Contra elas, não sou, mas opositor ao seu modelo autoritário e tradicionalmente de abusos, sim.

No entanto, há outro lado da moeda que já abordei aqui por ocasião de uma postagem que escrevi sobre o assédio moral nestas instituições. É que dia desses tive o prazer de receber em minha casa um integrante de outra corporação que está passando por isso na guarda municipal de Praia Grande.

Nada muda, é tudo igual- o assediador de lá pratica o mesmo que o daqui (Guarda Portuária); É o mesmo jogo sujo, a mesma covardia e o uso da máquina pública por quem busca interesses próprios. A única diferença é que tempos atrás a vítima estaria sozinha pra ser devastada em seu equilíbrio emocional e desestabilizada em seu ambiente de trabalho.

Hoje, com a proliferação da informação e a consciência cada vez mais crescente por parte da classe trabalhadora no que concerne aos seus direitos e garantias torna a vida do assediador um pouco mais incômoda. E esta é a missão n° um do “Mentes Alertas”: conscientizar e combater este mal dentro de seus limites naturais evidentemente.

Veja que se isentar e ignorar o que ocorre a um pai ou mãe de família é atitude que qualquer um pode adotar, afinal de contas não é com ele (a) que isso está ocorrendo, mas numa democracia experimentar a condição de cidadão significa dizer que o direito alheio me interessa na medida que de alguma forma ou em algum momento sua violação pode me atingir e, ademais, é uma atitude mais avançada e evoluída de se construir uma sociedade.

Logo, quando fui procurado pelo guarda municipal por indicação de um colega de trabalho, não pensei duas vezes em apoiá-lo na decisão de resistir ao processo de assédio moral pelo qual é submetido naquela corporação, inaugurando, assim, uma parceria e, ignorando, qualquer corporativismo doentio.

De qualquer forma, nada me dá mais prazer na vida que causar prejuízos a um assediador, pois tenho nojo deste tipo de gente. É algo visceral mesmo. Eu diria que uma de minhas paixões é atormentar assediadores, e ao longo desses anos de assédio venho refinando o processo.

Nada disso, porém, tem qualquer relação com a questão de subordinação, oriunda dos contratos firmados entre o Estado e seus servidores, até porque, a disciplina e a subordinação são valores e princípios necessários ao bom atendimento dos serviços públicos, e, é inadmissível que agentes estatais pensem que são livres pra fazerem o que bem entendem às custas do interesse público.

Nenhum gestor assediador poderá alegar que sua atitude atende aos interesses do Estado, pois age por meio de questões pessoais, muitas vezes acobertando outras questões de caráter ilícito, daí forjarem a indisciplina de suas vítimas para camuflar os seus ardis. Então, combater o assédio moral dentro de qualquer instituição, pública ou privada é uma questão de cidadania que interessas a todos os integrantes de uma comunidade.  

Por isso, me sinto grato por poder compartilhar com outras pessoas minha experiência pessoal, e, se nesse processo eu puder ajudar de alguma forma cumpri minha missão. O bom de tudo isso é que as pessoas idôneas podem encontrar apoio e forças pra se levantar, no entanto, os vermes sempre serão os mesmos e não evoluem- o que, cá pra nós, acaba facilitando o trabalho quando se aprende a lidar com eles.

Finalizando quero dizer ao meu amigo de farda que não está sozinho nesta tarefa e que desmontamos a primeira e principal estratégia do agressor: isolar a vítima.



Forte abraço!
Raniery





raniery.monteiro@gmail.com