terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Novos Tempos

Mais um ano termina e o Mentes Alertas está com o sentimento de dever cumprido.

Basta dizer que as repercussões do material postado aqui, juntamente com algumas ações tomadas resultaram em avanços significativos. Obviamente dentro de proporções devidas sem se auto-vangloriar em momento algum.

Muito mais como uma ferramenta para suscitar discussões que meio de se autopromover. Muito menos para se achar dono absoluto da verdade, muito mais como contribuidor de uma crítica a uma parcela da realidade percebida.

De qualquer forma resultados práticos ocorreram, como por exemplo, a inserção da proibição da prática de assédio moral em um regimento disciplinar da empresa que durante esses anos vêm cometendo esta agressão contra mim.

Ora, isso é muito bom, pois estende à todos os meus companheiros o benefício, ou a proibição de tal prática odiosa e sinaliza que a empresa está se abrindo para mudanças melhores. Bom, é que não se tenha assédio moral; mais do que a crítica pela existência réproba disso e demais repercussões.

Se compararmos o assédio moral a uma situação de incêndio, concluiremos que o fato se inicia de forma oculta, sem ninguém perceber e derrepente se alastra descontroladamente. É preciso, então, uma interferência enérgica e drástica para dominar o fogo que, por sua vez, resistirá em se extinguir. Posteriormente será preciso um processo de rescaldo, pois qualquer mínimo foco, pode suscitar o sinistro de novo.

Da mesma forma é o assédio moral, pois se sabe que os agressores não se conformam com a possibilidade de serem inibidos em atormentar vidas consumindo sua motivação. Eles estarão por lá, em algum canto tentando atear o incêndio. Portanto, se faz necessário estar bem atento e não relaxar totalmente, e, a qualquer menção, ou esboço de fumaça jogar um balde de água fria para que a energia consumidora da chama não se sinta à vontade para retornar.

O símbolo que escolhi para o Blog foi o de um farol que sinaliza ao navio onde pode navegar sem risco ao chamar-lhe a atenção para o perigo. Está ali, parece sem muita utilidade, mas tem grande efeito, sobretudo, quando se decide não dar a devida atenção à sinalização.

Com esta missão espero continuar a contribuir de forma cidadã para a formação de um mundo mais justo e melhor. Neste período encontrei pessoas que compartilharam comigo do mesmo tipo de problema e que decidiram se levantar e confrontá-lo, o que deixou-me extremamente feliz, pois se tornaram aliados numa luta inglória que deixa cicatrizes, mas que faz surgir o guerreiro que há em todos nós.

Vale lembrar da equipe de ações táticas que não apareceram, pois agiram anonimamente, mas nem por isso, com menor valor, pelo contrário até. Meu muito obrigado àqueles que entenderam o meu apelo e corajosamente decidiram denunciar os malfeitores. Sem a colaboração de cada um de vocês, talvez as coisas não avançassem ao ponto onde estamos.

E o que me deixou muito mais contente foi o fato de que preparamos o terreno para os colegas novos que vieram e sequer tiveram qualquer percepção do que ocorria entre nós. Mais ainda, demos uma resposta aos colegas que suportaram tudo e muito mais até o dia em que chegamos. Pra eles, eu tiro o meu chapéu, pois aguentar tanta injustiça e permanecer em pé não é pra qualquer um. Eu confesso: não aguentaria.

Então, que 2014 sinalize para um melhor momento onde as relações de trabalho fiquem apenas resumidas às questões profissionais e não a conflitos desgastantes e desnecessários motivados por egos magalomaníacos e projeções de distúrbios de personalidades perversas. 



Um feliz Ano Novo à todos nós
Raniery

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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Ameaça Invisível

O assédio moral é considerado um mal invisível, pois ninguém pensa em passar por isso e só se dá conta de sua existência quando já aconteceu ou está em andamento.

Drone

Um Veículo Aéreo Não Tripulado (VANT) ou mais conhecido como drone (zangão, em inglês), é todo o tipo de aeronave que não necessita de pilotos embarcados para ser guiada. Esses aviões são controlados a distância, sob a supervisão e governo humanos, ou sem a sua intervenção, por meio de Controladores Lógicos Programáveis (CLP).

Os VANTs ou drones foram idealizados para fins militares. Inspirados nas bombas voadoras alemãs, do tipo V-1, e nos inofensivos aeromodelos rádio-controlados, estas máquinas voadoras de última geração foram concebidas, projetadas e construídas para serem usadas em missões muito perigosas para serem executadas por seres humanos, nas áreas de inteligência militar, apoio e controle de tiro de artilharia, apoio aéreo a tropas de infantaria e cavalaria no campo de batalha, controle de mísseis de cruzeiro, atividades de patrulhamento urbano, costeiro, ambiental e de fronteiras, atividades de busca e resgate, entre outras.

Esses veículos aéreos não tripulados usados em combate se tornaram polêmicos por conta de inúmeras mortes de civis em campos de batalha. A cena é conhecida- uma imagem do local a uma distância considerável, uma mira no visor e uma explosão certeira- pronto, eliminou- se o inimigo sem que ele se desse conta disso. Nem se tem tempo de ter medo.

Mistérios da meia noite

Já a superstição povoa a mente humana desde os primórdios. O medo do que possa estar oculto sob a escuridão alimenta nossa imaginação desde a infância. Quando adultos, o além, como chamamos, se torna objeto de nossa curiosidade e temores, pois aquilo que não se explica nos paralisa.

Inúmeros personagens surgem de lendas, mitos e histórias como o lobisomem, vampiros, fantasmas, mortos vivos; no Brasil, superstição, religião e folclore se fundem e temos a mula sem cabeça, o saci, o curupira...

Nas ciências ocultas temos um sem número de seres que povoam outras dimensões. Cascarões, larvas, não vivos, entidades milenares ou criadas, anjos, demônios, golens, gênios entre tantos.

O homem invisível

Na ficção temos o eterno desejo da invisibilidade e as questões ético/ morais envolvidas. Imagine se ninguém o visse, sob o manto da invisibilidade, que oportunidades estariam à sua espera, não é? Vingança, luxúria, ganância...ao que parece o efeito não é dos melhores.

O Homem Invisivel é um livro de H. G. Wells em que o protagonista se torna completamente invisível. Obra-prima de Herbert George Wells, certamente o mais destacado entre os percursos da ficção científica, narra a história de um cientista que, após uma experiência parcialmente bem-sucedida, muda para um pacato lugarejo, gerando uma série de especulações. Com hábitos estranhos, humor instável, e sempre com o rosto enfaixado, chama sempre a atenção dos moradores da cidade.

A Natureza

Na natureza a camuflagem ou a furtividade são armas que se utiliza para levar vantagem sobre um predador que está acima, ou de uma presa que se encontra abaixo na cadeia alimentar. Ou, pode ser o caso de simplesmente não ser uma refeição. Enfim, são inúmeros os exemplos.

Mas, como se defender de algo que não se sabe sequer existir? Como eu poderia imaginar que estaria sendo alvo de um colega invejoso e que isso iria desencadear um processo de assédio moral inimaginável? Como eu poderia não saber disso se este tipo de violência é tão antigo quanto a própria humanidade? 

Percepção

Pois, é! Perceba. Percepção é tudo aquilo que nos chama a atenção de alguma maneira. Mas, será que terei que ficar paranóico achando que em cada canto alguém está tramando puxar meu tapete? Evidente que não. Aliás, é tudo o que não se deve fazer, já que na mente de um megalomaníaco ele se enxerga como um predador. Representar o papel de vítima é tudo o que precisa um demente desses para justificar o injustificável.

Ocorrendo o assédio moral, é claro, que a pessoa lesada será classificada como vítima para efeitos de tipificação do ilícito e provável indenização. Também é certo que do ponto de vista psicológico haverá repercussões que deverão ser tratadas. Mas, se alguém reproduzir em seu subconsciente o discurso do agressor de que ela é vulnerável, então, essa pessoa fez exatamente o que o assediador queria

E como eu sei disso? Foi exatamente o erro que cometi no começo. É lógico que eu não estava consciente disso, mas é exatamente esse o ponto que estou abordando nesta postagem. Eu não me imaginava passando por um processo de assédio moral. Repito: ninguém o faz, por uma evidente razão: não é natural isso acontecer. É tão absurdo que sequer pensamos a respeito, até o dia que nós vemos envolvidos.

E os assediadores agem como os drones. A covardia é o combustível que os alimenta. De longe, enviam seus aduladores tele-guiados, seres sem vontade própria, zumbis que obedecem as ordens de seus bruxos para atacar aqueles que por algum motivo qualquer lhes causaram um mal estar, como, o fato de yexistirem, por exemplo.

Mas, uma coisa incrível acontecesse você o detectar ( o assediador ) e expor sua localização. Ele mostrará sua verdadeira face. Antes, o sorriso, tampinha nas costas, diplomacia; depois, a raiva, cólera e revanchismo de um ego arranhado.

O tiraninho

Uma jornalista e ativista foi brutalmente agredida em Kiev, capital da Ucrânia, no último ataque de uma série contra manifestantes e membros da oposição a Viktor Yanukovych em meio a semanas de protestos pedindo a saída do presidente e de seu gabinete, de acordo com informações da agência AP.

Tetyana Chernovil, 34 anos, foi atacada quando dirigia até sua casa. Seu carro foi encurralado por outro e, ao tentar fugir, teria sido agredida por vários homens. A jornalista teve uma concussão, além de fraturas no nariz e rosto, de acordo com seu marido, Mykola Berezovy. O incidente aconteceu horas depois de Chernovil publicar um artigo sobre uma residência que estaria sendo construída para o ministro Zakharchenko.

Veja, que está é a verdadeira face do invisível. Quando exposta demonstra todo o seu horror. Da mesma forma há um monte de tiraninhos iguais ao político ucraniano por aí. Se instalam por meio de esquemas sujos, corrompem e são corrompidos, se insinuam na calada da noite e das irregularidades para enriquecerem ilicitamente.

Tais seres não se importam com nada ou com ninguém, a não ser eles próprios. Seu prazer é emular as mentes fracas para lhes servirem e depois de se cansarem delas, as descartarão como dejetos sem se importar o quanto lhe foram "leais".

O Cristo

Jesus em sua peregrinação falou deste tipo de perverso que ostenta uma aparência  vislumbrando a admiração dos outros, mas que esconde sua verdadeira natureza pútrea. Eles viviam questionando tudo, até mesmo os milagres que o mestre fazia, afinal quem fizesse o bem os incomodava.

Disse o mestre: "...Ou fazei a árvore boa, e o seu fruto bom, ou fazei a árvore má, e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore.
Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca.
O homem bom tira boas coisas do bom tesouro do seu coração, e o homem mau do mau tesouro tira coisas más." Mateus 12:33-36

Perceba que há milênios foi dado a chave que abre os mistérios do invisível pelo mestre nazareno- acautelai-vos, disse ele.



Raniery

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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Está Na Hora De Parar O Assédio

O homem das cavernas viveu o período mais longo da história humana. A era do gelo alterou significativamente o clima por onde expandiu sua calota polar. As glaciações começaram cerca de 600000 anos atrás e se prolongaram, intercaladas com longos períodos mais amenos, até perto de 10000 a.C. 

Nesse período o homem vivia basicamente da caça, sobretudo nas fases de menos frio, sem se fixar ao local. O risco e o perigo eram eminentes já que sua dieta era composta de mamutes, rinocerontes lanudos, bisões e alces. Neste instante percebeu-se que era mais inteligente cooperar, pois disso dependeria sua própria sobrevivência.

Basicamente não mudamos nada em termos de estrutura genética e capacidade cognitiva e a diferença se encontra na forma de organização social mais complexa, mas não é difícil imaginar que milhares de anos atrás as coisas se baseavam na força, ou melhor, a lei do mais forte. Ainda hoje isso não mudou, ainda mais em sociedades desiguais e corruptas como a brasileira que se utiliza de suas instituições para o benefício de poucos em detrimento de tantos.

Tendemos a imaginar que de lá pra cá evoluímos muito, até porque não moramos mais em úmidas cavernas, nem caçamos mais mamutes pra sobreviver, além do mais dominamos tecnologias de ponta em nosso adorável novo mundo.

Tudo é ilusão. Segundo Einstein o tempo e a realidade são meras ilusões. Mas, para nós as coisas da vida parecem uma sucessão de fatos e acontecimentos circunscritos em intervalos de tempo que obedecem a configuração passado, presente e futuro. Desta forma nos organizamos de acordo com calendários, relógios e demais ferramentas seguindo os padrões de rotação terrestre, o que para nós é tudo muito concreto. Pelo menos é o que achamos.

Se o tempo/ realidade seguem a equação da relatividade o assédio moral é permeado pela da subjetividade, pois acontece inicialmente na mente do assediador. O comum entre os conceitos é a percepção ou interpretação de como se processam tais fenômenos. A forma como percebemos o tempo dependerá de nosso estado mental ou emocional naquele momento, ou seja, daquilo que ocupa nossa mente.

Sendo assim, perceba que a sensação de tempo pode ser algo que pode prolongar angustiosamente acontecimentos ou fazê-los passar de forma rápida e prazerosa. Leve essa ideia para as circunstâncias que o assédio moral propicia e terá uma noção exata dos efeitos da relatividade.

Situar, ou circunscrever os momentos do assédio é outro elemento de complexa detecção já que seria impossível saber o que se passa na mente do agressor para que (ou por que) deflagre processos persecuritórios; pensando bem, mais difícil ainda é saber como identificar quem é um assediador moral antes de seu ataque, já que ele conta com estas ilusões para se camuflar na dimensão da sua covardia.

E por isso, "para compreender o assédio moral, é necessário contextualizar o trabalho, o significado e o sentido que adquire para os trabalhadores, as relações laborais que se estabelecem ou são estabelecidas e impostas, o sofrimento causado por imposições ao cumprimento das metas e os agravos que causam à saúde psíquica, física e à vida social dos trabalhadores. Estes riscos não visíveis são tão importantes quanto os riscos visíveis e quantificáveis, a exemplo do maquinário, do posto de trabalho, dos agentes químicos, do ruído e de tantos outros riscos mensuráveis existentes no meio ambiente de trabalho noção de como pode ser sofrido esperar que o tempo passe."ASSÉDIO MORAL: UM NOVO (VELHO) MAL-ESTAR NO TRABALHO-  GIOVANA CIGOLINI

Que dirá, então, do grupo, que vivendo no casulo de suas individualidades tenderá a perceber a realidade de acordo com seus próprios conceitos, preconceitos, egocentrismos e medos e não prestará solidariedade ao elemento de seu conjunto que é um igual, e a agressão, será vista como pontual a este e não um risco a todos. Novamente, outra ilusão.

Fato é que não há nada apontando para um futuro melhor no que diz respeito as relações envolvendo este tipo de posturas imorais e antiéticas por parte de empresas que somente vislumbram o lucro acima de tudo. Se em nome da ganância estamos destruindo até mesmo nosso planeta não seria difícil imaginar o que faríamos com o próprio ser humano visto como um componente da linha de produção. Mas, há aqueles que acreditam na redenção humana. 

O Clock of the Long Now, nome do projeto que tem por objetivo funcionar como um relógio capaz de conectar nossa geração a gerações vindouras. Ninguém pode prever com precisão que cara terá o mundo dentro de 10 mil anos. Porque existem tantas variáveis, sendo assim foi preciso levar em consideração condições que a sociedade nas circunstâncias humanas atuais não tem de enfrentar. O  cientista da computação ( inventor do artefato) chamado Danny Hillis afirma: "ganhos imediatos obscurecem o pensamento em longo prazo".

A Long Now Foundation quer que as pessoas considerem tudo que as cerca do ponto de vista de alguém que poderia viver mil anos. Em outras palavras, deixar de lado a necessidade de correr sem parar, desconsiderando o que nos cerca e levar em conta o que cada ação pode alterar no quadro mais amplo.

Hillis e seus colegas alegam que se a raça humana conseguir, de alguma forma, substituir o imediatismo por uma abordagem coletiva de longo prazo, o mundo se tornará melhor, tanto agora quanto no futuro. 

Sabe-se que as mudanças surgem dos conflitos deflagrados; que é preciso confrontar modelos arcaicos para que os novos e mais eficientes ocupem seu lugar; que se faz necessário questionar a autoridade para forçar o deslocamento da zona de conforto.

O assédio moral é um fenômeno que se confunde com a própria história humana, isso não significando dizer, ou admitir, que é correto, mas que não foi tratado como deveria, isto é, uma violência. Ao contrário, conforme as conveniências de cada época se adotava um discurso propício, seja envolvendo o divino, seja sob a desculpa que fosse.

O que se sabe é que para a riqueza de poucos uma massa precisa ser conduzida sob controle para que produza com o menor custo possível. Por isso, desde a mais tenra infância somos formatados para ocupar determinadas funções na sociedade que permitam este processo.

Se relativo é aquilo que não tem caráter absoluto e subjetivo vem das percepções de cada um de nós, é perfeitamente aceitável que sejamos os precursores das mudanças sobre a realidade e não apenas meros efeitos da realidade de alguém, ainda mais, de um perverso. É preciso interferir ativamente sobre a realidade que se quer criar.

Tudo isso pode começar com apenas uma palavra: "NÃO". Não ao abuso; não à intimidação; não à coerção; não ao patife e pilantra,....Não!
Raniery




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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Múltiplas Perversidades

O assédio moral não pode ser caracterizado por uma única e/ou isolada atitude. Como subtipo de violência está circunscrito a uma infinidade de ações de difícil detecção.

Sua principal estratégia consiste exatamente no disfarce das intenções do agressor,  o que pressupõe um elaborado complexo de atitudes que aos poucos minam a resistência da vítima e anulam sua capacidade e poder de vontade.


Na verdade é a soma de diversos atos que culminam na derrota da vítima e não uma agressão isolada. Além do mais, dificilmente o agressor atua sozinho, mas conta com agentes subservientes que sentem uma necessidade doentia em se submeter ao perverso e sua violência.


É uma relação que anula qualquer forma de valor, princípio ou ética, pois o que está em jogo é o ego do assediador que domina e o escraviza o servil como se fosse uma criança mimada em corpo de adulto. Tanto que o processo acaba adquirindo característica de jogo- de poder. 


A deformidade de caráter do agressor faz com que ele se sinta inadequado e para  se ajustar psicologicamente lança mão de mecanismos de humilhação e coação para provar se valor. À medida que o processo de destruição se torna cada vez mais complexo, dependendo da reação da vítima, novas alianças e tipos de agressão precisam ser desencadeados por parte do assediador para que consiga seu intento.


Em determinado momento pode-se perder o controle e objetivos iniciais. É quando tudo se transforma numa verdadeira bola de neve de acontecimentos. Fica claro a dificuldade de se entender o que de fato está ocorrendo, pois é difícil crer que alguém possa atacar outro por um transtorno de comportamento. O que nos vem à mente é que seria preciso um fator gerador plausível que despertasse o mecanismo de defesa do agressor, aliás, de qualquer um de nós.


E é justamente aí que o assediador encontra sua melhor arma: a imprevisibilidade e a lógica reversa. Tanto que um dos primeiros sintomas que a vítima sente é o da confusão, chegando até mesmo se culpar reproduzindo o discurso do assediador.


Pessoas completas não admitiriam atacar alguém simplesmente porque possui qualidades que não têm, mas somente para se defender legitimamente. Já as perversas necessitam alimentar sua morbidade tanto quanto vampiros do sangue de suas presas.


A comparação com a teia que a aranha tece é pertinente, dada a complexidade de emaranhados que o assédio moral desencadeia. Inclusive, no que diz respeito às próprias reações de cada um- que depende do grau de sensibilidade e resistência intrínsecos. O que para um não é nada, para outro é muita humilhação. É uma questão de grau pessoal. E neste aspecto não se condena aquele que é mais sensível, mas corrige-se as próprias posturas dentro de um mínimo ético.


Talvez seja está complexidade em entender o fenômeno deste tipo de violência moral que faz com que grande número de pessoas sequer saiba do que se trata. Surge daí a importância em suscitar a discussão deste tema polêmico para motivar as pessoas, de um modo geral em entendê-lo.


Raniery

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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Quando Tudo Se Revela

Há  Movimento Ou Ilusão?
A realidade é subjetiva. Cada pessoa constrói a sua. Um mesmo fato pode ser contado e/ou interpretado de inúmeras maneiras. Filtros mentais interferem nessa relação.

Interpretamos o mundo através de nossos sentidos, que por sua vez são processados em nosso cérebro, e, isso, nem sempre é sinal de exatidão. Basta saber que captamos uma miríades de informação de forma simultânea, mas o cérebro precisa priorizar o que é mais importante e relegar o resto a um segundo plano.

Tendemos a categorizar o mundo segundo nossos filtros mentais, o que pode gerar falsos raciocínios e nos iludir. Realidade sócio-econômica, cultura local, traumas, educação, religião, genética, tudo isso, concorrerá para que formemos um conceito próprio da realidade.

Mas, a sociedade se organiza elementarmente para que possa extrair o máximo benefício desta relação em grupo. Tais códigos pretendem atuar sobre nossos comportamentos para que não excedamos no exercício de nossos direitos. Perceba, então, que há uma deliberada interferência sobre nossa liberdade, de ser e agir, em prol de um valor maior- o grupo.

É evidente que seres egoístas que somos, não aceitamos que se nos imponha o que nossa vontade decide que façamos. É neste instante que se concebe o conflito. E o conflito não é necessariamente algo mal como costumamos enxergar, pelo menos, na sua essência, evidentemente. É dele que surge as mudanças sociais e os grandes questionamentos da dinâmica humana e suas civilizações.

Viver é conviver com as mudanças. É da nossa natureza mudar o mundo. Desde que atingimos uma consciência de nós mesmos que o mundo nunca mais foi igual. E isso, em termos positivos e negativos. Ao mesmo tempo, nos apegamos a tradições, conceitos, paradigmas, o que nos traz uma falsa sensação de segurança, ou, de uma falsa realidade.

Veja os valores, por exemplo. Eles são elencados como mecanismos de estabilidade e harmonia social, mas estão em constante mutação. Como isso se dá de forma imperceptível, em determinado momento, acabamos achando que houve uma violação dos mesmos. Vemos isso no conflito de gerações.

Pegue o conceito de respeito (um valor) e o situe em vários tempos históricos e verá que o que era considerado como desrespeitoso em um intervalo de tempo, por uma dada sociedade, não terá a menor relevância em um outro momento e grupamento social.

O valor respeito é uma convenção que tem sua forma de atuação conectada diretamente com a interpretação social que a utiliza, em função do benefício que se oferece. Pergunte-se porque você quer o respeito de alguém e a resposta é o valor mensurável que a atitude tende a produzir. Sendo assim, a tempos atrás, beijar alguém em público feria a moral social e causava escândalo, mas hoje é coisa corriqueira que, de certo modo, nem chama a atenção.

Nesses dias eu tenho estado incomodado com a atitude de uma escola infantil aqui de Santos-SP, onde meu filho foi agredido a unhas por "alguém" que, convenientemente, a escola achou por bem, manter anônimo entre a negligência das professoras que ali trabalham.

Intimidado, ele se recusa a apontar o agressor, mas a diretora está mais preocupada com a reputação da escola, dado a gravidade do caso, que com a integridade física e moral dele. Com o discurso de quarenta anos de educadora tentou me convencer que o fato é coisa que acontece, e que não há culpados. 

A dor física e, pior, psicológica que uma criança de 4 anos está sentindo é irrelevante para essa senhora, que orientada por seu advogado, tentou jogar para fora de seus muros o incidente induzindo que poderia ter ocorrido no transporte escolar que atende exclusivamente sua escola.

Citei, então, dois outros episódios que envolviam de forma similar uma mesma funcionária, mas tudo foi minimizado e descaracterizado pela coordenação e houve a inversão de culpa, ou seja, as duas crianças é que teriam, segundo elas, estimulado a auxiliar a machucá-los. Quando alguém age assim eu costumo dizer que está tentando me convencer de que " é o rabo que balança o cachorro".

No primeiro momento, eu e minha esposa, ficamos confusos e pensamos se tratar de algum caso de Bullyng, mas a filha da diretora que é uma das coordenadoras disse-nos que crianças nessa fase de desenvolvimento não seriam capazes de um complexo comportamento, como o de intimidar. Então, eu lhe disse: " se não foi criança, foi um adulto..."; ela parou por um instante, e disse que não; nesse momento eu pedi uma explicação simples: diante do fato de uma lesão no corpo do meu filho, e a notória mudança de comportamento que o faz se sentir intimidado, quem foi, então, o agressor? 

Até o presente momento, estou sem resposta, mas a escola vem fazendo um atento trabalho de maquiagem dos fatos, inclusive orientando a psicóloga a escrever na agenda da criança que ela tem dito que não fora nenhum profissional dali o culpado, mas uma outra criança que ninguém por lá sabe quem é.

O curioso desta triste história é que a auxiliar é a única que identificou o machucado, mas decidiu não relatar pra ninguém o acontecido, pois não achou nada demais aquilo. A outra professora diz que só foi vê-lo na hora de trocá-lo para a aula de capoeira, mas que relatou tudo a coordenação, que por sua vez disse que se esqueceu de nos comunicar.

Veja o que diz o ECA:  Lei nº 8.069 de 13 de Julho de 1990
Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências.

Art. 245. Deixar o médico, professor ou responsável por estabelecimento de atenção à saúde e de ensino fundamental, pré-escola ou creche, de comunicar à autoridade competente os casos de que tenha conhecimento, envolvendo suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente:
Pena - multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência.

Mas, o que tudo isso tem a ver com realidade e valores? Tudo! Se você prestar bem atenção.

A escola faz questão de nas redes sociais, sua página na internet, e, em memorandos enviados na agenda, que adota os mais dignos valores no processo de educação de seus alunos, mas na hora de ser posta a prova fez exatamente o inverso, já que elegeu como forma de argumento os quarenta anos da diretora como forma de se auto intitular uma autoridade sobre tais acontecimentos, mesmo à margem da lei. Ela chegou a afirmar que nos dois outros casos de agressão infantil, os pais eram devedores e, por isso, estariam falando mal da instituição numa demonstração de total falta de ética e arrogância. Se bem que isso justificaria que poderiam ser agredidos? Complicado, né?!

Isso, foi a parte dos valores. E a realidade onde está? Na superfície e nas aparências, pois nem tudo o que se vê, de fato é. São nesses momentos que alquimicamente se faz a separação dos elementos: discurso persuasivo demum lado e fato, ou, realidade, do outro.

Neste episódio ficou claro pra mim que a única coisa que não muda é o comportamento humano que manifesta sua verdadeira natureza diante de suas responsabilidades quando exigidas.

Leia também: Sobre A Realidade
Raniery

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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Papo Furado

No Brasil, nestes últimos meses temos assistido uma onda de manifestações contra uma série de desmandos de um Estado que confronta sua própria democracia, e, isso, apesar dos grandes avanços que tivemos.

É que ninguém aguenta mais conviver com um sistema de saúde precária que privilegia planos e instituições particulares em detrimento dos mais pobres, fruto de uma política social de abandono. 

Da mesma forma, nossa educação, sucateada, massacra seus professores e pune seus novos cidadãos com um sistema educacional que não funciona, mas que faz prosperar as escolas particulares que já se tornaram a nova indústria a ser explorada por aqui- tanto que há grupos estrangeiros investindo seu capital nesse ambicioso negócio.

Corrupção, lavagem de dinheiro, descaso com a segurança pública entre outras coisas saturaram o povo brasileiro que já não aguenta mais tanta ilegalidade que surge de seus representantes que deveriam zelar pelos interesses de seus representados, mas que se elegem e passam a agir em prol de interesses próprios ou de grupos que os patrocinaram.

E como o cidadão fica nesta história? Bem, veja você que tem filhos e que diante deste quadro caótico trabalha e se sacrifica para lhes dar o melhor e sonha com que tenham melhores chances na vida, sobretudo em um mercado de trabalho que se torna cada vez mais competitivo. O que faz? Matricula-o em uma escola particular, de preferencia que ofereça as condições para que a criança possa obter sucesso em todo o seu desenvolvimento e no momento chave poder alçar os melhores vôos. 

Mas, é aí que as coisas começam a desandar. Temos que lembrar que estamos no país das falsas realidades. Você vai até a escola e quer que haja o mínimo de estrutura e segurança para aquele que é o seu maior tesouro. As escolas por sua vez preenchem a lacuna deixada propositadamente pelo Estado e elencam o bolso dos pais como seu maior tesouro.

É bem verdade que eles não podem dizer isso e em seu marketing camuflam suas intenções com palavras como educação e valores. Criam páginas nas redes sociais e postam fotos de nossos filhos brincando, sorridentes e tudo parece um conto de fadas, até que.....o outro lado da vida aparece para desafiar o discurso dos valores.

Determinada conceituada escola aqui de Santos, litoral de São Paulo foi alvo desse desafio neste mês e fracassou. Na verdade, foi o que seria mesmo. Quando teve a oportunidade de demonstrar que prática o que diz, se contentou em ser mais uma entre tantas.

Houve duas agressões a uma criança em um intervalo de dezessete dias que demonstrou a incapacidade da instituição em vários níveis, desde a negligência no cuidado com aqueles que estão sobre sua responsabilidade até o cinismo em estarem preocupados mais com a reputação e, por consequência, o números de matrículas da escola do que com a lesão e possíveis sequelas na criança.

Valores, não são qualidades que se falam, mas que se praticam e é na hora de sua necessidade que elas não podem ficar circunscritas ao discurso e slogan de propaganda.

O episódio deixou claro o despreparo dos chamados educadores em saber lidar com suas responsabilidades já que em determinados momentos numa reunião entre diretoria e os pais aquilo que é um pressuposto (e condenado) para o Direito, sobretudo em seu Código Civil, Estatuto da Criança e do Adolescente e Código do Consumidor foi encarado como normal e passível de acontecer mesmo em detrimento a integridade física e psicológica de seus alunos.

Em determinado momento a diretora externou sua experiência de quarenta anos como educadora, o que demonstra claramente uma fixação pelo falso raciocínio e apego extremo ao paradigma do tempo. Ora, as sociedades mudam com o tempo e o que era valor ontem, passa a não ser mais hoje; o que funcionava bem no passado, não mais encontra espaço no presente, então, dizer que se tem tanto tempo de profissão só serve neste caso para questões providenciarias e de aposentadoria.

Muito bem, quando não temos nossos direitos atendidos o que fazemos, então? Recorremos ao Estado Juiz para dizer o Direito: é a judicialização das relações escolares. De um lado, educadores caducos que se fixam em sua prepotência, do outro, o cidadão que apela para os direitos sociais e individuais tutelados pela Constituição. A isso, dá-se o nome de responsabilidade civil.

É perceptível a falta de preparo geral e específico com o atual momento democrático onde os cidadãos possuem um conhecimento mínimo de seus direitos entre os educadores que encapsulados em seu inconsciente os prendem ao passado onde, por exemplo, o professor corrigia comportamentos com castigos físicos- bater na palma da mão com régua, palmatória, ajoelhar no milho, escrever mil vezes que está errado.

Enfim, é lamentável e frustrante que a educação esteja sendo violentada deste jeito.  O Estado a abandona e o particular a explora como uma garota de programa cujo único objetivo é o lucro do cafetão. Precisamos urgente nos desvencilhar de tais modelos arcaicos e carcomidos pela arrogância e ganância rumo a um novo tempo.  Novo, não num slogan de propaganda, mas de fato e na prática.












raniery.monteiro@gmail.com
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terça-feira, 19 de novembro de 2013

Revolução Social




Muitas vezes olhamos uma realidade e passamos a reagir de duas maneiras pelo menos: indignação ou resignação. No Brasil nós acostumamos a enxergar a misēria e o aviltamento da condição humana com naturalidade, afinal, isso é uma herança histórica. O que não nos damos conta é de como tudo isso começou e não nos indagamos do por quê deve ser ou continuar assim.Na época em que os portugueses começaram a colonização do Brasil, não existia mão-de-obra para a realização de trabalhos manuais. Diante disso, eles procuraram usar o trabalho dos índios nas lavouras; entretanto, esta escravidão não pôde ser levada adiante, pois os religiosos se colocaram em defesa dos índios condenando sua escravidão. Assim, os portugueses passaram a fazer o mesmo que os demais europeus daquela época. Eles foram à busca de negros na África para submetê-los ao trabalho escravo em sua colônia. Deu-se, assim, a entrada dos escravos no Brasil.Os negros, trazidos do continente Africano, eram transportados dentro dos porões dos navios negreiros. Devido as péssimas condições deste meio de transporte, muitos deles morriam durante a viagem. Após o desembarque eles eram comprados por fazendeiros e senhores de engenho, que os tratavam de forma cruel e desumana.  O principal fator que manteve a escravidão por um longo período (300 anos) foi o econômico. A economia do país contava somente com o trabalho escravo para realizar as tarefas da roça e outras tão pesados quanto estas. A partir de 1870, a região Sul do Brasil passou a empregar assalariados brasileiros e imigrantes estrangeiros; no Norte, as usinas substituíram os primitivos engenhos, fato que permitiu a utilização de um número menor de escravos. Já nas principais cidades, era grande o desejo do surgimento de indústrias.Visando não causar prejuízo aos proprietários, o governo, pressionado pela Inglaterra, foi alcançando seus objetivos aos poucos. O primeiro passo foi dado em 1850, com a extinção do tráfico negreiro. Vinte anos mais tarde, foi declarada a Lei do Ventre-Livre (de 28 de setembro de 1871). Esta lei tornava livre os filhos de escravos que nascessem a partir de sua promulgação.Em 1885, foi aprovada a lei Saraiva-Cotegipe ou dos Sexagenários que beneficiava os negros de mais de 65 anos. Foi em 13 de maio de 1888, através da Lei Áurea, que liberdade total finalmente foi alcançada pelos negros no Brasil. Esta lei, assinada pela Princesa Isabel, abolia de vez a escravidão no Brasil.Após a abolição, a vida dos negros brasileiros continuou muito difícil. O estado brasileiro não se preocupou em oferecer condições para que os ex-escravos pudessem ser integrados no mercado de trabalho formal e assalariado. Muitos setores da elite brasileira continuaram com o preconceito. Prova disso, foi a preferência pela mão-de-obra europeia, que aumentou muito no Brasil após a abolição. Portanto, a maioria dos  negros encontrou grandes dificuldades para conseguir empregos e manter uma vida com o mínimo de condições necessárias (moradia e educação principalmente).No final do século XIX, os primeiros assentamentos eram chamados de "bairros africanos". Estes eram os lugares onde ex-escravos sem terras e sem opções de trabalho ia morar. Mesmo antes da primeira "favela" passar a existir, os cidadãos pobres eram afastados do centro da cidade e forçado a viver em distantes subúrbios. No entanto, as favelas mais modernas apareceram na década de 1970, devido ao êxodo rural, quando muitas pessoas deixaram as áreas rurais do Brasil e mudaram-se para as cidades. Sem encontrar um lugar para viver, muitas pessoas acabaram morando nas favelas.Perceba que este problema social é decorrente de políticas públicas que o Estado Brasileiro desencadeou centenas de anos atrás e que até hoje repercute entre o seu povo. Não houve sequer indenização aos ex escravos ou aos seus descendentes pelos séculos de abuso na utilização de sua mão de obra. E, se você está excluído e abandonado pelo Estado faz o quê para sobreviver? Sabemos das tantas possibilidades, dada a realidade brasileira, mas entre elas há o trabalho informal, muitas vezes em subcondições. Não é incomum vermos pelas ruas pessoas puxando carroças perambulando pelas ruas recolhendo material para reciclagem, ou, em muitos outros casos, utilizando animais para isso, sobretudo, equinos.Esses animais são geralmente mal alimentados, mal ferrados, não recebem qualquer atendimento veterinário, sendo obrigados a trabalhar além de suas forças, mesmo doentes e famintos. São maltratados com carga excessiva, horários exaustivos de trabalho. Alguns praticamente não têm repouso e, quando fraquejam, são açoitados, inclusive com instrumentos e em locais deliberadamente escolhidos para causar grande dor. Não há fiscalização quanto a origem do animal e a qualidade de vida. Não há vacinação, exames de saúde, dentre outras coisas.Quando imprestáveis para o trabalho, são abandonados em beiras de ruas e estradas, normalmente acabam sendo atropelados ou morrem miseravelmente de fome e sede. São entregues aos matadouros, quase na sua totalidade clandestinos, para um abate cruel de onde geralmente são repassados para o comércio como carne de boi. No trânsito, são conduzidos por vias de grande movimento, em horários de pico, sujeitos a inúmeros acidentes, quase sempre fatais. Muitas vezes são conduzidos por menores em flagrante desobediência às leis de trânsito e à legislação de proteção à infância e adolescência.Temos visto a alguns meses manifestações de protestos contra os escândalos de corrupção, gastos públicos imorais, políticas públicas ineficientes fazendo crer que os brasileiros se saturaram de tanta patifaria. Mas, sabemos que uma democracia não pode permitir que somente o Estado coloque a sua mão na massa. Todos somos responsáveis por criar uma sociedade mais justa.Acontece que existem pessoas que nascem com um brilho próprio e, acredito, são enviadas a este mundo para fazer a diferença. Um engenheiro e sua esposa tiveram uma ideia fantástica. Indignados com os maus tratos que animais sofriam ao serem usados para transportar lixo ou material de reciclagem para que seus donos sobrevivessem inventaram um veículo movido a energia elétrica para que fizesse este tipo de trabalho.A ideia não é só brilhante, mas produz um efeito social sem precedentes e resolve três tipos de problemas de uma só vez: o social, já que permite que o coletor faça seu trabalho de forma digna; o ecológico, já que sabemos que a retirada deste material elimina dos aterros sanitários toneladas de lixo que, entre outras coisas, contamina o lençol freático- lixo esse que nós produzimos. Sem contar que o veículo sendo elétrico não emite poluentes; e, por fim, livra os animaizinhos dos maus tratos decorrentes de tal esforço.Eu não consigo imaginar nada parecido com isso. Não me lembro de ninguém em qualquer esfera de poder que tenha feito tanto de forma tão simples e viável. Mas, isso demanda tempo, esforço, dinheiro. E é aí que gostaria de apelar para o poder que cada um de nós têm de fazer a diferença dentro da nossa capacidade, já que nem todos nós fomos dotados de talentos extraordinários como o do Jason Duani Vargas e de sua esposa Ana Paula Knak idealizadores do Projeto Cavalo de Lata.Sendo assim eu gostaria de estar me juntando a eles na divulgação e investimento deste projeto e convidando você a fazer o mesmo. Pra saber como, acesse o site Catarse onde há melhores esclarecimentos e participe desta revolução social. Raniery

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Esse Filme Eu Já Vi

Não tem jeito: é somente olhando para o passado que compreendemos o que acontece com o ser humano.

É da nossa natureza a curiosidade em compreender a nossa própria realidade. Aliás, foi esta mesma característica que nos trouxe até aqui no atual estágio das civilizações.

Você em algum momento já se perguntou porque é que vivemos em sociedade? O que parece obvio pode fornecer a resposta para algumas questões da própria dinâmica humana.

Segundo os teóricos das constituições, os Estados modernos, fruto da evolução jurídica das civilizações  é derivado, em sua origem, dos núcleos básicos formados, inicialmente, por pequenos grupos que foram se tornando complexos até atingir seu atual estágio.

Seja como for, fato é, que vivemos em estado de interdependência e é essa característica que nos permitiu tamanho domínio sobre o planeta. É evidente, que não dá para pensar em um mundo onde tudo seja as mil maravilhas, mas é como nos organizamos para sobreviver.

Este formato deu tão certo que desenvolvemos em nosso cérebro centros de controle da consciência que nós fazem querer viver em sociedade. Então, essa é a nossa natureza e não tem nem o que se discutir.

Como fruto de nosso desenvolvimento concluímos que teríamos que nos organizar para que pudéssemos nos desenvolver plenamente e utilizamos de outra ferramenta evolucionária para isso: a cultura.

Tudo que aprendíamos passávamos adiante aos membros do grupo e isso sedimentava a coesão e capacidade de identidade. Era preciso, então, definir os limites de cada um, pois liberdade total seria pernicioso e acarretaria abusos. Criamos as regras.

Recentemente, onde trabalho, os chefes estão perplexos e indignados sentindo- se traídos, pois foram induzidos a assinar um acordo de reconfiguração de cargos e salários e a empresa os ignorou não cumprindo sua parte- mas, onde está a novidade?

Eles, durante anos, fizeram tudo que lhes era mandado, fosse certo ou não ou seja, se submeteram a tudo o que lhes era dito. De acordo com as regras da boa política, não contrariaram seus superiores em nada para que fossem vistos com bons olhos e no fim auferir alguma vantagem disso.

Mas, de nada adiantou. Todos esses anos simplesmente foram jogados no lixo pelo comportamento arbitrário daqueles que só pensam em si. Só que isso era previsto, afinal de contas como confiar em alguém inescrupuloso, sujo, transgressor de regras e ainda achar que não,fará o mesmo com você. Até por que, para gente assim, pessoas são coisas que se descartam quando não se quer mais.

Por isso que a grande malandragem é viver de forma estável onde os acordos são cumpridos e as regras e princípios e direitos servem para todos e não para privilegiados que se utilizam das proximidades para levar vantagem sobre o grupo.

A conclusão que se chega é que a "espertez
a" cedo ou tarde cobrará o seu preço e  ela não é dada à fraternidade, pois não se sente à vontade em dividir o que toma. Já, o que está devidamente organizado e segue os meios acordados sem desvios parece garantir a todos as mesmas chances.
Raniery





raniery.monteiro@gmail.com
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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Como Vencer O Assédio Moral


O assédio moral mexe demais com a vida de suas vítimas que reagirão de diversas maneiras. Isso, não dá para generalizar. Cada um sente o mundo à sua maneira. É da nossa individualidade.

Com certeza, este tipo de violência atinge seu objetivo que é importunar e causar desequilíbrio na relação de emprego. Seria então razoável considerar que o stress causado crie uma sensação de insegurança  e dispares os mecanismos de defesa naturais que possuímos. Os assediadores sabem disso.

Reconhecer que é muito difícil sair incólume de uma situação dessas não é ser negativista, mas constatar uma realidade que infelizmente afeta trabalhadores mundo afora. A regra é o sucesso do agressor. Mas, aos poucos isso está mudando.

As pessoas, em geral, não dão atenção para o tema, pois pensam que é algo que nunca acontecerá com elas e, portanto, não sentem interesse em saber do que se trata. Só passarão a buscar compreensão quando se encontrarem envolvidos nas teias do agressor, o que pode ser tarde demais.

Fica claro, então, que se antecipar ao fato, isto é, conhecê-lo antes que ocorra será uma estratégia importante que permitirá uma reação mais rápida- o que pode ser decisivo.

Falo com conhecimento de causa, pois, andar de bicicleta enquanto a constrói, nesse caso, é mais penoso do que se tivesse a noção exata do que estava acontecendo. Disseminar a informação e suscitar a discussão sobre o tema passa a ser, então, uma das melhores ferramentas que possibilitarão o confronto contra os agressores morais.

Para se ter ideia de quanto se banaliza o assunto há uma empresa de seguros que oferece um produto para executivos assediarem. É isso mesmo o que você leu. O bonitão é contratado e ganha uma autorização para assediar e, caso um subordinado acione a empresa o seguro paga pelo assédio. Reza a lenda que a mesma empresa fará o contrário também: oferecerá seguro para quem for assediado. Seja como for, o assédio moral se tornou um meio de ganhar dinheiro pelo sofrimento humano, quando deveria ser coibido de todas as formas.

Veja que a agressão tem caráter psicológico, é desencadeada por alguém com uma disposição para isso, conta com uma estrutura que o apóia e o acoberta, então, se é tudo programado e premeditado fica fácil deduzir que ser derrotado é a regra. Como uma pessoa luta contra um sistema? 

É por isso que em um mundo competitivo e agressivo como o das organizações o conhecimento se torna uma força capaz de reverter quadros. Saber como todo o processo acontece proporcionará os meios adequados para superá-lo.

Quando eu me dei conta de que estava sendo vítima de um processo de assédio moral passei a pesquisar tudo sobre o assunto e quando passei a cursar Direito o conhecimento se expandiu naturalmente. Acontece que só o conhecimento jurídico não se torna suficiente nesses casos, pois é preciso avançar. Ainda bem que há os especialistas que surgem como luzes que clareiam nosso caminho e ter, portanto, ter recorrido a eles foi decisivo.

Uma vez que se passa a conhecer o que se desenrola por trás do processo de assédio fica mais fácil detectar as estratégias dos agressores e contra-atacá-las. Bem vindo à guerra. Isso é tão desgastante que há quem aconselhe sequer entrar nela e pedir demissão ou deixar ser demitido. A decisão é pessoal. Mas, é desgastante, pelo menos para as vítimas, pois dependendo da patologia ou do transtorno que o agressor apresente, será uma mera diversão para ele.

No meu, caso, empregado público, conto com os princípios da administração pública para me defender, mas posso dizer que mesmo assim não é moleza já que os agressores confrontam qualquer forma de ordenamento constitucional e se colocam acima da própria democracia se insurgindo contra os direitos fundamentais.

Portanto, tratar do impacto que causa o assédio na vida daquele que o sofreu é algo gradual, lento, e que, em alguns casos, deixa seqüelas. Mas, eu diria que vale a pena lutar contra uma injustiça, contra pessoas perversas, por tua integridade, teus princípios e , obviamente, tua dignidade.

Chegará uma hora que tudo será pagina virada, mas deixará um legado de experiência e cidadania numa luta contra os violadores das liberdades democráticas. Quando Não permitimos que suas vidas sejam fáceis e que não se sintam plenamente impunes para destruir a vida de trabalhadores (as) somente para saciar seus instintos narcisistas.

De qualquer forma a maior vitória que se pode obter frente a estas criaturas é seguir adiante e reorganizar a vida. Deve-se tratar os ferimentos emocionais e se reerguer. Não se deixar contaminar pelo mal que vem do íntimo dessa pessoas, talvez seja, na realidade, a maior vitória sobre elas, pois seu prazer consiste em corromper pessoas as nivelando por si. Aqui cabe as sábias palavras do mestre Nazareno: " Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem" Romanos 12:21, ou seja, não permita que no furor e intensidade da batalha teus princípios e valores sejam roubados pelo agressor e você se torne tão baixo quanto ele.

Eu costumo dizer que quero ver o final do filme em casos como o destas pessoas, pois tem hora que nos parece que nada vale a pena e que elas que são más e perversas sempre vencem. Nada que se faça passará sem o devido retorno. 

Pense por um momento: nossos códigos morais foram construídos ao longo de milhares de anos e isso criou o chamado inconsciente coletivo. Cedo ou tarde casa ação que viole essas leis se voltarão contra os violadores ainda que cauterizem suas consciências ou racionalizem suas ações.

Portanto, seja qual for o momento que você esteja passando em relação ao assédio moral, aproveite a situação para fortalecer o seu caráter e saia fortalecido da situação. A opção da mudança é dada a você. Já os assediadores, se não tiverem suas consciências tocadas lhes será proibido evoluir.

Siga adiante, levante sua cabeça, olhe firme e para frente e dê a volta por cima.
Raniery


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