quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Esgotamento estranhado


A vida nos grandes centros urbanos é desgastante por conta do ritmo alucinante e estressante que exige de nós cada vez mais em termos de tempo e atividade. É por conta de nosso natural desejo de progredir e ter, ou melhor, consumir, somado às nossas necessidades que, então, trabalhamos, cada vez mais, abrindo mão de coisas que nos são importantes, a despeito de sua simplicidade, como, por exemplo, relaxar, curtir a família, etc. É desse ritmo que se derivam inúmeros transtornos de ordem emocional que acabamos por desenvolver.

No filme “Space office” ( “Como enlouquecer seu chefe”- versão brasileira) Peter Gibbons (Ron Livingston) é um programador de computadores que se sente muito infeliz no emprego. Após uma sessão de hipnose seu comportamento muda e ele se rebela. Porém, à medida que se insurge chama a atenção de seus gestores, que lhe promovem em pleno período de demissões. Porém, isso não é suficiente para deixá-lo feliz.

O filme trata da temática do proletariado que vende sua força de trabalho e submerge no mundo do trabalho estranhado, termo que o filósofo Marx utiliza, onde critica o capitalismo selvagem que incentiva a exploração do homem pelo homem. Para Marx, o trabalho está ligado intimamente a sociabilidade humana e no momento em que o homem se sente explorado e não livre em sua atividade essencial, esta se torna estranha a ele.

Peter Gibbons é um homem insatisfeito com o trabalho, estressado pela rotina e oprimido pelo chefe no escritório. O chefe, Bill Lumbergh é o assediador moral que demonstra que o controle capitalista do trabalho é também controle social (e pessoal) que se dissemina pela produção e pela vida cotidiana. 

Lumbergh é a "persona" do Mal que sintetiza em si, o controle autoritário do capital no local de trabalho. Ele possui o estilo de chefe da velha empresa taylorista-fordista.

Taylor demonstrou que o máximo controle sobre o desempenho das máquinas e do trabalho poderia melhorar os processos de produção. As situações que não pudessem ser controladas deveriam ser eliminadas do processo. O treinamento, a especialização e o controle seriam as ferramentas básicas que concederiam a interferência positiva na produtividade da indústria.

Esta comédia acaba retratando, e, por consequência, discutindo, o que o sistema acaba produzindo nas pessoas, como esgotamentos nervosos e um sentimento de frustração que nunca acaba. Os fatores desencadeantes na iniciativa privada, são o resultado, a produtividade; Na pública, a corrupção e a improbidade administrativa. O capitalismo tem uma fome voraz que nunca se esgota, tanto quanto a fome dos gananciosos. Por conta disso, a massa precisa ser mantida sob controle e produzir o lucro para que o dono do capital apareça nas principais capas de revistas ou em algum ranking dos mais ricos.

A grande verdade é que somos condicionados, quase como robôs, para atender este sistema, e, aquele que não se enquadra, logo sente o peso de sua inadequação. Pense nos lugares que trabalhou e se lembrará daquele capataz que fará de tudo para atender os desejos do seu chefe mimado e, se isso significar ficar no encalço de algum rebelde que não aceite a exploração, ele o fará.

Portanto, não é de se admirar que todos os dias e por todos os lugares vemos, dentro desta estrutura, situações desmotivantes, onde o competente acaba sendo preterido pelo adulador; o qualificado é colocado de lado pelo subverniente- que é capaz de servir de capacho para algum perverso desajustado; na base de esquemas e armações, o desidioso consegue se “ajeitar” e o produtivo passa a ser visto como o trouxa que deve trabalhar, isso, quando não se pretende que faça o trabalho daquele. 

Onde trabalho, por exemplo, burla-se as normas e regras para promover, por exemplo, namorada de chefe, capanga de corrupto, filha não sei de quem, é uma orgia só com a coisa pública, onde as pessoas se prostituem sem o menor pudor ou constrangimento. Não contentes, passam o tempo ocioso elaborando como prejudicar outros.

Não à toa, o desânimo e a falta de perspectivas toma conta das pessoas. Em sistemas perversos e pervertidos, como os citados, se produz uma energia negativa que drena a vida emocional de qualquer um. A desmotivação se transforma numa característica sombria que degenera em transtornos emocionais e esgotamentos nervosos.

Para vencer este ciclo vicioso, é preciso não se deixar contaminar, mas se auto motivar. Como fazê-lo? Cada um possui a resposta dentro de si, basta procurar. Uns, encontrarão na religião, outros na família; Cada um tem algo que pode ser fonte de superação. Talvez para alguns, só mudando de ambiente mesmo, que isso se resolverá. Mas, curiosamente aquilo que na correria acabamos por abrir mão pode ser a resposta para superar o que o sistema vampirizou.

De qualquer forma, a vida não deixa de ser um desafio e uma eterna busca pelo melhor. Não dá para viver se iludindo achando que o mundo é totalmente justo e que as coisas são como idealizamos, mas nem por isso deve-se abrir mão de lutar para que melhore e se torne mais próximo do ideal.

Não fosse assim, as grandes mudanças que ocorreram no mundo não aconteceriam e ficaríamos estagnados no tempo e no espaço. Não reagir é estar morto por dentro. Como o personagem do filme, talvez seja preciso uma pitada de rebelião interna e romper com antigos paradigmas e se reinventar para alcançarmos a felicidade que poderá decorrer justamente de se ver tentando, de arriscar, de mudar.
                       Capital, trabalho e alienação- Karl Marx

Raniery

raniery.monteiro@gmail.com
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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Assédio moral: conheça e vença


Conhecereis a verdade e ela vos libertará proclamou o mestre nazareno aos seus discípulos milhares de anos atrás. E isso não mudou. Que dirá, se tratarmos de um assunto tão antigo quanto as palavras de sabedoria do mestre dos cristãos: o assédio moral.

Afirmar que é um problema crônico e social não é exagerar tendo em vista que é um fenômeno que vem sendo estudada de forma exaustiva por especialistas nas mais diversas áreas como a médica, jurídica, psicológica, recursos humanos etc. O resultado das pesquisas aponta para os efeitos prejudiciais que este tipo de violência acarreta em pessoas do mundo inteiro.

Os processos da globalização, competição acirrada, crises financeiras que afetam os países são apontados como justificativas para massacrar e aterrorizar trabalhadores, mundo afora, sob a ameaça do desemprego. Até questões raciais, de origem xenofóbicas, acabam emergindo diante de tais crises.

Pode-se falar em terror psicológico, se bem que silencioso, e, talvez, mais perverso e cruel, pois não se dá chance de defesa. Pretende causar sofrimento para se obter o controle e se conseguir o que se quer em nome da ganância e do enriquecimento de poucos. O resultado disso é a deterioração da saúde física e psicológica dos indivíduos que passam a desenvolver doenças crônicas que até então não portavam.

O processo se desenvolve por mecanismos emocionalmente abusivos que são executados por expedientes não menos cruéis como boatos, isolamento, descrédito e humilhações, que demonstra uma deliberada intenção em degradar o ambiente e condições de trabalho; Outra característica a ser destacada é a comunicação antiética e perversa que confunde a vítima, que no primeiro momento não consegue discernir exatamente o que está acontecendo; É pela continuidade do processo que se deixa claro a intencionalidade por trás de toda conduta hostil do agressor (es) que pode ser tanto um ou mais chefes, colegas ou a combinação destes, que demonstra a covardia humana em ação alimentada pelo individualismo e frieza de pessoas sem consciência; O indivíduo acuado passará a manifestar um quadro de deterioração geral que o afetará física, psíquica e socialmente, agravado tanto quanto o processo durar- pergunte a alguém que passou por isso e saberá o quanto é difícil superar e se recuperar de tal dano.

Portanto, conhecer a dinâmica do assédio moral permite um melhor meio de se defender e superá-lo.

Identifique o que é assédio moral:

·        Qualquer conduta abusiva:
§  Gesto;
§  Palavra;
§  Comportamento;
§  Atitude;
§  Outros.
·        Repetição ou sistematização
·        Com objetivo de afetar
§  Dignidade/ integridade
- Física
- Psíquica
·        Ameaça ao emprego
·         Degradação do ambiente/ condições de trabalho
·        Condutas
-Imorais
-Inconstitucionais
·        Insidiosas por meio
§  - Abuso de poder
§  - Manipulação
·        Afeta
·        Dignidade
·        Direitos personalíssimos
·        Afastamento do emprego
·        Desemprego forçado

O assédio moral cobra um alto custo à sociedade, pois o trabalhador adoecido além de não estar em condições de contribuir com sua força de trabalho, onera o Estado que arca com o afastamento pelo seguro social, fora os valores indenizatórios que solapam as empresas com passivos trabalhistas desnecessários.

Ante o exposto, fica claro a necessidade de se combater o assédio moral por todos os meios disponíveis, incluindo aí, a intervenção jurídica e legislativa, mas que também é um problema de toda a sociedade que deve discutir o assunto para que isto aconteça cada vez menos, para então, avançarmos para um mundo mais livre e democrático.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Mentes que assediam


É discurso comum dizer que as leis possuem muitas brechas dando a entender que o Direito se esgota nas leis e não que estas são apenas uma de suas fontes. Na realidade o Direito cobre todas as ações humanas disciplinando-as não deixando os ditos direitos subjetivos somente nas mãos dos legisladores. Sendo assim, os princípios do Direito, a jurisprudência, os costumes etc. somarão ao todo para proteger valores que não podem ser negligenciados.

Posto isso, pode-se dizer que o assédio moral não encontra legislação vigente que o regule na esfera federal, mas nem por isso não será objeto de avaliação jurisdicional que o interpretará por analogia levando em conta os princípios dos diversos diplomas legais que a despeito de parecerem atuar em separado mantêm uma unidade harmônica, sobretudo no que diz respeito à lei maior e norteadora que é a Constituição Federal.

Se prestarmos atenção no que é o assédio moral, logo chegaremos à conclusão de que ele contém em si características que apontam para uma conduta ilícita, uma postura negativa, uma atitude réproba já que trás com ele o mesmo tipo de violência que se vê nas demais modalidades como o bullying, a xenofobia, o racismo, a homofobia, ou seja, um caráter segregador, separatista, discriminador. Ataca-se o outro por alguma diferença que produza alguma ameaça interna na mente do agressor.

A diferença para as outras formas de violência é que esta se dá de forma subreptícia, insidiosa, camuflada, pois o assediador não pode ver sua imagem de líder carismático arranhada diante do grupo, e, em um processo elaborado, engedra toda uma forma de projeção sobre o outro que leva todos a crerem que este é o provocador de tais indisciplinas e que aquele precisa corrigí-lo senão, a equipe ruirá.

Desta maneira, estigmatiza-se o trabalhador retirando-lhe qualquer mérito ou qualidade; critica-se até o ponto da internalização e consequente insegurança; induz-se ao erro e promove-se a comunicação perversa que o levará a ser desacreditado pelo grupo. Neste ponto o medo já se instalou, tanto na vítima quanto no grupo que entendeu que a mensagem dita é para não ser como aquela pessoa, não só porque é um modelo que a empresa rejeita, mas que acontecerá o mesmo com todo aquele que seguir seus passos. O curioso é que até bem pouco tempo o agredido era elogiado e tido como uma referência de dedicação e competência.

O objetivo de toda ação de assédio moral é ferir a dignidade, a personalidade e a honra do trabalhador, desestruturando seu ambiente de trabalho, humilhando-o de todas as formas para que se veja acuado e desista de seu emprego ou que seja demitido injustamente. Daí dizer-se que há a caracterização do dano a um direito subjetivo e personalíssimo. E o que o Direito diz sobre isso? Que quem lesou direito tem o dever de indenizá-lo. Não se discute isso. Está sedimentado. É um pressuposto.

Em relação ao dito acima, lembro-me de alguns assediadores que pensando estar argumentando, mas na realidade demonstrando sua ignorância e medo, pediam para seus porta vozes tentarem dissuadir-me dizendo que caso lançasse mão do meu direito de pedir a intervenção jurisdicional poderia prejudicá-los, pois seriam demitidos. Minha resposta era: já que sabiam que poderiam sofrer alguma punição, por que é, então, que assediavam?

Portanto, o assédio é um ilícito apesar de não estar devidamente legalizado, mas nem por isso deixa de ser objeto de apreciação e regulação pelo Direito visando preservar valores maiores que ele próprio, como a dignidade da pessoa humana, por exemplo. Combatê-lo, além de ser um ato de cidadania também é o da preservação de direitos fundamentais indisponíveis.

raniery.monteiro@gmail.com
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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Engrenagem perversa


Desde que nascemos nos é ensinado por nossos pais como devemos nos comportar, e, à medida que crescemos isso é feito pelo próprio meio que nos cerca, através da escola, dos amigos e assim nos integramos à sociedade. Chamamos isso de cultura.

Via de regra, esse conjunto de manifestações comportamentais atende bem ao quesito interação, sem maiores problemas. Os conflitos compõem todo essa complexidade de interações nos chamados choques de personalidade, mas sem maiores transtornos.

Por outro lado, encontramos distorções desse tipo de interação quando pessoas decidem, por algum motivo qualquer, elevar o nível dos conflitos à outra categoria que apontará um tipo de comportamento classificado como cruel e perverso. Isto acontece pela identificação da intencionalidade por trás da manifestação comportamental: o dolo.

Diferentemente do conflito, que é episódico, o assédio psicológico se caracteriza pela ação contínua e que não cessa naturalmente. A agressão opta por mecanismos humilhantes através do abuso verbal, entre outros meios antiéticos. A comunicação é perversa, subjetiva, insidiosa e dissimulada, ou seja, é uma tática que tem como objetivo criar confusão e desequilíbrio.

Os ataques são deliberados e nada fortuitos, pois se tem em mente exatamente o que se quer conseguir, que é o prejuízo da pessoa alvo. Há um grupo de pessoas conhecidas onde trabalho, como ilustração, que deflagraram um processo de linchamento moral que ficou conhecido como o caso mais injusto dos mais de 90 anos daquela instituição, resultando na demissão de um pai de família. Até hoje as pessoas custam em acreditar que a coisa toda foi armada. Dizem que tudo começou como uma brincadeira (brincadeira?) que perdeu o controle, porém a verdade é outra.

Todo comportamento depende de nossa capacidade de aprendizagem e com o assédio moral não é diferente. À medida que os anos passam o agressor refina suas técnicas e se torna cada vez mais perigoso, proporcionalmente à sua capacidade de esconder isso e de demonstrar uma aparência amistosa para atrair os vulneráveis.

Nesta modalidade de conflito distorcido emergem personagens com papéis definidos, ainda que não escolhidos. Há o agressor, a vítima e o grupo que pode ter uma variedade maior de atores como o puxa saco, o competidor social, o indiferente, o torcedor etc. 

Nesse elenco é mais comum o papel de assediador ser protagonizado pelo chefe já que é quem detém a autoridade no local de trabalho, mas pode ser estrelado por qualquer um deles. A vítima normalmente é escolhida entre aqueles que detêm características positivas que de algum modo ameaçam o agressor. 

Já os outros personagens apesar de desempenharem papéis secundários não deixam de possuir destaque como, por exemplo, os puxa sacos que, na realidade, são aqueles que fazem o trabalho sujo para que o agressor principal não seja culpabilizado. Isso, por vezes, acaba confundindo a todos.

Como dito antes, nada é feito ao acaso, sem querer, ou por que se perdeu o controle, mas é calculado friamente para que o objetivo principal seja atingido: a eliminação da vítima. É uma guerra de nervos que pretende levar a pessoa à beira de um ataque. Esta, indignada, passa a reagir de forma aleatória, passionalmente, de forma desorganizada, o que acaba facilitando todo o trabalho do insidioso assediador. 

É exatamente pelo medo que dispara mecanismos ansiolíticos que a derrota é imposta, já que sem autoconfiança e insegura, a pessoa começa a errar ou será levada a isso. Ainda que faça tudo como mandado será criticada, pois já está marcada para não ser vista como competente. A idéia é justificar sua demissão.

Lembro-me de forjarem dois inquéritos, onde pretendiam demitir-me por justa causa, através de mentiras que o responsável pela apuração ficou incumbindo de criar. Perceba que estou falando de uma empresa pública que é obrigada a fazer somente aquilo que a lei diz, imagine se não o fosse.

Como foi dito, o assédio moral é uma manifestação comportamental perversa, que apesar de demonstrar uma falha de caráter ou transtorno do agressor, também mostra que se conhecendo este padrão de personalidade, e, consequentemente, como todo o fenômeno se processa, pode-se ajustar-se para se defender, também. Não se pode cair no jogo do adversário, mas levá-lo para outro campo de batalha e associar-se a aliados mais fortes como a justiça, por exemplo.

Uma coisa que ficou muito clara para mim, no episódio que vivenciei, foi de que se deve manter o controle emocional e não ceder às provocações e chantagens do agressor. Acreditar em si mesmo talvez seja a maior arma que se pode ter, pois na hora certa o agressor cairá, aliás, como ocorreu recentemente com um daqueles que me perseguiam.
Raniery

raniery.monteiro@gmail.com
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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Assédio à maternidade


Gestante com luvas de boxe pronta para se defender - Ljupco Smokovski / ShutterStockAs mulheres vêm conquistando espaço cada vez maior no mercado de trabalho desde as duas grandes guerras quando tiveram que substituir os homens nas fábricas. Com a evolução das leis trabalhistas houve avanços significativos o que não impediu que elas fossem exploradas ou discriminadas.

Não bastasse ter de provar seu valor dia a dia diante do machismo reinante, a ponto de hoje ser o gênero mais bem qualificado deste mercado, e, ainda assim, ganhar menos que os homens, a mulher ainda enfrenta a dupla jornada tendo que cuidar das tarefas da casa e dos filhos em um processo estressante.

Dentro deste processo de discriminação desmotivante vemos casos de violência contra as mulheres movidas por assediadores sexuais e morais que cria um quadro alarmante e perverso onde as trabalhadoras são depreciadas e descartadas como peças sem valor em um sistema cruel.

Se o assédio moral, por si só, é um tipo de violência covarde, que dirá quando, então, envolve questões como a maternidade. É deplorável que ainda existam ambientes que são capazes de violar um direito dos mais importantes que é o da vida. Curioso, é que são empresas que saem em capas de revistas como as dez melhores para se trabalhar, ao custo de questionários manipulados que forçam seus colaboradores a lhes dar as melhores notas. Democrático isso, não?

Recentemente aqui em Santos, na atual gestão desta prefeitura, e, destacado aqui no Blog, jovens de um programa social foram constrangidas a não engravidar, num ato criminoso do secretário de segurança da guarda municipal, onde, aliás, foram feitas inúmeras denúncias de assédio moral e sexual, sem contar na CET e sua indústria de multas, que está sendo alvo de outras tantas denúncias de assédio aos seus agentes. Tudo negado, evidentemente.

Ocorre, porém, que este tipo de conduta réproba, não é privilégio de políticos, mas acontece em grande escala pelas empresas em geral por todo o país. É só a funcionária engravidar que já passa a ser vista com olhos de reprovação e se esquece do que de positivo fez, até então. É como se tivesse cometido algum crime. A partir daí inicia-se um processo de descarte da profissional.

Irônico mesmo, é que, em algumas situações, a mulher do chefe também engravida na mesma ocasião, mas, aí a coisa é diferente e todos fazem questão de lhe dar os parabéns, e, querem compartilhar deste momento tão sublime, com a chegada do novo rebento. Enquanto isso, ainda no chá de bebê, do “Bam bam bam”, é dado as orientações para disciplinar a trabalhadora que não tem mais interesse em vestir a camisa do time- Sim, porque se quer ter filho, terá que se dedicar a família, e, não terá mais tempo e nem motivação para a equipe, dizem os agressores justificando a fritura da futura mamãe. Pensando bem, essas pessoas tiveram mãe?

Na empresa que trabalho, por exemplo, que por ser pública é obrigada a seguir somente o que a lei diz, mas também deve se ater aos demais princípios da administração pública, entre os quais, o da razoabilidade, algumas trabalhadoras foram informadas pelo RH que não poderiam sair de licença maternidade por não possuírem o plano de saúde imposto pela empresa que é pago pelos funcionários. Ficou chocado (a)? Isso é só o começo, tem muito mais de onde veio.


Concluindo, não é fácil estar em pleno gozo de suas faculdades convivendo em lugares estéreis como os citados, onde a frieza e o desprezo são os processos culturais de pessoas que na aparência são uma coisa, mas na prática são outras. É lamentável ver que a mulher, que é uma cidadã e que tem o seu sonho de ser mãe (e promover a vida) ser tratada desta forma por filhos da...chocadeira que os pariu!