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Assédio à maternidade


Gestante com luvas de boxe pronta para se defender - Ljupco Smokovski / ShutterStockAs mulheres vêm conquistando espaço cada vez maior no mercado de trabalho desde as duas grandes guerras quando tiveram que substituir os homens nas fábricas. Com a evolução das leis trabalhistas houve avanços significativos o que não impediu que elas fossem exploradas ou discriminadas.

Não bastasse ter de provar seu valor dia a dia diante do machismo reinante, a ponto de hoje ser o gênero mais bem qualificado deste mercado, e, ainda assim, ganhar menos que os homens, a mulher ainda enfrenta a dupla jornada tendo que cuidar das tarefas da casa e dos filhos em um processo estressante.

Dentro deste processo de discriminação desmotivante vemos casos de violência contra as mulheres movidas por assediadores sexuais e morais que cria um quadro alarmante e perverso onde as trabalhadoras são depreciadas e descartadas como peças sem valor em um sistema cruel.

Se o assédio moral, por si só, é um tipo de violência covarde, que dirá quando, então, envolve questões como a maternidade. É deplorável que ainda existam ambientes que são capazes de violar um direito dos mais importantes que é o da vida. Curioso, é que são empresas que saem em capas de revistas como as dez melhores para se trabalhar, ao custo de questionários manipulados que forçam seus colaboradores a lhes dar as melhores notas. Democrático isso, não?

Recentemente aqui em Santos, na atual gestão desta prefeitura, e, destacado aqui no Blog, jovens de um programa social foram constrangidas a não engravidar, num ato criminoso do secretário de segurança da guarda municipal, onde, aliás, foram feitas inúmeras denúncias de assédio moral e sexual, sem contar na CET e sua indústria de multas, que está sendo alvo de outras tantas denúncias de assédio aos seus agentes. Tudo negado, evidentemente.

Ocorre, porém, que este tipo de conduta réproba, não é privilégio de políticos, mas acontece em grande escala pelas empresas em geral por todo o país. É só a funcionária engravidar que já passa a ser vista com olhos de reprovação e se esquece do que de positivo fez, até então. É como se tivesse cometido algum crime. A partir daí inicia-se um processo de descarte da profissional.

Irônico mesmo, é que, em algumas situações, a mulher do chefe também engravida na mesma ocasião, mas, aí a coisa é diferente e todos fazem questão de lhe dar os parabéns, e, querem compartilhar deste momento tão sublime, com a chegada do novo rebento. Enquanto isso, ainda no chá de bebê, do “Bam bam bam”, é dado as orientações para disciplinar a trabalhadora que não tem mais interesse em vestir a camisa do time- Sim, porque se quer ter filho, terá que se dedicar a família, e, não terá mais tempo e nem motivação para a equipe, dizem os agressores justificando a fritura da futura mamãe. Pensando bem, essas pessoas tiveram mãe?

Na empresa que trabalho, por exemplo, que por ser pública é obrigada a seguir somente o que a lei diz, mas também deve se ater aos demais princípios da administração pública, entre os quais, o da razoabilidade, algumas trabalhadoras foram informadas pelo RH que não poderiam sair de licença maternidade por não possuírem o plano de saúde imposto pela empresa que é pago pelos funcionários. Ficou chocado (a)? Isso é só o começo, tem muito mais de onde veio.


Concluindo, não é fácil estar em pleno gozo de suas faculdades convivendo em lugares estéreis como os citados, onde a frieza e o desprezo são os processos culturais de pessoas que na aparência são uma coisa, mas na prática são outras. É lamentável ver que a mulher, que é uma cidadã e que tem o seu sonho de ser mãe (e promover a vida) ser tratada desta forma por filhos da...chocadeira que os pariu!

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