segunda-feira, 29 de abril de 2013

O Vagalume e o Louva-a-deus


Não é de hoje que já deu pra perceber que o mundo perdeu seus referenciais  e princípios, salvo exceções.

Basta dar uma passeada no shopping para constatar que gestos simples como gentileza, educação e cordialidade são coisas do passado.

Chegamos ao ponto de ter necessidade de fazer campanhas para que as pessoas pratiquem o mínimo em termos de  convivência social pacífica. Nem tocarei aqui na questão da violência urbana e a banalização da vida humana.

Nos tornamos seres egoístas, auto-centrados, e, qualquer coisa que não diga respeito aos nossos interesses, descartamos; depois nos perguntamos porque estamos imersos no caos.

Desprezar o próximo não é mais problema para uma sociedade materialista, mas quando isso ocorre conosco, então, aí, ficamos indignados e consternados; afinal: exclamamos- “quanta insensibilidade!”

Nesse sentido,veja a ideia extraordinária que nós brasileiros tivemos: o bom e velho jeitinho brasileiro! Que beleza! É uma espécie de tecnologia capaz de fazer com quem dela se utilize consiga levar vantagem sobre qualquer pessoa. Desta forma, aquilo que daria trabalho e levaria mais tempo em se conseguir pelos meios convencionais, se consegue, mas com o mínimo, ou nenhum esforço. Fantástico! Mas, há um problema: como convencer o outro lado em aceitar ser feito de trouxa e participar do processo sem se se revoltar. Bom mesmo seria se o otário ficasse contente em ser passado pra trás e ainda nos agradecesse. É, não dá pra ter tudo na vida, né?

Pessoas assim, certamente irão além e causarão as mais absurdas e danosas conseqüências. Parece exagero? Então, lhe convido a conhecer nossos políticos, policiais corruptos, gestores públicos ímprobos, empresários fraudulentos e empresas gananciosas que lesam sua clientela sem o menor escrúpulo. Pense: que tipo de gente seria capaz de desviar dinheiro da merenda escolar de crianças sem sentir o menor remorso, por exemplo?

Quando a sociedade perde sua capacidade de discernir o que é certo do que é errado, dado o esvaziamento moral em que se encontra, pode recorrer à sabedoria da natureza, que em seus bilhões de anos se tornou uma mestra poderosa em nos dar lições de vida espetaculares.

No reino animal, por exemplo, há uma disputa que  chama atenção pela disparidade de forças. De um lado o louva-a deus, super especializado, músculos de aço, rápido como um relâmpago, gélido como um iceberg, ou seja, o predador perfeito e uma máquina mortífera que devora suas presas como se tivesse meditando em um templo budista no Himalaia. Do outro, o frágil e vulnerável Vagalume, sem adjetivos ou predicados que o torne adversário a altura. Definitivamente, ninguém diria que é uma criatura poderosa. 

No banco de apostas, uma barbada. Acontece que subestimar um adversário, seja qual for, é um erro que costuma custar caro e, na  natureza, isso significa a diferença a diferença entre a vida e a morte, ou perder uma refeição que em alguns casos é a mesma coisa.

Este conflito apresenta o mais improvável final. O Louva-a-deus age furtivamente e de emboscada. Em silêncio, movimentos calculados milimetricamente se aproxima de sua pretensa refeição, para ataca-La de surpresa e sem a menor chance de livramento. Se há um  lutador que possui essas características, esse é o Louva-a-deus. Seu cartel é invejável, nocaute- é a sua especialidade.

Mas, o improvável acontece. O Vagalume que não possui super músculos  não é nenhum especialista em artes marciais e não briga com ninguém protagoniza uma das mais espetaculares derrotas ao predador.
O sorrateiro assassino se aproxima do pacífico Vagalume, pronto a dar o bote; este, por sua vez, não esboça a menor reação, tudo indicando que será uma refeição fácil, mas na hora “H”...faz o que só ele seria capaz de fazer: cega o Louva-a-deus com sua luminescência exótica, e, tranquilamente voa para conquistar uma fêmea e...se acasalar. Literalmente seguindo a filosofia hippie de não fazer guerra, mas amor.

A luz venceu as trevas. É uma loucura, eu sei, mas metaforicamente falando é isso. A luz é energia. As trevas cedem à ela. A ordem prevalece sobre o caos. O equilíbrio é a tendência. A anomalia é a exceção; funciona assim.

Um antigo guerreiro ensinou, milhares de anos atrás: “ se em mil batalhas lutares e ganhares, não te tornarias excelente, mas se venceres sem lutar, então, terá atingido o ápice da glória”.

Quantas vezes você viu lugares onde as pessoas vivem e existem para a confusão e se inflam orgulhosamente propagando seus poderes, mas não conseguem nada a não ser pela violência.

Diz-se, que os EUA não perderam a guerra para os vietcongues nas florestas tropicais da Ásia, mas dentro de seu próprio quintal, numa estratégia arquitetada pelos líderes comunistas vietnamitas, colocando o povo americano contra seu próprio governo precipitando, assim, o fim do genocídio.

Quem lhe parece mais forte? O que persuade e convence, ou o que pune? Punir, qualquer boçal consegue, mas convencer não é pra qualquer um, pois demanda habilidade e capacidade de aceitar objeções. Só convence quem sabe argumentar e só o faz quem se permeia pela verdade. Quem violenta seu próprio espírito não terá poder de convencimento, pois está mergulhado na escuridão de sua mediocridade, logo, só saberá usar a violência e a intimidação como recurso- o que acaba demonstrando, na realidade, desespero. Afinal, é na escuridão que se dissimula, se embosca, ou, se monta armadilhas, mas, ao contrário, é na luz que se tem coragem de olhar nos olhos.

O tenebroso pode ostentar um poder temporal, mas de nada adianta tamanha força se for cego pela luz, pois seus golpes não terão efeito algum em um alvo que não se pode atingir.

Por isso, enquanto os olhos trevosos tentam se adaptar dolorosamente ao poder da luz, aquele que dela se utilizar já estará distante e não será tocado ou se tornará presa. O predador, humilhado terá que se aguentar o som de seu estômago roncando de fome, pelo menos até encontrar algum desavisado qualquer que seja mais fácil de se abater.

Os homens criaram um sistema artificial de controle social segundo suas próprias conveniências, mas a natureza nos dotou de um poder de discernimento capaz de nos permitir entender nosso meio e optarmos por aquilo que for melhor pra nós. Bilhões de neurônios não foram colocados em nosso cérebro a toa e não evoluímos para sermos escravos de nossos instintos, mas fazê-los trabalhar para nós.

Esta capacidade cerebral, no entanto, não foi suficiente para impedir que tenhamos comportamento de gado, pois nos deixamos amedrontar por criaturas bizarras que desafiam a nossa história evolutiva.

Na natureza, o trabalho em equipe é uma vantagem, mas os humanos somente a utilizam para hostilizar vulneráveis em completa submissão a um líder abusivo. Nos tornamos uma sociedade egoísta e egocêntrica em um processo de lavagem cerebral ligada ao sistema capitalista que forma humanos com características de ovelhas.

Não dá para aceitar determinadas coisas, como por exemplo, meia dúzia de boçais perversos determinando a vida de uma maioria, violando direitos e, ainda assim, obtendo êxito porque conseguem iludir suas mentes pelo medo. E o medo cega e nos deixa em plena escuridão, mas a verdade é luz poderosa que afasta toda sombra sinistra.

Todas as asserções feitas aqui são óbvias, a não ser para aqueles que não as tolera por se acharem importantes e melhores que os outros evocando para si uma suposta superioridade que só se concretiza em suas mentes distorcidas.

Curiosamente, estes mesmos predadores sociais que mostram suas carrancas e rugidos, quando diante de quem faça frente aos seus desmandos, com poder de puni-los miam como filhotes de gatos, assustados e temerosos ainda que, na realidade, são cobrinhas peçonhentas. Exposta sua covardia perdem as máscaras dos personagens que criaram com tanto empenho e que iludia os mais desavisados.

Subordinação é contrato de cooperação, diferentemente de subserviência, servilismo ou submissão que é fraqueza de espírito. O primeiro tem a ver com uma legitimidade enquanto os outros com abuso e resignação.

Portanto, deve-se acender a luz da dignidade que está em cada um de nós e reagir diante do abuso e do arbítrio, não se atemorizando diante de ameaças e, de forma inteligente, confrontando a tirania. Não se deixe hipnotizar pela manipulação do mito reverencial que projeta nas mentes vulneráveis poderes extraordinários e uma capa de inatingibilidade. Ninguém é tão intocável que possa se proteger na impunidade eternamente. Obviamente, se você aceitou a programação de que sequer deveria lutar ou se defender, também não deveria reclamar de ser subjugado e da perpetuação do perverso.

Pra encerrar, medite no que disse Willian Shakespeare: “O débil, acovardado, indeciso e servil não conhece, nem pode conhecer o generoso impulso que guia aquele que confia em si mesmo, e cujo prazer não é de ter conseguido a vitória, se não de sentir capaz de conquistá-la.”


Raniery


raniery.monteiro@gmail.com

quinta-feira, 25 de abril de 2013

As síndromes do assédio


A importância da saúde

Dizer que a saúde é algo importante soa como redundância. Seria óbvio, não fosse a nossa negligência com ela, fruto da atarefada vida urbana. Desta forma ficamos potencialmente vulneráveis e de portas abertas às doenças.

Inúmeros são os fatores que vão minando nossas defesas naturais, desde a vida sedentária, horários desregrados, má alimentação, fumo e, evidentemente, o stress.

Por outro lado, uma dieta equilibrada, exercícios físicos, consumo de álcool em doses mínimas, abandono do fumo, sono adequado produzem uma mente saudável que manifestam emoções harmônicas e estáveis.

As doenças do assédio moral

Que o assédio moral adoece é fato consumado nos diversos meios que enfrentam tal violência. Aliás, desenvolver tais doenças psíquicas passa a ser prerrogativa para se determinar a configuração e grau de lesão de tal fenômeno nos meio jurídico.

Além das doenças de ordem emocional, a vítima pode desenvolver outras de caráter somáticos ou até mesmo agravar as pré-existentes. Basta deduzir que uma pessoa debaixo do efeito do stress enfraquece seu sistema imunológico.

Doente, o trabalhador passa, então, a frequentar os bancos de prontos socorros e hospitais e consequentemente falta ao trabalho o que é visto como absenteísmo pelas organizações passando, então, a ser discriminado e agravado o processo de tais doenças. O oposto também ocorre, ou seja, o presenteísmo, quando, por medo de perder o emprego, ou ser passado para trás, o trabalhador(a) permanece em estado deplorável trabalhando e piorando sua situação.

Síndromes do assédio

Diz a Constituição brasileira que a empresa tem função social e que todos tem direito ao trabalho digno não podendo sofrer discriminação de qualquer ordem. A carta magna, lei maior e irradiadora de todos os outros ramos do direito protege o trabalhador(a) dos abusos que o adoecem e o tornam improdutivo. Seus princípios norteiam e estruturam o Direito do Trabalho, mas isso não significa que estruturas corrompidas e infestadas de transgressores a cumprirão de bom grado.

Humilhando, perseguindo, discriminando, etc. buscam destruir, primeiro emocionalmente os seus alvos, desestabilizando-os e desequilibrando-os que adoecidos facilitaram a segunda etapa que é a sua exclusão dos quadros da empresa pelos mais diversos motivos.

Nesta condição, surgem doenças como depressões, síndromes de todo tipo como as ansiolíticas, do pânico, Burnout que como fantasmas assombram e aterrorizam a vida da pessoa tornando-a vulnerável aos covardes agressores.

Quebrando o ciclo

Resistir é uma necessidade. Se defender, uma prerrogativa. E é nessa hora que emerge a importância de se manter um corpo e mente fortalecidos e capazes de fazer frente à adversidade.

Não é fácil manter o equilíbrio emocional debaixo de uma saraivada de ataques onde se fica exposto ao grupo que estigmatiza e abandona pelo medo reverencial à figura de autoridade e pelo evidente espírito de gado que apresentam que os impedem de identificar a perversão em andamento.

É nessas horas que a figura do mito se levanta e hipnotiza a todos deixando-os em estado de catarse e em condições de manipulação. Portanto, é um tipo de energia escura e densa capaz de produzir inúmeras destruições caso não se esteja blindado.

Quebrar o ciclo é uma forma de resistência. Ao invés de ceder o que se faz é se fortalecer e permanecer íntegro além de não esmorecer. A perseverança o manterá em pé, aconteça o que acontecer.

Um momento de decisão

Pensando nisso, decidi praticar minhas próprias palavras e colocar a teoria à prova. Trabalho em turno ininterrupto de revezamento, o que por si só, causa inúmeros transtornos a minha saúde.

Como engordei muito comecei apresentar um quadro preocupante de aumento de colesterol e triglicérides chegando ao ponto de apresentar gordura no fígado que sobrecarregado poderia desenvolver a cirrose, mesmo que eu não seja alcoólatra.

Com as artérias sendo obstruídas pelas placas de gordura o perigo de desenvolver doenças cardíacas estava batendo à porta. Soma-se a isso os constantes importunamentos decorrentes do assédio me tornei uma bomba relógio ambulante.

Como desenvolvi quadro depressivo anteriormente a porcentagem de ocorrer novamente, segundo estudos, é de 50% o que não estou nem um pouco afim.

Decidi, então, romper este ciclo maldito e comecei a fazer uma dieta: a da sopa- do hospital do coração. Super restritiva e com promessa de emagrecimento rápido, logo me empolguei.

No primeiro dia, não senti muito o baque. No segundo, tive uma intensa dor abdominal decorrente do processamento das fibras, mas não desisti e assim, sucessivamente, durante 3 semanas cumpri as determinações contidas no cardápio e o resultado foi sensacional, apesar do sacrifício. Emagreci 10kg. E isso, sem atividade física.

O melhor de tudo foi que pude perceber uma qualidade em mim que me deixou feliz: a disciplina. Faça a dieta e verá o quanto ela é difícil, isso se não desistir. Força e determinação surgiram em meio ao desânimo e evidente falta de energia.

A sequência agora é incorporar a atividade física e pra isso ganhei de minha esposa uma bike. Como a dieta não pode ser feita ininterruptamente, quando voltar, associarei a ela as pedaladas rumo aos próximos 10kg e melhor qualidade de vida me fortalecendo contra as ações dos bandidos de colarinho branco.

Processo global

A saúde é um elemento que compõe um todo. Ela é orgânica, psicológica, mental, emocional e até espiritual. Se mente vazia é oficina do diabo, oxigenar a alma não permitirá o acesso, ou a manifestação de nossos demônios interiores. Daí porque, sair da zona dos ambientes negativos e se ocupar de projetos e sonhos que revitalizem nossas vidas.

Com isso, fortaleceremos nossa auto estima, que é o alvo dos agressores e os impediremos de tomá-la de assalto frustrando seus planos sórdidos. Quem vislumbra perspectivas não se atemoriza e com planejamento adequado abre novas e melhores portas deixando o que é imundo ser levado descarga abaixo.

Redoma de proteção

Portanto, se faz necessário, e, urgente, cuidarmos daquilo que é um bem precioso: nossa vida. Se deixar adoecer por causa de um maldito atormentado é um erro que eu não cometerei duas vezes e que ninguém deveria cometer. Daí, a importância de se fazer um sacrifício e mudar alguns hábitos danosos em busca de uma vida mais saudável que nos blindará e será uma barreira a mais contra o assédio moral.
Raniery


raniery.monteiro@gmail.com

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Instinto de competitividade

Entre tantos aspectos, nossa natureza é competitiva.

Este, é o instinto que nos possibilitou obter sucesso na batalha evolucionária.   O instinto competitivo nos tornou os animais mais bem sucedidos e dominantes no planeta. Obviamente que junto a isso nosso cérebro, e consequente inteligência, forjou um ser complexo como nós.

Se pararmos um momento para pensar, faz todo sentido que tenhamos desenvolvido tais mecanismos, já que viver era um risco constante que nos acompanhava desde o nascimento. Nossa inteligência logo nos mostrou que viver em grupos era melhor e mais eficiente. Formar alianças era um modo de nos protegermos e ao mesmo tempo conseguir as condições necessárias à sobrevivência como alimentos, abrigo e formas de reproduzir.

Só que essa combinação não para por aí, como é fácil constatar. Quando nos deparávamos com outros grupos que queriam a mesma coisa, se estabelecia uma disputa que poderia ter fins trágicos para os perdedores.

Isso não mudou desde então, e cá estamos nós, no mundo moderno, mas com uma diferença enorme: a quantidade de habitantes. Talvez esteja aí uma possível explicação para a violência e banalização da vida nas mais variadas esferas da sociedade.

Para se ter uma ideia do poder deste instinto, basta saber que somos estimulados a vencer pelos hormônios do prazer (que isso estimula) e inversamente- perder- nos causa um mal-estar tão grande que nosso cérebro mantém isso registrado na memória.

Pude observar a influência da competitividade sobre o nosso comportamento, incluindo a sobreposição sobre a razão e a lógica, por conta de um episódio lamentável decorrente de uma partida de futebol. Lamentavelmente, um torcedor portando um sinalizador, ao dispará-lo no estádio acertou um garoto de 14 anos que acabou falecendo.

Imediatamente começaram manifestações apaixonadas de torcedores de times adversários pelas redes sociais. O curioso era que os mesmos alegavam um suposto clamor por justiça ficavam ofendidos quando questionados por sua imparcialidade. Mas, como se é imparcial e ao mesmo tempo declarar que odeia o outro time- ainda que isso me deixe perplexo, isto é, como alguém pode ser anti-outro? Quem se incomoda é porque toma partido e se importa de qualquer forma.

Nesse episódio ficou claro que o instinto de competitividade bloqueia qualquer forma de razão e bom senso já que permitiu julgamentos precipitados baseados em emoções comprometidas. Já pensou se um juiz agisse assim? Ele diria: detesto esta pessoa, mas serei imparcial ao julgá-lo. Não dá, né?

O hilário foi que surgiram inúmeros “juízes”, “peritos”, e “investigadores criminais” especializados em afirmar a suposta culpabilidade do torcedor infrator. De bate pronto já se tinha a sentença, o dolo, e, pior, a generalização. Teve até senhor da moral e dos bons costumes e discussões sobre a verdade dos fatos (isto, sem estarem presentes ao local e antes das autoridades), mas tudo com uma imparcialidade tibetana, nada relacionado ao time odiado, afirmavam.

Este episódio demonstra cabalmente como ficamos cegos por influência de um instinto poderoso e que se nos recusarmos a dar ouvidos à razão e a inteligência podemos ser levados a cometer erros de forma impulsiva.

Agora, pegue tudo isso (competitividade ao extremo) e coloque dentro de uma mente sem consciência e você terá um predador social. Movidos e excitados pelo desejo de poder elevarão a enésima parte toda sua capacidade de conquista, não medindo esforços e passando por cima de qualquer um.

No caso das pessoas completas a coisa pode perder o controle e, o que é meio, se torna fim. Este mecanismo evolucionário foi desenvolvido para nos proporcionar condições favoráveis e não uma fonte de auto-destruição. Não é o instinto que controla o homem, mas o inverso. Pelo menos deveria ser assim.

Infelizmente, vivemos numa sociedade que é estimulada a viver por princípios e valores imediatistas baseados no consumismo e materialismo exacerbados e, portanto, excluindo outro instinto importante do qual fomos dotados: o social. Daí desprezarmos o próximo e categorizá-lo como um adversário a ser batido- é a síndrome do campeão.

Somadas estas características, coloque-as dentro de uma pessoa, lhe dê algum cargo ou função de comando e obtenha um assediador moral que não tolerará ser contrariado, ainda que o que faça seja ilegal ou abusivo.

Incremente um caráter corrupto e ganancioso e amplie as expectativas: total e descontrolada falta de escrúpulos. É preciso dizer que a frieza e o desprezo serão marcas distintas de tal pessoa?

Vamos avançar mais um pouco e proporcionamos ao oportunista competidor social os meios e o ambiente ideais para que ele expresse todo o seu ser perverso- é o paraíso dos patifes. Ali, manipularão o grupo, explorarão suas fraquezas, disseminarão todo tipo de intriga e incentivarão o ego de uns contra os outros.

Pergunte à blogueira cubana opositora de seu governo o que acontece contra quem identifica e se manifesta contra os abusos cometidos pelos ditadores locais. Incrivelmente não é só nestes governos que isso acontece, mas em plena democracia há bolsões de antigas ratazanas que insistem em manifestar os mesmos tipos de abusos da época em que o país era controlado pelos criminosos fardados.

Terminando a descrição dos agressores- agregue o fator incompetência e despreparo e você obterá uma equação destrutiva que os psicólogos denominam de síndrome do chefe pequeno ou síndrome do pequeno poder.

Do exposto aqui, ficou claro que possuímos um instinto que foi desenvolvido em tempos primordiais, e, que hoje, não está ligado a uma luta contra animais predadores, mas em um contexto urbano, que permite o confronto imediato, salvo em situações de criminalidade, que acaba gerando inúmeros transtornos como ansiedades, síndromes de pânico e tantas outras doenças de ordem emocional que afetam nosso cérebro.

A conclusão é que viver ainda continua um desafio, mas bem que poderíamos evitar desgastes desnecessários como se estressar por coisas fúteis e medíocres como futebol, por exemplo, onde pessoas se matam, se agridem ou tornam um esporte mais importante que a vida humana.  
Raniery
raniery.monteiro@gmail.com