sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Testemunhas de assédio resistem a denunciar abusos.

O professor de Comportamento Organizacional da École des Sciences de la Gestion da Universidade de Québec, Ângelo Soares, disse ao Blog do trabalho que, para as testemunhas, é muito difícil denunciar casos de assédio no trabalho porque elas temem que o assediador vire-se contra elas.

“Para as testemunhas, as vítimas de assédio representam um exemplo vivo de que o ambiente no qual elas trabalham não está isento de violência, quebrando assim com a falsa crença de invulnerabilidade. As testemunhas pensam da seguinte forma: ele ou ela deve ter feito alguma coisa para merecer esse tratamento”, disse o professor.

Soares é o autor de pesquisas cujo foco são testemunhas de casos de assédio moral. “Compreender a situação das pessoas testemunhas de assédio moral é importante para resolver a violência. Muitas vezes as intervenções
são direcionadas exclusivamente à vítima, deixando-se de lado as testemunhas. Isso é um erro”, considera.


O assédio moral é uma doença organizacional

Ângelo Soares, pesquisador e professor da Universidade do Quebec em Montreal (Canadá), fala sobre assédio moral, emoções e saúde mental no trabalho.

Em entrevista cedida com exclusividade ao Observatório Social, Ângelo Soares, pesquisador e professor da Universidade do Quebec em Montreal (Canadá), fala sobre assédio moral, emoções e saúde mental no trabalho. Nesta quinta-feira (23), Soares ministrou a palestra Assédio Moral: quando o trabalho é indecente, realizada em São Paulo pelo Instituto Observatório Social e pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT). Doutor em sociologia do trabalho, Soares ensina nos cursos de comportamento organizacional, violência no trabalho e administração de recursos humanos.

Fonte: Paola Bello, IOS


Instituto Observatório Social: O que difere o assédio moral das outras formas de violência?

Ângelo Soares: O assédio moral é uma forma de violência psicológica. O que a difere é que ela não deixa traços visíveis no indivíduo. Mas, com certeza, é uma violência que destrói, e muitas vezes muito mais que a violência física. Os efeitos psicológicos são devastadores para a pessoa que vive o assédio moral.

IOS: Quais são os principais atos caracterizados como assédio moral?

AS: Temos pelo menos cinco tipos que classificam esses atos. Pode-se limitar a comunicação da pessoa, impedindo que a pessoa se comunique e se exprima. Também pode acontecer que se mine as relações sociais dessa pessoa, tentando isolá-la dos colegas do trabalho, por exemplo, trabalhando em um lugar distante do grupo. Também temos atos associados a criticar a pessoa enquanto ser humano, dizendo, por exemplo, que ela está louca, que é frágil, que tem problemas. O quarto tipo de ato é criticar o trabalho da pessoa, onde é comum se ver situações onde passam para a pessoa tarefas que ela não é capaz de fazer, ou que são difíceis de realizar, ou tarefas inferiores à competência e capacitação que a pessoa possui. E a quinta categoria de atos é o comprometimento da saúde da pessoa. Essas ações, quando combinadas ou repetidas ao longo do tempo, caracterizam assédio moral.

IOS: Qual a diferença entre o assédio moral e o assédio sexual?

AS: Sempre que há caráter sexual, com ou sem violência física, é assédio sexual. Pode ser desde a expressão do interesse até a agressão física, como passar a mão, beliscar, tocar os seios. O assédio moral, na maioria das vezes, não é físico. Em geral são ações e palavras com a intenção de destruir psicologicamente a pessoa. Muitas vezes eles podem vir juntos. A pessoa é assediada sexualmente e recusa, já que no assédio sexual é muito importante que a pessoa exprima claramente que não está interessada por aquilo, e essa expressão pode ser até por carta reconhecida em cartório. Mas é comum acontecer, depois que a pessoa recusa, ela passar a sofrer assédio moral com a intenção de eliminá-la do ambiente do trabalho. Em um caso ou no outro, não podemos esquecer que toda forma de violência tem efeito psicológico, e às vezes uma ameaça destrói mais que um tapa na cara. Porque você pode mostrar que o tapa existiu, ele pode deixar marcas. Mas a ameaça é invisível e causa efeitos que não se podem mostrar.

IOS: Há setores onde o assédio moral é mais recorrente?

AS: É muito difícil identificarmos um grupo. Todo mundo pode ser assediado moralmente. Isso é um problema associado à organização do trabalho, aos modos de gestão, à estrutura da empresa. Todas essas variáveis são importantes e estão na base do assédio moral. É uma forma de violência que pode atingir do lavador de carro ao médico ultra-especializado. Não há um perfil de quem seja mais ou menos assediado.

IOS: É possível traçar um perfil das causas dessa violência?

AS: As causas estão intimamente ligadas à organização do trabalho, à forma com que o trabalho é realizado na organização. Isso envolve hierarquia, carga de trabalho, autonomia que a pessoa possui ou não, reconhecimento do trabalho, e diversas outras questões. É importante deixar claro que o assédio moral não é um problema individual. Não é o indivíduo que está com problema. O assédio moral é uma doença organizacional, e deve ser tratado desde a origem, mudando a organização do trabalho, a ausência da liderança, as formas de resolução de conflitos.

IOS: O que o trabalhador que se sente assediado pode fazer?

AS: Uma ação importante para o trabalhador que acha que está sendo assediado moralmente é a produção de um diário, uma agenda sólida, na qual não possam ser inseridas ou retiradas páginas. Nela, o trabalhador pode fazer relatórios diários, escrevendo o que viveu em cada dia. Mesmo que ele ache que não seja assédio, é importante escrever, registrar, e deixar que uma pessoa de fora faça esse julgamento. Escreva o que viveu, como se sentiu, como respondeu, se teve alguma reação, o que aconteceu. Escreva e não faça rasuras. Se esqueceu de escrever alguma coisa no dia primeiro do mês e já estamos no dia 23, escreva na página do dia 23 que esqueceu de relatar o que aconteceu no dia primeiro. Com isso, é mais fácil identificar o assédio, e facilita a pessoa que irá fornecer ajuda, porque a história toda está contada de forma linear, e pode ser um importante elemento de prova.

IOS: Depois de feito esse diário, quem ele pode procurar?

AS: Se a pessoa for sindicalizada, ela deve procurar o sindicato. O sindicato deve ajudar e responder a esse problema, além de indicar ajuda psicológica.

IOS: Quais os principais efeitos do assédio moral sobre a vítima?

AS: Ela pode apresentar problemas relacionados à saúde mental, pode ter estresse elevado, pode desenvolver sintomas de estresse pós-traumático e sintomas depressivos. Não podemos desconsiderar os efeitos que vão refletir nas pessoas próximas a ela, na família e no círculo social. Há também, e em muitos casos, a exclusão do mercado do trabalho, seja por adoecimento, seja por desemprego.

IOS: Como os empregadores podem agir para eliminar o assédio moral?

AS: As empresas devem estar preparadas para o problema. É preciso ter uma política organizacional conhecida por todos, para que todos saibam o que podem ou não fazer. Se acontecer o assédio, a empresa deve falar como vai tratar. É importante que a empresa não feche os olhos. O grande erro é pensar que não existe na minha empresa e, como conseqüência, não pensar nas medidas para prevenção e para evitar essa forma de violência. Quando a empresa está atenta ao problema, é mais difícil que ele aconteça.

IOS: A ação relacionada ao assédio moral difere de acordo com o sexo ou a idade da vítima?

AS: Nas pesquisas que realizei, não encontrei diferença no assédio contra homens e mulheres. O que encontrei foi diferença relacionada à faixa etária das vítimas. Tanto os mais jovens quando os mais velhos são assediados, mas o são de maneira diferente. Os gestos contra os mais jovens são para desacreditar a pessoa, são para afetar a reputação pessoal. Por outro lado, os gestos usados para assediar os mais idosos, com mais tempo de trabalho, são gestos para desacreditar o trabalho que eles realizam, a sua reputação profissional.

IOS: O que as pessoas, como sociedade, podem fazer para acabar com o assédio moral?

AS: Temos que agir de forma pró-ativa na prevenção. Quando o mal é feito, é um mal muito grande, é muito sofrimento para a vítma. Devemos tentar prevenir sempre e, nos casos onde não consigamos prevenir, devemos intervir de maneira rápida e eficiente, para limitar ao máximo o estrago feito.



 6 comentários para “Testemunhas de assédio resistem a denunciar abusos, afirma estudioso”



  1.  ...disse:
    A Empresa é a maior responsável.


  2. Raniery  disse:
    O medo das testemunhas se dá por conta da ação direcionada do agressor. Ao estigmatizar a vítima, o perverso a isola utilizando- a como bode espiatório para demonstrar poder e assim manipular à todos.

  3.  ...disse:
    tenho a mesma opinião Sofro de assédio moral há 01 ano denunciel más testemunhas ainda tem medo

  4. ... disse:
    conheso uma pessoa que esta
    passsando por isso.
    eu quero muito ajuda-lo
    mas tenho medo de ser demitida
    tambem.eu acho que estou sendo ate
    egoista,mas ele tambem nao
    faz nada.fica com medo.
    quem precisa é fogo tem que baixa a cabeça
    p/ muita coisa.

  5. Equipe do Blog do Trabalho disse:
    ..., pode fazer uma denúncia anônima em

     ouvidoria.mte.gov.br

  6. Gostaria de divulgar meu blog onde abordo questões referentes à assédio moral.
    Acredito que divulgando informações conseguiremos minimizar o impacto deste mal que ocorre entre os trabalhadores.

    http://mentesatentas.blogspot.com

  7. raniery.monteiro@gmail.com
    @mentesalertas


domingo, 23 de janeiro de 2011

Sexo, Don Juans e muito choro!


O mito:

Conta o mito que Liríope, uma ninfa, passeava pelas margens tranqüilas do rio Cefiso quando o rio, intrépido em sua energia sexual tomou-a para si. Liríope engravidou. Teve uma gestação penosa e indesejável. O parto, entretanto, fora jubiloso, a criança a que ela dera a luz era de uma beleza inimaginável. O menino chamou-se Narciso e cresceu belo como jamais um ser humano conseguira ser. Impressionada com tanta beleza, Liríope procurou Tirésias, um cego que profetizava. Liríope queria saber quanto tempo viveria Narciso e qual o seu destino. Tirésias respondeu o seguinte: “Viverá enquanto não se deparar com sua própria imagem”.

Narciso cresceu. Tornou-se desejado pelas deusas, pelas ninfas e pelas jovens da Grécia inteira. Entre as grandes apaixonadas estava a ninfa Eco. Esta jovem ninfa foi, numa ocasião, friamente repelida por Narciso. Eco então se isolou e se fechou numa imensa solidão e acabou por transformar-se num rochedo capaz apenas de repetir os derradeiros sons do que se diz. As demais ninfas, revoltadas com a insensibilidade e frieza de Narciso, pediram vingança à deusa Nêmesis. Esta o condenou a amar um amor impossível.

Então, num verão enquanto caçava, Narciso percebeu que estava sedento. Debruçou-se sobre uma fonte para mitigar a sede. Enquanto estava debruçado sobre o espelho das águas, viu-se. Viu a própria imagem refletida na água e então, não pôde mais sair dali: apaixonara-se pela própria imagem. Ali mesmo morreu e seu corpo, deu lugar a uma delicada flor amarela, cujo centro era circundado de pétalas brancas. Era o narciso.

O perfil: 

Narcisismo

O que o jovem Narciso amou foi a sua alma. Ele jamais pôde abandonar as águas paradas da fonte. Narciso cometeu o suicídio porque ao recusar-se a abandonar a fonte, deixou de comer motivado pela desilusão: a imagem não possuía equivalência no mundo real e objetivo. Assim são os narcisistas- pessoas perdidas em si mesmas.

Por definição, narcisista é um sujeito que recria o mundo a partir de si próprio. É auto-suficiente, onipotente e tudo o que pensa e diz é o que conta. 

O narcisista é um vampiro emocional a quem se dá amor de forma irrestrita, mas ele nunca se sacia ou retribui e acaba sugando a vida de quem se relaciona com ele. Em outros aspectos da vida, eles se comportam de forma semelhante. Tudo o que os outros fazem está mal feito e eles sempre podem fazer melhor. Fica-se com aquela sensação desagradável de ser um idiota crônico, quando se convive com um narcisista.

É muito provável que o narcisista em sua infância tenha sido traumatizado no relacionamento com os pais. Não suportou a dor do trauma. Recusando-se, criou na sua mente um mundo idealizado, onde tudo é belo, colorido e perfeito (estado de entorpecimento, torpor). É um bebê num corpo adulto. E como tal quer parecer-se com os pais idealizados. Como o Narciso do mito, não se alimenta. Isso significa que não pode receber nada que venha de fora. Está trancado numa carapaça rígida e forte.

O narcisista possui baixa auto-estima, isso implica dizer que na realidade, os pais foram maus, falharam com ele. Sente vergonha de não ser o que pretendia ser, ou seja, seu estado narcísico é uma defesa contra sua dor primeira. É por isso que o narcisista não suporta ser contrariado e nem aceita que lhe digam que tem defeitos (que está sempre nos outros todos, mas nunca nele). Como todo ditador que se preze, o narcisista precisa de platéia que o admire de forma incondicional e irrestrita. É um dependente.

Síndrome de Don Juan:

Trata-se de um padrão de personalidade caracterizado por uma pessoa narcisista (traço feminóide), enamorada, inescrupulosa, amada e odiada e que faz tudo valer para a conquista de uma mulher; possui uma forte compulsão para sedução, que evidencia um padrão comportamental.

Necessita seduzir o tempo todo, principalmente aquela conquista que é difícil, e, que se apresenta como desafio; uma vez finalizada, perdem a graça. Em um ciclo interminável vagam de relacionamento em relacionamento. Eles não se apegam a ninguém, partindo logo em busca de novas conquistas, sendo que pra isso se valem de quaisquer meios para atingir seu objetivo, entretanto, os sentimentos da outra pessoa não são levados em conta.

O aspecto de desafio mobiliza o Don Juan fazendo com que a conquista amorosa tenha ares de esporte e competição, muitas vezes convidando amigos para apostas sobre sua competência em conquistar mulheres. 

Deve haver significativos sentimentos homossexuais latentes nesses indivíduos. A teoria é que, levando para a cama a mulher de outro, o Don Juan estaria inconscientemente se relacionando com o marido, motivo maior de seu prazer. Tanto que é maior o prazer quanto mais expressivo é o marido ou namorado traído.

A conquista compulsiva do Don Juan serve-lhe para melhorar sua sensação de segurança e auto-estima, isso não significa que seja, obrigatoriamente, mais viril ou mais ativo sexualmente, mas que possuem a habilidade em oferecer sempre às mulheres tudo àquilo que elas mais estão querendo ou desejam ouvir. Entretanto, uma vez que possua o que deseja, já não o quer mais. 

Nesse sentido, todos eles são sempre muito inconstantes, desempenham papeis sociais sempre teatrais e exclusivamente dirigidos à satisfação de suas conquistas, por isso fazem sempre o tipo "príncipe encantado", tão cultuado pelo público feminino. Eles têm habilidade em perceber rapidamente os gostos e franquezas de suas vítimas e, são igualmente rápidos em atender as mais diversas expectativas.

Há quem considere o Don Juan um imaturo afetivo. O aspecto volúvel e irresponsável pela constante troca de relacionamento pode ser indício dessa imaturidade emocional e indica, sobretudo, uma completa carência de responsabilidade ou medo de assumir os compromissos normais das pessoas maduras (casamento, família, filhos, etc.).

Don Juan só existe em decorrência da existência da vítima, ou seja, o Don Juan só tem sucesso passando-se por príncipe, encantado enquanto houver mulheres em busca de príncipes encantados.

Características:

O desprezo para com o sentimento alheio pode ser critério para o diagnóstico de Sociopatia ou Personalidade Anti-Social.

Entre os critérios do Transtorno Anti-social da Personalidade do Don Juan estariam esses itens:

Fracasso em conformar-se às normas sociais com relação a comportamentos socialmente aceitos.

Propensão para enganar, indicada por mentir repetidamente, usar nomes falsos ou ludibriar os outros para obter vantagens pessoais ou prazer.

Impulsividade ou fracasso em fazer planos para o futuro.

Ausência de remorso, indicada por indiferença ou racionalização por ter ferido, maltratado ou roubado outra pessoa.

Acentuados sentimentos de inadequação envolvendo o desempenho sexual ou outros traços relacionados a padrões auto-impostos de masculinidade ou feminilidade.

Sofrimento acerca de um padrão de relacionamentos sexuais repetidos, envolvendo uma sucessão de amantes sentidos pelo indivíduo como coisas a serem usadas.

Sofrimento persistente e acentuado quanto à orientação sexual.

Uma história:

Era mais uma noite de pagode que prometia. Maria Creusa estava decidida a se divertir pra valer, e, lógico- “beijar muuuito”- como dizia.  No barzinho a rapaziada caprichava no batuque, a balada estava “bombando”. Casa lotada, gente bonita, bebida “comendo solta”, estava tudo do jeito que era pra ser. Eis que surge em meio à fumaça de gelo seco o príncipe do samba, com seu molejo inconfundível, e sorriso de comercial de pasta de dente. “Sim, é o homem de meus sonhos”, sussurrou Maria, toda entusiasmada e com borboletas no estômago. Foi amor à primeira vista.

Começou um papo animado, jogos de sedução, frases com duplo sentido e aquela garota romântica tinha certeza: encontrara o homem de sua vida. Como poderia ser diferente se Gabriel dizia coisas que a fazia se sentir nas nuvens e quase levitar de felicidade.

Num determinado momento uma amiga de Maria aproxima- se após o anjo do pagode ter ido buscar mais bebidas e adverte a menina apaixonada da fama de “garanhão” do rapaz, mas acabam discutindo, pois Maria acredita que a amiga está é de olho no bonitão.

Dali por diante os dois passam a se encontrar com mais frequência e acabam decidindo namorar sério. A coisa estava indo de vento em popa. Finalmente a felicidade batera na porta de Maria Creusa.

O camarada era demais, parecia vereador, tudo nele era perfeito, até demais pra ser verdade. Dizia que tinha planos para o futuro que seria empresário de sucesso e ainda estaria na TV com sua banda (“Charme irresistível”), mas, vivia numa pindaíba daquelas e pedia com frequentemente dinheiro pra todo mundo. Chegou a roubar sua própria mãe que lhe confiara o dinheiro da venda de um apartamento. 

Na verdade ele era um tremendo 171, o rei da lorota, mas, as evidências não eram suficientes pra Maria enxergar, pois estava entorpecida e cega por conta do envolvimento emocional (o vínculo que cega) que, aliás, só partia dela.

Só que aquele anjo já não batia as asas como antes, e, de príncipe encantado passou a mostrar sua verdadeira face.

A esta altura do campeonato, já com sua auto estima drenada, ela já não tem certeza de que a felicidade chegou mesmo em sua vida e, o que já não estava bom, piorou ainda mais quando bateu em sua casa uma garota procurando por Gabriel e dizendo que o filho que carregava em seus braços era dele. 

Acontece que o garotão viril não conseguia conter-se e, mesmo estando com alguém, saia com as antigas namoradas, afinal, como dizia seu pai- “ele não quer se casar mesmo, que é que tem?” Aliás, seus pais apoiavam o filho em tudo, estivesse certo ou não. Tinham medo de perder o amor do filho. Exatamente como aponta em um artigo recente no Huffington Post, Rob Asghar, ensaísta e articulista norte-americano- “estão criando filhos sem limite algum. Inseguros, eles temem que o filho não goste deles, cedem a qualquer pedido das crianças”. O resultado é uma geração narcisista (que ele chama de "geração N") que se sente no direito de tudo, sem precisar trabalhar duro por nada. 

E parece que o filho exercia um poder hipnótico sobre eles como uma doença. Cada namorada que ele trazia pra casa, eles namoravam juntos (coisa bizarra, diga-se!) e, se terminava o romance, eles também terminavam. Desde pequeno não impunham limites ao filho e tudo faziam pra ele sem que a criança precisasse esforçar- se pra nada. E dessa forma, o pequeno anjo (caído), aprendeu desde cedo que poderia ter tudo o que quisesse, e, ai de quem lhe dissesse não. E assim, no auge de seus trinta anos ainda estava na “aba” dos pais, já que não precisava ser responsável.

Maria Creusa já estava cansada das traições, de ser tratada sem respeito como se fosse um trapo qualquer e ver sua auto estima ser jogada no lixo. Quando pensava que não dava pra piorar, vem o desfecho: acusada por Gabriel de desgastar a relação anuncia-lhe que conheceu outra pessoa e que terminarão o namoro. Chorando, Maria pergunta-lhe onde conheceu tal pessoa, e o garotão lhe disse, numa tranquilidade ímpar, que foi no mesmo bar que tocava pagode, onde conheceu Edilene, sua nova conquista.

Desse jeito assim, o anjo bateu asas e voou deixando para trás, aos pedaços, o brinquedinho que perdeu a graça: Maria.

Conclusão:

A grande verdade é que, o Don Juans deixa atrás de si um rastro de devastação emocional nos relacionamentos em que se envolvem, já que, em sua lógica, não precisam respeitar ninguém, e se “não vão casar ou constituir família”, também não precisam ser responsáveis. E o mais importante, papai e mamãe os apóiam. Com base nesse pensamento calculista, o que importa se sou um “gafanhoto parasita” ou se magôo os sentimentos das pessoas? Pra que se preocupar se não preciso assumir as consequências por meus atos? Pra que ser “certinho” se terei em casa quem me conforte e passe a mão em minha cabeça toda vez que eu cometer algo imoral ou aético com outra pessoa, afinal, se essa pessoa é só mais uma “outra qualquer”, por que esquentar a cabeça não é mesmo? 

E se essa “outra (o)” for você? Será que esses anjos, princesas e seres super especiais valem o preço que será pago? Eles (as) estão por aí à espreita procurando os “desavisadinhos (as)” e vulneráveis para dar o bote, seja lá no pagode, nas redes sociais da vida, ou na esquina de nossos bairros.

Se nas devastações emocionais e estelionato eles causam transtornos, o que dizer então nas situações que acabam em tragédia como no Filme “fugitivo”, baseado em fatos reais: no final dos anos 40, um casal de psicopatas, Martha Beck (Salma Hayek) e Raymond Fernandez (Jared Leto), conhecidos como "Lonely Hearts Killers" cometem uma série de crimes bárbaros. Eles fraudavam e matavam viúvas de guerra, que respondiam a anúncios de jornais (as redes sociais da época) nos quais Ray se descrevia como um amante latino. Ironicamente ele conheceu Martha desta forma, mas quando se encontraram foi amor à primeira vista, talvez por ambos gostarem de sexo intenso e dinheiro fácil. Ao cometerem assassinatos, fazia parte do plano de Martha se fingir de irmã do assassino. Enquanto mais mortes aconteciam, os detetives Elmer C. Robinson (John Travolta) e Charles Hildebrandt (James Gandolfini) decidem fazer qualquer coisa para capturarem Martha e Raymond. O fim deles é a cadeira elétrica, mas até serem pegos mataram muita gente inocente.
Narcisismo
Errar, todos nós erramos (mentir, trair, dissimular etc.) eventualmente, não se trata aqui de falso moralismo, mas de reconhecer e identificar um padrão comportamental destrutivo, egoísta e que leva prejuízo de alguma forma em quem se vê vítima de um predador (a) amoroso.

Portanto, todo cuidado é pouco!
Raniery

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A sabedoria do bem e a estupidez do mal

Numa longínqua floresta da Bretanha antiga vivia um velho feiticeiro conhecido por seus poderes mágicos. Dizia a lenda que ele descendia de uma linhagem de druidas.


Em um determinado dia um garoto o procurou querendo ser seu aprendiz. Disse-lhe que conhecia diversos sistemas mágicos, inúmeros rituais, observava os sabás minuciosamente, até já havia contatado seu santo anjo guardião. O velho sábio, porém em nada se impressionou e estava mais interessado em cuidar de seu cultivo de sálvias, artemísias e hissopos.


Frustrado, o aspirante insiste em que o velho mago seja seu mestre.


O místico ancião então lhe dirige o olhar como quem está analisando suas verdadeiras intenções e lhe pergunta:


- "E por que você quer que eu lhe ensine a arte da antiga tradição?"


Então o jovem se apruma e, de forma pomposa, numa última tentativa de impressioná- lo declara:


- "Pra ser o mais poderoso mago que já existiu! Controlar a natureza, reis e o universo."


Um silêncio eterno tomou conta do local.


Alguns minutos depois o velho sábio responde:


- "Você precisa responder a duas questões mais importantes que existem pra alguém que quer tamanho poder."


- "Diga- me quais são, então"! Retrucou o afoito aspirante.


-"Você terá que dizer qual é a diferença entre a sabedoria do bem e a estupidez do mal. Da sua resposta, dependerá seu objetivo na vida."


Não é preciso dizer que todo entusiamo do jovem ganancioso se desfez e decepcionado com a resposta do ancião retirou- se e nunca mais voltou àquele lugar.


A sabedoria do Bem:


Há um imenso poder no bem. Revoluções derrubaram a tirania ao longo de nossa história.


Herói é aquele que conquista a lealdade pela integridade e decência.


Aquele que defende a verdade e a justiça, trata os outros com honra e compaixão encontrará companheiros leais para ficar ao seu lado.


Homens como Gandhi, Martin Luther King e Nelson Mandela obtiveram a lealdade de milhões de pessoas que marcharam juntas para libertar seu povo e mudar uma realidade.




A estupidez do mal:


O maldoso está destinado a fracassar por sua estupidez em agir assim. A razão é simples: quem é que gosta de um perverso? Se alguém o apóia é pelo medo- e esse apoio virá de subordinados, cúmplices, desonestos, tão estúpidos quanto seu "líder".


Aqueles que seguem os perversos não podem ser mais que covardes traiçoeiros, que trairão e abandonarão seus aliados se isso lhes for vantajoso.


Os arrogantes, gananciosos e obcecados pelo poder estão cegos por sua própria incapacidade de imaginar que não existem outros iguais a eles que se unirão pra derrubá-los.


Em seu insano impulso destrutivo imaginam o tempo todo que aqueles a quem fizeram mal estão planejando a retaliação, afinal, é o que fariam.


Quanto mais pessoas prejudicam, maiores se tornam os exércitos imaginários de seus inimigos. E assim são derrotados por sua própria paranóia.


Nesse mundo de desconfiança e traição, eles se voltam contra seus próprios parceiros e inevitavelmente seus medos os destroem




Raniery
raniery.monteiro@gmail.com
@mentesalertas



terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Xenofobia, homofobia... Fobia: imbecilidade!

Por trás da agressão a uma pessoa, grupo ou etnia se esconde, na realidade, o medo do diferente.

Olhe à sua volta e conclua por si só- a diversidade faz parte da natureza.


Definição:

Xenofobia é uma palavra de origem grega que significa antipatia ou aversão a pessoas e objetos estranhos. O termo tem várias aplicações e usos, o que muitas vezes provoca confusões em relação ao significado. A xenofobia como preconceito ou racismo acontece quando há repulsa em relação à raça, cultura, opção sexual etc.

Distúrbio:

Em outra abordagem, o termo é usado para designar uma doença psiquiátrica, o indivíduo portador possui medo excessivo de situações e pessoas estranhas. De forma mais sintetizada, é o temor de uma pessoa em relação a tudo que é diferente para ela.


A xenofobia, como doença, é considerada uma perturbação psicológica de característica fóbica; sua principal característica é a elevada ansiedade desenvolvida a partir de situações vividas por um indivíduo quando se depara com um fato inédito ou estranho.


Em senso mais restrito, xenofobia é o medo excessivo e descontrolado do desconhecido. Neste sentido, é uma doença e insere-se no grupo das perturbações fóbicas, caracterizadas por ansiedade clinicamente significativa, provocada pela exposição a uma situação ou objeto temido (neste caso, as pessoas ou situações estranhas ao doente). Pessoas que apresentam este terror persistente, irracional, excessivo e reconhecido como tal, tendem a evitar o contato com estranhos uma vez que esta situação lhes provoca extrema angústia, ansiedade, aumento da tensão arterial e da frequência cardíaca. Nos casos mais graves pode, inclusive, motivar um ataque de pânico. O evitamento, antecipação ansiosa ou mal-estar em relação à situação temida, interfere significativamente com as rotinas normais da pessoa, o exercício ocupacional, os relacionamentos e atividades sociais.


Pessoas que possuem esse distúrbio geralmente evitam ter contato com outros indivíduos estranhos, essa atitude tem como objetivo poupar o xenófobo de angústia, ansiedade, elevação da tensão arterial e freqüência cardíaca, além de apresentar ataque de pânico.


É o medo irracional, aversão ou a profunda antipatia em relação aos estrangeiros, a desconfiança em relação a pessoas estranhas ao meio daquele que as julga ou que vêm de fora do seu país.

Formas de agressão:

A xenofobia pode manifestar-se de várias formas, envolvendo as relações e percepções dos grupos agressores e agredidos incluindo o medo de perda de identidade, suspeição acerca de suas atividades, agressão e intenção de eliminar a sua presença para assegurar uma suposta pureza. A xenofobia pode também assumir a forma de uma "exaltação acrítica de outra cultura" à qual se atribui "uma qualidade irreal, estereotipada e exótica. A xenofobia pode ter como alvo não apenas pessoas de outros países, mas de outras culturas, subculturas ou sistemas de crenças. O medo do desconhecido pode ser mascarado no indivíduo como aversão, ódio, ou agressividade gerando preconceitos. Note-se, porém, que nem todo preconceito é causado por xenofobia.


Atitudes xenofóbicas incluem desde o impedimento à imigração de estrangeiros ou de pessoas pertencentes a diferentes culturas e etnias, consideradas como ameaça, até a defesa do extermínio desses grupos. Por esta razão a xenofobia tende a ser normalmente associada a preconceitos étnicos ou ligada à nacionalidade. 


Estereótipos pejorativos de grupos minoritários (por exemplo: "asiáticos são sujos", "muçulmanos são violentos", "negros são menos inteligentes", "europeus do norte são superiores aos europeus do sul", "povos anglo-saxões são superiores aos povos latinos", etc.) e conflitos de crenças podem levar um indivíduo ao ódio.

Pesquisas:

Nos casos de homofobia, estudos da Unifesp sugerem relações de medo.


Um estudo feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) apontou que o preconceito contra homossexuais pode estar baseado em sentimentos de baixa dominância, como medo e vergonha, indicando que a homofobia seria um comportamento defensivo.


Realizado pela pesquisadora Cristina Lasaitis, do departamento de psicobiologia, o estudo analisou as emoções envolvidas no tabu da homossexualidade e comparou as diferenças entre grupos de voluntários com diferentes níveis de preconceito: homo e bissexuais, heterossexuais sem preconceito e heterossexuais que se declararam preconceituosos.


Para isso, foram avaliados 39 voluntários, sendo nove homens heterossexuais e nove gays ou bissexuais dez mulheres heterossexuais e onze lésbicas ou bissexuais. Os voluntários foram recrutados mediante o preenchimento de um questionário que avaliava, entre diversos assuntos, o seu nível de preconceito.


O experimento foi realizado individualmente em uma sala onde cada voluntário assistia a uma apresentação de 40 imagens de diversos tipos, como de casais hétero e homossexuais em cenas eróticas e fotos sem cunho sexual, como de animais e paisagens.


O voluntário relatava o que sentia perante cada imagem através de uma escala que media os níveis de prazer, alerta e dominância e durante a exibição das imagens eram tomadas medidas fisiológicas, como suor das mãos, temperatura e movimento dos músculos faciais. O suor das mãos sem excesso indicava um alto nível de alerta perante a imagem apresentada, segundo a pesquisadora.


Através das medições, a pesquisa apontou que os homens heterossexuais se sentiram incomodados ao verem especificamente imagens de casais gays. Em contrapartida, as mulheres heterossexuais mostraram desagrado moderado frente a imagens de casais homossexuais, independentemente se fossem de gays ou de lésbicas. Já os voluntários homo e bissexuais apresentaram níveis de prazer altos e semelhantes para imagens dos três tipos de casais.


Os resultados sugerem que, diante de um grupo com orientação sexual diferente, as pessoas tendem a ficar mais acuadas ou receosas, indicando que esses sentimentos devem ter maior influência no preconceito do que o ódio propriamente dito.


Conclusão:

Ao que parece tudo indica que estes tipos de fobias nascem da irracionalidade já que não têm fundamento ou subsídio em nada que é plausível ou razoável. É muito mais um problema interno do agressor que propriamente algo relacionado às vítimas.


Penso que, ao agredir um homossexual, o agressor utiliza mecanismos de projeção que apontam para seus próprios desajustes sexuais ou quem sabe problemas mal resolvidos na infância, como abusos sexuais sofridos, por exemplo. Quem tem sua sexualidade resolvida não teme à do outro, seja ela qual for.


Quanto às questões religiosas entendo que não encontram amparo na própria religiosidade, já que é lá que aprendemos que somos possuidores do chamado livre arbítrio, que nos é dado pela divindade, sendo condenado ou não pelo código ou dogma das religiões. E outra, se for o caso, é só não aceitar aquela pessoa na religião que a rejeita e ela, com certeza, encontrará uma que a acolherá e poderá exercer sua fé sem constrangimentos. O que não é aceitável é a violência em nome de Deus por fundamentalistas ou fanáticos. 


Muitos clérigos utilizam a história de Sodoma e Gomorra pra justificar e estimular o preconceito a homossexuais, mas se esquecem de que o texto cita a maldade humana e sua perversidade como o motivo pelo qual Deus decidira destruir tudo por lá. Será que não seria maldade atacar pessoas que não nos fazem mal algum?


Nas questões xenofóbicas o medo do estrangeiro parece estar mais relacionado com o medo pela competição. Na realidade são desculpas mal fundamentadas e que exploram o pior das pessoas em nome de uma suposta superioridade que ironicamente a própria ciência provou não existir, pois não há diversas raças, mas uma única raça: a humana.


A realidade é que diante do fracasso precisamos culpar outros ao invés de buscar soluções.


O grande problema é que, em momentos de recessão e crise, manipuladores utilizam discursos nacionalistas insuflando o ódio nas pessoas, como ocorreu nas duas grandes guerras do século passado que culminou com a ascensão e queda do nazi-facismo.


Se a desculpa é uma doença (fobia), então a resposta é óbvia: tratamento.


Se o pretexto pra agredir é a religião: “amai- vos uns aos outros e perdoai-vos.”


Se o problema está no diferente, procure o seu igual.


A verdade é que não existe argumento pra agressão e pra violência, pois se assim o fosse, não se agrediria, e sim, convenceria.


Portanto esta na hora de evoluirmos e darmos lugar a uma consciência livre destas deturpações.


Raniery
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