quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Na mente do agressor

O que move um perverso:


De acordo com psiquiatras, pesquisadores e também os principais órgãos de saúde mental do planeta, os psicopatas são pessoas com uma característica singular: a impulsividade.

Seu principal objetivo é alcançar prazer, satisfação ou alívio imediato sem qualquer vestígio de culpa ou arrependimento.

Na lógica de ser e agir de um perverso, como você reagiria se algo ou alguém representasse um obstáculo? Se a resposta foi “tirar todas as pedras do seu caminho”, você deu o primeiro passo para entender essas mentes sórdidas. De forma absolutamente livre de constrangimentos, eles se sentem à vontade para fazer o que lhes dá na cabeça, de maneira inconsequente, irresponsável, amoral e aética. Não há reflexão, nem qualquer sombra ou variação de remorso sobre o que possa ocorrer com as vítimas de seus arroubos.

Após seus ataques, dormem tranquilamente ou até dão festinhas de fim de ano para os “amigos”. O mais importante, para eles, é ser o centro das atenções e alimentar seu narcisismo.

Portanto, da próxima vez que você se perguntar qual a razão de um ataque psicológico, aparentemente sem sentido, tente vê-lo sob a ótica da falta de consciência moral, e, aí sim, você achará uma resposta plausível.

Eu sei, é chocante!

Uma Ilustração:

Estamos no ano de 2115. Megalópolis prepara-se para um anúncio que pode revolucionar a vida como a conhecemos.

Cientistas de um grupo corporativo de estudos genéticos pesquisam meios de prolongar a vida e se deparam com uma descoberta inusitada e fantástica.

As pesquisas eram realizadas em pessoas que haviam morrido a mais de cem anos, conservadas em sistemas criogênicos, cujas famílias haviam concordado em ceder seus corpos para estudo científico.

Surpreendentemente conseguiriam descobrir um meio de acessar as memórias de proteína (duradouras) dessas pessoas através de supercomputadores quânticos e máquinas de decodificação genética. Isso por si só já seria incrível não fosse o que estava por vir. Entre os corpos cedidos estava o de um cidadão que descobriram se tratar ser um psicopata à medida que acessavam suas memórias. Os computadores transformavam o material decodificado em imagens de cenas vividas por tal agressor e as mostrava, em uma espécie de monitor.

No momento da descoberta, acessaram no banco de memórias do criminoso, uma passagem vivida por ele no ano de 2006.

Era um lindo dia de sol na cidade de Santos, litoral paulista. O ano já estava em seu fim e era comum a confraternização entre colegas de trabalho por todo o país. Naquele dia Wescley ( nome que deram ao cadáver) estava inquieto, tenso, mais agressivo do que de costume: os pais não entendiam a razão de tal nervosismo já que ele preparava-se para a cair na farra. Da cadeira de rodas, o pai alcoólatra aos berros briga com a mãe negligente que ainda não havia feito seu almoço. Aquela gritaria, a casa suja, o som de pagode ao fundo, tudo o irritava.

Ogro, como era chamado por todos quando criança (por causa de sua característica rústica e por seus comportamentos insanos- como o de atear fogo na cauda de gatos, agredir meninas na escola, destruir propriedade alheia entre tantas atitudes delinquentes) estava frustradíssimo e, não se controlando, sapecou a “velha”.

Chutando tudo o que via pela frente, entrou em seu carro e foi para festa. Em menos de dois minutos já estava às gargalhadas falando com seu parceiro de ilícitos ao celular.

Chegando ao local, um salão de eventos de seu sindicato, logo se atracou com uma lata de cerveja, também não era pra menos com o calor que estava fazendo naquele dia! Tinha tudo pra ser um dia memorável, alegre e divertido, já que todos estavam entretidos em bate papos informais, futebol, música, churrasco e, claro, as bebidas.

A cena seguinte mostra que rapidamente o intrigante personagem, se juntou à sua gangue e tomado de uma euforia sombria começou olhar ao redor como um tubarão branco sentindo cheiro de alguma foca vulnerável dando sopa.

À medida que a festa avançava, o consumo de bebidas era proporcional à vontade das pessoas de extravasar. Irrequieto, tenso ele não consegue se conter em seu desejo de fazer o mal mas até o presente momento não surgira nenhuma oportunidade.

Em determinado momento percebe uma situação típica de pessoas que bebem e ultrapassam seus limites. Um colega de trabalho começa a se exceder e incomodar os demais. Ameaça pegar sua moto e ir embora, mas de forma prudente os amigos não permitem e o colocam em um canto pra que se recupere do efeito da bebedeira.

Era o que WesCley  precisava, a oportunidade perfeita de pegar uma vítima que estava impossibilitada de se defender. Então, sem uma palavra sequer, ele olha para seu parceiro e este pra ele: a adrenalina toma conta de seu corpo. Já sabiam o que fariam.

Aproximaram do ébrio, olharam para os lados, mexeram em sua bermuda e gritaram- “Venham ver! Olha só o que esse safado está fazendo!” As pessoas não entenderam nada e aos poucos foram aparecendo. Inflamando cada um que se aproximava, gritava teatralizando em tom de indignação e moralidade, que o colega estava praticando um ato de incontinência sexual, incitando a turba, que começava a esboçar atos de agressão física contra o homem desmaiado.

Ainda raivoso e excitado, o coração pulsando acelerado, a imagem na tela mostra alguns amigos levando aquele que seria mais um troféu de sua carreira de destruição moral de pessoas.

Nesse instante, os cientistas que estavam eufóricos com a descoberta, atordoados e perplexos com tudo aquilo que assistiram, resolveram parar a experiência por ali. Aquilo era demais pra eles.

Esta história de ficção muito bem poderia ser verdade, basta compararmos com a narrativa bíblica em que uma mulher foi acusada de adultério por fundamentalistas religiosos dos tempos de Cristo.

Debaixo de insultos, humilhada, aos prantos, tal mulher é levada ao mestre numa tática suja para pegá-lo em erro. A idéia era a de flagrá-lo o em contradição, qualquer que fosse a resposta. Tanto faz se o mestre a perdoasse ou autorizasse o apedrejamento. No entanto, de forma inabalável, ele limitava- se a escrever no chão.

Você não tem curiosidade de saber o que ele escrevia? Eu tenho, mas imagino o que seria. Ele apontava cada ação criminosa daqueles homens cruéis: roubo, corrupção, fraude etc. Pode ser também que apontava características de conduta: mentira, hipocrisia, demagogia entre outras.


O desfecho foi surpreendente; Inquirido pelos religiosos a tomar uma posição, em sua sabedoria, ele diz: “atire a primeira pedra quem não tiver pecado algum”. O que se sucedeu foi mais impactante ainda: todos largaram suas pedras e foram embora sem sequer atirar um pedregulho na mulher.

E o que houve com o rapaz que bebeu em excesso?

Um cientista do grupo não agüentou de curiosidade, até por quê tinha uma fama de fofoqueiro, e, sem que ninguém o visse, acessou novamente o banco de memórias do psicopata e descobriu que engendraram uma ação maquiavélica para demitir o rapaz por justa causa da empresa em que trabalhavam, terminando de destruir a vida de um pai de família.

Após o último acesso às memórias do agressor, fizeram uma reunião e decidiram não mais utilizar aquele cadáver como fonte de pesquisa. Já o cientista fofoqueiro e bisbilhoteiro, foi demitido.


Conclusão:

Pense bem, amigo leitor, tanto na história de ficção, quanto na narrativa bíblica encontram- se ingredientes de dramas que acontecem a todo o momento por aí. E isso, em qualquer lugar do planeta, pois mostra um padrão de comportamento perverso de pessoas que sabem exatamente o que estão fazendo e não controlam seus impulsos destrutivos. Seres sem alma, sem piedade, prontos para causar o mal na primeira oportunidade que tiverem. Essas pessoas formam grupos que compactuam entre si ou que são da mesma índole.

Todo cuidado é pouco e somente quem já passou por isso pode falar com propriedade do potencial lesivo dessas criaturas do mal.

Todos os dias mulheres são espancadas, crianças violentadas, idosos mal tratados por gente que, quando se apresenta em seus disfarces, parecem verdadeiros anjos de luz.

Possuem uma retórica capaz de convencer um padre a ser amigo de um demônio.

Utilizam seus recursos para, no momento que lhes convier, dar o bote como víboras que são.

Preste atenção, eles não têm aparência de maus, ao mesmo tempo em que não conseguem controlar seus impulsos destrutivos e sua lascívia de destruição. Talvez esteja aí o segredo para desmascará- los.

Estar atento às inconsistências daquilo que dizem em contraste com o histórico de seus comportamentos pode livrá-lo de cair numa “roubada daquelas”!

 Na mente do psicopática só existe uma lógica: dar vazão aos seus impulsos de destruição e abuso.

O pior é que se você cair nas mãos de um psicopata poderá descobrir que eles não são ficção, ao contrário são bem reais e o que é pior... podem estar ao nosso lado.


Vale lembrar que, quem foi vitimizado(a) por um psicopata, deve procurar um profissional especializado para superar tal experiência.
Veja também: A mulher acusada de adultério
Raniery



raniery.monteiro@gmail.com