quinta-feira, 16 de março de 2017

Vagabundos

Talvez ninguém mais tenha interpretado com tanta maestria a figura do vagabundo que Chaplin. 

De origem pobre, sofreu com as agruras das mazelas que o capitalismo de sua época produziu e segundo alguns pensadores ele nem deveria existir já que se um miserável não conseguisse sustentar um filho nos moldes das ideias capitalistas não deveria ter o direito de tê-lo. 

Em “Tempos Modernos” um filme de 1936 dos Estados Unidos o cineasta Charlie Chaplin encarna o seu famoso personagem "O Vagabundo" (The Tramp) que tenta sobreviver em meio ao mundo moderno e industrializado. O roteiro é considerado uma forte crítica ao capitalismo, stalinismo, nazi fascismo, fordismo e ao imperialismo, bem como uma crítica aos maus tratos que os empregados passaram a receber durante a Revolução Industrial. Não à toa Carlitos fora considerado persona "non grata" por muito tempo por lá, vindo a ter a sua obra reconhecida pela Academia somente quase no final de sua vida.

Thomas Malthus, economista da escola de pensamento clássico, propunha uma solução para as causas da miséria. Sustentava que isso deveria ocorrer através do controle sobre os miseráveis. Malthus acreditava que esse controle deveria vir através de uma restrição moral, ou seja, aquelas pessoas que não pudessem sustentar seus filhos deveriam não os ter e nem deveriam se casar e que as guerras e as doenças eram importantes agentes de controle de natalidade sendo a pobreza um castigo pela sua incapacidade de sobreviver no mundo capitalista, por isso, o governo não deveria ajudar os miseráveis, que assim pereceriam solucionando a questão.

Já, nos primórdios da Administração, em sua Abordagem Clássicaum dos seus principais elementos ou função é exatamente o controle da produtividade, porque segundo Fayol o ser humano é naturalmente preguiçoso (vagabundo) então, precisaria de alguém que o fizesse produzir para que o capitalista acumulasse seus lucros. Tal forma mecanicista de enxergar o mundo tratando o indivíduo como uma ferramenta e desconsiderando a sua humanidade encontrou antagonistas e promoveu convulsões sociais que desaguaram em direitos e garantias conquistados às custas de muito suor, sangue e dor - debaixo das botinas e cassetetes da polícia a serviço dos poderosos - aliás, como até hoje, e comicamente retratado em inúmeros filmes do Vagabundo.



Pense agora no conceito de Ócio Criativo - título de um texto do cientista e sociólogo italiano Domenico De Masi e é também um revolucionário conceito de trabalho. A ideia de ócio criativo foi proposta pelo professor e sociólogo no meio da década de 90. Basicamente, o ócio criativo é uma maneira inovadora de definir o trabalho.

No livro O Ócio Criativo, de Masi demonstra como alegria e satisfação pessoal no dia a dia aumentam a criatividade, que por sua vez faz crescer o potencial de imaginação necessário a um melhor desempenho produtivo no trabalho. Ele diz: "Existe um ócio alienante, que nos faz sentir vazios e inúteis. Mas existe também um outro ócio, que nos faz sentir livres e que é necessário à produção de ideias, assim como as ideias são necessárias ao desenvolvimento da sociedade." 

A grande maioria das pessoas confunde ócio com preguiça. A principal diferença é que o ócio pode gerar produtividade e ter alguma significância; a preguiça é insignificante por si só. Ao contrário do que muitos acreditam, ócio criativo não significa fazer nada. Por ócio criativo, entende-se a união entre trabalho, estudo e lazer, de forma que alguém possa experimentar a riqueza gerada pelo trabalho, o conhecimento ocasionado pelo estudo e a alegria proporcionada pelo lazer.

Perceba, então que o conceito de produtividade, do ponto de vista capitalista, sempre teve - por parte dos donos do capital - as ideias que eles determinavam e impunham. Inclusive na questão moral, apoiada pelos clérigos, sobretudo, os protestantes, berço da burguesia, pretendendo programar a consciência do proletário para que se sujeitasse a todo tipo de ordem, ainda que absurda ou abusiva, sem contestar, porquanto entraria em pecado sendo tentado pelo Demônio e a subserviência era o caminho ao paraíso ainda sob o custo de exaustivas dezoito horas de trabalho, em subcondições enquanto pastores, empresários, e as recatadas do lar davam ações de graças diante de suculentos e bem condimentados leitões saboreados sem que não faltassem os melhores vinhos de safras esplêndidas cujos mostos eram esmagados pelos órfãos que deveriam se contentar com pequenas porções de rações que os bondosos patrões lhes forneciam sendo gratas por tamanha bondade - OH, Glóriaaaa!!!!

Responda rápido: qual é a empresa em termos de bilhões de dólares que ocupa as primeiras posições entre as mais valiosas do mercado? Pensou Apple e Google? Acertou. Curiosamente sua forma de administrar e controlar seus funcionários não segue nenhum modelo ortodoxo como os já esgotados da maioria das empresas com seus sistemas hierárquicos piramidal, inflexíveis, sobretudo, aqueles da administração pública, onde não há um sistema de mérito para que o ocupante do cargo desempenhe suas funções, mas cabides de emprego e a farra dos cargos comissionados que sobrecarregam as empresas públicas e se forem empresas de sociedade de economia mista, salvo exceções (desconheço alguma), ainda é infectada por gestores incompetentes que são indicados políticamente sem contar seus assessores parasitas - onde a fraude, a corrupção, o enriquecimento ilícito, a “troca de favores” e a ilegalidade são marcas destas administrações.

Numa empresa dessas, aqui de Santos, por exemplo, a coisa descambou de tal maneira que um gestor aventureiro - O Ditador - ligado ao atual governo golpista decidiu encabeçar uma série de demissões arbitrárias ao arrepio da lei. Diferentemente das empresas privadas que não podem se conduzir pela ilegalidade, mas podem fazer o que a lei não proíbe. Tais empresas públicas estão amarradas às normas sendo que a discricionariedade de seus atos encontra o limite exatamente na lei. Seus gestores, por outro lado, não podem agir conforme o seu bel prazer, mas pela impessoalidade que preserva o princípio da isonomia e atende ao interesse público que se sobrepõe ao privado.

Em síntese, o empregado público pode ser demitido, sobretudo, se for comprovada (sem margem de dúvidas) a chamada desídia e ineficiência do mesmo, após passar por um processo administrativo que lhe garanta o direito ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal – tudo isso, para que se caracterize a motivação, ou seja, sua demissão deve ter uma justa causa. 

Sob a falácia de uma reestruturação tal gestor, então, descompromissado com a empresa, a sociedade e a coisa pública, passou a agir à revelia das normas. Tal atitude gerou pânico entre os empregados que passaram a conjecturar sobre os motivos de tais demissões e, como se sabe, é neste instante que os “gênios” se sobressaem e a caça às bruxas começa.

Vagabundo foi o termo mais utilizado para designar quem está sob o ataque da injustiça desconsiderando a família, os sentimentos e a real circunstância por trás do arbítrio em total desrespeito ao colega que deveria estar recebendo apoio, pois se hoje é ele, amanhã poderá ser o falastrão.

Porque amanhã o desrespeitador colega poderá também estar entre a lista de demitidos? Pelo arbítrio como se deu tal ato. A empresa não formalizou categoricamente nenhuma razão, mas simplesmente fez o impensado. E os representantes eleitos para intermediar junto ao gestor reivindicações das categorias? Sumiram, se aquietaram, quando não, reproduziram/ endossaram as palavras do inconsequente administrador. Por outro lado, colegas que não saem nas fotos e nem recebem votos foram solidários e imediatamente correram junto ao sindicato para apoiar seus colegas.

Dizer que alguém é vagabundo é expressar uma opinião que a priori é tida como sua, mas que demonstra uma ideologia que se dissemina na sociedade desde as revoluções liberais porquanto desencadearam as revoluções industriais e desde lá, só fortalecem aqueles que detém o poder. Acontece que ao reproduzir o comportamento do controlador o indivíduo sugere ao seu inconsciente que é igual a ele e em um mundo de fantasia e fetiche embarca numa viagem onde se vê em seu lugar. Há também a ideia de que se houver alinhamento com o discurso do abusador isso angariará a simpatia dele que o preservará ou o acalentará amanhã.

Então, vagabundo é um termo ambíguo, abrangente e subjetivo demais, dando margem para uma infinidade de interpretações: para eles (os puxa sacos) é o colega “desidioso”, para mim pode ser o gestor corruptoímprobo, o colega golpista que armou para derrubar chefes e tomar-lhes o lugar, a funcionária cafetina que agenciava garotas de programa para as farras de diretores, o vice-governador que roubou R$ 418. 000. 000, 00 apoiado por sua comparsa do jurídico, pode ser também, os quase 300 empregados em cargos comissionados, ou o superintendente ímprobo, e também o gerente assediador moral, enfim...vagabundo pode ser muito mais coisas como essas que tornariam o outro vagabundo, por comparação, um super eficiente empregado, ou, como Chaplin, um mestre do riso.

Quem sabe agora o vagabundo demitido injustamente não tenha mais tempo para fazer jus ao ócio criativo e expor os outros vagabundos em sua vagabundagem? Não seria mais inteligente tê-lo mantido vagabundando sob monitoramento? Bem, tenho mais “o que fazer”, pois tenho que me encontrar com “O Menino”...
Raniery

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Bons Frutos

A Arte da Guerra de Sun Tzu é considerado o manual da vitória que pode ser aplicado nas diversas situações sem medo de errar, até por que já foi testado inúmeras vezes com cem por cento de sucesso. 

Não à toa é leitura quase que obrigatória nos cursos de Administração entre os acadêmicos dessa ciência e fonte constante de consulta aos gestores profissionais.

Outrossim, tais ideias seculares tragam um pensamento voltado para os conflitos bélicos, contêm ensinamentos espetaculares que podem inspirar uma espécie de gestor compromissado com a eficiência e a eficácia.

Há, porém, quem discorde acreditando que o negócio deve ser tocado na base da carnificina de reality shows onde figuras bizarras encarnam o papel de poderosos chefões da Cosa mostra.

Embora eu seja um crítico contumaz de ações e atitudes desse tipo, sobretudo, onde exista um palco propício ao assédio moral tenho presenciado algumas iniciativas positivas que me obrigam a aplaudir. A não ser que ser dono da razão fosse o meu objetivo na vida.

O velho general deixou um legado de ideias impressionantes capazes de deixar o mais incrédulo e reticente gênio boquiaberto, ainda mais se considerarmos determinados contextos em que ele projeta as suas premissas.

Veja algumas delas:

“Não procures vencer teus inimigos à custa de combates e de vitórias. Esse é um caso em que o "bom" é melhor do que o "excelente". Quanto mais te elevares acima do "bom", mais te aproximarás do "pernicioso" e do "ruim".

“É preferível subjugar o inimigo sem travar combate. Nesse caso, quanto mais te elevares acima do bom, mais te aproximarás do incomparável e do excelente.”

“Na guerra, o essencial é a vitória e não campanhas prolongadas. A suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar. ”

“Derrotar o inimigo em cem batalhas não é a excelência suprema; a excelência suprema consiste em vencer o inimigo sem ser preciso lutar.”

“O habilidoso general não é aquele que derrota mil inimigos, mas que diminui o número de inimigos transformando-os em aliados. ”

Nesses dias venho acompanhando dentro da empresa em que trabalho aquilo que parece ser “ventos de mudanças” que se forem legítimas e não mais outro, entre tantos engôdos, promoverá a chamada mudança cultural. Isso não é tarefa fácil, tampouco que se consiga implementar instantaneamente exigindo, outrossim, boa vontade de todos os agentes envolvidos, incluindo aí, devidos ajustes de condutas de ambas as partes.

Ora, era isso que o Velho guerreiro chinês preconizava! O importante não é viver em conflito, mas seguir o curso natural da vida. Viver em pé de guerra e vencer disputas internas só causa desgaste e infortúnios. Ninguém ganha nada com isso: nenhum dos lados. Então, o que é melhor? Viver abraçado com a razão ou ceder e rever posicionamentos? Dentro dessa ideia percebi que tais mudanças estão mexendo com a cabeça de todos por lá.

Numa situação, elegemos um colega como representante para levar ao presidente questões relativas aos problemas que enfrentamos em nosso dia a dia. Ele e outros, de outras turmas, então, apresentaram sob consulta aos colegas algumas ideias.

É evidente que não haveria unanimidade pelo simples motivo de que somos um grupo heterogêneo de pessoas onde nem todos compartilham das mesmas ideologias e visão de mundo buscando nesses casos o chamado consenso dentro do bom senso.

Acontece que alguns colegas melindrados com a liderança do representante começaram um buchicho de que ele haveria se vendido no objetivo de pleitear “cargo”. Que estaria abraçado com o gerente para se dar bem e blá, blá, blá...

Pois é, acontece que quem não sabe das coisas começa a defecar pela boca projetando sua frustração. Na verdade, o representante, muito antes de sê-lo já havia tomado iniciativa de agregar colegas em face de determinadas decisões da empresa que estão lesando um grupo deles.

Numa postagem polêmica que escrevi eu citei o problema e fui convidado pelo coordenador responsável da questão que com a mais completa boa vontade me recebeu e explicou tudo o que estava acontecendo, inclusive, relatou as ações do gerente no sentido de tentar resolver o problema favoravelmente aos prejudicados.

Ora, isso é um fato constatado. E ademais, se quando o gestor toma alguma decisão que nos contraria - e que consideramos lesiva, criticamos; quando ele toma uma decisão que visa resolver um problema, por que não considerar isso?

Da mesma forma, a iniciativa do presidente em abrir um canal de diálogo para procurar entender o que ocorre em nosso setor, identificando uma série de problemas antigos que perpassam por toda a hierarquia e não mais atribuindo culpabilidade total ao seu empregado operacional, é elogiável. Aqui, não se entra no mérito da desconfiança, mas na iniciativa que somente nos passos que se seguirão poderão dizer se há ou não má fé por parte dele.

O que não dá é para viver a vida carregando o fardo do passado ficando magoado com as resoluções e mudanças necessárias do presente. Evidentemente que isso exigirá uma reflexão e introspecção de todos os envolvidos, o que pode significar sair da zona do conforto e propositura de devidos ajustes de conduta. Eu particularmente me incluo nisso já que me sinto extremadamente desmotivado após anos de assédio moral e má gestão.

Outra situação, muito legal, foi a da conversa que tive com um chefe de serviço onde pudemos esclarecer um mal-entendido onde sua postura deve ser elogiada. E aí fica a questão: vamos alimentar um ambiente de trabalho destrutivo ou vamos romper um ciclo de energia negativo ainda que isso signifique não atender os apelos desesperados de nossos egos que exigem que sejamos os estandartes da razão?

O que me deixou impressionado nesses casos foi a iniciativa proativa desses chefes que se recusaram a fazer o de sempre e “quebraram as minhas pernas” onde eu não poderia de forma alguma não aceitar um argumento mais sólido do que o meu e humildemente concordar que há um jeito melhor de se relacionar e trabalhar em equipe.

No fim das contas sempre foi isso o que queríamos e pode ser que estejamos no limiar de uma forma mais profissional de nos conduzirmos em nosso trabalho - o que seria excelente. Isso não significa que entraremos em um mundo cor de rosa, sem cobrança ou de indisciplina, onde não existirão conflitos, mas que nos ajustaremos a um patamar onde já deveríamos estar a muito tempo.


Tomara que tais ventos nos tragam a harmonia que preconizava o mestre da guerra, pois em seu dizer: “ a paz é o estado natural das coisas e não a guerra”.

Raniery

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Caos e Regresso


O Brasil atravessa uma de suas piores crises políticas da história liderada por uma elite rancorosa, conservadora e caduca que não aceita que o país se desenvolva e que sua população experimente o chamado bem-estar social.

Por algum motivo, ainda desconhecido as pessoas se posicionaram de forma antagônica em dois sentidos: ou se é conservador ou de esquerda e passaram a manifestar um comportamento esquizofrênico fora de contexto, isto é, agindo como se ainda estivéssemos numa guerra fria onde a motivação era a de combater o “Império do Mal”.

Em um desses debates recentemente um colega de trabalho, nitidamente desequilibrado, passou a me atacar proferindo uma série de ofensas desconexas com a pergunta que lhe fiz.

Perguntei-lhe se sabia a origem do lema estampado na bandeira brasileira já que ele o havia citado como mantra de seu engajamento como “ultrarradical de direita”. Como eu havia previsto o inocente fanfarrão não sabia nada do que vociferava engrossando a estatística de tantos outros bobalhões que somente querem chamar a atenção se fazendo passar por adeptos de alguma ideologia.

Na verdade, o pobre rapaz só fez cair em contradições já que se dizia arredio à ideologias e intelectuais, embora, também desconheça que tudo isso parte desses mesmos cientistas sociais que, evidentemente, externam sua visão de mundo dentro das hipóteses e conclusões sobre o objeto de seus estudos – a sociedade.

Veja, que bastaria ao meu esdrúxulo amigo ser um pouco mais diligente e menos impetuoso para entender que o que saia de sua mente não era nenhum lema militar cuja lavagem cerebral passam os soldados quando aquartelados.

Curiosamente era originário de um dos pais da sociologia que ideologicamente disseminou ideias contrárias ao meu colega cognitivamente desfavorecido.

Ordem e Progresso é a frase que está escrita na bandeira brasileira, e é o lema nacional, desde sua formação, e foi idealizada por Raimundo Teixeira Mendes.

A expressão ordem e progresso é o lema político do positivismo, e é uma forma abreviada do lema de autoria do positivista francês Auguste Comte: "O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim”. O positivismo possui ideais republicanos, como a busca de condições sociais básicas, através do respeito aos seres humanos, salários dignos etc., e também o melhoramento do país em termos materiais, intelectuais e, principalmente, morais.

No século XIX surgiu uma corrente de pensamento chamada positivismo, que teve o filósofo francês Auguste Comte como um dos seus defensores mais importantes. Ele defendia que o progresso era a uma das únicas saídas para a evolução da humanidade.
O Positivismo, grosso modo, é uma filosofia que alça ao status de maior posição a lei. E qual é o seu porquê? As sociedades medievais já estavam saturadas dos abusos decorrentes dos arbítrios perpetrados pelos soberanos e necessitavam de um dispositivo que cumprisse esse papel.
A Lei, então, passa a ser a referência máxima de direito impondo limites aos governantes e governados. Tal ideia se disseminou por inúmeras áreas das sociedades em geral até ser superada pelo pós-positivismo e este pela ideia de neoconstitucionalismo. Isso é teoria do Estado via sociologia.
A sociologia pretendia estudar uma sociedade em profundo estado de transição, onde mudanças bruscas ocorreram por ocasião da revolução industrial onde surgiam pelo menos dois tipos de personagens: o empresário capitalista e o proletariado.
A ideia de uma ciência voltada para o social era uma necessidade em virtude do grande número de problemas trazidos pela industrialização e que se refletiam em toda a sociedade. Não era invenção de comunista, mas sim um fato social.

Perceba que as questões ligadas ao assédio moral são muito mais complexas e de origem histórico-cultural. Acompanham o homem e se interpenetram em sua evolução natural, embora ratifiquem um lado obscuro de nossa natureza que é a de subjugar os nossos iguais.

Na verdade, tais grupos que se dizem conservadores repudiam a ideia de igualdade, pois pretendem estabelecer quem é superior de quem não o é, sendo que esses últimos estão aos serviços dos primeiros. É o homem lobo do homem nos dizeres de Hobbes.

É corriqueiro o dizer de pessoas que se autodenominam “de direita” que foram os esquerdistas comunistas que inventaram a divisão em classes sociais demonstrando o quanto de ignorantes são. Isso é uma ideia que nasce imediatamente ao surgimento da sociedade industrializada onde a organização passa a influenciar todos os setores da sociedade, incluindo o religioso de onde tiraram que tempo é dinheiro e que se o operário ficasse ocioso estaria roubando o bondoso patrão que lhe fez o favor de dar-lhe um emprego.

Então, o empregado desidioso era praticamente um candidato ao inferno já que se recusava a aceitar a sua posição de inferior e preguiçoso, não queria trabalhar 18 horas/ dia em subcondições para que o empresário enriquecesse aceleradamente e gozasse dos frutos de seu sucesso.

Doravante, é daí, isto é, do abuso do capitalista que emergem os conflitos e as reações contra os desmandos desta classe que se impõe pelo poder econômico, daí por que surgirem os chamados sistemas de freios e contrapesos para equilibrarem tais desmandos.

Com isso a organização ganha um lugar central na atenção dos cientistas sociais que passaram a vê-la como um sistema vivo e que influenciava a sociedade direta/ indiretamente, pois todos estariam imersos em alguma forma de organização desde o nascimento à morte.

Perceba as enormes implicações nisso. Os estudos avançam desde, então, estabelecendo diretrizes e modelos de comportamento organizacional que contemplem tanto a eficiência/ eficácia das empresas sem deixar de levar em consideração o elemento humano em seus fatores psicossociais.

Na prática, contudo, o que se vê é o amadorismo de gestores despreparados ou descompromissados que disseminam culturas catastróficas quer para a organização quer para o seu capital humano.

O processo de industrialização foi marcado pela transformação das sociedades tradicionais, baseadas principalmente na produção agrícola, em outras de novo tipo, em que a organização e a produção industrial têm uma importância fundamental na articulação de novas formas de convivência que predominaram no último século e que constituem em sua essência o arcabouço da sociedade que denominamos capitalista.

Com isso, fica claro que para uma sociedade, sobretudo a capitalista, evoluir significa investir no seu substrato social de forma a prover-se de indivíduos qualificados que se distribuam em todos as áreas permitindo que o próprio processo econômico produtivo cresça em qualidade e eficiência, principalmente em um contexto globalizado.

Tais ideias perpassam por condições sociais em que o Estado fica encarregado em suas políticas públicas de estabelecer, mas que na sociedade brasileira a sua elite tresloucada insiste em manter antigos e ultrapassados paradigmas desaguando a nação em um caos sem precedentes caso consideremos as mudanças socioculturais da atualidade.

O meu colega destituído de subsídios sólidos que consubstanciasse seus argumentos débeis é um exemplo clássico do que, por exemplo, uma frágil educação faz com as mentes das pessoas, distorcendo a realidade e criando trogloditas da idade da pedra que balbuciam grunhidos desconexos e lançam mão da violência e truculência quando não se fazem entendidos.


Suponho que ele tenha conquistado sua mulher com uma cacetada na cabeça levando- a em seguida para a sua caverna

Raniery

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Projetando-se

“Projeção” segundo a Psicologia caracteriza é uma espécie de mecanismo de defesa, no qual, principalmente as nossas idiossincrasias pessoais, pensamentos inaceitáveis ou emoções, são relacionados a outra pessoa. Isso, faz parte de um conjunto de mecanismos de defesa teorizados por Freud, daí também conhecida Projeção Freudiana. 

A projeção sendo um mecanismo de defesa, grosso modo, tem a função de proteger e defender o nosso ego, das ameaças. A projeção psicológica ocorre quando um individuo por alguma razão, tem seus sentimentos ameaçados ou inaceitáveis, e, por consequência são reprimidos e projetados a outra pessoa.

É um mecanismo de defesa, em que um individuo é confrontado com os seus comportamentos, atitudes, sentimentos ou emoções e percebe que são inaceitáveis (por outros ou por ele próprio) ou indesejados e o mesmo individuo atribui tudo isso ou uma grande parte a outra pessoa.

Posto isto, eu tenho procurado me policiar para não sair apontando o dedo contra os outros projetando parcela de mim mesmo neles e me recusando a enxergar minhas idiossincrasias. Como sou um crítico das administrações públicas, entre outras coisas, por ser um servidor e, por ter passado por um truculento processo de assédio moral durante uma década tendo a ver o lado negativo do meio em que trabalho até por que em essência as coisas não mudaram muito por lá.

O episódio de hoje diz respeito a abordagem de um coordenador que a despeito de possuir a legitimidade legal não possui a de ordem moral. 

Veja, se uma empresa dispõe de regras para disciplinar as condutas locais seria contraditório a insurgência contra isso por mais que nossa natureza seja reticente. Sim, as regras são necessárias desde que haja proporcionalidade, razoabilidade e finalidade nisso. Não podem ser um fim em si mesmas devem buscar um sentido de valor e não são formas de um chefe se fazer valer sobre subordinados.

Em contraposição, vale destacar e elogiar a postura de outro chefe - que aí sim, manifesta um comportamento de líder que ao invés de se impor prefere o diálogo e demonstra uma sensibilidade ímpar no trato com o seu subordinado e que basta uma única palavra para que o acatem e, isso, no mesmo local. É a segurança de quem possui equilíbrio interno sem que com isso deixe de ser disciplinador, já que é conhecido como um dos mais rigorosos do setor. O nome pra isso é assertividade.

Dentro disso, pode-se apontar quatro tipos elementares de líderes organizacionais:

Exigente

Observa todos os detalhes e não deixa nenhum deslize passar despercebido. Entende que para algo dar certo, “todos os buracos têm que estar tapados” e não há o menor espaço para pequenos erros. Muito crítico, observador e perfeccionista, esse líder acredita que a excelência é o caminho para a obtenção do sucesso.

Autocrático

Não promove a participação efetiva da equipe nos projetos, toma sozinho todas as decisões necessárias e costuma oprimir seus subordinados, enxergando neles concorrentes, e não, colaboradores. Ele sempre conduz os processos com muita energia e vigor, mas, como não valoriza as competências, os conhecimentos e os resultados dos subordinados, acaba criando um ambiente de trabalho no qual os profissionais são cobrados excessivamente. Isso causa certo desconforto e limita a performance do grupo. É mais conhecido como um chefe do que um líder.

Liberal

Dá aos colaboradores liberdade para exercerem suas funções sem interferências diretas. Os próprios profissionais ficam responsáveis por gerenciar os resultados de seu trabalho. É uma forma de demonstrar confiança na capacidade dos colaboradores e de dar a eles mais autonomia. No entanto, o líder liberal precisa estar atento para que os colaboradores não fiquem sem condução nem cometam erros graves e prejudiquem o desempenho da empresa.

Democrático

Permite que todos os liderados participem das decisões importantes do grupo e acredita ideias, críticas e sugestões são importantes para aperfeiçoamento dos projetos, da equipe e da organização como um todo. Essa abertura de espaço para diálogos, a comunicação efetiva e os feedbacks constantes facilitam a solução de problemas internos e garantem os bons resultados dessa liderança. De todo modo, o líder democrático precisa ter inteligência para encontrar o equilíbrio e não perder o controle, o foco e a objetividade
Fonte: Portal IBC


Como a teoria comportamental freudiana propõe eu acredito que no caso concreto a que me refiro em momento algum o tal "chefe" agressor pretendeu a disciplina, mas buscou, outrossim, impor-se covardemente já que sente-se inseguro por não ter moral diante do grupo. 

Recentemente o MPT impôs uma multa vultosa à empresa por conta de uma deliberada decisão dos atuais gestores em descumprir específicos preceitos legais criando horários diferentes para empregados que aceitassem a sedução e se vendessem por um prato de sopa atendendo aos seus interesses que não são, evidentemente, os da categoria ou muito menos de interesse público. E não sou eu quem disse isso, fora o próprio órgão fiscalizador que o fez.

A decisão criou um racha entre a categoria a despeito de cooptar adeptos para depois manipulá-los e com isso futuramente implementar o horário em questão, segundo o que eles mesmos admitem. A ideia é polêmica e cada gestor sabe que tipo de conduta deva praticar. 

Seja por uma questão de senso de impunidade ou por sentir-se apoiado por seus superiores, trata-se de uma jogada política e eu não saberia dizer em profundidade qual grau de moralidade há nisso, confesso. Penso que nenhuma - é uma questão ligada aos grupos da situação.

Até aí, nada de mais. Embora, haja um ponto que me oponho radicalmente que se encontra justamente sobre a truculência daqueles que se sentem contrariados e covardemente se utilizam da administração pública para deflagar perseguições aos seus desafetos, o que, novamente, fere ao princípio da supremacia do interesse público sobre o privado.

Ora, se o chefe em questão, objeto desta postagem, aceitou tais condições, sobretudo quando fere determinados dispositivos proibidos pelo ordenamento e objeto de censura pelo MPT, é um problema dele. Ganhou com isso, não se preocupou com os outros e, como se diz, "viu o seu lado". Daí, por ser obediente, ganhou o cargo de coordenador, não por mérito como deveria, evidentemente. Então, ótimo! Pra ele...

A pergunta que faço a tais "disciplinadores" tão zelosos e legalistas é: o que é mais grave, o descumprimento de um preceito legal constitucional tutelado pelo seu código principal ou uma regra de menor potencial que se resolve com uma simples conversa sem que haja a necessidade de constrangimento a ninguém?

Ora, o descumprimento da primeira gerou um ônus ao erário decorrente da multa, já a outra, somente fora objeto de atenção do coordenador e seu complexo de inferioridade. E a mim o que cabe? ora, me subordinar, pois isso reza em meu contrato. Foi o que fiz, evidentemente, a despeito que para o reprimido chefe não bastasse a orientação. 

E o que não cabe? O constrangimento causado pelo despreparado coordenador que demonstrou que não é apto para o exercício da função, muito menos em razão de sua pessoa, muito mais por conta de uma cultura organizacional que é questionada pelo próprio diretor, e com razão, onde num dia a regra é uma, no outro, não é mais, conforme o humor deste ou daquele gestor, e, submetidas ao bel prazer de cada um.

Quanto a mim, não posso reclamar de ser alvo da atenção de colegas inseguros. Uma, por que não sou nenhuma referência ou modelo a ser seguido (sinto orgulho disso), e outra, porque por não me submeter aos caprichos de maus gestores venho colecionando durante os anos a antipatia, retaliação e punições forjadas deles e com isso acabo sendo uma má influência aos outros.

 Como já externei outro dia prefiro ficar quieto no meu canto, me dedicar aos meus futuros projetos, mas o que posso fazer se meus olhos verdes atraem tanta atenção...pena que é de marmanjo! A Renata é que se diverte com isso...

Já que após a publicação desta postagem meus monitores levarão o seu conteúdo a quem de interesse eu gostaria de solicitar que orientassem melhor os novos coordenadores para que cobrassem sim a disciplina, mas que o fizessem sem constranger seus subordinados já que além de desgastante é desnecessário.

 Ademais, regras de menor potencial deveriam ser tratadas de forma proporcional, sobretudo porque não se trata de coordenação de crianças em jardim da infância, que precisam ser vigiadas a cada passo, mas de homens/ mulheres adultos...a não ser que a ideia seja a de se impor pela força demonstrado vulnerabilidade moral. 

Com certeza as vozes da esclerose organizacional orientarão os chefes a manter a cultura da punição, em especial atenção a mim, é claro, mas e sendo assim qual seria a novidade, ainda mais pra mim. 

Grato.

Raniery

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Semente Que Dá Fruto

O bem e o mal não são coisas distintas, mas faces de uma mesma moeda.
É fácil apontar que alguém é mal por conta de um comportamento antissocial e que o outro é bom por sua adequação. Na verdade, a questão não é preto no branco, mas de nuances que as vezes beiram o limite do sutil.
Hanna Arendt em sua tese polêmica da banalidade do mal apontou isso por ocasião do julgamento do criminoso de guerra nazista Eichmann que por uma obediência cega à burocracia ignorou a insanidade das ordens que seguia, não se vendo, entre outras coisas, como assassino. Pelo contrário, se via como um excelente funcionário público e, de fato, constatou-se que além disso era um dedicado pai de família e, portanto, um cidadão exemplar dentro dos padrões estabelecidos e esperados.
A conclusão da filósofa era a de que nem sempre o mal tem um perfil de fácil identificação e pode estar escondido em atos ignorados pelo próprio praticante que não os percebe como tal.
O comportamento humano é de difícil compreensão embora possamos imaginar que de bate pronto basta escutar algo sobre alguém ou mesmo olhar para ele que como num passe de mágica já sabemos tudo sobre a pessoa.
Dessarte uma técnica chamada Janela de Johari não só demonstra como é difícil entender o outro tanto quanto a nós mesmos. A janela enfoca a questão do Relacionamento Interpessoal, baseado nas descobertas de JOSEPH LUFT & HARRY INGHAM , dois cientistas sociais (um psicólogo e outro psiquiatra) que se dedicaram a estudar as questões pertinentes ao comportamento humano e seus reflexos, representadas em uma janela de quatro vidraças.
Com os quatro quadrantes de uma janela pode-se ver como as pessoas se relacionam em grupos. A dinâmica do relacionamento interpessoal faz esses quadrantes se moverem (aumentando e diminuindo) principalmente após respostas aos estímulos (feedback) que recebemos ao nos relacionarmos em grupo. Estes, por sua vez, nos ajudam a compreender uns aos outros.
Desta forma acabamos descobrindo que, entre outras coisas, há áreas em nós que o outro enxerga menos o próprio indivíduo e que há áreas que nem os outros e nem o indivíduo enxergam e isso não é em relação a uma pessoa estereotipada elencada pelo grupo como a marcada, mas em todos nós.
Então, fica claro também que eu posso estar reagindo sob o controle de estímulos de determinado ambiente tendo minha visão distorcida dos fatos ainda que alguma parte seja relevante, mas com uma base de informações limitada ou também distorcida.
A questão é: o que pretendo buscar? Viver dentro do conflito ou promover mudanças salutares?
Por conta da repercussão da postagem passada ("Semente do Mal") houveram pessoas que contestaram o seu conteúdo e que se sentiram indignadas com ele.
Um colega me procurou e disse que havia distorções da verdade, sobretudo, no que pese a uma questão envolvendo laudos de psicotécnicos para porte de armas onde, então, ele alega que de sua parte, o dele é oficial e não feito por fora, em outra empresa que não a oficial.
Vale a ressalva que em momento algum a postagem cita nomes para justamente não constranger ninguém, embora faça a crítica ao procedimento aplicado, sem necessariamente, se ater a questões individuais. O colega afirma, outrossim, que o seu laudo é oficial, e o tem em mãos para comprovar a sua afirmação.
Entretanto, como abertura de um canal de diálogo, é louvável e elogiável a iniciativa dele que demonstrou sabedoria quando me chamou a atenção para o fato de que há um clima e energias ruins que fazem de determinados locais de trabalho o catalizador de uma série de conflitos. Enfatizou que não deveríamos nos ver como inimigos, o que me obrigou a concordar com ele, a não ser que eu preferisse abrir mão de um sentimento razoável em face do apego a outro, que no caso, seria de menor importância.
Em questões como essas a precipitação nos leva a ver inimigos em nossas próprias sombras e nos esquecemos que estamos no mesmo barco, por outro lado, eu questionei o fato de que onde não há uma política de comunicação organizacional eficiente a natureza humana se encarrega de preencher as lacunas e reconheci que acabamos entrando num círculo vicioso, desgastante e...infrutífero.
Não é vergonha alguma recuar e dar ao outro lado a oportunidade de contar a sua versão. Viver sob o estandarte da apropriação da razão é menos importante do que buscar a harmonia e o entendimento entre as partes.
É evidente que determinadas decisões gerenciais tomadas, que lesam direitos, precisam ser revistas para que se alcance tal equilíbrio, senão, a coisa fica somente no âmbito do discurso e não se vence as resistências.
Destarte, não há que se dizer que há alguém que está 100% certo e o outro, na mesma proporção, está errado. Aliás, essa nem é a prioridade, mas, sim, a busca pelo entendimento.
Outra coisa que eu questionei é que se há uma reação negativa de uma parte é preciso reconhecer que houve o estímulo da contraparte como forma de política absurda adotada (a muito tempo - diga-se), ainda que seja necessário que se quebre tal ciclo e se adote um novo modelo.
Sabe-se que do caos surge a ordem e, que, de uma situação de crise pode-se vislumbrar oportunidades e no que pese às organizações, são elas que devem adotar a política pela qual pretendem seguir, não podendo imputar ao seu capital humano tal responsabilidade e, assim, inverter os papéis.

Portanto, imagino que pela abertura do diálogo há um potencial para que mudanças importantes possam emergir dando dessarte bons frutos a todos os envolvidos. E isso, é bom para todos.

Raniery

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Semente do Mal


Segundo a mitologia judaico-cristã que estuda os territórios celestiais através da angeologia tais elementais se organizam em cadeias hierárquicas de comando curiosamente similar aos militares. Por lá ha até subdivisões como Principados, Potestades e Poder (es).

Entretanto, tanto faz de que lado se esteja um ser de patente inferior não pode passar por cima da hierarquia imediatamente acima sob pena de sofrer rigorosas sanções, inclusive consta, segundo os manuais, de que isso acontece entre os dois lados me parecendo haver um código de ética estabelecido o que pressupõe, entre outras coisas, que há regras de guerra entre os antagonistas.

Recentemente alguns acontecimentos vem sacudindo o local de trabalho de determinada empresa pública por conta de uma disputa política de grupos insurgentes que tomaram o poder no grito, na verdade, na aliança com um oportunista ( o enganador) que somente veio para ganhar dinheiro em cima da tal empresa. Nem foi o primeiro e nem será o último, e ainda fazem o maior escarcéu por causa da Petrobrás...!

Nesse ínterim foi possível inclusive observar as mudanças de discursos entre aqueles que pregavam a moralidade, mas que intencionalmente manipulavam o meio para deflagrar um projeto de vingança...ainda que esta pertença ao "Senhor"! Logo de cara membros de uma associação (parceiros) usaram a boa fé objetiva de seus associados para, digamos, se dar bem - jargão local.

Houve até um que manifesta um semblante angelical (eu chamo de sonso) e que se aproveitou de uma situação de irregularidade de um processo administrativo e vendeu seu associado por vinte moedas de prata entregando a defesa deste ao falso profeta. Já, o outro, vem se perdendo em sua ganância de ascensão feito Lúcifer que quis ser igual a Deus, entretanto, eu gostaria de saber como o deus local ( Na verdade Lúcifer) pensa sobre a ganância de um demoninho qualquer que acredita estar à altura de solapar seu trono...

Montada a casa, grupo fechado, bancadas formadas o pessoal começou a se dar bem. Mas, isso não satisfaz e é preciso prejudicar outros no meio do caminho, pois que graça teria... Ademais, os discursos não passam de meras fórmulas de induzimento ao erro e desculpas pra que o insatisfeito (prejudicado) passe por endemoninhado.

Funciona mais ou menos assim: o malandro caguetou os parceiros numa situação, a chapa esquentou, então, ele sumiu do mapa, e se tornou invisível. Mas, pra quem imaginou que ele invocou Bael ou Baal o primeiro espírito da Goetia, rei que governa no leste, senhor da tempestade e da fecundidade, cujo nome vem da palavra ba’l e significa "dono", "senhor", um espírito que guarda o poder de torná-lo invisível e que reina sobre 66 legiões de espíritos infernais e manifesta-se sob variadas formas, às vezes como um homem, e às vezes de todas as formas possíveis de uma vez, está enganado.

Na verdade, ele foi até um médico e pediu afastamento para voltar (aparecer) imediatamente após ganhar um cargo de coordenador e ao que parece por um milagre já que a cura se deu de forma misteriosa: num dia ele tava doente, no dia seguinte são...

Mas, se alguém pensa que o sobrenatural parou por aí, enganou-se novamente, pois feito um teste psicotécnico o sujeito foi reprovado e não poderia auferir aquele dinheirinho fácil e bem vindo, então fez outro teste por fora e...e, bingo! Mas, outros caíram na mesma situação, porém o beneplácito não lhes atinge como se o divino não lhes fizesse merecer tal graça.

Não contente o chifrudo ainda prejudica trabalhadores com a tal restrição, o que acaba comprometendo seus proventos, pelo menos o direito à eles. E se alguém pensa que acabou, ainda há o castigo dos restritos, que são enviados para postos especializados para eles onde então se estabelece uma discriminação e o "coisa ruim" passa a demandar a vida do colega, ainda que seja um par. Agora, veja que, uma vez que a casta domine o território com demônios Cristo alerta que as tais castas não podem sair senão por meio de oração (e jejum).

Curiosamente, lá no inferno determinado demônio Segundo em hierarquia, portanto, Satã, procurou um exorcista local que estava atrapalhando seus negócios propondo-lhe uma trégua, numa espécie de acordo (subentendido) de cavalheiros. Solícito e elegante permitiu que o exorcista levasse a Lúcifer a mensagem de que não se interessava por seus negócios e que não desejava o confronto, mas que se defenderia evocando seus guardiões caso fosse necessário e, que, na verdade, já estava de saída daquele território, portanto, não teria interesse algum em atrapalhar os negócios do Diabo.

Fechado o acordo, a trégua então se sucedeu até que começou a ser rompida por demoninhos de quinta categoria - pequenos encostos xexelentos. Ontem à noite, por exemplo, um soldado raso pretendendo tomar o local de trabalho do exorcista para dormir ligou para o demônio de terceira tríade, ou menor escalão, mas que estava de chefe para que este agilizasse a sua vida. E como o Diabo é o pai da mentira, logo as coisas apareceram. Satisfeito com o resultado preliminar o "coisinha ruim", o "demoninho" com bafo de enxofre murmurou: "ele se fodeu...kkkkk!" 

É verdade, o exorcista teve que sair do seu local de trabalho pro demoninho dormir, mas o custo dessa brincadeira pode ser mais alto do que se imagina, pois demônio que mexe com exorcista não pode imaginar que este não saiba como levá-lo ao abismo...

Veja, que locais como esses, infestado e tomados por criaturas imundas só reconhecem uma linguagem que e a do açoite. E por que fazem isso? Ora, é da sua natureza! Portanto, se caíram com Lúcifer devem ser queimados com ele no fogo do inferno pelo menos é o que diz a mitologia.
Raniery



quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Aduladores

O ato de bajular, palavra que vem do latim bajulare significa adular servilmente. 

Não é difícil encontrar quem é, foi ou conhece alguém que pratica a bajulação. São denominados puxa-sacos. 

O melhor exemplo de bajulador é o funcionário de alguma empresa que, na tentativa de ganhar a confiança, crescer na empresa e/ou obter um aumento no salário, concorda com tudo que o chefe diz e é o primeiro a rir da piada contada por eles.

Estão por toda a parte, se multiplicam como vírus. Não possuem escrúpulos, nem amor próprio, brio ou personalidade - fazem qualquer coisa pra levar vantagem.

Eu tenho certeza que no momento que você se deparou com este título, alguma figura carimbada veio em sua mente, ou até mesmo um filme lhe sobreveio de alguma situação vivida. Eles são os cachorrinhos dos chefes medíocres.

São  manipulados, usados e sabem disso, no entanto, se submetem aos caprichos de tais narcisistas. Verdadeiros papagaios de pirata são os leva e trás dos inseguros e incompetentes, e podem tornar-se um problema em sua vida, até porque, são fofoqueiros compulsivos.

Embora isso soe como moralmente desprezível, por outro lado, revela algumas  facetas  da natureza humana, sobretudo, quando sob o controle de estímulos do grupo. Entrelaçados pela comunicação (boato/ fofoca) os submissos encontram na sujeição uma forma de se beneficiar ante uma figura hierarquicamente posicionada.

É o jogo político da essência primata em sua forma mais primitiva, é verdade, porém não deixa de chamar a atenção para os processos envolvidos como, por exemplo, as armações e os complôs que visam, entre outras coisas, destituir outros grupos tomando-lhes o território, por assim dizer proporcionando aos gestores de quinta categoria sempre ter à sua disposição uma safra nova de subservientes, até que a próxima repita o ciclo, sem exceções.

Conclui-se daí, que à partir do momento da deposição de uns e a assunção dos outros a retroalimentação só renova os atores num jogo sem fim. O que convenha-se não é em nada sustentável já que se esvai da mesma maneira como se constituiu. É como se embalassem o vento... 

Na verdade, tal tática não encontra mais razão de ser pela simples razão de não produzir a tão procurada eficiência nas buscada pelas organizações, haja visto, o globo enfrentar uma crise de identidade desencadeada pela incerteza de um futuro que se constrói em cima da competitividade, globalização, inovação tecnológica e mudanças sócio culturais em intervalos de tempos cada vez mais curtos.

De fato, empresas que ainda alimentam ambientes nocivos sem uma competitividade efetiva, mas predatória, acabam assinando sua própria sentença enquanto são engolidos por processos mais efetivos de condução de conflitos e produtividade dentro de um sentido ético-profissional.

Enfim, se de um lado os puxa sacos brotam da terra, de outro, sua ação não é duradoura como a do profissional que está alicerçado sobre suas competências e que no tempo e lugar oportunos terá recompensado o seu esforço.

De qualquer forma ninguém merece viver a vida rastejando sob os pés de..."gestores" de merda que exalam a sua incompetência tanto quanto os porcos o seu fedor nos chiqueiros.
Raniery