quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Aduladores

O ato de bajular, palavra que vem do latim bajulare significa adular servilmente. 

Não é difícil encontrar quem é, foi ou conhece alguém que pratica a bajulação. São denominados puxa-sacos. 

O melhor exemplo de bajulador é o funcionário de alguma empresa que, na tentativa de ganhar a confiança, crescer na empresa e/ou obter um aumento no salário, concorda com tudo que o chefe diz e é o primeiro a rir da piada contada por eles.

Estão por toda a parte, se multiplicam como vírus. Não possuem escrúpulos, nem amor próprio, brio ou personalidade - fazem qualquer coisa pra levar vantagem.

Eu tenho certeza que no momento que você se deparou com este título, alguma figura carimbada veio em sua mente, ou até mesmo um filme lhe sobreveio de alguma situação vivida. Eles são os cachorrinhos dos chefes medíocres.

São  manipulados, usados e sabem disso, no entanto, se submetem aos caprichos de tais narcisistas. Verdadeiros papagaios de pirata são os leva e trás dos inseguros e incompetentes, e podem tornar-se um problema em sua vida, até porque, são fofoqueiros compulsivos.

Embora isso soe como moralmente desprezível, por outro lado, revela algumas  facetas  da natureza humana, sobretudo, quando sob o controle de estímulos do grupo. Entrelaçados pela comunicação (boato/ fofoca) os submissos encontram na sujeição uma forma de se beneficiar ante uma figura hierarquicamente posicionada.

É o jogo político da essência primata em sua forma mais primitiva, é verdade, porém não deixa de chamar a atenção para os processos envolvidos como, por exemplo, as armações e os complôs que visam, entre outras coisas, destituir outros grupos tomando-lhes o território, por assim dizer proporcionando aos gestores de quinta categoria sempre ter à sua disposição uma safra nova de subservientes, até que a próxima repita o ciclo, sem exceções.

Conclui-se daí, que à partir do momento da deposição de uns e a assunção dos outros a retroalimentação só renova os atores num jogo sem fim. O que convenha-se não é em nada sustentável já que se esvai da mesma maneira como se constituiu. É como se embalassem o vento... 

Na verdade, tal tática não encontra mais razão de ser pela simples razão de não produzir a tão procurada eficiência nas buscada pelas organizações, haja visto, o globo enfrentar uma crise de identidade desencadeada pela incerteza de um futuro que se constrói em cima da competitividade, globalização, inovação tecnológica e mudanças sócio culturais em intervalos de tempos cada vez mais curtos.

De fato, empresas que ainda alimentam ambientes nocivos sem uma competitividade efetiva, mas predatória, acabam assinando sua própria sentença enquanto são engolidos por processos mais efetivos de condução de conflitos e produtividade dentro de um sentido ético-profissional.

Enfim, se de um lado os puxa sacos brotam da terra, de outro, sua ação não é duradoura como a do profissional que está alicerçado sobre suas competências e que no tempo e lugar oportunos terá recompensado o seu esforço.

De qualquer forma ninguém merece viver a vida rastejando sob os pés de..."gestores" de merda que exalam a sua incompetência tanto quanto os porcos o seu fedor nos chiqueiros.
Raniery

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Que Puta Sociedade!

Quando penso que são 300 bilhões de sóis na via láctea, cujo pressuposto é o de serem orbitados por respectivos planetas, no caso 50 bilhões (rochosos como a Terra) e que 4 mil desses planetas – com a possibilidade de abrigar a vida - já foram identificados por nós, fico esperançoso quanto à nossa missão na parte que nos cabe.

Isso nos leva a imaginar sobre as possibilidades de vida inteligente que, na pior das hipóteses, seria igual à que desenvolvemos por aqui. 

Considerando, numa projeção, que para cada estrela como o nosso Sol, haja a mesma quantidade de galáxias (300 bilhões), numa determinada zona limítrofe, então, por mera dedução lógica, poderíamos concluir afirmativamente sobre a existência de vida extraterrestre em quantidades consideráveis...

Para se ter uma ideia, se reduzíssemos isso a uma proporção em escala, só para a quantidade de sóis, teríamos que acumular, proporcionalmente, em toneladas de areia, o equivalente a 30 toneladas, por alto. Cada grão de areia, portanto, corresponderia a uma estrela, como o nosso sol, por exemplo. 

Diante disso, fica a esperança de que em algum rincão do universo, aqui mesmo no nosso quintal galáctico, deva existir uma civilização evoluída, a ponto de fazer valer o investimento que o BIG BANG teve.

Isso porque lamentavelmente nos causa profundo pesar assistir ao show de horrores patrocinado pelos "coxinhas" e seu apoio aos bandidos que deflagraram o Golpe contra a democracia brasileira manifestando um tipo de comportamento agressivo e bizarro contra quem não pensa como eles. O que em nada é visto como inteligente.

Isso ficou evidenciado após o lamentável episódio de agressão físico/ verbal à atriz Letícia Sabatella me levando a refletir sobre alguns elementos que compõem o substrato da sociedade brasileira. 

Não que isso seja relevante, até porque essa gente nem merece o esforço, afinal de contas pretendem evocar para si a alcunha de guardiões da verdade absoluta, mas porque pretendi com isso elaborar alguma interpretação do mundo em que vivo, ainda que turva e precária. 

Iniciei minha reflexão a partir de elementos constituintes simples da realidade prática, como, o da ordem econômica, por exemplo; ainda mais, porque todo o discurso fascista parece centrado nele.

Partindo daí, o que se sabe é que os elementos constituintes básicos desse sistema são os chamados agentes econômicos formados pelas famílias, pelas empresas e pelo Estado, num modelo simplificado, evidentemente. 

Ora, dentro desse raciocínio passei a retirar inúmeros insights do comportamento animalesco dos “Coxinhas” – apesar de que nem precisaria de tudo isso, afinal de contas, o episódio retrata, por si só, e, muito bem, o perfil desse tipo de gente. 

Sabe-se, entre outras coisas, que para a manutenção de um sistema capitalista, cuja origem é o liberalismo, se faz necessário um ciclo de feedback que determine o seguinte processo: 

O Estado, criação da sociedade, sob o consentimento desta, coordena a vida em grupo (pelo império das leis) onde, cada indivíduo, abre mão de parcela de sua liberdade e a entrega ao ente estatal que, assim, adquire um superpoder que deverá ser usado em benefício e na proteção de todos. 

Com isso, seria possível a manutenção da vida em grupo. O Estado, por sua vez lhe entrega um quinhão de liberdade, como a da livre iniciativa, ao custo dos tributos cobrados para tal. Com a renda advinda do pagamento de taxas, impostos, e outros, realiza seus programas sociais (é para isso que o Estado existe) que pretendem equilibrar a desigualdade criada pelo acúmulo de capital. 

Das idas e vindas, erros e acertos e, ainda os devidos ajustes, ficou evidenciado que é, sim, necessário a intervenção estatal nessa relação, ainda mais, devido a tendente e insustentável ganância humana.

Pois bem! Elaborada a visualização acima, voltemos aos fatos e circunstâncias pertinentes de nossa sociedade. 

Baseie-se nos dados fornecidos pela Receita Federal, por exemplo, constatando que os brasileiros possuem uma característica de “sonegadores de impostos”.  Esses, por outro lado, se defendem dizendo que nossa carga tributária é enorme e não há o retorno disso em programas sociais que beneficiem a todos; ademais, segundo seus argumentos, o Governo administra mal os recursos, sem contar com a corrupção que dilui os investimentos em áreas prioritárias como saúde, educação e infraestrutura.

Outra evidência, é que o Brasil nunca teve uma tradição liberal, sendo praticamente obrigado a aderir aos tais princípios ideológicos, sem nem mesmo saber como lidar com eles, embora adotasse o chamado (maldito) “jeitinho brasileiro”, dentro de uma cultura de coronelismo onde a estratificação social se manifesta pelos abismos oriundos da má distribuição de renda como demonstram bem os dados estatísticos do principal órgão brasileiro que realiza a tarefa de levantá-los: o IBGE. Ainda que isso tenha melhorado muito de 2002 para cá, segundo seus próprios dados.

Curiosamente, é desse mesmo grupo, dito de “elite” (minoria) ou das chamadas famílias “tradicionais”, isto é, daqueles que se julgam superiores em gênero, classe, e raça é que emergem as críticas aos programas sociais (obrigação constitucional dos governantes) que visam tirar o indivíduo do estado de miséria e reconduzi-lo ao status de cidadão - apto a exigir direitos e cumprir com obrigações. 

Mas, me respondam os truculentos agressores da atriz ativista: como podem ser tão patriotas (“...já que sua bandeira jamais será vermelha”) se não conseguem cumprir com o mínimo que exige a Constituição como, por exemplo, respeitar a opinião e a ideologia diversa; ou, como podem sonegar, já que esta é a condição que o Estado (objeto de patriotismo) impõe para a liberdade de livre iniciativa; ou, como podem criticar tais programas sociais que estão elencados como normas programáticas em nossa Carta Magna - símbolo maior de nossa soberania e objeto de culto...patriótico? Ademais, tudo isso é ideologicamente liberal (base do sistema capitalista) fruto de um posicionamento pela liberdade...

Percebe? É do discurso do estulto que deriva a contradição de seus argumentos. Não há patriotismo algum. Não há intenção alguma de seguir qualquer ideologia - ainda que liberal. 

O que há, é um ódio a democracia que prevê o equilíbrio pelo Direito entre os seus cidadãos que são colocados no mesmo patamar perante as leis; 

O que há, é a repulsa da patroa que não aceita ver o filho boêmio sentado nos bancos acadêmicos ao lado do dedicado filho da lavadeira; 

O que há, é a xenofobia ao nordestino que deixou de ser pedreiro e divide o trânsito em seu veículo ou viaja de avião sentado ao seu lado;

O que há, é o repúdio ao negro que ascendeu socialmente e que (para eles) deveria estar sendo estapeado por algum policial abusivo numa esquina erma qualquer, desaparecendo logo a seguir, sem ser nunca mais visto pela família;

O que há, é o ataque àqueles que optam por outra forma de se relacionar interpessoalmente, que não a tradicional, a despeito que, na calada da noite, buscam – os agressores – sentir a respiração do objeto de sua fúria em sua nuca.

O cerne por trás do aviltamento à atriz, são as marcas de uma sociedade hipócrita onde determinados parasitas necessitam se empoleirar sobre alguém para se estabilizar socialmente; está na dissimulação de gente que se veste bem, fala bonito, usa perfume caro, mas que corrompe e se corrompe e parte para a ostentação e o egocentrismo, ou, mesmo, da ignorância gratuita de imbecilóides que não são capazes de discernir o que acontece a um palmo de seus narizes. 

No instante em que aquela neurótica vociferava contra a atriz dizendo palavras de baixo calão... “sua puta, você é puta! ”, fico imaginando se inconscientemente ela não estava lembrando da filha que teria se filmado masturbando-se para o namorado (Nude) - filho de desembargador - que espalhara os vídeos pela internet, manifestando assim, por projeção, o seu recalque.

Aliás, gostaria de submetê-la (e os “coxinhas” também) aos cuidados do personagem de HQ da DC Comics Rorschach cujo rosto é um espectro que simula os borrões de tinta do famoso teste de Rorschach que é uma técnica de avaliação psicológica ou teste projetivo, ou, ainda, método de autoexpressão.

O tal teste consiste em dar respostas sobre com o que se parecem as manchas de tinta simétricas. A partir das respostas, procura-se obter um quadro amplo da dinâmica psicológica do indivíduo.

Como todos os testes projetivos, baseia-se na chamada hipótese projetiva. De acordo com essa hipótese, a pessoa a ser testada, ao procurar organizar uma informação ambígua, projeta aspectos de sua própria personalidade. O intérprete (ou seja, o psicólogo que aplica o teste) teria assim a possibilidade de, trabalhando por assim dizer "de trás para frente"(engenharia reversa), reconstruir os aspectos da personalidade que levaram às respostas dadas.

A hipótese projetiva baseia-se no conceito freudiano de projeção: um mecanismo de defesa, através do qual o indivíduo atribui de maneira inconsciente características negativas da própria personalidade a outras pessoas.

Walter Kovacs foi um típico herói fantasiado (se é que existe tal coisa) até que um dia ele descobriu um crime tão horrível (a menina foi seqüestrada, e quando o sequestrador percebeu que ele iria ficar sem dinheiro para ela, ele a matou, picado seu corpo e alimentou-a aos cães). Naquele dia, como ele explicou a seu psiquiatra da prisão, Walter Kovacs morreu e Rorschach nasceu.

O superpoder do personagem é exatamente esse: trazer à tona o que o subconsciente esconde por trás dos recalques que, no caso em questão, revelaria a verdadeira face da agressora e dos coxinhas em geral imersos em seu mundo dissimulado de autoengano.

Então, veja:  nada disso tem a ver com crimes contra o patrimônio, falcatruas, desvio de dinheiro público, imoralidade etc. Fosse assim, haveria um clamor social para que todos os envolvidos em tais investigações tivessem o mesmo tratamento que o partido da situação está tendo, como os tucanos, por exemplo, que invariavelmente são citados em inúmeras investigações e são blindados pelos órgãos de investigação e poupados pela imprensa tendenciosa e adornados por essa gente medíocre. 

Mas, não! O que se vê é a aquiescência a uns e o ódio desproporcional a outros; o que se vê, é a prostituição das instituições públicas que se colocam à disposição da perseguição política através dos populares pseudo juízes heróis, ou de Tribunais de cartas marcadas, ou de polícias judiciárias maculadas que venderam o país por vinte moedas de pratas...

Tudo isso desaguando, na neurose da mulher corneada, que ataca àqueles que não se sentem obrigados a seguir o gado por terem a capacidade crítica de analisar o meio em que vivem. 

Me contestem, os mais inflamados, mas não foi o atual governo golpista que recentemente assinou ajustes de salário bilionários a esses mesmos órgãos ainda que defendesse um discurso de austeridade? 

Me parece que isso soa como um acordo escuso onde o golpista se comprometera com aqueles que movimentaram a máquina estatal nessa armação já descortinada internacionalmente.

Na verdade, nem é o ódio ao partido de esquerda que move os alienados coxinhas (desculpe-me a redundância), mas é o ódio àqueles que eles consideram indignos de cidadania a sua motivação.

Pois, quando a desequilibrada senhora diz que a bandeira é dela percebe-se o desprezo aos outros milhões de cidadãos que estão sob o regime jurídico tutelar das garantias e direitos individuais e coletivos que ela (a bandeira) simboliza e que, portanto, não é posse de nenhum (a) neurótico (a) fascista.

A opinião é dela. A nação, não! Também dela não é a Constituição, nem a cidadania ou a bandeira que, ao contrário, é de todos os que vivem em território brasileiro.

Enquanto os seqüelados histriônicos balbuciam palavras desconexas projetando a espuma que sai dos seus berros delirantes, numa referência a estrela comunista, ainda que afaguem as cinquenta estrelas da outra bandeira, a bandidagem que eles protegem pilha o país e entrega nossa riqueza de mão beijada aos gananciosos.

Portanto, me solidarizo com a atriz global e me indigno e repudio a decisão de determinados grupos em pretenderem impor suas vontades sobre os outros, replicando as palavras da Letícia: “vocês não são democratas! ”

Por fim, prefiro olhar para os céus e imaginar que lá em cima exista algum ser evoluído o suficiente para não pagar um mico desses e fazer valer este tão rico e diverso Universo num formato de inteligência melhor do que isso que venho presenciando por aqui.

Raniery




quarta-feira, 27 de abril de 2016

Síndrome de Sardinha


Vejamos se conseguimos intuir algo acerca do comportamento atual dos brasileiros com base em teorias fundamentais de cientistas
consagrados.

Sobreveio-me a possibilidade de haver um nexo convergente a partir de quatro pontos hipotéticos: de um lado, há as teorias do inconsciente coletivo de Freud; de outro, a incerteza de Heisenberg e o caos dos fractais; num terceiro ângulo, temos os movimentos aleatórios dos cardumes em sua dança sincronizada de reações instantâneas, e, por último, as recentes descobertas da neurociência acerca da conectividade neural.

Freud, grosso modo, afirmou que há um inconsciente coletivo, fruto da nossa evolução, que nos faz compartilhar dos arquétipos num nível imperceptível e que somente por alguns processos heterodoxos se consegue trazê-los à tona.
Por sua vez, a teoria do caos certifica que o aleatório se reproduz a partir de uma fonte matriz, a exemplo das florestas, onde, partindo dos modelos matemáticos dos fractais, se provou tal hipótese - sendo válida a afirmação de que há ordem no caos.

Seguindo numa inter-relação, a partir da observação dos movimentos dos cardumes constata-se a beleza plástica do caos e da aleatoriedade em movimentos dinâmicos e precisamente reativos que formam um novo ser composto de um sem números de indivíduos.
Esses, por sua vez, perdem a identidade naquele “bololô” todo. Entretanto, acabam ganhando um elemento de defesa frente aos “predadores” - justificativa.

Por fim, e, arrematando minha teoria, temos a nossa estrutura
neural funcionando como antenas receptoras/ emissoras que, por sua
vez, se conectam, hoje em dia, instantaneamente a internet, meio de tráfego disso tudo. Tal meio poderia ser confundido como um quinto elemento, embora, componha uma das estruturas da teoria das comunicações: o canal – forma de tráfego da mensagem.

O Twitter recentemente descobriu algumas características intrigantes de tal fenômeno baseando-se em algoritmos estatísticos das “hashtags”. Constataram que instantes antes a eventos dramáticos havia um aumento de determinadas “hashtags” que agiam como um pressentimento do que estava por vir - inconsciente coletivo.

Outrossim, podemos muito bem, estar julgando pessoas como alienadas, que não conseguem processar seu senso crítico, mas que na verdade, estariam manifestando conexões como as de um cardume amedrontado reagindo, portanto, pelo medo – o que nos faria deduzir que não seriam pessoas racionais, sensatas, mas idiotas que não possuem a menor capacidade de leitura de seu meio.

As organizações midiáticas representariam, sobretudo, os fatores de influência que desencadeariam os movimentos sincronizados que, então, seriam interpretados como perigo. Tais reações, é sabido, devem funcionar instantaneamente (instinto) e não utilizam a razão, pelo simples fato de estarem ligadas aos mecanismos de sobrevivência, o que é explorado por tais mídias, segundo os interesses de sua linha editorial.

O ponto ilusório é que o cidadão sob manipulação, acreditaria estar processando as informações criticamente, quando na realidade, manifestaria, outrossim, a programação implementada, afinal de contas está sob o continuo bombardeio de ideias que, em determinado instante, atuarão como verdade sob o manto do inconsciente.

Notei também uma impressionante similaridade com as sardinhas por ocasião das manifestações contra o atual governo. Uniformizados com a camisa da seleção brasileira de futebol, os “Coxinhas” integraram o aspecto visual de descaracterização individual e, simultaneamente, de integração típica dos cardumes. Houve até uma cena hilária de uma ridícula dancinha de um grupo demonstrando o sincronismo característico de tais grupamentos de peixes.

Os políticos corruptos do parlamento tomaram proveito disso por ocasião da votação do impeachment da Presidenta que viralizou pelo mundo extraindo o senso de ridículo que chegou a constranger o mais radical “Coxinha”, por conta dos surtos de faniquito dos parlamentares que, em alguns casos, vieram a ser desmascarados nos dias subsequentes em razão de envolvimentos com ilícitos e corrupção.

De outro lado, dois episódios me chamaram a atenção, por esses dias, que demonstram a má fé dos meios de manipulação em massa: dois âncoras da mesma tevê, ao vivo, não conseguiram disfarçar sua intencionalidade cometendo atos falhos que denunciaram a contradição de seus discursos.
Um, na tentativa de induzir o telespectador sobre a presidenta Dilma Rousseff (pensou) falou o nome de outro presidente (FHC) - conhecidamente apoiado pela emissora; ele contradisse sua colega que, numa atuação digna de uma atriz ganhadora do Oscar, lacrimejou ao afirmar que o jornalismo daquela equipe era isento e compromissado com a verdade. De fato, a história provou tal mentira.

Sendo assim, a pessoa inconscientemente reproduz um sentimento compartilhado (estímulo/ indução) acreditando que é fruto de um pensamento seu. Isso, faz sentido? Não seria uma possível explicação para tanta gente tapada junta?

De qualquer forma, tal fenômeno não poderia ser usado pelas pessoas como desculpa por negligenciar seu senso crítico quanto a realidade da vida em sociedade, embora o façam indiscriminadamente - o que é explorado pelos manipuladores de massas.

Evidentemente, e para fazer justiça, tal fenômeno não é privilégio somente dos “Coxinhas”, mas acontece em qualquer tipo de cultura humana, haja visto, o próprio povo alemão ter sido induzido por um genocida e seu fiel escudeiro de propaganda de guerra ao esfacelamento social que desgraçou uma nação. Aliás, muito parecido com o que alguns órgãos públicos e a mídia marrom faz por aqui.

Motivação (indução) pelo medo...é o que eu penso. E isso, bloqueia nosso senso de percepção crítica. Destarte, acabaríamos agindo como peixes em cardume, o que é, outrossim, de um reducionismo impressionante, nada digno dos nossos 20 bilhões de neurônios. Ora, tal comportamento não é mais adequado às sardinhas e seu primitivo cérebro, ou, não...?
 
Por fim, e arrematando, a própria comunidade e mídia internacional se deu conta do golpe em curso que segue aqui no Brasil onde um governo formado por uma quadrilha de bandidos pretende solapar o poder de forma ilegítima numa armação digna dos filmes de grande orçamento de Hollywood.
Mesmo assim, ignorando tudo, o “Coxinha” se mantem fiel ao “seu ponto de vista” e não muda porque isso significaria reconhecer o seu erro diante daqueles que alertavam para a destruição da democracia no país. Isso se explica pelos estudos e pesquisas que identificaram um irresistível grau de comprometimento que o grupo impõe ao indivíduo que, então, cede subservientemente.

Concluindo, por trás da futilidade e vazio intelectual de um “Coxinha” se esconde um complexo fenômeno de síndrome de sardinha.

Raniery

terça-feira, 1 de março de 2016

Razão De Ser

Pessoas são um dos elementos das organizações que não funcionariam sem elas. Por outro lado, vivemos e morremos dentro delas estabelecendo assim uma interdependência que, por sua vez caracteriza as sociedades.

Não é curioso, outrossim, que mesmo após tanto tempo as organizações parecem não entender esse elemento tão importante para as suas atividades? Na verdade, ignoram deliberadamente toda uma ciência que vem estudando e produzindo conhecimento acerca do assunto, isto é, o comportamento humano nas organizações?

Particularmente penso que isso tem mais a ver com a incompetência de seus gestores, sobretudo, na esfera pública, salvo (gratas) exceções, que graça ainda em fornecer ao contribuinte processos ineficientes e onerosos que se distanciam de suas finalidades e que nada mais são que cabides de empregos de gente não menos parasita.

Por outro lado, ler pessoas não é tarefa fácil nem para os especialistas que dirá para os gestores de empresas em geral. Não quer dizer com isso que não deva ser feito ou que se justifique a negligência da tarefa.

Evidentemente que não poderá ser feito por gente despreparada ou para ambientes desprovidos de qualquer cultura organizacional estruturada para isso. Aliás, nestas cascas vazias o que impera é a cultura do “esquema”, do “medo”, da “punição”, enfim, não seriam capazes de se atingir o mínimo e propor uma mudança organizacional devida.

Por isso que se tem tantos casos de assédio moral em lugares como esses, pois quem os dirige são pessoas desqualificadas que adoecem tais entidades que muitas vezes se mantêm em pé graças a uma situação privilegiada de monopólio das atividades, mas que se enfrentarem um momento de transição sucumbirão e levarão consigo todos os que estão nela.

Nessas organizações zumbis não existe qualquer preocupação em se entender o comportamento humano pelo simples motivo de não se importar com ele. Este é um conceito que só encontra importância em organizações produtivas cujo resultado é buscado dentro de ambientes competitivos onde questões motivacionais ganham relevância diante dos objetivos e metas planejados. Em suma se utilizam desses conhecimentos em prol de processos organizacionais mais eficazes e eficientes.

Sendo assim, cientistas e pesquisadores criaram um subsistema interdisciplinar produzindo farto conhecimento em comportamento organizacional que, entre outras coisas, estuda a influência que o indivíduo, os grupos e a estrutura da empresa (vista como um organismo vivo) exercem sobre o comportamento humano dentro das organizações para com isso melhorar os processos gerenciais.

Mas, como um falso amigo diria: eu sou ideológico demais. Aliás, ele é fruto da abdução que tais organizações ultrapassadas alienam, desconstruindo qualquer ideia de valor, ou mesmo, juízo de valor que se busque aprender, pois se tornaram um fim em si mesmo e, como os Goléns do folclore judaico, somente existem pra continuar a existir. Não possuem senso de finalidade, objetivo ou razão de ser, mas se agarram a toda e qualquer forma de absorção de energia que as mantenham seguindo adiante.


Em um mundo em constante e frenética mutação não faz nenhum sentido a existência de massas disformes como essas, que atuam na superfície, desprezando seu capital humano em razão de interesses particulares ou escusos, pois, é muito oneroso à sociedade e ao indivíduo, em razão do qual tudo nesta engrenagem funciona.




Raniery

sábado, 21 de novembro de 2015

Entre Parênteses

“Inveja é um sentimento que nos impede de ter acesso às coisas boas da vida. ”

“No fundo da inveja existe uma profunda baixa estima, encouraçada por um orgulho que visa a fornecer uma ilusão de onipotência. ”

”O invejoso deseja aquilo que eu tenho de bom, ou destruir o que eu tenho de bom. “

Dia desses eu estava fazendo uma sessão de oração ritual para evocar entidades específicas para que criassem uma fortaleza de proteção ao redor de minha família contra a energia impura de parentes invejosos enviando-a de volta a eles e reforçando a lei cármica do retorno para que não ficassem sem a devida “lição”.

Não que pessoas assim aprendam, já que vagam numa vida errante deixando um rastro negativo por onde passam, onde tocam e com quem se relacionam. E olha que estes, em questão, já foram castigados inúmeras vezes e de forma dura...

A inveja, um dos pecados capitais, demonstra muito bem uma das tantas características, digamos, não muito belas de nossa natureza humana.

Se isso amenizar, podemos alegar que este é um mecanismo evolucionário que herdamos de nossos ancestrais primatas, mas que se pulveriza quando confrontado com o fato de sermos mais complexos que eles, sobretudo, na categoria cultura. Afinal, desenvolvemos um senso moral como elemento da ética.

O invejoso vive um dilema contínuo, pois se vê ameaçado pela sombra do outro – objeto de seu distúrbio- que procura, então, imitar, mas que no máximo consegue se tornar uma caricatura malfeita. Ou seja, odeia o outro ao mesmo tempo em que quer se apropriar dele: quer ser o outro e odeia a si mesmo, senão não quereria ser aquele.

Essa sua inadaptação tem a ver com o modo como o invejoso constrói sua visão de mundo. Se na sua infância, seus pais não lhe deram o suporte correto, incutindo-lhe uma ideia de vulnerável, de vítima ou de coitado, não lhe mostrando como conseguir as coisas por si mesmo, então, na vida adulta, tenderá a reproduzir tais distorções, culpabilizando sempre os outros por seus fracassos e racionalizando a inveja como forma de se vingar.

Outra característica interessante do invejoso é a de agir como “sonso”. Se faz de bobo, de que não sabe de nada, e, que não está fazendo nada de mais. O que demonstra, na verdade, o seu real índice de perversidade, dada a sofisticação de atitudes que a dissimulação exige.

A intriga e a desagregação é o seu esporte preferido. Competem pela fragmentação, pois só atingem a linha de chegada quando conseguem causar a separação. Isso os alimenta. É o seu combustível. Sentem-se energizados quando sugam a harmonia dentro de uma filosofia desintegradora. Se não puderem ser você ou ter o que você tem podem optar por tirar o que é seu. Esta é a sua natureza mórbida.

Não à toa, os encontraremos aos montes entre parentes. Aliás, palavra muito parecida com o recurso linguístico (entre) “parênteses”. De fato, o invejoso acaba sendo um adendo e não o sujeito ou objeto da ação, pois ele nunca... é ele, pois vive à sombra do outro.

Freud demonstrou o conceito de sombra, como sendo o daquelas questões não resolvidas que mandamos para o subconsciente e que retornam em forma de projeções, como os recalques (termo que não foi criado pela cultíssima Valeska Popozuda).

Todo mundo tem um irmão que não se esforça e que a mãe e/ ou o pai “passa um pano” e daí o infeliz, ou fica na jugular deles, ou cria um mundo imaginário de competição com o irmão que deu certo. Chega a ser constrangedor, no entanto, pois a família finge (que é esfinge), que não vê e que nada está acontecendo e o “sonso”... fazendo aquela cara de paisagem.

Faça um teste e passe a observar a vida do seu invejoso predileto. Tudo o que faz, não dá certo. Por onde passa, deixa um rastro negativo. Parece coisa, mas sempre estão envolvidos em alguma patifaria sob a conivência e cobertura do pai ou da mãe que se esforçam em tentar demonstrar aos amigos o oposto do que o filho realmente é, sem, contudo, convencê-los. As pessoas do círculo de amizades também fingem que acreditam na encenação para não os magoar, mas tecem seus comentários pelo grupo.

A inveja é uma doença tão desgraçada que passa de pai para filho e de geração para a geração, por isso chegou intacta a nós até os dias de hoje. Enfim, coisas da vida, com as suas idiossincrasias e subjetividades.

Bem, se não há como impedir que o invejoso dilua sua gosma enquanto rasteja por aí, todavia, pode-se devolver a energia infecta com um bom ritual de banimento fechando o caminho de volta deixando-o protegido pelos guardiões habilitados é assim potencializar a lei do retorno...que entre outras coisas ata os pés do invejoso, aliás, literalmente, como pude vê-lo arrastando sua bunda no chão por não poder andar.

Veja a razão da maldição que sobrevém sobre aquele que pratica a inveja que é considerada a pior espécie de magia negra:

Está lá na Bíblia em Provérbios 06

11.    “Assim sobrevirá a tua pobreza como um ladrão, e a tua necessidade, como um homem armado.

12.    O homem invejoso, o homem vil, é o que anda com a perversidade na boca.

13.    Acena com os olhos, arranha com os pés e faz sinais com os dedos.

14.    Perversidade há no seu coração; todo o tempo maquina mal; anda semeando contendas.

15.   Pelo que a sua destruição virá repentinamente; subitamente, será quebrantado, sem que haja cura.

16.    Seis coisas o Senhor aborrece, e a sétima a sua alma abomina:      

17.    Olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente.
       
18.    E coração que maquina pensamentos viciosos, e pés que se apressam a correr para o mal.

19.    E testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos.

Então, perceba, você que está sendo vítima da inveja, que é nesta base mística que se pode evocar os elementais para irem de encontro ao invejoso e puni-los.

Se você entendeu bem, o texto declara que as portas da aura deles ou os seus chacras encontram-se vulneráveis, pois não há proteção para gente perversa, seja ela da religião que for, pois a inveja é repudiada neste tipo de universo.

Por isso que toda vez que o nosso invejoso favorito se manifesta, nós nos divertimos por vários motivos:

Um deles é que o usamos como indicador de que estamos no caminho certo e o outro é que logo após a sua manifestação ele começa a se arrebentar. Não teve uma única vez que isso falhou.

Curiosamente identificamos um padrão comportamental nele que é interessante compartilhar: a cada arroubo de energia escura de inveja, seguida das correspondentes atitudes, há um intervalo de sonsera, onde ele se finge de bom, de que quer a harmonia, mas é tudo encenação.

Isto funciona assim para que ele possa se fazer de vítima entre os conhecidos, mas só na cabeça dele, pois a esta altura do campeonato todos já sabem que ele possui tal distúrbio e as pessoas chegam a nos perguntar quando ele finalmente irá amadurecer e viver a própria vida.

Eu prontamente respondo que...nunca! Acontece que há um espírito obsessor, uma energia parasita que fora criada por ele e que o infecta, agarrando-se a existência, ganhando força a cada vez que ele manifesta a inveja, ou seja, dificilmente haverá libertação e esta demandará muito jejum e oração para ser expulsa. 

Bem, eu poderia fazer isso (liberá-lo), mas...não quero, pois, a maior punição para gente assim é ficar sob a guarda destes verdugos espirituais e nunca progredir na vida.

Enfim, sou da opinião de que a inveja é o pior negócio para as nossas vidas. Bom, é torcer tanto pelos amigos quanto pelos inimigos, enquanto que aos primeiros isso se dá pela nossa admiração ou pelo nosso amor a eles; quanto aos segundos, tem a ver com o nosso sossego, nossa paz, já que não precisarão ficar ocupados conosco. Infelizmente os invejosos não se encaixam em nenhum modelo restando a eles a tortura mesmo.


Aliás, que inveja eu tenho dos torturadores de invejosos...
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Raniery

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

O “Qualquer Um” e o “Gestor”


Se há uma área do conhecimento humano que influencia a vida das pessoas é o da Administração. Decorre disso, portanto, que o administrador é a mente por trás de todo este processo e consequentemente exige-se dele a completa competência entre a evolução e transformação de todos os elementos componentes.

A retórica do momento é a de que vivemos um momento de incertezas e instabilidades oriundas dos constantes fluxos de transformações que as economias do mundo enfrentam- o que permite que o medo se instale no imaginário de nossas sociedades em face de um futuro incerto e desconhecido.

E é exatamente em razão disso que os especialistas se ocupam em produzir mais conhecimento com a finalidade de se adaptar às conjunturas intervenientes. Some-se a isso a insaciável demanda pelo consumo oriunda de uma natureza humana que jamais encontra satisfação criando impactos nocivos ao meio ambiente e se terá uma ideia do desafio que homens, sociedades e organizações têm em mãos.

Há quem diga que administrar é uma arte, no entanto, o que se vê é uma escassez de gestores hábeis, talentosos e competentes com uma verdadeira visão holística do ambiente em que suas organizações se situam.

Veja o trecho deste texto acerca da necessidade de se investir em conhecimento:

"Sobrevivência e Mortalidade de Empresas Paulistas”

De acordo com o levantamento Sebrae-SP (2010), de cada cem empresas abertas, 31 não ultrapassaram o primeiro ano de atividade e apenas 40 sobreviveram ao quinto ano. Entre os fatores determinantes da mortalidade dessas empresas, a deficiência na gestão empresarial, que reúne, entre outros aspectos, o controle de finanças, custos e fluxo de caixa, está entre os cinco principais grupos de problemas detectados.

Se a Administração, uma das mais complexas áreas do conhecimento humano,  atualmente é uma ciência, no entanto, não se pode dizer que é algo novo, pois a história registra a sua identificação desde a antiguidade, logo, é possível dizer que é irrazoável aceitar que não se utilize os métodos e conhecimentos comprovados pela experiência permitindo que o amadorismo e o improviso ocupe o espaço consagrado desta ciência

Se a sua área está cheia de desafios e complexidades, pois lida com Produção, Finanças, Pessoal, Marketing, em varias modalidades e especialidades, a ciência administrativa, por outro lado, busca na competência de seus gestores justamente fornecer às organizações os meios pelos quais poderão tomar decisões com o mais apurado grau de índice de acertos, não se descartando, obviamente, os riscos inerentes e as imprevisibilidades decorrentes de uma miríade de fatores intervenientes.

E é isso que o competente gestor procurará fazer, isto é, harmonizar com maestria as inúmeras ferramentas que estará à sua disposição fornecida pela Administração.  Esse é o mínimo que se espera. Mas há quem pense o contrário!

Ora, os aventureiros são pessoas que se admitam portadoras de um otimismo exacerbado capazes de desprezar todo o arcabouço de conhecimentos acumulados em nome de seus “moinhos de ventos”. O problema disso é que geralmente carregam consigo para o vento justamente os recursos escassos pelos quais lhes fora confiado administrar.

O mundo se transforma em ciclos cada vez menores e a velocidades cada vez mais insanas, porém, tais Doms Quixotes acreditam inocentemente serem os portadores de uma sabedoria hermética que ao levantar de suas varinhas de condão criarão realidades fantásticas como aquelas que se encontram no claustro de suas demências.

Já a nova administração fixa a sua residência na operacionalização rápida, de baixo custo e de alta qualidade decorrência de analises mais rigorosas de procedimentos e objetivos cuja tradução não permita a confusão entre eficiência e eficácia.

O tempo urge pelo dinamismo e não pela paralisia dos paradigmas antigos num chamado aos novos e mais eficientes padrões que simultaneamente não se tornem um entrave para a realização de novos objetivos.

O foco da administração está na estratégia, na capacidade em fazer, na argúcia, na capacidade crítica e analítica, na antecipação pelo planejamento, em responder questões básicas do quando, onde e porque fazer; não se confunde, portanto, com a gestão, fase importante nos resultados administrativos, situado na zona tática, próxima dos conflitos e do paradigma.

Então, veja você que algumas questões mais complexas como a do assédio moral- nosso tema central- encontra na incompetência de pessoas que em tantos casos são indicadas para ocupar cargos de gestão (pública ou privada) e degeneram uma série de improbidades e inconsequências que desestabilizam as organizações que se tornam vítimas destes charlatães.

Alguns deles são criaturas folclóricas e narcisistas que adoram os holofotes que se enchem de pompa e que propagam um sem número de feitos e qualificações, mas nada disso reflete de forma positiva entre os seus liderados. Aliás, liderança é força de expressão pra tiranos disfarçados de gestores. Na verdade, eles infectam as organizações causando-lhes prejuízos  ou mesmo levando-as à insolvência.

Diante disso fica claro que gestão não é coisa pra aventureiros, pois o lugar de gente folclórica é no circo e não conduzindo organizações. Então, é quase uma condição matemática que tais criaturas irão disseminar todo tipo de inadequações, entre elas o assédio moral.

Por outro lado, cabe às organizações escolherem com mais critérios seus gestores e não permitir que anomalias as solapem em prol de seus interesses particulares à revelia dos interesses das entidades e, no caso daquelas que são públicas, muito pior já que viola o interesse da coletividade que é a razão de ser de suas existências.

Enfim, na minha visão há dois tipos de pessoas que ocupam o cargo cuja definição se encontra entre a de gestor: o competente e o “coisa” qualquer. É exatamente destes dois tipos que uma organização ou evoluirá ou soçobrará.
Raniery

terça-feira, 9 de junho de 2015

A Moral da Sacanagem

Logo cedo, lá na tenra idade, nossos pais e posteriormente a escola, interferem em nosso processo de desenvolvimento em função da forte estrutura moral que a sociedade nos impõe dentro de outra super-estrutura denominada Cultura. 

É uma estrutura dentro de outra estrutura e assim por diante. Esgotado isso o que sobra é a derradeira estrutura formada pelas instituições estatais como a justiça e suas leis dentro da (estrutura) jurídica ou de Direito.

Mas, após algum tempo e durante o nosso crescimento como perceberíamos tal complexidade? Afinal de contas, éramos somente crianças sem entender toda esta engrenagem maluca! Aliás, cá pra nós, nem após nos tornarmos adultos entendemos toda esta geringonça chamada de sociedade...!

E outra, além de ser uma construção histórica, lá dos tempos anteriores ao das “botas perdidas por Judas”, que isso, é também, um esforço conjunto e herdado de gerações e civilizações anteriores e continuaremos o processo. Ou seja, nós produziremos hoje o que o “José” fará amanhã, não o amanhã logo ali, mas daquele amanharão distante no futuro que nem se sabe como será, e se será.

Pra falar a verdade só de pensar nisso já fiquei exausto e nem é isso que eu estava refletindo no começo, porém não teria outra forma de introduzir o assunto sem o devido contexto de coesão.

Voltemos às regras morais que nos são ensinadas para que possamos nos integrar socialmente. Uns povos são mais rigorosos que outros neste quesito e até entre regiões vemos tais intervalos de graduação. Fora o fato de que o que é moral em determinado lugar não o é em outro, daí a dificuldade de se categorizar especificamente os atos em si.

Partindo do local onde me encontro e evidenciando a distinta realidade que é a brasileira permito que meus processos de abstração tentem decodificar o que se passa neste lugar insólito. Se pra mim que sou um filho da pátria (ei...não pense isso, ainda mais de minha saudosa mãe) é difícil, imagine pro meu amigo leitor de outro país! Viu só como se prova a generalidade do assunto?

Doravante vou restringir ainda mais a ideia a um nível ainda mais elementar que é o das relações de trabalho por aqui. Ainda mais com a aprovação das modificações relativas à terceirização da mão de obra que estão invadindo os comentários e sono dos trabalhadores brasileiros. A apreensão é justa já que aquilo que se conquistou enquanto direito e garantia vai pelo ralo abaixo sob a desculpa de competitividade.

Só que eu disse que restringiria o assunto ao máximo limite pra poder permitir ao leitor desta postagem saber o que penso sobre determinados comportamentos humanos, ainda que nem concorde comigo sobre isso.

Houve um ilícito cujo resultado impactou a produção de determinados grupos que solicitaram aos devidos responsáveis uma tomada de providências. Tais ações foram tomadas ignorando o que a normatização diz, sobretudo, nos direitos e garantias que serão lesados. É o papel que se espera de quem defende os interesses dos mais poderosos, sobretudo, se envolver um poderio econômico em jogo. O que não se entende é que justamente quem será lesado em longo prazo ignore ou despreze as consequências de suas ações e passe a colaborar com a situação deliberadamente em troca de migalhas.

E por que eu afirmo que o fazem conscientemente? Ora, lhes fora dito que não contassem a nenhum colega sobre o esquema! Sejamos razoáveis. Quem esconde o que pretende fazer o faz por seu teor de desonestidade sabedor que encontrará oposição. Fossem crianças, eu até acreditaria que estariam se sentindo ameaçados pelo abusador, mas não é esse o caso.

O mais engraçado de tudo isso é que entre aqueles que consentiram com tal obscenidade encontram-se moralistas rigorosos e defensores de ideais religiosos e, algo bizarro me sucedeu: há opositores políticos unidos pelos laços da sacanagem. Do mesmo lado estão os batedores de panela e os partidários esquerdistas. Que coisa mais linda!

Perceba, então, que há o mundo dos discursos e abaixo dele...um submundo- o da verdade! Como se diz: “pagando bem que mal tem!” Há poucos dias atrás da mesma árvore que brotava palavras disciplinadoras e corretivas sobre absenteísmos, desídias, incompetências agora pratica a mesma coisa contra a qual discursava. E é neste instante em que pra combater o ilícito se utilizam dele para defender outros interesses que não o interesse público evidentemente.


Essa é a verdadeira moral da sacanagem! 
Pregadores e seus discursos...
Raniery