terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Bons Frutos

A Arte da Guerra de Sun Tzu é considerado o manual da vitória que pode ser aplicado nas diversas situações sem medo de errar, até por que já foi testado inúmeras vezes com cem por cento de sucesso. 

Não à toa é leitura quase que obrigatória nos cursos de Administração entre os acadêmicos dessa ciência e fonte constante de consulta aos gestores profissionais.

Outrossim, tais ideias seculares tragam um pensamento voltado para os conflitos bélicos, contêm ensinamentos espetaculares que podem inspirar uma espécie de gestor compromissado com a eficiência e a eficácia.

Há, porém, quem discorde acreditando que o negócio deve ser tocado na base da carnificina de reality shows onde figuras bizarras encarnam o papel de poderosos chefões da Cosa mostra.

Embora eu seja um crítico contumaz de ações e atitudes desse tipo, sobretudo, onde exista um palco propício ao assédio moral tenho presenciado algumas iniciativas positivas que me obrigam a aplaudir. A não ser que ser dono da razão fosse o meu objetivo na vida.

O velho general deixou um legado de ideias impressionantes capazes de deixar o mais incrédulo e reticente gênio boquiaberto, ainda mais se considerarmos determinados contextos em que ele projeta as suas premissas.

Veja algumas delas:

“Não procures vencer teus inimigos à custa de combates e de vitórias. Esse é um caso em que o "bom" é melhor do que o "excelente". Quanto mais te elevares acima do "bom", mais te aproximarás do "pernicioso" e do "ruim".

“É preferível subjugar o inimigo sem travar combate. Nesse caso, quanto mais te elevares acima do bom, mais te aproximarás do incomparável e do excelente.”

“Na guerra, o essencial é a vitória e não campanhas prolongadas. A suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar. ”

“Derrotar o inimigo em cem batalhas não é a excelência suprema; a excelência suprema consiste em vencer o inimigo sem ser preciso lutar.”

“O habilidoso general não é aquele que derrota mil inimigos, mas que diminui o número de inimigos transformando-os em aliados. ”

Nesses dias venho acompanhando dentro da empresa em que trabalho aquilo que parece ser “ventos de mudanças” que se forem legítimas e não mais outro, entre tantos engôdos, promoverá a chamada mudança cultural. Isso não é tarefa fácil, tampouco que se consiga implementar instantaneamente exigindo, outrossim, boa vontade de todos os agentes envolvidos, incluindo aí, devidos ajustes de condutas de ambas as partes.

Ora, era isso que o Velho guerreiro chinês preconizava! O importante não é viver em conflito, mas seguir o curso natural da vida. Viver em pé de guerra e vencer disputas internas só causa desgaste e infortúnios. Ninguém ganha nada com isso: nenhum dos lados. Então, o que é melhor? Viver abraçado com a razão ou ceder e rever posicionamentos? Dentro dessa ideia percebi que tais mudanças estão mexendo com a cabeça de todos por lá.

Numa situação, elegemos um colega como representante para levar ao presidente questões relativas aos problemas que enfrentamos em nosso dia a dia. Ele e outros, de outras turmas, então, apresentaram sob consulta aos colegas algumas ideias.

É evidente que não haveria unanimidade pelo simples motivo de que somos um grupo heterogêneo de pessoas onde nem todos compartilham das mesmas ideologias e visão de mundo buscando nesses casos o chamado consenso dentro do bom senso.

Acontece que alguns colegas melindrados com a liderança do representante começaram um buchicho de que ele haveria se vendido no objetivo de pleitear “cargo”. Que estaria abraçado com o gerente para se dar bem e blá, blá, blá...

Pois é, acontece que quem não sabe das coisas começa a defecar pela boca projetando sua frustração. Na verdade, o representante, muito antes de sê-lo já havia tomado iniciativa de agregar colegas em face de determinadas decisões da empresa que estão lesando um grupo deles.

Numa postagem polêmica que escrevi eu citei o problema e fui convidado pelo coordenador responsável da questão que com a mais completa boa vontade me recebeu e explicou tudo o que estava acontecendo, inclusive, relatou as ações do gerente no sentido de tentar resolver o problema favoravelmente aos prejudicados.

Ora, isso é um fato constatado. E ademais, se quando o gestor toma alguma decisão que nos contraria - e que consideramos lesiva, criticamos; quando ele toma uma decisão que visa resolver um problema, por que não considerar isso?

Da mesma forma, a iniciativa do presidente em abrir um canal de diálogo para procurar entender o que ocorre em nosso setor, identificando uma série de problemas antigos que perpassam por toda a hierarquia e não mais atribuindo culpabilidade total ao seu empregado operacional, é elogiável. Aqui, não se entra no mérito da desconfiança, mas na iniciativa que somente nos passos que se seguirão poderão dizer se há ou não má fé por parte dele.

O que não dá é para viver a vida carregando o fardo do passado ficando magoado com as resoluções e mudanças necessárias do presente. Evidentemente que isso exigirá uma reflexão e introspecção de todos os envolvidos, o que pode significar sair da zona do conforto e propositura de devidos ajustes de conduta. Eu particularmente me incluo nisso já que me sinto extremadamente desmotivado após anos de assédio moral e má gestão.

Outra situação, muito legal, foi a da conversa que tive com um chefe de serviço onde pudemos esclarecer um mal-entendido onde sua postura deve ser elogiada. E aí fica a questão: vamos alimentar um ambiente de trabalho destrutivo ou vamos romper um ciclo de energia negativo ainda que isso signifique não atender os apelos desesperados de nossos egos que exigem que sejamos os estandartes da razão?

O que me deixou impressionado nesses casos foi a iniciativa proativa desses chefes que se recusaram a fazer o de sempre e “quebraram as minhas pernas” onde eu não poderia de forma alguma não aceitar um argumento mais sólido do que o meu e humildemente concordar que há um jeito melhor de se relacionar e trabalhar em equipe.

No fim das contas sempre foi isso o que queríamos e pode ser que estejamos no limiar de uma forma mais profissional de nos conduzirmos em nosso trabalho - o que seria excelente. Isso não significa que entraremos em um mundo cor de rosa, sem cobrança ou de indisciplina, onde não existirão conflitos, mas que nos ajustaremos a um patamar onde já deveríamos estar a muito tempo.


Tomara que tais ventos nos tragam a harmonia que preconizava o mestre da guerra, pois em seu dizer: “ a paz é o estado natural das coisas e não a guerra”.

Raniery

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Caos e Regresso


O Brasil atravessa uma de suas piores crises políticas da história liderada por uma elite rancorosa, conservadora e caduca que não aceita que o país se desenvolva e que sua população experimente o chamado bem-estar social.

Por algum motivo, ainda desconhecido as pessoas se posicionaram de forma antagônica em dois sentidos: ou se é conservador ou de esquerda e passaram a manifestar um comportamento esquizofrênico fora de contexto, isto é, agindo como se ainda estivéssemos numa guerra fria onde a motivação era a de combater o “Império do Mal”.

Em um desses debates recentemente um colega de trabalho, nitidamente desequilibrado, passou a me atacar proferindo uma série de ofensas desconexas com a pergunta que lhe fiz.

Perguntei-lhe se sabia a origem do lema estampado na bandeira brasileira já que ele o havia citado como mantra de seu engajamento como “ultrarradical de direita”. Como eu havia previsto o inocente fanfarrão não sabia nada do que vociferava engrossando a estatística de tantos outros bobalhões que somente querem chamar a atenção se fazendo passar por adeptos de alguma ideologia.

Na verdade, o pobre rapaz só fez cair em contradições já que se dizia arredio à ideologias e intelectuais, embora, também desconheça que tudo isso parte desses mesmos cientistas sociais que, evidentemente, externam sua visão de mundo dentro das hipóteses e conclusões sobre o objeto de seus estudos – a sociedade.

Veja, que bastaria ao meu esdrúxulo amigo ser um pouco mais diligente e menos impetuoso para entender que o que saia de sua mente não era nenhum lema militar cuja lavagem cerebral passam os soldados quando aquartelados.

Curiosamente era originário de um dos pais da sociologia que ideologicamente disseminou ideias contrárias ao meu colega cognitivamente desfavorecido.

Ordem e Progresso é a frase que está escrita na bandeira brasileira, e é o lema nacional, desde sua formação, e foi idealizada por Raimundo Teixeira Mendes.

A expressão ordem e progresso é o lema político do positivismo, e é uma forma abreviada do lema de autoria do positivista francês Auguste Comte: "O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim”. O positivismo possui ideais republicanos, como a busca de condições sociais básicas, através do respeito aos seres humanos, salários dignos etc., e também o melhoramento do país em termos materiais, intelectuais e, principalmente, morais.

No século XIX surgiu uma corrente de pensamento chamada positivismo, que teve o filósofo francês Auguste Comte como um dos seus defensores mais importantes. Ele defendia que o progresso era a uma das únicas saídas para a evolução da humanidade.
O Positivismo, grosso modo, é uma filosofia que alça ao status de maior posição a lei. E qual é o seu porquê? As sociedades medievais já estavam saturadas dos abusos decorrentes dos arbítrios perpetrados pelos soberanos e necessitavam de um dispositivo que cumprisse esse papel.
A Lei, então, passa a ser a referência máxima de direito impondo limites aos governantes e governados. Tal ideia se disseminou por inúmeras áreas das sociedades em geral até ser superada pelo pós-positivismo e este pela ideia de neoconstitucionalismo. Isso é teoria do Estado via sociologia.
A sociologia pretendia estudar uma sociedade em profundo estado de transição, onde mudanças bruscas ocorreram por ocasião da revolução industrial onde surgiam pelo menos dois tipos de personagens: o empresário capitalista e o proletariado.
A ideia de uma ciência voltada para o social era uma necessidade em virtude do grande número de problemas trazidos pela industrialização e que se refletiam em toda a sociedade. Não era invenção de comunista, mas sim um fato social.

Perceba que as questões ligadas ao assédio moral são muito mais complexas e de origem histórico-cultural. Acompanham o homem e se interpenetram em sua evolução natural, embora ratifiquem um lado obscuro de nossa natureza que é a de subjugar os nossos iguais.

Na verdade, tais grupos que se dizem conservadores repudiam a ideia de igualdade, pois pretendem estabelecer quem é superior de quem não o é, sendo que esses últimos estão aos serviços dos primeiros. É o homem lobo do homem nos dizeres de Hobbes.

É corriqueiro o dizer de pessoas que se autodenominam “de direita” que foram os esquerdistas comunistas que inventaram a divisão em classes sociais demonstrando o quanto de ignorantes são. Isso é uma ideia que nasce imediatamente ao surgimento da sociedade industrializada onde a organização passa a influenciar todos os setores da sociedade, incluindo o religioso de onde tiraram que tempo é dinheiro e que se o operário ficasse ocioso estaria roubando o bondoso patrão que lhe fez o favor de dar-lhe um emprego.

Então, o empregado desidioso era praticamente um candidato ao inferno já que se recusava a aceitar a sua posição de inferior e preguiçoso, não queria trabalhar 18 horas/ dia em subcondições para que o empresário enriquecesse aceleradamente e gozasse dos frutos de seu sucesso.

Doravante, é daí, isto é, do abuso do capitalista que emergem os conflitos e as reações contra os desmandos desta classe que se impõe pelo poder econômico, daí por que surgirem os chamados sistemas de freios e contrapesos para equilibrarem tais desmandos.

Com isso a organização ganha um lugar central na atenção dos cientistas sociais que passaram a vê-la como um sistema vivo e que influenciava a sociedade direta/ indiretamente, pois todos estariam imersos em alguma forma de organização desde o nascimento à morte.

Perceba as enormes implicações nisso. Os estudos avançam desde, então, estabelecendo diretrizes e modelos de comportamento organizacional que contemplem tanto a eficiência/ eficácia das empresas sem deixar de levar em consideração o elemento humano em seus fatores psicossociais.

Na prática, contudo, o que se vê é o amadorismo de gestores despreparados ou descompromissados que disseminam culturas catastróficas quer para a organização quer para o seu capital humano.

O processo de industrialização foi marcado pela transformação das sociedades tradicionais, baseadas principalmente na produção agrícola, em outras de novo tipo, em que a organização e a produção industrial têm uma importância fundamental na articulação de novas formas de convivência que predominaram no último século e que constituem em sua essência o arcabouço da sociedade que denominamos capitalista.

Com isso, fica claro que para uma sociedade, sobretudo a capitalista, evoluir significa investir no seu substrato social de forma a prover-se de indivíduos qualificados que se distribuam em todos as áreas permitindo que o próprio processo econômico produtivo cresça em qualidade e eficiência, principalmente em um contexto globalizado.

Tais ideias perpassam por condições sociais em que o Estado fica encarregado em suas políticas públicas de estabelecer, mas que na sociedade brasileira a sua elite tresloucada insiste em manter antigos e ultrapassados paradigmas desaguando a nação em um caos sem precedentes caso consideremos as mudanças socioculturais da atualidade.

O meu colega destituído de subsídios sólidos que consubstanciasse seus argumentos débeis é um exemplo clássico do que, por exemplo, uma frágil educação faz com as mentes das pessoas, distorcendo a realidade e criando trogloditas da idade da pedra que balbuciam grunhidos desconexos e lançam mão da violência e truculência quando não se fazem entendidos.


Suponho que ele tenha conquistado sua mulher com uma cacetada na cabeça levando- a em seguida para a sua caverna

Raniery

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Projetando-se

“Projeção” segundo a Psicologia caracteriza é uma espécie de mecanismo de defesa, no qual, principalmente as nossas idiossincrasias pessoais, pensamentos inaceitáveis ou emoções, são relacionados a outra pessoa. Isso, faz parte de um conjunto de mecanismos de defesa teorizados por Freud, daí também conhecida Projeção Freudiana. 

A projeção sendo um mecanismo de defesa, grosso modo, tem a função de proteger e defender o nosso ego, das ameaças. A projeção psicológica ocorre quando um individuo por alguma razão, tem seus sentimentos ameaçados ou inaceitáveis, e, por consequência são reprimidos e projetados a outra pessoa.

É um mecanismo de defesa, em que um individuo é confrontado com os seus comportamentos, atitudes, sentimentos ou emoções e percebe que são inaceitáveis (por outros ou por ele próprio) ou indesejados e o mesmo individuo atribui tudo isso ou uma grande parte a outra pessoa.

Posto isto, eu tenho procurado me policiar para não sair apontando o dedo contra os outros projetando parcela de mim mesmo neles e me recusando a enxergar minhas idiossincrasias. Como sou um crítico das administrações públicas, entre outras coisas, por ser um servidor e, por ter passado por um truculento processo de assédio moral durante uma década tendo a ver o lado negativo do meio em que trabalho até por que em essência as coisas não mudaram muito por lá.

O episódio de hoje diz respeito a abordagem de um coordenador que a despeito de possuir a legitimidade legal não possui a de ordem moral. 

Veja, se uma empresa dispõe de regras para disciplinar as condutas locais seria contraditório a insurgência contra isso por mais que nossa natureza seja reticente. Sim, as regras são necessárias desde que haja proporcionalidade, razoabilidade e finalidade nisso. Não podem ser um fim em si mesmas devem buscar um sentido de valor e não são formas de um chefe se fazer valer sobre subordinados.

Em contraposição, vale destacar e elogiar a postura de outro chefe - que aí sim, manifesta um comportamento de líder que ao invés de se impor prefere o diálogo e demonstra uma sensibilidade ímpar no trato com o seu subordinado e que basta uma única palavra para que o acatem e, isso, no mesmo local. É a segurança de quem possui equilíbrio interno sem que com isso deixe de ser disciplinador, já que é conhecido como um dos mais rigorosos do setor. O nome pra isso é assertividade.

Dentro disso, pode-se apontar quatro tipos elementares de líderes organizacionais:

Exigente

Observa todos os detalhes e não deixa nenhum deslize passar despercebido. Entende que para algo dar certo, “todos os buracos têm que estar tapados” e não há o menor espaço para pequenos erros. Muito crítico, observador e perfeccionista, esse líder acredita que a excelência é o caminho para a obtenção do sucesso.

Autocrático

Não promove a participação efetiva da equipe nos projetos, toma sozinho todas as decisões necessárias e costuma oprimir seus subordinados, enxergando neles concorrentes, e não, colaboradores. Ele sempre conduz os processos com muita energia e vigor, mas, como não valoriza as competências, os conhecimentos e os resultados dos subordinados, acaba criando um ambiente de trabalho no qual os profissionais são cobrados excessivamente. Isso causa certo desconforto e limita a performance do grupo. É mais conhecido como um chefe do que um líder.

Liberal

Dá aos colaboradores liberdade para exercerem suas funções sem interferências diretas. Os próprios profissionais ficam responsáveis por gerenciar os resultados de seu trabalho. É uma forma de demonstrar confiança na capacidade dos colaboradores e de dar a eles mais autonomia. No entanto, o líder liberal precisa estar atento para que os colaboradores não fiquem sem condução nem cometam erros graves e prejudiquem o desempenho da empresa.

Democrático

Permite que todos os liderados participem das decisões importantes do grupo e acredita ideias, críticas e sugestões são importantes para aperfeiçoamento dos projetos, da equipe e da organização como um todo. Essa abertura de espaço para diálogos, a comunicação efetiva e os feedbacks constantes facilitam a solução de problemas internos e garantem os bons resultados dessa liderança. De todo modo, o líder democrático precisa ter inteligência para encontrar o equilíbrio e não perder o controle, o foco e a objetividade
Fonte: Portal IBC


Como a teoria comportamental freudiana propõe eu acredito que no caso concreto a que me refiro em momento algum o tal "chefe" agressor pretendeu a disciplina, mas buscou, outrossim, impor-se covardemente já que sente-se inseguro por não ter moral diante do grupo. 

Recentemente o MPT impôs uma multa vultosa à empresa por conta de uma deliberada decisão dos atuais gestores em descumprir específicos preceitos legais criando horários diferentes para empregados que aceitassem a sedução e se vendessem por um prato de sopa atendendo aos seus interesses que não são, evidentemente, os da categoria ou muito menos de interesse público. E não sou eu quem disse isso, fora o próprio órgão fiscalizador que o fez.

A decisão criou um racha entre a categoria a despeito de cooptar adeptos para depois manipulá-los e com isso futuramente implementar o horário em questão, segundo o que eles mesmos admitem. A ideia é polêmica e cada gestor sabe que tipo de conduta deva praticar. 

Seja por uma questão de senso de impunidade ou por sentir-se apoiado por seus superiores, trata-se de uma jogada política e eu não saberia dizer em profundidade qual grau de moralidade há nisso, confesso. Penso que nenhuma - é uma questão ligada aos grupos da situação.

Até aí, nada de mais. Embora, haja um ponto que me oponho radicalmente que se encontra justamente sobre a truculência daqueles que se sentem contrariados e covardemente se utilizam da administração pública para deflagar perseguições aos seus desafetos, o que, novamente, fere ao princípio da supremacia do interesse público sobre o privado.

Ora, se o chefe em questão, objeto desta postagem, aceitou tais condições, sobretudo quando fere determinados dispositivos proibidos pelo ordenamento e objeto de censura pelo MPT, é um problema dele. Ganhou com isso, não se preocupou com os outros e, como se diz, "viu o seu lado". Daí, por ser obediente, ganhou o cargo de coordenador, não por mérito como deveria, evidentemente. Então, ótimo! Pra ele...

A pergunta que faço a tais "disciplinadores" tão zelosos e legalistas é: o que é mais grave, o descumprimento de um preceito legal constitucional tutelado pelo seu código principal ou uma regra de menor potencial que se resolve com uma simples conversa sem que haja a necessidade de constrangimento a ninguém?

Ora, o descumprimento da primeira gerou um ônus ao erário decorrente da multa, já a outra, somente fora objeto de atenção do coordenador e seu complexo de inferioridade. E a mim o que cabe? ora, me subordinar, pois isso reza em meu contrato. Foi o que fiz, evidentemente, a despeito que para o reprimido chefe não bastasse a orientação. 

E o que não cabe? O constrangimento causado pelo despreparado coordenador que demonstrou que não é apto para o exercício da função, muito menos em razão de sua pessoa, muito mais por conta de uma cultura organizacional que é questionada pelo próprio diretor, e com razão, onde num dia a regra é uma, no outro, não é mais, conforme o humor deste ou daquele gestor, e, submetidas ao bel prazer de cada um.

Quanto a mim, não posso reclamar de ser alvo da atenção de colegas inseguros. Uma, por que não sou nenhuma referência ou modelo a ser seguido (sinto orgulho disso), e outra, porque por não me submeter aos caprichos de maus gestores venho colecionando durante os anos a antipatia, retaliação e punições forjadas deles e com isso acabo sendo uma má influência aos outros.

 Como já externei outro dia prefiro ficar quieto no meu canto, me dedicar aos meus futuros projetos, mas o que posso fazer se meus olhos verdes atraem tanta atenção...pena que é de marmanjo! A Renata é que se diverte com isso...

Já que após a publicação desta postagem meus monitores levarão o seu conteúdo a quem de interesse eu gostaria de solicitar que orientassem melhor os novos coordenadores para que cobrassem sim a disciplina, mas que o fizessem sem constranger seus subordinados já que além de desgastante é desnecessário.

 Ademais, regras de menor potencial deveriam ser tratadas de forma proporcional, sobretudo porque não se trata de coordenação de crianças em jardim da infância, que precisam ser vigiadas a cada passo, mas de homens/ mulheres adultos...a não ser que a ideia seja a de se impor pela força demonstrado vulnerabilidade moral. 

Com certeza as vozes da esclerose organizacional orientarão os chefes a manter a cultura da punição, em especial atenção a mim, é claro, mas e sendo assim qual seria a novidade, ainda mais pra mim. 

Grato.

Raniery

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Semente Que Dá Fruto

O bem e o mal não são coisas distintas, mas faces de uma mesma moeda.
É fácil apontar que alguém é mal por conta de um comportamento antissocial e que o outro é bom por sua adequação. Na verdade, a questão não é preto no branco, mas de nuances que as vezes beiram o limite do sutil.
Hanna Arendt em sua tese polêmica da banalidade do mal apontou isso por ocasião do julgamento do criminoso de guerra nazista Eichmann que por uma obediência cega à burocracia ignorou a insanidade das ordens que seguia, não se vendo, entre outras coisas, como assassino. Pelo contrário, se via como um excelente funcionário público e, de fato, constatou-se que além disso era um dedicado pai de família e, portanto, um cidadão exemplar dentro dos padrões estabelecidos e esperados.
A conclusão da filósofa era a de que nem sempre o mal tem um perfil de fácil identificação e pode estar escondido em atos ignorados pelo próprio praticante que não os percebe como tal.
O comportamento humano é de difícil compreensão embora possamos imaginar que de bate pronto basta escutar algo sobre alguém ou mesmo olhar para ele que como num passe de mágica já sabemos tudo sobre a pessoa.
Dessarte uma técnica chamada Janela de Johari não só demonstra como é difícil entender o outro tanto quanto a nós mesmos. A janela enfoca a questão do Relacionamento Interpessoal, baseado nas descobertas de JOSEPH LUFT & HARRY INGHAM , dois cientistas sociais (um psicólogo e outro psiquiatra) que se dedicaram a estudar as questões pertinentes ao comportamento humano e seus reflexos, representadas em uma janela de quatro vidraças.
Com os quatro quadrantes de uma janela pode-se ver como as pessoas se relacionam em grupos. A dinâmica do relacionamento interpessoal faz esses quadrantes se moverem (aumentando e diminuindo) principalmente após respostas aos estímulos (feedback) que recebemos ao nos relacionarmos em grupo. Estes, por sua vez, nos ajudam a compreender uns aos outros.
Desta forma acabamos descobrindo que, entre outras coisas, há áreas em nós que o outro enxerga menos o próprio indivíduo e que há áreas que nem os outros e nem o indivíduo enxergam e isso não é em relação a uma pessoa estereotipada elencada pelo grupo como a marcada, mas em todos nós.
Então, fica claro também que eu posso estar reagindo sob o controle de estímulos de determinado ambiente tendo minha visão distorcida dos fatos ainda que alguma parte seja relevante, mas com uma base de informações limitada ou também distorcida.
A questão é: o que pretendo buscar? Viver dentro do conflito ou promover mudanças salutares?
Por conta da repercussão da postagem passada ("Semente do Mal") houveram pessoas que contestaram o seu conteúdo e que se sentiram indignadas com ele.
Um colega me procurou e disse que havia distorções da verdade, sobretudo, no que pese a uma questão envolvendo laudos de psicotécnicos para porte de armas onde, então, ele alega que de sua parte, o dele é oficial e não feito por fora, em outra empresa que não a oficial.
Vale a ressalva que em momento algum a postagem cita nomes para justamente não constranger ninguém, embora faça a crítica ao procedimento aplicado, sem necessariamente, se ater a questões individuais. O colega afirma, outrossim, que o seu laudo é oficial, e o tem em mãos para comprovar a sua afirmação.
Entretanto, como abertura de um canal de diálogo, é louvável e elogiável a iniciativa dele que demonstrou sabedoria quando me chamou a atenção para o fato de que há um clima e energias ruins que fazem de determinados locais de trabalho o catalizador de uma série de conflitos. Enfatizou que não deveríamos nos ver como inimigos, o que me obrigou a concordar com ele, a não ser que eu preferisse abrir mão de um sentimento razoável em face do apego a outro, que no caso, seria de menor importância.
Em questões como essas a precipitação nos leva a ver inimigos em nossas próprias sombras e nos esquecemos que estamos no mesmo barco, por outro lado, eu questionei o fato de que onde não há uma política de comunicação organizacional eficiente a natureza humana se encarrega de preencher as lacunas e reconheci que acabamos entrando num círculo vicioso, desgastante e...infrutífero.
Não é vergonha alguma recuar e dar ao outro lado a oportunidade de contar a sua versão. Viver sob o estandarte da apropriação da razão é menos importante do que buscar a harmonia e o entendimento entre as partes.
É evidente que determinadas decisões gerenciais tomadas, que lesam direitos, precisam ser revistas para que se alcance tal equilíbrio, senão, a coisa fica somente no âmbito do discurso e não se vence as resistências.
Destarte, não há que se dizer que há alguém que está 100% certo e o outro, na mesma proporção, está errado. Aliás, essa nem é a prioridade, mas, sim, a busca pelo entendimento.
Outra coisa que eu questionei é que se há uma reação negativa de uma parte é preciso reconhecer que houve o estímulo da contraparte como forma de política absurda adotada (a muito tempo - diga-se), ainda que seja necessário que se quebre tal ciclo e se adote um novo modelo.
Sabe-se que do caos surge a ordem e, que, de uma situação de crise pode-se vislumbrar oportunidades e no que pese às organizações, são elas que devem adotar a política pela qual pretendem seguir, não podendo imputar ao seu capital humano tal responsabilidade e, assim, inverter os papéis.

Portanto, imagino que pela abertura do diálogo há um potencial para que mudanças importantes possam emergir dando dessarte bons frutos a todos os envolvidos. E isso, é bom para todos.

Raniery

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Semente do Mal


Segundo a mitologia judaico-cristã que estuda os territórios celestiais através da angeologia tais elementais se organizam em cadeias hierárquicas de comando curiosamente similar aos militares. Por lá ha até subdivisões como Principados, Potestades e Poder (es).

Entretanto, tanto faz de que lado se esteja um ser de patente inferior não pode passar por cima da hierarquia imediatamente acima sob pena de sofrer rigorosas sanções, inclusive consta, segundo os manuais, de que isso acontece entre os dois lados me parecendo haver um código de ética estabelecido o que pressupõe, entre outras coisas, que há regras de guerra entre os antagonistas.

Recentemente alguns acontecimentos vem sacudindo o local de trabalho de determinada empresa pública por conta de uma disputa política de grupos insurgentes que tomaram o poder no grito, na verdade, na aliança com um oportunista ( o enganador) que somente veio para ganhar dinheiro em cima da tal empresa. Nem foi o primeiro e nem será o último, e ainda fazem o maior escarcéu por causa da Petrobrás...!

Nesse ínterim foi possível inclusive observar as mudanças de discursos entre aqueles que pregavam a moralidade, mas que intencionalmente manipulavam o meio para deflagrar um projeto de vingança...ainda que esta pertença ao "Senhor"! Logo de cara membros de uma associação (parceiros) usaram a boa fé objetiva de seus associados para, digamos, se dar bem - jargão local.

Houve até um que manifesta um semblante angelical (eu chamo de sonso) e que se aproveitou de uma situação de irregularidade de um processo administrativo e vendeu seu associado por vinte moedas de prata entregando a defesa deste ao falso profeta. Já, o outro, vem se perdendo em sua ganância de ascensão feito Lúcifer que quis ser igual a Deus, entretanto, eu gostaria de saber como o deus local ( Na verdade Lúcifer) pensa sobre a ganância de um demoninho qualquer que acredita estar à altura de solapar seu trono...

Montada a casa, grupo fechado, bancadas formadas o pessoal começou a se dar bem. Mas, isso não satisfaz e é preciso prejudicar outros no meio do caminho, pois que graça teria... Ademais, os discursos não passam de meras fórmulas de induzimento ao erro e desculpas pra que o insatisfeito (prejudicado) passe por endemoninhado.

Funciona mais ou menos assim: o malandro caguetou os parceiros numa situação, a chapa esquentou, então, ele sumiu do mapa, e se tornou invisível. Mas, pra quem imaginou que ele invocou Bael ou Baal o primeiro espírito da Goetia, rei que governa no leste, senhor da tempestade e da fecundidade, cujo nome vem da palavra ba’l e significa "dono", "senhor", um espírito que guarda o poder de torná-lo invisível e que reina sobre 66 legiões de espíritos infernais e manifesta-se sob variadas formas, às vezes como um homem, e às vezes de todas as formas possíveis de uma vez, está enganado.

Na verdade, ele foi até um médico e pediu afastamento para voltar (aparecer) imediatamente após ganhar um cargo de coordenador e ao que parece por um milagre já que a cura se deu de forma misteriosa: num dia ele tava doente, no dia seguinte são...

Mas, se alguém pensa que o sobrenatural parou por aí, enganou-se novamente, pois feito um teste psicotécnico o sujeito foi reprovado e não poderia auferir aquele dinheirinho fácil e bem vindo, então fez outro teste por fora e...e, bingo! Mas, outros caíram na mesma situação, porém o beneplácito não lhes atinge como se o divino não lhes fizesse merecer tal graça.

Não contente o chifrudo ainda prejudica trabalhadores com a tal restrição, o que acaba comprometendo seus proventos, pelo menos o direito à eles. E se alguém pensa que acabou, ainda há o castigo dos restritos, que são enviados para postos especializados para eles onde então se estabelece uma discriminação e o "coisa ruim" passa a demandar a vida do colega, ainda que seja um par. Agora, veja que, uma vez que a casta domine o território com demônios Cristo alerta que as tais castas não podem sair senão por meio de oração (e jejum).

Curiosamente, lá no inferno determinado demônio Segundo em hierarquia, portanto, Satã, procurou um exorcista local que estava atrapalhando seus negócios propondo-lhe uma trégua, numa espécie de acordo (subentendido) de cavalheiros. Solícito e elegante permitiu que o exorcista levasse a Lúcifer a mensagem de que não se interessava por seus negócios e que não desejava o confronto, mas que se defenderia evocando seus guardiões caso fosse necessário e, que, na verdade, já estava de saída daquele território, portanto, não teria interesse algum em atrapalhar os negócios do Diabo.

Fechado o acordo, a trégua então se sucedeu até que começou a ser rompida por demoninhos de quinta categoria - pequenos encostos xexelentos. Ontem à noite, por exemplo, um soldado raso pretendendo tomar o local de trabalho do exorcista para dormir ligou para o demônio de terceira tríade, ou menor escalão, mas que estava de chefe para que este agilizasse a sua vida. E como o Diabo é o pai da mentira, logo as coisas apareceram. Satisfeito com o resultado preliminar o "coisinha ruim", o "demoninho" com bafo de enxofre murmurou: "ele se fodeu...kkkkk!" 

É verdade, o exorcista teve que sair do seu local de trabalho pro demoninho dormir, mas o custo dessa brincadeira pode ser mais alto do que se imagina, pois demônio que mexe com exorcista não pode imaginar que este não saiba como levá-lo ao abismo...

Veja, que locais como esses, infestado e tomados por criaturas imundas só reconhecem uma linguagem que e a do açoite. E por que fazem isso? Ora, é da sua natureza! Portanto, se caíram com Lúcifer devem ser queimados com ele no fogo do inferno pelo menos é o que diz a mitologia.
Raniery



quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Aduladores

O ato de bajular, palavra que vem do latim bajulare significa adular servilmente. 

Não é difícil encontrar quem é, foi ou conhece alguém que pratica a bajulação. São denominados puxa-sacos. 

O melhor exemplo de bajulador é o funcionário de alguma empresa que, na tentativa de ganhar a confiança, crescer na empresa e/ou obter um aumento no salário, concorda com tudo que o chefe diz e é o primeiro a rir da piada contada por eles.

Estão por toda a parte, se multiplicam como vírus. Não possuem escrúpulos, nem amor próprio, brio ou personalidade - fazem qualquer coisa pra levar vantagem.

Eu tenho certeza que no momento que você se deparou com este título, alguma figura carimbada veio em sua mente, ou até mesmo um filme lhe sobreveio de alguma situação vivida. Eles são os cachorrinhos dos chefes medíocres.

São  manipulados, usados e sabem disso, no entanto, se submetem aos caprichos de tais narcisistas. Verdadeiros papagaios de pirata são os leva e trás dos inseguros e incompetentes, e podem tornar-se um problema em sua vida, até porque, são fofoqueiros compulsivos.

Embora isso soe como moralmente desprezível, por outro lado, revela algumas  facetas  da natureza humana, sobretudo, quando sob o controle de estímulos do grupo. Entrelaçados pela comunicação (boato/ fofoca) os submissos encontram na sujeição uma forma de se beneficiar ante uma figura hierarquicamente posicionada.

É o jogo político da essência primata em sua forma mais primitiva, é verdade, porém não deixa de chamar a atenção para os processos envolvidos como, por exemplo, as armações e os complôs que visam, entre outras coisas, destituir outros grupos tomando-lhes o território, por assim dizer proporcionando aos gestores de quinta categoria sempre ter à sua disposição uma safra nova de subservientes, até que a próxima repita o ciclo, sem exceções.

Conclui-se daí, que à partir do momento da deposição de uns e a assunção dos outros a retroalimentação só renova os atores num jogo sem fim. O que convenha-se não é em nada sustentável já que se esvai da mesma maneira como se constituiu. É como se embalassem o vento... 

Na verdade, tal tática não encontra mais razão de ser pela simples razão de não produzir a tão procurada eficiência nas buscada pelas organizações, haja visto, o globo enfrentar uma crise de identidade desencadeada pela incerteza de um futuro que se constrói em cima da competitividade, globalização, inovação tecnológica e mudanças sócio culturais em intervalos de tempos cada vez mais curtos.

De fato, empresas que ainda alimentam ambientes nocivos sem uma competitividade efetiva, mas predatória, acabam assinando sua própria sentença enquanto são engolidos por processos mais efetivos de condução de conflitos e produtividade dentro de um sentido ético-profissional.

Enfim, se de um lado os puxa sacos brotam da terra, de outro, sua ação não é duradoura como a do profissional que está alicerçado sobre suas competências e que no tempo e lugar oportunos terá recompensado o seu esforço.

De qualquer forma ninguém merece viver a vida rastejando sob os pés de..."gestores" de merda que exalam a sua incompetência tanto quanto os porcos o seu fedor nos chiqueiros.
Raniery

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Que Puta Sociedade!

Quando penso que são 300 bilhões de sóis na via láctea, cujo pressuposto é o de serem orbitados por respectivos planetas, no caso 50 bilhões (rochosos como a Terra) e que 4 mil desses planetas – com a possibilidade de abrigar a vida - já foram identificados por nós, fico esperançoso quanto à nossa missão na parte que nos cabe.

Isso nos leva a imaginar sobre as possibilidades de vida inteligente que, na pior das hipóteses, seria igual à que desenvolvemos por aqui. 

Considerando, numa projeção, que para cada estrela como o nosso Sol, haja a mesma quantidade de galáxias (300 bilhões), numa determinada zona limítrofe, então, por mera dedução lógica, poderíamos concluir afirmativamente sobre a existência de vida extraterrestre em quantidades consideráveis...

Para se ter uma ideia, se reduzíssemos isso a uma proporção em escala, só para a quantidade de sóis, teríamos que acumular, proporcionalmente, em toneladas de areia, o equivalente a 30 toneladas, por alto. Cada grão de areia, portanto, corresponderia a uma estrela, como o nosso sol, por exemplo. 

Diante disso, fica a esperança de que em algum rincão do universo, aqui mesmo no nosso quintal galáctico, deva existir uma civilização evoluída, a ponto de fazer valer o investimento que o BIG BANG teve.

Isso porque lamentavelmente nos causa profundo pesar assistir ao show de horrores patrocinado pelos "coxinhas" e seu apoio aos bandidos que deflagraram o Golpe contra a democracia brasileira manifestando um tipo de comportamento agressivo e bizarro contra quem não pensa como eles. O que em nada é visto como inteligente.

Isso ficou evidenciado após o lamentável episódio de agressão físico/ verbal à atriz Letícia Sabatella me levando a refletir sobre alguns elementos que compõem o substrato da sociedade brasileira. 

Não que isso seja relevante, até porque essa gente nem merece o esforço, afinal de contas pretendem evocar para si a alcunha de guardiões da verdade absoluta, mas porque pretendi com isso elaborar alguma interpretação do mundo em que vivo, ainda que turva e precária. 

Iniciei minha reflexão a partir de elementos constituintes simples da realidade prática, como, o da ordem econômica, por exemplo; ainda mais, porque todo o discurso fascista parece centrado nele.

Partindo daí, o que se sabe é que os elementos constituintes básicos desse sistema são os chamados agentes econômicos formados pelas famílias, pelas empresas e pelo Estado, num modelo simplificado, evidentemente. 

Ora, dentro desse raciocínio passei a retirar inúmeros insights do comportamento animalesco dos “Coxinhas” – apesar de que nem precisaria de tudo isso, afinal de contas, o episódio retrata, por si só, e, muito bem, o perfil desse tipo de gente. 

Sabe-se, entre outras coisas, que para a manutenção de um sistema capitalista, cuja origem é o liberalismo, se faz necessário um ciclo de feedback que determine o seguinte processo: 

O Estado, criação da sociedade, sob o consentimento desta, coordena a vida em grupo (pelo império das leis) onde, cada indivíduo, abre mão de parcela de sua liberdade e a entrega ao ente estatal que, assim, adquire um superpoder que deverá ser usado em benefício e na proteção de todos. 

Com isso, seria possível a manutenção da vida em grupo. O Estado, por sua vez lhe entrega um quinhão de liberdade, como a da livre iniciativa, ao custo dos tributos cobrados para tal. Com a renda advinda do pagamento de taxas, impostos, e outros, realiza seus programas sociais (é para isso que o Estado existe) que pretendem equilibrar a desigualdade criada pelo acúmulo de capital. 

Das idas e vindas, erros e acertos e, ainda os devidos ajustes, ficou evidenciado que é, sim, necessário a intervenção estatal nessa relação, ainda mais, devido a tendente e insustentável ganância humana.

Pois bem! Elaborada a visualização acima, voltemos aos fatos e circunstâncias pertinentes de nossa sociedade. 

Baseie-se nos dados fornecidos pela Receita Federal, por exemplo, constatando que os brasileiros possuem uma característica de “sonegadores de impostos”.  Esses, por outro lado, se defendem dizendo que nossa carga tributária é enorme e não há o retorno disso em programas sociais que beneficiem a todos; ademais, segundo seus argumentos, o Governo administra mal os recursos, sem contar com a corrupção que dilui os investimentos em áreas prioritárias como saúde, educação e infraestrutura.

Outra evidência, é que o Brasil nunca teve uma tradição liberal, sendo praticamente obrigado a aderir aos tais princípios ideológicos, sem nem mesmo saber como lidar com eles, embora adotasse o chamado (maldito) “jeitinho brasileiro”, dentro de uma cultura de coronelismo onde a estratificação social se manifesta pelos abismos oriundos da má distribuição de renda como demonstram bem os dados estatísticos do principal órgão brasileiro que realiza a tarefa de levantá-los: o IBGE. Ainda que isso tenha melhorado muito de 2002 para cá, segundo seus próprios dados.

Curiosamente, é desse mesmo grupo, dito de “elite” (minoria) ou das chamadas famílias “tradicionais”, isto é, daqueles que se julgam superiores em gênero, classe, e raça é que emergem as críticas aos programas sociais (obrigação constitucional dos governantes) que visam tirar o indivíduo do estado de miséria e reconduzi-lo ao status de cidadão - apto a exigir direitos e cumprir com obrigações. 

Mas, me respondam os truculentos agressores da atriz ativista: como podem ser tão patriotas (“...já que sua bandeira jamais será vermelha”) se não conseguem cumprir com o mínimo que exige a Constituição como, por exemplo, respeitar a opinião e a ideologia diversa; ou, como podem sonegar, já que esta é a condição que o Estado (objeto de patriotismo) impõe para a liberdade de livre iniciativa; ou, como podem criticar tais programas sociais que estão elencados como normas programáticas em nossa Carta Magna - símbolo maior de nossa soberania e objeto de culto...patriótico? Ademais, tudo isso é ideologicamente liberal (base do sistema capitalista) fruto de um posicionamento pela liberdade...

Percebe? É do discurso do estulto que deriva a contradição de seus argumentos. Não há patriotismo algum. Não há intenção alguma de seguir qualquer ideologia - ainda que liberal. 

O que há, é um ódio a democracia que prevê o equilíbrio pelo Direito entre os seus cidadãos que são colocados no mesmo patamar perante as leis; 

O que há, é a repulsa da patroa que não aceita ver o filho boêmio sentado nos bancos acadêmicos ao lado do dedicado filho da lavadeira; 

O que há, é a xenofobia ao nordestino que deixou de ser pedreiro e divide o trânsito em seu veículo ou viaja de avião sentado ao seu lado;

O que há, é o repúdio ao negro que ascendeu socialmente e que (para eles) deveria estar sendo estapeado por algum policial abusivo numa esquina erma qualquer, desaparecendo logo a seguir, sem ser nunca mais visto pela família;

O que há, é o ataque àqueles que optam por outra forma de se relacionar interpessoalmente, que não a tradicional, a despeito que, na calada da noite, buscam – os agressores – sentir a respiração do objeto de sua fúria em sua nuca.

O cerne por trás do aviltamento à atriz, são as marcas de uma sociedade hipócrita onde determinados parasitas necessitam se empoleirar sobre alguém para se estabilizar socialmente; está na dissimulação de gente que se veste bem, fala bonito, usa perfume caro, mas que corrompe e se corrompe e parte para a ostentação e o egocentrismo, ou, mesmo, da ignorância gratuita de imbecilóides que não são capazes de discernir o que acontece a um palmo de seus narizes. 

No instante em que aquela neurótica vociferava contra a atriz dizendo palavras de baixo calão... “sua puta, você é puta! ”, fico imaginando se inconscientemente ela não estava lembrando da filha que teria se filmado masturbando-se para o namorado (Nude) - filho de desembargador - que espalhara os vídeos pela internet, manifestando assim, por projeção, o seu recalque.

Aliás, gostaria de submetê-la (e os “coxinhas” também) aos cuidados do personagem de HQ da DC Comics Rorschach cujo rosto é um espectro que simula os borrões de tinta do famoso teste de Rorschach que é uma técnica de avaliação psicológica ou teste projetivo, ou, ainda, método de autoexpressão.

O tal teste consiste em dar respostas sobre com o que se parecem as manchas de tinta simétricas. A partir das respostas, procura-se obter um quadro amplo da dinâmica psicológica do indivíduo.

Como todos os testes projetivos, baseia-se na chamada hipótese projetiva. De acordo com essa hipótese, a pessoa a ser testada, ao procurar organizar uma informação ambígua, projeta aspectos de sua própria personalidade. O intérprete (ou seja, o psicólogo que aplica o teste) teria assim a possibilidade de, trabalhando por assim dizer "de trás para frente"(engenharia reversa), reconstruir os aspectos da personalidade que levaram às respostas dadas.

A hipótese projetiva baseia-se no conceito freudiano de projeção: um mecanismo de defesa, através do qual o indivíduo atribui de maneira inconsciente características negativas da própria personalidade a outras pessoas.

Walter Kovacs foi um típico herói fantasiado (se é que existe tal coisa) até que um dia ele descobriu um crime tão horrível (a menina foi seqüestrada, e quando o sequestrador percebeu que ele iria ficar sem dinheiro para ela, ele a matou, picado seu corpo e alimentou-a aos cães). Naquele dia, como ele explicou a seu psiquiatra da prisão, Walter Kovacs morreu e Rorschach nasceu.

O superpoder do personagem é exatamente esse: trazer à tona o que o subconsciente esconde por trás dos recalques que, no caso em questão, revelaria a verdadeira face da agressora e dos coxinhas em geral imersos em seu mundo dissimulado de autoengano.

Então, veja:  nada disso tem a ver com crimes contra o patrimônio, falcatruas, desvio de dinheiro público, imoralidade etc. Fosse assim, haveria um clamor social para que todos os envolvidos em tais investigações tivessem o mesmo tratamento que o partido da situação está tendo, como os tucanos, por exemplo, que invariavelmente são citados em inúmeras investigações e são blindados pelos órgãos de investigação e poupados pela imprensa tendenciosa e adornados por essa gente medíocre. 

Mas, não! O que se vê é a aquiescência a uns e o ódio desproporcional a outros; o que se vê, é a prostituição das instituições públicas que se colocam à disposição da perseguição política através dos populares pseudo juízes heróis, ou de Tribunais de cartas marcadas, ou de polícias judiciárias maculadas que venderam o país por vinte moedas de pratas...

Tudo isso desaguando, na neurose da mulher corneada, que ataca àqueles que não se sentem obrigados a seguir o gado por terem a capacidade crítica de analisar o meio em que vivem. 

Me contestem, os mais inflamados, mas não foi o atual governo golpista que recentemente assinou ajustes de salário bilionários a esses mesmos órgãos ainda que defendesse um discurso de austeridade? 

Me parece que isso soa como um acordo escuso onde o golpista se comprometera com aqueles que movimentaram a máquina estatal nessa armação já descortinada internacionalmente.

Na verdade, nem é o ódio ao partido de esquerda que move os alienados coxinhas (desculpe-me a redundância), mas é o ódio àqueles que eles consideram indignos de cidadania a sua motivação.

Pois, quando a desequilibrada senhora diz que a bandeira é dela percebe-se o desprezo aos outros milhões de cidadãos que estão sob o regime jurídico tutelar das garantias e direitos individuais e coletivos que ela (a bandeira) simboliza e que, portanto, não é posse de nenhum (a) neurótico (a) fascista.

A opinião é dela. A nação, não! Também dela não é a Constituição, nem a cidadania ou a bandeira que, ao contrário, é de todos os que vivem em território brasileiro.

Enquanto os seqüelados histriônicos balbuciam palavras desconexas projetando a espuma que sai dos seus berros delirantes, numa referência a estrela comunista, ainda que afaguem as cinquenta estrelas da outra bandeira, a bandidagem que eles protegem pilha o país e entrega nossa riqueza de mão beijada aos gananciosos.

Portanto, me solidarizo com a atriz global e me indigno e repudio a decisão de determinados grupos em pretenderem impor suas vontades sobre os outros, replicando as palavras da Letícia: “vocês não são democratas! ”

Por fim, prefiro olhar para os céus e imaginar que lá em cima exista algum ser evoluído o suficiente para não pagar um mico desses e fazer valer este tão rico e diverso Universo num formato de inteligência melhor do que isso que venho presenciando por aqui.

Raniery