quarta-feira, 30 de março de 2011

Mitomaníacos


O longa brasileiro VIPs conta a história real de Marcelo Nascimento da Rocha, que hoje cumpre pena por estelionato em Goiás. O filme tem como protagonista o ator Wagner Moura.


Marcelo foi condenado à prisão em regime fechado por aplicar vários golpes. Fingiu ser oficial do Exército, guitarrista da banda Engenheiros do Hawaii e herdeiro da empresa de linhas aéreas Gol. Até entrevista para o apresentador Amaury Júnior ele deu, fingindo ser uma das identidades criadas por ele próprio.

Essa história tem uma similaridade ímpar com o filme “Prenda- me se for capaz" protagonizado por Leonardo Dicaprio e não ficaria surpreso se o criminoso brasileiro tivesse buscado inspiração ali para realizar seus delitos.

Frank Abagnale Jr. (DiCaprio) já foi médico, advogado e co-piloto, tudo isso com apenas 18 anos. Mestre na arte do disfarce, ele aproveita suas habilidades para viver a vida como quer e praticar golpes milionários, que fazem com que se torne o ladrão de banco mais bem-sucedido da história dos Estados Unidos com apenas 17 anos. Mas em seu encalço está o agente do FBI Carl Hanratty (Tom Hanks), que usa todos os meios que tem ao seu dispor para encontrá-lo e capturá-lo.

Poderíamos dizer que são os pilantras imitando arte.

A mentira, trapaça e manipulação fazem parte do currículo deste tipo de mente ardilosa. É a mentira psicopática, e sendo assim, é perfeitamente possível concluir que essas criaturas são mentirosos contumazes, mentem profissionalmente, olhando nos olhos das pessoas que, concluem ilusoriamente, que o que dizem é verdade, caindo desta forma, em suas armadilhas.

Pondere você: todos nós em algum momento mentimos, de forma consciente ou não, abertamente ou de forma dissimulada, pelas mais diversas razões, boas ou más. A diferença, reside justamente na ocasionalidade e na excepcionalidade, em contraposição com a reiteração do mitomaníaco.

O caso de Marcelo repercute porque ele foi capaz de fazer coisas que nós sequer pensaríamos em começar, o que aponta para todo um contexto de personalidade maquiavélica que somente psicopatas desenvolvem com primazia. São experts em enganar pessoas e sentem orgulho disso a ponto de alimentar seus narcisismos.

A imaginação destes criminosos é fértil em trabalhar para o mal. Se gabam desse talento e podem fazê- lo sem qualquer justificativa ou razão: uma das perguntas mais freqüentes que ouço quando um deles “apronta das suas”, é o motivo pelo qual fazem isso; percebo que as pessoas tendem a não acreditar que o mitomaníaco age de forma gratuita. Por desconhecer as características de personalidade que manifestam, acabam sendo vítimas potenciais desses vermes humanos.

O que ocorre é que confundimos o fato de sermos do bem com a cautela que devíamos ter em lidar com as pessoas, e concluímos que todas são bem intencionadas, abrindo mão de avaliá- las como um todo e não somente em contextos parciais.

O interessante da trajetória desse picareta é que envolveu pessoas famosas que caíram em sua lábia demonstrando assim, não só a capacidade maléfica dele, bem como a fragilidade de quem avalia as pessoas somente por aparências.

Prudência é o nome que se dá quando decidimos selecionar quem fará parte do rol 
de nossas interações. Portanto, pense nisso da próxima vez que for convidar alguém pra fazer parte de sua vida.

terça-feira, 29 de março de 2011

Sociedades de economia mista e a demissão arbitrária


Dia desses um chefezinho sem preparo e o mínimo conhecimento de legislação trabalhista, chegou para um colega (que trabalha em uma empresa de sociedade de economia mista) e disse em tom de "otoridade": óia, si a impresa quizé, inté podi ti mandá imbora, viu, esse minino!


Ele estava falando sobre o direito que uma empresa de sociedade de economia mista tem de demitir arbitrariamente, ou seja, sem justa causa. 

Ainda citou o caso de um outro colega que foi demitido desta forma para exemplificar.

O que ocorre é que esse prodigioso chefe cometeu erros básicos em suas afirmações:

-O primeiro foi que a empresa pode mandar embora sem justa causa, exceto em casos de perseguição, ficando obviamente, configurada a ação.

- O segundo erro básico, aliás, foi citar um exemplo único para fundamentar uma generalização, já que não houveram outros casos de igual condição. Sem contar o contexto em que se deu tal situação.

É possível compreendê- lo, pois manifesta certa defasagem de ordem intelectual que o torna um tanto quanto limitado e, muitas vezes, nem o faz por maldade, mas por ignorância mesmo. Vai saber se não estava com alguma doença, sei lá,... varíola , por exemplo.

Veja o que diz o texto abaixo:


TST reintegra empregado demitido por perseguição

Não há impedimento para a despedida imotivada de empregado público. Porém, se a dispensa tem caráter discriminatório, ela é ilegal e o empregado deve ser reintegrado. Com base neste entendimento, a 6ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho manteve decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (Mato Grosso), que considerou nula a dispensa sem justa causa de um empregado da Companhia de Saneamento da Capital (Sanecap), por considerar que ele sofreu “perseguição política”.
O relator do caso, ministro Maurício Godinho Delgado, afirmou em seu voto que, se o empregado não é detentor de algum tipo de estabilidade ou garantia de emprego, o ato de dispensa não requer motivação para sua validade (Orientação Jurisprudencial 247, item I, da SDI-1). Assim, “essa liberdade não autoriza o empregador estatal a realizar despedida com caráter discriminatório, com motivação abusiva, distinta da mera dispensa sem justa causa”, concluiu.
De acordo com os autos, o empregado foi admitido por concurso púbico em abril de 2002 para o cargo de auxiliar administrativo. Em junho de 2007, foi dispensado e ajuizou reclamação trabalhista pedindo reintegração por dispensa discriminatória e indenização por danos morais. A empresa alegou em sua defesa que o empregado foi dispensado com base em “requisitos técnicos” e que, como empresa de economia mista, tem o direito de propor demissões sem justa causa, pois o trabalhador não era detentor da estabilidade e, portanto, as regras aplicáveis eram as previstas na CLT.
Com base em depoimentos de testemunhas, o juiz concluiu que a dispensa foi, de fato, discriminatória. Segundo ele, ficou comprovado que os empregados que participaram de audiência pública na Câmara Municipal e se manifestaram contrários à privatização da empresa foram dispensados. Dessa forma, determinou a reintegração e proibiu a empresa de dispensá-lo no período mínimo de 12 meses após a reintegração, além de condená-la ao pagamento dos salários e demais parcelas remuneratórias relativas ao período de afastamento e indenização por danos morais no valor de R$ 20 mil.
A empresa recorreu, sem sucesso, ao TRT. O acórdão regional, ao manter a decisão anterior, destacou que não há dúvidas quanto à possibilidade da dispensa sem justa causa, porém a dispensa discriminatória fere garantias constitucionais elementares, como o direito de livre manifestação de pensamento, de acesso à informação e de reunião e o de manter convicções políticas sem sofrer privações de direitos. O entendimento foi mantido no TST.Com informações da Assessoria de Imprensa do TST.

Sendo assim, é melhor deixarmos pra quem sabe o que faz, e tem competência para tal,  decidir sobre estas questões; pois senão, passaremos por ridículo achando que entendemos de algo que sequer sabemos do que se trata.



Raniery
raniery.monteiro@gmail.com
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quinta-feira, 24 de março de 2011

Poder natimorto


Historicamente o ser humano é conhecido por impor a força sobre seus semelhantes na tentativa de subjugá- los, para conseguir alguma vantagem- é o direito do mais forte.
A idéia básica é submeter o outro, e assim conseguir o que se quer. Pode ser pela intimidação psicológica ou pela coerção mesmo. Assim como na natureza, é óbvio que, aquele que é mais fraco ou menos forte evitará o confronto por uma questão de preservação: é um ato inteligente; mas no momento em que encontrar uma oportunidade ou uma vulnerabilidade naquele que o subjuga, atacará e tomará seu lugar. Recuperou o lugar que lhe foi tirado da mesma maneira que o usurpador o fez. Nada mais justo oras. E só o fez porque foi lhe imposto uma injusta agressão.
Pense em um cadáver. Quando o coração pára de bater, as células do corpo e os tecidos param de receber oxigênio. As células cerebrais são as primeiras a morrer - normalmente em três a sete minutos. Ossos e células da pele, no entanto, sobrevivem por diversos dias. O sangue começa a ser drenado dos vasos sanguíneos para as partes inferiores do corpo, criando assim uma aparência pálida em alguns lugares e uma aparência mais escura em outros.
Conforme as células morrem, as bactérias dentro do corpo começam a desintegrá-lo. Enzimas no pâncreas fazem com que o órgão se dissolva sozinho. O corpo logo assume uma aparência horrível e começa a cheirar mal. Tecidos em decomposição liberam uma substância esverdeada que liberam gases como metano e sulfeto de hidrogênio que desperta o apetite das moscas que podem se alimentar bem com um cadáver. O corpo em putrefação pode se tornar o habitat de cerca de 300 larvas. Os pulmões expelem um fluído pela boca e pelo nariz.

 Embora soe bastante macabro, é perfeitamente normal que o corpo passe por diversas mudanças radicais quando a pessoa morre.

E o que isso tem a ver com o assunto aqui discutido? Tudo!

Da mesma maneira que um organismo em estado de decomposição, o poder pela força já nasce morto- é natimorto. E por quê? Porque não se sustenta de forma legítima. Assim que outro mais forte que o anterior decide assumir seu lugar, seus dias estão contados. Seria legítimo caso gerasse algum dever, se fosse legal, por exemplo, mas se baseia na intimidação. Quem cede, não o faz pelo dever, mas pelo medo. No momento que o medo acaba ou que a situação se torna insustentável, uma reação é deflagrada pelo sujeitado.

Vale lembrar que o valentão ou o poderoso sabe que seu poder subsiste por uma condição que não se sustenta, e o que faz é utilizar de manobras e ardis, como a manipulação.

Há um personagem de história em quadrinhos que retrata um pouco dessas relações: “V (de vingança)”.
O enredo é situado num passado futurista (uma espécie de passado alternativo), numa realidade em que um partido de cunho Totalitário ascende ao poder após uma guerra nuclear. A semelhança com o regime Fascista é inevitável devido ao fato do governo ter o controle sobre a mídia, a existência de uma polícia secreta, campos de concentração para minorias raciais e sexuais. Existe também um sistema de monitoramento feito por câmeras nos moldes de "1984", de George Orwell, escrito em 1948. A história em quadrinho foi escrita num momento histórico no qual a Inglaterra estava implementando o sistema Capitalista Neoliberal com a primeira ministra Margaret Thatcher. Ao mesmo tempo o "Socialismo Real" da extinta URSS (atual Rússia), estava em total descrédito devido aos horrores do Stalinismo.
"V" (codinome do protagonista) tem uma postura Anarquista e decide lutar contra o sistema após ter sido vítima de experiências ilícitas realizadas por este governo. O final do filme é surpreendente.
Em situações, onde as relações caminham em pé de equilíbrio há uma normalidade que se desenrola, o que é saudável e é o que todos querem. O que acontece é que isso, de certa forma, é uma utopia já que até hoje não ocorreu, salvo algumas exceções que se aproximaram do ideal.
Somos desiguais, apostamos nisso e preferimos os conflitos à harmonia.
Chegará o dia em que teremos que decidir sobre isso. Em determinado momento as pessoas de bem ficarão tão saturadas que sairão de seu comodismo paralisante e partirão para o confronto, assumindo o lugar que lhe é devido. 

Raniery
raniery.monteiro@gmail.com
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quarta-feira, 23 de março de 2011

A sarna da xenofobia


A Xenofobia e o racismo assombram o mundo novamente.

Os episódios vão desde ataques de skinheads em São Paulo e sites nazistas no sul do país, declarações infelizes de uma estudante de direito no Facebook, até escritores e candidata à presidente na Europa.

Nos primeiros casos poderíamos atribuir a atitude a uma suposta formação precária das pessoas, já no segundo caso não! Parece-me que o ódio tem maior capacidade de envolver as pessoas que preferem abrir mão do bom senso e inteligência pra pautar suas ideologias em questões que não se sustentam por si só, aliás, ideologia nem sempre é sinônimo de coisa boa.

Na Alemanha, que viveu o horror do holocausto induzida por um degenerado, um escritor- Thilo Sarrazin, decide insuflar pessoas com suas teorias nazistas de superioridade racial, que ele chama de inteligência genética. Vai saber se não se inspirou no anjo da morte de Hitler...!

Na França, a candidata e líder populista de extrema direita- a xenófoba Marine Le Pen, que faz oposição à Sarkozy, é contrária a uma Europa comum.

Na Itália, temos Berlusconi, mas... o que falar do primeiro ministro viciado em menores de idade, não é?

Ao que parece, para determinadas pessoas, o mundo não está violento o bastante. Precisam de mais ódio e guerras pra alimentar sua sede de sangue. Nem o passado histórico que causou uma devastação mundial foi suficiente pra que alguns ditos humanos aprendam alguma coisa.

Nesse mundo caótico, estamos precisando urgente de que os pacificadores assumam o poder em várias áreas de nossa existência, pois os promotores da miséria humana estão servindo o seu senhor com determinação implacável: seu nome? O mal.

Eu acredito nas pessoas, e que elas são a maioria por todo o nosso planeta. Aqui no Brasil, por exemplo, entre muitos contrastes e desigualdades, vemos judeus e árabes em convivência pacífica; temos budistas, hindus, protestantes, umbandistas e católicos praticando suas religiões. Mesmo assim vez por outra alguma anomalia insiste em se manifestar, mas de forma geral lidamos relativamente bem com as diferenças. Acredito que precisamos avançar muito ainda, porém me parece que estamos numa rota positiva e não voltando à trás nas sombras dos guetos e campos de concentração.

Vamos acordar humanidade!


Raniery
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terça-feira, 22 de março de 2011

Bullying: a prática da covardia


A vida urbana, ao que parece, torna as pessoas mais frias, stressadas e violentas.

O mau humor, o revanchismo, a competição e a disputa são alguns efeitos da chamada selva de pedra ou se preferir, modernidade.

Os filmes retratam isso à cada lançamento, assistimos todos os dias essa triste constatação em noticiários, somos testemunhas, em alguns casos e protagonistas em outros.

Mas quando vemos nossas crianças demonstrar reações cruéis com seus colegas, isso nos deixa chocados e perplexos: é o bullying.

Recentemente conversando com uma colega de faculdade, o tema surgiu, e ela nos revelou o quanto este tipo de violência teve impacto em sua vida, sendo que sente seus efeitos até hoje.

Nesses casos o que se deve fazer é tentar o diálogo com os responsáveis na escola, caso não se obtenha êxito, o caminho é denunciar ao conselho tutelar e ao Ministério Público.

Precisamos discutir este tipo de fenômeno com nossos filhos pra que amanhã não sejam agressores ou mesmo vítimas. É necessário estar atento à mudanças de comportamento, pois em muitos casos a criança fica com vergonha de dizer o que está acontecendo com ela; o importante é ler os sinais.

Vale ressaltar que a escola é responsável pelo que ocorre com cada criança que esteja dentro de seu perímetro, incluindo eventual processo penal.


Raniery
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