quarta-feira, 27 de julho de 2011

Força sobrenatural


Anúbis
Em nossa jornada aqui neste planeta desde que passamos a nos agrupar e ter consciência de nossa existência utilizamos um mecanismo de sobrevivência muito forte: a cultura.Essa ferramenta nos ajudou a superar as adversidades da natureza e a combater inimigos.

A partir do momento em que decidimos viver em agrupamentos e deixamos de ser nômades em conseqüência do conhecimento advindo da agricultura e da domesticação de animais desenvolvemos um sentimento de religiosidade e entendemos que devia haver algo mais ou alguém que fosse o criador de tudo que existia.

Essa é a provável origem dos deuses e da religião.

Teorias de um lado, controvérsias de outro, o fato é que a fé é algo cultural e, portanto, ligado ao homem em seu contexto social.

Tanto nos primórdios como hoje em dia recorremos ao sobrenatural pra praticamente tudo em nossas vidas; pedimos a divindade que interceda por nós nos mais variados aspectos de nossa existência: trabalho, finanças, relacionamentos, proteção etc.

Os antigos possuíam um deus pra cada atividade humana. As divindades evoluiram conforme as civilizações se sofisticavam e apresentavam as mais diversas formas e características conforme cada povo.

Seja politeísta ou monoteísta a verdade é que o homem sente a necessidade de invocar a ação de poderes maiores que os seus ou onde se esgotaram as suas forças na resolução dos seus conflitos, até porque, tem coisa que onde há a interferência humana quebrando as próprias regras que cria o mesmo dificilmente ocorre em se tratando de sobrenatural, a não ser que se esteja disposto a pagar o preço disso.

Ninguém foi mais religioso e praticante de magia que os egípcios. A civilização solar continha um panteão respeitável de deuses e deusas que atuavam em todos os aspectos desse povo.

Destaca- se a poderosa deusa Ísis, seu marido Osíris, morto por Seth (o senhor do caos) e Anúbis (o senhor das câmaras funerárias, do submundo e da justiça).

Discute- se os efeitos da fé e da magia se seriam de ordem psicológica, isto é, sua atuação meramente na psiquê de quem os utiliza ou se de fato é real dentro dos limites da metafísica. Só não se discute que é um fenômeno ligado a própria existência humana e, portanto, social.

Desta forma pode- se falar das inúmeras civilizações com suas respectivas práticas e na essência todas, de certa forma, apresentaram os mesmos aspectos.

O mundo evoluiu em suas mais diversas facetas, desvinculamo- nos do teocentrismo, no que diz respeito aos poderes do Estado, obviamente na maioria das civilizações. O monoteísmo se tornou prática religiosa dominante e influenciável, mas continuamos e continuaremos a invocar o sobrenatural em nossas vidas diante das mais diversas áreas que a compõem.

Uma variação interessante a essas entidades são os personagens de HQ no formato de super heróis que mimetizam os deuses e seus poderes. Eu, particularmente, gosto muito do Motoqueiro Fantasma e sua obsessão por punir os perversos (por que será, não é mesmo?). Ele se auto intitula Espírito de vingança.

Havia uma versão similar brasileira que data de 1937, o Garra Cinzenta e os dois me lembram algumas entidades afro brasileiras que são os exús, claro que o “Caveira” pelas características, digamos, físicas. Estes são energias poderosas que se manifestam pra punir aqueles que afetam a ordem natural do universo praticando a maldade e a perversidade. Os exús surgem , então, como vingadores e agentes de evolução proporcionando meios pra que aqueles que insistem em manter uma conduta impertinente tenham a possibilidade de refletir por seus atos.

Uma das partes do filme do motoqueiro que mais gosto é o do olhar da penitência onde o psicopata têm que olhar diretamente pro místico ser e se defrontar com todo mal que fez às suas vítimas e, então...é punido.

Todo egípcio tinha ciência, desde seu nascimento, que deveria ter uma vida pautada por uma consciência do bem e do mal e sabia que se defrontaria com Anúbis e seu coração seria pesado na balança da justiça eterna.  Caso os atos que fizera em vida fossem desabonadores, ele não poderia passar a eternidade ao lado de Rá e seria entregue a um demônio que o devoraria. Não havia como enganar o deus dos mortos e senhor de legiões de demônios que o serviam.

Toda esta mitologia não difere muito das demais de outras religiões incluindo aí as monoteístas. Certo é que nós temos bem definido o que devemos ou não fazer, mas nossa atual sociedade, urbana, industrial e capitalista vem apagando dos registros de sua consciência valores e princípios importantes e que permitiram nossa existência ao longo desses milhares de anos.  As organizações assumiram o lugar de produtoras de cultura e comportamentos através de seus persuasores meios de estímulo ao consumo. O resultado? Estamos formando exércitos de narcisistas, individualistas e egocêntricos que quando não reproduzem as atitudes psicopáticas, através da decomposição emulativa de suas consciências que é aplacada pela racionalização,  as praticam em caráter completo.
Garra cinzenta

Seja qual for a religião ou seus dogmas, muito mais importante é resgatar dentro de nós os princípios e valores que se contraponham e promovam a resistência contra este sistema desintregador social.
Invoquemos nossos deuses, entidades e poderes ou mesmo nossa própria consciência no combate aos perversos pra que não continuem a sentirem- se livres pra contaminar o mundo com seus podres conceitos e sistemas.

Com licença, preciso fornecer o endereço de alguns psicopatas aos meus amigos ocultos...






Raniery
raniery.monteiro@gmail.com

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Férias, período aquisitivo, carência e faltas injustificadas


Assédio moral é a perversidade institucionalizada.

Explico: recentemente havia marcado minhas férias pra agosto e já estava tudo certo quando fui pego de surpresa pelo DP de minha empresa que disse- me que eu não poderia sair neste mês. A alegação dada é que pela mudança de meu período aquisitivo e por uma tal de carência de 20 dias, eu estava impossibilitado de gozar do descanso que a lei me permite. Expliquei- lhes, então, que já havia assinado documento que permitia tal saída, mas que concordaria em aceitar a mudança desde que a empresa me notificasse por escrito apresentando suas razões. Isso, não só não foi feito como ainda despertou a fúria das ofendidas assistentes de RH que reclamaram de minha grosseria.

Solicitei a cópia do documento que me amparava ao assistente administrativo de meu setor que a entregou sem maiores problemas sem saber que isto despertaria a fúria de meu gerente.

Fui chamado, então, diante de meu superior hierárquico que de forma colérica bradou contra minha petulância em adquirir documento que me pertence por direito. Aliás, alegou que por minha causa o rapaz seria punido e isso porque o havia induzido em erro, já que estou cursando Direito.

Perguntei- lhe, então, qual a relação de uma coisa com a outra e se o fato de conhecer meus direitos era um problema pra ele. Inexplicavelmente a sessão de ofensas e insultos à minha pessoa acabou assim bem como a conversa e fui convidado a me retirar da sala.

Bom, em certo momento fiquei confuso sobre tal deliberação e fui...procurar conhecer meus direitos (mesmo sabendo que isso é um defeito em minha empresa e que magoa meus superiores).

Nisso, não só obtive a resposta que pleiteava como ainda fiz um amigo o

SR Christian T. Ortiz advogado trabalhista que me deu a seguinte resposta pra situação:

Olá Rraniery,
Boa Tarde.

Me desculpe a demora para respondê-lo, no entanto não está sendo fácil dar retorno a quase 30 emails diários vindos através do BLog.

Quanto ao direito às férias e proporção de faltas injustificadas, a CLT diz o seguinte:

Após cada período de 12 (doze) meses de vigência do contrato de trabalho, o empregado terá direito a férias, na seguinte proporção:

I - 30 (trinta) dias corridos, quando não houver faltado ao serviço mais de 5 (cinco) vezes;

II - 24 (vinte e quatro) dias corridos, quando houver tido de 6 (seis) a 14 (quatorze) faltas;

III - 18 (dezoito) dias corridos, quando houver tido de 15 (quinze) a 23 (vinte e três) faltas;

IV - 12 (doze) dias corridos, quando houver tido de 24 (vinte e quatro) a 32 (trinta e duas) faltas.


No entanto, se as faltas ocorreram após a notificação das férias, este desconto de dias deve ocorrer nas próximas férias concedidas.

Att,

Christian T. Ortiz


Resumindo, houve alegação de que eu não poderia sair de férias no mês que fui notificado por causa da mudança de meu período aquisitivo e que teria uma suposta carência de 20 dias com o agravante de faltas injustificadas, muitas das quais, aliás, tiveram sua justificativas recusadas justamente por quem me assedia moralmente a cinco anos.

Ficou claro em mais esse episódio a prática do assédio moral e o tratamento discriminatório para comigo por conta disso e que gerará mais um processo na justiça do trabalho.





Raniery
raniery.monteiro@gmail.com

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Ato emulativo


Por definição ato emulativo é aquele que é exercido somente pra prejudicar o outro. 


Emulação é a conduta de uma pessoa que ao exercer um direito escolhe maliciosamente meio nocivo a outrem, podendo fazê- lo de outra forma, e nenhuma é a vantagem obtida. Somente constitui ilícito penal se definida como tal.

Num mundo cada vez mais competitivo e pautado por valores de ordem econômica, ao que parece as pessoas perdem alguns referenciais importantes pra manutenção de uma coexistência viável.

Quando a felicidade fica subordinada a coisas materiais, passa- se a relativizar as atitudes. Começamos a enxergar tudo através desta ótica e abrimos mão de princípios importantes como a dignidade, por exemplo. Desta forma, aquilo que era prioridade torna- se sem valor em função do que se quer conseguir.

O grande perigo desta forma de se conduzir é o de nos perdermos e descobrirmos mais tarde que não conseguimos coisa alguma. Isto, em se tratando de pessoas com consciência, obviamente. Já aquelas que não possuem escrúpulos, isso não é problema de forma algum. Pra elas o lema é: o fim justifica os meios. Sendo assim, farão o que for preciso pra atingirem seus objetivos e se alguém atravessar em seu caminho será descartado.

Emulação, então, é o ato exercido com o objetivo de prejudicar outra pessoa e só isso. É a maldade pela maldade, ou seja, pelo prazer.

Podemos ser tentados a achar que esta prática só ocorre em países onde as democracias são precárias ou miseráveis. Mas não, é um fenômeno global. Faz parte de um tipo de ser humano que norteia sua vida à custa do tormento alheio.

Nas civilizações decadentes, como as ocidentais, onde o sistema capitalista permeia todos os nichos sociais, a desigualdade é uma marca. Basta entender que não tem como uma meia dúzia de países serem extremamente ricos se não houver outros miseráveis.

Onde a miséria graça, não há porque se esperar que haja princípios ou valores, mas incrível e inexplicavelmente, ações perversas não são exclusividade de pessoas desprovidas: ocorre em todas as classes e níveis sociais.

Vale dizer que a falta de consciência por parte de pessoas que são exceção a regra é tão antiga quanto o próprio homem.

Na Bíblia encontramos inúmeros registros de práticas condenadas por seus autores. Dentre eles eu citaria o rei Davi que é uma lenda dentro da cultura judaica, e, que, em seus Salmos, deixava muito clara sua indignação contra seus inimigos e em seus desabafos descrevia pra características que apontam pra este tipo de perfil.

Basta uma leitura simples e rápida do salmo 5, por exemplo, pra perceber que o carismático monarca traça as características psicopáticas de seus cruéis desafetos, entre elas a  prática da maldade, a iniqüidade, a arrogância, a mentira, numa listagem infindável e conhecida de todos nós.

Eu defendo a opinião de que este tipo de pessoa perversa não muda seu comportamento ao longo da vida e, corrobora comigo, os especialistas que apontam o transtorno de personalidade dissocial como um estilo de vida que a pessoa escolhe pra se conduzir e que não tem intenção de mudar ou arrependimento pelo que faz.

Em meu trabalho, a partir deste raciocínio, consegui identificar algumas figuras que apresentam este perfil. Incrivelmente, eles não falham uma única vez: sempre manifestam seu comportamento negativo. Inibem-se por algum momento, caso haja algum órgão que os fiscalize, mas logo após colocam sua garras de fora.

Perceba você: por esses dias a empresa enviou- me uma deliberação que proibia um direito meu por conta do capricho das funcionárias do departamento de pessoal. Imediatamente lhes indaguei a legalidade de tal ato. Elas, então, se ofenderam, pois segundo sua ótica eu não deveria lhes questionar e teria que acatar qualquer determinação de forma mansa e servil, pois afinal, elas são de um setor muito importante e praticam tal ato tradicionalmente. É o famoso “sempre foi assim”.

Solicitei- lhes, então, que me dessem por escrito uma notificação que se recusaram prontamente.

Reclamaram ao seu gerente de minha petulância, e, este ao meu. Um pouco antes eu havia solicitado, ao meu setor, uma cópia do documento, que eu assinara um mês antes, e que me amparava em tal situação. Minha atitude gerou consternação e a classificaram como absurda e petulante. E mais: fui tido como malicioso pelo fato de ter solicitado tal documento ao funcionário do setor que “de forma ardilosa haveria sido induzido a erro por mim”. Detalhe, tudo por que estou cursando a faculdade de Direito, externou o agressor.

Dias depois, enviaram um superior pra tentar me coagir a assinar um documento em que eu abria mão de meu direito e o mais engraçado é que havia um anexo onde eles reconheciam o erro da empresa. Debaixo de ameaça tentaram forçar um colega a ser testemunha, mas este se recusou o que causou a fúria do chefe. Foi então que pedi uma cópia do referido documento que, evidentemente, recusaram a me fornecer.

Estranhamente disponibilizaram informação na intranet da empresa onde consta uma data que reforça meu argumento de que, em relação a tal direito, deveria ter- me sido antecipado.

Sarcasmo à parte, o fato é que eles ficaram extremamente frustrados por não conseguirem me causar dano e ainda atribuíram a mim exatamente o que eles fazem. Resumindo: o tiro saiu pela culatra.

 Verdade é que “eu não poderia ter tido acesso àquele documento” (obviamente porque me amparava) e na tentativa de intimidação sinalizaram certo desespero e raiva porque eu consegui me defender de uma ilegalidade, o que é compreensível se pensarmos do ponto de vista das pessoas perversas, pois deve ser frustrante elaborar uma armaçãozinha, e, quem deveria cair, não só se livra como ainda dá o troco. É pra ficar bem chateadinho, né?

O que restou ao agressor foi vociferar que promoverá uma retaliação, mas isso é esperado por parte deles e já estou calejado. Interessante mesmo foi que depois de anos de assédio moral, ser esta, a primeira vez que decidiram me encarar e se comunicar verbalmente, o que não deixa de ser surpreendente e aponta que estamos evoluindo em nossa comunicação subjetiva.

Portanto, a emulação é a estratégia dos cafajestes que de maneira sórdida utilizam mecanismos covardes com aparência de legitimação, mas que contém uma carga de malignidade total dirigida contra alguém que se quer prejudicar.

O segredo é procurar conhecer seus direitos e ter a convicção e firmeza de defendê- los.


Raniery
raniery.monteiro@gmail.com