terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Xenofobia, homofobia... Fobia: imbecilidade!

Por trás da agressão a uma pessoa, grupo ou etnia se esconde, na realidade, o medo do diferente.

Olhe à sua volta e conclua por si só- a diversidade faz parte da natureza.


Definição:

Xenofobia é uma palavra de origem grega que significa antipatia ou aversão a pessoas e objetos estranhos. O termo tem várias aplicações e usos, o que muitas vezes provoca confusões em relação ao significado. A xenofobia como preconceito ou racismo acontece quando há repulsa em relação à raça, cultura, opção sexual etc.

Distúrbio:

Em outra abordagem, o termo é usado para designar uma doença psiquiátrica, o indivíduo portador possui medo excessivo de situações e pessoas estranhas. De forma mais sintetizada, é o temor de uma pessoa em relação a tudo que é diferente para ela.


A xenofobia, como doença, é considerada uma perturbação psicológica de característica fóbica; sua principal característica é a elevada ansiedade desenvolvida a partir de situações vividas por um indivíduo quando se depara com um fato inédito ou estranho.


Em senso mais restrito, xenofobia é o medo excessivo e descontrolado do desconhecido. Neste sentido, é uma doença e insere-se no grupo das perturbações fóbicas, caracterizadas por ansiedade clinicamente significativa, provocada pela exposição a uma situação ou objeto temido (neste caso, as pessoas ou situações estranhas ao doente). Pessoas que apresentam este terror persistente, irracional, excessivo e reconhecido como tal, tendem a evitar o contato com estranhos uma vez que esta situação lhes provoca extrema angústia, ansiedade, aumento da tensão arterial e da frequência cardíaca. Nos casos mais graves pode, inclusive, motivar um ataque de pânico. O evitamento, antecipação ansiosa ou mal-estar em relação à situação temida, interfere significativamente com as rotinas normais da pessoa, o exercício ocupacional, os relacionamentos e atividades sociais.


Pessoas que possuem esse distúrbio geralmente evitam ter contato com outros indivíduos estranhos, essa atitude tem como objetivo poupar o xenófobo de angústia, ansiedade, elevação da tensão arterial e freqüência cardíaca, além de apresentar ataque de pânico.


É o medo irracional, aversão ou a profunda antipatia em relação aos estrangeiros, a desconfiança em relação a pessoas estranhas ao meio daquele que as julga ou que vêm de fora do seu país.

Formas de agressão:

A xenofobia pode manifestar-se de várias formas, envolvendo as relações e percepções dos grupos agressores e agredidos incluindo o medo de perda de identidade, suspeição acerca de suas atividades, agressão e intenção de eliminar a sua presença para assegurar uma suposta pureza. A xenofobia pode também assumir a forma de uma "exaltação acrítica de outra cultura" à qual se atribui "uma qualidade irreal, estereotipada e exótica. A xenofobia pode ter como alvo não apenas pessoas de outros países, mas de outras culturas, subculturas ou sistemas de crenças. O medo do desconhecido pode ser mascarado no indivíduo como aversão, ódio, ou agressividade gerando preconceitos. Note-se, porém, que nem todo preconceito é causado por xenofobia.


Atitudes xenofóbicas incluem desde o impedimento à imigração de estrangeiros ou de pessoas pertencentes a diferentes culturas e etnias, consideradas como ameaça, até a defesa do extermínio desses grupos. Por esta razão a xenofobia tende a ser normalmente associada a preconceitos étnicos ou ligada à nacionalidade. 


Estereótipos pejorativos de grupos minoritários (por exemplo: "asiáticos são sujos", "muçulmanos são violentos", "negros são menos inteligentes", "europeus do norte são superiores aos europeus do sul", "povos anglo-saxões são superiores aos povos latinos", etc.) e conflitos de crenças podem levar um indivíduo ao ódio.

Pesquisas:

Nos casos de homofobia, estudos da Unifesp sugerem relações de medo.


Um estudo feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) apontou que o preconceito contra homossexuais pode estar baseado em sentimentos de baixa dominância, como medo e vergonha, indicando que a homofobia seria um comportamento defensivo.


Realizado pela pesquisadora Cristina Lasaitis, do departamento de psicobiologia, o estudo analisou as emoções envolvidas no tabu da homossexualidade e comparou as diferenças entre grupos de voluntários com diferentes níveis de preconceito: homo e bissexuais, heterossexuais sem preconceito e heterossexuais que se declararam preconceituosos.


Para isso, foram avaliados 39 voluntários, sendo nove homens heterossexuais e nove gays ou bissexuais dez mulheres heterossexuais e onze lésbicas ou bissexuais. Os voluntários foram recrutados mediante o preenchimento de um questionário que avaliava, entre diversos assuntos, o seu nível de preconceito.


O experimento foi realizado individualmente em uma sala onde cada voluntário assistia a uma apresentação de 40 imagens de diversos tipos, como de casais hétero e homossexuais em cenas eróticas e fotos sem cunho sexual, como de animais e paisagens.


O voluntário relatava o que sentia perante cada imagem através de uma escala que media os níveis de prazer, alerta e dominância e durante a exibição das imagens eram tomadas medidas fisiológicas, como suor das mãos, temperatura e movimento dos músculos faciais. O suor das mãos sem excesso indicava um alto nível de alerta perante a imagem apresentada, segundo a pesquisadora.


Através das medições, a pesquisa apontou que os homens heterossexuais se sentiram incomodados ao verem especificamente imagens de casais gays. Em contrapartida, as mulheres heterossexuais mostraram desagrado moderado frente a imagens de casais homossexuais, independentemente se fossem de gays ou de lésbicas. Já os voluntários homo e bissexuais apresentaram níveis de prazer altos e semelhantes para imagens dos três tipos de casais.


Os resultados sugerem que, diante de um grupo com orientação sexual diferente, as pessoas tendem a ficar mais acuadas ou receosas, indicando que esses sentimentos devem ter maior influência no preconceito do que o ódio propriamente dito.


Conclusão:

Ao que parece tudo indica que estes tipos de fobias nascem da irracionalidade já que não têm fundamento ou subsídio em nada que é plausível ou razoável. É muito mais um problema interno do agressor que propriamente algo relacionado às vítimas.


Penso que, ao agredir um homossexual, o agressor utiliza mecanismos de projeção que apontam para seus próprios desajustes sexuais ou quem sabe problemas mal resolvidos na infância, como abusos sexuais sofridos, por exemplo. Quem tem sua sexualidade resolvida não teme à do outro, seja ela qual for.


Quanto às questões religiosas entendo que não encontram amparo na própria religiosidade, já que é lá que aprendemos que somos possuidores do chamado livre arbítrio, que nos é dado pela divindade, sendo condenado ou não pelo código ou dogma das religiões. E outra, se for o caso, é só não aceitar aquela pessoa na religião que a rejeita e ela, com certeza, encontrará uma que a acolherá e poderá exercer sua fé sem constrangimentos. O que não é aceitável é a violência em nome de Deus por fundamentalistas ou fanáticos. 


Muitos clérigos utilizam a história de Sodoma e Gomorra pra justificar e estimular o preconceito a homossexuais, mas se esquecem de que o texto cita a maldade humana e sua perversidade como o motivo pelo qual Deus decidira destruir tudo por lá. Será que não seria maldade atacar pessoas que não nos fazem mal algum?


Nas questões xenofóbicas o medo do estrangeiro parece estar mais relacionado com o medo pela competição. Na realidade são desculpas mal fundamentadas e que exploram o pior das pessoas em nome de uma suposta superioridade que ironicamente a própria ciência provou não existir, pois não há diversas raças, mas uma única raça: a humana.


A realidade é que diante do fracasso precisamos culpar outros ao invés de buscar soluções.


O grande problema é que, em momentos de recessão e crise, manipuladores utilizam discursos nacionalistas insuflando o ódio nas pessoas, como ocorreu nas duas grandes guerras do século passado que culminou com a ascensão e queda do nazi-facismo.


Se a desculpa é uma doença (fobia), então a resposta é óbvia: tratamento.


Se o pretexto pra agredir é a religião: “amai- vos uns aos outros e perdoai-vos.”


Se o problema está no diferente, procure o seu igual.


A verdade é que não existe argumento pra agressão e pra violência, pois se assim o fosse, não se agrediria, e sim, convenceria.


Portanto esta na hora de evoluirmos e darmos lugar a uma consciência livre destas deturpações.


Raniery
raniery.monteiro@gmail.com
@mentesalertas