segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Coronéis e Carcamanos

Muita gente pensa que sou contra determinadas instituições, como as forças de segurança pública, por exemplo. Contra elas, não sou, mas opositor ao seu modelo autoritário e tradicionalmente de abusos, sim.

No entanto, há outro lado da moeda que já abordei aqui por ocasião de uma postagem que escrevi sobre o assédio moral nestas instituições. É que dia desses tive o prazer de receber em minha casa um integrante de outra corporação que está passando por isso na guarda municipal de Praia Grande.

Nada muda, é tudo igual- o assediador de lá pratica o mesmo que o daqui (Guarda Portuária); É o mesmo jogo sujo, a mesma covardia e o uso da máquina pública por quem busca interesses próprios. A única diferença é que tempos atrás a vítima estaria sozinha pra ser devastada em seu equilíbrio emocional e desestabilizada em seu ambiente de trabalho.

Hoje, com a proliferação da informação e a consciência cada vez mais crescente por parte da classe trabalhadora no que concerne aos seus direitos e garantias torna a vida do assediador um pouco mais incômoda. E esta é a missão n° um do “Mentes Alertas”: conscientizar e combater este mal dentro de seus limites naturais evidentemente.

Veja que se isentar e ignorar o que ocorre a um pai ou mãe de família é atitude que qualquer um pode adotar, afinal de contas não é com ele (a) que isso está ocorrendo, mas numa democracia experimentar a condição de cidadão significa dizer que o direito alheio me interessa na medida que de alguma forma ou em algum momento sua violação pode me atingir e, ademais, é uma atitude mais avançada e evoluída de se construir uma sociedade.

Logo, quando fui procurado pelo guarda municipal por indicação de um colega de trabalho, não pensei duas vezes em apoiá-lo na decisão de resistir ao processo de assédio moral pelo qual é submetido naquela corporação, inaugurando, assim, uma parceria e, ignorando, qualquer corporativismo doentio.

De qualquer forma, nada me dá mais prazer na vida que causar prejuízos a um assediador, pois tenho nojo deste tipo de gente. É algo visceral mesmo. Eu diria que uma de minhas paixões é atormentar assediadores, e ao longo desses anos de assédio venho refinando o processo.

Nada disso, porém, tem qualquer relação com a questão de subordinação, oriunda dos contratos firmados entre o Estado e seus servidores, até porque, a disciplina e a subordinação são valores e princípios necessários ao bom atendimento dos serviços públicos, e, é inadmissível que agentes estatais pensem que são livres pra fazerem o que bem entendem às custas do interesse público.

Nenhum gestor assediador poderá alegar que sua atitude atende aos interesses do Estado, pois age por meio de questões pessoais, muitas vezes acobertando outras questões de caráter ilícito, daí forjarem a indisciplina de suas vítimas para camuflar os seus ardis. Então, combater o assédio moral dentro de qualquer instituição, pública ou privada é uma questão de cidadania que interessas a todos os integrantes de uma comunidade.  

Por isso, me sinto grato por poder compartilhar com outras pessoas minha experiência pessoal, e, se nesse processo eu puder ajudar de alguma forma cumpri minha missão. O bom de tudo isso é que as pessoas idôneas podem encontrar apoio e forças pra se levantar, no entanto, os vermes sempre serão os mesmos e não evoluem- o que, cá pra nós, acaba facilitando o trabalho quando se aprende a lidar com eles.

Finalizando quero dizer ao meu amigo de farda que não está sozinho nesta tarefa e que desmontamos a primeira e principal estratégia do agressor: isolar a vítima.



Forte abraço!
Raniery





raniery.monteiro@gmail.com