terça-feira, 9 de junho de 2015

A Moral da Sacanagem

Logo cedo, lá na tenra idade, nossos pais e posteriormente a escola, interferem em nosso processo de desenvolvimento em função da forte estrutura moral que a sociedade nos impõe dentro de outra super-estrutura denominada Cultura. 

É uma estrutura dentro de outra estrutura e assim por diante. Esgotado isso o que sobra é a derradeira estrutura formada pelas instituições estatais como a justiça e suas leis dentro da (estrutura) jurídica ou de Direito.

Mas, após algum tempo e durante o nosso crescimento como perceberíamos tal complexidade? Afinal de contas, éramos somente crianças sem entender toda esta engrenagem maluca! Aliás, cá pra nós, nem após nos tornarmos adultos entendemos toda esta geringonça chamada de sociedade...!

E outra, além de ser uma construção histórica, lá dos tempos anteriores ao das “botas perdidas por Judas”, que isso, é também, um esforço conjunto e herdado de gerações e civilizações anteriores e continuaremos o processo. Ou seja, nós produziremos hoje o que o “José” fará amanhã, não o amanhã logo ali, mas daquele amanharão distante no futuro que nem se sabe como será, e se será.

Pra falar a verdade só de pensar nisso já fiquei exausto e nem é isso que eu estava refletindo no começo, porém não teria outra forma de introduzir o assunto sem o devido contexto de coesão.

Voltemos às regras morais que nos são ensinadas para que possamos nos integrar socialmente. Uns povos são mais rigorosos que outros neste quesito e até entre regiões vemos tais intervalos de graduação. Fora o fato de que o que é moral em determinado lugar não o é em outro, daí a dificuldade de se categorizar especificamente os atos em si.

Partindo do local onde me encontro e evidenciando a distinta realidade que é a brasileira permito que meus processos de abstração tentem decodificar o que se passa neste lugar insólito. Se pra mim que sou um filho da pátria (ei...não pense isso, ainda mais de minha saudosa mãe) é difícil, imagine pro meu amigo leitor de outro país! Viu só como se prova a generalidade do assunto?

Doravante vou restringir ainda mais a ideia a um nível ainda mais elementar que é o das relações de trabalho por aqui. Ainda mais com a aprovação das modificações relativas à terceirização da mão de obra que estão invadindo os comentários e sono dos trabalhadores brasileiros. A apreensão é justa já que aquilo que se conquistou enquanto direito e garantia vai pelo ralo abaixo sob a desculpa de competitividade.

Só que eu disse que restringiria o assunto ao máximo limite pra poder permitir ao leitor desta postagem saber o que penso sobre determinados comportamentos humanos, ainda que nem concorde comigo sobre isso.

Houve um ilícito cujo resultado impactou a produção de determinados grupos que solicitaram aos devidos responsáveis uma tomada de providências. Tais ações foram tomadas ignorando o que a normatização diz, sobretudo, nos direitos e garantias que serão lesados. É o papel que se espera de quem defende os interesses dos mais poderosos, sobretudo, se envolver um poderio econômico em jogo. O que não se entende é que justamente quem será lesado em longo prazo ignore ou despreze as consequências de suas ações e passe a colaborar com a situação deliberadamente em troca de migalhas.

E por que eu afirmo que o fazem conscientemente? Ora, lhes fora dito que não contassem a nenhum colega sobre o esquema! Sejamos razoáveis. Quem esconde o que pretende fazer o faz por seu teor de desonestidade sabedor que encontrará oposição. Fossem crianças, eu até acreditaria que estariam se sentindo ameaçados pelo abusador, mas não é esse o caso.

O mais engraçado de tudo isso é que entre aqueles que consentiram com tal obscenidade encontram-se moralistas rigorosos e defensores de ideais religiosos e, algo bizarro me sucedeu: há opositores políticos unidos pelos laços da sacanagem. Do mesmo lado estão os batedores de panela e os partidários esquerdistas. Que coisa mais linda!

Perceba, então, que há o mundo dos discursos e abaixo dele...um submundo- o da verdade! Como se diz: “pagando bem que mal tem!” Há poucos dias atrás da mesma árvore que brotava palavras disciplinadoras e corretivas sobre absenteísmos, desídias, incompetências agora pratica a mesma coisa contra a qual discursava. E é neste instante em que pra combater o ilícito se utilizam dele para defender outros interesses que não o interesse público evidentemente.


Essa é a verdadeira moral da sacanagem! 
Pregadores e seus discursos...
Raniery