quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Eram deuses os (ETs) astronautas?

Em “Eram os Deuses Astronautas?” o suíço Erich von Däniken,  no final da década de 1960, explora a idéia da possibilidade de antigas civilizações serem resultados da criação de alienígenas (ou astronautas) que para as épocas relatadas teriam se deslocado.

Tal teoria encontra eco até hoje em documentários que manifestam convicções e traçam paralelos entre grandes obras da arquitetura e engenharia da antiguidade, como as pirâmides egípcias e incas separadas por milhares de kilômetros de distância e que apresentam padrões intrigantes. Diz ainda, que os extraterrestres teriam cruzado com primatas (ou os modificado genéticamente) gerando o homem como o conhecemos. Segundo Däniken, povos antigos consideravam os extraterrestres como deuses, daí o título exótico de seu livro.

Verdade é, que o assunto, polêmico por natureza, incita discussões acaloradas nos mais diversos níveis. Aliás, a origem humana é abordada por várias correntes: criacionista, evolucionista, e agora, extraterrestre. Misture tudo e conclua a confusão que vai dar.

Assistindo a um destes documentários, chamou-me a atenção para o foco dado na questão da inteligência humana que seria complexa demais e destoava das demais criaturas, incluindo a do chimpanzé. Tal salto, segundo os defensores da origem alienígena, só seria possível por tal intervenção extraterrestre. Um dos exemplos dado foi o  da capacidade que o homem tem de inventar coisas extraordinárias e até ter ido a lua, coisa que nenhum outro animal sequer chegou perto. 

Parando para pensar, é mesmo extraordinário como somos capazes de realizar grandes coisas, como a própria decodificação do genoma humano, a criação de corações artificiais e até de verdadeiros, futuramente, a partir de células simples. Isso nos torna únicos. Parece mesmo que fomos criados ou colonizados como dizem. É como se uma inteligência superior (Deus ou alienígena?) nos tivesse feito propositalmente.

A única questão que não foi respondida, ou abordada, nestas argumentações apaixonadas, foi a do instinto humano. E logo me peguei pensando no outro lado da moeda. Um lado que gostaríamos que não existisse. Imediatamente me veio a mente o extermínio étnico em Darfur ou os ataques xenofóbicos do partido neonazista grego aurora dourada; O ataque do atirador norueguês ou de Suzane von Richthofen que matou os próprios pais; e os adolescentes que queimaram o índio Galdino, heim? 

Sem falar no holocausto de Hitler que levou o planeta à beira do colapso com suas ideias de supremacia da raça derivadas de distorções de antigas religiões pagãs e um sofisticado conhecimento de ocultismo. Não dá para falar que o Führer e suas tecnologias extraterrestres não era inteligente. 

E o que dizer de padres pedófilos que destroem a vida de crianças mundo afora, ou de homofóbicos que assassinam seu semelhante por causa de sua opção sexual, e o racismo contra negros mesmo sabendo que o homem moderno surgiu nas savanas africanas? 

Fato é, que ainda manifestamos instintos que forjaram o desenvolvimento cerebral que possuímos, ou seja, somos humanos modernos, vivendo em centros urbanos, mas com mecanismos utilizados desde nossa vida nas cavernas. Basta destacar o gene egoísta para notarmos o quanto ainda falta para atingirmos um patamar de excelência evolucionária: Fofoca, intriga, inveja,  bullying, assédio moral, assédio sexual, corrupção etc.

Eu não sei não! Se formos frutos de uma inseminação de seres inteligentes que nos dotou de um cérebro único, o que foi que deu errado? Se foi proposital, por quê? Vício de fabricação? Onde iremos reclamar? Há um código de defesa do consumidor cósmico? O fato é que o homem ao que parece abre mão de sua inteligência para se utilizar de mecanismos primitivos que tem disseminado toda sorte de mazelas e sofrimento pelo planeta, mesmo que na outra ponta realize coisas fantásticas e louváveis.

De qualquer forma, uma coisa é certa: não há como prever as reações humanas somente pelo belo linguajar ou o sorriso bonito, mas dentro de nós há uma imprevisibilidade que um sem número de fatores influencia e que disparam reações diversas. 
Somos incrivelmente complexos.
Leia também: Conclua você mesmo sobre a suposta inteligência superior do homem
Raniery