domingo, 3 de fevereiro de 2013

Debaixo Pra Cima


Assédio Moral Vertical Ascendente: 


É aquele que parte diretamente do subordinado contra o superior hierárquico. 

Normalmente, esse tipo de assédio pode ser praticado contra o superior que adotam condutas que ultrapassam o poder de direção, adotando posturas autoritárias e arrogantes.

Na postagem “Agressividade psicológica” eu pretendi suscitar a discussão sobre um tipo de comportamento humano que se desenvolve como pano de fundo motivador do fenômeno assédio moral.

Na oportunidade utilizei como exemplo casos tirados de minha própria realidade já que é esta que eu posso observar, vivenciar e experimentar cotidianamente. Evidentemente é uma porção de uma realidade que é macroscópica, mas que se encerra dentro de padrões já constatados, senão, não se diria assédio moral e seria classificada em outra modalidade jurídica de dano.

Eu comentei o caso de chefes que se utilizam abusiva e indiscriminadamente de seu legítimo poder de disciplinar numa referência a desproporcional condição de desequilíbrio que a relação propõe. O subordinado é hipossuficiente frente ao chefe que detém o poder de punir- prefiro o termo disciplinar. 

Nesta condição o lado mais frágil, obviamente, é a do subalterno pela devida estrutura hierárquica estabelecida. Isto, em si, não é negativo, haja vista a necessidade de se manter ordem e controle sobre as atividades.

Longe de me insurgir contra a organização derivada de tais controles, me oponho ao abuso ou arbitrariedade deles. Não dá para concordar com autoritarismos de tiraninhos desajustados que para se autoafirmarem e se estabilizarem psicologicamente necessitam alimentar seus sadismos à custa dos outros.

O assédio moral é tipo de violência que ocorre em qualquer atividade humana e não tem gênero ou classe para se manifestar, basta que uma pessoa desencadeie processos antissociais para que o fenômeno aconteça. Tudo emerge de uma necessidade mórbida de controle que nada mais é do que a projeção da insegurança do agressor frente ao agredido que o faz se sentir internamente inferior e, então, atacar. Nesse modelo, tanto faz, se o agressor é superior ou subordinado, homem ou mulher, a violência se instalará.

Quando o assédio é ascendente penso que a motivação se dá pela ganância de se tomar o posto do chefe. A partir daí toda estratégia será desenvolvida para derrubá-lo e tomar seu lugar. Isso é somente uma parte da coisa, pois é o que me veio à mente, mas com certeza deve haver inúmeros motivos para prejudicar alguém dentro da vasta imaginação de uma mente perversa. 

Estatisticamente e pelos julgados em processos trabalhistas, em sua maioria, é o chefe que assedia o subordinado, mas não se pode dizer que o inverso não é parte de uma realidade total, mas menor parcela, com certeza.

Seja como for e de que lado venha o assédio moral não deve ser tolerado bem como suas formas de dissimulação com pretensões de enriquecimento ilícito por parte de espertalhões. Isso, inclusive, me faz pensar se não influencia a decisão de juízes pelos fóruns afora, infelizmente.

Esta postagem foi pensada em resposta a leitora Patrícia Herculano que perguntou se no Blog não havia material sobre assédio moral ascendente. Em sua maioria, trata-se de assédio moral descente por uma questão pessoal própria das experiências que passei e não porque concorde que o contrário deva ser incentivado, isto é, o assédio contra chefes.

Aliás, eu não sou partidário de hostilizar ninguém, muito menos chefes. O chefe disciplinador e justo, na minha opinião, é o melhor modelo de gestor, pois cobrará de todos seus deveres e não fará exceções que são o motivo de tantas confusões.
Leia também: Elementos que configuram a distinção de dano moral e assédio moral 
Raniery

raniery.monteiro@gmail.com