sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Quanto Vale Sua Dignidade?

Com um cérebro incrivelmente complexo somos uma espécie curiosa já que estamos capacitados a agir socialmente e possuímos células especialistas que geram um comportamento social que é uma vantagem evolucionária. 

Aliás, não é só isso- possuímos a maior quantidade desses neurônios especialistas chamados de von Economo  ou VEN.  Por isso que você possui dilemas morais quando diante de situações que envolvam decisões que repercutirão socialmente. Também é isso que o faz sentir culpa por ter pisado na bola com alguém, ou fica magoado, sente empatia ou antipatia etc. Eu e você nem nos damos conta disso, mas os pesquisadores são desafiados a entender como tais processos complexos acontecem. 

Diante disso, fica claro uma coisa, pelo menos pra mim: uma pessoa completa do ponto de vista biológico está capacitada a conviver socialmente e possui a habilidade para interagir de forma minimamente pacífica. Nascemos com a capacidade de viver em grupos organizados. É muito neurônio dando esta condição.

Pode ser que eu esteja raciocinando erroneamente, mas quando semelhantes não conseguem executar esse mínimo alguma coisa deve estar errada. Será que são pobres de VEN ? Será que não os tem? Se, por outro lado, não há anormalidade alguma ou falta dessas células, será que estão desligadas por algum motivo qualquer? Poderíamos chamá-los de deficientes neurais? E, se tudo está dentro dos conformes e mesmo assim decidem se voltar contra o corpo social- qual seria a explicação?

Me veio a mente chamá-los de burros morais ou sociais, mas imediatamente senti um peso enorme na consciência e entrei em um dilema ético/ moral. Só que em seguida percebi que não preciso me aborrecer à toa já que são pessoas que decidiram por si mesmas seguir um caminho contrário a sua própria evolução e, então, são responsáveis por seus atos. Ufa! Ainda bem!

Eu estava pensando em um episódio testemunhado por um colega de trabalho envolvendo dois personagens que são alvo de comentários entre nós dado sua total falta de senso moral e comportamentos anti-sociais. Curiosamente, um deles, um chefe, adota uma postura moralista e inquisidora diante dos outros, aliás, esta é sua atual atividade no momento: “liderar” um grupo de pessoas que são designadas para ...buscar a verdade (!) 

A cena deve ter sido a mais constrangedora possível já que envolve  comportamento sexual inadequado do ponto de vista do ambiente e local como o do trabalho onde tal situação é vista como falta grave. O interessante é que este mesmo...chefe, possui um histórico de acusações de outras pessoas justamente de cunho sexual. Chega a ser irônico, mas faz todo sentido se você pensar e se comportar como um desajustado social. Ora, qual é o melhor meio de desviar o foco de minha promiscuidade? Acusando outros disso. Sensacional, não é? Hipocrisia diriam os mais escrupulosos, eu sei. Mas, não seja tão emotivo, aliás, desligue-se disso e imagine que você é um ser capaz de qualquer coisa para satisfazer sua ganância e impulsos; o que faria? Se preocuparia com a opinião dos outros? 

E se você, mulher, sedutora, sexualmente ativa, disponível e moralmente destituída não relativizaria isso vislumbrando uma vantagem e oportunidade de se dar bem na vida? Eu já escutei uma “moça” dizer o seguinte: “ hoje, eu dô de graça, por que é que não posso dar para conseguir tal coisa?” Pôxa, eu nunca pensei desse ponto de vista. Afinal, é dando que se recebe, não é? Já pensou galgar uma carreira, ser promovida e ainda fazer sexo? Mas...essa profissão já não existe? Nossa, eu ando tão cansado que sou traído pela minha própria memória, já que não consigo me lembrar de tal profissão; só sei que é uma das mais antigas da humanidade, mas deixa pra lá, não vem ao caso.

De fato, temos uma tendência a interpretar as coisas de acordo com nossos códigos de valores e projetamos ou esperamos dos outros aquilo que temos em nós mesmos. Sendo assim, se sou uma pessoa honesta acreditarei que meu próximo também o é.  Quem é que ficaria imaginando que trabalha com um ladrão. Não tem cabimento. Até por que se isso fosse verdade automaticamente eu saberia que esse colega é um mentiroso e não poderia confiar em nada que ele falasse ou fizesse. Não dá pra viver assim. 

Por isso que a regra é imaginar que a pessoa com quem convivo se porta segundo as convenções sociais mais aceitas pelo grupo em que vive. Senão, seria uma paranóia louca! A não ser que o ladrão fosse eu. Aí, sim, eu desconfiaria até de minha sombra, afinal de contas, se eu faço, todos farão. Aliás, se eu fosse um ladrão ficaria muito irritado com alguém que fizesse o mesmo que eu, afinal, que mundo é esse em que vivemos onde todo mundo pensa em fazer a mesma coisa que você? Não dá, né?

Quando as coisas chegam a esse ponto dizemos que a sociedade que as pratica é decadente. Veja, que não se pretende defender esta ou aquela corrente moralista de tal ou qual religião, mas o mínimo para que possamos conviver pacificamente sem desequilíbrios, pois senão, voltaríamos a viver conforme a lei do mais forte- lá, da idade da pedra.

Você concordaria, por exemplo, em vender sua filha para pagar uma dívida ao pior tipo de gente que a seviciasse de todas as formas e depois de tanto a maltratar a jogasse em algum canto como se fosse uma coisa qualquer? Não? Pois, é! Por isso o divino nos forneceu e nos capacitou com as ferramentas apropriadas para que repudiássemos tais atos bárbaros e destituídos de sentimentos nobres como o amor e a compaixão.

Aliás, talvez esse seja o maior mérito das religiões que pregam e propagam o amor em suas liturgias, pois funcionam como verdadeiros detergentes morais da sociedade para que não perca seus freios como os degenerados citados aqui. Não, àquelas, que se utilizam de seus dogmas para estigmatizar, discriminar e cercear direitos. 

Ora, fora o próprio mestre dos cristãos que disse que veio para aqueles que eram repudiados e não para os “bons”. Aliás, se tem uma coisa que um degenerado faz de melhor é fingir que é uma pessoa de bem- são capazes até de se fazerem passar por líderes religiosos e impor as mãos sobre a cabeça das pessoas que pensam estar recebendo alguma benção, mas no entanto, estão sendo sugadas energeticamente por vampiros trevosos.

Portanto, toda vez que você tiver que conviver com imundícies humanas e fique questionando sua própria integridade, lembre-se, de que você é mais que completo e que não deve violar sua dignidade pelo preço que for, como se fosse uma prostituta, cheia de doenças venéreas, que por alguns trocados sujos se sujeita a ser montada por um porco qualquer.

Sua dignidade não tem preço!
Raniery