terça-feira, 27 de novembro de 2012

Forças ocultas


O homem que é um ser social por natureza. Só se completa e se desenvolve plenamente se puder manifestar todo o seu potencial livremente.

A liberdade é defendida em nossa Constituição como um direito fundamental. Seria óbvio o assunto se a história não demonstrasse cabalmente que é um direito ameaçadíssimo por inimigos da democracia e das liberdades individuais.

E o que é ser livre? É fazer o que quiser, quando quiser, de que forma pretender? Não, evidentemente. O que se fala aqui é de uma porção de liberdade ou liberdade compartilhada, isto é, responsável e responsabilizável. Não podemos fazer tudo o que nos dá na telha, pois estaríamos lesando direito alheio protegido pela mesma Constituição. 

Voltando à liberdade humana; esta pressupõe diversidade de opiniões, pensamentos, ideais, vontades, gostos etc. Ser livre para ter a religião que quiser seguir a carreira que escolher se entreterr da forma que achar bem, optar pela escolha sexual que achar melhor, tudo dentro de uma zona parcial que não invada a do outro.

Este é o ideal a ser perseguido pela sociedade. Não é a realidade, evidentemente, mas é o norte ou o parâmetro que permite que os elementos de uma mesma sociedade busquem para que todos tenham as mesmas oportunidades, afinal, para o Estado e para a lei, todos são iguais em direitos e deveres. 

A palavra igual me faz pensar em duas outras: equilíbrio e comparação. Olho para o lado e vejo meu semelhante e minha consciência me diz que somos iguais, afinal é meu semelhante. Ora, se somos parecidos na maioria das coisas isto me diz que ele não é melhor ou pior, é...igual. Logo, há um equilíbrio. 

Acontece que existem outros “iguais” que sentem extrema dificuldade de seguir esta lógica natural, pois, por algum processo anômalo, sua visão de mundo concluiu que são diferentes e superiores, portanto, detentores de uma espécie de poder que os permite acreditar que podem sobrepujar os demais e explorá-los como ferramentas, coisas ou objetos. Liberdades fundamentais são palavras ofensivas a eles e contrárias às suas ideologias, portanto um problema e tanto que os irrita sobremaneira.

Outra coisa que se convenceram é que tudo lhes pertence e nada é dos outros. Tenha a experiência de trabalhar em uma empresa pública que contenha grupos que se enclausuraram e se encrustaram e saberá o que estou dizendo. Para essas pessoas tudo o que fazem é legítimo e certo, por mais bizarro e absurdo que seja. Chegam a ficar indignados quando questionados por seus atos e explodem em ira, afinal estão tão acima para que alguém ouse os questionar.

Em ambientes assim, é comum existir uma energia densa, ruim e negativa. O local fica carregado e há um estorvo que se desenvolve internamente nas pessoas. Não há rendimento, satisfação, energia positiva, mas desânimo, inércia, falta de perspectiva etc. Daí concluir que esses grupos emitem uma névoa negativa que suga a vitalidade de todos e se alimenta dos sentimentos e emoções negativas num ciclo que parece não ter fim.

Se pensarmos que tudo está conectado a tudo e que um inconsciente coletivo se forma é razoável pensar que essas energias negativas acabam criando vida própria e de certa forma escravizando a todos no local para que a sirvam e a mantenha viva: é a chamada egrégora.

Perceba que começamos a discorrer sobre a liberdade reconhecida constitucionalmente, passamos par a uma forma de comportamento antissocial e acabamos numa energia espiritual vampira. O que parece conto da carochinha e sem sentido e nexo algum, pelo contrário, tem plena relação se levarmos em consideração as tais conexões quânticas. Lembre-se: o homem é um ser complexo que se desenvolve em inúmeras facetas e sua organização política é apenas uma delas. 

Aquilo que é imaterial também é parte desta natureza. Sua imaginação e seus pensamentos não são mensuráveis ou podem ser pesados em uma balança, mas estão lá, e determinam o que acontece no mundo. Da mesma forma há universos paralelos ao nosso que estão em contato conosco e que interagem para o bem ou para o mal. 

Por isso que se resignar com a crueldade e a perversidade e não resistir a ela é permitir sua instalação e domínio territorial que para ser expulsa demandará muito trabalho. Aliás, isto me lembra duma passagem bíblica da mitologia cristã onde os discípulos não conseguiam exorcizar os demônios de um rapaz. Vendo o fracasso de seu grupo, Jesus então disse que aquela casta não sairia dele senão por muito jejum e oração, isto é, a coisa iria demandar um esforço maior.

Basta saber que os inescrupulosos se organizam e usam suas inteligências para o mal de uma forma admirável que as pessoas de bem deveriam imitar. Pensar que um grupo instalado abrirá mão do território tomado apelando-se para suas consciências é de uma ingenuidade ímpar. O insidioso não tem consciência. Não aprende pela consciência. Desligou seus centros morais e, portanto, não cederá à razão e ao bom senso, pois sua lógica é inversa e antissocial. Não adianta abordá-los pela moral e consciência, mas pela razão. Pode-se dar pulos de raiva e indignação pelo que fazem, mas de nada adiantará. A objetividade é o meio de vencê-los. 

Estas forças sinistras são a energia que movem os tiranos mundo afora. A liberdade que é um bem inalienável deve ser conquistada e tomada a qualquer custo e todo tirano deve ser deposto. É sabido que para que isso ocorra há um preço a pagar. É isso ou a subjugação. Nisso, a primavera árabe pode ser uma lição á todos nós e nunca vou me esquecer do facínora Muammar Kadhafi em seu fim patético nas mãos dos guerrilheiros.

Portanto, poderia concluir 
aqui que liberdade anda
junto com resistência.

Leia também: Outras forças ocultas
Raniery