sábado, 3 de novembro de 2012

O pau que dá em Chico, dá em Francisco

Malandro

Existe um mundo esquisito, mas muito comum que é o da malandragem. Nele, alguém se intitula o esperto em detrimento dos outros. Sendo assim procura levar vantagens sobre os demais e se ofende se ficarem indignados e não aceitarem tal absurdo. Daí, para a covardia e o abuso será um pulo.

Outro dia, discutindo com um chefe sobre as ações ilegais de outros empregados que estavam lesando direitos ao ficarem de tocaia para pegar colegas em irregularidades, tive que ouvir que na empresa não se cumpre a lei, pois as decisões são tomadas de forma política- nome bonito que ele escolheu para designar sacanagem.

Curiosamente estes cagoetas estão e são os mais errados na história, já que sequer cumpriram os requisitos solicitados para exercer tal função, que insisto, é desvio de finalidade e, portanto, ilegal.

Porém, ainda que agissem debaixo da legitimidade há outro ponto contra eles. Acontece que pessoas de todos os setores da empresa cometem uma miríade de irregularidades e estes senhores fecham os olhos para “apurarem” tais indisciplinas.

Ora, a lei é para todos, pois são iguais em direitos e obrigações, mas não na mente destes senhores. A pergunta que não quer calar é: qual é a verdadeira finalidade destas pessoas no desempenho de suas funções? Todos sabem que somente as autoridades competentes (legitimidade) é que podem investigar e, ainda assim, conforme os procedimentos legais, ou seja, quem não preenche estes requisitos está à margem da lei. Mas, estes senhores evocaram para si a condição de informantes, não sei de quem. O mais interessante é que passam por cima de quem já está constituído para fiscalizar e controlar indisciplinas ou desvios de conduta.

Eu, particularmente penso que só fazem isso porque não há função para eles, portanto já que estão ociosos precisam preencher o tempo com alguma atividade que em geral é atormentando a vida dos outros.

Está na hora das pessoas pararem de ficar à mercê da maldade de grupos e reagir energicamente para coibir suas condutas abusivas. Não adianta nada ficar reclamando se não tomam atitude denunciando tais violações. A justiça não atende aos que dormem.

Não pretendo com isso fazer apologia a qualquer espécie de conduta anárquica, mas denunciar que está ocorrendo abuso, pois, quando somente um determinado grupo é apontado como indisciplinado e outros são deixados à vontade para fazer o que bem entendem sem que nada lhe ocorra, há uma relação desequilibrada em curso. “Se for para um, então, é para todos”. Vamos moralizar tudo, e não apenas uma parte. É até irônico falar em moralidade justamente vindo de pessoas sem consciência alguma.

O que não posso concordar é com truculência ditatorial imposta por pessoas que possuem algum pino a menos na cabeça por imaginarem-se espiões da KGB. Curiosamente são as mesmas pessoas que apresentam um passado extremamente desabonador. Inclusive, isso pode ser usado contra elas, pois seu teto é de vidro.

Quando se faz discriminações criam-se pontos de desequilíbrio, pois o que se quer é a imposição pela força ou coerção. Desta forma formam-se ilhas de privilégios para alguns e bolsões de tormento para outros. Ora, é de nossa natureza comparar. Qualquer um que olhe para o seu lado e perceba que está ocorrendo tratamento desigual ficará indignado e quererá a equiparação. Mas, estas pessoas possuem um sentimento de superioridade irreal que os faz achar que os outros estão lá para os servirem. Eles são os senhores e os outros seus escravos, e, acreditem-me, suas teorias sustentam isso.

Foi com esse pensamento que no passado grupos militares tomaram o país de assalto e instituíram uma ditadura que durou décadas, agiu por meio de tortura, morte e medo. Acontece que estamos numa democracia e somos livres. Escravo é quem se deixa acorrentar. É preciso resistir contra estas formas de tirania que ainda insistem em sobreviver.

Como servidor público não posso concordar e muito menos aceitar que grupos se imponham pela força da intimidação e queiram se impor pelo terror. Infelizmente, por aqui, onde trabalho, quem veio para arrumar a casa acabou se prostituindo com os infectados e agora é partícipe de suas orgias. Por isso, que sou extremamente reticente às formas superficiais e aos discursos vazios.

A população brasileira já está farta de tanta maracutáia e corrupção envolvendo agentes, órgãos e empresas públicas que parasitam nossa sociedade. Está na hora de decidir o que queremos para nossas vidas. Se esconder e deixar o perverso ocupar o espaço até exauri-lo ou promover mudanças. Por causa destes vermes é que ventos de privatizações sopram sobre nós a todo instante, pois sempre há um esperto que acha que é mais esperto que os demais.

As mudanças só ocorrem quando decidimos nos opor. É evidente que nada acontecerá da noite para o dia, mas pela persistência será demolida, tijolo a tijolo, toda fortaleza.
Raniery

raniery.monteiro@gmail.com