quarta-feira, 10 de julho de 2013

Ei, bota a mão na consciência aí, ô!

Quando estamos diante de pessoas que deliberadamente avançam o sinal no que diz respeito as regras sociais nos perguntamos se elas não possuem consciência. 

Como podem, nos perguntamos, serem tão descaradas e sem escrúpulos ao se comportarem de maneira réproba e ainda dar de ombros para isso como se não fosse nada demais? Sejam assediadores morais, servidores públicos ímprobos, políticos corruptos ou aquela conhecida que casou por dinheiro, por exemplo. Para aqueles que possuem uma consciência completa, isto é, perfeitamente capaz de discernir entre o certo e o errado, isto as deixa perplexas.

Mas, onde fica a consciência? Para os religiosos na alma; já, para a ciência, no cérebro. Tanto que já se sabe que determinadas lesões que atinjam o córtex pré-frontal, parte do cérebro que fica logo abaixo da testa,  e que tem um papel importante em nossa capacidade de sentir emoções  podem mudar a personalidade e transformar, por exemplo,  um homem trabalhador e amigável em um típico cafajeste a ponto de perder qualquer censura, tornando-se arrogante e capaz de qualquer coisa para levar vantagem em tudo, como os psicopatas.

Perder a capacidade de sentir emoções faz com que sejamos indiferentes, já que não sentimos mais culpa, ou remorso, que são sentimentos que fazem com que repensemos nossos atos, e, então, pelo arrependimento, mudemos e amadurecemos.

Dia desses uma pessoa na rede social incomodada com o que ela chamava de invejosos externou sua indignação contra seus desafetos dizendo que se quisessem um casamento bem sucedido como o dela que estudassem. Aproveitei tal situação para perguntar a várias pessoas que impressão tinham de tal assertiva. Sem exceção, todas disseram que casamento tem relação com amor, felicidade, alegria- e não com sucesso que está ligado a carreira profissional. A contradição foi corroborada na menção que ela fez em estudar para conseguir um bom casamento. 

Fiquei pensando no termo usado: “conseguir casamento”, “estudar”, “bem sucedido” os encaixei na palavra carreira profissional. Imediatamente elas “casaram” perfeitamente e com sentido pleno. Perceba a frieza e falta de senso dessa pessoa ao lidar com uma coisa tão sensível.

Se pensarmos  na consciência como a capacidade de representar o mundo na mente como um traço evolutivo através do qual uma série de instrumentos nos permitirão avaliar o ambiente de uma forma sofisticada que a natureza projetou para sobrevivermos e, que,  as experiências e acontecimentos- e seus respectivos sentimentos- ficarão registrados na memória para que, então, diante de novas circunstâncias possamos fazer a escolha mais eficiente, ou seja, aprender, será correto afirmar que ser completo, do ponto de vista desta mesma evolução, é possuir a capacidade de harmonizar razão e emoção dentro de um contexto social. 

Simplificadamente falando, nada mais é, do que saber se portar dentro do que é certo e errado nos padrões socialmente convencionados. O inverso disso, então, seria verdadeiro, isto é, poderíamos dizer que tais pessoas, transgressoras de regras sociais, seriam incompletas a partir desse ponto de vista, ou, anomalias humanas já que atuam contra a sociedade.

Pense comigo, o quanto a humanidade avançou em termos culturais, de conhecimento, tecnológicos etc. Há projetos, por exemplo, que pretendem inserir esta capacidade do cérebro de construir personalidades e abstrair a realidade e introduzi-La, ou armazena-La em dispositivos eletrônicos. Imagine que daqui a alguns anos você, prestes a morrer, faria um download de sua consciência em um corpo androide e faria a fusão homem máquina vivendo eternamente nela. Ou, que você, ainda vivo, participasse de algum programa de colonização de outros planetas e sua consciência fosse enviada para algum deles e chegando lá um sistema criaria um clone seu e, nele, seria feito o upload de sua consciência.  Aliás, esta bem que poderia ser uma solução para tais viagens já que no processo a coisa fica complicada para a sobrevivência inter espacial.  Fica aqui a ideia pra tais agências que se a usarem me paguem os devidos créditos, evidentemente.

Mas, o que de fato eu queria mesmo é chamar  a  atenção é para outra realidade de nossa natureza que destoa destas grandes conquistas científicas. Para onde olharmos neste planeta veremos a miséria proliferando. Extermínios étnicos de um lado,  pobreza e fome de outro, fraudes em sistemas financeiros, espionagem contra parceiros político/ econômicos, ou seja, estamos diante do lado mais sombrio dessa mesma humanidade que não conseguiu solucioná-lo, evoluí-lo, ou até mesmo melhorá-lo.

Estamos exaurindo o planeta para sustentar o consumismo desenfreado por coisas que descartaremos dias depois. Nada nos satisfaz e quando conseguimos o objeto de nosso desejo, olhamos para o lado, querendo outro supostamente melhor. E, isso, falando de uma parcela da população mundial que possui a capacidade de consumir. Para sustentar essa “fome” de consumo estamos devastando nosso planeta e, me pergunto, porque é que queremos colonizar outros se não possuímos a consciência de cuidar desse que nos foi dado?

Ao que parece a humanidade vive uma crise de consciência que é sistêmica e global; valores e princípios que foram trocados pela compulsão em coisas materiais se disseminam pelas mais diversas camadas sociais e passamos a olhar pra tudo e todos  como coisas que podemos possuir, comprar e até descartar. Com essa forma de ver o mundo deveríamos estar nos perguntando se realmente estamos evoluindo ou em um processo inverso.

Com essa forma de pensamento, olhar para o próximo de forma insensível é o resultado natural de uma consciência que já não responde mais da forma pela qual fora projetada e esclarece a outras questões, como, por exemplo, determinadas pessoas conseguem se sentir a vontade para prejudicar seu próximo ou 
mesmo a sociedade sem se 
perturbar com isso. 
Raniery



raniery.monteiro@gmail.com