quinta-feira, 5 de julho de 2012

A maldição da múmia


O Sr Arthur Conan Doyle, escritor mundialmente famoso de ficção científica, em diversas de suas obras abordou aspectos sobrenaturais por influência de sua religião, o espiritismo.

Em a maldição da múmia, o escritor narra a história de uma maldição que recai sobre todo aquele que profanar o túmulo de Tutancâmon que provavelmente originou-se após a morte e Lord Carnavon, financiador das escavações, quatro meses após sua descoberta.

Há relatos de que no dia da sua morte o seu pássaro de estimação foi comido por uma cobra. Seu cachorro, também teria morrido na Inglaterra e que a cidade do Cairo também teria ficado sem eletricidade nesse dia. Curiosamente, a suposta “maldição” não atingiu Howard Carter, que tecnicamente foi quem “profanou” o túmulo. Ele viveria até março de 1939.  

Em 1979 a máscara mortuária de Tutancâmon estava em uma exposição em São Francisco. Em setembro daquele ano George LaBrash trabalhava como vigilante na sala em que estava a máscara quando teve um  AVC. Ele processou o museu dizendo que havia sido vítima da maldição da múmia. O juiz, é claro, não aceitou sequer iniciar a ação. Em algum lugar do Além, o jovem faraó Tut deve ter dado boas risadas…
Fonte:Depokafé

Hoje, o Estado é laico, mas nem sempre foi assim. Numa natural evolução e transformação, no que diz respeito às mudanças e suas forças, chegamos à chamada democracia. Na antigüidade, porém, as coisas eram mais...digamos, misturadas. Era um modelo que funcionava para aquelas sociedades, mas que com o tempo se exauriu.


É só pensar que tudo se concentrava em uma só pessoa que era o líder religioso, político, magistrado ou, em alguns casos, o próprio deus. Era o suprasumo do poder absoluto. O soberano era ao mesmo tempo a lei, o Estado e o poder. No Egito, por exemplo, o monarca ascenderia ao trono ainda adolescente. Já pensou? Se fosse em uma empresa que conheço seria um poder incontrolável nas mãos de um descontrolado. Percebeu, né?

A lei era a dos deuses, que era ditada pelo faraó, que era deus, e, também o sumosacerdote, por assim dizer. É bem verdade que contava com seus auxiliares, já que, apesar de divino, não era onipresente, mas não dá para agradar à todos, não é mesmo?

Agora, os deuses eram uma espécie de reflexo da própria sociedade, incluindo aí seus altos e baixos. Poderiam ser cruéis ou protetores. Tinha deus pra tudo quanto é gosto- exatamente como acontece hoje com os santos católicos. Satisfação garantida ao público alvo que se desejava atingir.

Penso que não precisa de muita explicação para concluir que abuso pouco, é bobagem nesse tempo, não é mesmo? O que era direito? Existiam direitos? Qual era o parâmetro? Então, a vida, a dignidade, a liberdade eram coisas de difícil concepção, acredito, até porque, não existiam os chamados direitos individuais frente ao poder estatal como os conhecemos hoje. Curiosamente, o homem moderno, assim como o da antiguidade, não se vê como alguém detentor de direitos. O que é uma lastima adorada pelos violadores de regras sociais.

Traga para os nossos dias essa idéia de poder concentrado e verá, que na prática, acontecerá situações de enorme similaridade. Pense em um camarada que consegue uma situação de destaque numa empresa e que isso seja objeto de desejo de uma mente desajustada. Pronto. Temos aí os ingredientes para ressuscitarmos um pequeno faraó. Na realidade, não passa de uma múmia, mas se acha deus.

É interessante notar que naquele tempo quem determinava as leis não se submetia a elas, algo inconcebível para aquelas sociedades. Percebi que ocorre o mesmo nestas empresas já que seus agentes impõem regras que não seguem. É inacreditável a semelhança, o que me leva a pensar se não se trata mesmo de reencarnações de um mundo cão.

Em cada região, do Egito antigo, adorava- se o deus local. Sendo assim, em Heliópolis, por exemplo, era o deus Rá ou sol o venerado. Em torno desta entidade concentravam- se festivais, feiras, jogos, ou seja, uma miscelânea de atividades que o celebravam.

Em empresas desregradas, também é assim. Em torno do faraózinho local, que pensa que é o sol (Hélio para os gregos) orbitam uma série de criaturas das mais variadas. Adular o reizinho é seu objetivo na vida. Alcançar suas benésses é o seu alvo. Ser seu tapete, uma honra. Nenhum sacrifício é tão grande se o resultado for o usufruto de seu ídolo. Se necessário for, oferecem filhos, mulheres e a si próprios em sacrifício ao adorado ser superior.

Não é difícil imaginar que, com essa pompa toda, alguém não sinta uma enorme tentação em se achar o máximo e intocável. De nariz empinado, olhar de desprezo, caminhando como um pavão, nosso "centro do universo", digo, tirano, não admitirá que alguém ouse estar em sua presença sem que se curve e o saúda com louvores de adoração.

Narcisismo? Não para ele! Só que é difícil ser humilde quando se é o máximo, diz o ditadorzinho, num arroubo de ufanismo galopante. Arrogância, muito menos, já que os outros são meros objetos, logo, não há que se falar em ofensas àquilo que não é importante.

Eu, particularmente, enxergo essas criaturas como criancinhas de dois anos que fazem birra quando contrariadas, por conta de sua condição de seres ainda em desenvolvimento, portanto, sem controle sobre suas ações, apesar de que aquelas sabem muito bem o que fazem.

Determinadas organizações, sobretudo as públicas, se tornaram verdadeiros sarcófagos de seres esclerosados, que se acham eternos tomando para si o que não lhes pertence, por meio de expedientes como corrupção, esquemas, fraudes, improbidades etc. É compreensível, então, que lancem pragas e maldições sobre todo aquele que atravessar seus caminhos. É o bom e velho assédio moral derivado de tais práticas.

Mas, como dito supra, o Estado não mais se mescla com a religião, mas se pauta pelo interesse público, não podendo ficar nas mãos de cadáveres ressequidos por uma consciência inescrupulosa e uma delirante megalomania.

Portanto, o que parece ser somente um caso crônico e clássico de mobbing pode estar ocultando um universo nada bonito de se ver, muito parecido com aquele que os egípcios acreditavam experimentar, caso seu coração fosse pesado na balança do Deus Anúbis e se encontrasse em falta: não poderiam seguir no além ao lado de Rá e seriam devorados eternamente por demônios do submundo.
Anúbis- Deus do submundo

Sendo assim, exorcizar estes fantasmas torna- se imperioso para a nossa própria segurança, já que podem sair a qualquer instante de suas catacumbas fétidas para perseguir aqueles que elencarem como profanos: os assediados.


Leia também:
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Terceirização, desvio de função, perseguição, assédio moral e improbidade administrativa na CDP


Veja: A maldição de Tutâncamon


Raniery
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