segunda-feira, 30 de julho de 2012

Estratégias de vitória


O assédio moral é um tipo de violência contra o trabalhador (a) que causa muitos danos. Conhecer como acontece o processo é fundamental para superá-lo. É possível tanto vencê-lo quanto recomeçar adotando-se estratégias definidas.

A primeira coisa a se fazer é saber a diferença entre o que é ou não assédio moral. Caracteriza-se por toda e qualquer conduta abusiva, intencional, frequente e repetitiva, que acontece no ambiente do trabalho e que visa diminuir, vexar e humilhar, constranger, desqualificar, demolir psiquicamente um indivíduo ou um grupo, degradando as suas condições de trabalho, atingindo a sua dignidade e colocando em risco a sua integridade pessoal e profissional.

Depois, entender que por trás de toda ação perversa se esconde uma hiperestrutura que se desenvolveu ao longo da evolução das relações capital/ trabalho onde os principais direitos conquistados por anos de lutas dos trabalhadores foram dando espaço à chamada flexibilização das legislações ante crises econômicas, globalização e um sistema neoliberal que exige uma superqualificação da mão de obra, que seja multifuncional, competitiva ao extremo e paradoxalmente trabalhe em equipe, e, isso tudo somente para manter o posto de trabalho, tendo que conviver ainda com a redução de salários e degradação do ambiente laboral.

Não bastasse todo este contexto, o perfil desejado para as chefias é o de psicopatas, já que estes não precisam lidar com questões ético-morais, não têm escrúpulos, são frios e calculistas, portanto ideais para conduzir os negócios com mão de ferro sem ter que frear impulsos, a pretexto de tratamentos desumanos, haja vista que, na filosofia dos fins justificando os meios, o importante é atingir as metas e obter os resultados, e, desta forma, temos o ambiente propício para que verdadeiros tiranos se desenvolvam e proliferem nas organizações deflagrando toda sorte de terrorismo psicológico nestes ambientes, onde o império do medo é a forma de gestão adotada.

Diante disto, toda forma de expedientes perversos são utilizados para se conseguir o que se quer, entre eles, a chantagem emocional ou manipulação de pessoas ou grupos controlando-as pelo medo. A insegurança mantém as pessoas paralizadas, pois pelo receio de perder seus empregos ou de ser assediadas são enredadas pelas ações do agressor, ora se submetendo, ora servindo aos seus propósitos escusos, na esperança de não passarem pelo sofrimento e desgaste decorrentes deste fenômeno.

O agressor, então, acaba obtendo vantagem ao colocar o grupo contra uma pessoa ou pessoas, isolando-as, para poder levar a cabo seus objetivos destrutivos. Conta assim, com alguns personagens como os puxa sacos e os competidores sociais (invejosos) que, de forma direta ou não, o ajudarão em seus propósitos. Vale ressaltar, que como ele aterroriza com diversas ameaças, possíveis testemunhas tendem a se intimidar e até colegas próximos a se afastar.

O processo de comunicação humana, nestas relações, serão igualmente utilizados para atingir a(s) vítima(s), como por exemplo a fofoca, que pelas redes sociais (ciberbullying) potencializam a violência e expõem o pior das pessoas.

Tudo ocorre numa espécie de efeito dominó, que vai pulverizando a cada dia a autoestima e autoconfiança do trabalhador, que adoece por depressões, doenças gástricas, dependência química, perdendo, portanto, sua condição de produtividade que será usada pelo agressor ou organização como álibi para justificar demissões por justa causa, descartando a pessoa, ao mesmo tempo em que não precisarão arcar com as indenizações equivalentes.

Nisso, todos os setores da empresa estarão alinhados e unidos, já que para o mal, os “maus” se unem, a despeito de campanhas de RH, cursos e eventos motivacionais ou até matérias pagas em revistas para se eleger as melhores empresas para se trabalhar.


Pode-se ter uma certeza: punições serão forjadas para se subsumirem às leis e configurarem um perfil indisciplinado e ou insubordinado, e,  não tenha dúvida,  aparecerão voluntários para testemunhar contra o trabalhador.

Por tudo isso, é que se deve resistir e se posicionar contra toda forma de violência e tirania. Sujeitar-se, submeter-se ou amedrontar-se não impedirá o agressor de voltar seu sadismo contra a pessoa; nem mesmo adulá-lo será garantia alguma, já que o puxa saco e o delator são mais detestados por ele do que os outros, dadas as suas características traiçoeiras, que se confrontam com a paranóia do perverso.

Entre as estratégias que funcionam, a primeira já foi dita e descrita: conhecer como se desenvolve o processo, diferenciar um mero conflito de uma violência reiterada, conhecer a psicopatia de um assediador crônico para não cair no seu jogo manipulativo, e, ser assertivo, isto é, manter o controle emocional e agir pela razão, conhecendo seus direitos e deveres e entender que esta é uma espécie de guerra que, como tal, depende de estratégias e de táticas para ser vencida, tanto no aspecto jurídico, quanto no psicológico.

No que diz respeito às emoções, um profissional especializado (psicólogo/ psiquiatra) será de muita ajuda tanto no processo de superação quanto no de recuperação, dependendo do estado em que se encontre. É aí que surge a chamada resiliência, que é o termo que se usa pra designar a capacidade de dar a volta por cima e sair fortalecido de situações traumáticas como essas. Ademais, não tem nada que aborreça mais um agressor do que sua vítima resgatar a alegria e fortalecer sua autoestima, aliás é um de seus maiores medos.

Portanto, fica claro, que o assédio moral é uma violência que tem raízes histórico culturais dentro de um macrosistema complexo, além de ser potencializada por possíveis desvios de condutas de agressores crônicos que manipulam o grupo e circunstâncias, daí a necessidade de se lançar mão de estratégias como forma de reação para poder se defender e superar esta agressão ilegal, pois senão, se arcará com caríssimos ônus que afetarão não só à vítima, mas àqueles que lhe são queridos.
Raniery

raniery.monteiro@gmail.com