sábado, 25 de janeiro de 2014

Rebeldia Reversa

Estamos ligados a tudo, a todos, e, a todo instante, em conexões cujo objetivo final é a sobrevivência. Daí se dizer que somos seres eminentemente sociais. Esta é a razão evolutiva para sermos assim.

Estudos científicos apontam para a evidência de que há um programa que roda em nosso cérebro nos impelindo à interagir. Nunca antes foi tão necessário quanto agora tais ligações, haja vista estarmos vivendo um momento de reversão anômala de nossa natureza, sobretudo, na civilizações ocidentais onde o materialismo exacerba a importância do ego.

Está idiossincrasia é no mínimo bizarra já que as organizações são criadas e controladas pelo homem com objetivos em comum para atender suas próprias necessidades e demandas, isto é, um meio para o fim e não o inverso. Estamos alimentando um paradigma "Frankenstein" que está se voltando contra nós. A muito já se observa o tecido social em farrapos contrariando nossa própria arquitetura neural. 

Para o filósofo francês Émile Durkheim "os fatos sociais devem ser tratados como coisas". Ele ainda forneceu uma definição do normal e do patológico aplicada a cada sociedade, em que o normal seria aquilo que é ao mesmo tempo obrigatório para o indivíduo e superior a ele, o que significa que a sociedade e a consciência coletiva são entidades morais, antes mesmo de terem uma existência tangível. Essa preponderância da sociedade sobre o indivíduo deve permitir a realização deste, desde que consiga integrar-se a essa estrutura.

Se existe alguma dúvida desta nossa natureza social basta observar o comportamento dos neurônios - espelho que se antecipam às reações de outra pessoa para criar a melhor resposta de empatia possível objetivando um processo de vínculo.

A cada nova descoberta da neurociência atualiza-se o conhecimento sobre a importância das interações sociais e de nosso papel em sociedade, reforçando a importância da inteligência emocional como ferramenta capaz de promover a coesão e harmonia social. 

Então, e diante disso, perceba a importância de um senso de coletividade que, em última análise, retorna à você como o produto resultante de sua contribuição no processo. Se a sociedade é forte o indivíduo por sua vez se beneficiará disso, mas o oposto não é um fato, pois onde poucos se beneficiam, em detrimento de muitos, o resultado é o desequilíbrio.

Prosperar ou enriquecer nada tem de mal desde que no processo toda a sociedade, direta ou indiretamente, ganhe com isso. O capitalista investe em um determinado mercado objetivando o lucro, que por sua vez gerará uma carga tributária ao Estado, criará postos de trabalho, cujos salários serão injetados no comércio dentro da engrenagem que alimentará a economia.

Mas, quando o sistema é sabotado por ações fraudulentas, seja do lado do Governo, ou do dono do capital, ou, de quem quer que seja, isto desestruturá todo um mecanismo cíclico e, por conseqüência, será sentido negativamente pela sociedade.

É possível concluir, a partir desta concatenação de raciocínios, que ações nocivas como as citadas, envenenam o meio social e deflagram inúmeros problemas, como por exemplo, a miséria, a violência e a desigualdade social. 

Pensando bem, nem é necessariamente uma discussão moral, mas pragmática mesmo, pois seus efeitos são, de fato, sentidos em suas manifestações. Ora, isso afronta a própria condição da vida humana, daí invocarmos oportunamente a força estatal em sua face jurídica para interferir, salvaguardando, o que ela mesmo tutela- a vida humana e sua dignidade.

O trabalho é condição de dignidade, pois sem ele temos dificuldades em subsistir. Se o homem é aviltado nesta sua condição pode se dizer que a própria sociedade o é também.

Para Durkhein a divisão social do trabalho está ancorada nos dois tipos de consciência que têm lugar nos seres sociais, a consciência coletiva e a individual. Afirmava que o desenvolvimento de uma é exclusivo em relação a outra, sendo o processo de predominância da consciência coletiva em relação à individual o processo de evolução das sociedades, ou de sua complexificação, como também denomina o autor. O filósofo encara está divisão como uma função social como a principal fonte de coesão e solidariedade nas sociedades modernas.

Perceba que o que vivemos hoje em termos de violação de direitos garantidos, em função da ganância de poucos e, que conceituou-se como assédio moral, pretende confrontar e até mesmo questionar, em primeiro lugar as leis naturais de nossa própria evolução e, consequentemente, o faz, aos meios legais, que a sociedade decidiu que protegessem seus valores por meio das mãos do Estado.

Pode-se dizer que os que alimentam está energia perversa são antinaturais à sua própria especie e natureza e, é claro, devem ser confrontados e dissuadidos exemplarmente. Se a sociedade é a soma de seus indivíduos e estes, por sua vez, compõem uma unidade representada pelo inconsciente coletivo, é evidente que este corpo deve reagir ao que é estranho e fagocitá-lo, eliminando a impureza promotora de doenças.

Um sistema de defesa ou anticorpo age eficientemente no combate ao risco que arremete o corpo infectado, da mesma forma, cidadãos conscientes de sua condição podem em cada esfera de influência de sua realidade agir analogamente, a não ser que atuem de forma autoimune, ou seja, contra seu próprio corpo e, aí, é desnecessária a própria doença para que este corpo sucumba.

A sociedade muda com a mudança de seus cidadãos que motivados a defendê-la são uma poderosa arma de transformação social. Isto, é muito mais que ser patriota, mas inteligir. Então, voltamos ao início de tudo, ou seja, toda a mudança começa com um simples disparo elétrico neural que se for comparado a um computador seria um dígito binário "1" e que pra nós corresponderia à palavra "sim" - à mudança, ou melhor, ao retorno do que nos é natural.




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