sábado, 10 de setembro de 2011

Devorador de serpentes



Em Lucas 10: 19, Cristo diz a seus discípulos: “Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda força do inimigo, e nada vos fará dano algum”.

O líder cristão estava falando do poder que seus enviados teriam sobre espíritos nocivos que se submeteriam a eles durante sua missão de evangelização. Durante o texto ele narra que haveria muitas adversidades por onde quer que eles fossem, mas que seriam vitoriosos no fim.


O poder daqueles homens seria testado durante sua jornada. Da mesma forma somos testados todos os dias diante de todo tipo de violência que o homem é capaz de cometer. Desde aqueles tempos, isso ainda não mudou.


Todos os dias lemos nas notícias sobre algum ditador que mata seu povo, de um religioso cristão que abusa sexualmente de crianças, de maridos que surram suas mulheres, crianças que mal tratam outras, estupro seguido de morte cometido por serial killers, corrupção na política, nepotismo no emprego público, assédio moral ou sexual na empresas, fraude etc.


Ora, não é preciso ser muito inteligente pra saber que há algo de errado e que tudo o que foi descrito acima não é bom. A não ser que seja você que tenha cometido tais ilícitos, concordará comigo.


Outro dia ouvi de um camarada que o mal não existe, pois o que um encara como sendo lesivo o outro o vê como benéfico. Usou o exemplo de um caçador com uma arma que seria vista como má para o animal que estava no alvo, mas boa para aquele que atiraria e comeria de sua carne. Belo argumento! Ele só não explicou como isso se daria, caso fosse usada outra analogia, como por exemplo: sua filha ou mulher serem estupradas e degoladas ou um filho seu ser morto por um delinqüente por um tênis.


Não, não dá pra aceitar estas idéias de modo tão calmo assim. O mal existe e muitas vezes vêm encarnado num maldito que decide criar um transtorno em sua vida pelas mais diversas razões incluindo aí, as fúteis.


Eu prefiro ver as coisas sobre outro prisma. Já que meu amigo, da teoria do nada, usou de analogia pra embasar argumentos, eu também o farei e irei buscar o meu exemplo em uma ave que vive lá na África do sul, e, que logo de cara chamou- me a atenção e despertou minha simpatia pelas características que possui.


O secretário é uma ave de grande porte. Sua plumagem é cinzenta, com a cauda, ponta das asas e coxas negras e com cerca de 1,5 m de altura e cerca de 2 metros de envergadura, com patas muito longas que terminam em garras afiadas.


Detalhe: alimenta- se de serpentes, podendo consumir roedores e anfíbios. O secretário mata suas presas com as patas, pisoteando- as.


Muito interessante esse exemplo como analogia, então.


E poderíamos utilizar a própria racionalização dos psicopatas de que o mal não existe e dizer que o que ela faz é pra se alimentar e a seus filhotes, logo não há mal algum aí.


Acontece que a mesma criatura que vem com um papo furado desses, quando se vê debaixo de ataque ou em desvantagem muda de retórica ligeiramente, já que se coloca no papel de vítima.


Mas, voltando à nossa ave incrível, o que poderíamos imitar em seu comportamento pra lidar com as cobras e os ratos do dia a dia e não engolir sapos?

Uma coisa que me chamou muita a atenção foi o fato dela não ter o menor pingo de medo das serpentes. Estas sim, é que se encolhem diante da presença do frondoso animal.


E o que atemoriza estes vermes?

Serem descobertos em seus esquemas os deixa atemorizados. Todo o jogo se baseia no embuste e fazem tudo por debaixo dos panos, fazendo valer seu perfil ardiloso, furtivo e traiçoeiro. Portanto, é preciso olho vivo e atenção a seus passos pra, primeiro detectá- los, e, depois, pisoteá- los, digo denunciá- los.


Tem que ter autocontrole assim como a poderosa ave do deserto que não se abala com os movimentos da serpente. Perceba que eles usam e abusam da tática de desestabilizar as pessoas pra que estas ou percam a razão ou deixem de usá- La.


Terceiro: não tem jeito, é preciso no momento certo partir pro confronto e, depois, de ter tido certeza que a cobra está esmagada, encher a pança.


Pois é, analogia nem sempre é o melhor tipo de argumento, aliás é o mais frágil de todos, mas pode servir de mecanismo de visualização em alguns casos ou pra refutar pseudo argumentos de mentes manipuladoras que substimam a inteligência das pessoas de bem.


De qualquer forma é preciso estar muito atento e ligado com o que, ou quem, podemos nos deparar em algum momento de nossas vidas ou,...acreditar em contos da carochinha.


Veja que no começo desta postagem citei um líder religioso conhecido no planeta inteiro e que viveu a mais de dois mil anos atrás e que desde lá já alertava seus seguidores pra existência do mal e dos perversos.

Não sei se o líder cristão pensava na ave africana quando orientou seus discípulos, mas a lição é a mesma.



Raniery
raniery.monteiro@gmail.com