terça-feira, 16 de dezembro de 2014

A Força da Consciência

Meus assediadores consideram-me uma pessoa perigosa pelo fato de saber me defender ante a indignação pela forma como sou tratado à revelia dos princípios Constitucionais.

O temor deles se dá pelo fato de que ao agir assim acabo quebrando o elo da manipulação que habilmente deflagram há tanto tempo. Sendo assim, outros se sentem impelidos a fazer o mesmo que eu e isso acaba impactando nos interesses dos agressores. Pense: se manipulador perde o controle sobre o grupo, os benefícios auferidos pela estrutura que montou sofrerá um exemplar colapso.

Recentemente um lacaio me confessou a sua surpresa ao descobrir que ainda estou na empresa após todos os ardis que intentaram contra mim. Em sua lógica eu não resistiria a tantas lesões de direitos e pediria pra ser demitido. De fato, sua estratégia encontrou determinadas lacunas que foram devidamente preenchidas por aqueles que desconhecem suas garantias.

Neste sentido, e após conhecer praticamente cada passo da estratégia dos assediadores, me veio à mente a biografia de um homenzinho franzino que fora subestimado por um império e que, por meio da resistência e da desobediência civil, protagonizou uma das derrotas mais emblemáticas sobre a tirania.

Numa época em que a apologia à violência encontra adeptos que se orgulham de sua violência e truculência encorajados por armas ou por técnicas de artes marciais o pequeno Hindu de Porbandar cidade costeira no Índico estado de Gujarat desafiava qualquer padrão cuja inspiração, entre outras, veio de outro homem pacífico que vivera dois mil anos antes nos arredores da Galiléia.

Mohandas Karamchand tinha diante de si uma tarefa considerada não só visionária como impossível, no entanto, seu Espírito de indignação não arrefeceu e demoliu os poderes de um gigante soberbo que se impunha pela violência e pelo medo. Nem mesmo a ameaça de ser escomungado de sua religião o deteve. Formou-se em Direito na terra do inimigo e aprendeu as regras de seu jogo.

Mas, foi quando entendeu que se neutralizasse a capacidade do algoz de lhe impor o temor permitindo exatamente que a ameaça se concretizasse virou o jogo contra seus carrascos e libertou seu povo do jugo. Na verdade seu grande mérito foi mostrar aos seus compatriotas que não tinham nada a perder, pois tudo já lhe tinha sido tirado, principalmente sua dignidade.

Curioso é que sua estratégia consistia em não confrontar o inimigo em sua força física, mas moral. Para tanto se valia da desobediência, marchas pacíficas, boicotes e... jejum! Numa dessas marchas o governo ameaçou de prisão todo aquele que aderisse ao evento programado para ocorrer em determinada rodovia estratégica. Resultado: um sem número de indianos presos e as carvoarias pararam de produzir. Consequência: o primeiro ministro britânico chamou Gandhi para conversar e recuou nas prisões e determinadas discriminações. O resto da história você já conhece.

Tudo foi uma questão numérica e matemática; os britânicos poderiam sufocar um ou dois líderes, mas não poderiam conter a todos. Portanto, resulta daí, o nervosismo dos assediadores morais quando não conseguem isolar alguém que lhes opõem resistência, ainda mais disseminando entre os seus pares tal capacidade.

Longe de mim comparar-me a Mahatma Gandhi, sem com isso furtar-me de sua inspiração para cerrar os punhos de minha consciência contra o abuso e o arbítrio dos covardes que se escondem por trás de seus cargos. Gandhi sabia que seria preso ou açoitado se continuasse, e, era exatamente isso que esperava que ocorresse. Mas, ao invés do problema acabar, os tiranos ingleses testemunharam seu fortalecimento.

Na Índia colonizada pela coroa britânica, as leis discriminavam seus nativos e privilegiavam os invasores. O povo hindu se curvava aos lordes da rainha sem direito, aviltados em sua dignidade. Hoje, vemos isso acontecer de forma análoga em lugares que disseminam o terror e a perseguição e que, no entanto, lançam jornaizinhos com declarações falaciosas maquiando o que de fato acontece.

Nesses lugares, dizem que promoções são meritórias, mas o que se vê é exatamente o oposto. Declaram que seguem os princípios da democracia, mas nos bastidores armam contra aqueles que lhes são indigestos. Colocam jugos sobre uns, entretanto passam a mão na cabeça de outros; depois, manifestam palavras de ordem e moral dizendo que não se justifica o alívio destes em face do erro daqueles, pois, como acreditam estar acima do bem e do mal, acham-se isentos de se retratarem a quem quer que seja- afinal, dizem eles: “manda quem pode, obedece quem tem juízo”.

Não, o homenzinho franzino não se intimidou com a carranca dos tiranos e através de um choque de consciência mobilizou seu povo para enfrentar aquele jugo desigual demonstrando, assim, que a força moral, isto é, da consciência, quando iluminada pelos valores da liberdade são capazes de fazer frente ao mais ameaçador ditadorzinho.

Sim, Mahatma nos ensinou a resistir por um ideal maior e legítimo: nossa dignidade- que é algo inestimável.  Também sim, violadores dos princípios Constitucionais (encarnados pelo conjunto dos Direitos e Garantias Individuais e Coletivos) devem temer e odiar aqueles que os invocam, pois encontrarão ali o seu fracasso e vergonha. E, finalmente, não! Não à inércia e à sujeição aos desprezíveis carcinomas que confrontam os ideais democráticos que tanto desequilibram nossa sociedade.

Portanto, resista...não se incline aos vermes, pois eles não são nada mais que isso. Invoque os poderes Constitucionais para que através de sua supremacia oponha resistência às suas violações.

Viva o Espírito de Gandhi...!
Raniery






raniery.monteiro@gmail.com