segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Escravo ou general?


Se você já viveu um pouquinho teve tempo de perceber que somos seres distintos apesar de padrões similares.


Deve ter notado que as pessoas se agrupam segundo determinados interesses e afinidades. De forma intuitiva  acabou classificando as pessoas por esses grupos ou tribos.

Eu também, não fugindo a regra, vejo as pessoas segundo suas características comportamentais e fiz a minha classificação. São três grupos: os servis medrosos, os servis parasitas ou mercenários e os dignos.

Tudo tem a ver como você se enxerga nesse mundo e que papel veio desempenhar por aqui. Tem gente que tem a auto estima deteriorada por uma série de fatores e não consegue se libertar de uma vida de escravidão, submissão e se vê como tapete de outros.


Há aquele, que por sua vez, não possuem o menor escrúpulo consigo mesmo e servem por interesse visando algum benefício em relação a um abusador.

No fim é tudo uma questão de escolha.

De escravo a General

Por volta de 70 a.C. um sujeito abalou as estruturas do império romano por pelo menos três anos. Seu nome: Spartacus.

Feito escravo por ter desertado do exército romano e obrigado a se tornar um gladiador pra alimentar a diversão sádica dos imperadores se tornou um mito e uma lenda que duram até hoje.


Em determinado momento lidera um  levante que coloca em liberdade cerca de 70 homens que foram treinados pelos próprios romanos para matar. Destes escravos iniciais formou um exército de cerca de 90.000 que colocaram a Império de pernas para o ar.

O marcante nele é que há um espírito indomável, uma sede de liberdade e um enorme poder de resistência contra a crueldade do povo escravocrata. De origem humilde, mas um estrategista nato, conseguiu se impor de modo improvável a quem era muito mais poderoso que ele, e, só foi derrotado por causa de seus próprios liderados que em determinado momento acharam – se imbatíveis diante das poderosas legiões romanas ao invés de se encaminharem pra tão almejada liberdade, indo direto pra própria armadilha que criaram, e, tudo se acabou.

Essa é a lição: a soberba derruba qualquer um, mesmo que tenha sentimentos e desejos legítimos.

Direitos fundamentais e violência moral

Hoje vemos situações similares se repetirem nas organizações onde determinadas pessoas, simplesmente pelo poder econômico, se endeusam e se revestem de tirania praticando todo tipo de abuso e atormentando as pessoas pelo simples prazer de se impor. É o chefe, o gerente, o supervisor, o superintendente, o inspetor, seja lá qual for o nome que adotem.

Possuem objetivos e obrigam aqueles a quem se subordinam a alcançá- los, gostando ou não. Violam os direitos básicos, constitucionais e fundamentais sem o menor constrangimento e muitas vezes contam com seus lacaios pra levar a cabo seus nefastos planos.

Estamos falando de assediadores morais que não se intimidam com processos judiciais, psicopatas perversos  na melhor assepção da palavra, que desafiam a justiça e o estado democrático de direito através de seus grupos ou estruturas que contam com a corrupção das instituições e de seus representantes. É o mundo dos sórdidos e cruéis.

Aliados a eles estão os mercenários servis que são aqueles que sujam suas mãos pelos chefe por troca de migalhas e lavagem e que, quando não servem mais, são descartados como dejeto que se propõem a ser.

Infelizmente há os que se intimidam e se sujeitam ao abuso tomados pelo medo e terror. Não conseguem esboçar a menor resistência e são lesados nos mais básicos direitos, devorados por facínoras sem alma. Não sabem o que fazer, ou se podem se defender. Foram acorrentados psicologicamente e escravizados em sua alma.

Em menor número ainda, há os que resistem levados pela indignação e a não resignação diante da perversidade de um insano  perverso narcisista. Esses, com certeza vão sofrer um pouquinho mais por defender sua honra e dignidade. Faz sentido, pois é uma ameaça ao agressor. Dignidade é um valor que não têm preço e quem vendeu a sua não se importará em rastejar aos pés de um violador, mas quem a tem intacta não a entrega de jeito nenhum.


Toda perseguição é menor diante do fato de se manter leal a si mesmo e não se ver objeto de ninguém.

O espetáculo do assédio e as arenas dos dias atuais

Na Roma antiga havia as arenas onde espetáculos sangrentos eram proporcionados pra saciar a sede de maldade dos imperadores e seu povo à custa de vidas de homens, mulheres, crianças e até dos animais no mais baixo estado de selvageria humana.

Hoje, quando estamos diante da perseguição de colegas de trabalho por um maldito assediador, nos escondemos covardemente ou até nos divertimos torcendo pra que o conflito se acirre independentemente de quem ganhe, seja vítima ou agressor.

Espírito de liberdade

Presisamos urgentemente nos livrar desse espírito servil que nos acorrenta, retomarmos valores importantes que fazem de nós seres melhores e rejeitarmos essa onda de valores psicopáticos que a nossa civilização incorporou onde a vida está banalizada e vivemos enclausurados em nosso narcisismo destrutivo.


Raniery
raniery.monteiro@gmail.com