segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Princípios e valores


Não dá pra dizer somente pela aparência que uma pessoa é confiável ou não. Não existe um traço físico ou visível que demonstre que determinada pessoa é íntegra ou perversa.

Existem pessoas que não possuem o menor senso ético ou moral, sendo desprovidas de qualquer vestígio de humanidade.

Vivem encapsuladas dentro do universo de seu egocentrismo e, portanto, não sentem- se constrangidas ao causar transtornos ou sofrimento aos outros.

Sentimos dificuldade em acreditar na existência deste tipo de anomalia humana, já que não compartilhamos de sua estrutura mórbida e obscura de ser. Fossem animais selvagens, até entenderíamos, mas quando nos deparamos com pessoas que não esboçam quaisquer trejeitos malévolos, isto nos confunde.

A primeira pergunta que nos acomete é: como poderia aquela senhorinha de voz meiga e feições angelicais ser a manifestação do mal encarnado na terra; ou aquele cristão exemplar, que diante da sociedade, parentes e amigos é um modelo a ser seguido, mas que em sua vida dupla é um furtivo predador social que deixa um rastro de dor e destruição por onde quer que passe; que dizer daquela menina linda e doce, com seu jeito atraente e delicado, mas que esconde em seu interior um ninho de víboras peçonhentas.

Pois, é. Temos a tendência de vermos as pessoas pelo mesmo senso de consciência que possuímos, e, de certa forma deveria ser assim mesmo, caso tudo ocorresse de forma ideal na vida.

Acontece que isso pode ser uma atitude perigosa e atrair exatamente estes oportunistas tenebrosos que patrulham por aí buscando os ingênuos e desavisados.

Cada um sabe a importância que sua vida tem. Sendo assim, fica por nossa conta se nos exporemos a qualquer um ou seremos seletivos sobre quem terá acesso em nossas vidas. É muito bom ter amigos... “de verdade”.

Se tem algo que cega, é o comprometimento emocional. Seja homem ou mulher. Quem não gosta de um bom papo, de uma pessoa divertida, “sociável” etc. E aquele camarada que é um “vereadorzão”? Dá abraço e palmadas nas costas de todos, exímio piadista, é amigão de todo mundo e, na realidade, não gosta ninguém. Mesmo assim, preferimos este perfil, que é exterior e superficial, a termos o trabalho de observar mais atentamente quem realmente está por trás daquela fachada.

Vivemos um momento em que nossa atual civilização está carente de seus principais valores e princípios, o que acaba criando em nós a sensação de que os perversos são a maioria.

Ocorre que as pessoas de bem, aquelas que possuem um razoável equilíbrio entre a razão e a emoção, ou seja, possuem consciência, se omitem ou se intimidam diante de um sistema perverso que valoriza exatamente o lado obscuro daqueles que são cruéis.

Outro dia estava discutindo este assunto com um colega de trabalho que me perguntou qual era minha opinião sobre as pessoas ditas boazinhas.

Eu entendi que ele estava falando daquele tipo de pessoa que não esboça reação diante dos abusos por acreditar que sequer pode se defender, pois senão será tida como má. Ela, na realidade confunde, ser do bem com submissão, o que não é a mesma coisa evidentemente.

Todas as sociedades humanas possuem seu conjunto de princípios e valores que permitem o mínimo de integração social pacífica. Não estou falando aqui de leis ou normas jurídicas, pois estas podem existir sem vinculação com as normas de ordem moral.

Penso naquela ordem de princípios que carregamos conosco e que nos permite decidir e escolher entre fazer o mal ou não a alguém, e, entender o que é isso, ou seja, o que é o mal para o outro. Isso já nasce com a gente de certa forma. Tem coisa que ninguém precisa te dizer pra você entender que é certo ou errado.

Ser do bem não é tolerar ou submeter- se à perversidade do outro. Pelo contrário, é se manifestar firmemente contra isso e não dar- lhe espaço pra dar vazão a sua maldade.

Desta forma poderemos manter o equilíbrio e não deixar ocorrer o que vemos todos os dias por aí: a mazela humana em sua total decadência.

Portanto, podemos concluir que aparência não retrata necessariamente a realidade e é preciso avaliar o conteúdo e não somente a forma. E isso serve pra nós mesmos numa análise interior, pois é fácil avaliar o outro, difícil mesmo é a auto crítica.

Deste exercício é que emerge a essência dos princípios e valores.


Raniery
raniery.monteiro@gmail.com