Pular para o conteúdo principal

A falha que se explora


Pesquisando sobre a habilidade de raciocinar no livro do Dr Willian Douglas, “Como passar em provas e concursos”, me deparei com um capítulo que fala sobre as falhas de raciocínio.

Willian Douglas diz: “O ser humano tende a procurar culpados ou desculpas ao invés de assumir seus erros. O cérebro tem pressa em identificar as coisas, podendo ver o que não existe. Verificamos esse fenômeno, por exemplo, quando reparamos nas reações do sistema límbico, rápidas, mas com um risco de estarem equivocadas. Toda resposta muito rápida (emocional, passional ou impensada) corre o risco maior de não ser a mais adequada. Por isso, devemos sempre validar nossas primeiras impressões”.

A partir desta particularidade humana manipuladores procuram disseminar boatos ou falsas informações segundo seus sórdidos propósitos. Eles possuem um conhecimento intuitivo desses processos mentais que eu chamo de “preencher lacunas”.

A resposta mais rápida é a que menos dá trabalho. Há pessoas que se cansam somente de pensar que devem pensar. Portanto, uma resposta “fast food” vem bem a calhar para elas. É aí que mora o perigo. Aliás, perigo para alguns, paraíso para outros. Um assediador moral, por exemplo, adorará ter nas mãos um grupo de pessoas que vivem por osmose desse jeito.

O processo todo se desenvolve espontaneamente. Basta somente dar um empurrãozinho; e, é o que o assediador fará. Primeiro, ele elegerá seu alvo, depois plantará a falsa informação que se alastrará como fogo na mata. A pessoa então passará a ser estigmatizada e o rótulo grudará nela mais que carrapato.

“Fofocar é uma delícia e alimenta a alma! Como é gostoso falar mal de alguém, principalmente se tiver uma conotação negativa. Cresce-se pelo desmérito alheio. AH! Como é bom!” Menos se isso ocorrer comigo; aí, é bullying ou assédio moral, mas com o outro não! É que pimenta no...do outro é refresco. É a boa e velha hipocrisia humana em ação.

Mas, voltando ao canalha manipulador, sabemos que ele se beneficia deste vício de raciocínio e sua perspicácia para o mal funcionará tanto quanto o grupo alimentá-la. Sendo assim, se formos manipuláveis ou formatados para seguir cegamente o que uma figura de autoridade disser, nos assemelharemos aos lemingues que se projetam penhasco abaixo dominados por seus instintos migratórios: a maioria sucumbe desnecessariamente. Corre-se o risco até de se deixar levar por algum líder religioso fanático e acabarmos em um suicídio coletivo. Parece exagero, mas já ocorreu.

Ora, se alguém tem problemas com outro que resolvam a questão entre si e não utilizem terceiros para isso. Acontece que a covardia não conhece limites e fomos doutrinados a chamar de competição a destruição alheia (a qualquer preço) se os fins justificarem os meios.

Provavelmente você já viu ou participou daquelas rodinhas nefastas para execrar alguém sem que se desse a chance dele se defender ou expor sua versão do conflito. E, por quê? Porque não importava. Tanto fazia se era verdade ou não o que se dizia, pois o legal era massacrar alguém que estava em posição desvantajosa, como se tudo hoje em dia fosse um jogo de algum reality show qualquer.

Pense por um momento nessa meia dúzia de pessoas; quando estavam lá disparando suas setas venenosas contra um colega, que pode muito bem jamais ter feito mal algum a eles. Sabe-se que o que estavam praticando é antiético e réprobo do ponto de vista moral e social, mesmo assim eles foram até o fim. Só, que o tempo passará e, em determinado momento, um se tornará competidor do outro e se sentirão ameaçados. Adivinhou o que acontecerá? Pois é, aquele que antes pisou será pisado, mas não manterá o mesmo discurso competitivo e se sentirá injustiçado e traído.

Perceba, então, que reproduzir o comportamento de um assediador e alimentar o seu jogo de intrigas pode ser arriscado se pensarmos que esse boomerang pode se voltar contra nós dentro dos princípios dessa brincadeira suja. Se deixar manipular demonstra burrice, mas participar, então, é a confirmação absoluta disso. 

Se o assediador sentir que seu comportamento foi reforçado pelo grupo, isso o motivará a manifestar seus insaciáveis instintos predatórios que para alimentar sua mórbida necessidade o impelirão a caça, indo de pessoa a pessoa (incluindo até os que o serviram) deixando um rastro de destruição psíquica, emocional ou profissional.

Veja o quão é importante é, então, não se precipitar em conclusões a respeito das pessoas ou circunstâncias, ainda mais saídas de rodinhas de desocupados maldosos ou de um manipulador inescrupuloso que poderá trazer uma carga de injustiça a ser cobrada pelo universo em situação oportuna. 
Como lidar com a fofoca no trabalho?Raniery
raniery.monteiro@gmail.com

Comentários

  1. Muito bom, é mais ou menos como eu penso...e por isso existe aquela frase "Não faça com os outros, o que não gostaria que fizessem com você". Até no pai nosso isso é mencionado.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Cuecão de Couro?

Se a vida imita a arte eu não sei, mas em 1994, na comédia pastelão Ace Ventura Detetive de animais, a vilã Tenente  Winky no final da trama é desmascarada e ...bem, assista ao filme. De qualquer forma, tão surpreendente quanto a inusitada cena foi a confissão de um Seal americano através de uma rede social- ele trocou sua foto em seu perfil pela de uma mulher alta, morena, com uma blusa branca, sorrindo diante de uma bandeira americana. E escreveu: "Tiro agora todos os meus disfarces e mostro ao mundo minha verdadeira identidade como mulher". Chris Beck trabalhou 20 anos no Navy Seals, um comando especial da Marinha dos EUA que frequentemente faz operações secretas em territórios inimigos. Mas ao longo desse período o oficial guardava um segredo pessoal: desde a infância, ele sentia que era uma mulher nascida em um corpo masculino. Leia mais... Quem imaginária nos seus mais loucos sonhos que um camarada machão como esse escondia uma princesa desesperada por carin...

A psicologia aplicada ao Direito

A Psicologia Jurídica: suas interligações com o Direito e algumas especificidades Falaremos em Psicologia Jurídica, por motivos já explicitados no artigo A Psicologia Jurídica, uma área em expansão . Esta especialidade é recém reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia (Resolução n° 14/00 em 22/12/00), é uma área carente de bibliografia e as pessoas que decidiram seguir por esse caminho tem tido que desenvolver seus trabalhos através de experiências próprias. A iniciativa deste artigo é de trazer à baila algumas questões pertinentes a área da Psicologia Jurídica e fazer as pessoas pensarem sobre o tema. Também notificamos que segundo a Lei 4119 (1962): “Art. 13 § 2º- é da competência do psicólogo a colaboração em assuntos psicológicos ligados a outras ciências” (BRASIL, 1999, p.16). Portanto, explica-se a ligação da psicologia com o Direito, que foi designada através da Resolução n° 014/00 do Conselho Federal de Psicologia (CFP) ao instituir o título profissional de ...

A covardia do machismo

Todo e qualquer agressor é um covarde por excelência, mas entre a grande variedade existente, talvez, nenhuma seja pior do que aquele que agride mulheres. Este tipo de imundície humana, se não for um psicopata, é um maldito machista criado no seio da sociedade. Quando nasce, o menino é “educado” pra ser o machão: - Filho meu, tem que “comer” todas. Não aceita mulher mandar em casa, aliás, não aceita que mulher sequer pense. Pra que elas precisam pensar? Comigo é domada no tapa. Esse discurso é incutido na mente do futuro desajustado social. E assim, nosso pequeno monstrinho, vai aprender, logo cedo, de que forma tratar uma mulher. Quando não é o pai que distorce a mente do filho, é a própria mãe que estimula essas anomalias humanas, criando verdadeiros parasitas que são incapazes de fazer o mínimo, como colocar seu próprio prato de comida, e, quando formar uma família, adivinhe o que vai acontecer. Esse camarada vai chegar do trabalho e se sentirá revoltado se sua escrava não já...