quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A falha que se explora


Pesquisando sobre a habilidade de raciocinar no livro do Dr Willian Douglas, “Como passar em provas e concursos”, me deparei com um capítulo que fala sobre as falhas de raciocínio.

Willian Douglas diz: “O ser humano tende a procurar culpados ou desculpas ao invés de assumir seus erros. O cérebro tem pressa em identificar as coisas, podendo ver o que não existe. Verificamos esse fenômeno, por exemplo, quando reparamos nas reações do sistema límbico, rápidas, mas com um risco de estarem equivocadas. Toda resposta muito rápida (emocional, passional ou impensada) corre o risco maior de não ser a mais adequada. Por isso, devemos sempre validar nossas primeiras impressões”.

A partir desta particularidade humana manipuladores procuram disseminar boatos ou falsas informações segundo seus sórdidos propósitos. Eles possuem um conhecimento intuitivo desses processos mentais que eu chamo de “preencher lacunas”.

A resposta mais rápida é a que menos dá trabalho. Há pessoas que se cansam somente de pensar que devem pensar. Portanto, uma resposta “fast food” vem bem a calhar para elas. É aí que mora o perigo. Aliás, perigo para alguns, paraíso para outros. Um assediador moral, por exemplo, adorará ter nas mãos um grupo de pessoas que vivem por osmose desse jeito.

O processo todo se desenvolve espontaneamente. Basta somente dar um empurrãozinho; e, é o que o assediador fará. Primeiro, ele elegerá seu alvo, depois plantará a falsa informação que se alastrará como fogo na mata. A pessoa então passará a ser estigmatizada e o rótulo grudará nela mais que carrapato.

“Fofocar é uma delícia e alimenta a alma! Como é gostoso falar mal de alguém, principalmente se tiver uma conotação negativa. Cresce-se pelo desmérito alheio. AH! Como é bom!” Menos se isso ocorrer comigo; aí, é bullying ou assédio moral, mas com o outro não! É que pimenta no...do outro é refresco. É a boa e velha hipocrisia humana em ação.

Mas, voltando ao canalha manipulador, sabemos que ele se beneficia deste vício de raciocínio e sua perspicácia para o mal funcionará tanto quanto o grupo alimentá-la. Sendo assim, se formos manipuláveis ou formatados para seguir cegamente o que uma figura de autoridade disser, nos assemelharemos aos lemingues que se projetam penhasco abaixo dominados por seus instintos migratórios: a maioria sucumbe desnecessariamente. Corre-se o risco até de se deixar levar por algum líder religioso fanático e acabarmos em um suicídio coletivo. Parece exagero, mas já ocorreu.

Ora, se alguém tem problemas com outro que resolvam a questão entre si e não utilizem terceiros para isso. Acontece que a covardia não conhece limites e fomos doutrinados a chamar de competição a destruição alheia (a qualquer preço) se os fins justificarem os meios.

Provavelmente você já viu ou participou daquelas rodinhas nefastas para execrar alguém sem que se desse a chance dele se defender ou expor sua versão do conflito. E, por quê? Porque não importava. Tanto fazia se era verdade ou não o que se dizia, pois o legal era massacrar alguém que estava em posição desvantajosa, como se tudo hoje em dia fosse um jogo de algum reality show qualquer.

Pense por um momento nessa meia dúzia de pessoas; quando estavam lá disparando suas setas venenosas contra um colega, que pode muito bem jamais ter feito mal algum a eles. Sabe-se que o que estavam praticando é antiético e réprobo do ponto de vista moral e social, mesmo assim eles foram até o fim. Só, que o tempo passará e, em determinado momento, um se tornará competidor do outro e se sentirão ameaçados. Adivinhou o que acontecerá? Pois é, aquele que antes pisou será pisado, mas não manterá o mesmo discurso competitivo e se sentirá injustiçado e traído.

Perceba, então, que reproduzir o comportamento de um assediador e alimentar o seu jogo de intrigas pode ser arriscado se pensarmos que esse boomerang pode se voltar contra nós dentro dos princípios dessa brincadeira suja. Se deixar manipular demonstra burrice, mas participar, então, é a confirmação absoluta disso. 

Se o assediador sentir que seu comportamento foi reforçado pelo grupo, isso o motivará a manifestar seus insaciáveis instintos predatórios que para alimentar sua mórbida necessidade o impelirão a caça, indo de pessoa a pessoa (incluindo até os que o serviram) deixando um rastro de destruição psíquica, emocional ou profissional.

Veja o quão é importante é, então, não se precipitar em conclusões a respeito das pessoas ou circunstâncias, ainda mais saídas de rodinhas de desocupados maldosos ou de um manipulador inescrupuloso que poderá trazer uma carga de injustiça a ser cobrada pelo universo em situação oportuna. 
Como lidar com a fofoca no trabalho?Raniery
raniery.monteiro@gmail.com