quarta-feira, 8 de agosto de 2012

No mundo dos espertões


Para tudo na vida precisa-se de inteligência, pois é a melhor maneira de conseguirmos atingir determinados objetivos; mesmo os réprobos. Até para ser bandido é necessário um mínimo de habilidade para não ser pego e pagar pelo delito cometido.

Só que tem gente que não pensa assim e discorda do meu argumento. Ainda bem, porque é exatamente este tipo de esperto que cedo ou tarde será traído por seus próprios atos, segundo outro argumento que defendo.

Ao que parece, estou no caminho certo, a despeito de não ser um especialista, e, portanto, minhas afirmações carecerem de comprovação científica, ficando no limite da opinião, do conhecimento intuitivo ou até mesmo da conjectura. Isso não significando que eu não tenha noção do verdadeiro.

O que faço é utilizar o raciocínio para chegar às conclusões. Até aí, nada de fantástico, pois deveria ser assim com todos.

Pois bem, nesses dias, uma criatura daquelas que se acham espertas está sendo objeto de investigação pelo MPT por fraude. Nisso, nenhuma novidade, já que qualquer um de nós que for objeto de denúncia responderá e terá a oportunidade de se defender. Mas, este personagem desafia as leis da lógica, pois para ele não bastava o ilícito em si, que lhe gerava uma vantagem financeira, era preciso usufruir moralmente daquilo. A forma que ele escolheu: ostentar.

Mas, pense: se estou cometendo alguma forma de crime, a discrição não deveria ser a minha principal característica? Eu faria isso, e, qualquer outra pessoa na mesma situação, também.

Em determinados ambientes, como os laborais, todo mundo sabe da vida de todo mundo; logo, de certa forma, ali, seria o último lugar que eu decidiria afagar meu ego demonstrando o que possuo, ainda mais sendo fruto de malandragem.

Imagine que eu trabalhe no mesmo setor que você, então, é razoável crer que ganhamos mais ou menos a mesma coisa. Complementamos os valores através de duras horas extras e vamos “tocando o barco”. Coisa de proletário. Mas em um dia qualquer, eu, bonitão, charuto na boca, roupa de cafetão dos anos 70, chego todo emprumado em um, Shelby Cobra GT 500 preto. No mínimo, inusitado, não é mesmo?

Mas, para não dar bandeira, entro no setor comentando das jogadas da semana no Brasileirão. Só para tirar o foco. Papo vem, papo vai, e começo a falar do boom imobiliário que a região vive, por conta das recentes descobertas de petróleo, e, “lanço” que adquiri um modesto imóvel em bairro popular da cidade.

Eu não sei quanto a você, mas eu ficaria muito ressabiado com alguém que chegasse assim ao trabalho, pois ou ele ganhou na loteria ou...o óbvio!

E, se neste setor eu tiver um “parceirão”, daqueles?! Sabe, aquele “amigão do peito”?! Esse sujeito não consegue ver ninguém se dar bem por meios escusos que já fica com invejinha. O Parceirão, fica se corroendo e tem uma idéia. Ele sabe que tem um camarada, lá na empresa, que vem lutando contra a violência deflagrada por assédio moral e que fez umas denúncias junto ao MPT. Fácil, pensou: vou até ele, conto uma história, e, o trouxa fará todo serviço para mim e o bonitão do carrão, se ferrará.

O espertão do carrão, por sua vez, não se preocupa em ser pego, pois como ele costuma dizer: “tá tudo certo”. Em um belo dia, se arruma para ir embora, e, no processo, deixa seu informe de renda cair em algum lugar. Quem acha aquela preciosidade? O parceirão! Pronto! Mistério desvendado e raiva aumentando.

O Parceirão, então, vai procurar o trouxa denunciante para armar contra o esperto do carrão, mas para sua surpresa descobre que o trouxa, infelizmente, não é tão trouxa assim.

A idéia era boa, ele diz:

- Esse otário, quando souber do que está acontecendo, vai sair correndo denunciar e a gente derruba o bonitão do carrão.
- Quando a casa dele cair, todo mundo se voltará contra o trouxa pela delação.
- Desta forma, derrubamos o espertão do carrão, ninguém nos chamará de cagueta e o otário que fique queimado, já que é  o que acontece mesmo, por causa do assédio moral que passa! Mais um, menos um, que diferença faz, né?

O que ele não esperava era que o otário, em questão, diria para ele encabeçar a denúncia, mesmo que no anonimato. A coisa, então, saiu do roteiro. Curiosamente, o bonitão do carrão, que não passa de um vacilão, pois no desespero caguetou até os irmãos, está sendo alvo de investigação pelo MPT, pois foi denunciado. Logo ele, que tempos atrás se revoltou contra a caguetagem e levantou a bandeira da Associação dos Caguetados Mortos!

Fica, então a reflexão: o camarada que quer ser bandido deveria tomar alguns cuidados:

- Não ostentar: quer na frente de desafetos ou de amigos duvidosos;
- Se a casa cair: não entregar os “irmãos”;
- Aprender a jogar xadrez: desenvolve a inteligência.
Raniery

raniery.monteiro@gmail.com