terça-feira, 28 de agosto de 2012

E não é que é!


Viver em um país onde a corrupção e criminosos de colarinho branco se alastram e proliferam por todo lado é desanimador. Estas pessoas desafiam toda uma estrutura jurídica que tem em seu objetivo final regular as interações sociais para atingir o equilíbrio e a paz coletiva. Quando se quebra esta harmonia o que sobra são a insegurança e a incredulidade nas instituições descambando para o caos.

Decadente é o nome que se dá para lugares assim onde não se segue regras, normas ou ordenamentos e suas paredes estão tomadas por bandidos que pretendem enriquecer ilicitamente se beneficiando de sua própria torpeza.

Nestes antros, o cidadão (ã) de bem é perseguido e acuado; o trabalhador e pai de família, da noite para o dia se vê arrastado por armações ao passo que o ladrão contumaz não só é poupado como também é tido em alta estima.

Isso me lembra de um arroubo de indignação que o mestre nazareno teve quando foi ao templo que estava tomado por salteadores, e, com um chicote de cordas expulsou a todos. Em seguida os doentes e as crianças puderam entrar no local. Foi uma verdadeira limpeza.

Todas as áreas da vida humana necessitam de regulação e o próprio Estado, dentro de sua esfera de poder, é chamado de administração pública. Em um sistema de pesos e contrapesos para não haver abuso, seu poder é autolimitado pelos princípios da administração pública: princípio da Legalidade, da Impessoalidade, da Finalidade, da Moralidade e da Publicidade. Sem falar nos princípios gerais do direito como o da proporcionalidade e da razoabilidade.

Ocorre que, como sabemos transgressores de regras sociais não seguem normas, leis, muito menos princípios, mas não são amorais: são imorais. Esse é o seu mundo e não há nada que os constranja, já que desligaram suas consciências deliberadamente. A única coisa que os move são seus impulsos gananciosos que devem ser satisfeitos em caráter imediato, nada podendo estar em seus caminhos.

Na postagem anterior eu relatei como de forma desonesta eles atuam e sentem uma sensação de impunidade quase que ao ponto do orgasmo, pois isso os excita e os desafia, isto é, não serem pegos e passarem incólumes diante de suas sórdidas armações.

Agora pense: qual é o melhor ambiente para se fixarem, onde terão alimento em abundância, abrigo e proteção, sobretudo no Brasil? Pois é, a coisa pública é o seu ninho preferido. É lá que eles se criam e se reproduzem numa orgia bizarra, de embrulhar o estômago, em meio a sujeira e podridão.

Nas empresas públicas, como a que eu trabalho, estes seres são como raposas tomando conta do galinheiro- nada mais conveniente; por isso se agarram ao poder ferozmente. Tanto que há um jargão conhecido por aqui que é “mamar na teta”, mas diferentemente de mamíferos estão mais para parasitas intestinais.

Se há uma coisa que motiva o comportamento destes criminosos é a sensação de impunidade de que desfrutam, pois agem como se nunca pudessem ser pegos e, tenho que admitir, estão obtendo sucesso, já que ainda não tiveram que prestar contas por enriquecimento ilícito . Aliás, se você tivesse a oportunidade de ver as fichas deles ficaria impressionado em como são ótimos profissionais. Chega a ser poético, pois são pessoas melhores que a madre Tereza de Calcutá. Incrível! Desta forma, eles vão de esquema em esquema desafiando as leis e passando os outros para trás. É a arte da vigarice.

Recentemente tivemos a notícia de que extrapolaram ao armarem contra o grupo numa patifaria sem precedentes talvez. Isso, sem contar com um ingrediente a mais partindo de quem se apresentou para nos representar. É que estamos em fase de reestruturação salarial e do plano de cargos e salários, e, até nisso somos reféns de pessoas que só visam seus próprios interesses em detrimento dos demais. 

Eu fico imaginando se nossos representantes não estão se vendendo por duas ou três moedas de pratas, isto é, os cargos que mais tarde ocuparão nas costas do restante daqueles que estão fazendo de trouxas. Como será que venderão este peixe, heim? Porque terão que ter muita habilidade pra nos convencer de que um grupo terá um aumento de alguns porcentos enquanto os da panela terão centenas. Matemática maneira essa, não é? Como subestimam nossa inteligência...! 

Acontece que este tipo de conduta está saturando as pessoas que já não estão mais dispostas a se manter tolerantes e resignadas diante das falcatruas e das manipulações, pois os ânimos estão exaltados. Ainda mais quando se sabe que estão utilizando de artifícios que não são legítimos para levar vantagens sobre os outros. Uma hora esta bomba vai explodir e pelo que as pessoas estão dizendo a coisa pode ficar feia para estes espertões.

Estas pessoas desafiam princípios constitucionais e de forma descarada passam por cima de ordenamentos maiores, portanto deixando uma clara mensagem de que estão por cima do bem e do mal e que não estão temerosos, pois confiam em sua impunidade. A coisa chega ao ponto de bancarem pessoas para coagirem e espionarem a vida dos trabalhadores como faziam nas décadas da ditadura militar sob um regimento ultrapassado e que em alguns pontos viola a Constituição brasileira, portanto sob a égide da arbitrariedade.

O que se pretende é agir à margem da legalidade utilizando- se pessoas que não possuem atribuição ou poder de polícia, portanto, legitimidade para investigar ou levantar a vida dos trabalhadores configurando a institucionalização de delatores profissionais custeados pelo Estado. É como se ainda estivéssemos regidos pelas mãos de ferro de tiranos dos anos de chumbo. Talvez seja o caso até de encaminhar ao Senado Federal denúncia sobre este tipo de conduta deplorável que acontece justamente quando a comissão da verdade vem passando o país a limpo.

A única coisa que me pergunto é como alguém que foi investido (amiguinhos da panela) por um ardil e esquema poderá exigir disciplina de trabalhadores; só se for por meio de coação e daí para o abuso e o assédio moral será um pulo. Por outro lado correrá o risco de pegar um mais descontrolado e farto e a coisa sair fora de controle, fato que não se justifica, mas se constata.

O mais impressionante nestas histórias é que este tipo de gente que adota essas posturas réprobas acaba alimentando aqueles que pretendem privatizar setores públicos (como quer a presidenta Dilma) - é o caso dos portos. Com isso, oferecem subsídios e alimentam argumentos favoráveis a estas intenções colaborando para no final a demissão de inúmeros outros trabalhadores.

Por isso que a maior razão para se lutar contra a corrupção e bandidos travestidos de trabalhadores é  justamente o fato deles disseminarem todo tipo de ilícitos, sujeiras e perversidades que prejudicam ou lesam o verdadeiro trabalhador que com honestidade e competência ganha sua vida.

Ficar de braços cruzados enquanto o perverso se instala é negligenciar a si mesmo e aos seus dependentes; é entregar de mão beijada seus sonhos e objetivos nas mãos de pragas que o devorarão; é jogar no lixo todo o seu suor e sacrifício conquistado a duras custas.

É fato que quando se ataca a causa elimina-se o efeito,mas ignorá-los leva o corpo ao seu fim.
Raniery


raniery.monteiro@gmail.com